16.4.14

25 de Abril de 1974



A Queda do Regime

Cascais



NOTAS SOBRE A SESSÃO PÚBLICA/DEBATE DE 14 DE ABRIL DE 2014 – CASCAIS

Os Núcleos de Cascais e Lisboa Ocidental da Região Lisboa  promoveram no dia 14 de Abril, em Cascais,  um debate no âmbito da campanha UMA VOLTA PELO VOTO. Sala cheia.
Com a presença dos oradores Jaime Silva, Conselheiro da Comissão Europeia, José Ribeiro e Castro, deputado à Assembleia da República e Diogo Duarte, presidente da associação de estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, da Universidade de Lisboa, bem como de Rosário Gama, presidente da Apre!.
Ainda estiveram presentes Fernando Martins e Teresa Rio  da Direcção da APRe!.

Jaime Silva o primeiro orador convidado falou das 3 princípios orientadores da Comissão Europeia aquando da presidência de Jacques Delors:
·    Concorrência;
·    Cooperação – base da construção da União Europeia;
·    Solidariedade com os diferentes Estados Membros.
Todos os Estados Membros são parte integrante da União Europeia.
Os processos de decisão competem ao Parlamento Europeu e ao Conselho. O Tratado de Lisboa reforçou os poderes do PE. Todos os Estados Membros contribuem para o Orçamento da UE. Realçou que os Estados Membros negoceiam com a Comissão em pé de igualdade. Não vamos pedir nada, vamos negociar, a UE é um clube onde se negoceia.
A Comissão, que tem poderes para propor legislação negoceia com os Estados Membros, com base em estudos, elabora o livro branco, o livro verde. Temos de participar nas estruturas associativas em Bruxelas para sermos ouvidos.
Realçou bem a importância de o país ter objectivos nacionais nas  áreas das funções do Estado, da Educação, da Saúde, da Segurança Social, no contexto da crise económica, que veio chamar a atenção sobre estas questões.

Ribeiro e Castro  realçou o descontentamento que existe na sociedade portuguesa sobre o comportamento dos políticos. Os partidos políticos portugueses não ajudam a perceber a importância do Projecto Europeu e das Eleições Europeias. Continuamos a dizer que nós cá é que sabemos, esquecendo que   
60% das decisões são tomadas em Bruxelas, pelo se deve escolher  uma equipa capaz de defender o interesse nacional em função dos interesses europeus. Com excepção das listas do PS, até ao  8º lugar,  as outras listas são fracas.
Os partidos deviam explicar três temas nesta campanha eleitoral:
·    Reflexão crítica sobre os Fundos de Coesão;
·    Convergência da zona Euro;
·    Como fazer participar os cidadãos nas eleições europeias.

Diogo Duarte referiu que os jovens têm uma forma e estar rebelde, por vezes não querem aceitar os ensinamentos dos mais velhos.
Os jovens que desistiram de lutar têm de assumir responsabilidades e não apenas a invocar ajuda.
Falou da participação cívica, designadamente na participação das eleições para os dirigentes associativos  e mesmos na vida das associações.
Finalmente referiu que era fundamental que os jovens compreendessem a importância de ir votar nos candidatos ao PE.

Maria do Rosário Gama  referiu a importância do voto. O voto branco ou nulo não têm qualquer influência no apuramento de resultados.
A APRe! percebeu que já tinha entendido a mensagem do JS pelo que já se está a trabalhar  no processo europeu, frisou as acções já realizadas nesse sentido, designadamente o Colóquio Internacional realizado em Lisboa, no ano passado,  no qual estiveram representadas associações  (grega, francesa, espanhola), referiu ainda as idas ao PE e a Riga.
Realçou que a solidariedade europeia não existe.
Por fim salientou que temos de fazer forte pressão na União Europeia, na defesa da segurança social, designadamente das pensões.

A seguir, os participantes colocaram questões sintetizadas no quadro seguinte:


José Barbosa
M Dores Ribeiro
14 de Abril de 2014

14.4.14

Lisboa Ocidental


IRS
Sessão de Esclarecimento

O Núcleo da APRe! de Lisboa Ocidental vai promover uma sessão de esclarecimento sobre o preenchimento do IRS, designadamente da CES (contribuição extraordinária de solidariedade) pelo nosso associado Manuel Torres da Silva. 
Esta acção, em parceria com a Junta de Freguesia da Ajuda, realiza-se no próximo dia 16 de Abril (4ª fª), às 18 horas, na Casa da Cultura da Junta de Freguesia da Ajuda, Calçada da Ajuda, nº 234 - Porta 12.

12.4.14

Núcleo de Coimbra


O Núcleo da APRe! de Coimbra levou a efeito duas sessões de dinamização/esclarecimento na União de Freguesias de S. Martinho do Bispo e Ribeira de Frades, uma realizada no salão da sede em S. Martinho e outra no salão da Junta em Ribeira de Frades, integradas no Campanha UMA VOLTA PELO VOTO. 
O Núcleo congratula-se com a presença de um número significativo de Reformados.

Elda Calado

11.4.14

AATS/AATIB


Uma representação da APRe! constituída por Rosário Gama, Vitor Ferreira e Mário Oliveira, estará presente no Almoço Temático organizado pela  AATIB - Associação dos Antigos Trabalhadores da Império Bonança (Seguros) que se realiza no próximo dia 7 de Maio.
A nossa Presidente dissertará sobre o tema "A defesa do direito às pensões de reforma".

10.4.14

Cortes nas Pensões


Saiba quanto lhe é subtraído a partir de hoje e verifique se pode continuar a pagar o alojamento no lar

9.4.14

Pausa


Homenagem à memória de Adriano Correia de Oliveira 
que hoje, se fosse vivo, completaria 72 anos de idade

***//***

Cantar de Emigração. Tão actual como há 50 anos.

Música: José Niza
Letra: Rosalía de Castro, poetisa galega

Este parte, 
aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai 

Coração
que tens e sofres
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

Este parte, 
aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai 

Coração
que tens e sofres
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

Este parte, 
aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

Este parte, 
aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai 

Coração
que tens e sofres
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará

Este parte, 
aquele parte
E todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
Que possam cortar teu pão

Opinião

O 25 de Abril que não aconteceu

Estamos a entrar no mês das celebrações. Vão organizar-se muitas peregrinações ao 25 de Abril de 1974 com trajetos e até destinos diferentes, como se fossem pacotes de turismo da memória. Um tempo tão importante pelos lugares visitados como pelos evitados, pelo que vai ser dito como pelo que não vai ser dito. Remeto-me a imaginar os lugares evitados, o não-dito, propondo-me um exercício de sociologia das ausências. São três os 25 de Abril que vão estar ausentes. O 25-de-Abril-de-quem-deve-teme. Para os poderosos, as elites de sempre (latifundiários, grandes industriais, banqueiros), todas com "sólida formação moral" certificada pela PIDE, o 25 de Abril foi uma dor de cabeça, um desconforto inoportuno. Para alguns, até pareceu um bom negócio mas foi sol de pouca dura. A partir de 11 de Março de 1975, transformou-se numa ameaça que lhes causou medo e os obrigou a protegerem-se. Foi um susto passageiro, pois em 25 de Novembro do mesmo ano foi-lhes dito ao ouvido (para os portugueses comuns não ouvirem) que, com o tempo, tudo voltaria ao normal. Não seria sequer necessário criar uma comissão de verdade e reconciliação e muito menos uma que incluísse, além destas, justiça. Quarenta anos depois, quem teve medo já nem se lembra e quem lhes causou medo tem medo de lhes lembrar.
O 25-de-Abril-dos-revolucionários-aferventados. Foi a fulguração das ruas, das praças, dos campos, das escolas, das famílias, dos quarteis a incendiar a imaginação duma sociedade justa, como se a felicidade estivesse à mão, a opressão secular fosse um pesadelo passageiro e o futuro distante e radioso tivesse chegado aqui e agora para ficar. Havia partidos que se diziam de vanguarda mas nem retaguarda eram da alegria que transbordava. O país eram trabalhadoras rurais analfabetas a vasculharem maravilhadas as gavetas íntimas das senhoras da herdade; operários empolgados a tentarem convencer-se a si próprios de que tinham direitos contra o patrão; prostitutas a organizarem-se em sindicatos; jovens a fazerem sexo tão incessantemente quanto faziam cartazes e manifestos; camponeses a organizar "corporativas" por soar mais familiar do que cooperativas; jornalistas a poderem escrever socialismo ou comunismo como se fosse anúncio de filme em cartaz; professores a poderem leccionar Karl Marx e já não Carlos Marques como anteriormente faziam para despistar os informadores da PIDE no fundo da sala. Tudo aferventado porque mal cosido e a escaldar. A quem já foi senhor dos seus sonhos, mesmo que por pouco tempo, custa lembrar, em tempos de servidão, que já esteve levantado do chão.
O-25-de-Abril-das-grandes-manobras. No ano anterior, a primeira experiência de socialismo democrático do século XX, o governo de unidade popular de Salvador Allende no Chile, tinha sido esmagada por militares a soldo da CIA. Portugal corria o risco de repetir a experiência, o que, do ponto de vista dos EUA, seria ainda mais grave por ocorrer na Europa ocidental, uma zona de influência sua nos termos do Tratado de Yalta. Kissinger considerou a invasão do país com o apoio da NATO, mas a social democracia europeia (sobretudo alemã) opôs-se e propôs que, em vez de militares, viesse dinheiro, muito dinheiro, para fortalecer os partidos e os movimentos sociais que se opunham ao "modelo soviético". Assim se fez e os resultados foram os esperados. Portugal ficou então em dívida para com os alemães e assim continua hoje. Mudam-se os tempos mudam-se as dívidas mas não o endividamento. Quarenta anos depois, seria impertinente falar de imperialismo norte-americano quando afinal ele é agora europeu.
O 25 de Abril foi a mega-expectativa de ontem que está na origem da mega-frustração de hoje. Aos peregrinos ao 25 de Abril de 1974 eu aconselharia que acampassem por lá durante um tempo, tomassem o ar livre, cheirassem o alecrim, conversassem sobre Portugal como se fosse outra vez coisa sua e, em vez de regressarem, organizassem uma expedição ao presente e, já que estamos a falar de peregrinos, expulsassem os vendilhões do templo.

Boaventura de Sousa Santos
Visão 3 de Abril 2014