20 de março de 2018

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir

Têm alta clínica mas mantêm-se internadas nos hospitais por falta de resposta da rede de cuidados continuados ou por incapacidade de as famílias os receberem. Casos sociais custam ao SNS num ano cem milhões de euros.

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir
Apesar de já terem alta clínica, ou seja, de não precisarem de estar num hospital por motivos de saúde, a 19 de Fevereiro 960 pessoas mantinham-se internadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por motivos sociais. São pessoas que aguardavam, sobretudo, por uma resposta da rede de cuidados continuados ou situações em que as famílias não tinham capacidade ou condições para as receber em casa.


No dia em que os dados foram recolhidos, somavam já mais de 64 mil dias de internamento inapropriado com custos financeiros que estimados a um ano ascendem a 100 milhões de euros. Mas também com grandes custos sociais.


“A cada dia que estão internados, principalmente os idosos, perdem capacidade. Um dia internado corresponde a um mês de fisioterapia de recuperação. Estamos a falar de pessoas que estão, em média, 67 dias internadas. Provavelmente muitas nunca vão recuperar a sua funcionalidade”, alerta o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) Alexandre Lourenço.

Os dados fazem parte da segunda edição do Barómetro de Internamentos Sociais, iniciativa da APAH, que é apresentado este sábado em Viseu na 4.ª Conferência de Valor. A 16 de Fevereiro os casos sociais representavam 6% do total de doentes internados naquele dia. Um aumento em relação ao primeiro balanço, feito a 2 de Outubro do ano passado, em que os hospitais comunicaram 655 internamentos sociais (4,9% do total de internamentos).

Participaram no barómetro 35 dos 47 hospitais (74%), mais um do que na recolha anterior. Alexandre Lourenço faz a ressalva que nesta segunda edição houve uma alteração do perfil dos hospitais, com a entrada de algumas unidades com maior dimensão.


Os dados foram recolhidos cerca de um mês depois do período de maior gripe e de frio que deixou os hospitais esgotados. “Temos cerca de 21 mil camas no SNS e cerca de 6% estavam ocupadas com casos sociais. No limite é o suficiente para termos um congestionamento no acesso ao internamento e um problema nas urgências. As macas que se vêm nas urgências são situações que requerem internamento”, explica o responsável.

Mas este está longe de ser só um problema de saúde e da saúde. “Grande parte deste fenómeno é de natureza social e, assim sendo, as situações que aparecem são de doentes em exclusão social para os quais depois do internamento não vamos conseguir uma resposta adequada e segura. É um pouco um círculo vicioso. Temos de encontrar soluções a montante para evitar que estas pessoas tenham necessidade de cuidados hospitalares, para identificar as pessoas que vivem isoladas, os idosos que não têm dinheiro para climatizar as casas ou para comprar medicamentos. Há um trabalho conjunto que tem de ser feito na comunidade”, aponta.

A maioria dos casos sociais identificados na segunda edição deste barómetro é de pessoas com mais de 65 anos. O caso mais extremo foi o de uma pessoa que estava internada há 214 dias. São poucos os casos de abandono, mas muitos os que aguardam uma resposta para admissão na rede de cuidados continuados. A segunda causa é a incapacidade de resposta da família e por isso considera fundamental dar impulso aos apoios aos cuidadores informais.


O número de vagas nas unidades que fazem parte da rede de cuidados continuados é limitada, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. Mas há também um trabalho que os hospitais têm de melhorar, como reconhece Alexandre Lourenço, na área da referenciação domiciliária onde existem vagas e equipas disponíveis.

O responsável reconhece que os hospitais são estruturas complexas, com dificuldade em articular-se com a comunidade. A que se junta um modelo de gestão rígido da saúde, pouco aberto a novas soluções como a que existe na Holanda em que existem equipas de enfermagem a promover a actividade dos cuidadores informais.

O congresso terá também um momento dedicado às novas tecnologias, ferramentas que podem ser poderosas aliadas na continuidade dos cuidados, evitando agravamentos drásticos que obriguem a internamentos. Como a telemonitorização ou sistemas de alerta conectados a aparelhos de casa, como uma simples máquina de café, que se a pessoa não ligar a determinada hora envia uma mensagem escrita para o cuidador informal.


Cem milhões num ano

Além dos custos sociais, os internamentos inapropriados são também uma elevada factura para os hospitais. Os mais de 64 mil dias de internamento que os 960 doentes já somavam no dia em que os dados foram apurados (19 de Janeiro) representavam um custo de 26,3 milhões de euros. Valor que tem como referência os 279 euros de custo diário de um internamento num hospital e os 39 euros de diária numa unidade psiquiátrica.

A estimativa a um ano é de cerca de 100 milhões. “Esta conta é para os hospitais analisados. Se extrapolarmos ao restante universo, o valor é maior”, ressalva Alexandre Lourenço, acrescentando que esta iniciativa – que é feito com o apoio da consultora EY – conta com a colaboração do Ministério da Saúde. “Começamos a ter uma ideia conjunta de qual a dimensão do problema. Para o ministério é importante para propor medidas para resolver esta matéria.”

Porque se nada for feito, afirma, “esta realidade vai ter uma tendência crescente com o envelhecimento da população e sem a melhoria das condições económicas e com a precariedade a manter-se, a capacidade das famílias acolherem os doentes também será menor”.

O barómetro que é feito trimestralmente vai passar a ter uma ferramenta online, no site da APAH, para que os dados estejam públicos e disponíveis a quem os quiser consultar.

Ana Maia in Público de 17/03/2018

15 de março de 2018

Convocatórias para as Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária

A pedido do Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral, junto envio as Convocatórias para as Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária, a realizar no dia 27 de Março.

Com os melhores cumprimentos
A Presidente da Direcção
Maria do Rosário Gama



Actuação do Coro da Apre – Porto em Braga

C O N V I T E

O Núcleo de Braga da APRe! convida todos os associados, familiares e amigos, para assistirem à actuação do Coro da Apre – Porto:

• Data………………………… 16 de Março de 2018;
• Horário…………………… 15 h;
• Local………………………. Auditório da Casa do Professor, Avª. Central 106-110
• Braga;

Será um momento musical e de convívio.
Contamos com a vossa presença.

Cumprimentos.
Núcleo de Braga da Apre!

10 de março de 2018

2º ANIVERSÁRIO DA COMUNIDADE DE LEITORES APRE! DELEGAÇÃO NORTE

Iniciada a comunidade em Março de 2016, completou ontem dia 7, dois anos de existência.
O objetivo principal subjacente à ideia e criação desta comunidade, foi também abrirmos ao meio, aos frequentadores da Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos. Assim,  com os responsáveis do pelouro da cultura, nomeadamente a desse equipamento, foi estabelecido um protocolo que permitia a utilização do seu auditório para o encontro mensal dos participantes da «comunidade de leitores APRe!»

Ontem, ao festejamos o seu aniversário (com bolo e doces) três colegas da comunidade, em jeito poético, deambularam por alguns dos livros escolhidos em cada uma das sessões realizadas desde o início, que se transcreve:

Vejo, tens de, também, perceber,
que  bom é rir/sorrir /divertir
com as personagens em ação.
Sofrer /compreender
viajar e as tradições conhecer…
Por exemplo, queres saber?
Que a rapariga/ que no comboio seguia
até podia
O livreiro de Cabul conhecer.
E quem sabe se O Estrangeiro não estaria
Na varanda do Frangipani
Onde, sentado em a Arca, veria
A sombra do vento que aquela árvore abanava
enquanto recordava
os acontecimentos da primavera de Praga
E não ria nem esquecia.
Pela Espanha, guerra mundial e também local
Uma rapariga «entre costuras a vida» passava/ enquanto espiava.
África e América  que, unidas, darão Africanah 
Que,  na sua terra natal , afinal
viverá. «Para Sempre?»
Às vezes segue a Vida em Surdina
no recôndito dos locais, longe das gentes,
onde vivem os superinteligentes
com contas de vidro jogando
e nem sempre encontrando, mas por  vezes sim,
o caminho de O  Retorno.
Voltando, de novo, a terras do tio Sam
Quem sabe, recordar Detroit
donde um postal se pode mandar.
E à India um pulinho dar
à procura de desvendar
um grande mistério.
O da suprema felicidade.
Aquela que, de certa maneira,
sentia Ângela fumando sentada
junto às cinzas da lareira
quando não tinha mais nada…
Será que pensava como católica ou protestante?
Naquela Irlanda distante,
lembraria/ em algum dia
o Lázaro ressuscitado
e o Evangelho de que ele falaria?

Também houve momentos de poesia, com Álvaro de Campos, Depus a Máscara in "Poemas", Augusto Gil e , em Homenagem a FLORBELA ESPANCA, foram lidos poemas seus com especial destaque para  “Mulher” para comemorarmos também o DIA da MULHER”.

No final cantamos com Luís Represas “Ser Poeta” de Florbela Espanca.

Mas porque a tarde era longa terminamos em grande e fomos todos ver o grande espectáculo “MACBETH” ao TNSJ.

A Comunidade, apesar de existir há apenas dois anos, permitiu que, apesar de muitos de nós só nos conhecermos a partir desse momento, que se criassem laços de partilha permitindo uma convivência saudável e amiga entre todos.

Por isso é necessário um obrigada muito especial à EUGÉNIA FARIA, COORDENADORA DA COMUNIDADE de LEITORES, pelo trabalho desenvolvido com sabedoria, paciência e resiliência.









7 de março de 2018

Pobreza e abuso das mulheres mais velhas: o rosto escondido das desigualdades de género

Bruxelas, 7 de Março de 2018

Dia Internacional das Mulheres 2018

O abuso e a discriminação de género ao longo do ciclo de vida conduzem a maiores desigualdades, vulnerabilidade e pobreza na velhice, como estudos europeus relatam. A situação terá consequências sociais e económicas ainda mais graves à medida que a Europa envelhece. Então, vamos mobilizar nos para #PressforProgress sobre a igualdade de género em todas as idades!

Em grande parte, ecoou nos media, a recente mobilização e protesto global que se seguiram à revelação de assuntos sobre assédio sexual envolvendo personalidades do “show business” que lançaram nova luz sobre a persistente e inaceitável violência sexual vivida por muitas mulheres em todo o mundo.

Mais invisíveis e silenciosos, mas igualmente inaceitáveis, são o abuso e a violência enfrentados por muitas mulheres na sua velhice. De acordo com uma pesquisa de 2011 realizada entre 2.880 mulheres em 5 países europeus, 28% das mulheres idosas entrevistadas sofreram algum tipo de violência ou abuso nos 12 meses anteriores. Muitas delas estão em situação de vulnerabilidade e dependência, enfrentando maiores dificuldades para denunciar e pedir proteção para a aplicação da lei e os serviços de apoio às vítimas. Elas precisam de ajuda para fazer ouvir a sua voz!

Juntamente com outras 29 organizações da sociedade civil , a AGE pede à União Europeia que ratifique e implemente a Convenção de Istambul para acabar com a violência contra meninas e mulheres de todas as idades.

A vulnerabilidade das mulheres mais velhas resulta principalmente de uma vida de discriminação, levando a maiores desigualdades e riscos de pobreza muito maiores na velhice. Entre os maiores desafios experimentados pelas mulheres durante a vida, a discriminação de género no emprego e as suas responsabilidades enquanto cuidadoras - de crianças e/ou parentes dependentes - tem um sério impacto nos seus rendimentos na velhice com uma persistente diferença de pensão de género em quase 40%. Na verdade, uma em cada três cuidadoras tem dificuldades financeiras como consequência das suas responsabilidades de cuidados, de acordo com um estudo recente realizado pela COFACE-Families Europe . A pressão crescente sobre cuidadores informais também foi relatada recentemente pela Eurofound.

Com o envelhecimento da população e dado que 80% do trabalho de cuidados na Europa é feito por cuidadores informais, principalmente mulheres, é óbvio que o investimento adicional em serviços de cuidados de qualidade e medidas para apoiar cuidadores informais tornou-se não só uma necessidade social, mas também económica .

Por que razão os cuidadores precisam de apoio? Confira a nossa infografia !
A proposta de uma directiva europeia sobre o equilíbrio entre vida profissional e familiar, apresentada pela Comissão Europeia em abril de 2017 como parte do Pilar Europeu de Direitos Sociais, é um primeiro passo para o reconhecimento da difícil situação vivida pelos cuidadores na gestão das suas vidas privadas e profissionais. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer antes que o equilíbrio entre o trabalho e a vida apoie totalmente a igualdade de género em todas as idades.


6 de março de 2018

Dança: The Great Tamer

DANÇA

SEX 9 / 21H30
SÁB 10 MAR / 19H00

Dimitris Papaioannou (Grécia)

The Great Tamer

Grande Auditório • RIVOLI

10,00 € • M/16
Nota: Ao abrigo do Protocolo com o Teatro Municipal do Porto Rivoli e Campo Alegre os associados podem usufruir de um desconto de 40% do preço normal, para verem este ou outros espectáculos.

A história é, muitas vezes, feita de pisos inferiores superiores, solos e tetos e em “The Great Tamer”, o coreógrafo Dimitris Papaioannou não hesita em desafiar os seus bailarinos a encontrar os seus pontos de equilíbrio e projeção, passando por um processo de desconstrução, inchaço, absorção e rejeição.

A partir da metáfora de um homem numa posição de pesquisa, o espetáculo torna-se um épico sensorial e primitivo. O ponto crucial é cavar e enterrar, e depois revelar”, revela o autor. Fala-se aqui sobre a identidade, sobre o passado, sobre o legado e sobre a interioridade.

Revelando as pequenas tragédias e os grandes absurdos da vida moderna, reunindo figuras bem conhecidas e ambíguas do mundo do circo - o palhaço, o acrobata -, o trabalho do coreógrafo grego é ao mesmo tempo melancólico e divertido, e toca em várias convenções teatrais com o público, usando toda simplicidade. Entre a leveza e a tragédia, dentro de um mundo plástico que presta homenagem a alguns dos maiores pintores europeus - Botticelli, Raphael, El Greco, Rembrandt, Magritte, Kounellis - Dimitris Papaioannou pede que esvaziemos as nossas vidas e dar tudo o que pudermos antes de deixar este mundo. Essa busca por graça e beleza não é relaxante nem contemplativa. Tem como objetivo uma total e aparente simplicidade, que está longe de ser simples atingir. A sua intenção é lançar luz sobre o sagrado que existe no
vulgar, no quotidiano.

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DIMITRIS PAPAIOANNOU • Com formação em artes plásticas, Dimitris Papaioannou chegou à criação através do desenho. Depois de receber o reconhecimento como ilustrador e pintor, iniciou o trabalho nas artes performativas como coreógrafo, performer e responsável pela cenografia e iluminação. O seu primeiro trabalho foi feito à volta do grupo Edafos Dance Theatre, com quem trabalhou durante 17 anos, até 2002. A idealização da cerimónia de abertura os Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 trouxe-lhe reconhecimento internacional. 
Desde 1986, o seu trabalho resulta da pesquisa entre dança experimental, uma mistura de teatro físico, movimento e performance onde questiona a criação,
a identidade e a herança da memórica cultural ocidental. Os seus últimos espetáculos, “Primal Matter” (2012) e “Still Life” (2014), são representativos da questão íntima de um homem revelando os seus medos e questionando o ambiente e o seu destino.

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CONVERSA PÓS ESPETÁCULO COM PAULO MENDES
SEX 9 MAR
Artista e Curador

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4 de março de 2018

Dia Mundial da Audição: "Ouça o Futuro ... e prepare-se para isso"

Com o aumento da expectativa de vida na Europa, cada vez mais europeus têm deficiências auditivas, o que pode afetar sua qualidade de vida, por exemplo, na redução das suas atividades sociais e tornando-os mais dependentes dos outros. Um estudo de 25 anos realizado em Bordéus, em França, mostra que as pessoas com perda auditiva apresentam maior risco de dependência, depressão e deficiência se a perda não for tratada.


A AGE juntou-se à Federação Europeia de Pessoas com dificuldade de audição (EFHOH), à Associação Europeia de Profissionais de Aparelhos Auditivos (AEA) e à Associação Europeia de Fabricantes de Instrumentos Auditivos (EHIMA) para destacar a importância de uma boa audição para todos e em todas as idades. A deficiência auditiva pode ser abordada com o uso de aparelhos auditivos modernos e, quanto antes, melhor.

"À medida que a população da Europa envelhece, o peso da perda de audição não tratada deverá aumentar. Devemos agir para proteger os direitos das pessoas mais velhas e promover a sua participação na sociedade!
Portanto, apoiamos o Dia Mundial da Audição , e acolhemos com satisfação a iniciativa da Organização Mundial da Saúde” diz Anne-Sophie Parent, Secretária Geral da AGE Platform Europe  num comunicado de imprensa conjunto lançado para marcar o Dia Mundial  da Audição no dia  3 de  março:

 Ver na plataforma AGE

Tradução e composição de Fernando Martins Vice-Presidente da APRe! e da AGE.

1 de março de 2018

Tertúlia: Como Chegar a Velho Saudável

O Núcleo de Coimbra vai organizar uma tertúlia integrada no ciclo "Envelhecer - Que Respostas? Que Propostas?" 

Adriana Teixeira, médica e Nuno Silvano, atleta de alta competição e personal trainer, vão ajudar-nos a perceber "Como chegar a velho saudável". 

Data: dia 7 de Março, às 21.15 horas
Local: Sede da APRe!.
          Rua Jorge Mendes, Lote 1 – nº 5 r/c Esqº
          3000 – 561 COIMBRA