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25.6.15

Redução das taxas de juro ameaça viabilidade dos fundos de pensões e seguradoras

OCDE diz que rendimentos prometidos por seguradoras e fundos de pensões podem estar em risco



“Os reguladores e os decisores políticos têm de permanecer vigilantes para prevenir uma excessiva procura por resultados”, refere o relatório da organização presidida por Angel Gurría.


Os fundos de pensões e as companhias de seguros correm o risco de não conseguir honrar as promessas feitas aos investidores e aos seus clientes, por causa da actual conjuntura de baixas taxas de juro.

O alerta é deixado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) na primeira edição do Outlook Business and Finance de 2015, que analisa a forma como as empresas, os bancos, os intermediários da banca paralela e os investidores estão a lidar com as reduzidas taxas de juro e com as mudanças estruturais da economia global.

No relatório divulgado nesta quarta-feira, a OCDE destaca como principal preocupação o risco de os fundos de pensões e dos seguros de vida se envolverem numa procura de rendimentos excessiva “para satisfazerem as promessas de garantias fixas feitas quando as taxas de juro eram mais altas”. “É um risco, incluindo de insolvência”, alerta a organização liderada pelo mexicano Angel Gurría.

“Gerar os recursos necessários para enfrentar o desafio do envelhecimento das populações requere uma melhor alocação global dos recursos nos investimentos mais produtivos, mas sem um risco excessivo”, destacou Angel Gurría durante a apresentação do documento em Paris.

“Acima de tudo, ainda há muito a fazer para reforçar a capacidade do sistema financeiro para absorver choques e evitar as bolhas das décadas recentes”, acrescentou, referindo-se a um dos capítulos do documento que aponta para a necessidade de se tomarem medidas que garantam que há um reforço do capital de base da banca e que tornem as empresas do sector financeiro menos interdependentes, nomeadamente separando as partes não reguladas da banca tradicional.

Nos próximos cinco anos, os fundos de pensões deverão crescer 26% (de 25,3 biliões de euros em 2014 para 31,8 biliões em 2019), os activos das companhias de seguros 33% (de 25 biliões de euros em 2014 para 33,5 biliões em 2019) e os fundos mutualistas deverão registar um crescimento de 38% (de 29,7 biliões de euros em 2014 para 41 biliões em 2019).

Mas se, no futuro, as taxas de juros permanecerem baixas, fundos e seguradoras podem não ter activos suficientes para satisfazer as suas promessas, a menos que ajustem as pensões e as suas promessas de pagamento.

Assim, para reduzir os riscos de insolvência, as seguradoras têm de oferecer retornos menores nos novos contratos que celebrem com os clientes e, em casos extremos, renegociar os termos dos contratos existentes. Já os promotores de planos de pensões poderiam ajustar os planos existentes e oferecer condições diferentes aos novos trabalhadores.

“Os reguladores e os decisores políticos têm de permanecer vigilantes para prevenir uma excessiva procura por resultados”, refere o relatório.

Raquel Martins
Público 24.06.2015