26.3.16

Duas ou três orações.

olhemos as imagens das ruas de cidades em guerra
até agradecermos cada buraco nas ruas da nossa terra
onde podem bebericar em sossego as pombas da paz


Eu queria mais que as pessoas condenassem o horror sem que, por o ver banalizado, se diminuísse a exigência cívica relativamente à infinitamente menor desgraça das nossas ruas provocada pela incúria e má gestão dos dinheiros públicos, etc. O horror da grande guerra e do terrorismo, da grande fome e da grande pobreza não nos deixe acomodar às violações dos direitos comuns que já se tornaram naturais e, apesar de tudo, não podemos aceitar que sejam prejudicados. Até porque com a guerra e a instabilidade se criam sempre grandes oportunidades de negócios de trabalho escravo e, para combater a besta, precisamos que nos mantenhamos humanos exigentes para nós mesmos, mantendo que, se pode ser e em quê, exigentes para toda a humanidade contra a grande besta que tão bem usa a guerra contra a casa comum que se chama humanidade e, mais globalmente, a terra toda feita para a vida e pela vida que é a natureza. Os senhores do terror e do horror já nem odeiam quem matam e o que destroem. Só anseiam, por meios diversos e respondendo perante interesses aparentemente diversos, por uma humanidade que prescinda de si mesma e da sua natureza, e seja conforme ao apetite da besta. 

Sempre que alguém aceita ser diminuído na sua dignidade e diminuir a dignidade dos outros, ou naturaliza as ofensas aos animais e à natureza ou ao ambiente global..... conforma-se aos caprichos de alguma das grandes bestas.

Arsélio Martins
Associado APRe! nº3058