1 de janeiro de 2021

Civismo, ética, pandemias e sobrevivência

 Uma reflexão interessante e pertinente

Jorge Paiva
 

 Há cerca de meio século que são organizadas cimeiras internacionais sobre o ambiente e biodiversidade, mas a conduta ética irresponsável de decisores políticos tem levado estas iniciativas ao fracasso por incumprimento dos acordos estabelecidos.

É por total falta de civismo que continuamos com elevado número diário de infectados pelo betacoronovírus SARS-CoV-2. Aliás, este nosso atraso cívico é milenar, como já o menciona Estrabão, geógrafo e filósofo grego (ca. 73-24 a.C.), ao referir que os iberos não conheciam o pão de trigo, nem vinho: “Os habitantes das montanhas, durante duas partes do ano, utilizam bolotas, depois de as terem secado e triturado; logo as moem e as transformam em pão… E utilizam também cerveja, mas têm falta de vinho…. Todos eles vestem de negro, a maior parte com saios, e é com eles que se deitam sobre camas de folhagem.” (Geografia, Livro III, capítulo 3, 7, tradução de J. Deserto e S. Pereira, 2016).

 
A maioria das pessoas não entende, nem quer, individualmente, sujeitar-se às alterações de convivência a que estavam habituadas e julgam, egocentricamente, que o vírus só infecta os outros e nunca elas próprias. Por isso, continuam a conviver e a divertirem-se agrupadas, sem máscaras e, muitas vezes, em recintos fechados, sem as mínimas condições higiénicas. Por outro lado, não há cuidado nenhum com o lixo sólido, pois, não só não o seleccionam, como até o lançam para o chão das artérias urbanas, caminhos e estradas.

 Há dias, no percurso que faço a pé para ir comprar jornais (cerca de 500 metros), vi espalhadas no piso das ruas que percorri cerca de uma dúzia de máscaras. Este lixo sólido arremessado para o chão é arrastado pelas águas pluviais, indo para as bacias hidrográficas dos rios, acabando por ir parar aos oceanos. Por exemplo, o plástico como flutua, é aglomerado por correntes marinhas, acumulando-se em ilhas flutuantes de plástico. Neste momento existem cinco grandes ilhas oceânicas de plástico: uma no Oceano Índico, duas no Atlântico (uma a Sul e outra a Norte) e duas no Pacífico (uma a Sul e outra a Norte, tendo esta última uma superfície correspondente a cerca de 18 vezes a superfície de Portugal Continental; isto é, cerca de sete vezes a superfície Reino Unido).

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