13.12.15

Krugman alerta para a queda da população activa em Portugal

O Nobel da Economia, Paul Krugman, fala sobre os impactos negativos da emigração na economia em Portugal


Paul Krugman, prémio Nobel da Economia, está em Portugal, para participar na cerimónia de homenagem a Silva Lopes na segunda-feira, e aproveita a ocasião para analisar e falar sobre a economia portuguesa. Dizendo desde logo, que a queda da população activa em Portugal é um motivo de preocupação.

No seu blogue no The New York Times, o Paul Krugman, escreve que tem feito “algum trabalho de casa sobre os tempos terríveis que Portugal sofreu recentemente”, e destaca como o indicador mais preocupante a queda da população activa em Portugal. 

Num gráfico mostra que Portugal tem hoje menos de 6,8 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos, contra mais de 7 milhões em 2011. E com estes número deixa uma questão: se em tempos de dificuldades um país sofre uma perda em larga escala no número de trabalhadores, quem vai pagar a dívida e tratar dos reformados?

E frisa ainda, que “se um país que regista um elevado endividamento vir a sua força de trabalho cair devido à emigração, terá de aumentar os impostos aos que permanecem no país para conseguir cumprir o serviço da dívida. O que poderá levar mais pessoas a sair do país e originar o ciclo vicioso de mais emigração e mais impostos”.

O Nobel da Economia lembra ainda que ,”Portugal, com uma longa tradição de emigração, pode ser mais vulnerável do que outros países, mas não faço ideia se já está realmente nessa zona [de espiral demográfica]”. 

Krugman, um dos maiores críticos da criação da Zona Euro e da política de austeridade implementada na Europa nos últimos anos. No artigo seu último artigo, salienta que as uniões monetárias deveriam servir para mitigar estes problemas de fortes fluxos de emigração em países que enfrentam dificuldades. Contudo, com uma taxa de câmbio flexível, choques adversos causariam desvalorização na moeda e em consequência nos salários. Sem esta ferramenta de desvalorização cambial, os choques adversos provocam desemprego por um longo período, até que o processo de desvalorização interna restaure a competitividade da economia. 

E conclui que os níveis de emigração em Portugal são mais elevados devido à integração na Zona Euro, pois “a emigração é muito mais sensível ao desemprego do que aos salários”. 

O Nobel da Economia que não escreve boas notícias ou não tem boas perspectivas sobre a economia do nosso país, não poupa elogios a Lisboa, escrevendo que é uma cidade “adorável” e que “justificadamente” atrai muitos turistas.

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