27.6.17

Fim dos cortes nas pensões para carreiras muito longas em vigor em Outubro


A legislação que prevê o fim dos cortes nas pensões antecipadas de quem tem, por exemplo, 48 anos de carreiras contributivas, ou 46 anos tendo começado a trabalhar aos 15 anos, vai entrar em vigor em Setembro ou Outubro, anunciou o Governo.

Os trabalhadores que tenham mais de 60 anos de idade e 48 anos de carreira contributiva poderão reformar-se sem qualquer penalização a partir de Setembro ou Outubro. O mesmo acontecerá a quem tenha 46 anos de carreira contributiva e mais de 40 anos de idade, desde que tenha começado a descontar para a Segurança Social aos 15 anos.

É essa a data prevista pelo Governo para a entrada em vigor da primeira fase da nova legislação sobre pensões antecipadas, que abrangerá estes dois grupos, segundo anunciou esta terça-feira à saída de uma reunião de concertação social Vieira da Silva.

O ministro da Segurança Social estima que a alteração abranja cerca de 15 mil pensionistas e que tenha um custo anual de 49 milhões de euros.

Nos documentos que estiveram em discussão é explicado que, quem tenha carreiras contributivas muito longas (com as características acima descritas) poderá reformar-se sem qualquer penalização desde que tenha entre 60 anos e 63 anos e 3 meses. Se for mais velho, terá uma bonificação que segundo explicou o ministro será de 1% por cada mês além dos 63 anos e 3 meses.

O Governo tinha ainda anunciado um desagravamento generalizado das penalizações para quem se reforme antecipadamente, nomeadamente através da progressiva eliminação do factor de sustentabilidade, conjugado com outras regras que vão restringir o acesso à pensão antecipada. Contudo, esta segunda e terceira fase da alteração às regras ainda será discutida em Setembro, não tendo data certa para avançar. Vieira da Silva admitiu, contudo, que uma parte desta segunda fase da reforma possa entrar em vigor em Janeiro.

Catarina Almeida Pereira
Ler mais em: Jornal de Negócios 27.06.2017

As histórias de Pedrógão são do arco-da-velha

Quando me ligam a dizer que tenho de ir para Pedrógão, na mochila há espaço para água, muita água, um lenço para tapar o nariz do fumo, telemóvel para gravar conversas e imagens, um bloco e uma caneta. Vou à caixa onde guardo os cadernos e pego no primeiro que me chega às mãos. Reparo que a capa diz “As minhas histórias do arco da velha”. Rio-me com a ironia ao antever que, no regresso, estas páginas – que, aliás, não chegaram – vinham cheias delas.

Foi estúpido pensar que as histórias do arco-da-velha destes dias iam caber neste caderno minúsculo. Quase tão estúpido como reduzir Pedrógão a canadairs que afinal não caíram, à descoordenação no combate ao fogo ou ao ódio desmedido ao trabalho dos jornalistas.

Pedrógão não é isso. Pedrógão é a Dona Cristina do café, que oferece o chão de sua casa para os vizinhos lá dormirem. Pedrógão é a Marta da Conceição, que me mostra as nódoas negras por, aos 84 anos, ter sido levada em braços para dentro de um tanque, onde passou horas a ver tudo à volta desaparecer. Pedrógão é a Isabel, que mesmo dois dias depois de o filho Diogo ter saído de casa sem voltar, ainda acredita que ele pode estar num hospital. “É por isso que ele não atende, não é?”.

Pedrógão é ver um comandante dos fuzileiros que, mesmo depois de décadas de missões em Timor e no Afeganistão, me diz a chorar que ninguém merece ver aquilo que ele encontrou na nacional 236. Pedrógão é ver a Diana a beber RedBull atrás de RedBull para se aguentar com três horas de sono em quatro dias, a organizar refeições para todos os bombeiros que chegavam ao quartel. Pedrógão é ver os ingleses Julie, Cris e Liz a agradecer aos portugueses, “os melhores vizinhos do mundo”.

Pedrógão é vir com a roupa do corpo e ter de comprar todos os dias uma t-shirt numa loja dos chineses. Pedrógão é tomar banho e, mesmo assim, ver a toalha preta de sujidade. Pedrógão é largar o gravador para abraçar os poucos que sobraram de Nodeirinho ou pousar o bloco e a caneta para entregar água aos bombeiros.

Pedrógão é receber dezenas de mensagens quando a “última hora” das televisões diz “jornalistas cercados pelo fogo”. Pedrógão é passar três dias a comer fruta roubada no pequeno-almoço de um hotel que serve apenas para descansar o corpo. A cabeça, essa, não se desliga destas histórias do arco-da-velha.

Marta Cerqueira
Ler mais em: Jornal i Opinião

26.6.17

Um país de incendiários

A vida é uma interminável tentativa de entender. E quando não nos dão respostas, temos tendência a lançar os nossos próprios palpites. Sobre incêndios, há um quase universal. Ano após ano, ouvimos repetidas declarações de populares convictos de que o país arde porque estamos rodeados de incendiários. Pior, a mesma convicção é gritada por decisores políticos e dirigentes de entidades do setor.

Há, sobre o incêndio de Pedrógão, uma investigação em curso. Ministério Público e Polícia Judiciária terão de ouvir todas as testemunhas com relevância e informação. Mas espera-se que quem na praça pública tem repetido não ter dúvidas de que houve origem criminosa tenha dados concretos para apresentar. O contrário seria de uma irresponsabilidade preocupante.

Já foram reveladas imagens daquele que a PJ acredita ter sido o ponto de ignição. Mas há, a complementar a investigação sobre a origem e a propagação, muitas fontes e registos tecnológicos que vão além da observação do terreno. Há, por exemplo, registos de descarga de um raio positivo (com 10 vezes mais potência do que os negativos) da agência EUMETSAT, através do satélite Meteosat. Bem como dados do sensor VIIRS (também por satélite) que comprovam ter havido uma propagação muito rápida das chamas, com ventos rápidos que potenciavam projeções de fogo a longas distâncias.

O verão está apenas a começar e todos devemos fazer perguntas sobre Pedrógão. Queremos saber se os meios de combate eram adequados, se foi feito tudo o que era possível para proteger os aglomerados populacionais, ou qual a falha exata das comunicações. Mas depois de fazermos as perguntas temos de saber escutar quem sabe e esperar o tempo adequado para que as respostas sejam fundamentadas. Lançar palpites e fazer acusações incendiárias é não apenas inútil como um erro que impede as mudanças necessárias.

Já agora, convém não perdermos de vista que a tragédia de Pedrógão não terminou com a extinção do incêndio. Continua a haver dúvidas sobre pessoas desaparecidas. Moradores que ficaram sem casa, sem bens e sem emprego. Há roubos e fraudes que revelam o pior da natureza humana e campanhas de solidariedade que não estão a ser úteis nem devidamente coordenadas. Antes de nos dedicarmos, na praça pública, a incansáveis trocas de acusações em busca de culpados, convém manter o foco nas verdadeiras prioridades.

Inês Cardoso
Ler mais em: JN Opinião 26.06.2017

25.6.17

Resiliência na velhice

As pessoas mais resilientes têm mais possibilidades de “escaparem” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.


”... Ultimamente têm-me acontecido muitas coisas... na mesma altura perdi o meu marido, parti uma perna, estive algum tempo internada e tive de deixar a minha casa. Penso muitas vezes que se isto me acontecesse noutra fase da vida, quando era mais nova, não aguentaria. E agora aqui estou, consigo estar bem...” Maria, 85 anos

O envelhecimento implica mudanças, muitas delas perdas e adversidades. Contudo, estas perdas não significam que o bem-estar das pessoas mais velhas esteja “comprometido”. A resiliência centra-se, precisamente, nos fatores e processos que fazem com que as pessoas resistam em circunstâncias difíceis, especialmente nas associadas aos desafios do envelhecimento. Trata-se de uma perspetiva positiva do envelhecimento, mais centrada nas potencialidades do que nos déficits. De facto, alguns estudos, tais como o Berlin Ageing Study, centram-se no elevado nível de bem-estar das pessoas idosas, que sugerem que, ao envelhecer, se conseguem ativar recursos adicionais que podem não estar presentes noutras etapas da vida.

Interessa então perceber que características se associam à resiliência. A resiliência psicológica começou por ser estudada em crianças e jovens expostos a adversidades para se compreender o que é que contribui para que alguns recuperem e resistam a traumas e outros não, desenvolvendo, inclusivamente, psicopatologia. Com o “despertar” da importância do envelhecimento bem sucedido na década de 60 e com um grande e crescente desenvolvimento durante e após a década de 90, surgiu um marcado interesse em se saber quais as características e dinâmicas explicativas da felicidade e da saúde na velhice. As pessoas mais resilientes têm maior possibilidade de “escapar” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.

Apesar de diferentes estudos indicarem que a maioria das pessoas mais velhas são resilientes, é fundamental termos em consideração que existe, também, um elevado e preocupante número de pessoas idosas com sintomatologia depressiva. Segundo os dados do Eurostat, em Portugal, em 2014, uma em cada 5 pessoas entre os 65 e os 74 anos relata ter depressão crónica. Sendo que, muitos dos casos, não estão diagnosticados e/ou não são tratados. Os motivos são vários, entre eles os ainda persistentes estereótipos em torno da doença mental, que tendem a desvalorizar este tipo de sintomatologia (“isso logo passa...” “são manias” ...) e /ou os mitos que ainda insistem em se considerar que a tristeza é normal na velhice e que não é necessário intervenção. A desconstrução deste tipo de falsas crenças é um eixo central para que se valorizem e mobilizem intervenções não farmacológicas e farmacológicas para o tratamento da sintomatologia depressiva e para a promoção da resiliência, quando esta não se manifesta de forma mais espontânea ao se envelhecer.

De que fatores depende a resiliência?

Há características que predispõem a pessoa a ser mais ou menos resiliente: a um nível mais individual, o tipo de funcionamento fisiológico; personalidade, como o facto de a pessoa ser aberta a novas experiências e o grau de extroversão; sentir ou não controlo; ter autoestima, autoeficácia e autodeterminação. A existência e desenvolvimento da espiritualidade também se tem revelado como um fator protetor relevante.

Em relação à forma como a pessoa lida com o processo de envelhecimento, as atitudes de autocuidado, aceitação de mudanças, otimismo e existência de emoções positivas tornam a pessoa resistente.

Numa vertente mais social, destacam-se as competências para exprimir opiniões e sentimentos, a existência de uma rede de apoio social e relações de intimidade e proximidade.

Estas características, entre outras, interagem de forma complexa, gerando dinâmicas que funcionam como “amortecedores” do impacto que as mudanças possam ter à medida que a pessoa vai envelhecendo.

E pode desenvolver-se?

A resiliência desenvolve-se ao longo da vida através de experiências, da educação, da comunidade e do amplo processo de desenvolvimento pessoal. Por exemplo, se a pessoa não teve de lidar com problemas de saúde ao longo da vida, terá mais dificuldade em se adaptar às alterações normais associadas ao processo de envelhecimento.

Algumas estratégias para o desenvolvimento da resiliência


  • Centrar-se no “lado positivo” – ser mais optimista.
  • Cuidar-se.
  • Ter relações sociais de qualidade.
  • Preservar a sua autonomia.
  • Treinar/exercitar competências.
  • Selecionar objetivos e atividades adequados às competências da pessoa.
  • Compensar possíveis défices.
  • Mobilizar as novas tecnologia como “apoio” para envelhecer bem.
  • Ser criativo e aberto a experiências.
  • Valorizar história de vida e experiências positivas.
  • Procurar emoções positivas.
  • Ser protagonista do seu próprio envelhecimento.

A resiliência pode, também, desenvolver-se através de intervenções psicológicas específicas, tais como a restruturação cognitiva, o treino na focalização nos aspetos mais positivos, o desenvolvimento de intervenções motivacionais e na redução da sintomatologia depressiva. O desenvolvimento de competências sociais e de assertividade e uma revisão de vida orientada que capacite a pessoa a ter uma visão mais positiva de si, capaz de integrar erros e rejeições, são alguns exemplos de intervenções psicológicas promotoras da resiliência na velhice.

Um foco central no estudo da resiliência na velhice tem sido, assim, o de perceber: como é que podemos tornar a pessoa mais resiliente ao longo do processo de envelhecimento?

Apesar da grande e crescente heterogeneidade das pessoas idosas, partir da experiência subjectiva de envelhecimento parece ser um eixo central para que a pessoa valorize e mobilize recursos para ser resiliente sentindo-se protagonista de uma história de vida única em que o envelhecimento é uma fase que se pode desfrutar e viver bem.

Rosa Marina Afonso

24.6.17

Direitos humanos primeiro, capitalismo depois

Para alguém que acredite que os seres humanos devem ter direitos fundamentais salvaguardados, esse é o fim ao qual tudo o resto deve estar subjugado.


Um dos grandes equívocos da contemporaneidade é a ideia de que o capitalismo global é inevitável e a origem última de todo o bem.

Esta ideia está duplamente errada.

Primeiro, porque o capitalismo não é inevitável. Olhando para a história da humanidade percebe-se bem quão diminuto é o tempo durante o qual a sociedade se tem organizado segundo esse padrão. Mesmo sendo o modo corrente, nada impede que outros modos dominem o futuro – o fim da história não existe;

Segundo, embora o estado actual de desenvolvimento material da sociedade humana tenha muito a ver com o desabrochar do capitalismo, aquilo que verdadeiramente interessa – a felicidade humana – não surge automaticamente com o capitalismo.

Desde a queda dos regimes ditos comunistas que se tem assistido a um alastrar progressivo do modo de funcionamento capitalista a todo o mundo. Ao mesmo tempo, e desde a revolução industrial, o progresso tecnológico tem crescido exponencialmente. Tudo conjugado, vivemos na época de maior abundância material da história da humanidade, o que nos permitiu aumentar a esperança média de vida da população mundial e diminuir o número de pobres absolutos.

É verdade, também, que há uma coincidência temporal entre o iluminismo, o humanismo (que influencia a posterior consagração dos direitos humanos), a revolução industrial e a propagação do capitalismo. Mas não há uma relação causal definitiva entre capitalismo e tudo o resto. Em concreto, importa perceber quais são os fins e quais são os meios.

Para alguém que acredite que os seres humanos devem ter direitos fundamentais salvaguardados – como o acesso a bens e serviços essenciais, liberdades políticas, sociais e económicas, enfim, o direito real a perseguir a felicidade –, esse é o fim ao qual tudo o resto deve estar subjugado.

No caso do capitalismo, devemos enquadrá-lo precisamente nessa perspectiva: aproveitar o seu funcionamento para garantir os direitos humanos e a felicidade.

Na prática, tudo isto se traduz em opções políticas muito concretas: legislação laboral que equilibre os direitos dos empregadores e dos empregados, legislação ambiental que salvaguarde o planeta, legislação fiscal que permita a redistribuição da riqueza e do rendimento, legislação política que ponha o poder da democracia acima dos outros poderes e legislação social que proteja os desempregados, os doentes, os reformados, as minorias e os discriminados.

Um capitalismo assim enquadrado, e disseminado à escala global, é capaz de gerar riqueza que chegue para a realização dos objectivos acima propostos e para a concretização do potencial e felicidade humanos. Pelo contrário, um capitalismo desregulado diminui o potencial social, cria injustiças e viola os direitos e liberdades básicas dos seres humanos.

Gabriel Leite Mota

23.6.17

Clima do futuro pode trazer até mais 50 dias de calor extremo

O interior do país será mais afetado e as ondas de calor serão mais frequentes. Um cenário que aumenta o risco de incêndio na floresta


As tendências estão lá todas: chuva a menos no inverno e na primavera, temperaturas muito acima da média para época, e em número de dias consecutivos para ser onda de calor, a maior parte do território em seca meteorológica. E, na sequência de tudo isso - e de muitos outros fatores que são estruturais à floresta e circunstanciais ao momento, e sobre os quais ainda falta muita informação -, a deflagração de um dos mais violentos incêndios de que há memória em Portugal, e o mais trágico em número de vítimas. A pergunta é inevitável: é disto que se fala quando se fala de alterações climáticas?

A resposta não é taxativa - nem pode. Um fenómeno isolado não é suficiente para declarar uma certeza, ainda que o calor nos dias 17 e 18 deste mês (marcados pelo violento incêndio que teve origem em Pedrógão Grande) tenha sido muito anormal para um final de primavera (ver texto na página ao lado). Como dizia ao DN o físico e especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que estuda há duas décadas as alterações climáticas em Portugal, "é muito difícil medir de forma definitiva" se isto é já consequência da mudança climática. O que se pode dizer é que "no contexto das alterações climáticas, o risco de incêndios florestais vai aumentar em toda a bacia mediterrânica e também em Portugal, porque é isso que os modelos climáticos indicam", sublinha o especialista.

O aumento no final do século do número de dias com temperaturas extremas, acima dos 35 graus, que podem chegar a ser, no pior cenário até mais 50 dias (ver gráfico), em relação aos que hoje já se verificam, em algumas zonas do interior, ou um maior número de ondas de calor, que podem ser nesse futuro até 12 vezes mais frequentes em relação à atualidade, vão potenciar o risco dos fogos florestais, mas terão também impactos na saúde, na biodiversidade, na agricultura, nos recursos hídricos...

Aquilo a que vamos assistir, na prática, é "ao aumento progressivo destes fenómenos ao longo do século", explica o investigador Luís Dias, da Universidade de Lisboa, que coordenou as estratégias de adaptação às alterações climáticas para 26 municípios do país no âmbito do Climadapt. Este projeto, que durou dois anos e terminou no fim de 2016, fez o diagnóstico das principais vulnerabilidades climáticas para cada um dos territórios, elaborou as respetivas estratégias de adaptação e formou 52 técnicos municipais nesta área nas autarquias envolvidas.

Perante as vulnerabilidades identificadas, que vão do aumento dos fenómenos extremos como ondas de calor e secas mais intensas, tempestades mais devastadoras, mais cheias e inundações ou aumento da erosão costeira, com todos os seus impactos na saúde e nas atividades humanas, as ações de adaptação serão inevitáveis - e têm de ser encaradas desde já.

Florestas Risco de incêndio aumenta


A floresta, com a previsão do aumento do risco de incêndio, é um dos calcanhares de Aquiles do país, sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde existem problemas complexos de gestão e ordenamento florestal e que, a par da desertificação do interior do país, contribuem há três décadas para o agravamento dos incêndios florestais.

Estudos realizados ainda no início da década passada já apontavam essa tendência. Em 2002, os resultados do estudo integrado liderado por Filipe Duarte Santos "Alterações climáticas em Portugal: Cenários, impactos e medidas de adaptação", o primeiro sobre as alterações climáticas em Portugal, era claro: "Prevê-se um aumento substancial do risco meteorológico de incêndio em todo o país. Nas regiões do Norte e Centro, espera-se um aumento de três a cinco vezes do número de dias com valores do índice climático de risco de incêndio, correspondentes a situações de risco muito alto e extremo."

Estudos mais recentes confirmam e tornam mais precisas as estimativas. Dados do IPCC, o painel intergovernamental para as alterações climáticas da ONU, publicados em 2014, estimam um aumento entre três a cinco vezes dos incêndios florestais na região do Sul da Europa, que inclui Portugal. E um estudo publicado em 2013 por investigadores portugueses da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Universidade de Lisboa, liderado por Mário Pereira, mostra que os grandes fogos, como agora o de Pedrógão Grande, vão aumentar já em meados do século e que a ocorrência de fogos com maior área ardida poderá passar de 51 para 158, em média, no final do século. O aumento do número de dias com calor extremo e baixa humidade e o prolongamento da época de incêndios, que será antecipada e prolongada pelo outono dentro, favorecerão esse cenário, pelo que o ordenamento florestal é urgente, para fazer face a esse mundo mais quente - e mais perigoso.

Ondas de calor Vão ser mais frequentes


Uma onda de calor ocorre quando, pelo menos durante seis dias consecutivos, a temperatura máxima é superior em cinco graus, ou mais, à média da máxima para a região e para a época. Tal como aconteceu agora em quase todo o território do continente. Algumas regiões do interior estiveram 14 dias em onda de calor, um fenómeno que se sabe ter um importante impacto na saúde, já que está geralmente associado um pico de mortalidade nas populações mais vulneráveis, como os idosos e as pessoas com doenças crónicas. No pior dos cenários, e com a a Península Ibérica a ser uma das regiões da Europa mais afetadas pelas alterações climáticas, o aumento da temperatura média por cá pode chegar aos seis graus. Nesse patamar, as ondas de calor serão ainda mais mortíferas.

Filomena Naves
Ler mais em: DN 23.07.2017

22.6.17

Notícias APRe!


5ªs Notícias APRe!
Fevereiro 2017





As Notícias APRe! em PDF podem ser descarregadas aqui.

"A Diabetes, prevenção e acompanhamento", colóquio promovido pelos Núcleos do Seixal e de Almada da APRe!

Os Núcleos do Seixal e de Almada da APRe!, promovem um colóquio subordinado ao tema "A Diabetes, prevenção e acompanhamento", que se vai realizar no próximo dia 1 de Julho pelas 15:00h, no auditório da Junta de Freguesia da Amora.

Serão oradores o Dr. José Manuel Boavida, presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) e o Dr. João Batalheiro, da Unidade de Saúde da Amora.

Temos o apoio da APDP-Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal.

É uma iniciativa com muito interesse, considerando que há uma percentagem elevada de diabéticos entre as pessoas da terceira idade.

Vem participar. Traz um amigo. Divulga esta iniciativa.

A tua saúde é importante.

Núcleos de Seixal e Almada da APRe!

Núcleo da APRe! em Coimbra visitou o Museu da Cidade

O Núcleo da APRe! em Coimbra organizou uma visita ao Museu Municipal da Cidade, à exposição "O Indizível". Esta exposição é a expressão moderna de "imagens com base em sensações ou raciocínios complexos, assumindo que nenhuma pintura pode ser inteiramente explicada por palavras".

Uma exposição que se adequou bem ao momento terrível que vivemos porque, de facto, há coisas (trágicas, neste caso) que não se explicam de forma alguma.

21.6.17

Solidariedade da APRe!


A Direcção da APRe! está a contactar telefonicamente, através do seu Vice-Presidente Fernando Martins, todos os associados residentes nos concelhos de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis e Pampilhosa da Serra para se inteirar da situação física e patrimonial dos nossos associados, das respetivas famílias e resultante da tragédia que assolou aquela região.

A Direcção remeteu hoje aos Presidentes das cinco Câmaras a seguinte carta: 


"Exmo. Senhor Presidente da Câmara 

A APRe! Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados vem apresentar a V. Exa. as nossas mais sentidas condolências pelas consequências da terrível tragédia que atingiu o concelho a que V. Exa. preside e manifestar-lhe a nossa profunda solidariedade para com todas as famílias atingidas e residentes no seu concelho. 

Tem V. Exa. pela frente dias difíceis, com o rescaldo da tragédia, o cuidado com os feridos, o realojamento dos seus munícipes e a reintegração serena de todos, bem como o ressarcimento dos danos materiais e morais de que foram vítimas. 

Permita V. Exa. que a nossa Associação, que tem como missão a defesa dos Aposentados, Pensionistas e Reformados, venha apelar a V. Exa. a sua particular atenção, carinho e dedicação com os idosos do seu concelho que constituem mais de 30% da totalidade dos munícipes. 

Desejamos a V. Exa. as maiores felicidades para o árduo trabalho que se aproxima e vimos manifestar toda a nossa disponibilidade para o que V. Exa. julgar necessário. 

Apresentando os nossos cumprimentos 

Maria do Rosário Gama 
Presidente da APRe!"

As vítimas dos incêndios e da televisão

Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime.


Nas televisões, o incêndio de Pedrógão Grande resultou num avatar técnico-totalitário da “obra de arte total”, na qual se dá uma confrontação dialéctica das várias artes. Com as imagens captadas pelos drones, a SIC compôs um filme com uma banda sonora que não era a Cavalgada das Valquírias, o excerto de uma ópera de Wagner a que Francis Ford Coppola deu uma grandiosa forma cinematográfica em Apocalypse Now, mas tinha a pretensão da “grande arte” wagneriana.

Diz-se que os pilotos operadores dos drones, combatentes de uma guerra à distância, antes de disparar gritam de júbilo: “Oh, que belo alvo!” A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador.

Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime. Se a emergência dessa categoria estética que é o sublime está relacionada com os sentimentos de medo e de terror perante algo que excede toda a medida, é preciso no entanto que a ameaça que eles representam seja suspensa para que da dor nasça o prazer. As reportagens da televisão, muito especialmente as imagens estetizadas que passam a servir de separadores ou de fechos do noticiário, procedem a esta conversão da dor em prazer. São maléficas e eticamente execráveis. Devemos perguntar como é que os jornalistas dos vários canais de televisão se relacionam com elas.

O sublime, como sabemos, tem a dimensão do irrepresentável, deixa a faculdade da imaginação e a fala aniquiladas perante algo que tem uma potência ou um tamanho desmesurados. Por isso, é sempre ocasião para o uso de meios retóricos curtos, mas enfáticos. Para não ficarem em silêncio, para não dizerem pura e simplesmente que não têm nada a dizer ou que tudo o que são capazes de dizer é trivial, os repórteres recorrem aos parcos meios linguísticos que têm à sua disposição. Por exemplo, a palavra “dantesco” (para além de uma certa dimensão, o incêndio é sempre “dantesco” e configura “o inferno”). E porque os processos de descrição, na televisão, consistem sobretudo em mostrar, em dar a ver, entra-se sem pudor na exibição das imagens obscenas. Como vimos, alguns repórteres (Judite Sousa parece que não foi a única) nem hesitaram em aproximar-se dos cadáveres e oferecê-los aos espectadores como imagens ostensivas. Como uma personagem do filme de Francis Ford Coppola, eles poderiam dizer: “I love the smell of napalm in the morning.

Face à falta de meios linguísticos (e de tempo para qualquer elaboração mais cuidada) e porque a televisão pratica quase como ideologia jornalística um realismo ingénuo que acaba por nunca produzir o desejado efeito de real, os repórteres ou debitam lugares-comuns que não têm nem valor expressivo nem descritivo, ou recorrem aos testemunhos. Põe-se um microfone e uma câmara diante de pessoas em estado de choque e pede-se-lhes que elas testemunhem, que elas descrevam, que elas superem a afasia em que a situação as colocou. A violência é inominável e a televisão torna-se patética, no duplo sentido da palavra: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão.

Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de metáforas cristalizadas, de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.

Esta maquinaria é totalitária, expansiva, reduz tudo a uma peça integrada. Este jornalismo é um aparelho ao serviço da lógica da “partilha” da comunicação, da informação e da opinião da nossa época. A utilização dos drones realiza na perfeição esta atitude predadora de quem se acha munido do olho de Deus: o olho que abarca, na vertical, a totalidade do mundo. Era fatal que a televisão viesse a pôr ao seu serviço o drone de omnivisão, dotado de uma vista sinóptica, capaz de uma vigilância de largo alcance, “wide area surveillance”, como se diz na linguagem da guerra.

António Guerreiro

20.6.17

A devastação de um país


Todos os anos temos visto as chamas, na época ou no defeso, a consumir hectares e hectares de floresta. Nuns anos mais, em outros menos. Sempre demasiado. E muitos de nós observam essa tragédia quase como uma fatalidade. E não pode ser. Independentemente de quem esteja no poder, promete mudar, promete pôr um ponto final nas imagens de devastação. Nada muda. E a catástrofe, enfim, irrompe com muitos mortos, de aldeias perdidas, deste Portugal desordenado.

Talvez, solenemente, venham anunciar um novo plano de combate à desertificação do interior do país. Talvez esbocem mais uma reforma para transformar a gestão da floresta nacional. Ninguém, por certo, dará mais ouvidos a palavras vãs. O que se espera dos responsáveis, perante tamanho drama, é a apresentação de medidas credíveis, exequíveis, capazes de inverter os constantes reacendimentos da fatalidade. E, até agora, fica-se com a sensação de quem está a presenciar uma interminável peça de teatro de cordel. Até ao momento, nada ou quase nada do que é apresentado tem qualquer ligação à realidade, como se tudo acabasse quando as cortinas são fechadas. No mundo real, a vida continua envolta numa terrível normalidade. As 64 vítimas mortais de Pedrógão Grande, os relatos de horror de quem viveu o inferno, terão de inverter a narrativa de quem tem poder, conferido pelo povo, para mudar as coisas.

Custa aceitar, sem incómodo, as palavras, naturalmente bem-intencionadas, do presidente da República. "Não há nem falta de competência, nem falta de capacidade, nem falta de imediata resposta". Afinal, "o que se fez foi o máximo que se podia fazer". Marcelo Rebelo de Sousa é incansável a dar ânimo aos portugueses, mas é difícil acreditar que nada pudesse ter sido feito. Como foi possível a morte de 47 cidadãos numa estrada aparentemente esquecida no furacão do fogo, e centenas de pessoas sós a combater as chamas e o medo de ser engolidas por elas?

Pelos que morreram, nada se poderá fazer. Pela frente há a obrigação moral de impedir a "fatalidade". Temos de exigir um Portugal olhado como um todo; que a formação dos bombeiros, de uma vez por todas, seja assumida como questão fundamental, e que a floresta tenha, por exemplo, a mesma importância do turismo ou da indústria. É tempo de as universidades lançarem o seu saber no terreno, e não apenas ser chamadas em situação de tragédia ou quando é decidido elaborar mais um plano estratégico. Florestas desordenadas, aldeias sem gente continuarão a arder. Em memória das vítimas, temos de impedir a devastação de um país.

Paula Ferreira

19.6.17

Informação/divulgação de espectáculos no Teatro da Trindade em Lisboa

Ao abrigo do protocolo celebrado entre a APRe! e Fundação INATEL, nos termos do qual os associados da APRe! passaram a usufruir de condições preferenciais, nas quais está englobada a entrada no Teatro da Trindade, em Lisboa, e em outros locais onde se realizem espectáculos de música, dança, ópera e teatro promovidos pela Inatel, com a aquisição dos respectivos bilhetes ao mesmo preço praticado para os beneficiários associados da INATEL, fazemos a divulgação dos espectáculos a realizar no Teatro da Trindade.


HÁ MÚSICA NO TRINDADE!
Um programa que traz uma grande diversidade musical de géneros e de criadores ao palco do Trindade, reforçando o lugar de destaque que a música portuguesa e em português tem, este ano, na nossa atividade.

TATANKA «O IMPÉRIO DOS PORCOS» 


23 JUN
SALA EÇA 

SEX 21h30 
Desc. 10 % (equiparado a associado INATEL)

Pedro Tatanka é o rosto dos muito amados Black Mamba, projeto com que percorreu o país e o mundo (apresentou-se, ao lado de Áurea, no Rock In Rio Brasil, por exemplo) colecionando um volume invejável de experiência. Vocalista de méritos reconhecidos, guitarrista de exceção, Tatanka tem sabido dividir palcos com algumas das maiores estrelas da música portuguesa – além de Áurea já se cruzou com António Zambujo, Dengaz ou Rui Veloso, para mencionar apenas alguns exemplos – repartindo com todos o brilho da apresentação.

A capacidade de dialogar com artistas tão diferentes é apenas um sinal claro da largueza de vistas que define Tatanka como artista: é um cantor e músico de mão cheia que alterna entre o rock e a soul, entre o jazz e as influências que chegam de África ou do Brasil com uma naturalidade singular.
Beber de todas essas fontes dá-lhe uma visão única e profunda da música.

Ao Trindade, Tatanka trará um espetáculo especial: vai apresentar-se primeiro a solo, acompanhado apenas pela sua guitarra, desfiando canções e histórias, melodias nuas e acordes como quem se revela ao mundo. Na segunda parte será com banda que desfilará argumentos, procurando mostrar outras dinâmicas e energias num concerto pensado especialmente para esta ocasião. 


YAMANDU COSTA «BEM VINDO»


24 JUN
SALA EÇA
SÁB 21h30
Desc. 10 % (equiparado a associado INATEL)

Yamandu Costa é um dos grandes tesouros do Brasil contemporâneo: apontado como um dos mais reputados músicos da sua geração, Yamandu especializou-se no exótico violão de sete cordas, instrumento de que se tornou um dos maiores expoentes vivos.

Em 15 anos, desde que começou a editar no arranque deste milénio, Yamandu Costa, que nasceu em 1980, colecionou uma discografia de cerca de duas dezenas de títulos, entre trabalhos de estúdio, gravações ao vivo, DVDs e projetos divididos com outros artistas como Paulo Moura, Dominguinhos ou Hamilton de Holanda. O seu último registo, de 2015, encontra-o em diálogo profundo com a Orquestra do Estado de Mato Grosso para um Concerto de Fronteira. Premiado internacionalmente, este músico nascido no seio de uma família de artistas, que cedo descobriu a obra de gente como Baden Powell ou Tom Jobim, desenvolveu uma linguagem própria no seu instrumento que é reflexo de uma profunda genialidade.

A Portugal, Yamandu trará a beleza e magia do seu violão de sete cordas e um variado reportório que navega as ricas águas da bossa nova e do choro, do jazz, do tango e da milonga, do samba ou do baião, tudo linguagens que domina com mãos de mestre e de forma apaixonada num espetáculo inédito que certamente converterá à sua música todos os que porventura ainda desconheçam este tesouro nacional do Brasil.

participação especial RICARDO RIBEIRO 
direção artística AMG MUSIC
promotor TEATRO DA TRINDADE INATEL


CICLO MUNDOS

O Ciclo Mundos da Fundação INATEL associado ao Festival Músicas do Mundo volta a dar força, espaço e lugar à world music.


MÁRIO LÚCIO (CABO VERDE)


28 JUN
SALA EÇA
QUA 21h30

Desc. 30 % (equiparado a associado INATEL)

Figura central das artes cabo-verdianas — cantor, compositor, arranjador, escritor, ministro da Cultura entre 2011/16. Vai apresentar o seu novo disco, dedicado ao Funaná.

«Funanight» vai às raízes e às irmandades transcontinentais de um dos mais populares estilos cabo-verdianos. «Funaná transcendente», escreveu o seu compatriota Vasco Martins.

parceiro FESTIVAL MÚSICAS DO MUNDO | MUNICÍPIO DE SINES 
produção FUNDAÇÃO INATEL


BANDA SINFÓNICA DO EXÉRCITO
Concurso de Composição para Orquestra de Sopros 


20 JUN
SALA EÇA
QUA 21h30

Entrada livre

A colaboração entre as Bandas Militares e a Inatel faz parte da história da Fundação, quer seja na ocupação dos tempos livres através de concertos, ou no incentivo à formação e ao estímulo criativo dos jovens músicos através de Concursos de Composição.

parceria BANDA DO EXÉRCITO
produção DEPARTAMENTO DE CULTURA DA FUNDAÇÃO INATEL


DOMINGOS COM MÚSICA


25 JUN
SALA EÇA
QUA 11h30

Bilhete 2€ (equiparado a associado INATEL)

Projeto do Departamento de Cultura realizado em articulação com Teatro da Trindade que visa criar,
juntamente com os CCD, associações parceiras da Fundação INATEL, concertos e recitais.

CULTIVARTE – Projeto Pedagógico Sinfonix
Duo de Violino e Flauta Transversal

produção DEPARTAMENTO DE CULTURA – FUNDAÇÃO INATEL


Bilheteira / Teatro da Trindade INATEL
tel: 213 420 000 | email: bilheteira.trindade@inatel.pt
Horário:Terça a sábado: 14:00 às 20:00 | Segunda: encerrada 
Domingo: 14:00 às 18:00 | Dias de espetáculo até 30 min após o início

Bilheteira online: BOL | Fnac - Tel: 760 309 330

Informação/divulgação de espectáculos no Teatro da Trindade em Lisboa

Ao abrigo do protocolo celebrado entre a APRe! e Fundação INATEL, nos termos do qual os associados da APRe! passaram a usufruir de condições preferenciais, nas quais está englobada a entrada no Teatro da Trindade, em Lisboa, e em outros locais onde se realizem espectáculos de música, dança, ópera e teatro promovidos pela Inatel, com a aquisição dos respectivos bilhetes ao mesmo preço praticado para os beneficiários associados da INATEL, fazemos a divulgação dos espectáculos a realizar no Teatro da Trindade.

teatrotrindade.inatel.pt | Facebook | bilheteira.trindade@inatel.pt | Tel. Bilheteira 213 420 000 | BOL

LEITURAS
CICLO DE LEITURAS E CONVERSAS


TEXTOS DO TRINDADE


21 jun | M12
quarta 18:30
ENTRADA LIVRE
(sujeita à lotação da sala) mediante levantamento de bilhete no próprio dia a partir das 14h00

O Ciclo «Textos do Trindade» promove a leitura de textos que subiram à cena nestes 150 anos do Teatro, acompanhados de um enquadramento e de uma conversa com os espectadores.


AUTO PASTORIL PORTUGUÊS de GIL VICENTE

A Companhia Rey Colaço/ Robles Monteiro no Trindade

Convidada: CATARINA AVELAR

A 26 de Novembro de 1928, estreava-se no palco do Teatro da Trindade, o “Auto Pastoril Português” escrito por Gil Vicente em 1523 e representado pela primeira vez “ao muito alto e poderoso Rei nosso Senhor Dom João Terceiro em Portugal deste nome, na sua cidade de Évora pelo Natal”.

Era o primeiro ano em que a Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro assentava arraiais no Trindade, depois de épocas vibrantes no Teatro Ginásio e no Politeama.

Aqui se manteve por duas épocas antes de se sediar no Teatro Nacional Almeida Garrett e aqui regressou em 1949 e em 1970 no mais longo período em que se manteve no Trindade. Foi aqui que, numa encenação de Pedro Lemos, estreou a 22 de Fevereiro de 1974 o último espectáculo da companhia - “Sábado, domingo e segunda” de Eduardo de Filippo.


coordenação TIAGO TORRES DA SILVA
comunicação MARIA JOÃO TABORDA
parceria SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES | ACT — ESCOLA DE ACTORES
produção TEATRO DA TRINDADE INATEL


CARMO / TRINDADE
NOITE DA LITERATURA EUROPEIA



5.ª Edição de uma noite que vem sendo um fenómeno de animação e divulgação cultural através da Literatura.

Entre o Carmo e a Trindade 11 escritores europeus, lidos por atores portugueses.

As sessões, de entrada livre, têm a duração de 15 minutos e repetem-se de meia em meia hora, para o público poder assistir a todas as sessões nos diversos espaços.


TEATRO DECOMPOSTO ou O HOMEM-LIXO


24 JUN
SALÃO NOBRE
SÁB 18h30-23h30
ENTRADA LIVRE


Os textos aqui reunidos são, na verdade, módulos para composição teatral. Nenhuma ordem é imposta pelo autor. São como pedaços de um espelho quebrado. Houve uma vez o objeto em perfeito estado. Ele refletia o céu, o mundo e a alma humana. E houve, não se sabe quando nem por quê, a explosão. Os pedaços de que dispomos hoje fazem parte sem dúvida da matéria original. E é nesse pertencimento à matéria original que reside sua unidade, seu perfume, sua identidade de atmosfera. Com esses monólogos, que convidam a construir um conjunto, o autor quis impor ao diretor uma única restrição: a liberdade absoluta.

país ROMÉNIA
autor MATÉI VISNIEC
leitura NUNO PINHEIRO 

Bilheteira / Teatro da Trindade INATEL
tel: 213 420 000 | email: bilheteira.trindade@inatel.pt
Horário:Terça a sábado: 14:00 às 20:00 | Segunda: encerrada 
Domingo: 14:00 às 18:00 | Dias de espetáculo até 30 min após o início

Bilheteira online: BOL | Fnac - Tel: 760 309 330

Portugal de Luto

Neste momento de consternação e dor que Portugal está a viver, endereçamos a todas as vítimas e seus familiares, afectados pelos violentos incêndios que atingiram o Interior Centro de Portugal, sentidos pêsames e um abraço de solidariedade, agradecendo também a todos os envolvidos no combate à catástrofe que nos atingiu, com especial relevo para os bombeiros, todo o empenho, esforço e dedicação demonstrado no salvamento de animais e bens materiais, mas acima de tudo no salvamento de vidas Humanas.

18.6.17

Pedrógão Grande, um desastre a interpelar o nosso futuro

A ameaça que impende sobre a nossa floresta tem de ser vista como uma ameaça ao futuro do país. Está na hora de tomarmos consciência do que nos espera.


Nas próximas horas, nos próximos dias, vai ser necessário encontrar respostas para as causas da morte de tantas pessoas. A emoção, a consternação e o sentimento de revolta que um desastre como o de Pedrógão Grande suscita impõem perguntas e exigem esclarecimentos. Como foi possível que uma população, corpos de bombeiros, forças policiais ou responsáveis políticos habituados a lidar com a devastação dos incêndios florestais não pudessem prever o que aconteceu? Como foi possível que se tenham deixado aldeias remotas sem evacuação? E por que não foi suspenso o trânsito em vias de risco? Por que razão não houve socorro de outras corporações de bombeiros? Ainda que justas, imperiosas ou evidentes, todas estas perguntas passam ao lado da questão essencial.

As alterações climáticas que produziram um dia como o de sábado em meados de Junho ameaçam destruir a floresta portuguesa. E perante a iminência de um cataclismo desta dimensão, o país tem de ir muito para lá das perguntas de contexto ou da justa expressão das dores do momento: precisa de uma energia, de uma determinação e de um conjunto de meios para debelar o problema que parece estar para lá das nossas capacidades actuais.

As autoridades podiam ter iniciado mais cedo a fase crítica de combate aos incêndios e, perante as previsões meteorológicas de dias como o de sábado, seria recomendável que os meios de prevenção e combate tivessem sido extraordinariamente accionados. Mas, sejamos justos, só quem não viu ao vivo a fúria de um incêndio num pinhal ou no eucaliptal carregado de mato é que acredita no poder da intervenção humana para o travar. É neste ponto da equação que entra o interminável debate em torno do ordenamento florestal. Que raramente existiu nas últimas décadas. Que sucumbiu à tentação de alocar verbas a uma guerra liderada com bombeiros, uma forma de os decisores políticos mostrarem serviço e empenho nos dias de estio depois de passarem as três outras estações do ano em estado de demissão ou letargia.

Ainda assim, parece cada vez mais claro, a intervenção no ordenamento florestal tal como a conhecemos parece cada vez mais condenada a resumir-se a uma medida paliativa para um problema de dimensões colossais. O planeta está a aquecer, Portugal está a aquecer e as nossas florestas, altamente vulneráveis ao fogo, parecem ser as primeiras vítimas dessas mudanças profundas. Um incêndio com as proporções do deste sábado em meados de Junho é algo inimaginável na geração dos nossos avós. E um dia nesta estação com tão altas temperaturas e zero humidade é uma circunstância meteorológica que vai tornar-se num novo normal. O pinhal em Pedrógão ardeu como ardeu porque não há defesa natural possível a um fenómeno desta intensidade.

Depois de no ano passado o drama dantesco dos incêndios florestais ter regressado à ordem do dia, depois de o Governo se ter empenhado pela primeira vez desde meados dos anos 1990 em produzir um corpo de leis para acudir às ameaças à floresta, sabemos com a dor do desastre de Pedrógão que tudo o que está pensado para se fazer conta pouco ou nada. O desafio que se impõe exige muito mais. Exige o esforço que uma ameaça colectiva requer. A floresta, quase toda privada, só será salva se o Estado assumir a sua defesa como uma necessidade estratégica fundamental. Há um terço da área do país em risco. Há milhares de pessoas das zonas mais vulneráveis em causa.

Não sabemos se teremos recursos, energia, meios humanos, ciência ou perseverança para responder a esse dramático desafio. Soubemos sim com o fogo descontrolado deste sábado no Pinhal Interior que o aquecimento global está a tornar a aposta em leis avulsas para os proprietários ou estratégicas de combate com o nome de grandes operações militares num esforço condenado a fracassar. Não está em causa a culpa ou a omissão dos políticos, dos proprietários florestais ou dos bombeiros: está em causa a constatação de que há uma ameaça que elevou a sua escala de periculosidade e de destruição e a noção de que, nas circunstâncias actuais, não temos forma de a travar.

Portugal depende muito da floresta, o seu mais importante recurso natural renovável. Seja pela sua dimensão ambiental, seja pelo seu impacte na economia, a floresta é crucial para o nosso destino colectivo. A ameaça que sobre ela impende tem por isso de ser vista como uma ameaça sobre o futuro do país. Está na hora de tomarmos consciência do que nos espera. De ano para ano a temperatura vai subir e cada vez mais horrores como o de Pedrógão hão-de repetir-se. Não está em causa uma fatalidade. Está apenas em cima da mesa a pergunta dolorosa: seremos, colectivamente, capazes de encontrar meios para enfrentar um tão grande desafio?

Manuel Carvalho

O ciclo das notícias ainda vai dar-nos cabo do jornalismo e da democracia

Estou a escrever com um fabuloso e alentejano nascer do Sol bem na minha frente. Das poucas certezas que tenho sobre este dia que está a começar é que algures, numa rede social, num jornal, numa rádio ou numa televisão, alguém vai encetar uma nova frente de indignação e de espanto nacional. E os partidos vão reagir, sim porque os partidos têm sempre de reagir. E as corporações e os sindicatos vão ser chamados a indignar-se, claro - para que serviriam se não fosse para dar uma mãozinha nessa nova onda de revolta nacional? Amanhã haverá outra. E vamos ouvir especialistas a dizer coisas, porque isto de um bom drama nacional tem sempre de ter a opinião de especialistas. E vamos ouvi-los sem nunca pararmos para saber se são realmente especialistas no assunto em questão, ou se calharam apenas atender o telefone quando outros estavam indisponíveis.

Outra garantia que temos é de que esse tema seja ele qual for e seja qual for o índice de inquietação nacional, há de estar morto até ao pôr do Sol ou, o mais tardar, até ao fim do dia seguinte. Já nada nos dura, já nada nos merece debate ou análise pausada, tranquila. Tudo tem de ser inflamação e indignação. Vejam só esta semana que passou: os gémeos que Ronaldo encomendou; Tchizé investigada; as rendas da EDP; os impostos de Ronaldo em Espanha; as nomeações de Lacerda e Frasquilho para a TAP; Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e a localização de uma agência europeia que nunca virá para Portugal; os e-mails do Benfica; Ronaldo a querer sair de Espanha; juízes e funcionários a ameaçar boicote às autárquicas e o insulto xenófobo de um eurodeputado socialista a uma deputada do PS. Chega? Quase todos estes assuntos tiveram direito ao ciclo completo: notícia, reações, follow-up em caso disso, análise, comentário e opinião publicada.

O ciclo das notícias acelerou e eu estava lá para ver, na TSF. No início dos anos 1990, ainda sem televisão e canais de informação por cabo, era a telefonia a que ainda chamo "minha" que ditava o ritmo da notícia, do ciclo noticioso. Acelerou-o, sem dúvida, mas num tempo em que tudo estava quase parado, em que o país político acertava o relógio das suas preocupações pelo Telejornal da RTP. E que bom foi agitar o Portugal sentado, desassossegar políticos e outros protagonistas acostumados a marcar o ritmo dos dias. Pouco depois surgiram os canais de informação no cabo e os dias das notícias apressaram ainda mais um passo que se tornou insuportável com a chegada das redes sociais. Nada contra. Estou por lá e são até boas ferramentas de trabalho. Mas o certo é que vieram acentuar a tendência nacional para a indignação passageira e inconsequente.

Vivemos uma ditadura da gritaria e da indignação. Um tempo em que alguém - jornalista, comentador, político ou anónimo frequentador das redes - que decida parar para respirar um tema ou aprofundar um debate, ou simplesmente abrandar e ficar quieto a pensar o país, é imediatamente acusado de ter uma agenda escondida e de estar deliberadamente a ignorar todos os outros casos prementes que entretanto apareceram. Obviamente, todos seriíssimos escândalos a que nenhum cidadão de bem deve ficar alheio.

Não sei ao certo até onde esta vertigem pelo novo nos poderá levar, mas duvido que seja para boas paragens. Ver boa parte da classe política em modo Facebook, com comportamentos de claque e num permanente pingue-pongue maniqueísta, é um dos primeiros sintomas e não é bonito de se ver. O que sei é que o jornalismo, daquele que conta, precisa de tempo e a democracia precisa de jornalismo, daquele que conta.

Paulo Tavares
DN opinião 18.06.2017

17.6.17

Luz no túnel da crise do euro

Finalmente — ao fim de oito anos de crise! — surge alguma luz ao fundo do túnel da zona euro. A Comissão Europeia acaba de apresentar a sua proposta para reformar a União Económica e Monetária (UEM) que vai além da ortodoxia, simplismo e enviesamento que têm dominado o Ecofin e o Conselho Europeu.
A primeira coisa que está a mudar é a narrativa. Como surgiu esta crise do euro que estiolou tanta gente, tantos Estados-membros e o próprio projeto europeu? A falta de disciplina orçamental pode ter existido nalguns casos, mas as razões profundas foram outras: primeiro, um reforço da competitividade minado por más escolhas de investimento e de atribuição de crédito, depois uma crise financeira gravíssima que forçou muitos países a endividarem-se para lhe responder e os expôs à pressão especulativa dos credores. Até porque a zona euro não dispunha na altura das defesas de que todas as outras zonas monetárias do mundo dispõem: um banco central como último garante de taxas de juro razoáveis e um instrumento de apoio em caso de crise de dívida soberana.

A segunda coisa que muda é a definição dos objetivos que devem presidir à reforma da UEM: a estabilidade financeira baseada no défice, dívida, inflação e valor cambial da moeda podem chegar para países altamente competitivos e exportadores como a Alemanha. Mas, para a maior parte dos outros Estados-membros, não chega. É preciso acrescentar o crescimento e o emprego e ainda a convergência económica e social real.

Com o diagnóstico e os objetivos corrigidos, torna-se possível começar a corrigir as soluções.

O pilar económico da UEM tem de ter uma dimensão social reforçada. A zona euro não pode ter futuro se agravar as diferenças de taxa de desemprego ao ponto de em algumas regiões ela ser 4 % e noutras 40%. Mas, para que o nível de emprego, salários, acesso a educação possam começar a reconvergir, é preciso garantir meios de apoio financeiro ao investimento que complementem aquilo que os orçamentos nacionais não podem fazer, exatamente porque estão condicionados por uma disciplina orçamental comum.

É aqui que surgem as novidades mais substanciais a discutir a partir de agora. Reconhece-se que a zona euro necessita de uma capacidade orçamental própria e com dois propósitos bem distintos: apoiar Estados-membros confrontados com um choque económico, no sentido de proteger a sua capacidade de investir ou de segurar os seus dispositivos de proteção social no desemprego. Mas também apoiar em particular os Estados-membros, como o nosso, que precisam de investir e de reformar para voltar a convergir.

Relançar o investimento é também a preocupação central no caminho proposto para completar a união bancária, que ficou a meio: há ainda muito trabalho a fazer para absorver o crédito malparado mas, para proteger os contribuintes, há que avançar em dispositivos de seguro das poupanças financiadas pelos próprios bancos.

Trata-se agora de criar a coligação de forças na Europa que empurre a reforma da UEM neste novo sentido. É certo que a negociação entre os novos governos da Alemanha e da França serão marcantes, mas Portugal tem de ir a jogo. Com a sua visão própria sobre a zona euro que queremos, mas também com o seu próprio caso a requerer soluções urgentes. Os argumentos são agora muito claros: saímos de défice excessivo, apresentámos um plano nacional de reformas e investimentos para o futuro, estamos a fazer o nosso próprio grande esforço, é a altura de metermos o nosso próximo golo na baliza. Precisamos, e merecemos, que estes novos instrumentos para acabar com a crise do euro vejam a luz ao fundo do túnel. É isto que pode dar novo sentido ao projeto europeu.

Maria João Rodrigues

16.6.17

Portugal perdeu mais de 30 mil habitantes e envelheceu

O número de habitantes em Portugal desceu em 2016 relativamente a 2015, com menos 31757 pessoas, e o envelhecimento da população portuguesa acentuou-se.


Segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de dezembro do ano passado, a população residente em Portugal foi estimada em 10.309.573 pessoas, menos 31757 na comparação com 2015.

Este resultado traduziu-se numa taxa de crescimento negativa de 0,31% (era 0,32% em 2015) e reflete a conjugação dos saldos natural e migratório negativos.

"Nos últimos sete anos, a população de Portugal reduziu-se em 264 mil pessoas, mantendo-se a tendência de decréscimo populacional verificada desde 2010, ainda que se tenha atenuado nos últimos três anos", acrescenta o INE.

O envelhecimento da população portuguesa acentuou-se em 2016, quando o número de jovens, com menos de 15 anos, desceu para 1.442.416, ou seja, menos 18.416 na comparação com o ano anterior, enquanto o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou para 2.176.640, mais 35.816.

No ano passado, Portugal tinha 285.616 habitantes com 85 anos ou mais, um número superior em 12.234 ao registado um ano antes.

O número de idosos é superior ao dos jovens desde 2000. Na análise de uma década, o INE refere que, "em 2006, por cada 100 jovens residiam em Portugal 112 idosos, valor que aumentou para 151 em 2016".

Quanto ao índice de dependência de idosos, em 2006, por cada 100 pessoas em idade ativa, residiam em Portugal 26 idosos, número que passou para 33 em 2016.

Do total de residentes em Portugal, 5.427.117 são mulheres e 4.882.456 são homens.

Em 2016, o número de nascimentos aumentou novamente, para 87.126 nados-vivos, mas não foi suficiente para compensar o número de óbitos, que atingiram 110.535.

Assim, o saldo natural negativo manteve-se, ficando nos 23.409, quando em 2015 era 23.011.

Quanto à outra componente da análise da evolução da população, o número de emigrantes (pessoas que saem para morar em outro país) diminuiu e o de imigrante (estrangeiros que vêm residir em Portugal) estabilizou, mantendo-se o saldo migratório negativo, em 8348, "ainda que mais atenuado na comparação com 2015", explica o INE.

Eram 38.273 os emigrantes permanentes em Portugal, menos que os 40.337 estimados para 2015.

Os imigrantes ficavam nos 29.925 quando um ano antes eram 29.896.

O número estimado de emigrantes temporários continua a ser superior ao de emigrantes permanentes, situando-se em 58.878, o que reflete um decréscimo de 3,2% relativamente a 2015 (60.826).

Em 2016, aponta o Instituto, a idade média da população residente em Portugal estava nos 43,9 anos, tendo aumentado cerca de três anos na última década.

Ler mais em: JN 16.06.2017

15.6.17

15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos, Comunicado à Imprensa da AGE Platform Europe



AGE – Platform Europe

COMUNICADO DE IMPRENSA


Bruxelas, 14 de Junho de 2017


15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos

Vamos quebrar o silêncio: As pessoas idosas que sofrem de abusos precisam de proteção e apoio!

Por ocasião do 12.º Dia Mundial de Consciencialização contra o Abuso de Idosos, 15 de junho de 2017, é urgente lembrar aos legisladores da política, a todos aqueles que defendem os direitos humanos e sociais e à sociedade como um todo, da omnipresença e efeitos devastadores do abuso, violência e negligência sobre as pessoas mais velhas. O abuso de idosos é uma realidade prolongada mas oculta que as pessoas mais velhas sofrem na maioria das vezes em silêncio e com medo. Em 14 de junho de 2017, a AGE Platform Europe organizou um workshop em conjunto com o Conselho da Europa, a Comissão Europeia e o Serviço de Apoio às Vítimas da Europa, a fim de analisar como melhorar a proteção das vítimas.

A AGE tem o prazer de organizar este evento em conjunto com o Conselho da Europa e a Comissão Europeia", declarou Anne-Sophie Parent, Secretária Geral da AGE Platform Europe. "Esta é uma ótima oportunidade para partilhar experiências a nível europeu e aumentar a consciencialização sobre a importância fundamental de encontrar maneiras de prevenir e combater o abuso de idosos neste período de envelhecimento demográfico. Os direitos dos cidadãos que sofrem violência e abuso existem em toda a Europa, mas as pessoas idosas enfrentam desafios adicionais como consequência da falta de consciência. Além disso, muitas pessoas idosas estão em situação particularmente vulnerável como resultado de discriminações adicionais com base no género, raça ou origem étnica, religião, deficiência ou orientação sexual".

Vera Jourová, Comissária para Justiça, Consumidores e Igualdade de Género, afirmou: "O crescente número de pessoas idosas na Europa devido a uma expectativa de vida mais longa é um desenvolvimento positivo de que nos podemos orgulhar. Mas também devemos saber que pode aumentar o risco do abuso sobre idosos, não só físico ou psicológico, mas também de negligência ou exploração financeira. Isto não é apenas uma questão de preocupação para os Estados-membros. A UE também desenvolveu uma série de iniciativas importantes para proteger as pessoas mais velhas contra a discriminação e o abuso. A diretiva “Direitos das Vítimas” implica mecanismos de proteção às vítimas e serviços de apoio que precisam de ser mais conhecidos das pessoas idosas que podem sofrer abusos. Outro exemplo é a nossa proposta recente de “Work Life Balance”. O nosso objetivo é fortalecer os direitos e melhorar as condições para os cuidadores conciliarem trabalho e responsabilidades de cuidados. Isso será igualmente benéfico para as pessoas que dependem dos cuidados"

Muitas vezes, as pessoas idosas em situações de dependência e com necessidades de cuidados sofrem abusos em silêncio, tanto em casa como em ambiente residencial. Estima-se que 3% dos europeus mais velhos sofrem maus tratos e 25% dessas pessoas têm necessidades de cuidados elevados, mas apenas cerca de 20% dos casos de abuso são denunciados. Conforme destacado durante a Conferência Anual da AGE em 7 de junho de 2017, tais abusos e violência são uma das violações mais graves dos direitos humanos dos idosos. A seleção deste desafio social como um dos tópicos para discussão no próximo Grupo de Trabalho de Composição Aberta sobre o Envelhecimento das Nações Unidas é o reconhecimento de que são necessárias novas ações em todo o mundo para combater o abuso de idosos.

As medidas preventivas precisam estar de “mãos dadas” com ações para aumentar a notificação de abuso de idosos e oferecer proteção e apoio das pessoas mais velhas que estão a sofrer ou sofreram abusos, violência e negligência. Conforme explicado no recente documento da posição da AGE em torno da proteção das vítimas de abuso, as pessoas idosas que sofrem abusos, muitas vezes experimentam sentimentos de vergonha, resignação e impotência que impedem a procura de proteção. Além disso, há uma falta de consciencialização sobre os direitos disponíveis e os serviços de proteção entre as pessoas idosas e pouco conhecimento sobre o abuso de idosos e as necessidades das vítimas mais velhas entre a polícia e os serviços de apoio e proteção.

A Diretiva dos Direitos das Vítimas de 2012 estabelece normas mínimas de proteção e apoio para todas as vítimas, independentemente do crime. Oferece uma oportunidade para melhorar o acesso de pessoas idosas que sofrem abuso e violência dos seus direitos. A cooperação entre as organizações de apoio às vítimas, os decisores políticos, a polícia, os agentes judiciais e as organizações de pessoas idosas facilitará a implementação efetiva da diretiva.

A AGE Platform Europe continuará a lutar para colocar o abuso sobre idosos no topo da agenda da União Europeia e para facilitar a partilha de todas as práticas valiosas que existem em toda a Europa.

O Estado e os contratos ruinosos

Muitos dos grandes negócios em que o Estado é interveniente revelam-se ruinosos para o mesmo, com a aceitação de cláusulas prejudiciais


O Estado Português celebra regularmente contratos que envolvem somas muito avultadas.

Para a elaboração desses documentos são contratadas normalmente grandes sociedades de advogados, possuidoras de conhecimentos especializados.

Muitos dos grandes negócios em que o Estado é interveniente revelam-se ruinosos para o mesmo, com a aceitação de cláusulas prejudiciais.

Se quem decide se encontra assessorado pelos melhores advogados do País, temos de concluir que aqueles apenas deram forma a negócios lesivos do património público, por determinação de outrem, ainda que tenham aconselhado outras soluções contratuais mais favoráveis.

Num contrato existe uma componente técnica, mas também uma vertente decisória.

Os maus negócios, especialmente aqueles que se prolongam no tempo, sorvem uma parte significativa dos recursos públicos.

Quando se diz que o País não tem dinheiro para algumas prestações essenciais como a Justiça, a Saúde ou a Educação, verificamos que, por outro lado, há quantidades astronómicas de dinheiro gasto injustificadamente.

Enquanto em alguns negócios, muitas vezes os mais lesivos, o Estado Português continua a cumprir, noutros de pouca importância não hesita em esquecer o que se comprometeu.

Os dois pesos e as duas medidas utilizadas não permitem criar confiança na sociedade portuguesa.

Os contratos realizados entre as grandes empresas e o Estado têm muitas vezes cláusulas leoninas a favor das primeiras, mas perduram no tempo.

No que diz respeito a acordos escritos celebrados com pequenas empresas ou grupos profissionais, o Estado incumpre frequentemente, argumentando que foi outro governo que tomou a medida.

Parece que nuns casos o Governo de Portugal só se vincula para o seu mandato enquanto para outros os compromissos perduram.

A realidade é esta, o Estado e os seus governantes costumam ser fracos com os fortes e fortes com os fracos.

Esta realidade é facilmente compreensível. Afinal, os mais fracos não têm cargos para oferecer no final dos mandatos…

António Ventinhas

14.6.17

Violência contra idosos está a aumentar

Em quatro anos, entre 2013 e 2016, a violência contra idosos aumentou 30% em Portugal. São dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)


A APAV registou um aumento de 30% de crimes contra idosos entre 2013 e 2016, sendo as mulheres as principais vítimas, muitas delas a sofrerem em silêncio há mais de 40 anos, segundo dados hoje divulgados pela associação.

Os agressores são na maioria os filhos (39,6%), o cônjuge (26,5%), mas também há casos em que são os vizinhos (4,4%) e os netos (36%), adiantam os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), revelados na véspera do Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência contra as Pessoas Idosas.

Entre 2013 e 2016, a APAV registou um aumento de 34% nos processos de apoio a idosos, que totalizaram 4.475 - 941 (2013), 1.068 (2014), 1.205 (2015) e 1.261 (2016) -, em que 3.612 foram vítimas de crime e de violência, valores que se traduziram em 8.578 factos criminosos.

"São cerca de 24 pessoas idosas que recorreram aos nossos serviços por semana, uma média de três pessoas por dia, o que demonstra que já reconhecem a associação como uma entidade" que os apoia, disse à agência Lusa Maria Oliveira, técnica da APAV.

Contudo, a associação refere que estes dados "ainda são uma amostra daquilo que acontece na sociedade", havendo ainda "um grande trabalho a fazer de sensibilização e proteção dos direitos das pessoas idosas", defendeu Maria Oliveira.

Na maioria, as vítimas são mulheres (79,5%), com idades entre os 65 e 69 anos (26,8%), casadas (42,8%) e a viverem numa família nuclear com filhos (31,7%), o que faz com que a maioria das situações de violência aconteça em casa (48,9%).

Das 1.009 vítimas registadas em 2016, contra 774 em 2013, 679 tinham idades entre os 65 e os 79 anos (67,4%) e 330 tinham entre 80 e mais de 90 anos (32,6%).

O número de agressores contabilizados neste período, ultrapassou o de vítimas (3.612), ascendendo aos 3.782, sendo na maioria homens (68,2%), com idades entre os 65 e os 74 anos, reformados (21%) e desempregados (19%).

O tipo de vitimação continuada, com uma duração entre dois e seis anos (8,7%), prevaleceu em 2016. Contudo, houve 45 vítimas (4,3%) que sofriam situações de violência há mais de 40 anos.

"É uma amostra significativa, que é preocupante, porque estamos a falar de relações de conjugalidade que perduram ao longo de muitos anos", disse Maria Oliveira.

Muitas destas situações acabam por ser denunciadas "por terceiros", como profissionais de saúde ou familiares diretos, mas também pela vítima, que já não consegue suportar mais a violência física e verbal.

Em 2016 foram registados 717 casos de maus-tratos psíquicos (30,1%), 442 de maus-tratos psicológicos (19%) e 281 de ameaças/coação (12,1%).

Estes números demonstram que as situações de violência em contexto familiar "não acarretam necessariamente a violência física, mas muitas vezes a psicológica", explicou Maria Oliveira.

Há expressões de preconceito como "já não prestas", "raça da velha", que "muitas vezes ouvimos em relação à velhice, ao envelhecimento" e ao próprio idoso, que constituem uma violação de direitos humanos.

"Cada vez mais há uma violação constante dos direitos das pessoas idosas quer a nível da sua autonomia, quer na sua capacidade de decisão", e "situações de violência e de crime" que "não podem voltar a acontecer".

Para isso, defendeu, tem que ser feito um trabalho de forma articulada entre as várias entidades da justiça, saúde e segurança social e as organizações que apoiam estas vítimas.

LUSA
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