23.2.15

COIMBRA entre PONTES



Esta exposição é fruto do diálogo travado entre a APRe! e o Museu da Água na sequência da comemoração do Dia Internacional das Pessoas Idosas (em particular), do Dia Internacional da Música e do Dia Nacional da Água, que são evocados no dia 1 de Outubro.

Nesse dia entregámos em várias Câmaras um Manifesto disponibilizando-nos para a participação da APRe! em iniciativas que visem o bem estar dos mais velhos. 

Festejámos o Dia Internacional da Música com dois grupos, os Acordeonistas de Coimbra e os jovens Trovadores do Mondego e, finalmente, o Dia Nacional da Água foi comemorado com um passeio pedagógico à beira-rio sob a orientação do Hugo Duarte, professor de Geografia e organizador de projectos (Duarte & Company)

Nesse dia fomos desafiados a fotografar Coimbra entre as pontes, durante esse passeio à beira do rio Mondego, para mais tarde expormos esses registos. Hoje, dia 19 de Fevereiro estamos a inaugurar a Exposição, “Coimbra Entre Pontes” que pretende ser uma mostra de instantes captados pela sensibilidade daqueles que combatem o nada, sem qualquer pretensiosismo, mas tão só com o prazer de intemporalizar o momento vivido e registado.

Entre as pontes de Santa Clara e a ponte pedonal D. Inês, cenário para as nossas fotos, corre o Rio Mondego, diferente de todos os outros rios, Como diz Alberto Caeiro:

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. 

Para nós, o Mondego, imortalizado por tantos poetas e cantores, é o rio da nossa “aldeia”.

Não há dois rios iguais assim como não há duas pessoas iguais. 

Tal como nós o rio tem várias fases:

Fase juvenil, a primeira, aquela que se caracteriza pelo excesso de energia, que tudo arranca e transporta. 

A Fase madura quando a energia é suficiente apenas para o transporte, não erodindo mais o fundo e fase senil: onde o rio já corre com menos velocidade e pouca energia. A consequência é que ele não consegue mais transportar muitos sedimentos, só deposita os que transportou!

Também nós passamos pela fase de crianças, da adolescência, fase adulta e velhice, cada uma com as suas virtudes e as suas maleitas, e hoje, olhando para trás, quase vemos um filme que passa muito rápido e que nos deixa as marcas da mudança.

Tal como a água de um rio que não corre duas vezes debaixo da mesma ponte, os nossos momentos são únicos, não voltamos a vivê-los. Podem ser semelhantes mas não são iguais pois tudo mudou à nossa volta, embora o cenário nos possa parecer estático. O tempo é composto de mudança como diz Camões:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 

Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

É esta mudança e o continuar do tic tac do relógio da vida que nós não podemos nem queremos parar...

até que ouvirmos este tic tac, estamos vivos e, apesar de menor energia, ainda temos a suficiente para defendermos as nossas causas e resistir às mudanças, sempre que estas nos tragam piores dias.


Como todo homem que um dia irá encontrar seu fim, todo rio também encontrará sua foz. Coube-nos a nós, no nosso percurso, registar momentos desse percurso...

Muito Obrigada.
Rosário Gama