30 de novembro de 2017

Idade legal de reforma sobe mais um mês em 2019

Governo aponta para os 66 anos e cinco meses em 2019

O ministro da Segurança Social afirmou hoje que a idade legal da reforma em 2019 deverá fixar-se nos 66 anos e cinco meses e salientou o aumento real do poder de compra dos pensionistas em 2018.

Vieira da Silva falava no final do Conselho de Ministros, após ter sido confrontado com os dados referentes ao impacto do aumento da esperança de vida no fator de sustentabilidade em relação à determinação da idade de reforma para 2019, o que fará com que a idade legal da reforma passe para os 66 anos e cinco meses nesse mesmo ano.

"É assim que está organizado o nosso modelo de sistema de pensões. Obviamente, se nada houver em contrário, esse será o valor que vigorará para 2019 no que respeita à idade legal da reforma", alegou o membro do executivo.

Logo a seguir, porém, Vieira da Silva referiu que hoje, também, foram conhecidos os dados consolidados do Produto Interno Bruto (PIB) que "garantem que o crescimento da economia para efeitos da atualização das pensões se situou na média dos dois anos acima dos 2%".

"Tal confirma a perspetiva aquando do recente debate orçamental. Este ano, pela primeira vez, ao fim de vários anos, haverá para a generalidade um aumento real do poder de compra" por parte dos beneficiários de pensões, disse.

De acordo com o titular das pastas do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, esse "é um dado extremamente positivo, porque terá um efeito muito significativo para a esmagadora maioria dos pensionistas".

"A esmagadora maioria dos pensionistas terá um aumento real das suas pensões em 2018", acrescentou.

29 de novembro de 2017

Vírus da gripe mais perigoso este ano


Diretora-geral apelou à vacinação, sobretudo dos grupos de risco, com doentes crónicos e idosos.


O vírus da gripe deste inverno pode ser particularmente perigoso. Por isso, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, apelou esta terça-feira à vacinação, nomeadamente dos grupos de risco, com os idosos e os doentes crónicos. "Quando o vírus dominante é um vírus H3N2, a intensidade da gripe tende a ser maior e a gravidade da doença" também, disse a responsável, sublinhando que se morre mais durante o inverno, devido "às baixas temperaturas, à gripe e a outros vírus em circulação".

Segundo Graça Freitas, é também nessa época que há mais pressão nos serviços de saúde. Isto porque entre 16 e 17 por cento das pessoas que vão às Urgências no inverno podem necessitar de um internamento, contra menos de 10 por cento nas outras épocas. 

A responsável pela Direção-Geral de Saúde (DGS) aproveitou para apelar também a que as pessoas optem por procurar mais os centros de saúde do que as urgências hospitalares. E explicou que a linha Saúde 24 dispõe dessa informação e pode indicar qual o centro de saúde que está aberto na zona e no momento que o utente precisa. 

O Estado comprou para a época gripal atual 1,4 milhões de vacinas, que este ano passaram a ser também gratuitas para as pessoas com diabetes e para os bombeiros . 

Segundo dados da DGS, foram administradas 1,1 milhões de vacinas da gripe no Serviço Nacional de Saúde e ainda há 300 mil doses disponíveis. As farmácias também disponibilizam vacinas e dispõem de 600 mil doses para venda. 

 Vacinação contra a gripe 2017/2018

Sobre os planos de contingência para a época gripal, a diretora-geral da Saúde disse que estes são feitos a nível regional e que cada instituição avalia as suas necessidades. No entanto, Graça Freitas recordou a possibilidade de os serviços gerirem melhor as altas sociais, libertando camas para quem mais precisa.

Sónia Trigueirão

28 de novembro de 2017

Dois milhões para soluções de mobilidade para idosos


Comissão Europeia lança concurso financiado pelo Horizonte 2020. Objetivo é responder às exigências de uma Europa cada vez mais idosa.

A Comissão Europeia apresentou esta manhã, em Lisboa, o Prémio Horizonte em Inovação Social, no valor de 2 milhões de euros. Iniciativa vai premiar as ideias mais inovadoras na mobilidade para idosos.

O concurso vai decorrer em 2019, podendo ser entregues candidaturas até 28 de fevereiro desse ano. Será entregue um primeiro prémio de um milhão de euros e quatro segundos prémios de 250 mil euros, cada. O financiamento vem do Horizonte 2020, o programa de investigação e inovação da União Europeia.

A apresentação do prémio foi feita pelo comissário europeu Carlos Moedas que sublinhou a cada vez mais crescente população idosa da Europa. "Não temos alternativa senão inovar agora para atender às crescentes necessidades dos cidadãos mais velhos, especialmente à necessidade de melhor mobilidade", defendeu.

As soluções apresentadas têm de poder ser replicadas e adaptadas e devem promover a criatividade da base para o topo juntando inovadores, organizações da sociedade civil e dos setores público e privado, aponta a Comissão Europeia. Os vencedores têm de combinar a componentes tecnológicas, sociais e comportamentais. Têm de estar implementadas por um período de, pelo menos, cinco meses durante o concurso.

Os vencedores vão ser anunciados no segundo trimestre de 2019.

Ana Bela Ferreira
DN de 27 de novembro de 2017

27 de novembro de 2017

Colóquio sobre o "Testamento Vital"

O Núcleo do Seixal da APRe! realizou em 23 de Novembro o anunciado colóquio sobre o "Testamento Vital", com uma assistência quase recorde de 58 amigos, interessados na importância do tema e atraídos pelo prestígio do orador, o Prof. Dr. Rui Nunes. médico e professor catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e autor do texto que deu origem ao Dec.Lei 25/2012.

Ficámos a conhecer o significado do testamento vital como manifestação da nossa vontade para que, em caso de impedimento, ela seja respeitada nos cuidados clínicos que desejamos em situações limite de saúde. E a diferença profunda entre o que este documento permite e a situação de eutanásia ou morte assistida que está agora em discussão na Assembleia da Republica.

No final houve um debate muito vivo e participado, em que o Prof.Dr. Rui Nunes respondeu com muita clareza e abertura, mesmo às pergunta ou questões mais delicadas, pois o tema envolve ética e convicções pessoais, pelo que é tudo menos pacifico.

Deixamos os nossos agradecimentos ao Prof.Dr.Rui Nunes, pela sua pronta e generosa disponibilidade para se deslocar do Porto até ao Seixal, bem como à colaboração da Junta de Freguesia da Amora, da Unisseixal-Universidade Sénior do Seixal e da Câmara Municipal do Seixal, na logistica do evento.

A forma mais fácil de concretizar o Testamento Vital é dirigir-se ao Centro de Saúde, pedir o formulário para o efeito, preenche-lo e entregá-lo, para seja inserido no registo nacional gerido pelo Serviço Nacional de Saúde. Em caso de duvidas pode clarificar os termos do formulário, ou esclarecer procedimentos clínicos, com o seu medico de família. "



Núcleo do Seixal da APRe!

Antonio Henriques

25 de novembro de 2017

O que traz o OE 2018 para os aposentados e pensionistas?

APRe! NORTE

Resumo da SESSÃO /DEBATE sobre o ORÇAMENTO DO ESTADO para 2018, realizada na sede da Delegação do Norte da APRe! (síntese feita pelos dois associados que tomaram a seu cargo este debate):

“Resumo da sessão de debate sobre o Orçamento de Estado para o ano de 2018, realizada no dia 09 de Novembro de 2017, e subordinada ao tema:

O que traz o OE 2018 para os aposentados e pensionistas ?

I - Enquadramento da evolução do conceito de Orçamento de Estado em Portugal
  1. A Primeira Constituição (1822) atribuiu competência às Cortes para fixar anualmente os impostos e as despesas públicas, reduzindo a discricionaridade do Rei.
  2. Posteriormente, o Regulamento da Contabilidade Pública, de 31 de Agosto de 1881, estabelece que o Orçamento “É o documento onde são previstas e computadas as receitas e as despesas anuais, competentemente autorizadas”, ou “Documento onde se prevêem as receitas e despesas públicas autorizadas para o período financeiro”
  3. Entre 1834 e 1936 o período financeiro começava em 1 de julho e terminava a 30 de junho
  4. Durante o Estado Novo, a Assembleia Nacional, não aprovava o Orçamento de Estado. Autorizava o Governo a elaborar e aplicar o Orçamento.
  5. Só com a Revolução de Abril e o ordenamento juridico/Constitucional subsequente se adoptou o modelo actualmente vigente (com adaptações inerentes à integração na CE), dando visibilidade e (alguma) transparência a uma parte significativa da gestão dos recursos obtidos e aplicados pela Administração Publica, convocando os cidadãos para a participação e a vigilia.

II - Aspectos mais relacionados com Pensionistas e Reformados

1. Eliminação da transferência extraordinária para compensação do sistema previdencial

O OE 2018 prevê uma transferência para cumprimento da Lei de Bases da Segurança Social (regime não-contributivo) no montante de 6.625 milhões €.
E, diferentemente do acontecido nos últimos anos (2012-2017), para 2018 não está prevista qualquer transferência extraordinária do OE para financiamento do défice do sistema previdencial da segurança social, considerando que o mesmo atingiu o equilibrio.
Isto não dispensa a procura de novas fontes de receitas para assegurar o equilíbrio no futuro.
2. Atualização das pensões da CGA e dos regimes contributivos e não contributivos, de acordo com a lei em vigor (Lei- n.º 53-B/2006, de 29.12): PIB ≥ 2% ; IPC a apurar(Nov./Dez.). (Exemplificou-se com IPC= 1,2%):

- aumento de 1,7% (1,2 inflação + 0,5) nas pensões até 857 euros (Até 2IAS)
- aumento de 1,2% para as pensões acima de 857 e até 2.570 euros (entre 2IAS e 6IAS)
- subida de 0,95% para as pensões entre 2.571 e 5.142 euros (entre 6IAS e 12IAS)
- acima de 12IAS mantém-se o congelamento, ou seja, este é o limite de actualização das pensões(enquanto se mantiver a restrição)

3 - atualização extraordinária de pensões a partir de Agosto 2018

Actualização extraordinária das pensões até 1,5 IAS de 10 € ou 6€ em agosto de 2018, considerando naquele valor a actualização normal verificada em janeiro (art.90.º do OE 2018), 

ou seja:

Se a atualização automática não atribuir ao pensionista um aumento até 10 euros em Janeiro, (ou 6€) então em Agosto 2018 será atribuído o remanescente (atualização extraordinária)

4 - eliminação da penalização do fator de sustentabilidade (13,88%) nas reformas antecipadas (60 anos de idade e 40 de contribuição)
Mantém-se a penalização pelo tempo de antecipação (0,5% ao mês)

5 - eliminação do corte atualmente aplicado quando as pensões de invalidez convolam em pensões de velhice aos 65 anos de idade.
Anulam-se as penalizações pelo factor de sustentabilidade e pelo tempo de antecipação

6 - antecipação da idade de acesso à pensão de velhice para carreiras muito longas
Trabalhadores com 60 anos de idade e 48 anos de contribuições ou 60 anos de idade e 46 anos de contribuições a partir dos 14 anos, sem qualquer penalização.

7- Alterações aos escalões de IRS para 2018

Foram acrescentados escalões adicionais de IRS. Porém:
  • A inflação não foi repercutida nos limites dos escalões que não foram alterados (que assim se agravam).
  • O efeito da divisão dos escalões não se repercute nos seguintes (como deveria acontecer de acordo com o principio do imposto)
  • O mínimo de existência foi indexado ao IAS: 1,5x14xIAS (cerca de 9.000€ em 2018)
  • Mantém-se a taxa adicional de solidariedade para o rendimento excedente de 80.000€, de 2,5% e 5%.

III - Eventuais sugestões de melhoria e alterações a propor

  • Reverter as alterações introduzidas pela troika que continuam a prejudicar os aposentados e pensionistas;
  • Reformular as regras de actualização das pensões e de outras prestações de segurança social (Lei n.º 53-B/2006 de 29.12), de forma a travar as sucessivas perdas de rendimento, absorvido pela inflação;
  • Eliminar as diferenças de regime quanto à bonificação para carreiras longas nas reformas antecipadas da CGA ;
  • Reforçar a sustentabilidade financeira da segurança social e CGA (ver Relatório - págs. 243 a 246): alargamento da base contributiva, campanha para mostrar a importância do sistema público de pensões e a manutenção do seu equilíbrio, etc.;
  • Rever e ajustar as tabelas e os escalões de IRS para corrigir o “enorme aumento de impostos”, até agora só muito parcialmente atenuado e levar em conta a singularidade da tributação dos pensionistas (baixas deduções para a formação do rendimento colectável).
  • Adequar as tabelas de retenção de IRS ao imposto a cobrar, sem excessos, como ocorre actualmente;
  • Prosseguir o esforço de adequação das contribuições e coberturas da ADSE;
  • Compilar e tentar obter clarificação e adequação legislativa sobre as situações de acumulação de rendimentos e a sua compatibilidade com as pensões.


OE 2018 -Novidades e recomendações de acção

Principais receitas e despesas da Segurança Social



24 de novembro de 2017

Cuidar dos Cuidadores

O Núcleo de Coimbra convida todos os associados a juntarem-se a nós no dia 5 de Dezembro, pelas 18 horas, na Sede da APRe! (Rua Jorge Mendes, lt 1, nº5 – Coimbra).

Vamos, com a preciosa colaboração da Professora Marília Dourado e do Vice-Presidente Fernando Martins, pensar sobre como CUIDAR DOS CUIDADORES

Os cuidadores informais não têm nenhum tipo de apoio nem social, nem material. Se queremos envelhecer na nossa casa, há que criar condições para que isso seja possível e, um dos aspectos a considerar é que estas pessoas – cuidadores – tenham o suporte de um estatuto que salvaguarde esta função. 

Venha debater este tema connosco e transmitir-nos a sua experiência! Sensibilizar o poder local e central para estes problemas só resulta se contribuirmos com a nossa participação.

APRe! - Núcleo de Coimbra

23 de novembro de 2017

Faça dos direitos sociais uma realidade: incorporar as preocupações dos idosos no Semestre Europeu!

Na sequência da assinatura do Pilar Europeu dos Direitos Sociais que ocorreu na passada segunda-feira em Gotemburgo e que também contou com a presença e assinatura do nosso primeiro ministro, a AGE emitiu hoje o seguinte comunicado de Imprensa:

Bruxelas, 22 de novembro de 2017
Semestre Europeu e Pilar Europeu dos Direitos Sociais

Ao lançar a sua avaliação do Semestre Europeu 2017 , a AGE apela a uma aplicação ativa dos princípios do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, proclamado em 17 de Novembro, em Gotemburgo, no próximo ciclo semestral, começando pelo Annual Growth Survey 2018.

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"Enquanto as pessoas idosas na Europa ainda enfrentam um alto número de inatividade, as taxas de pobreza entre as mulheres mais velhas aumentam, a idade para a aposentação é mais tardia, os níveis das pensões estagnam ou decrescem, e escasseiam os serviços de cuidados de qualidade a longo prazo, é necessária uma estratégia para reduzir essas deficiências mais do que nunca " , diz Anne-Sophie Parent, secretária-geral da AGE. " A proclamação de uma série de direitos no pilar é um grande passo em frente. Em particular, os direitos à pensão e aos recursos adequados que assegurem a dignidade na velhice, bem como o direito a cuidados de longa duração, a formação ao longo da vida, o apoio ativo ao emprego, o acesso aos serviços essenciais e aos cuidados de saúde universais são essenciais para atender às necessidades da crescente população de idosos na Europa. Após a adoção do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, esses princípios devem agora ser aplicados sistematicamente - especialmente no Semestre Europeu ".

Neste apelo, a AGE apoia a carta da Rede Europeia de Luta contra a Pobreza dirigida ao Presidente da Comissão Juncker, que salienta a necessidade de avançar no sentido de princípios vinculativos do Pilar Social, apoiados por fundos da UE, para uma implementação eficaz e sugere, como primeiro passo, um Semestre Europeu transformado.

Na sua avaliação, a AGE congratula-se com muitas das mudanças positivas que ocorreram no Semestre Europeu. O processo de coordenação das políticas económicas e fiscais da UE está realmente a afastar-se do único foco nos deficits fiscais para ter em conta mais considerações sociais. Cada vez mais, são colocadas recomendações de que o investimento social pode melhorar não só o funcionamento da economia, mas também as sociedades como um todo: há mais foco na formação ao longo da vida e no equilíbrio entre o trabalho e a vida, inclusive para os cuidadores, mais algumas considerações para a adequação de pensões e o acesso a cuidados de saúde universais.

No entanto, são ainda deixados de fora do Semestre importantes domínios: os serviços de emprego não possuem as ferramentas e os meios necessários para apoiar os pesquisadores de emprego mais velhos, a discriminação na idade ainda inibe muitas pessoas mais velhas de encontrar emprego ou permanecer no emprego. Especialmente as mulheres mais velhas sentem o triplo ónus da discriminação da pensão baseada no género, das necessidades insatisfeitas de assistência social que têm de prestar informalmente e do alto risco de pobreza em idade muito avançada. Os investimentos em cuidados a longo prazo de qualidade, tanto domésticos quanto em ambientes de atendimento residencial, centrados na pessoa, são insuficientes para enfrentar as necessidades futuras de cuidados de longa duração. E enquanto a economia de prata tem um elevado potencial de crescimento e emprego na Europa, aspetos essenciais como a acessibilidade de todos a bens e serviços, o acesso aos serviços nas áreas rurais e urbanas, a lacuna digital e as questões da solidão e do isolamento social são amplamente ignoradas no semestre Europeu.

Na avaliação da AGE, as organizações membros de sete Estados-membros - Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Malta, Países Baixos e Espanha - também destacaram a situação nos seus próprios Estados-membros. Eles fornecem uma avaliação completa das prioridades das pessoas idosas nesses países.

22 de novembro de 2017

OE2018: Aprovado aumento de 6 ou 10 euros nas pensões

Os deputados aprovaram, esta quarta-feira, na especialidade o aumento extraordinário das pensões, de seis ou de 10 euros, que começará a ser pago em agosto do próximo ano.

A medida, que estava já prevista na proposta orçamental para 2018 apresentada pelo Governo, foi aprovada no primeiro dia de votações na especialidade do Orçamento do Estado para 2018 e das propostas de alteração submetidas pelos partidos, com os votos favoráveis de todas as bancadas parlamentares, com exceção da do PSD, que se absteve.

Assim, os pensionistas com pensões de valor igual ou inferior a 1,5 vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS) - 632 euros - terão um acréscimo mínimo de seis ou 10 euros, consoante tenha ou não existido atualização da pensão entre 2011 e 2015, uma medida cujo impacto orçamental foi estimado pelo Governo em 35,4 milhões de euros.

Este aumento extraordinário abrangerá as pensões de invalidez, velhice e sobrevivência atribuídas pela Segurança Social e as pensões de aposentação, reforma e sobrevivência do regime de proteção social convergente atribuídas pela Caixa Geral de Aposentações (CGA), e já vai considerar a atualização de janeiro, em resultado da evolução da inflação e do crescimento da economia.

Em meados de outubro, o Ministério do Trabalho indicou que a atualização de janeiro irá abranger cerca de 3,6 milhões de pensões, a que correspondem 2,8 milhões de pensionistas, um aumento que terá um impacto financeiro de 357 milhões de euros.

Complemento Solidário para Idosos alargado a pensões antecipadas a partir de 2014

O parlamento aprovou o alargamento do Complemento Solidário para Idosos (CSI) a pensionistas que anteciparam as reformas a partir de 2014, ano em que foi introduzido um agravamento das regras pelo anterior Governo.


O Bloco de Esquerda (BE) conseguiu aprovar, com os votos a favor do PS e do PCP, o voto contra do PSD e a abstenção do CDS-PP, o alargamento do acesso ao CSI a quem pediu reforma antecipada depois de janeiro, independentemente da idade.

No entanto, o parlamento rejeitou (com os votos favoráveis do PCP e do BE, mas contra do PS e PSD e abstenção do CDS) parte da proposta que pretendia alargar o acesso ao CSI também aos pensionistas que se reformaram antecipadamente antes de 2014.

Assim, o parlamento aprovou a reivindicação do Bloco de Esquerda de permitir o acesso a este complemento dos reformados a que os deputados bloquistas chamam "lesados do Mota Soares", que foi ministro da Segurança Social do anterior Governo PSD/CDS-PP.

"O Governo PSD/CDS fez várias alterações ao regime das pensões antecipadas. Desde logo, ao mudar a fórmula de cálculo do fator de sustentabilidade, triplicou o seu peso e a penalização que ele representa, ao indexar a idade legal de reforma à esperança média de vida, fez aumentá-la a cada ano, aumentando também as penalizações associadas às pensões antecipadas", afirma o Bloco na proposta agora aprovada.

Além disso, "ao flexibilizar o acesso às reformas antecipadas, empurrou milhares de pessoas para reformas antecipadas, por total ausência de alternativa de rendimento", recordam os bloquistas.

O BE lembra ainda que um reformado com 40 anos de descontos e 55 de idade sofreu um corte superior a 70% (6% por cada ano de distância da idade legal de reforma, isto é, mais de 60% só por esta via, acrescida da aplicação de um fator de sustentabilidade superior a 12%).

21 de novembro de 2017

Gasta água a mais em casa? Há forma de saber e dicas para poupar

A Empresa Portuguesa de Águas Livres disponibiliza um simulador online para medir o consumo de água e perceber se na sua casa o consumo é sustentável.


Só chove amanhã – e não é em todo o país. O país atravessa uma das secas mais longas da sua História. O secretário de Estado do Ambiente admitiu esta terça-feira o racionamento da água durante a noite em algumas localidades e aconselhou a população a habituar-se a gastar menos devido à seca que o país atravessa.

Numa entrevista ao jornal i, Carlos Martins sublinhou a inexistência de muitos instrumentos para lidar com a situação, além de se ter cuidado com a utilização da água. “Admito, no entanto, que em algumas situações concretas isto possa acontecer em períodos noturnos, por exemplo, porque isso até teria vantagem de, em redes de municípios com perdas de água importantes”, disse o governante.

Há, contudo, formas de controlar a utilização de água num domínio doméstico. A Empresa Portuguesa de Águas Livres (EPAL) disponibiliza um simulador online para medir o consumo de água e perceber se na sua casa o consumo é sustentável ou requer a ajuda das seguintes dicas da empresa que distribui água em Lisboa:

  • Uma torneira a pingar pode representar cerca de 6000 litros anuais de desperdício. Verifique sempre se fechou as torneiras, quando fizer a barba ou lavar as mãos
  • Cada banho de imersão corresponde a cerca de 200 litros, e um duche prolongado a 100 litros. Opte por duches rápidos de 5 minutos, e feche a torneira enquanto se ensaboa
  • Não lave a loiça à mão. Utilize a máquina de lavar loiça. Há modelos recentes com menores consumos, apresentando uma média de 22 litros por lavagem
  • Utilize também detergentes amigos do ambiente e que produzam pouca espuma
  • Ajuste o autoclismo para o volume de descarga mínimo. Não deite lixo na sanita, pois desta forma evitará descargas desnecessárias
  • Na rega de jardins deve ter em atenção que esta se destina a suprir as necessidades das plantas quando a chuva for insuficiente
  • Concilie as condições climatéricas com as regas do seu jardim. Regar com a mangueira pode gastar 18 litros por minuto. Para fazer a rega de forma eficiente aproveite as horas de menor calor: antes das 8h da manhã e após as 18h.
  • Utilize as estações de serviço ecológicas para lavar o carro, que possuem temporizadores na utilização da água, e lave-o apenas quando está sujo. Pode também aproveitar os dias de chuva para o fazer, ou então utilize balde e esponja.

Fonte: EPAL

Mariana Bandeira
Jornal de Negócios, 21-11-2017

Nos próximos meses terá de chover quase tanto como a média anual

O território do continente tem hoje menos 200 mm de precipitação do que há 50 anos e os cenários de futuro não são animadores

Vem aí chuva, a partir de amanhã, mas as previsões do IPMA também mostram que ela não será suficiente para aliviar a seca extrema (o grau mais grave na escala) que afeta a quase totalidade do território continental (94%) - os 6% restantes estão em seca severa, logo abaixo.

"No mínimo dos mínimos era preciso que nos próximos meses tivéssemos uma precipitação de pelo menos 500 mm [milímetros] para desagravar a seca", estima o físico e especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos. Para se ter uma ideia, isso corresponde a pouco menos do que a precipitação média anual na região de Lisboa, tomando como referência o período 1971-2000, que é da ordem dos 600 a 800 mm. Mas, se isso vai acontecer, ou não, é uma incógnita.

Filomena Naves
Ler mais em dn.pt de 21/11/2017

19 de novembro de 2017

Longevidade? Só com boa saúde

O presente e o futuro da ciência da longevidade e dos negócios que nos querem vender tempo de vida saudável numa conversa com o investigador português, professor da Universidade de Liverpool.

João Pedro de Magalhães, investigador português e professor da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, estuda o processo de envelhecimento e as suas possíveis manipulações para prevenir doenças relacionadas com a idade. É consultor de várias organizações sem fins lucrativos e empresas de biotecnologia. Dá-nos aqui a sua perspectiva sobre o presente e o futuro da ciência da longevidade e dos negócios que nos querem vender tempo de vida saudável.

Está no nosso horizonte ter uma vida sempre jovem, apenas limitada por algum acontecimento violento?
Nós sabemos que existem espécies animais complexas, como tartarugas, certos peixes, salamandras, etc., que aparentam não envelhecer. Por isso o envelhecimento não é inevitável nem universal. Acredito, do ponto de vista teórico, que vá acontecer um dia, mas não acho que vá acontecer num futuro próximo. Aquilo que nós conseguimos fazer em modelos animais, como ratos e ratinhos, é manipular o processo de envelhecimento, ou seja, aumentar a longevidade e preservar a saúde em animais mais idosos. Mas não conseguimos, nem sequer estamos perto de conseguir, abolir o envelhecimento em animais.

Sabemos como aumentar significativamente a longevidade de vermes e ratos de laboratório. Até que ponto esses estudos poderão ser úteis para conseguir o mesmo aumento em seres humanos?
É verdade que tem havido um grande progresso no sentido de aumentar a longevidade e manipular o envelhecimento em modelos animais, incluindo em ratos e ratinhos. Em vermes, consegue-se mudar um só gene e aumentar a longevidade dez vezes. Em ratinhos, consegue-se aumentar a longevidade 50%. Creio que são avanços conceptuais que mudam a forma de ver o envelhecimento, como um processo plástico que pode ser manipulado. Nós conhecemos mais de 2000 genes em organismos-modelo que têm impacto na longevidade. E conhecemos mais de 400 medicamentos que aumentam a longevidade nesses organismos. Há um grande entusiasmo para aplicar esse conhecimento a seres humanos. Não só na academia como na indústria biotecnológica e farmacêutica.
É claro que existe uma barreira, existe um golfo entre aquilo que se consegue fazer em modelos animais e aquilo que se consegue fazer em humanos. Estão sempre a aparecer notícias de se conseguir curar o cancro em ratinhos. Nós já curámos o cancro em ratinhos umas dezenas de vezes, mas a grande maioria daquilo que se consegue fazer em ratinhos não é aplicável a seres humanos. Por isso, eu diria que a grande maioria destas intervenções que estão a ser testadas para manipular o envelhecimento em seres humanos, estatisticamente, vai falhar. Agora, o que é interessante é que bastava uma destas intervenções conseguir abrandar o envelhecimento e teríamos imensos benefícios a nível de saúde, económicos e mesmo a nível social. Porque abrandar o envelhecimento teria um impacto em todas as doenças que lhe estão associadas, o cancro, doenças neurodegenerativas, doenças cardiovasculares, etc.

De que forma é que o seu trabalho com animais que vivem muito tempo, como a baleia-da-gronelândia ou o rato-toupeira-nu nos pode ajudar a compreender a longevidade?
Há dois focos no estudo de animais que vivem mais tempo. O primeiro é do ponto de vista da compreensão do processo de envelhecimento. Nós, apesar de conseguirmos manipular o envelhecimento em animais, ainda não percebemos bem por que é que envelhecemos. Há quem diga que os danos no ADN e as mutações são importantes. E há outras teorias, mas não sabemos ao certo. Perceber a variação natural da longevidade pode dar-nos pistas para conseguirmos compreender melhor o processo do envelhecimento do ponto de vista mecanístico. E também do ponto de vista genético. Saber quais são os genes que permitem à baleia-da-gronelândia ou ao rato-toupeira-pelado viver tanto tempo pode dar-nos pistas a nível de mecanismos genéticos, moleculares, celulares. Mas pode potencialmente também ter aplicações humanas. Se conseguirmos compreender os mecanismos que outras espécies usam, podemos tentar descobrir medicamentos que tenham os mesmos benefícios ou que imitem as mutações que existem no rato-toupeira-pelado ou na baleia-da-gronelândia, para também nós termos os benefícios dessas mutações.

Até que ponto as nossas opções de estilo de vida podem ser determinantes? Em particular, até que ponto uma dieta de restrição calórica pode ajudar a prolongar a nossa vida?
Nós sabemos que a restrição calórica em modelos animais normalmente (não sempre) aumenta a longevidade, leva a uma melhor saúde em idades avançadas e menos doenças. Persistem algumas questões sobre a aplicabilidade em seres humanos. Existem estudos feitos em macacos Rhesus, que vivem 40 anos, e por isso demoram muito tempo, e os resultados até agora indicam alguns benefícios de saúde com a restrição calórica, por exemplo, a nível de prevenção do cancro, mas não necessariamente a nível de longevidade. Por isso existem algumas questões sobre se a restrição calórica funciona ou não em seres humanos.

E o stress?
É um ponto interessante. Existem alguns estudos que sugerem que a forma como as pessoas lidam com o stress é importante para a longevidade. Se formos a ver, há centenários que sobreviveram ao Holocausto e que combateram em guerras, passaram por situações de muita tensão nervosa. E mesmo assim vivem muito tempo. Por isso não acho que o stress seja impeditivo de se viver muito tempo, mas a forma como se lida com o stress terá um impacto. E outras questões como fazer exercício: sabemos que fazer exercício regulamente está associado a uma maior longevidade e melhor saúde em idades avançadas. Por isso, o estilo de vida e os nossos comportamentos afectam quanto nós vivemos e a nossa saúde quando formos mais velhos. Mas também é importante referir que esse impacto é limitado. Ou seja, por muito que uma pessoa tenha um estilo de vida saudável, não quer dizer que viva para sempre. Acaba-se por envelhecer e não é um determinante de quanto se vai viver. Os americanos têm uns autocolantes traseiros nos carros com umas piadas e uma vez, acho que estava no Texas, vi um que dizia qualquer coisa como: “Eat healthy, don’t smoke, exercice, don’t drink alcohol, you still die” [tenha uma alimentação saudável, não fume, faça exercício, não beba, morre na mesma].

Retardamento ou reversão do envelhecimento? O que poderá ser mais prometedor?
Neste momento, aquilo que nós conseguimos fazer em modelos animais é retardar o envelhecimento. Por isso eu diria que no horizonte estão terapias, nomeadamente fármacos, que nos permitam retardar o envelhecimento, de modo a aumentar a longevidade e a saúde. Reverter o envelhecimento teria um impacto muito maior, obviamente: a nível de saúde seria enorme, comparado com retardar o envelhecimento. Mas neste momento ainda não é claro que isso sequer se consiga fazer em modelos animais, em roedores, por isso é bastante difícil dizer quando é que será possível em humanos. Há quem argumente que se consegue reverter o envelhecimento em tecidos específicos ou em órgãos específicos, através de certas intervenções. Talvez, mas, para mim, o processo de envelhecimento engloba múltiplos sistemas em múltiplos órgãos. Reverter o envelhecimento tem de ser algo que reverta o envelhecimento como um todo, ou, pelo menos, a maioria das características do envelhecimento. Isso é possível do ponto de vista teórico e teria um impacto gigantesco, mas não acho que esteja no horizonte. Pelo contrário, o retardamento do envelhecimento creio que sim, já há empresas, já há ensaios clínicos e é claramente possível que venha a acontecer.

Há alguma intervenção antienvelhecimento actualmente disponível, farmacológica ou outra, que considere que vale mesmo a pena?
Nem por isso. Pessoalmente, não tomo nenhum fármaco nem faço restrição calórica. Apesar de conhecermos muito fármacos e dietas que em modelos animais retardam o envelhecimento, sabemos muito pouco acerca dessas intervenções em seres humanos, nomeadamente quais podem ser os efeitos secundários. Por exemplo, em relação à restrição calórica, não sabemos ao certo quais são os benefícios em pessoas, mas sabemos que pode ter efeitos secundários. Com base em estudos animais, reduz a capacidade para combater infecções, por exemplo. Por isso, para quem tem um estilo de vida saudável, não acho que haja nenhuma intervenção que valha a pena actualmente. Aquilo que eu faço e o que eu sugiro é aquilo que qualquer médico ou mãe sugerem: não fumar, não beber demasiado álcool, ter uma alimentação saudável, fazer exercício. Mas a nível de intervenções antienvelhecimento específicas, para além disso, não acho que haja nada que esteja provado ou que existam provas suficientes para valer a pena fazer. É diferente se se tiver alguma doença ou alguma predisposição genética. Por exemplo, há pessoas que têm predisposição genética para cancro. Eu, se tivesse uma predisposição genética para o cancro, provavelmente faria restrição calórica. Acho que existem provas em macacos, mesmo estudos epidemiológicos em mulheres anorécticas, de que a restrição calórica tem um impacto a nível da diminuição do cancro. Acho que há condições clínicas nas quais certas intervenções valeriam a pena e eu fá-las-ia nessas situações. Mas, para pessoas saudáveis, não acho que valha a pena. Mas isso também depende da pessoa, estamos na altura da medicina personalizada. Convém ver que aquilo que funciona, o que uma pessoa acha que vale a pena, não é necessariamente aquilo que o vizinho acha que vale a pena. Há muita variação entre pessoas, não há um “one size fits all”.
Aquilo que eu faço e o que eu sugiro é aquilo que qualquer médico ou mãe sugerem: não fumar, não beber demasiado álcool, ter uma alimentação saudável, fazer exercício

Quer acrescentar alguma coisa acerca deste assunto?
Só clarificar que, quando falamos em aumentar a longevidade e em retardar o envelhecimento, falamos em retardar várias doenças, não estamos simplesmente a aumentar a longevidade num período de decrepitude, mas a aumentar a longevidade com boa saúde. E é isso que nós vemos, por exemplo, nos centenários. O tempo e os custos de hospitalização dos centenários nos últimos dois anos de vida são bastante menores do que pessoas que morrem com 70 ou 80 anos. Nas intervenções antienvelhecimento, estamos falar de uma pessoa com 70 anos passar a ter a saúde de uma pessoa com 50. Não é simplesmente aumentar a longevidade de uma pessoa moribunda.

João Pedro de Magalhães
Ler mais em publico.pt de 19-11-2017

17 de novembro de 2017

Um pilar social na construção europeia

Há uma coisa que os cidadãos cada vez mais se interrogam: o que é que a União Europeia faz por mim? Esta é uma questão legítima que exige uma resposta clara e coerente. No entanto, não é apenas uma questão de se encontrar as palavras certas. Os cidadãos europeus questionam cada vez mais a capacidade de as instituições e a União Europeia agirem no seu interesse.

A nossa ambição é clara: uma Europa da qual nos possamos orgulhar é uma Europa onde todos vivem com dignidade.

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais - que congrega vinte princípios fundamentais, colocando as preocupações sociais no topo da agenda política - é um passo na direção certa e apoiamos a proclamação do pilar o mais rapidamente possível, o mais tardar na próxima Cimeira Social em Gotemburgo, agendada para esta semana.

No entanto, esses princípios não podem ser um fim em si mesmo. Queremos fortalecer efetivamente o nosso modelo social, reduzir as desigualdades, garantir altos padrões sociais e uma negociação coletiva forte. Agora é crucial prosseguir com estes objetivos. Não fazê-lo seria fatal, reduzindo ainda mais a confiança no projeto europeu; uma vez perdida a confiança, será muito difícil recuperá-la.

É por isso que instamos a Comissão Europeia e os Estados membros a definir os próximos passos para a implementação imediata do pilar social após a sua proclamação. Defendemos um plano de ação social, descrevendo medidas claras e ferramentas para cada um dos vinte princípios do pilar. Um plano de ação social que forneça os meios legislativos e financeiros para cumprir as promessas feitas.

Uma União Europeia que mantém as suas promessas é uma União onde salários decentes são pagos a todos. É hora de pôr um ponto final no dumping e na estagnação salarial. Várias instituições, incluindo o Banco Central Europeu, já o exigiram. A Europa precisa urgentemente de um aumento do salário dos trabalhadores. É por isso que pedimos um plano de ação social que promova a negociação coletiva a nível setorial e nacional em todos os países e reforce os sistemas de salário mínimo onde eles existam, com salários mínimos acima do limiar de pobreza, de pelo menos 60% do salário médio nacional. É por isso que pedimos um plano de ação social que promova metas para reduzir as disparidades salariais entre mulheres e homens e a discriminação salarial injustificada, assegurando que a Comissão Europeia estabeleça esses objetivos como parte do Semestre Europeu.

Uma Europa em que as pessoas possam confiar é uma Europa que garante trabalho digno para todos. Isto significa que condições de trabalho dignas sejam uma realidade para todos os trabalhadores, independentemente do tipo de contrato de trabalho que tenham. Por conseguinte, pedimos um plano de ação social que inclua uma diretiva-quadro sobre condições de trabalho decentes para todas as formas de emprego e a utilização máxima da reforma em curso da diretiva relativa à informação escrita para combater a precariedade. Um plano de ação social que aborde a mutação do mundo do trabalho, dando aos trabalhadores o direito de aceder à proteção social, à transferência de direitos e benefícios, promovendo o direito de se desconectar. É por isso que o fortalecimento, o restabelecimento e a ampliação da negociação coletiva e a sua cobertura a todos os níveis, inclusive para o trabalho atípico, devem fazer parte de um plano de ação social. É por isso que uma Autoridade Europeia do Trabalho deve trabalhar, para pôr um fim no dumping social e para que as regras para a mobilidade laboral justa e plena na igualdade de tratamento no domínio do destacamento de trabalhadores são respeitadas em toda a União Europeia.

Uma Europa que protege é uma Europa que garante uma transição justa para uma economia baseada em baixas emissões de carbono, que gere as mudanças e o impacto no emprego e nas condições de trabalho provenientes da digitalização, da automação, da globalização e do comércio internacional. Uma Europa que não deixa ninguém para trás.

Uma Europa que mantém a sua palavra é uma Europa que habilita todos a conseguir empregos de qualidade, permitindo que os seus cidadãos possam ter uma vida preenchida e promissora. Um plano social que transforme as palavras em ações deve incluir uma garantia para as competências devidamente financiada, proporcionando aos europeus a capacidade de se adaptarem aos mercados de trabalho em mudança permanente. Um plano de ação social deve tornar a garantia jovem uma iniciativa permanente, estendendo-a até aos 29 anos de idade, garantindo o financiamento necessário de cinco mil milhões de euros por ano para garantir seu sucesso.

Acreditamos firmemente que para que o cidadão europeu possa confiar na União Europeia é preciso priorizar o combate a qualquer forma de exploração e exclusão social, acabando com a pobreza, não deixando ninguém para trás. É por isso que um plano de ação social precisa de garantir às crianças de toda a Europa cuidados de saúde gratuitos, educação gratuita, creches e educação pré-escolar gratuitas, habitação decente e nutrição adequada como parte de uma garantia para a infância. É por isso que pedimos um plano de ação social que faça do plano de proteção social uma realidade para todos os europeus, proporcionando uma rede de segurança social efetiva que possa ser usada em tempos difíceis.

Uma Europa verdadeiramente social implica que a Comissão Europeia e o Conselho ponham as pessoas em primeiro lugar quando tomam decisões económicas no quadro da coordenação económica do Semestre Europeu, reconhecendo que o investimento social é um fator produtivo e que os sistemas de proteção social tornam a economia mais resiliente. Uma governação económica progressista significa que as políticas económicas, de emprego e sociais estejam coordenadas ao nível europeu, respeitando as metas baseadas na Estratégia Europa 2020 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

É essencial que as instituições e os decisores políticos europeus mostrem que querem fazer este caminho e passem das palavras aos atos, recuperando a confiança necessária para poderem iniciar um verdadeiro diálogo com cidadãos sobre o aprofundamento da União Europeia.

A União Europeia de que precisamos é uma União Europeia em que os cidadãos podem confiar, uma União Europeia em que se possam apoiar, uma União Europeia de que as pessoas se podem orgulhar.

A nossa mensagem é clara: a Cimeira Social de Gotemburgo precisa de reforçar os vinte princípios do Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Uma vez que isso tenha sido alcançado, será tempo então de garantir que esses princípios se traduzam em ações concretas, será hora de aplicar um verdadeiro plano de ação social.

Maria João Rodrigues é vice-presidente do Grupo S&D no PE e Pres. da Fund. Europeia de Estudos Progressistas, Sergei Stanishev é presidente do Partido Socialista Europeu (PES), Luca Visentini
é secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (ETUC), Nicolas Schmit é coordenador da rede de ministros do emprego socialistas e ministro luxemburguês, Pervenche Berès é coordenadora do Grupo de Trabalho Europa Social do PES.

DN, 2017-11-15 - Artigo de opinião

16 de novembro de 2017

Pensionistas do Estado recebem sexta-feira metade do subsídio de Natal

Os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações (CGA) recebem esta sexta-feira, dia 17, com a sua pensão, metade do subsídio de Natal, depois de quatro anos a receberem a totalidade do subsídio em duodécimos.


No dia 07 de dezembro será a vez dos pensionistas da Segurança Social receberem 50% do subsídio de Natal, pago juntamente com a reforma desse mês, confirmou fonte oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social à Agência Lusa.

O ministro do Trabalho, José Vieira da Silva, gravou um vídeo a explicar as alterações no valor das pensões, que ficará disponível a partir das 8:00 horas de hoje no portal e no canal de youtube do Governo e também na página do 'twitter' do Ministério do Trabalho.

A mensagem é dirigida aos cerca de 2,8 milhões de pensionistas, da CGA e da Segurança Social, que desde 2012 veem o 13º mês a ser pago, na totalidade, em duodécimos, ou seja, ao longo dos 12 meses do ano.

Este ano, as regras alteraram-se: metade da prestação começou a ser paga em janeiro, em duodécimos, sendo a outra metade para agora.

Na mensagem, Vieira da Silva lembra que, no próximo ano, "haverá novo aumento das pensões já em janeiro, mas o subsídio de Natal será pago por completo nos meses de novembro e dezembro".

"Voltaremos assim a ter uma forma normal de pagar as prestações aos pensionistas. O subsídio de Natal será pago como sempre foi: próximo do Natal", diz o ministro no vídeo.

Com o pagamento de metade do subsídio de Natal deverá ainda ser feito um acerto, já que a maior parte das pensões (de valor até 842 euros) foram, entretanto, atualizadas em 0,5% em janeiro. Além disso, em agosto, houve um aumento extraordinário de seis ou dez euros para as pensões até 632 euros, consoante tenham ou não sido atualizadas entre 2011 e 2015.

Porém, fonte oficial do Ministério não esclareceu sobre este eventual acerto.

Os funcionários públicos também recebem este mês, juntamente com o salário, metade do subsídio de Natal.

Lusa, Economia
Ler mais em DN de 16-11-2017

14 de novembro de 2017

Subida do PIB atualiza automaticamente pensões a partir de janeiro

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse hoje que o crescimento homólogo de 2,5% da economia portuguesa (PIB) no terceiro trimestre, hoje divulgado, vai permitir a partir de janeiro uma valorização real e automática das pensões abaixo de 850 euros.


O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje um aumento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2016, uma desaceleração face ao aumento de 3% registado no trimestre anterior.

"Os dados [do PIB, hoje divulgados] confirmam que atingimos um patamar de crescimento que vai dar direito a que cerca de 80% a 90% dos pensionistas, ou mais de 2,6 milhões de pensionistas, tenha um crescimento real das suas pensões", disse o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, hoje em Lisboa, à margem da sessão de encerramento do Congresso Nacional da Economia Social.

"Ou seja, além da inflação, haverá - como a lei estipula - um aumento adicional, automático, a partir do mês de janeiro", frisou o ministro, adiantando não saber ainda exatamente o valor desse aumento, uma vez que aguarda saber os últimos dados da inflação, de dezembro deste ano próximo.

A lei da atualização das pensões, descongelada há dois anos, calcula a atualização com base na média de crescimento anual do PIB nos últimos dois anos, terminados no terceiro trimestre, e na variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (inflação), sem habitação.

"Mas creio que os dados do crescimento económico [hoje divulgados], para além da importância que têm, por Portugal continuar a crescer a um bom ritmo, tem este impacto [nas penões], não menos importante", concluiu.

O ministro salientou ainda que esta atualização de pensões a partir de janeiro, a confirmar-se, vai acontecer "pela primeira vez" desde que a lei da atualização automática das pensões foi aprovada.

Há uma luta entre o digital e o tradicional

“A visão de que tudo o que é digital vai dar de comer às pessoas” marca o presente, mas a indústria tradicional mantém um lugar importante, defende Manuel Alfredo de Mello, membro do júri do Prémio EY Empreendedor do Ano em 2016


Como se compara uma empresa do mundo digital a uma organização tradicional, que fabrica calçado ou mobiliário? Vale o balanço financeiro mais do que a capacidade de inovação? “Para lá dos números, agarramo-nos muito a uma visão sobre o futuro da empresa”, explica Manuel Alfredo de Mello, sobre a eleição do Empreendedor do Ano, o prémio da EY, de que foi membro do júri, no ano passado. Mas “é bastante difícil escolher” quando as áreas de negócio são completamente díspares e o nível de desempenho das empresas é muito nivelado, assume o também presidente da Nutrinveste e Empreendedor do Ano de 2014.

Em 2016, o prémio da EY foi atribuído a Bento Correia e Miguel Leitmann, fundadores da Vision-Box (empresa especializada em soluções tecnológicas para o controlo de fronteiras), que se destacaram entre os seis finalistas – três da esfera digital e três da “economia tradicional”, como lhe chama Manuel Alfredo de Mello, vincando uma disputa que se acentua na era da globalização. “Hoje há muito a visão de que tudo o que é digital vai dar de comer às pessoas. É possível que aconteça em alguns casos, mas a comida não é digital, pelo menos por agora”, comenta o presidente da Nutrinveste. “As empresas da economia real, tradicional, são mais difíceis de fazer crescer, não aumentam 1000% de um dia para o outro, e isso é que é apelativo no digital”, considera.

Entre empresários focados na web e empreendedores de matéria-prima palpável, a seleção dos candidatos à sétima edição do Prémio Empreendedor do Ano será novamente realizada, através de entrevistas, por uma equipa sénior da EY.

Os dossiês de cada empreendedor serão posteriormente avaliados por um júri independente, que, este ano, será presidido por António Gomes da Mota, presidente do conselho de administração dos CTT. Em fevereiro de 2018, Portugal conhecerá os finalistas e, um mês depois, caberá aos jurados nomear quem mais se destacou em termos estratégicos, de inovação, impacto na sociedade ou desempenho financeiro.

O troféu que distingue o Empreendedor do Ano pela criatividade, inovação ou impacto global da sua acção para a sociedade
Rute Barbedo
Ler mais em Expresso.sapo.pt

13 de novembro de 2017

Divulgação do espetáculo "A Promessa"

No âmbito do protocolo estabelecido entre a APRe! e o Teatro Nacional de S. João, fazemos a divulgação do espectáculo "A Promessa", de Bernardo Santareno, encenado por João Cardoso.

Teatro Nacional São João
de 16 Nov a  3 Dez
Quarta-feira e sábado, às 19h00
Quinta-feira e sexta-feira, às 21h00
Domingo, às 16h00

A Promessa
de Bernardo Santareno
encenação João Cardoso
produção TNSJ


 A Promessa

Para reservas e informações sobre o espectáculo, por favor, contacte a bilheteira:
Tel.: 22.340 19 00
Linha verde: 800 10 8675 (grátis a partir de qualquer rede)
E-mail: bilheteira@tnsj.pt
www.tnsj.pt

11 de novembro de 2017

União Europeia quer mais comércio com Irão apesar de pressão americana

O comissário europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, garantiu hoje que a União Europeia quer aumentar as relações comerciais com o Irão, apesar da incerteza criada pelos Estados Unidos.

Numa conferência de imprensa em Teerão, o responsável afirmou que a missão que lidera e que levou 40 empresas europeias ao Irão demonstra esse compromisso.

"Queremos e estamos abertos a fazer negócios com o Irão", garantiu quando questionado sobre as possíveis repercussões das ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, que quer alterar o acordo nuclear assinado em 2015 entre Teerão e seis potências mundiais.

Do lado da União Europeia, não há vontade de renegociar o acordo, mas há esforços para convencer os Estados Unidos a respeitá-lo, garantiu.

O comércio bilateral alcançou este ano os 10.000 milhões de euros e objetivo é regressar a níveis mais altos, eliminando "obstáculos para as exportações do Irão" para a União Europeia e cooperando mais em áreas como a agricultura, "escolhendo padrões de qualidade e certificação comuns".

Lusa,

9 de novembro de 2017

Divulgação do espetáculo "A Grande Vaga de Frio"

No âmbito do protocolo estabelecido entre a APRe! e o Teatro Nacional de S. João, fazemos a divulgação do espectáculo "A Grande Vaga de Frio" uma conceção e direção de Carlos Pimenta, interpretada por Emília Silvestre.

Teatro Carlos Alberto
10-19 Nov
qua+sáb 19:00 qui+sex 21:00 dom 16:00

A Grande Vaga de Frio
Com Orlando de Virginia Woolf

Conceção e direção Carlos Pimenta
Interpretação Emília Silvestre
coprodução Ensemble – Sociedade de Actores, Centro Cultural de Belém, TNSJ

Para reservas e informações sobre o espectáculo, por favor, contacte a bilheteira:
Tel.: 22.340 19 00
Linha verde: 800 10 8675 (grátis a partir de qualquer rede)
E-mail: bilheteira@tnsj.pt
www.tnsj.pt

Web Summit: Carros autónomos abrem portas a maior mobilidade para idosos

A tecnologia promete aumentar a autonomia de uma sociedade a envelhecer. E dar aos fabricantes um mercado em crescimento.


Os automóveis autónomos prometem transformar o sector automóvel e a vida de milhões de pessoas, que em vez de um volante passarão a ter mais tempo nas mãos, e que poderão optar por aplicações com frotas de carros-robô em vez de ter um carro próprio. A tecnologia, porém, não será apenas para os mais novos, nem para os entusiastas dispostos a tirar os olhos da estrada para passar ainda mais tempo no email ou nas redes sociais. Aqueles para quem a condução passa a ser um problema à medida que a idade avança são um dos grupos que poderão tirar dividendos do investimento tecnológico que as empresas estão a fazer.

Um dos objectivos da Toyota (o maior fabricante do mundo em termos de carros produzidos) é “tornar os carros mais acessíveis, incluindo para uma sociedade que está a envelhecer”, explicou ao PÚBLICO Jim Adler, director da Toyota AI Ventures, um braço de capital de risco da marca nipónica, cuja tarefa é investir em startups que trabalhem em áreas como a robótica ou a inteligência artificial. A conversa aconteceu na Web Summit, em Lisboa.

O problema está bem diagnosticado: “À medida que ficamos mais velhos, pode ser uma questão de orgulho continuarmos a conduzir, mas pode não ser seguro. E os mais velhos querem conduzir também por uma questão de autonomia”, observou Adler. O problema deixará de existir se for o carro a assumir a tarefa.

Isto significa também que os fabricantes de carros poderão vir a chegar a uma nova faixa de clientes, especialmente em regiões do mundo que estão a envelhecer, como é o caso do Japão (onde o Governo está a testar autocarros autónomos para idosos em zonas rurais), dos EUA e de muitos países europeus. Números da Comissão Europeia estimam que, até 2030, um quarto da população dos países da União tenha 60 ou mais anos. Em 2060, 12% terão, pelo menos, 80 anos. “É um mercado enorme”, resume Adler. Recentemente, a Toyota investiu numa startup israelita que desenvolve robôs para acompanhar idosos. Para além do potencial de negócio, explicou Adler, parte tecnologia poderá vir a ser incorporada em automóveis.

Não é certo quando chegarão os carros inteiramente autónomos às estradas, mas ninguém parece duvidar de que acabarão por chegar. A tecnologia está, essencialmente, pronta para circulação em auto-estrada. As cidades, porém, com o caos de pessoas, semáforos, obras e todo o tipo de imprevistos são um problema maior para a inteligência artificial. E há questões legais, regulatórias e éticas para ultrapassar.

Num debate em que participou na Web Summit, Adler apontou 2050 como uma data possível. Na outra ponta do sofá havia mais optimismo: o presidente da ClearMotion, uma empresa que desenvolve carroçarias, que usam algoritmos para se adaptar em tempo real às circunstâncias, afirmou que seria já em 2020. No meio ficou o executivo da Porsche Philipp von Hagen: “Algures entre essas duas datas.”



Haverá, em qualquer dos casos, um período de transição. No veículos privados – que podem durar mais de uma década nas mãos dos donos (na União Europeia, a média é de quase 11 anos) – “vai ser lento”, reconheceu Adler. Mas argumentou que plataformas como a Uber funcionam como aceleradores: “Tipicamente os carros são conduzidos 4% do tempo. Um táxi é conduzido dez vezes mais, pelo menos. Talvez os carros tenham de ser substituídos mais vezes, porque o uso vai aumentar. Isso vai forçar os fabricantes, como a Toyota, a andarem mais depressa.”

João Pedro Pereira, 8/11/2017
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Portugal eleito para o Conselho Executivo da UNESCO



Portugal foi esta quarta-feira eleito para o Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, mandato que irá prolongar-se até 2021.

Numa nota enviada às redações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros congratulou-se com a eleição, formalizada em Paris durante uma votação secreta na 39.ª Conferência Geral da UNESCO, recordando que é a quarta vez que Portugal é eleito para este órgão da UNESCO.

Portugal esteve pela última vez no Conselho Executivo da UNESCO entre 2005 e 2009.

"Trata-se do culminar de uma intensa e bem-sucedida campanha da candidatura portuguesa para este lugar que envolveu ativamente toda a rede diplomática portuguesa, com destaque para a Missão Permanente de Portugal junto da UNESCO, liderada pelo Embaixador José Filipe Moraes Cabral", referiu o comunicado da diplomacia portuguesa.

"A eleição de Portugal para o Conselho Executivo da UNESCO, prioritária para o governo, reflete o reconhecimento internacional da importância que o nosso país atribui ao multilateralismo, conforme ficou bem patente no trabalho aberto, transparente e inclusivo que Portugal desenvolveu durante o mandato que exerceu no Comité do Património Mundial da UNESCO", prosseguiu o ministério tutelado por Augusto Santos Silva.

Presença de Portugal no Conselho Executivo da UNESCO constitui uma mais-valia para a projeção da imagem do país

Sobre o novo mandato, segundo frisou a mesma nota, Portugal "promoverá o diálogo e os princípios de respeito mútuo e de solidariedade entre as nações, o combate à desigualdade e à pobreza, procurando fortalecer a educação, o conhecimento científico e a diversidade cultural, instrumentos essenciais para o desenvolvimento sustentável".

"É entendimento do governo que a presença de Portugal no Conselho Executivo da UNESCO constitui uma mais-valia para a projeção da imagem do nosso país a nível internacional e permite uma capacidade de intervenção acrescida na comunidade internacional", concluiu a diplomacia portuguesa.

Portugal aderiu à UNESCO em 1965, retirou-se da organização internacional em 1972 e reingressou em 11 de setembro de 1974.

Com 195 estados-membros e oito membros-associados, esta agência da ONU tem um objetivo ambicioso: "Construir a paz no espírito dos homens através da educação, ciência, cultura e comunicação".

 A UNESCO, conhecida como uma das guardiãs do património cultural mundial, é sobretudo reconhecida pelos seus programas educativos e pela elaboração da lista de património mundial cultural e natural.

Lusa, 8/11/2017

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8 de novembro de 2017

Coleções de museus e monumentos nacionais vão ficar 'online' através do Google

As coleções dos museus, palácios e monumentos nacionais tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) vão integrar uma plataforma 'online', no âmbito de um acordo que será assinado na quinta-feira com o Google Cultural Institute.

Um comunicado do gabinete do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, indica que o acordo com a Google será assinado às 17:30, no pátio do Palácio Nacional da Ajuda.

No âmbito deste acordo para a entrada das coleções nacionais na plataforma 'online', que inclui "prestigiadas organizações culturais de todo o mundo", a parceria vai abranger, numa primeira fase, os acervos de sete museus nacionais: Arqueologia, Arte Antiga, Arte Contemporânea/ Chiado, Traje, Teatro e Dança, Azulejo e Coches.

Até ao final de 2018 alargar-se-á ao conjunto dos museus, monumentos e palácios sob alçada da DGPC, adianta a tutela.

 D. Sebastião

Retrato de D. Sebastião


De acordo com o comunicado, serão conteúdos em alta resolução que passarão a estar permanentemente acessíveis online e beneficiarão ainda da inclusão em exposições virtuais temáticas, possibilitando o enquadramento das coleções nacionais em contextos internacionais.

O Google Cultural Institute irá assegurar o uso da tecnologia para digitalização de conteúdos em ultra resolução, a visualização virtual de interiores e a captura de imagens panorâmicas.

"Estes recursos, que corporizam novas formas de fruição artística e de acesso ao conhecimento, posicionam Portugal na vanguarda da conquista de audiências globais em ambiente digital", sublinha o gabinete do ministro da Cultura.

O acordo insere-se no âmbito dos objetivos da Ação Cultural Externa, designadamente a projeção da cultura portuguesa no exterior, "permitindo uma divulgação universal das obras de arte de excelência dos museus nacionais", acrescenta.

Já em junho deste ano, o projeto We wear culture, do Google Cultural Institute, foi disponibilizado na Internet com testemunhos de 3.000 anos de moda mundial, reunindo instituições como os museus portugueses do Traje e do Teatro e da Dança.

Neste projeto, os dois museus portugueses estavam entre mais de 180 instituições mundiais envolvidas no projeto We wear culture- As histórias por trás do que vestimos".

O protocolo vai ser assinado numa cerimónia presidida pelo ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, e contará com a presença do presidente da Google EMEA (Europa, Médio Oriente e África), Matt Brittin, e da diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva.

Lusa
Ler mais em DN de 08/11/2017

Conferência tem de superar saída dos EUA de Paris

Síria anuncia intenção de aderir ao acordo assinado em França na cimeira de 2015.

Parece uma ironia que as conversações do clima desde ano, a COP 23, que arrancaram esta semana em Bona, ocorram a escassos 50 quilómetros de uma das minas de carvão a céu aberto mais poluidoras da Alemanha. Mas é a realidade, talvez a lembrar que na batalha para travar as alterações climáticas há muito ainda por fazer. Uma luta que ganhou ontem mais um apoio: a Síria anunciou a intenção de aderir ao Acordo de Paris contra as alterações climáticas, ficando os Estados Unidos sozinhos na decisão de abandonar o compromisso assinado em dezembro de 2015.

A coincidência já serviu, aliás, para os ambientalistas saírem à rua na antiga capital da Alemanha Ocidental (dos tempos da Alemanha dividida), exigindo o encerramento da mina e o fim da utilização do carvão, que é uma das principais fontes das emissões de gases com efeito de estufa que estão a acumular-se na atmosfera e a causar as alterações climáticas - o CO2 bateu este ano novo recorde, chegando a 403,3 ppm, algo que já não se via há mais de 800 mil anos. Descarbonizar, portanto. É isso, afinal, que está em causa para as próximas décadas. Começar a definir esse roteiro, no âmbito do Acordo de Paris, é a questão em cima da mesa na conferência do clima deste ano.

Ainda a ganhar balanço, depois de ter arrancado na segunda-feira, a COP 23, de Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, tem agora pela frente uma semana e meia de trabalhos, e se tudo correr bem poderá desembocar, no dia 17, num primeiro esboço do que há de ser o programa detalhado para concretizar o Acordo de Paris, que terá de ficar selado dentro de um ano, na COP 24, na Polónia, para começar a ser aplicado a partir de 2020.

Numa conferência que tem a particularidade de ser presidida pelo representante de um dos pequenos estados do Pacífico, os que são mais vulneráveis à subida do nível do mar por causa das alterações climáticas, o primeiro-ministro da República das Fiji, Frank Bainimarama, os participantes terão de unir-se em torno do Acordo de Paris. Esse espírito ficou expresso nestes primeiros dias, quando o presidente da conferência se dirigiu aos delegados, afirmando: "Este é o nosso momento da verdade, para nos unirmos com todas as outras nações e para avançarmos juntos."

Avançar significa começar já a desenhar os mecanismos do Acordo de Paris: estabelecer o esquema para no próximo ano cada país estabelecer metas mais ambiciosas de corte de emissões e definir os mecanismos e os financiamentos para a adaptação e a compensação por danos decorrentes da mudança do clima. Esta é uma COP de transição, mas para ser produtiva terá, no dia 17, de mostrar um primeiro esboço de programa para o futuro.


Filomena Naves

Ler mais em DN, 08-11-2017

7 de novembro de 2017

Governo apela: "Vamos fechar a torneira à seca"

O mês de outubro foi o mais seco dos últimos 20 anos. Campanha na imprensa pede poupança


O Governo publica hoje na imprensa um anúncio que apela à poupança de água, numa altura em que todo o país está em situação de seca severa ou extrema.

"Um minuto da sua atenção", pode ler-se no anúncio, hoje publicado nos jornais generalistas, alertando que "uma torneira aberta durante um minuto pode gastar 12 litros de água".

No anúncio, da campanha conjunta do Governo, da Águas e Portugal, da Agência Portuguesa do Ambiente e da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), recorda-se que, segundo as Nações Unidas, "um ser humano precisa de 110 litros de água por dia.

"Fechando a torneira 1 minuto poupamos 12 litros de água. Se todos o fizermos, poupamos 120 milhões de litros por minuto", informa a campanha, que acrescenta que este valor é "suficiente para garantir as necessidades básicas de um milhão de portugueses"

"Não controlamos o tempo que faz, mas podemos controlar o que fazemos com o tempo", alerta.

O mês de outubro foi o mais seco dos últimos 20 anos, com 30% da precipitação normal para a época, segundo os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

No final de outubro, todo o território de Portugal continental se encontra em situação de seca severa (24,8%) e extrema (75,2%).

A seca extrema em Portugal está já a prejudicar culturas e pasto para animais, com produtores de diversos setores a falarem de "calamidade" e a reclamarem do Governo ajudas extraordinárias para fazer face aos prejuízos.

Na semana passada, numa conferência de imprensa conjunto dos ministros do Ambiente e da Agricultura, foi lançado o alerta para a gravidade da situação de seca que afeta o país, com o ministro João Matos Fernandes a apelar aos portugueses para fazerem "uso parcimonioso" da água e às autarquias para limitarem o uso de água em lavagens de ruas e regas a situações inadiáveis.

"Não é por chover dois ou três dias que a situação se vai inverter", salientou, anunciando o lançamento de uma campanha na comunicação social para promover o uso cuidadoso da água por toda a população.

Na altura, o responsável pela pasta do Ambiente apontou o exemplo do município de Nelas, que encerrou as suas piscinas, como seguidor de "uma orientação que é para todo o país" e que está a ser "assumida pelas autarquias".

"Quanto mais se agravar [a seca] mais essas medidas terão de ser assumidas", admitiu João Matos Fernandes.

A primeira prioridade na poupança de água é reservá-la para o consumo humano, indicou o responsável, afirmando que nos últimos lugares de prioridade estão a rega de jardins, o enchimento de piscinas e o funcionamento de fontes ornamentais.

Quer Portugal quer Espanha estão a cumprir os valores mínimos de caudais exigidos a ambos os países na gestão de rios internacionais, como o Tejo.


Lusa, 7 de novembro
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6 de novembro de 2017

As melhores histórias dos inquilinos de Belém cabem em 255 páginas

Um aperitivo para o artigo que se segue: em 1975, um tenente coronel com patilhas à Elvis Presley e uma pistola em cima do joelho aterrou de helicóptero no Palácio de Belém. Esta história (e outras) dava um filme. Para já, deu um livro.
O livro não começa pela bofetada que Mário Soares levou na Marinha Grande (que afinal foi uma paulada nas costas). Nem pelo camião que Cavaco Silva conduziu aos 16 anos - a sua primeira sensação de poder. Tão pouco tem início nos dilemas de Jorge Sampaio quanto à nomeação de Pedro Santana Lopes ou na história que Marcelo Rebelo de Sousa contou à Rainha Isabel, no Palácio de Buckingham, sobre a primeira vez que a viu ao vivo.

As 255 páginas do livro Os Presidentes que Mudaram Portugal começam com uma cena de filme. “De uniforme camuflado, óculos escuros, patilhas à Elvis Presley, um tenente-coronel do Exército faz, de helicóptero, a curta viagem entre uma unidade de Comandos e o Palácio Presidencial, onde o espera um general – e Presidente da República. Acompanha-o outro oficial, camarada de armas e amigo pessoal. O país onde isto se passa, numa manhã cinzenta de Novembro, fervilha, nesse preciso momento, no vórtice de uma tentativa de golpe de Estado em curso. O tenente- coronel exibe uma pistola Walter de 9 milímetros em cima do joelho, pouco antes de o aparelho baixar”.

A descrição prossegue por mais uns parágrafos sem dar nomes às personagens ou aos lugares. Cria suspense. Envolve. Mas aqui o espaço é curto e mais vale dizer logo ao que vamos. O tenente-coronel com patilhas à Elvis Presley e uma pistola em cima do joelho é nem mais nem menos do que o (então) futuro Presidente da República Ramalho Eanes, de 40 anos. O país é Portugal. A viagem de helicóptero acontece entre a Amadora e Belém. E a manhã cinzenta é a de 25 de Novembro de 1975.


As histórias nos detalhes
É através dos detalhes que este livro passa pelos mais de 40 anos de história dos inquilinos do Palácio de Belém. “Nunca se tinha feito, num pequeno volume, de fácil leitura, para o cidadão comum, uma história dos Presidentes eleitos. Há biografias de todos eles, em grossos volumes, muito desenvolvidas, mas não uma visão integrada de como os mandatos e as personagens se foram interligando”, explica o autor, Filipe Luís ao PÚBLICO.

Nas páginas dedicadas a Ramalho Eanes (o general que não sorria), há espaço para um dos primeiros-ministros que consigo contracenou: Francisco Sá Carneiro. E mais uma vez, são os pormenores que contam as melhores histórias. Esta envolve também Snu Abecassis, a “senhora sueca ainda casada com um português” com quem Sá Carneiro vivia maritalmente. O autor recorda o que já se sabia. “Esta situação viria a causar engulhos insuperáveis na própria relação de Sá Carneiro com o casal presidencial, em especial, Manuela Eanes, profundamente Católica, que se recusou a ‘contracenar’ com Snu em cerimónias oficiais.” Sá Carneiro insistia que Snu ocupasse o lugar relativo à sua mulher legítima o que gerou uma animosidade que viria a contribuir para o degradar das relações pessoais entre o primeiro-ministro e o Presidente.

“O livro surge da circunstância da eleição do Marcelo Rebelo de Sousa e das expectativas criadas, ao mesmo tempo que o país experimentava uma solução política inédita”, conta Filipe Luís, justificando que Belém voltava, finalmente, a ter interesse. Nomeadamente editorial.


O clique da Marinha Grande
Nem só de histórias inéditas vive a obra. No caso de Mário Soares (descrito como republicano, socialista e laico), muitas foram recuperadas por altura da sua morte, em Janeiro deste ano, e por isso estão ainda frescas na memória. Mas até nessas há surpresas. Como a da bofetada na Marinha Grande, em 1986, clima de campanha eleitoral para as presidenciais.

Depois de um banho de multidão na Nazaré, Soares regressa ao carro. E começa a descrição. “Anoitece. Soares dormita, no carro. Acorda com os gritos de elemento do PS local, que aparece de cabeça rachada e viatura com chapa amolgada. Pouco antes, nos arrabaldes da Marinha Grande, quando tentava anunciar a chegada do candidato, o homem tinha sido alvo da ira popular, orquestrada pelo PCP. E tinham-lhe chegado a roupa ao pelo. ‘Não podem continuar! Se o Mário Soares entrar na Marinha Grande, vai ser morto’”. Não foi. Mas sofreu uma agressão. “Uma bofetada, como disseram, ou uma paulada nas costas, como o próprio viria a testemunhar”. Foi “o clique da Marinha Grande”, descreve o autor, e valeu-lhe a eleição.

Na página 98, conta-se “a história que Soares não perdoa a Cavaco, que serve de alegoria para ilustrar alguma desconfiança pessoal, e não apenas política, que sempre teve pelo social-democrata”, como descreve Filipe Luís. “Numa roda e amigos, [Soares] contou certa vez que ter conhecido alguém que viajara de automóvel com Cavaco, para o Algarve, muito antes de este ter entrado na política, e que Cavaco conseguira fazer toda a viagem sem dizer uma palavra.” Um episódio que, para Soares, “definia uma personalidade, demarcava uma linha vermelha e transformava a personagem num elemento perigoso”, lê-se.


Cavaco sabe fazer relatos

Quebrando a sequência cronológica de Presidentes, a que o livro obedece, mantenhamo-nos em Cavaco Silva (o homem que não queria ser político) para lançar a história do camião de 10 toneladas, carregado de alfarroba com destino a Alverca e de sacos de figos para descarregar em Torres Novas, que após uma pausa em Ferreira do Alentejo acabou guiado pelo “terceiro passageiro, um jovem de 16 anos, alto, seco, moreno” de primeiro nome Aníbal.

Se não imaginamos Cavaco no papel de infractor, ainda menos o imaginamos a fazer uma reportagem da aproximação, durante uma campanha, de um repórter da TSF ao primeiro-ministro que se estava a recandidatar. Conta Filipe Luís que o candidato sacou o microfone da mão do jornalista João Almeida, da TSF, e começou o relato: “E agora salto por cima de uma cadeira, e passo por baixo de uma mesa, já levei um pontapé na cabeça, estou a aproximar-me do primeiro-ministro…”

Marcelo Rebelo de Sousa (ou simplesmente Marcelo, como sugere o capítulo dedicado ao actual Chefe de Estado) sucedeu a Cavaco Silva num estilo completamente distinto, mas comungando alguma da popularidade com que Cavaco foi presenteado nos primeiros tempos. Marcelo é popular sim, mas muito menos institucional e formal. E trouxe o seu emprego para a rua, onde estão os portugueses.


A bomba atómica
“Marcelo, você devia era candidatar-se a Presidente da República”. Em 2006, à saída de um estádio alemão no final de um jogo da selecção, um anónimo lançou-lhe o desafio, tratando-o pelo primeiro nome, como se tratam as pessoas por quem se tem afecto (palavra-chave na sua actual presidência). “Isso não, mas nunca se sabe”, respondeu o então comentador. Nessa altura, Cavaco levava apenas cinco meses de mandato e só dez anos depois viria a ser substituído por Marcelo, a 24 de Janeiro, numas eleições muito disputadas. “Para muitos, levar Marcelo a Belém era como dar a chave da despensa a uma criança viciada em bolachas”, descreve o autor.

Para memória futura, traga-se a este texto um traço de personalidade que está registado no final do livro e que, à luz dos últimos acontecimentos, ganha maior relevância. “Contrariando a sua aparente postura frívola na forma de fazer política, Marcelo Rebelo de Sousa já tinha dado provas de que era capaz de ter jogo de rins quando estava em vista um interesse nacional maior. Foi assim quando, como líder do PSD, viabilizou, pela abstenção, três orçamentos do Estado consecutivos, submetidos à aprovação parlamentar pelo primeiro Governo (minoritário) de António Guterres, em 1997, 1998 e 1999. Traição lesa PSD? Nada disso: Marcelo percebera então que esta era a forma de garantir a entrada de Portugal na moeda única”.

Jorge Sampaio (o poder da lágrima fácil) ocupa qualquer coisa como 50 páginas do livro Os Presidentes que Mudaram Portugal. Uma das histórias recuperadas é a do dia 11 de Setembro de 2001, quando caíram as Torres Gémeas, em Nova Iorque. Conta o autor que Sampaio almoçava em Belém com Medeiros Ferreira quando o segundo avião embateu no World Trade Center. “Bem, o almoço parece estar terminado…”, terá dito o Chefe de Estado, longe de imaginar que um ano e meio depois Portugal estaria a ser anfitrião da Cimeira das Lajes, que reuniu George W. Bush, José Maria Aznar, Tony Blair e Durão Barroso, para tomar uma decisão sobre a invasão do Iraque.

A bomba atómica, no entanto, seria o próprio Jorge Sampaio a lançá-la, em finais de Novembro de 2004. “Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva”, explicou recentemente o antigo Presidente ao seu biógrafo, José Pedro Castanheira. “Ao contrário do que acontecera em Julho, e que achei que devia ser dada uma nova maioria, reconheci que era preciso uma ruptura.” E ela aconteceu, a 30 de Novembro de 2004. Sampaio convocou o Conselho de Estado e marcou eleições antecipadas. O resto já se sabe. E está no livro.

Juntar a vida, as histórias e as polémicas dos Presidentes que mudaram Portugal em 255 páginas era um desafio difícil. Filipe Luís cumpriu-o. As Edições Desassossego editaram-no. A obra é apresentada hoje, pelo politólogo António Costa Pinto.

Sónia Sapage,
Ler mais em Jornal Público de 06/11/2017

5 de novembro de 2017

Casos de legionela no S. Francisco Xavier sobem para 19

"Isto não é um acontecimento extraordinário", afirma Graça Freitas, garantindo que estão a ser aplicados os planos de contingência previstos para estes casos

O número de casos de infetados com legionella no Hospital S. Francisco Xavier subiu esta noite para 19, mas a DGS desdramatiza o surto e assegura que "nada falhou".

"Não falhou nada. (...) Há um equilíbrio entre o que conseguimos fazer para contrariar a Natureza e a própria Natureza", disse a diretora-geral da Saúde, Graça freitas, em conferência de imprensa, em Lisboa, acrescentando que "nem sempre as melhores medidas conseguem contrariar esta dinâmica das bactérias".

As declarações foram feitas quando o número de casos confirmados eram 18, tendo o 19.º infetado sido diagnosticado cerca de duas horas mais tarde.

"Isto não é um acontecimento extraordinário", disse esta responsável. "Em Portugal temos 200 casos [de doença dos legionários] por ano, com pequenos surtos".

No briefing aos jornalistas, Graça Freitas afirmou que um dos doentes já teve alta e os restantes "estão internados estáveis", ainda que três estejam "em cuidados intensivos". Há ainda um paciente que, ainda que tenha contraído a infeção no S. Francisco Xavier, optou por ser internado num hospital particular.

Segundo Graça Freitas, está em prática o plano de contingência previsto para casos deste género.

"A bactéria [da legionella] é comum na natureza", disse a atual líder da Direção Geral de Saúde (DGS). "Estas bactérias vivem na água quente e temos tido um outono particularmente quente".

A origem da doença está na água do Hospital São Francisco Xavier, mas Graça Freitas afirma que este tipo de casos são naturais acontecer. "A boa notícia é que o hospital deu o alerta a partir do momento em que detetou três casos e que tomou medidas para evitar o contágio", disse.

Os doentes são na sua maioria idosos com fatores de risco associados.

Horas antes, em comunicado, a DGS informava que "na sequência da investigação epidemiológica, de forma a avaliar a situação, recolheram-se amostras em vários pontos dos circuitos de água do Hospital de São Francisco Xavier. Estas amostras foram analisadas no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e revelaram a presença de Legionella. Pelo princípio da precaução foram tomadas as medidas adequadas para interromper a possível fonte de transmissão"

"De forma a facilitar a implementação das medidas de controlo, o INEM irá redirecionar temporariamente para outras instituições hospitalares os doentes mais graves que se destinariam ao Serviço de Urgência do Hospital de São Francisco Xavier, que se irá manter aberto para os restantes doentes", acrescenta o comunicado.

A doença, lembra a DGS, transmite-se através da inalação de aerossóis contaminados com a bactéria e não através da ingestão de água. A infeção, apesar de poder ser grave, tem tratamento efetivo.

Os sacrificados do progresso


A democracia liberal ainda não encontrou antídotos para os custos da globalização e das novas tecnologias.

A União Europeia lançou há dez anos um Fundo de Ajustamento à Globalização. Fê-lo por estar consciente de que a abertura comercial ao resto do mundo impulsiona o crescimento económico – mas envolve custos. Nomeadamente, a perda de empregos pouco qualificados, que emigram para países de mão-de-obra mais barata.

Em 2015 e 2016 este Fundo prestou assistência a quase 20 mil trabalhadores despedidos e a 1251 jovens que não estudam, nem trabalham e não seguem qualquer formação. Portugal não figura entre os onze Estados membros que solicitaram assistência ao Fundo – a qual envolveu, nesses dois anos, mais de 70 milhões de euros, completados com 48 milhões dos países assistidos.

Trata-se de uma iniciativa louvável, mas que representa apenas uma gota de água no mundo de problemas suscitados pela globalização e, sobretudo, pelas novas tecnologias. Não se deve esquecer, porém, que a globalização tirou da miséria centenas de milhões de chineses e outros asiáticos. E as novas tecnologias poderão, espera-se, criar novos empregos em quantidade razoável.

Revolução industrial
A revolução industrial, desencadeada em finais do séc. XVIII em Inglaterra, trouxe uma melhoria do nível de vida da maioria das pessoas nos países por onde ela se espalhou. Mas essa melhoria não foi imediata, longe disso.

Num primeiro momento a utilização de máquinas movidas a vapor tirou o emprego a numerosos trabalhadores, alguns dos quais reagiram destruindo as máquinas. Depois, a vida nas fábricas do séc. XIX era brutal e violenta, bem pior do que nos campos, de onde tinha partido a maioria dos operários. Longas horas de trabalho, envolvendo também mulheres e crianças, salários de miséria, nenhuma defesa para desgraças como despedimentos, doenças, etc.

Daí uma revolta generalizada da classe fabril – era o que se chamava a “questão social”. Não surpreende que a generalização do sufrágio universal, a partir do início do séc. XX, tenha levado os políticos a responderem, pelo menos parcialmente, às aspirações dos operários, esboçando um Estado social que os defendesse dos azares da vida.

Entretanto, a revolução industrial foi criando, ao longo de décadas, muito mais empregos que que aqueles que o recurso a maquinaria tinha inicialmente eliminado. Assim, o capitalismo industrial – nomeadamente nos EUA – fez transitar para a classe média milhões de proletários.

Inversão de tendência
O problema é que essa tendência democratizadora na economia se inverteu a partir do último quartel do séc. XX. Nos EUA a classe média praticamente viu estagnar os seus rendimentos nos últimos trinta anos, enquanto uma pequena minoria – há quem aponte 1% da população – enriqueceu espectacularmente.

Será que as novas tecnologias e a globalização provocarão uma multidão de “sacrificados do progresso” da mesma ordem de grandeza do que a revolução industrial no séc. XIX? Os populismos que se multiplicam, o regresso a protecionismos (que foram fatais nos anos 30 do século passado), a descrença na democracia liberal, e muitos outros sintomas negativos são preocupantes.

O colapso do comunismo soviético acabou com uma ditadura tirânica, mas teve alguns efeitos perversos. Um dos factores que levou a uma certa humanização do capitalismo foi o receio de que o comunismo se implantasse também no Ocidente. Na Europa ocidental havia partidos comunistas poderosos, nomeadamente em França. Daí que alguns apoios sociais visassem, além do mais, prevenir a sovietização em países europeus e americanos.

Colapso do comunismo
Ora o colapso do comunismo soviético levou numerosos gestores e empresários capitalistas a julgarem que passara a valer tudo. Há dez anos, a grave crise financeira global revelou, porém, as limitações do capitalismo selvagem e irresponsável. Só que nem assim deixaram de se alargar as desigualdades de rendimentos.

E, nesta era de globalização, surgiram factos surpreendentes. Por exemplo, diminuiu a mobilidade dos trabalhadores americanos dentro do seu país, que era grande. A percentagem de americanos que atravessam as fronteiras dos seus Estados em busca de emprego é hoje metade da registada nos anos 90 do séc. XX. A habitação cada vez mais cara, o número crescente de casais em que ambos trabalham, a necessidade de cuidar de familiares mais velhos, etc., tudo isso travou a mobilidade dos trabalhadores americanos.

Acontece, ainda, que a política fiscal, que podia e devia ter um efeito redistributivo, nos EUA tem tido o efeito contrário: beneficia os ricos, apesar de alguns destes já terem pedido publicamente para pagarem mais impostos…

A democracia liberal ainda não conseguiu encontrar antídotos eficazes para compensar os custos da globalização e das novas tecnologias. O que coloca em risco essa democracia, que é a nossa.

Francisco Sarsfield Cabral
RR opinião 04.11.2017