16.8.15

As promessas do primeiro-ministro

Que bom ser ano de eleições legislativas. Nesta altura sinto-me um cidadão muito mais feliz, com outra disposição para encarar melhor a vida no futuro, a propósito de tal acontecimento que está previsto para o próximo dia 4 de Outubro, conforme anúncio feito pelo senhor Presidente da República Dr. Cavaco Silva. Só fico triste por este tipo de acontecimento se realizar somente de quatro em quatro anos.

Mas passo a explicar um pouco melhor este motivo de tanta felicidade. Este (des) governo, nestes quatros anos de legislatura, o que soube fazer foi contra todas as promessas que o "nosso primeiro" fez em plena campanha eleitoral em junho de 2011: para "sacar" votos a alguns portugueses possivelmente mais distraídos e para assaltar, de uma forma pouco honesta, o poder, fartou-se de prometer, aliás, fartou-se de mentir e acabou por não fazer nada daquilo que prometeu. Que não havia aumento de impostos, que as reformas seriam intocáveis, sei lá o que prometeu para sugar o poder. E não é que conseguiu mesmo o tão ambicionado lugar? Mas depois, a festa para a maioria de nós portugueses, e todos aqueles que foram muito bem enganados, foi outra (sim, bem sei igualmente que a situação do País não era a melhor, é verdade). Mentir não vale e é muito feio. Aos meninos que mentem põe-se pimenta na língua.

Durante este quatro anos em que não houve eleições não prometeu nada, não foi? Agora, vem com mais um doce, para enganar os "papalvos". É o que faz a aproximação das eleições legislativas.

Em 2016 - está com uma fé que vai ser novamente eleito, mas o convencimento é uma doença que pode prejudicar alguns doentes em estado avançado de alguma patologia desconhecida que pode não ter cura a curto prazo -, pode baixar a sobretaxa do IRS de 3,5% para 2,8% e poderá vir a devolver aos contribuintes cerca de 100 milhões de euros em crédito fiscal da sobretaxa de IRS, caso venha a ganhar as eleições. Que gesto bonito e comovente, senhor Passos Coelho... Mas continuo a dizer que mentir é muito feio.

Mário da Silva Jesus
Opinião JN, Jornalismo do Cidadão 14.08.15