27 de abril de 2020

AGE comemora o dia internacional da intergeracionalidade

No dia 29 de Abril a AGE comemora o dia internacional da intergeracionalidade com uma conferência online a partir das 18:00 horas.
Informações em https://www.feps-europe.eu/events/upcoming-events/621-time-for-climate-justice-%E2%80%93-intergenerational-solidarity-for-a-green-sustainable-planet.html

Canal do YOUTUBE Aposénior (Universidade Sénior de Coimbra)


A Direção da Aposénior (Universidade Sénior de Coimbra), num ato de solidariedade que muito agradecemos, permite que os associados e associadas da APRe! tenham acesso ao seu canal do YOUTUBE que disponibiliza diversas atividades de natureza cultural e artística e de treino cognitivo, físico e de competências informáticas, com conteúdos que são diariamente atualizados. Queira aceder e aproveitar, caso lhe interesse e entenda útil!

Se tiver conhecimento de outros sites de acesso livre que possam ajudar os nossos associados e associadas a tornar mais agradáveis e proveitosos estes tempos de confinamento, agradecemos que no-los faça chegar para os divulgarmos.



                 https://www.youtube.com/channel/UCZWtHWsYwkVCo_dnp67JVuw 

Empreendedorismo 5.0: Apoiar e desenvolver ideias e negócios de pessoas com mais de 50 anos




O Instituto Pedro Nunes organiza, nos meses de maio e junho de 2020, a primeira edição do programa “Empreendedorismo 5.0”. A iniciativa tem como objetivo promover, apoiar e capacitar os cidadãos europeus com mais de 50 anos para iniciarem novas carreiras e criarem novos projetos empresariais.

O “Empreendedorismo 5.0” nasce da iniciativa de contexto europeu Silver Starters. Este programa é estruturado em duas componentes principais (blended learning): formação online e mentoria dedicada. Os participantes passam por oito módulos que se inserem nas categorias de Mindset and Skills, Idea e Business. Poderá inscrever-se em http://cincopontozero.pt até dia 18 de Abril de 2020.

Existem cada vez mais pessoas a estarem disponíveis para uma segunda carreira e desejam criar startups ou iniciar uma nova atividade. Quando encaram o período da reforma, cerca de 10% das pessoas sonham em começar o seu próprio negócio e 73% precisa de continuar a trabalhar por razões financeiras. A expectativa deste programa é apoiar a criação de startups direcionadas para a vida saudável, a redução de riscos de vulnerabilidade financeira e o envelhecimento ativo, proporcionando novas perspectivas, ferramentas e conhecimentos através de cursos.

O projeto desenvolvido no âmbito do EIT Health já tem um piloto na Holanda e na Polónia, que conta com o apoio da seguradora AEGON. A EIT Health é uma ‘comunidade de conhecimento e inovação’ (KIC) criada em 2015 e pertence ao Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT). A associação reúne 150 organizações parceiras (Universidades, Entidades de Investigação, Empresas Hospitais) e junta as mentes mais brilhantes da área da saúde para responder a alguns dos maiores desafios de saúde enfrentados pela Europa. Por meio de uma abordagem colaborativa única, pretende-se capacitar uma rede de inovadores a superar barreiras, desafiar as convenções e colocar produtos e serviços inovadores nas mãos daqueles que mais precisam deles.

Em Portugal, o programa Empreendedorismo 5.0 é uma iniciativa do Instituto Pedro Nunes (IPN). Criado em 1991 por iniciativa da Universidade de Coimbra, esta instituição privada sem fins lucrativos visa promover a inovação e a transferência de tecnologia, estabelecendo a ligação entre o meio científico e tecnológico e o tecido produtivo. A incubadora de empresas do IPN apoia a fase nascente de novos projetos empresariais inovadores e/ou de base tecnológica e de serviços avançados. O propósito é criar um ambiente que proporciona o alargar de conhecimentos em matérias como a qualidade, gestão, marketing e o contacto com mercados nacionais e internacionais.
Sugestão copy redes sociais:
Ficar em casa pode não ser a situação ideal, mas pode fazer uso do seu tempo: inscreva-se neste curso on-line:

👨‍💻 O Empreendedorismo5.0 é um programa de formação e mentoria em empreendedorismo com a duração de oito semanas, direcionado para pessoas com mais de 50 anos, completamente on-line!

📣 Porque razões deve inscrever? Porque é online, porque é grátis, porque o empreendedorismo não tem género, nem idade, nem mesmo limites. Precisa de mais razões? O programa começa já em maio, não perca tempo e inscreva-se! Candidaturas aqui 👉https://cincopontozero.pt/

#ipn #empreendedorismo50 #silverstarters #entrepreneurship #businessideas


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26 de abril de 2020

Honra os teus Velhos

José Tolentino de Mendonça

«SE OS VELHOS SÃO REDUZIDOS A NÚMEROS, E A NÚMEROS COM ESCASSA RELEVÂNCIA HUMANA E SOCIAL, PODEMOS ATÉ SUPERAR AIROSAMENTE A CRISE SANITÁRIA, MAS SAIREMOS DIMINUÍDOS COMO COMUNIDADE


Um facto ao qual não nos deveríamos habituar é este: que na informação sobre as vítimas da pandemia venha associada a sua idade e a indicação de que eram afetados por outras patologias. Não nos damos conta, mas com isso descemos, de forma irreversível, alguns degraus daquele precioso património comum a que chamamos civilização. Não discuto que a intenção possa ser virtuosa, pois supostamente visa serenar os outros segmentos da população. Mas certas serenidades induzidas têm de ser questionadas, sobretudo se reforçam a vulnerabilidade de quem já tem de suportar tanto. É fundamental que para as nossas sociedades seja claro que há coisas piores do que a infeção com o vírus da covid-19. Se os velhos são reduzidos a números, e a números com escassa relevância humana e social, podemos até superar airosamente a crise sanitária, mas sairemos diminuídos como comunidade. Rodarão as estações. A esta primavera suceder-se-á outra, porventura, mais risonha, distendida e ampla. Mas nunca mais respiraremos da mesma maneira.
É que não se envelhece para morrer. Penso no modo extraordinário e preciso como o livro do Génesis descreve a caminhada do patriarca Abraão. “Abraão expirou... velho e saciado de dias” (Gen 25:8). Sim, não se envelhece para morrer. Envelhecemos para nos saciarmos de vida e desse modo sentir que, mesmo escassa ou vacilante, a vida é o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos tocou em sorte. Com razão, James Hilmann escreveu: “Envelhecendo eu revelo o meu carácter, não a minha morte.” A velhice é um laboratório de vida presente e não só passada, uma escola onde se aprofunda o significado da esperança e do amor. Quando estes sentimentos, despidos já das contaminações do cálculo, distantes do enganador afã dos objetivos que lhe colocámos, revelam finalmente a sua natureza. O que é o amor em si, o que é a esperança sem mais — os velhos sabem-no melhor. E, contudo, resistimos tanto a perguntar-lhes, como se essa transmissão de sabedoria não nos fosse indispensável. Que os velhos se tenham tornado uma abandonada periferia — e os condicionamentos da pandemia podem ainda dramaticamente acentuá-lo — diz muito da crise interior que mina o nosso tempo.
Envelhecemos para nos saciarmos de vida e desse modo sentir que, mesmo escassa ou vacilante, a vida é o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos tocou em sorte
Há cem anos, no início dos anos 20 do século passado, Max Weber escrevia que, diferentemente das gerações que nos precederam, “os homens já não morrem saciados de vida, mas simplesmente cansados”. O dogmatismo com que hoje encaramos a produtividade, a eficiência e o consumo tornou-nos uma sociedade desligada de dimensões essenciais. Nela, os velhos perderam o seu papel social, pois deixámos de valorizar o depósito de conhecimento e experiência que representam, e passamos a apostar todas as nossas fichas numa ideia de progresso baseada na mudança contínua, sem freios nem memória.
Precisamos de nos reconciliar com a velhice. É um erro grosseiro representar os velhos como um peso: experimentam-no quotidianamente as famílias que sem a colaboração dos avós não saberiam como conjugar as vidas profissionais com a vida familiar; sabem-no as crianças e os jovens que nos mais velhos encontram disponível um bem que mais ninguém lhes oferece com aquela gratuidade: tempo; constatam-no todos os espaços de convivência humana que dos velhos recebem testemunhos de sabedoria, afeto e resiliência, pois eles felizmente têm olhos para aquilo que mais ninguém vê. O antiquíssimo Livro do Levítico recorda-nos este imperativo de futuro: “Ficarás de pé diante do que tem cabelos brancos; honrarás o rosto de quem é ancião” (Lev 19:32).»

José Tolentino de Mendonça


 Expresso-2020.04.25-Honra-os-teus-velhos

24 de abril de 2020

Os Velhos

José Soeiro

"Ao confinamento institucional e ao isolamento em casa, que retirou a muitos dos velhos o toque e esse contacto essencial com a vizinha, os filhos ou os netos, soma-se agora uma intolerável ameaça de discriminação. Quem começou por brandir oficialmente a possibilidade dessa condenação foi Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia. Embrulhada numa retórica de “proteção dos idosos”, a sugestão atingiu muitos como uma faca apontada ao peito: as pessoas mais velhas, aventou aquela responsável, poderiam ter de ficar em confinamento até ao final do ano. Criar-se-ia assim, sem qualquer fundamento científico ou sanitário, uma espécie de terceiro grupo de pessoas, entre os infetados e os não infetados: os velhos. A esses, independentemente da sua saúde e de serem portadores ou não da infeção, haveria que manter fechados em casa muito para lá das medidas gerais de restrição dos movimentos da população.
A violência e a ilegitimidade de tal sentença foi denunciada, sonoramente, por Rosário Gama, da APRE. O apelo contra a estigmatização e a menorização dos mais velhos, como se estivessem sob tutela e não fossem dotados de autonomia, tem de ser ouvido por todos. O “regresso à vida” pós-emergência, que agora se perspetiva, será certamente diferente da vida que tínhamos antes de Janeiro, porque com mais cuidados sanitários. Mas não pode significar, em caso nenhum, um apartamento dos mais velhos do espaço público e da vida social.
Aproveitemo-lo antes como uma ocasião para pensarmos como construir uma resposta pública de prestação de cuidados muito mais diversa e capaz de combater a galopante precarização da velhice. Façamos desse regresso, isso sim, uma forma de não voltar à normalidade do estigma e do idadismo, esse para o qual, como alertava Fernando Alves, os velhos não são “os que têm mais idade” mas os que têm “idade a mais”."

23 de abril de 2020

Carta aberta da Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama

Uma sociedade que não respeita os mais velhos não se merece

Carta Aberta ao primeiro-ministro, ministra da Saúde, ministra do Trabalho e da Solidariedade Social e directora geral da Saúde.
 
Maria do Rosário Gama
 
Há vozes que nos incomodam.
Aparentemente desencadeadas por declarações que repudiamos, feitas no passado Domingo de Páscoa pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, multiplicam-se, agora, as opiniões que, igualmente sem qualquer fundamento científico, vão no sentido de, com uma “aparente” intenção de protecção sanitária, afirmar que as pessoas mais velhas poderão ter de ficar em confinamento até ao final do ano. Quem profere ou defende tais declarações não mede o alcance do que diz. Estão a ser visadas pessoas que podem estar frágeis, carentes de afecto, longe de familiares ou amigos, mas também tantas outras que, com a mesma idade, estão enérgicas, com todas as faculdades activas, com vidas bem preenchidas e úteis à família e à comunidade. Umas e outras têm coração e têm sentimentos e não gostam nem aceitam que as ameacem de isolamento.
 
 
´Fonte; Público, 21.04.2020