26.4.17

A comemorar Abril em Lisboa

Mais uma vez os associados APRe! saíram à rua e participaram no desfile que teve lugar em Lisboa para comemorar Abril.









A comemorar Abril no Porto

Mais uma vez associados da APRe! juntaram-se a milhares de portuenses que saíram à rua para comemorar Abril na cidade do Porto.






25.4.17

Meu querido mês de Abril

Meu querido mês de Abril

Longos dias de nostalgia...
num poema
que não existia!...

Longas noites de amargura...
...uma vida insegura
num País de ditadura!...

Em cada rosto
a tristeza perdura...

Um País amordaçado,
sem liberdade...
Um País fechado,
sem Pão
Saúde
ou Educação...

Um País analfabeto!...

Um País aprisionado
onde até o pensamento
era censurado.

Um País
durante décadas adiado!...

...Um dia,
o grito ecoou
o sonho vingou
Abril brilhou
e a vida mudou!

Um País
no meio do nada,
renascia das cinzas...
um País perdido na escuridão
brilhava
num mundo que ansiava.

Um País reconhecido,
num mundo, outrora desconhecido!...

O Povo agradecido
aos Militares d`Abril, se curvou
e seu cravo colocou
na espingarda que não soou.

A Liberdade nascia,
instalava-se a Democracia!

Abril brilhou,
mas a herança ficou!...

Para trás,
vidas ceifadas
mortes anunciadas
crateras destapadas...

Hoje
e SEMPRE,
de mangas arregaçadas
gritemos Abril
lutemos de mãos dadas...
Porque...
...jamais alguém cerra
as "Portas que Abril abriu"!

Basta trabalhar
e Acreditar!...
Vamos unidos mostrar
a garra de um povo
que nasceu para Lutar!

Mª da Graça Dórdio Dimas
Associada APRe! nº 2283

24.4.17

A democracia do like

Se quiser discordar de tudo o que está aqui escrito, siga para a caixa de comentários e discorde. Se concordar, ponha um like e partilhe. Se pura e simplesmente não gosta do autor deste artigo, ponha um emoji de ar zangado (ou daqueles que parece que vão vomitar) e vá destilar ódio para a rede social que mais lhe der jeito. Faça o que quiser, mas não ache, por um segundo, que está a cumprir o seu papel de cidadão. Que isso chega. Não chega.

Há dois grandes fatores que estão a destruir as democracias ocidentais: o desinteresse das pessoas e o descrédito na classe política. É uma espécie de pescadinha de rabo na boca, bem sei. Quanto maior é o descrédito na classe política, maior é o desinteresse das pessoas. Mas o problema não é assim tão simples. Ao mesmo tempo que as pessoas se refugiam na cobardia das redes sociais para se sentirem mais cívicas e participativas, os políticos andam à procura de novas formas de chegar às pessoas. Uma delas são precisamente as redes sociais, que permitem fazer uma espécie de sondagem, verificar tendências e agir em conformidade. A política deixou de tratar apenas dos problemas que precisam de ser tratados e passou a tratar dos temas virais. Se é viral, é importante. Melhor ecossistema para o populismo é impossível.

Ser político há muito que deixou de ser currículo e passou a ser cadastro. A lista de clichés é interminável, mas recorrendo a Aristóteles e às suas argumentações lógicas perfeitas podemos resumi-los ao seguinte silogismo: todo o político faz parte do sistema; este senhor é político; este senhor faz parte do sistema. Mas o que é o sistema?

O sistema é assim uma espécie de saco onde os cidadãos decidiram meter tudo o que de mau a política tem. Decisões erradas, mentira, corrupção, crises - o sistema é tudo isto e muito mais que se queira lá meter. O raciocínio, por simplista que seja, é fácil de explicar. As pessoas estão fartas de ser enganadas, cansadas de ler notícias sobre corrupção na política e há muito que deixaram de acreditar nas promessas que lhes fazem porque essas promessas são consecutivamente incumpridas. E também aqui as redes sociais vieram dar um contributo assustador para a desinformação. Nada é verificado. Tudo é partilhado sem critério. Comenta-se tudo. Tem-se opinião sobre tudo. Só não se tem o cuidado de saber do que se está a falar.

Não estou com isto a desculpar ninguém. A classe política é vítima dela própria e deixou-se arrastar para um buraco de onde dificilmente vai conseguir sair. Já não é só a mentira, as promessas por cumprir ou os casos de corrupção. São decisões erradas e erróneas ou a falta de decisões, é a total ausência de estratégia que leva todos os dias a política ao descrédito. É um discurso formatado e tantas vezes incoerente que já ninguém ouve.

Tudo isto deixou escancaradas as portas para os outsiders, os chamados candidatos fora do sistema. Para ter sucesso, basta seguir o manual à risca. Assumir-se como não político. Ter um percurso profissional de sucesso e demonstrar à evidência que os políticos não trabalham, são apenas políticos. Perceber anseios e angústias da população e formatar um discurso à medida. Dizê-lo em 128 caracteres, se possível. Não basta dizer o que as pessoas querem ouvir, é preciso pegar no desespero delas e trabalhá-lo politicamente. Torná-lo viral. Se as pessoas querem soluções mágicas para os problemas, então prometemos fazer magia.

Nós teremos sempre a democracia que quisermos ter. Se quisermos resumir a nossa participação cívica a um like, um comentário ou um emoji em vez de perceber a causa das coisas, de participarmos civicamente na sociedade, de votarmos, teremos uma democracia mais pobre. E uma classe política cada vez mais medíocre, por falta de escrutínio. É normalmente assim que surgem "salvadores", aqueles que acabam por virar ditadores.

Anselmo Crespo

23.4.17

Todos os sonsos do mundo

Não é uso comum, mas peço já desculpa. Apesar da aparência lírica, esta crónica vai chafurdar na bosta e pronunciar algumas palavras feias.


Não é uso comum, mas peço já desculpa. Apesar da aparência lírica, esta crónica vai chafurdar na bosta e pronunciar algumas palavras feias. Inclui também uma dose generosa de poesia. A mistura de versos com a atividade bancária parecerá um pouco ordinária, mas a culpa não é minha. Devo o desarranjo a uma responsável espanhola do Bankinter que há pouco tempo disse que um banqueiro é alguém que «financia os sonhos das pessoas».

Não decerto por mera coincidência, os cartões de débito e crédito da igualmente sentimental Caixa Geral de Depósitos são decorados com rabiscos que procuram representar Fernando Pessoa. Alguns exemplares incluem o verso «Tenho em mim todos os sonhos do mundo» (ou, na modalidade de crédito, «Tudo vale a pena se a alma não é pequena»).

Como não pode defender-se das pulhices, o poeta padeceu ainda do enxovalho de ser citado na defesa de Ricardo Salgado. Não ocorreu ao sonso banqueiro, porém, o Poema em Linha Recta, de Álvaro de Campos («Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar»), preferindo o mais cagarola «Pedir desculpa é pior do que não ter razão».

Como ainda sou do tempo em que o BES também prometia realizar sonhos (e não apenas os da família Salgado, do Cristiano Ronaldo e da Dona Inércia), suspeito de que tanto arroubo poético, tanta filantropia, procuram esconder o essencial da atividade criada pelos agiotas. A saber: fazem o favor de guardar o nosso dinheiro, que emprestam a terceiros cobrando juros, taxas, spreads e o mais de que forem capazes de se lembrar. Parece um negócio fácil e lucrativo, mas, ainda assim, várias instituições bancárias idóneas e insuspeitas conseguiram fazer evaporar milhares de milhões de euros.

O fenómeno teria o seu quê de mistério e evanescência se o dinheiro não tivesse, afinal, sido transferido para paraísos offshore, passando pelo bolso de uma manada de consultores, administradores, conselheiros, jornalistas, manobradores de influências, comentadores e comissionistas. Um cita a Nau Catrineta, do Garrett. Aquele faz como o poeta e finge que não se lembra. Este engana com a novilíngua das imparidades. O outro assume o fardo da «responsabilidade política» sem consequências. Aqueloutra diz que assinou de cruz (e, mesmo assim, não baixa a crista). E o contribuinte paga a conta (13 mil milhões!) enquanto espera pela novela da noite.

Manuel Jorge Marmelo

22.4.17

Pior ou melhor velhice!

O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado


O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado. Em 2015, os/as portugueses/as com 65 ou mais anos residentes em Portugal eram já mais de 20% da população. Esta realidade em conjunto com a diminuição da natalidade sentida nos últimos anos reforçou a importância do envelhecimento tornando-o visível nas Grandes Opções do Plano.

A população activa da UE-27 tenderá a crescer cerca de 16% no grupo etário dos 55-64 anos entre 2010 e 2030, enquanto outros grupos etários apresentam uma tendência decrescente (por exemplo 5,5% o grupo de 40-54 anos ou 15% no grupo de 25-39 anos de idade).

As políticas e medidas a adoptar deverão ter em conta quem envelhece mas também as implicações sócio-económicas deste envelhecimento mais ou menos activo ou mais ou menos saudável. E sabemos que envelhecemos como vivemos. Com mais ou menos saúde e actividade decorrente dos nossos comportamentos e hábitos ao longo da nossa vida. Não menos importante é pensarmos nos cuidadores e de que forma poderemos criar condições para melhores cuidados, seja ao nível familiar sempre que possível, seja na comunidade e nas organizações que tantas vezes asseguram os últimos dias com algum conforto e apoio.

Considero que muito tem sido feito nos últimos 30 anos para fazer face a mutações muito rápidas na organização social, particularmente na célula familiar, permitindo criar respostas de apoio. Todavia, sabemos que são manifestamente insuficientes e necessitam por vezes de mais ou melhores recursos, das melhores práticas disponíveis e de acesso ao que de melhor se faz e sabe fazer, com fundamentação científica, relacionada com o envelhecimento.

A promoção de um estilo de vida activo, saudável, em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida e autonomia, intervindo nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos, assim como desenhar e implementar de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam promover competências, prevenir e tratar a dor e a doença, são medidas essenciais para a sustentabilidade da nossa sociedade neste período de maior invernia demográfica.

A custo-efectividade da intervenção psicológica junto do processo de envelhecimento, em adultos e idosos, no combate ao declínio físico e intelectual, à solidão, ao isolamento e à marginalização social, assim como na promoção da independência, autonomia, participação na vida social e adaptação a este processo devem merecer particular atenção dos decisores políticos.

Entre os vários profissionais que podem dar novas, eficientes e eficazes respostas e ter abordagens preventivas perante esta realidade, estão os/as psicólogos/as, entre os quais quase duas centenas já especialistas em psicogerontologia, número que a curto prazo deverá triplicar.


Escreveu Florbela Espanca...

"Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

[...]

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ... "

... ou melhor velhice!

Francisco Rodrigues
Bastonário da Ordem dos Psicólogos

21.4.17

Comemorações do 25 de abril no Porto


Caros/as Associados/as

Estamos perto da comemoração do 43º aniversário do 25 de Abril de 1974, data histórica da revolução que restituiu a Portugal a liberdade e a democracia, criando condições para a participação cívica dos portugueses na vida pública.

Passados estes anos, houve esperanças que ficaram defraudadas. No entanto, e pior, o clima de instabilidade e tensão política e o recrudescimento dos nacionalismos que se estão a viver na Europa e no Mundo, não auguram nada de bom para a solidez da liberdade e da democracia, mesmo no contexto europeu, “obrigando-nos” a estarmos em alerta. Exemplo disso é a incapacidade da U.E. para enfrentar o problema da crise humanitária dos refugiados na Europa.

A APRe!, enquanto associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, e membro da Comissão Promotora das Comemorações Populares no Porto, quer e deve marcar presença nas comemorações deste dia, como mais um acto de cidadania, juntando-se a toda a população, solidariamente, no “Desfile da Liberdade”.

Neste sentido, apelamos à participação dos/as associados/as da APRe! nas celebrações do 25 de Abril no Porto, em particular no “Desfile da Liberdade”.

O desfile sairá pelas 14,30h, do Largo Soares dos Reis, junto à ex-Pide, no início da Rua do Heroísmo. A APRe! levará as suas faixas e ainda alguns cartazes com palavras-de-ordem adequadas ao momento político que vivemos na Europa e no Mundo e alertando também para os direitos essenciais das pessoas idosas: a questão das reformas com dignidade. Para que o impacto da representação da APRe! seja grande, apelamos a que todos quantos possam fazer o percurso completo se reúnam nesse local.

Na Avenida dos Aliados, no passeio do antigo Edifício AXA, junto ao Santander Totta, haverá uma banca, a partir das 14 horas, com autocolantes, fichas de inscrição e demais informação da APRe!, no sentido de informar e esclarecer as pessoas que aguardem pelo desfile acerca da nossa Associação.

Tragam amigos e seremos muitos. Pelo futuro, retomar Abril
Viva a APRe!

Elisabete Moreira
Delegada da APRe! Norte

Viva o 25 de Abril!



20.4.17

Como foi a sessão pública de informação e debate promovida pelo Núcleo das Avenidas da APRe!

Decorreu na passada terça-feira dia 18 de Abril, o Encontro que o Núcleo APRe! das Avenidas em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, levou a efeito no Auditório da Junta de Freguesia.


Tal como previsto, a sessão contou com três apresentações e um momento cultural. A sessão foi moderada por Anabela Paixão, dinamizadora do Núcleo APRe! das Avenidas.

A sessão foi aberta pelo Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, André Caldas que teve palavras muito elogiosas e estimulantes para a APRe!.




De seguida o associado APRe! José Bom, fez uma apresentação sobre a APRe!, na qual foram focadas qual a sua missão, o Caderno Reivindicativo APRe! aprovado em AG, a participação da APRe! em organizações internacionais, designadamente na AGE- Platform Europe, o aspecto lúdico desenvolvido na Associação através de grupos corais e as principais realizações levadas a efeito pela APRe!.















Seguiu-se a apresentação do Dr. José Manuel Boavida sobre a Diabetes, doença invísivel, silenciosa e silenciada, considerada a epidemia do Século XXI. A quem o pretendeu, após a reuinão foi possível efectuar o controlo da glicémia e da tensão arterial.




















Após o intervalo, o projecto “Apoio ao Cuidador” foi apresentado pelo Dr Jorge Mourão do pelouro de Direitos Sociais da CML, e por Viriato Moreira, professor aposentado da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.












No final da sessão, tivemos um momento cultural com o Grupo Coral e Grupo de Cavaquinhos dos Briosos de Alvalade.
















Estiveram igualmente presentes na sessão, o Vice-Presidente da APRe! Fernando Martins e o Delegado da APRe! na Grande Lisboa Vitor Ferreira da Silva.

Por forma a termos uma Associação mais forte e representativa dos aposentados, pensionistas e reformados Portugueses, no final da sessão inscreveram-se cinco novos associados da APRe!.

Núcleo e Coro APRe! Coimbra, comemorações do 25A


Seminário Internacional de Gerontologia Social


A Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama, vai estar presente no Seminário Internacional de Gerontologia Social, que vai decorrer na Universidade Lusófona no próximo dia 27 de Abril de 2017, aonde participará numa mesa redonda que terá como tema: Direitos e Protecção das Pessoas Idosas?

Quem quiser participar no seminário, poderá fazer AQUI a inscrição, a qual terá um custo de 10€.

19.4.17

Caixões para bebés

A cena tem uns anos, mas permanece atual: uma jovem mãe leva a filha, de meses, ao consultório do dr. House, personagem televisiva interpretada por Hugh Laurie. A preocupação maternal com o estado de saúde do rebento não comove o pragmatismo arrogante do médico mais famoso do Mundo. "A menina não foi vacinada", atira ele. Ao que responde a mãe: "Não vamos vaciná-la". Porque, explica, os nutrientes existentes no leite materno bastam. Torna o dr. House: "Acha que as vacinas não funcionam?" De novo a mãe: "Acho que uma multinacional farmacêutica quer que eu pense que funcionam".


House pega no sapo verde e fofinho que a bebé levava na mão (todo à base de produtos naturais) e interage com a petiz, dirigindo-se à educadora: "Sabe que outro negócio [para crianças] funciona bem? O dos pequenos caixões para bebés. Pode comprá-los em verde, como o sapo, ou em vermelho-vivo". A jovem libertária (no sentido irresponsável do qualificativo) exibe um olhar chocado e pergunta, num apelo quase misericordioso: "Diga-me o que tem a minha filha". E o dr. House diz-lhe: "Uma constipação".

Quando um pai decide não vacinar um filho contra uma doença altamente contagiosa, como o sarampo, deve ter, em primeiro lugar, a noção de que está a colocar em risco a vida da criança. E, depois, que está a arrastar para um campo minado uma comunidade inteira. A vacinação é um mecanismo de defesa pessoal, mas é-o também, e sobretudo, de defesa da vida em sociedade. Em Portugal, felizmente, apenas uma pequena minoria está convencida de que o Plano Nacional de Vacinação (universal e gratuito) é uma maçada burocrática ou uma intrusão do Estado na vida familiar. E, entre a comunidade médica pediátrica, não há praticamente ninguém que defenda a arbitrariedade paternal na toma da profilaxia.

Mas agora que somos confrontados com um surto que, só nos primeiros quatro meses do ano, fez mais vítimas do que na última década, é desejável que nos foquemos no essencial: quem expõe os filhos a este risco desnecessário - seja por desleixo, desinformação ou vontade - está a cometer um ato que, além de moralmente condenável, pode revelar-se criminoso, como tão apropriadamente lembrou o pediatra Mário Cordeiro. Porém, tornar a vacinação obrigatória por lei - castigando os adultos faltosos - podia excluir ainda mais os pobres e os socialmente desfavorecidos. Para além de que, juridicamente, se tratar de um debate de grande complexidade, por estarem em causa liberdades individuais. Mais do que uma exigência do Estado, a vacinação tem de ser assumida como um compromisso cívico coletivo.

Os caixões para bebés do dr. House talvez resultem numa projeção gráfica demasiado violenta. Mas mesmo num país como Portugal, que tem uma das melhores taxas de vacinação do Mundo (e convém não esquecer o quão desenvolvido é o sistema de alertas aos pais promovido pelos centros de saúde), nunca é demais voltar ao óbvio para não esquecer o óbvio: as vacinas salvam vidas. E isso não é uma teoria da conspiração criada para tornar mais ricas as farmacêuticas. É um facto que não merece discussão.

Pedro Ivo Carvalho

Ler faz bem à cabeça

Em alguns países, médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias.


Nem só na farmácia se aviam receitas médicas. A biblioterapia – o recurso a leituras selecionadas como auxiliar terapêutico – está a dar cartas em alguns países onde médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias. E os pacientes vão aviar a receita à biblioteca mais próxima.

Qualquer leitor entusiasta sabe quanta felicidade pode encontrar num livro. Cada obra pode ser um portal para outras paragens, sem ter de sair da própria sala. Um livro, além de mudar convicções e alargar horizontes, pode mudar o estado de espírito, pelo que é provável que não fiquem espantados com as funções terapêuticas que, cada vez mais, estão a ser atribuídas à leitura.

O conceito não é exatamente novo. Reza a história que no pórtico de entrada da biblioteca de Tebas, cidade-Estado grega, no atual Egito, pelo ano de 1000 a.C, se lia a seguinte frase: «Medicina para o espírito.»

A leitura sempre foi usada como distração e divertimento, mas só em 1949 o conceito de biblioterapia começou a tomar forma tal como é entendido hoje, com a tese da professora e bibliotecária Caroline Shrodes, Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study, com a qual obteve o doutoramento em Filosofia e Educação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Shrodes defendia então que a literatura tinha a capacidade de desencadear uma resposta afetiva que podia ser canalizada para o crescimento psicológico, social e emocional do leitor, sendo isso conseguido, por exemplo, através da identificação com as personagens dos livros e as situações por elas vividas.

Desde então, multiplicaram-se os estudos sobre esta nova ferramenta e, em 2003, depois de um longo caminho de investigação, o psicólogo inglês Neil Frude acabou por concluir que a leitura tem potencial para se assumir como substituto ou adjuvante dos antidepressivos. Criou, em colaboração com outros profissionais de saúde, uma lista de títulos de autoajuda baseados na terapia cognitivo-comportamental que pudesse abranger várias patologias de saúde mental comuns e, juntamente com médicos de família, psicólogos e bibliotecas, implementou o conceito da prescrição de livros em Cardiff (País de Gales).

Dez anos depois, em 2013, o projeto estendeu-se a todo o país. Criou-se uma organização para o gerir, a Reading Well, que, juntamente com a Arts Council, a rede de bibliotecas públicas do país, e tendo como parceiras várias associações médicas britânicas, acabou por colocar de pé um programa de prescrição de leitura de livros com uma função terapêutica, o Books on Prescription.

A metodologia é simples: há uma lista de livros e os médicos de família, psicólogos ou psiquiatras prescrevem a cada paciente aquele ou aqueles que se lhes adaptam ao problema que enfrenta. Pode aplicar-se a situações tão diversas como depressão, dor crónica, ansiedade, fobias ou bulimia.

O programa usa sobretudo livros temáticos e educativos, escritos por especialistas para leigos, sobre as condições que enfrentam os pacientes – os chamados livros de autoajuda – sendo quase todos baseados na terapia cognitivo-comportamental.

REMÉDIOS LITERÁRIOS: O LIVRO DE PRESCRIÇÕES

Nem só de livros de autoajuda vive a biblioterapia. As duas biblioterapeutas mais famosas do mundo – tanto quanto podem ser famosas as biblioterapeutas – são Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras do livro Remédios Literários (The Novel Cure: An A-Z of Literary Remedies, no original) e estas só recomendam ficção.

As ex-colegas de faculdade que passavam o tempo a recomendar livros uma à outra cruzaram-se com o filósofo Alain de Botton em 2007, quando este estava a criar em Londres a The School of Life – uma escola que ensina filosofia prática, para ser aplicada no dia-a-dia e que pretende substituir o vazio criado pela não existência de Deus com cultura, literatura, filosofia, arte e psicologia.

Desde aí, têm tido filas de gente à porta do seu gabinete e têm formado biblioterapeutas por todo o mundo. Em 2013, lançaram o Remédios Literários, um livro ao estilo dicionário com recomendações de leitura que vão desde o A de «Abandono» ao Z de «Zangar-se com o melhor amigo».

O livro tem uma particularidade: parte do conteúdo é adaptado à edição de cada país, para responder a realidades culturais diferentes e incluir mais autores nacionais. Da lista de recomendações fazem parte alguns autores portugueses, entre eles Fernando Pessoa, com o Livro do Desassossego para a insónia (que as autoras defende que nos vai deixar num estado pré-sono devido à falta de enredo) e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, para situações de dependência ou utilização excessiva de internet.

Sofia Teixeira

Comemorar Abril, jantar promovido pelos Núcleos de Almada e do Seixal


Caros associados e amigos

Precisamos de uma APRe! mais forte e activa, com mais sócios, que se mobilizem na defesa dos interesses dos reformados e pensionistas.

Os Núcleos de Almada e do Seixal querem contribuir para essa dinâmica. Estamos a preparar várias iniciativas que fomentem a nossa coesão.

Para já vimos convidá-los para um jantar:

VAMOS COMEMORAR A REVOLUÇÃO DE ABRIL

Propomos um jantar, no dia 24 de Abril, pelas 20:00 horas, no Restaurante Jardim (na Cova da Piedade, frente ao Jardim e ao lado da SFUAP).

Tudo incluído, com sobremesa e bebidas, custará cerca de 15,00 euros.

A ementa será escolhida no momento, entre os vários pratos do dia.

Possibilidade de transporte, a combinar com os dinamizadores dos Núcleos.

Teremos a presença de um convidado ligado ao 25 de Abril, que nos fará uma pequena palestra.

Inscrições para:
  • 968 438 675 - Francisco Tomás (núcleo Seixal)
  • 915 131 941 - Laura Casa Nova (núcleo Almada)
Vem e traz a família e os amigos. É uma oportunidade de consolidar amizades. Juntos seremos mais fortes.

Núcleos de Almada e do Seixal da APRe!

18.4.17

Comemorar Abril, Almoço Temático do Núcleo Lisboa Norte (Carnide, Lumiar, Santa Clara)


O Núcleo APRe! de Lisboa Norte (Carnide, Lumiar, Santa Clara), vai realizar um almoço temático no próximo dia 21 de Abril, 6.ª feira, pelas 12h, que contará com a presença da Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama, e terá como orador convidado, o Capitão de Abril, Coronel António Rosado da Luz.
  • Tema: “Liberdade e Cidadania”
  • Local: Associação dos Deficientes das Forças Armadas na Av. Padre Cruz em Lisboa
Vai ser uma oportunidade de trocarmos ideias e estabelecermos laços de coesão que tornem a APRe! mais forte, para defender os interesses dos aposentados, pensionistas e reformados.

Para mais Informações contacte o Núcleo Lisboa Norte
Tel: 929121102
mail: aprecarnidelumiarsantaclara@gmail.com

"E-nxada", divulgação/informação de espectáculo no Teatro Carlos Alberto

Ao abrigo do protocolo celebrado entre a APRe! e o Teatro Nacional de S. João (TNSJ) Porto, nos termos do qual os associados da APRe! passaram a usufruir de descontos na compra de bilhetes para os espectáculos, fazemos a divulgação do espectáculo "E-nxada", com direcção artística e conceção plástica de Vasco Gomes e Julieta Guimarães.

Este espectáculo será apresentado no Teatro Carlos Alberto, de 19 a 23 de Abril.

quarta-feira, às 21h00
quinta-feira e sexta-feira às 11h00 + 15h00
sábado e domingo, às 16h00

Teatro Carlos Alberto

19 a 23 de Abril

E-nxada

direcção artística e conceção plástica de Vasco Gomes e Julieta Guimarães

cocriação Erva Daninha, Binaural/Nodaer

em co-produção com TNSJ

Para reservas e informações sobre o espectáculo, por favor, contacte a bilheteira:
Tel.: 22.340 19 00
Linha verde: 800 10 8675 (grátis a partir de qualquer rede)
E-mail: bilheteira@tnsj.pt
http://www.tnsj.pt