23.4.17

Todos os sonsos do mundo

Não é uso comum, mas peço já desculpa. Apesar da aparência lírica, esta crónica vai chafurdar na bosta e pronunciar algumas palavras feias.


Não é uso comum, mas peço já desculpa. Apesar da aparência lírica, esta crónica vai chafurdar na bosta e pronunciar algumas palavras feias. Inclui também uma dose generosa de poesia. A mistura de versos com a atividade bancária parecerá um pouco ordinária, mas a culpa não é minha. Devo o desarranjo a uma responsável espanhola do Bankinter que há pouco tempo disse que um banqueiro é alguém que «financia os sonhos das pessoas».

Não decerto por mera coincidência, os cartões de débito e crédito da igualmente sentimental Caixa Geral de Depósitos são decorados com rabiscos que procuram representar Fernando Pessoa. Alguns exemplares incluem o verso «Tenho em mim todos os sonhos do mundo» (ou, na modalidade de crédito, «Tudo vale a pena se a alma não é pequena»).

Como não pode defender-se das pulhices, o poeta padeceu ainda do enxovalho de ser citado na defesa de Ricardo Salgado. Não ocorreu ao sonso banqueiro, porém, o Poema em Linha Recta, de Álvaro de Campos («Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar»), preferindo o mais cagarola «Pedir desculpa é pior do que não ter razão».

Como ainda sou do tempo em que o BES também prometia realizar sonhos (e não apenas os da família Salgado, do Cristiano Ronaldo e da Dona Inércia), suspeito de que tanto arroubo poético, tanta filantropia, procuram esconder o essencial da atividade criada pelos agiotas. A saber: fazem o favor de guardar o nosso dinheiro, que emprestam a terceiros cobrando juros, taxas, spreads e o mais de que forem capazes de se lembrar. Parece um negócio fácil e lucrativo, mas, ainda assim, várias instituições bancárias idóneas e insuspeitas conseguiram fazer evaporar milhares de milhões de euros.

O fenómeno teria o seu quê de mistério e evanescência se o dinheiro não tivesse, afinal, sido transferido para paraísos offshore, passando pelo bolso de uma manada de consultores, administradores, conselheiros, jornalistas, manobradores de influências, comentadores e comissionistas. Um cita a Nau Catrineta, do Garrett. Aquele faz como o poeta e finge que não se lembra. Este engana com a novilíngua das imparidades. O outro assume o fardo da «responsabilidade política» sem consequências. Aqueloutra diz que assinou de cruz (e, mesmo assim, não baixa a crista). E o contribuinte paga a conta (13 mil milhões!) enquanto espera pela novela da noite.

Manuel Jorge Marmelo

22.4.17

Pior ou melhor velhice!

O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado


O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado. Em 2015, os/as portugueses/as com 65 ou mais anos residentes em Portugal eram já mais de 20% da população. Esta realidade em conjunto com a diminuição da natalidade sentida nos últimos anos reforçou a importância do envelhecimento tornando-o visível nas Grandes Opções do Plano.

A população activa da UE-27 tenderá a crescer cerca de 16% no grupo etário dos 55-64 anos entre 2010 e 2030, enquanto outros grupos etários apresentam uma tendência decrescente (por exemplo 5,5% o grupo de 40-54 anos ou 15% no grupo de 25-39 anos de idade).

As políticas e medidas a adoptar deverão ter em conta quem envelhece mas também as implicações sócio-económicas deste envelhecimento mais ou menos activo ou mais ou menos saudável. E sabemos que envelhecemos como vivemos. Com mais ou menos saúde e actividade decorrente dos nossos comportamentos e hábitos ao longo da nossa vida. Não menos importante é pensarmos nos cuidadores e de que forma poderemos criar condições para melhores cuidados, seja ao nível familiar sempre que possível, seja na comunidade e nas organizações que tantas vezes asseguram os últimos dias com algum conforto e apoio.

Considero que muito tem sido feito nos últimos 30 anos para fazer face a mutações muito rápidas na organização social, particularmente na célula familiar, permitindo criar respostas de apoio. Todavia, sabemos que são manifestamente insuficientes e necessitam por vezes de mais ou melhores recursos, das melhores práticas disponíveis e de acesso ao que de melhor se faz e sabe fazer, com fundamentação científica, relacionada com o envelhecimento.

A promoção de um estilo de vida activo, saudável, em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida e autonomia, intervindo nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos, assim como desenhar e implementar de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam promover competências, prevenir e tratar a dor e a doença, são medidas essenciais para a sustentabilidade da nossa sociedade neste período de maior invernia demográfica.

A custo-efectividade da intervenção psicológica junto do processo de envelhecimento, em adultos e idosos, no combate ao declínio físico e intelectual, à solidão, ao isolamento e à marginalização social, assim como na promoção da independência, autonomia, participação na vida social e adaptação a este processo devem merecer particular atenção dos decisores políticos.

Entre os vários profissionais que podem dar novas, eficientes e eficazes respostas e ter abordagens preventivas perante esta realidade, estão os/as psicólogos/as, entre os quais quase duas centenas já especialistas em psicogerontologia, número que a curto prazo deverá triplicar.


Escreveu Florbela Espanca...

"Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

[...]

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ... "

... ou melhor velhice!

Francisco Rodrigues
Bastonário da Ordem dos Psicólogos

21.4.17

Comemorações do 25 de abril no Porto


Caros/as Associados/as

Estamos perto da comemoração do 43º aniversário do 25 de Abril de 1974, data histórica da revolução que restituiu a Portugal a liberdade e a democracia, criando condições para a participação cívica dos portugueses na vida pública.

Passados estes anos, houve esperanças que ficaram defraudadas. No entanto, e pior, o clima de instabilidade e tensão política e o recrudescimento dos nacionalismos que se estão a viver na Europa e no Mundo, não auguram nada de bom para a solidez da liberdade e da democracia, mesmo no contexto europeu, “obrigando-nos” a estarmos em alerta. Exemplo disso é a incapacidade da U.E. para enfrentar o problema da crise humanitária dos refugiados na Europa.

A APRe!, enquanto associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados, e membro da Comissão Promotora das Comemorações Populares no Porto, quer e deve marcar presença nas comemorações deste dia, como mais um acto de cidadania, juntando-se a toda a população, solidariamente, no “Desfile da Liberdade”.

Neste sentido, apelamos à participação dos/as associados/as da APRe! nas celebrações do 25 de Abril no Porto, em particular no “Desfile da Liberdade”.

O desfile sairá pelas 14,30h, do Largo Soares dos Reis, junto à ex-Pide, no início da Rua do Heroísmo. A APRe! levará as suas faixas e ainda alguns cartazes com palavras-de-ordem adequadas ao momento político que vivemos na Europa e no Mundo e alertando também para os direitos essenciais das pessoas idosas: a questão das reformas com dignidade. Para que o impacto da representação da APRe! seja grande, apelamos a que todos quantos possam fazer o percurso completo se reúnam nesse local.

Na Avenida dos Aliados, no passeio do antigo Edifício AXA, junto ao Santander Totta, haverá uma banca, a partir das 14 horas, com autocolantes, fichas de inscrição e demais informação da APRe!, no sentido de informar e esclarecer as pessoas que aguardem pelo desfile acerca da nossa Associação.

Tragam amigos e seremos muitos. Pelo futuro, retomar Abril
Viva a APRe!

Elisabete Moreira
Delegada da APRe! Norte

Viva o 25 de Abril!



20.4.17

Como foi a sessão pública de informação e debate promovida pelo Núcleo das Avenidas da APRe!

Decorreu na passada terça-feira dia 18 de Abril, o Encontro que o Núcleo APRe! das Avenidas em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, levou a efeito no Auditório da Junta de Freguesia.


Tal como previsto, a sessão contou com três apresentações e um momento cultural. A sessão foi moderada por Anabela Paixão, dinamizadora do Núcleo APRe! das Avenidas.

A sessão foi aberta pelo Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, André Caldas que teve palavras muito elogiosas e estimulantes para a APRe!.




De seguida o associado APRe! José Bom, fez uma apresentação sobre a APRe!, na qual foram focadas qual a sua missão, o Caderno Reivindicativo APRe! aprovado em AG, a participação da APRe! em organizações internacionais, designadamente na AGE- Platform Europe, o aspecto lúdico desenvolvido na Associação através de grupos corais e as principais realizações levadas a efeito pela APRe!.















Seguiu-se a apresentação do Dr. José Manuel Boavida sobre a Diabetes, doença invísivel, silenciosa e silenciada, considerada a epidemia do Século XXI. A quem o pretendeu, após a reuinão foi possível efectuar o controlo da glicémia e da tensão arterial.




















Após o intervalo, o projecto “Apoio ao Cuidador” foi apresentado pelo Dr Jorge Mourão do pelouro de Direitos Sociais da CML, e por Viriato Moreira, professor aposentado da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.












No final da sessão, tivemos um momento cultural com o Grupo Coral e Grupo de Cavaquinhos dos Briosos de Alvalade.
















Estiveram igualmente presentes na sessão, o Vice-Presidente da APRe! Fernando Martins e o Delegado da APRe! na Grande Lisboa Vitor Ferreira da Silva.

Por forma a termos uma Associação mais forte e representativa dos aposentados, pensionistas e reformados Portugueses, no final da sessão inscreveram-se cinco novos associados da APRe!.

Núcleo e Coro APRe! Coimbra, comemorações do 25A


Seminário Internacional de Gerontologia Social


A Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama, vai estar presente no Seminário Internacional de Gerontologia Social, que vai decorrer na Universidade Lusófona no próximo dia 27 de Abril de 2017, aonde participará numa mesa redonda que terá como tema: Direitos e Protecção das Pessoas Idosas?

Quem quiser participar no seminário, poderá fazer AQUI a inscrição, a qual terá um custo de 10€.

19.4.17

Caixões para bebés

A cena tem uns anos, mas permanece atual: uma jovem mãe leva a filha, de meses, ao consultório do dr. House, personagem televisiva interpretada por Hugh Laurie. A preocupação maternal com o estado de saúde do rebento não comove o pragmatismo arrogante do médico mais famoso do Mundo. "A menina não foi vacinada", atira ele. Ao que responde a mãe: "Não vamos vaciná-la". Porque, explica, os nutrientes existentes no leite materno bastam. Torna o dr. House: "Acha que as vacinas não funcionam?" De novo a mãe: "Acho que uma multinacional farmacêutica quer que eu pense que funcionam".


House pega no sapo verde e fofinho que a bebé levava na mão (todo à base de produtos naturais) e interage com a petiz, dirigindo-se à educadora: "Sabe que outro negócio [para crianças] funciona bem? O dos pequenos caixões para bebés. Pode comprá-los em verde, como o sapo, ou em vermelho-vivo". A jovem libertária (no sentido irresponsável do qualificativo) exibe um olhar chocado e pergunta, num apelo quase misericordioso: "Diga-me o que tem a minha filha". E o dr. House diz-lhe: "Uma constipação".

Quando um pai decide não vacinar um filho contra uma doença altamente contagiosa, como o sarampo, deve ter, em primeiro lugar, a noção de que está a colocar em risco a vida da criança. E, depois, que está a arrastar para um campo minado uma comunidade inteira. A vacinação é um mecanismo de defesa pessoal, mas é-o também, e sobretudo, de defesa da vida em sociedade. Em Portugal, felizmente, apenas uma pequena minoria está convencida de que o Plano Nacional de Vacinação (universal e gratuito) é uma maçada burocrática ou uma intrusão do Estado na vida familiar. E, entre a comunidade médica pediátrica, não há praticamente ninguém que defenda a arbitrariedade paternal na toma da profilaxia.

Mas agora que somos confrontados com um surto que, só nos primeiros quatro meses do ano, fez mais vítimas do que na última década, é desejável que nos foquemos no essencial: quem expõe os filhos a este risco desnecessário - seja por desleixo, desinformação ou vontade - está a cometer um ato que, além de moralmente condenável, pode revelar-se criminoso, como tão apropriadamente lembrou o pediatra Mário Cordeiro. Porém, tornar a vacinação obrigatória por lei - castigando os adultos faltosos - podia excluir ainda mais os pobres e os socialmente desfavorecidos. Para além de que, juridicamente, se tratar de um debate de grande complexidade, por estarem em causa liberdades individuais. Mais do que uma exigência do Estado, a vacinação tem de ser assumida como um compromisso cívico coletivo.

Os caixões para bebés do dr. House talvez resultem numa projeção gráfica demasiado violenta. Mas mesmo num país como Portugal, que tem uma das melhores taxas de vacinação do Mundo (e convém não esquecer o quão desenvolvido é o sistema de alertas aos pais promovido pelos centros de saúde), nunca é demais voltar ao óbvio para não esquecer o óbvio: as vacinas salvam vidas. E isso não é uma teoria da conspiração criada para tornar mais ricas as farmacêuticas. É um facto que não merece discussão.

Pedro Ivo Carvalho

Ler faz bem à cabeça

Em alguns países, médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias.


Nem só na farmácia se aviam receitas médicas. A biblioterapia – o recurso a leituras selecionadas como auxiliar terapêutico – está a dar cartas em alguns países onde médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias. E os pacientes vão aviar a receita à biblioteca mais próxima.

Qualquer leitor entusiasta sabe quanta felicidade pode encontrar num livro. Cada obra pode ser um portal para outras paragens, sem ter de sair da própria sala. Um livro, além de mudar convicções e alargar horizontes, pode mudar o estado de espírito, pelo que é provável que não fiquem espantados com as funções terapêuticas que, cada vez mais, estão a ser atribuídas à leitura.

O conceito não é exatamente novo. Reza a história que no pórtico de entrada da biblioteca de Tebas, cidade-Estado grega, no atual Egito, pelo ano de 1000 a.C, se lia a seguinte frase: «Medicina para o espírito.»

A leitura sempre foi usada como distração e divertimento, mas só em 1949 o conceito de biblioterapia começou a tomar forma tal como é entendido hoje, com a tese da professora e bibliotecária Caroline Shrodes, Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study, com a qual obteve o doutoramento em Filosofia e Educação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Shrodes defendia então que a literatura tinha a capacidade de desencadear uma resposta afetiva que podia ser canalizada para o crescimento psicológico, social e emocional do leitor, sendo isso conseguido, por exemplo, através da identificação com as personagens dos livros e as situações por elas vividas.

Desde então, multiplicaram-se os estudos sobre esta nova ferramenta e, em 2003, depois de um longo caminho de investigação, o psicólogo inglês Neil Frude acabou por concluir que a leitura tem potencial para se assumir como substituto ou adjuvante dos antidepressivos. Criou, em colaboração com outros profissionais de saúde, uma lista de títulos de autoajuda baseados na terapia cognitivo-comportamental que pudesse abranger várias patologias de saúde mental comuns e, juntamente com médicos de família, psicólogos e bibliotecas, implementou o conceito da prescrição de livros em Cardiff (País de Gales).

Dez anos depois, em 2013, o projeto estendeu-se a todo o país. Criou-se uma organização para o gerir, a Reading Well, que, juntamente com a Arts Council, a rede de bibliotecas públicas do país, e tendo como parceiras várias associações médicas britânicas, acabou por colocar de pé um programa de prescrição de leitura de livros com uma função terapêutica, o Books on Prescription.

A metodologia é simples: há uma lista de livros e os médicos de família, psicólogos ou psiquiatras prescrevem a cada paciente aquele ou aqueles que se lhes adaptam ao problema que enfrenta. Pode aplicar-se a situações tão diversas como depressão, dor crónica, ansiedade, fobias ou bulimia.

O programa usa sobretudo livros temáticos e educativos, escritos por especialistas para leigos, sobre as condições que enfrentam os pacientes – os chamados livros de autoajuda – sendo quase todos baseados na terapia cognitivo-comportamental.

REMÉDIOS LITERÁRIOS: O LIVRO DE PRESCRIÇÕES

Nem só de livros de autoajuda vive a biblioterapia. As duas biblioterapeutas mais famosas do mundo – tanto quanto podem ser famosas as biblioterapeutas – são Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras do livro Remédios Literários (The Novel Cure: An A-Z of Literary Remedies, no original) e estas só recomendam ficção.

As ex-colegas de faculdade que passavam o tempo a recomendar livros uma à outra cruzaram-se com o filósofo Alain de Botton em 2007, quando este estava a criar em Londres a The School of Life – uma escola que ensina filosofia prática, para ser aplicada no dia-a-dia e que pretende substituir o vazio criado pela não existência de Deus com cultura, literatura, filosofia, arte e psicologia.

Desde aí, têm tido filas de gente à porta do seu gabinete e têm formado biblioterapeutas por todo o mundo. Em 2013, lançaram o Remédios Literários, um livro ao estilo dicionário com recomendações de leitura que vão desde o A de «Abandono» ao Z de «Zangar-se com o melhor amigo».

O livro tem uma particularidade: parte do conteúdo é adaptado à edição de cada país, para responder a realidades culturais diferentes e incluir mais autores nacionais. Da lista de recomendações fazem parte alguns autores portugueses, entre eles Fernando Pessoa, com o Livro do Desassossego para a insónia (que as autoras defende que nos vai deixar num estado pré-sono devido à falta de enredo) e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, para situações de dependência ou utilização excessiva de internet.

Sofia Teixeira

Comemorar Abril, jantar promovido pelos Núcleos de Almada e do Seixal


Caros associados e amigos

Precisamos de uma APRe! mais forte e activa, com mais sócios, que se mobilizem na defesa dos interesses dos reformados e pensionistas.

Os Núcleos de Almada e do Seixal querem contribuir para essa dinâmica. Estamos a preparar várias iniciativas que fomentem a nossa coesão.

Para já vimos convidá-los para um jantar:

VAMOS COMEMORAR A REVOLUÇÃO DE ABRIL

Propomos um jantar, no dia 24 de Abril, pelas 20:00 horas, no Restaurante Jardim (na Cova da Piedade, frente ao Jardim e ao lado da SFUAP).

Tudo incluído, com sobremesa e bebidas, custará cerca de 15,00 euros.

A ementa será escolhida no momento, entre os vários pratos do dia.

Possibilidade de transporte, a combinar com os dinamizadores dos Núcleos.

Teremos a presença de um convidado ligado ao 25 de Abril, que nos fará uma pequena palestra.

Inscrições para:
  • 968 438 675 - Francisco Tomás (núcleo Seixal)
  • 915 131 941 - Laura Casa Nova (núcleo Almada)
Vem e traz a família e os amigos. É uma oportunidade de consolidar amizades. Juntos seremos mais fortes.

Núcleos de Almada e do Seixal da APRe!

18.4.17

Comemorar Abril, Almoço Temático do Núcleo Lisboa Norte (Carnide, Lumiar, Santa Clara)


O Núcleo APRe! de Lisboa Norte (Carnide, Lumiar, Santa Clara), vai realizar um almoço temático no próximo dia 21 de Abril, 6.ª feira, pelas 12h, que contará com a presença da Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama, e terá como orador convidado, o Capitão de Abril, Coronel António Rosado da Luz.
  • Tema: “Liberdade e Cidadania”
  • Local: Associação dos Deficientes das Forças Armadas na Av. Padre Cruz em Lisboa
Vai ser uma oportunidade de trocarmos ideias e estabelecermos laços de coesão que tornem a APRe! mais forte, para defender os interesses dos aposentados, pensionistas e reformados.

Para mais Informações contacte o Núcleo Lisboa Norte
Tel: 929121102
mail: aprecarnidelumiarsantaclara@gmail.com

"E-nxada", divulgação/informação de espectáculo no Teatro Carlos Alberto

Ao abrigo do protocolo celebrado entre a APRe! e o Teatro Nacional de S. João (TNSJ) Porto, nos termos do qual os associados da APRe! passaram a usufruir de descontos na compra de bilhetes para os espectáculos, fazemos a divulgação do espectáculo "E-nxada", com direcção artística e conceção plástica de Vasco Gomes e Julieta Guimarães.

Este espectáculo será apresentado no Teatro Carlos Alberto, de 19 a 23 de Abril.

quarta-feira, às 21h00
quinta-feira e sexta-feira às 11h00 + 15h00
sábado e domingo, às 16h00

Teatro Carlos Alberto

19 a 23 de Abril

E-nxada

direcção artística e conceção plástica de Vasco Gomes e Julieta Guimarães

cocriação Erva Daninha, Binaural/Nodaer

em co-produção com TNSJ

Para reservas e informações sobre o espectáculo, por favor, contacte a bilheteira:
Tel.: 22.340 19 00
Linha verde: 800 10 8675 (grátis a partir de qualquer rede)
E-mail: bilheteira@tnsj.pt
http://www.tnsj.pt

17.4.17

Quer candidatar-se às eleições da ADSE? Junte uma lista e cem assinaturas

A ADSE vai eleger quatro representantes dos beneficiários para o novo Conselho Geral e de Supervisão, num processo onde os 836 mil titulares podem votar. E concorrer, se reunirem determinadas condições. Saiba quais.


A ADSE está a organizar as eleições para os quatro representantes dos beneficiários que terão assento no Conselho de Supervisão do novo instituto público. A escolha será realizada por voto electrónico, por correspondência e, presencialmente, em algumas cidades do país.

O projecto final de regulamento eleitoral, a que o Negócios teve acesso, prevê que os cerca de 836 mil beneficiários titulares possam votar mas também se possam candidatar, desde que reúnam algumas condições.

Quando vão ser as eleições?

Os prazos fixados nos sucessivos projectos de portaria são cada vez mais curtos. Está agora previsto que a Comissão Eleitoral marque a data com uma antecedência mínima de 50 dias, quando inicialmente se previam 90 dias. Isso só poderá acontecer depois de a portaria que está em fase final de negociações ser publicada.

O que faz o representante dos beneficiários?

Os quatro representantes dos beneficiários farão parte do Conselho Geral e de Supervisão, juntamente com três representantes dos sindicatos e dois dos reformados, entre outros membros. Têm funções de fiscalização e essencialmente consultivas em relação às principais actividades e documentos da ADSE. É este órgão que elege um dos dois vogais do novo instituto público.

Quem pode concorrer?

Desde logo, é necessário que os beneficiários constituam uma lista com quatro membros efectivos (que sejam beneficiários titulares) e até quatro membros suplentes, com inscrição válida e descontos em dia, cuja inscrição nunca tenha sido suspensa como medida sancionatória. O processo deverá ser subscrito, no mínimo, por 100 beneficiários titulares e inscritos na ADSE, que têm de assinar a lista com o seu nome completo e número de beneficiário.

Além disso, o novo documento reforça as exigências de transparência sobre os candidatos. Face às versões anteriores, acrescenta que além de conter a identificação dos membros das listas, o currículo e o manifesto eleitoral, o processo de candidatura deve conter a "declaração de interesses dos membros das listas, onde conste nomeadamente os cargos, funções, e actividades públicas e privadas a exercer cumulativamente com o mandato e os apoios ou outros benefícios recebidos".

Candidaturas eram individuais

Inicialmente, estava previsto que pudessem ser apresentadas candidaturas individuais (sem necessidade de lista). A alteração para um processo de listas foi criticada por algumas das associações interessadas, como a APRe! ou a Associação 31 de Maio, que entendem que desta forma se restringem as possibilidades de candidaturas independentes, e defendida por alguns sindicatos, como a Fesap, que consideram que desta forma se dá consistência às candidaturas, tal como o Negócios noticiou na semana passada. Algumas destas estruturas, que poderão ter outros lugares no Conselho, admitem constituir ou apoiar candidatos.

Qual será o método?

Ao contrário do que estava previsto nas versões anteriores, a ADSE prevê um sistema de lista mas por método de Hondt. Significa isto que no grupo de quatro membros efectivos que forem escolhidos através das eleições poderão estar candidatos de diferentes listas, já que o método é proporcional.

Como vão ser divulgadas as eleições?

Já estava previsto que a data, as listas, os manifestos, os locais e formas de voto fossem divulgadas no portal da ADSE, em dois jornais diários e por correio electrónico. Agora, fica decidido que a informação também pode ser dada por SMS quando os beneficiários tenham disponibilizado o número de telemóvel e por carta para os beneficiários não abrangidos pelas anteriores formas de comunicação.

Protecção de dados é outra das preocupações

A gestão dos dados dos beneficiários titulares, que serão incluídos nos cadernos eleitorais, é outra das preocupações levantadas neste processo inédito. O projecto de portaria prevê que os cadernos eleitorais - que contêm os nomes completos dos beneficiários com direito a voto e o respectivo número de beneficiário – e que os membros das listas os possam consultar em qualquer altura. Os sindicatos temem que, sem protecção adequada, a lista de beneficiários possa ser usada para fins indevidos ou comerciais. Na semana passada a Fesap pediu que o processo fosse sujeito a um parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.

Como e onde se vota?

Está previsto o voto electrónico, por correspondência e em urna. Só votam os candidatos beneficiários (e não os familiares). O voto electrónico é feito pela internet a todos os que que tenham feito o registo prévio "preferencialmente" até 48 horas antes da eleição. No caso do voto por correspondência, o boletim poderá ser impresso do portal da ADSE ou, "face a expressa solicitação do beneficiário com antecedência de doze dias", remetido por correio pela ADSE, que tem dois dias para o enviar. As urnas para voto presencial só estarão disponíveis em algumas cidades: Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, Faro "e ainda nos locais a designar nas regiões autónomas".

Sindicatos e associações queriam mais urnas presenciais

O reduzido número de locais para a votação presencial foi outra das críticas apontadas por sindicatos e associações de reformados. Nesta versão final está previsto que as votações se realizem em cinco cidades do continente "e ainda nos locais a designar nas regiões autónomas".Os críticos argumentam que a opção por um processo electrónico poderá não ser a mais adequada para uma parte dos beneficiários titulares, dos quais 328 mil são aposentados. Ainda assim, a ADSE reforçou as garantias de divulgação por correio e de voto por correspondência, definindo os prazos para pedido e envio do boletim de voto.

Quem organiza?

O processo é organizado pela ADSE e supervisionado por uma Comissão Eleitoral, que além de fiscalizar o processo resolve dúvidas, decide reclamações e apura os resultados. A comissão é composta pelos membros do conselho directivo, três membros dos sindicatos e dois das associações de reformados. As deliberações são tomadas por maioria mas comissão é presidida pelo Presidente da ADSE, que em caso de empate tem voto de qualidade.

Catarina Almeida Pereira

16.4.17

Aleluia


Com flores de rododendro cor de fogo
anuncio aos sentidos
o milagre
da ressurreição.
E o Cristo vivo, em que se transfigura
a mais vil criatura
que atravessa a praça,
é como uma graça
a mais da primavera.
Ah, quem pudera
todos os dias
olhar o mundo assim, repovoado
de fraternidade,
quente de um sol desabrochado
em cada pétala da realidade!


Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 19 de Abril de 1987

15.4.17

O tempo dos homens excecionais

Uma das coisas irritantes da avaliação do presente é a ideia de que “isto nunca esteve tão mal”


Enquanto desabafo de café, emocional, faz sentido: afinal, o tempo em que éramos jovens era o melhor de todos. A reescrita do passado enquanto lugar de prazeres etéreos é um mecanismo automático e algum esquecimento é preciso para continuar a marcha da vida dos povos.

Veja-se a Europa: foi preciso uma grande dose de esquecimento para trancar os traumas da II Guerra Mundial num poço, pôr uma pedra em cima e, sobre essa pedra, construir uma nova igreja – a da Europa como lugar primeiro da solidariedade, teoria agora em fim de ciclo.

Infelizmente, as memórias de passados felizes são coisas íntimas e humanamente compreensíveis que não resistem à lógica, à estatística e à política. Esta semana, no lançamento da edição definitiva de “O Canto e as Armas”, de Manuel Alegre, que foi publicado pelo primeira vez faz agora 50 anos, Alegre desabafava que “é muito difícil transmitir às novas gerações o sufoco daquele tempo”. Nada mais verdadeiro. É, aliás, quase impossível.

Como explicar que havia uma ditadura, uma guerra colonial, caixões de Pedros soldados, uma pobreza assustadora, uma classe média assustada e remediada, uma função pública que tinha de assinar um papel a declarar a sua aversão ao comunismo? Onde as mulheres tinham um bocadinho mais de direitos do que os animais têm hoje? Esse país que hoje parece intangível, incompreensível, quase uma lenda para as gerações mais jovens, era o que havia há 50 anos.

“O Canto e as Armas” é o retrato bruto desse país, feito por um poeta muito jovem e combatente. Mas esse tempo negro foi também o tempo dos homens excecionais. Manuel Alegre é um desses homens excecionais que o país – e as gerações mais jovens – devia saber homenagear condignamente. Mas, se calhar, muitos não percebem. Nem o percebem. Mas os poetas têm a dádiva de também não precisar disso.

Ana Sá Lopes

14.4.17

"Endgame", divulgação/ informação de espectáculo no Mosteiro São Bento da Vitória

Ao abrigo do protocolo celebrado entre a APRe! e o Teatro Nacional de S. João (TNSJ) Porto, nos termos do qual os associados da APRe! passaram a usufruir de descontos na compra de bilhetes para os espectáculos, fazemos a divulgação do espectáculo "Endgame", de Samuel Beckett com direcção de Tania Bruguera.

Este espectáculo será apresentado no Mosteiro São Bento da Vitória, nos dias 20 e 21 de Abril.

Quinta e sexta-feira às 15h00 e às 21h00

20| 21Abril

Mosteiro São Bento da Vitória

Endgame

de Samuel Beckett

direção Tania Bruguera

Coprodução BoCA, Colectivo 84, Théâtre Nanterre-Amandiers/Festival D’Automne à Paris/Fondation D’Entreprise Hermè, Kunstenfestivaldesarts, International Summer Festival Kampnagel, Estudio Bruguera, TNSJ

Para reservas e informações sobre o espectáculo, por favor, contacte a bilheteira:
Tel.: 22.340 19 00
Linha verde: 800 10 8675 (grátis a partir de qualquer rede)
E-mail: bilheteira@tnsj.pt
http://www.tnsj.pt/home/index.php

13.4.17

As mudanças na ADSE que estão em cima da mesa

O universo de beneficiários vai ser alargado. A dúvida é saber qual o desconto que terão de pagar e se haverá restrições na idade.


Trabalhadores do Estado com contrato individual passam a ter direito

Actualmente, há cerca de 100 mil pessoas a trabalhar para o Estado que não têm direito à ADSE porque não têm um contrato de trabalho em funções públicas. A intenção, para já, é abrir o sistema aos trabalhadores dos hospitais EPE que têm contrato individual ou a trabalhadores de outras empresas públicas nas mesmas circunstâncias. A ideia é que os novos beneficiários paguem uma contribuição para poderem usufruir da ADSE. O valor a pagar será semelhante aos 3,5% exigidos aos actuais beneficiários titulares.

ADSE alargada a todos os cônjuges a troco de desconto

Neste momento, a ADSE só abrange os cônjuges dos beneficiários titulares que não descontem para outros sistemas (o caso das domésticas, por exemplo). A ideia é que todos os cônjuges (mesmo os que trabalham no sector privado) possam beneficiar da ADSE, pagando uma contribuição que poderá oscilar entre os 2,5% e os 2,8% (um modelo semelhante ao que vigora na Assistência na Doença aos Militares). Liberato Baptista já disse que está prevista uma matriz em função da idade, do género e do rendimento que irá definir os valores mínimos mensais a pagar. A grande questão que aqui se coloca, além do valor do desconto, é saber se haverá restrições à inscrição do cônjuge em função da idade. Alguns sindicatos defendem que não pode haver qualquer restrição, enquanto outros defendem que haja um limite mínimo (abaixo dos 65 anos), para garantir sustentabilidade ao sistema.

Filhos entre 26 e 30 anos podem beneficiar mas pagam

Agora a ADSE abrange os filhos dos beneficiários até aos 26 anos, desde que continuem a estudar, sem que seja preciso pagar qualquer contribuição adicional. A proposta de regulamento prevê que a protecção vá até aos 30 anos, sem ser obrigatório que os filhos estejam a estudar, mas desde que não trabalhem e vivam com os pais. Este benefício exigirá o desconto de um determinado montante mensal que poderá oscilar entre os 20 e os 25 euros. Alguns sindicatos entendem que este desconto representa um aumento indirecto da contribuição dos beneficiários, dado que além do desconto de 3,5% o titular terá de pagar um valor fixo pelos filhos entre os 26 e os 30 anos.

Aumentar a protecção nas grandes despesas

Numa entrevista à revista Forbes, o presidente da ADSE defende que a médio prazo é preciso olhar para os benefícios e para o equilíbrio entre a pequena e a grande despesa. É que a ADSE oferece uma protecção ampla quando estão em causa despesas mais baixas (uma consulta custa 3,99 euros ao beneficiários), enquanto na grande despesa essa protecção é relativamente menor. Num internamento, por exemplo, o beneficiário paga do seu bolso 80 a 190 euros. Liberato Baptista defende que nos pequenos cuidados há espaço para fazer mudanças.

Novo regime abre a porta a unidades próprias

A ADSE é um regime que financia a prestação de cuidados de saúde (através do regime convencionados ou do regime livre), mas não tem unidades de saúde próprias. Como a criação do instituto da ADSE, no início de 2017, abre-se a porta a que isso possa acontecer, mas a decisão terá de ser discutida com os representantes dos beneficiários. A hipótese chegou a estar no plano de actividades para 2015, nomeadamente a “criação experimental” de unidades de cuidados de saúde primários e a prestação de serviços de medicina no trabalho, mas nunca foram dados passos nesse sentido.

12.4.17

Sessão pública de informação e debate promovida pelo Núcleo das Avenidas da APRe!


Os Dinamizadores do Núcleo das Avenidas da APRe!, convidam todos os interessados a participar no Encontro que a nossa Associação, em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, vai realizar na próxima 3ª feira, 18 de Abril, das 9h30 ás 12h30, no Auditório da sede da Junta de Freguesia de Alvalade – Rua Conde de Arnoso, nº5 B, 1700-112 Lisboa.

A sessão contará com três apresentações e um momento cultural. Assim, iremos falar sobre a APRe! e as suas realizações, seguindo-se a apresentação Diabetes, doença invísivel (silenciosa e silenciada), pelo Dr. José Manuel Boavida, Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal - APDP Diabetes e reconhecido especialista nesta insidiosa doença que afecta tantos idosos em Portugal, e por fim será apresentado o projecto Apoio ao Cuidador – uma iniciativa conjunta da CML, ADVITA e ESEL.

No final seremos brindados com uma actuação do Grupo Coral e Grupo de Cavaquinhos dos Briosos de Alvalade.

Haverá ainda a possibilidade de participarmos num rastreio gratuito de glicémia, que será efectuado pela Associação Conversa Amiga.

Contamos com a sua presença. Venha “Conhecer para Saber”!

11.4.17

Estimulação cerebral devolve autonomia a 900 doentes

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Doença de Parkinson, uma patologia que afeta cerca de 18 mil portugueses. A colocação de elétrodos no cérebro alivia os sintomas motores


"No dia 12 de setembro de 2016 recomecei uma nova vida. Voltei a fazer coisas simples que tinha deixado de fazer há 8 anos, como comer de garfo e faca ou conduzir." Foi nesse dia que Vasco Pereira, de 62 anos, foi submetido a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda, intervenção que permite reduzir os sintomas motores da doença de Parkinson e as dosagens de medicação. "Estava a viver num lar, mas consegui voltar para casa. Faço uma vida normal", conta ao DN.

Vasco tinha 45 anos quando lhe foi diagnosticada a doença de Parkinson, uma patologia neurodegenerativa para a qual não há cura nem prevenção, que se caracteriza por tremores, rigidez, lentificação dos movimentos, instabilidade postural. Está também associada a problemas no sono e alterações cognitivas. Descrita há 200 anos pelo médico James Parkinson, é uma doença que afeta cerca de 18 mil pessoas em Portugal. Em casos específicos, os doentes são indicados para fazer a cirurgia de estimulação cerebral profunda, que não trava a progressão da doença, mas ajuda a reduzir os sintomas. De acordo com os dados cedidos ao DN pela empresa de tecnologia médica Medtronic, foram realizadas cerca de 900 intervenções no país desde 2002.

"Grande parte dos sintomas motores deve-se à perda de um neurotransmissor, a dopamina, que causa uma série de alterações no cérebro", explica ao DN Marcelo Mendonça de Sousa, neurologista no Hospital Egas Moniz (CHLO), uma das seis unidades que realizam a minuciosa cirurgia em Portugal. Desde os anos 50 que há fármacos para a doença, contudo "o grande problema é que são muito eficazes no início do tratamento, mas cerca de cinco anos depois metade dos doentes tem complicações motoras". A medicação deixa de fazer efeito com muita rapidez e ocorrem discinesias: "Movimentos aberrantes, involuntários, altamente disruptivos para a qualidade de vida do doente."

Ao fim de dez anos, quase 80% dos doentes passa por isso, o que requer ajustes frequentes da medicação. "Mas nem todos os doentes se conseguem tratar com esses ajustes. É para esse grupo que a cirurgia está recomendada", explica o cirurgião, ressalvando que a intervenção não pode ser realizada se existirem doenças psiquiátricas ou alterações cognitivas.
No início do tratamento, a medicação tende a funcionar bem. "É a chamada lua-de-mel", indica Paulo Bugalho, neurologista responsável pela consulta das doenças de movimento no mesmo hospital.

Segunda lua-de-mel
A cirurgia, que será indicada "para cerca de 10% dos doentes" - sobretudo os mais novos -, é "a segunda lua-de-mel". "É muito eficaz e resulta numa melhoria grande em termos de qualidade de vida", destaca. A esmagadora maioria dos doentes continua a fazer medicação, mas em doses mais reduzidas.

A operação, que consiste na colocação de dois pequenos elétrodos através de pequenos orifícios no crânio, dura cerca de oito horas e é realizada com anestesia local. Carla Reizinho, neurocirurgiã no Hospital Egas Moniz, explica que, antes de começar, é feita uma TAC, que é fundida com uma ressonância magnética realizada anteriormente, de forma a determinar "exatamente o alvo [núcleo de substância cinzenta a estimular] e a trajetória" para a colocação dos elétrodos.

Com o doente acordado durante a cirurgia, é possível perceber se melhora os tremores, por exemplo, ou se existe algum efeito adverso à medida que é feita a estimulação. Depois de determinado o sítio mais seguro, são "substituídos os elétrodos provisórios pelos definitivos". Só depois disso é administrada anestesia geral, para fazer a conexão dos elétrodos a uma espécie de pacemaker que é colocado na região abaixo da clavícula. Uma cirurgia que, segundo a especialista, também tem sido usada em casos de epilepsia refratária, dor crónica e perturbação obsessivo-compulsiva e que está em estudo para bulimia, anorexia, Alzheimer. Custa 25 mil euros, mas traduz-se numa redução dos fármacos.

Acompanhamento pré e pós
Depois da cirurgia, a voltagem elétrica do dispositivo vai sendo alterada de forma a obter a melhor resposta. É nessa fase que se encontra Daniela, uma doente de 38 anos, que pediu para não ser identificada, porque receia que a exposição a possa condicionar no futuro. "A minha expectativa é adquirir equilíbrio e mobilidade para manter a minha profissão e ser mãe." Cerca de dois meses após a cirurgia, Daniela fala numa "evolução brutal". Diz que não tem movimentos involuntários e dores e que faz "muita coisa que não fazia". "Tinha picos em que me movimentava excessivamente, outros em que ficava completamente parada."

Daniela teve os primeiros sintomas há quatro anos, com apenas 34 anos. "A idade é o principal fator de risco, mas a doença pode ser diagnosticada em pessoas mais novas", afirma o neurologista Marcelo Mendonça de Sousa. As causas continuam desconhecidas. "Sabe-se que em 5% dos casos há uma causa genética e que há a influência de fatores ambientais."

Em Portugal, um estudo epidemiológico feito em 2014 revelou uma prevalência estimada de 180 casos por cada cem mil habitantes. "Espera-se que o número aumente à medida que a população vai envelhecendo, uma vez que é uma doença relacionada com a idade", explica Paulo Bugalho, que também é professor na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

A doença surge muitas vezes associada a depressões. "Mexe muito com a parte psicológica. Os doentes têm altos e baixos e há muitas alterações no humor", sublinha Fernando Pereira, responsável pela delegação do Norte da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson. Casado com uma doente que foi submetida à cirurgia, diz que a mulher passou a "andar e a fazer uma vida normal, o que não acontecia". Rejeitou o primeiro implante, em 2008, mas colocou um novo em 2010. Como em qualquer intervenção cirúrgica, há o risco de hemorragia e infeção, bem como outros associados aos elétrodos, mas os médicos dizem que as complicações são raras.

Joana Capucho

10.4.17

Reformas antecipadas: 13 perguntas e respostas sobre o novo regime


O governo já apresentou as linhas gerais do novo regime de reformas antecipadas. Fique a par dos pontos essenciais. 

Quem vai poder reformar-se antecipadamente?
Com o novo regime, poderão aceder à reforma antecipada os trabalhadores que descontam para a segurança social e que tenham pelo menos 60 anos de idade e 40 de carreira contributiva. Atualmente estas são também as condições para a reforma antecipada mas, na verdade as regras agora em vigor, correspondem a um regime transitório que está a substituir o que permite as saídas antecipadas aos 55 anos de idade e 30 de serviço (e que foi suspenso pelo atual governo depois de se ter verificado que dava origem a cortes muito avultados no valor das pensões).

Como funciona o novo regime?
No novo regime, as carreiras contributivas longas são valorizadas, sendo atribuída uma bonificação às pessoas que tenham 41 anos ou mais de descontos. Esta bonificação foi desenhada de forma a que estas pessoas passem a ter uma idade de reforma ‘pessoal’ (ou seja, uma idade de acesso à reforma por inteiro diferente e mais baixa da idade legal em vigor).

Como é definida esta idade ‘pessoal’ da reforma?
O governo elaborou uma tabela que permite a qualquer pessoa ficar a saber a idade com que pode entrar na reforma sem sofrer qualquer corte e que prevê o seguinte:
  • com 41 anos de carreira a reforma chega 65 anos e 11 meses;
  • com 42 anos de carreira baixa para os 65 anos e 7 meses de idade;
  • com 43 anos de descontos é possível aceder à reforma aos 65 anos e 3 meses;
  • com 44 a reforma é aos 64 anos e 10 meses de idade;
  • com 45 anos baixa para os 64 anos e 4 meses;
  • com 46 anos de descontos a reforma é aos 63 anos e 10 meses;
  • com 47 anos de descontos a reforma por inteiro acontece aos 63 anos e 3 meses de idade
O que acontece à penalização mensal?
As reformas antecipadas manterão uma penalização que é de 0,5% por cada mês antes da idade da reforma. A grande diferença face ao sistema agora em vigor é que, para os que têm entre 41 e 47 anos de descontos, esta penalização não tem por referência a idade legal da reforma (que está este ano balizada nos 66 anos e 3 meses), mas a sua idade ‘pessoal’ de reforma. Exemplificando. Uma pessoa que tenha feito agora 62 anos e possua 44 anos de descontos terá uma penalização mensal de 25,5% – a que acresce um corte de 13,88% por via do fator de sustentabilidade. No novo regime, uma pessoa com estas características ou espera até aos 64 anos e 10 meses para ter a reforma por inteiro ou sai aos 62 anos do mercado de trabalho mas com uma penalização mensal mais baixa, de 17% neste caso.

Esta idade ‘pessoal’ vai mudando ao longo dos anos?
Sim. O regime prevê que aquela tabela evolua da mesma forma que a idade legal também vai aumentando de forma a incorporar o aumento da esperança média de vida. Para 2018, já se base que a idade legal avançará para os 66 anos e 4 meses.

No novo regime o que acontece ao corte do fator de sustentabilidade? 
É eliminado. Ou seja, as reformas antecipadas deixam de ter o corte por via do fator de sustentabilidade. Este fator passa apenas a ser relevante para determinar a nova idade legal de saída para a reforma.

E as pessoas com carreiras contributivas de 48 anos?
Estas pessoas podem aceder à reforma antecipada assim que o novo regime entrar em vigor e sem qualquer penalização porque nestes casos o corte de 0,5% por cada mês de antecipação não se aplica.

O serviço militar no ultramar é contado a dobrar?
Tudo indica que sim, pelo que a contagem dos anos de carreira contributiva terá em conta estas situações.

Haverá regras diferentes para quem começou a trabalhar muito cedo?
Sim. Está previsto que as pessoas que começaram a descontar antes dos 16 anos tenham uma penalização mensal inferior a 0,5% caso decidam reformar-se antecipadamente.

O novo regime vai aplicar-se aos funcionários públicos?
Não. Pelo menos para já isso não acontecerá. Porque, como tem explicado o governo, o que está a ser discutido e alterado é o regime das reformas antecipadas no sector privado, que se encontra suspenso. Na função pública as saídas antecipadas nunca estiveram fechadas e podem ocorrer desde que o trabalhador tenha 55 anos de idade e 30 de descontos. O ministro Vieira da Silva não rejeita que algumas das novas regras possam ser transferíveis para o regime da função pública, mas para já não está prevista nem em análise qualquer mudança.

Quem começou a carreira contributiva na CGA e depois mudou para o sector privado beneficia do novo regime?
Sim.

O novo regime de reformas antecipadas é mais generoso do que o atual?
Sim, pode dizer-se isso. As diferenças começam logo no facto de se acabar com a corte nas pensões por via do fator de sustentabilidade. Mas há mais. Atualmente a penalização mensal tem sempre por referência a idade legal de saída para a reforma (66 anos e 3 meses); no novo, a penalização é feita com base na idade de reforma ‘pessoal’. Outra diferença é que a bonificação atribuída às carreiras longas é mais generosa. Atualmente, cada ano de descontos além dos 40 faz recuar em três meses a idade legal da reforma, com o limite de 65 anos. O novo sistema bonifica mais os anos de desconto e não tem aquele limite. Prova disso mesmo é, por exemplo, quem tem 44 anos de carreira consegue reformar-se 2 anos e 2 meses mais cedo.

Quando entram em vigor as novas regras?
Ainda este ano, mas o sistema entrará em vigor de forma faseada. A proposta final do governo será conhecida no início de maio, havendo ainda depois que finalizar a discussão na Concertação Social e
cumprir os passos legislativos que uma mudanças destas acarreta.

Lucília Tiago

9.4.17

Doença de Parkinson vai aumentar em Portugal

A doença de Parkinson, a patologia neurodegenerativa mais prevalente a seguir à de Alzheimer e que já afeta quase 20 mil portugueses, vai aumentar com o envelhecimento da população


"A prevalência da doença é grande e temos dificuldade em ter estudos epidemiológicos em Portugal, mas fizemos um com o apoio da Associação de Doentes de Parkinson e a prevalência estimada é de 180 por 100 mil habitantes", disse à agência Lusa a neurologista Cristina Januário do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Na terça-feira, 11 de abril, assinala-se o Dia Mundial da doença, que atinge mais de uma em cada mil pessoas na Europa. É a data de nascimento do médico James Parkinson, o primeiro a descrever a doença faz precisamente 200 anos.

Salientando que a doença de Parkinson é "também uma patologia do envelhecimento", a médica Cristina Januário alerta que a população portuguesa está a envelhecer, o que aumenta a sua prevalência.

Apesar de a doença ser progressiva e de ainda não se poder travar o seu curso, alguns doentes conseguem reunir os requisitos para se submeterem a uma terapêutica disponível desde 2002 em Portugal, que consiste no implante de um dispositivo que estimula núcleos específicos no cérebro.

Nos últimos anos, várias centenas de doentes em Portugal recuperaram autonomia e mobilidade através daquela cirurgia inovadora, que trouxe melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes ao baixar as dosagens de medicação e ao reduzir os sintomas motores.

"A eficácia desta intervenção depende muito da seleção dos doentes, porque nem todos podem ser submetidos à cirurgia, nem todos têm eficácia com esse tratamento. E depois há um acompanhamento no pós-operatório que é fundamental", considerou o neurologista Fradique Moreira, da consulta de estimulação cerebral profunda nos CHUC.

A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios mais avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado com a doença de Parkinson.

De acordo com o especialista, existem três etapas fundamentais para o sucesso da cirurgia.

"A seleção criteriosa, saber o doente que temos à frente e gerir as suas expectativas, e o acompanhamento pós-operatório".

Para Cristina Januário, o grande objetivo da intervenção passa por baixar a dose de medicamentos que o doente toma, porque tem efeitos secundários, e reduzir os sintomas motores.

"Conseguimos dar uma boa qualidade de vida e melhorar os sintomas que já não estavam a ser controlados pela medicação. O doente fica com uma boa capacidade motora, mas a doença continua a progredir, pois é degenerativa e ainda não conseguimos travar o seu curso"


Segundo Fradique Moreira, no acompanhamento pós-operatório é feita uma gestão entre a estimulação que é fornecida ao doente e a gestão também da medicação.

"Não se opera o doente e o processo está terminado. O objetivo é restabelecer o funcionamento normal de um circuito cerebral anómalo, através da aplicação de um estímulo elétrico num núcleo específico que faz parte desse circuito, que servirá de marca-passo para o funcionamento celular", explicou o neurologista, salientando que é necessário ajustar e regular o aumento da estimulação e o decréscimo da medicação.

No CHUC, unidade que realiza esta intervenção desde final de 2012, já foram operadas cerca de 40 doentes, numa média de cerca de um por mês, mas o objetivo é continuar a crescer.

Anualmente, a especialidade de doenças do movimento naquela unidade hospitalar realiza cerca de 2.600 consultas, sendo maioritariamente referentes à doença de Parkinson.

O grande desafio da doença, que afeta quase 20 mil portugueses, é descobrir o mecanismo que leva um grupo de neurónios a deixar de produzir a substância dopamina, considerou a neurologista Cristina Januário.

"O grande desafio passa, sobretudo, por entender qual o mecanismo que leva a que aqueles neurónios deixem de produzir a substância que deviam produzir, aí é que será a forma mais interessante de atuar", frisou a especialista do CHUC.

8.4.17

Como foi visita guiada à exposição "A Cidade Global - Lisboa no Renascimento", organizada pela Delegação de Lisboa da APRe!

De acordo com o agendamento, realizou no passado dia 6 de Abril, a Visita Guiada à Exposição "A Cidade Global - Lisboa no Renascimento" no Museu Nacional de Arte Antiga.

Cerca de 50 associados de vários núcleos da Delegação de Lisboa reuniram-se para uma visita guiada a esta Exposição, que se revelou muito interessante e participativa.

Depois da visita à exposição, aproveitou-se ainda para realizar um passeio nos Jardins do Museu, desfrutando da companhia uns dos outros e da fantástica vista sobre o Tejo.