10 de agosto de 2020

Vamos sequestrar os velhos por quanto tempo?

Luís Aguiar - Conraria





 
 
Esta ausência de choque com a morte de velhos abandonados à sua sorte mostra que não eram eles a nossa preocupação quando tirámos as crianças e jovens das escolas e nos enfiámos em casa. Mostra também que tão perigoso como a covid (ou, na verdade, mais) é o nosso medo 
 
Ainda nos idos de março, estava a pandemia no início, fiquei comovido com a forma como os portugueses se mobilizavam para proteger os seus mais velhos e doentes, que são os principais grupos de risco da covid. Rapidamente passou a comoção. Dada a histeria coletiva e a perceção totalmente distorcida do risco envolvido com a doença, convenci-me de que, afinal, a generalidade dos portugueses estava era preocupada consigo mesma ou, vá lá, com os seus familiares. Nada disto é científico, claro, eram perceções.

A reação pública, ou a falta dela, às mortes no lar de idosos de Reguengos de Monsaraz aumenta a minha convicção. Nesse lar houve um surto de covid, vários foram os infetados, não apenas entre os idosos, e acabaram por morrer 18 pessoas. No entanto, ficámos a saber, a maioria das mortes não resulta dessa doença, mas sim da falta de cuidados médicos. Os velhos morreram desidratados e, quando finalmente receberam assistência médica, tinham as suas doenças crónicas agravadas. Morreram porque foram abandonados à sua sorte. O que se seguiu? Gritos histéricos nas redes sociais? Não. Gritos histéricos dos partidos da oposição? Não. Palavras de conforto de Marcelo Rebelo de Sousa? Não. Mensagem grave, em direto para o telejornal das 20h, da Ministra da Saúde, da diretora-geral da Saúde ou da ministra do Trabalho e da Segurança Social? Não. Admito que me possa ter falhado alguma notícia, mas de facto não assisti a nenhuma comoção nacional. Nem pouco mais ou menos. Apenas nos disseram que o Ministério Público ia abrir um inquérito.

Esta ausência de choque com a morte de velhos abandonados à sua sorte mostra que não eram eles a nossa preocupação quando tirámos as crianças e jovens das escolas e nos enfiámos em casa. Mostra também que tão perigoso como a covid (ou, na verdade, mais) é o nosso medo. Mostra também o quão certeiro foi o Gato Fedorento quando em 2007 nos disse que os velhos não deviam ser despejados nas ruas, mas sim no Velhão, “o sítio onde deitamos os velhos fora quando já não precisamos deles.” Neste momento, muitos velhos estão num regime de sequestro nos lares de terceira idade. Não podem, de facto, sair, porque se saírem a sua reentrada está vedada. Não podem receber visitas a não ser à distância, pelo que não podem sentir sequer um toque ou um carinho dos seus filhos. 

Como as visitas estão altamente condicionadas, a sua frequência é agora muito menor, apenas podendo ver os seus familiares de forma muito espaçada. Pelo menos em alguns lares, não sei se todos, a entrada está vedada a crianças até aos 12 anos de idade, pelo que nem grande parte dos netos podem ver.

O caso de Reguengos de Monsaraz leva-me a desconfiar que todas estas medidas não são para proteger os velhos, mas sim para preservar os responsáveis dos lares de eventuais chatices. Assim, podem sempre alegar que fizeram tudo o que era possível.

Não sei se não seria preferível a morte a tal sorte. De qualquer forma, seja com que intenção for, está na altura de perguntarmos com cada vez mais insistência: e se não houver vacina eficaz? Vamos manter os velhos sequestrados no lar durante quanto tempo? Até deixarem de reconhecer os netos?»

https://expresso.pt/opiniao/2020-08-10-Vamos-sequestrar-os-velhos-por-quanto-tempo


Idosos sozinhos à espera de reabertura de centros de dia. “Se estou triste? Estou. Isto anda muito difícil”

Reabertura dos Centros de Dia,  reportagem  da autoria da jornalista Ana Cristina Pereira, com fotografias de Paulo Pimenta.
 
Centros de Dia preparam-se para começar a abrir a partir de dia 15. No Centro Social de São Martinho de Aldoar, no Porto, como em muitos outros, houve um esforço para domiciliar os serviços mais básicos, mas isso não apagou os efeitos do isolamento prolongado.




 É assim há quase cinco meses. “Sou muito pouco de ir à rua”, diz, numa voz vagarosa e profunda. “Sou muito caseira. Limpo a minha casinha. Trato da minha pessoa também. Faço um bocadinho de croché. Penso muito.”
Uma enorme imagem de Maria parece guardar a entrada no pequeno apartamento térreo, no bairro das Campinas, na zona Ocidental do Porto. À esquerda, o quarto limpo e arrumado. À direita, a sala. No armário, molduras com fotografias de filhos e netos sorridentes e bem vestidos. Na mesa, folhas espalhadas. Conforme vai pagando as contas que lhe vão chegando, vai estendendo os papéis ali, para se lembrar que aquelas estão despachadas.
O silêncio pode tornar-se ensurdecedor. Estão longe os filhos desta mulher de 71 anos, que viveu grande parte da vida na Venezuela. Mora um filho na ilha da Madeira, uma filha em Madrid e outro filho nos arredores dessa cidade espanhola. E cada um é capaz de estar sem lhe telefonar uma, duas, três semanas. Por vezes, ainda pergunta à filha: “Porque não chamas?” “Porque sei que estás bem”, responde-lhe.
“Tive uma depressão muito grande”, revela, convidando quem chega a sentar-se nas cadeiras que rodeiam a mesa. “Fiquei muito mal. Ainda estou lutando contra isso. Devo ao centro a minha saúde. Foi muito bom para mim entrar nessa casa. As senhoras falam. A gente vê as senhoras a falar. Falamos de tudo um bocadinho – do nosso passado, da nossa juventude. Cantamos. Brincamos umas com as outras. Às vezes, até nos arreliamos. Mas é muito bom.”
Há quem esteja sentado, para ali, a cabecear em frente ao televisor, mas há muito que fazer no Centro Social de São Martinho de Aldoar - ginástica, sessões de cinema, de discos pedidos ou de leitura, culinária, pintura, oficina motora, actividades de estimulação cognitiva, festas temáticas e muita conversa. Privada disso tudo, de volta aos dias vazios, sempre iguais, Rosário sente-se a murchar por dentro. “As profissionais que trabalham lá, passo a passo, vêm aqui a casa trazer a comida. Mas tenho muitas saudades delas...”
“Acomodação aprendida”
Será a última resposta social a abrir. Retomarão o funcionamento a partir de dia 15 deste mês, conforme consigam cumprir as medidas de prevenção e controlo definidas pela Direcção-Geral de Saúde. Não será um alívio apenas para Rosário. “Para muitos idosos, sobretudo os mais pobres, menos diferenciados culturalmente e com redes sociais mais débeis, é a única oportunidade de estarem com outro ser humano”, sublinha António Fonseca, professor da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa especializado em envelhecimento.
A sociedade portuguesa está cada vez mais envelhecida. As estimativas do Eurostat apontam para 512 mil idosos a viver sozinhos em Portugal em 2019. São mulheres, sobretudo (417 mil). Um número que “não surpreende” António Fonseca. “Nos censos de 2011, já havia 400 mil idosos a viver sozinhos e 804 mil exclusivamente com outros idosos.”
Cada um ao seu modo tem enfrentado dificuldades acrescidas no seu quotidiano. Os mais dependentes inspiram maior preocupação. Nem todos têm familiares ou amigos que assumam alguns cuidados. E nem todos os centros de dia domiciliaram os serviços essenciais desde que fecharam as portas, no dia 16 de Março (embora esteja prevista desde o dia 3 de Abril uma majoração da comparticipação da Segurança Social para esse efeito). Mesmo que o tenham feito, sublinha António Fonseca, não retiravam as pessoas da solidão. O serviço domiciliário é quase sempre limitado a tarefas instrumentais, como a limpeza, a higiene ou a alimentação. Desempenhada a tarefa, a pessoa fica para ali, sozinha.
Há um antes e um depois da chegada da pandemia. Antes, quem podia saía de casa, dava as suas voltinhas. Depois, o medo de contágio alastrou-se até aos mais autónomos – se não se fecharam em casa, não lhes terá faltado pressão para o fazer. “Correr alguns riscos é essencial”, avisa António Fonseca. Isso é evidente na infância. “A cerca altura, uma criança tem de atravessar a rua sozinha. Se não correr riscos, não se desenvolve.” Nas idades mais avançadas, também. “Se não correr alguns riscos, perde independência.” O psicólogo fala em “acomodação aprendida”. “A pessoa habitua-se a estar em casa. Tem menos vontade de sair, faz menos esforço para sair, arranja justificações para não sair. E a solidão, em idades mais avançadas, é um potenciador de sintomas depressivos, o que leva a um pior funcionamento cognitivo.”
Um ou dois banhos por semana
O Centro Social de São Martinho de Aldoar terá de ponderar a reabertura com a Segurança Social e a autoridade de saúde local. Como qualquer instituição que tem um centro de dia acoplado a um lar. Quanto mais tempo passa mais a directora técnica do centro de dia, Sofia Monteiro, nota os efeitos do encerramento daquela resposta. “Ou por não terem um acompanhamento tão grande, mesmo na toma de medicações, ou por estarem mais parados, têm menos mobilidade.” Vários sofreram quedas. Uns já tornaram a casa, “embora mais debilitados”, mas há quem tenha ficado no hospital, à espera de vaga num lar.
Sofia Monteiro dá dois exemplos: “Uma senhora caiu, partiu a bacia. Apesar de ter um sobrinho que lhe dava algum apoio, o hospital assumiu que ela não podia continuar a viver sozinha. O sobrinho encontrou uma vaga num lar. Um senhor diabético tinha sido operado para tirar um dedo de um pé, já era muito dependente, já ia ao centro de dia de cadeira de rodas, caiu em casa, abriu a cabeça, está no hospital a aguardar vaga num lar.”
Numa destas manhãs, Rosa da Conceição caiu e ficou no chão à espera que um dos funcionários do centro viesse trazer-lhe a alimentação, abrisse a porta, a visse ali e a ajudasse a levantar-se. A mulher de 85 anos tem duas filhas a morar perto, mas ambas trabalham. “Quando vêm de trabalhar, vêm aqui. Se for preciso fazer alguma coisa, fazem. A mais velha limpa-me a casa de 15 em 15 dias.”
Antes das 12h, um funcionário chega à sua casa com a marmita.
– Bom dia – diz Ângelo Torres, um funcionário ainda jovem que ela viu crescer.
– Entre, se faz favor.
– Então, dona Rosa, tudo bem?
– Tudo bem.
– Vou pôr aqui no microondas.
Não se põe na conversa. É só o tempo de passar para um recipiente o rancho à portuguesa, que naquele dia lhe servirá de almoço, e para outro a sopa, que ela guardará para o jantar. E de deixar o reforço, como faz a qualquer utente do centro de dia. Um leite e um pão ou umas bolachas para o pequeno-almoço e o lanche.
– Até amanhã, dona Rosa.
– Até amanhã.
Há muito que fazer. As duas equipas distribuem as refeições por 30 utentes do centro de dia e 23 do serviço de apoio domiciliário.
Do Centro Social de São Martinho de Aldoar também tem vindo uma equipa ajudar Rosa da Conceição a tomar banho duas vezes por semana. Foi o que ela pediu. “Não quero mais, porque não tenho esterco. Não faço nada. Sou uma senhora aqui.”
Mesmo no prédio em frente, mora Alfredo Soares, que recebe um banho semanal e comida diária. Não quer mais banhos e come tudo ao almoço. “Ele tem problemas de cabeça”, explica Esmeralda Mateus, presidente da Associação de Moradores do Bairro de Aldoar, que lhe oferece lanche e jantar. Já começou a estragar o apartamento, como fazia antes de frequentar o centro de dia. Arrancou as portas do armário, o cilindro, o fogão... “Tenho de o levar para a sede da associação, se não estraga tudo. Não pode estar fechado em casa.”
Rosa da Conceição costuma vê-lo. Esforça-se para sair. À tarde, devagar, devagarinho, caminha até à associação. Está “cheia” da pandemia. “Nunca mais acaba!”, exclama. “Vou fazendo o que eu sei para não parar. Mas já não adianta nada. Melhor era ir para aquele sítio. Já não me importo nada de ir. Se estou triste? Estou. Isto anda muito difícil. Para as pessoas doentes que estão sozinhas, ainda pior.”“

8 de agosto de 2020

Democracia e futuro normal


Continuamos, justificadamente, a ter medo da covid-19, mas há por aí outros vírus perigosos que sorrateiramente se vão instalando.
A associalização e o confinamento militante em que vamos sendo acantonados tornam-nos tolerantes perante violações de direitos individuais e coletivos, e produzem uma sociedade apática.

                                                          Carvalho da Silva 08.08.2020

A má gestão e a não resolução de grandes problemas socioeconómicos, como aqueles com que nos deparamos, geram perigosos subprodutos. No plano político, projetos ultraconservadores e fascistas. No plano social, um crescente de microconflitos, de falsas disputas e clivagens: nas relações entre gerações, potenciando disfunções e ruturas; no trabalho, aproveitando condições diferenciadas dos trabalhadores ou colocando o setor privado contra o público, para incapacitar a ação coletiva e intensificar a exploração; nas relações entre maiorias e minorias e entre culturas, para gerar intolerâncias e ódios.
 A esmagadora maioria das pessoas sente necessidade de segurança e estabilidade, de condições de sociabilidade, de uma economia a funcionar. Contudo, a expressão "retorno à normalidade" pode ser uma mera ilusão ou ter interpretações subversivas. O futuro nunca foi nem será retorno ao passado. Porém, podem surgir recuos e dolorosos retrocessos civilizacionais, camuflados de alternativa ou de modernidade no início do seu percurso.

Ler mais aqui:  https://www.jn.pt/opiniao/carvalho-da-silva/democracia-e-futuro-normal

5 de agosto de 2020

DIÁRIO DE UM PSIQUIATRA: O MEDO



"Quando percebi que estava a ficar completamente dependente do boletim diário da DGS, com os novos casos, com as mortes, com as taxas de letalidade, gerais e da minha faixa etária, finalmente decidi pensar porque é que o medo me tinha entrado, em força. Estaria eu capaz de ser sujeito a qualquer privação da minha liberdade, em nome do meu risco de ser infetado?

Durante a fase de confinamento assisti a coisas que me incomodaram, mas que relativizei. Um dia fui passear o cão, perto do Guincho, quando fui abordado pela PSP. “Onde mora?” Respondi que morava perto. “Não pode andar aqui, está a mais de 400 metros de casa, se o voltarmos a encontrar, incorre no crime de desobediência.” Disciplinadamente, regressei a casa e fui procurar onde estavam inscritos os metros de distância, em que podia dar uma volta com o cão. Não encontrei.

Confesso que achei bizarro, mas não voltei a pensar nisto. Continuei a passear, de madrugada, sem nunca ser incomodado. Recentemente, foi notícia a história de uma mulher que apresentava alguns sintomas de covid. Foi ao serviço de urgência e quando lhe iam fazer o teste, fugiu, em pânico. Não foi na Área Metropolitana de Lisboa, foi na Figueira da Foz, zona do país sem nenhum estado especial... Foi “capturada” no dia seguinte pela polícia e conduzida ao hospital para ser testada.

Tanto quanto tenho conhecimento, a única situação, devida a suspeita de doença, em que um cidadão pode ser detido e levado ao hospital é a doença mental. Muitas limitações que nos são impostas, apesar das observações de alguns juristas sobre a legalidade das mesmas, não foram postas em causa pela grande maioria dos cidadãos. Mais, foram acatadas sem grandes problemas. O medo fez bem o seu trabalho.

Com o desconfinamento e maior informação sobre a letalidade do vírus o medo abrandou. Com taxas médias de letalidade de 3,5% para todas as faixas etárias, os mais jovens e os de “meia idade” aperceberam-se que o seu risco era baixo e foram para a rua, como tinham sido instruídos... Mas a partir dos 70 anos a taxa de letalidade sobe para 16%. Felizmente ainda ninguém me pôs num lar — por enquanto — a prevenção depende, quase inteiramente, de mim. Porquê então este medo? Porque fomos bombardeados, durante meses seguidos, com mortes e mais mortes. Com notícias terríveis de semanas de internamento em UCI, que acabavam mal. Mas, sobretudo, com a incerteza. Com opiniões de técnicos e de organizações responsáveis que se contradizem. De agentes políticos que, salvo raras exceções, não têm a coragem de dizer, sabemos ainda muito pouco, mas estamos a fazer o melhor que podemos e sabemos.

Tudo isto fez com que a perceção do risco seja muito maior do que o risco real e olhemos — é o que eu faço e não devia fazer — apenas para o número de novos casos. Politicamente são ótimos para a chicana política. Falar de mortos e de casos internados só rende, quando aumentam. E estão a diminuir...

Sendo médico sei os riscos que corro, não pelo vírus, mas pela idade e pelo azar, que, à medida que o tempo passa, se pode tornar mais azarento. E não vivia com medo. O meu risco de ter uma doença grave nos próximos dez anos é muito maior do que morrer da covid.

Mas nada disto, racional e objetivo, me consegue tirar o medo.

Já marquei consulta para o psiquiatra."

José Gameiro, jornal Expresso, 1/08/2020

25 de julho de 2020

Viagem em transporte sem redução da lotação é de "alto risco"

A Direção-Geral da Saúde define como "contacto com exposição de alto risco" quem viaje em meio de transporte que não efetue paragens frequentes ou não tenha redução da lotação máxima.

 A norma "Covid-19: Rastreio de contactos", publicada no 'site' da DGS com a data de sexta-feira (24 de julho), não especifica os meios de transporte considerados nesta análise, para além de navios e aeronaves, mas diz que é considerado "contacto com exposição de alto risco" qualquer viagem em "outro meio de transporte" que "não tenha boa ventilação, não efetue paragens frequentes com abertura de portas e não tenha redução da lotação máxima".



Quanto às viagens em navios, a DGS considera que fica exposto a risco elevado quem seja "companheira de viagem, partilhe a mesma cabine, efetue prestação direta de cuidados e seja tripulante de bordo".
Também a viagem com caso de covid-19 numa aeronave aparece na grelha dedicada a "exposição de Alto Risco", alertando-se quem "esteja sentada até dois lugares para qualquer direção em relação ao caso", sendo, por fim, frisado que "todas as pessoas podem ser consideradas como contacto" se o caso detetado apresentar "sintomatologia grave ou grande movimentação dentro da aeronave".
 
A par destas explicações sobre transportes, a DGS alerta para a exposição maior de pessoas que tenham contacto frente a frente com uma pessoa infetada, especificando que o risco aumento quando a distância é de menos de dois metros e durante 15 minutos ou mais.
O contacto físico direto com um caso de covid-19 ou o contacto direto desprotegido com secreções contaminadas de um caso de covid-19 também é considerado como "alto risco", bem como o contacto em ambiente fechado, por exemplo em coabitação, sala de aula, sala de reuniões ou sala de espera, durante 15 minutos ou mais.


Ler mais aqui: https://www.dn.pt/pais/viagem-em-transporte-sem-reducao-da-lotacao-e-de-alto-risco


20 de julho de 2020

A pandemia e a crise social: agir para uma sociedade justa

Pensar as alternativas é um imperativo de cidadania a que não nos furtamos e um exercício que continuaremos a fazer.



1. O mundo vai enfrentar, quando despertar do seu centramento no combate de saúde pública à pandemia da covid-19, a mais severa crise económica e social que alguma vez conheceu em tempo de paz.
A crise revelou problemas graves sem visibilidade pública, revelou fragilidades, mas também revelou as forças que permitiram responder melhor na proteção da saúde pública e na preservação do tecido económico e social.
As consequências económicas e sociais desta crise não são iguais para todos. Há uma profunda desigualdade socioeconómica e também territorial perante o risco dos efeitos da pandemia.
Não podemos, também, ignorar que a população mais vulnerável à pobreza se transformou. Hoje os mais pobres são os jovens, são as famílias com filhos e sem trabalho, são, por arrastamento, também as crianças.
Estão também a aparecer novas formas de desigualdade. A educação nos últimos meses em Portugal é um exemplo dessa emergência. Com a passagem do ensino presencial para o ensino online, a ligação de milhares de jovens ao sistema de ensino degradou-se fortemente, potenciando os mecanismos de reprodução geracional das desigualdades e neutralizando ainda mais os mecanismos de “elevador social” que a escola proporciona.
O país confrontou-se com dificuldades que subvalorizara ou desconhecia como a excessiva dependência económica do turismo, o atraso na transição digital e a enorme fragilidade de determinados sectores, acentuando as desigualdades tradicionais entre o trabalho manual/presencial e o trabalho intelectual ou nos serviços.

 Pensar as alternativas é um imperativo de cidadania a que não nos furtamos e um exercício que continuaremos a fazer.

Carlos Farinha Rodrigues
Eugénio Fonseca
Fernanda Rodrigues
Francisco Branco
Maria de Lurdes Rodrigues
Mário Caldeira Dias
Paulo Pedroso
Rogério Roque Amaro
Teresa Caeiro


Ler mais aqui:https: www.publico.pt/2020/07/18/opiniao/opiniao/pandemia-crise-social-agir-sociedade-justa

16 de julho de 2020

Proteger terceira idade é fundamental na próxima fase da pandemia de covid-19

Proteger os utentes dos lares, residências e unidades de cuidados continuados da terceira idade é fundamental para ultrapassar a próxima fase da pandemia de covid-19, apontou hoje o antigo ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes.



 Num debate promovido pelo histórico café ‘A Brasileira’, no Chiado, a opinião do antigo governante foi corroborada por Margarida Tavares, infeciologista do Hospital de São João (Porto), que concordou que o país precisa de aproveitar o verão para se preparar para os meses críticos que se avizinham.
O antecessor de Marta Temido, no anterior executivo do PS, lembrou também que o período de verão dá às autoridades algum ‘fôlego’ para “fazer um plano, preparar e fazer o trabalho de casa”, focando a sua atenção naquela que considerou ser uma das franjas mais “vulneráveis” da população portuguesa: a terceira idade.

 “É preciso um plano específico para os lares, residências e unidades de cuidados continuados. Não um plano que vise criar ‘guetos’, mas que diga que aquela população precisa de ser protegida e ao protegê-los estamos a fazer o mesmo a toda a sociedade”, explicou o antigo ministro de António Costa.


Notícias de Coimbra, 16.07.2020