O Facebook reconheceu que um uso excessivo das redes sociais pode representar um perigo para a democracia, ao mesmo tempo que garantiu que está a fazer tudo para reduzir estes riscos.
"Apesar de ser um otimista, não ignoro os perigos que a Internet pode provocar, mesmo no seio de uma democracia que funciona bem", disse Samidh Chakrabarti, responsável pelo envolvimento cívico no Facebook, em texto divulgado esta segunda-feira.
Mais uma vez, como já o tinha feito em janeiro o chefe do grupo, Mark Zuckerberg, a Facebook reconheceu ter subestimado em 2016 o seu papel na propagação de "informações falsas" e, de forma mais geral, não ter lutado de forma eficaz contra os conteúdos problemáticos que pululam nesta rede social.
Em particular, esta empresa é acusada no contexto de inquéritos realizados nos EUA sobre uma possível ingerência da Federação Russa na campanha presidencial de 2016, com Moscovo a ser objeto de suspeitas de ter utilizado as redes sociais para influenciar os eleitores. Acusações estas negadas pelo Kremlin.
A rede social, que tem dois mil milhões de utilizadores, "levou muito tempo a compreender que pessoas mal-intencionadas estavam a utilizar a plataforma de maneira abusiva", insistiu Samidh Chakrabarti, que assegurou que a empresa "está a trabalhar ardentemente na neutralização destes riscos".
Em comunicado distinto, a encarregada das questões ligadas à política no seio do grupo baseado no Estado na Califórnia, Katie Harbath, afirmou: "Continuamos determinados em combater as influências negativas e garantir que a nossa plataforma contribui, de maneira indiscutível, para o bem da democracia".
O Facebook acaba de anunciar duas alterações importantes que vão modificar a presença de informação no "fio noticioso", que funciona como página de acolhimento pessoalizado de cada utilizador, com o objetivo alegado de melhorar a qualidade dos conteúdos.
Estas alterações vão privilegiar as mensagens publicadas pelos próximos, em detrimento das páginas institucionais de marcas ou meios de comunicação, e hierarquizar as fontes de informação consideradas como fiáveis pelos próprios utilizadores.
Ler mais em JN.pt
Mostrar mensagens com a etiqueta actualidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta actualidade. Mostrar todas as mensagens
25 de janeiro de 2018
14 de dezembro de 2017
Gripe mata até 650 mil pessoas por ano
Dados revelam que a maioria das mortes ocorrem em pessoas com mais de 75 anos e nas regiões mais pobres do mundo.
Cerca de 650 mil pessoas morrem todos os anos de doenças respiratórias causadas pela gripe sazonal, de acordo com as novas estimativas divulgadas esta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Organização Mundial da Saúde colaborou com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos para reunir os dados.
"Isto marca um aumento da estimativa global anterior, que estava entre as 250 mil e as 500 mil mortes, que remonta há dez anos atrás e que incluía todas as mortes relacionadas com a gripe, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes", explica a OMS, em comunicado.
Os dados que serão trabalhados a partir de agora serão de 290 mil a 650 mil mortes, mas são excluídas as doenças que não tenham natureza respiratória.
O novo cálculo baseia-se em informações mais amplas e de um número maior de países.
"Estes dados evidenciam o peso sanitário da gripe e os seus altos custos sociais e económicos para o mundo", afirmou o diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Peter Salaman.
Os dados revelam que a maioria das mortes ocorrem em pessoas com mais de 75 anos e nas regiões mais pobres do mundo, mas Peter Salaman afirmou que esse facto não deve originar um "baixar da guarda" dos países.
"Ricos e pobres, grandes ou pequenos, todos os países devem trabalhar juntos para controlar os surtos de gripe", explicou.
No caso das crianças com menos de cinco anos, praticamente todas as mortes por infeções respiratórias ocorrem nos países em desenvolvimento.
Ler mais em CM de 14/12/2017
Cerca de 650 mil pessoas morrem todos os anos de doenças respiratórias causadas pela gripe sazonal, de acordo com as novas estimativas divulgadas esta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Organização Mundial da Saúde colaborou com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos para reunir os dados.
"Isto marca um aumento da estimativa global anterior, que estava entre as 250 mil e as 500 mil mortes, que remonta há dez anos atrás e que incluía todas as mortes relacionadas com a gripe, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes", explica a OMS, em comunicado.
Os dados que serão trabalhados a partir de agora serão de 290 mil a 650 mil mortes, mas são excluídas as doenças que não tenham natureza respiratória.
O novo cálculo baseia-se em informações mais amplas e de um número maior de países.
"Estes dados evidenciam o peso sanitário da gripe e os seus altos custos sociais e económicos para o mundo", afirmou o diretor executivo do Programa de Emergências Sanitárias da OMS, Peter Salaman.
Os dados revelam que a maioria das mortes ocorrem em pessoas com mais de 75 anos e nas regiões mais pobres do mundo, mas Peter Salaman afirmou que esse facto não deve originar um "baixar da guarda" dos países.
"Ricos e pobres, grandes ou pequenos, todos os países devem trabalhar juntos para controlar os surtos de gripe", explicou.
No caso das crianças com menos de cinco anos, praticamente todas as mortes por infeções respiratórias ocorrem nos países em desenvolvimento.
Ler mais em CM de 14/12/2017
7 de dezembro de 2017
"Bonecos de Estremoz" já são Património Cultural Imaterial
A decisão, que ocorreu pelas 01:05 (hora de Lisboa), foi bastante celebrada pela comitiva portuguesa que durante os festejos exibiu exemplares de “Bonecos de Estremoz”.
Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam a concorrer inicialmente 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.
Os “Bonecos de Estremoz” pertencem a uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.
A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.
Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.
Em Estremoz, trabalham atualmente nesta arte emblemática Afonso e Matilde Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.
"Um momento grande da história de Estremoz"
O presidente do município de Estremoz, Luís Mourinha, manifestou-se hoje "muito feliz", após a UNESCO ter classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos "Bonecos de Estremoz".
“No fundo é um momento grande da história de Estremoz em termos da sua classificação, das suas gentes, porque o figurado de barro representa tudo o que é o trabalho, tudo o que é a dificuldade dos alentejanos e dos estremocenses em particular”, disse o autarca à agência Lusa.
De acordo com Luís Mourinha, a UNESCO valorizou os “Bonecos de Estremoz”, uma arte popular em barro com mais de três séculos, pela “visão do artista, do artesão sobre a sua envolvência”.
Hugo Guerreiro, em declarações à Lusa, mostrou-se “emocionado” com a distinção.
“Correu tudo como estávamos à espera, sem comentários dos participantes na reunião, foi tudo aprovado de forma rápida. Estamos muito contentes, abrimos também a porta ao resto do figurado no mundo para que, de facto, seja valorizado pelas suas comunidades e pelos seus países”, disse.
Hugo Guerreiro recordou que esta vitória resulta de um trabalho “muito árduo” nos últimos cinco anos.
“Estou muito contente pelos artesãos, recordo muito a minha família, o meu antigo diretor do Museu Municipal de Estremoz, Joaquim Vermelho, um grande amante do boneco de Estremoz e que me passou esta paixão. É um momento para recordar para o resto da vida”, acrescentou.
Emocionada com a distinção da UNESCO, a artesã Perpétua Sousa, que produz “Bonecos de Estremoz” há 43 anos, homenageou todos aqueles que já trabalharam em redor da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”.
“Esta é uma homenagem também para quem nos ensinou a trabalhar, Sabina Santos. A partir de agora temos uma responsabilidade acrescida e acreditamos que a procura de interessados em comprar estas figuras vai aumentar”, disse.
Turismo do Alentejo: Classificação dos "Bonecos de Estremoz" é vitória para Portugal
O presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, considerou hoje uma "vitória para Portugal" a classificação pela UNESCO da produção dos "Bonecos de Estremoz" como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
"Muito orgulhoso, muito satisfeito. Eu diria que é uma grande vitória, uma grande vitória para Estremoz, para o Alentejo, mas uma grande vitória para Portugal", disse.
O presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, que falava à agência Lusa após a classificação dos "Bonecos de Estremoz" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como Património Cultural Imaterial da Humanidade, destacou a forma como aquele organismo tem reconhecido nos últimos anos as candidaturas portuguesas.
"Houve dossiês aqui que demoraram horas a ser discutidos, o dossiê de Estremoz demorou cinco minutos, e isso diz bem o reconhecimento da UNESCO do trabalho que se faz em Portugal nesta área da preservação do património cultural imaterial" enalteceu.
Ceia da Silva recordou ainda que tem sido desenvolvido um trabalho nos últimos anos em redor da preservação e divulgação da "identidade", acrescentando que é uma área "estratégica" para a região, uma vez que o turista que visita o Alentejo procura o "genuíno e autêntico".
"Nós temos lutado muito pela questão da identidade, para nós é central, é estratégica. Digo muita vez e repito: o turista quando vai ao Alentejo vai para encontrar aquilo que é mais identitário, que é mais autêntico, que é mais genuíno, e termos obtido cinco selos consecutivos é único no mundo", disse.
Nesse sentido, a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo está a trabalhar num projeto denominado por "Rotas do património cultural imaterial", projeto que deverá estar concluído no final de 2018.
Distinção é "motivo de grande orgulho"
A diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, considerou hoje “muito relevante” e “motivo de grande orgulho” a classificação pela UNESCO da produção dos Bonecos de Estremoz (Évora) como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
“É um motivo de grande orgulho para nós. Desde logo para Estremoz, para a cidade, para a população e para os artistas e artesãos” locais, mas também “para o Alentejo e para Portugal”, congratulou-se, em declarações à agência Lusa.
Segundo Ana Paula Amendoeira, a inscrição deste figurado de barro na lista representativa do Património Cultural Imaterial da UNESCO “é muito relevante”, porque, “dentro do conjunto de práticas culturais que Portugal tem inscritas”, esta candidatura “é especial e única”.
Em 2016, lembrou a diretora regional de Cultura, a UNESCO inscreveu a olaria negra de Bisalhães (Vila Real), mas o figurado de Estremoz “tem características excecionais, quer do ponto de vista da temporalidade”, porque é “uma prática cultural que se exerce há praticamente quatro séculos, desde o século XVII”, quer “pela própria natureza da produção dos Bonecos’, daquilo que representam”.
“É uma forma de apropriação do mundo por parte das práticas culturais populares, porque os ‘Bonecos’ são simbólicos e representam figuras, ideias e valores associados à visão popular do mundo, das comunidades tradicionais e rurais. E isso também é muito relevante”, salientou.
Para Ana Paula Amendoeira, é também “muito importante” o reconhecimento internacional desta produção do figurado de barro da cidade alentejana, pois, apesar de não estar em risco, é preciso protegê-la e assegurar a sua salvaguarda.
“É uma comunidade de artesãos relativamente restrita e concentrada na cidade de Estremoz e, embora não esteja em risco, precisa de salvaguarda e de apoio, portanto, também para proteção desta prática cultural e patrimonial é muito relevante esta inscrição”, sublinhou.
A diretora regional de Cultura do Alentejo elogiou ainda o “caráter exemplar” da candidatura apresentada pela Câmara de Estremoz, que desenvolveu todo o processo com uma equipa do próprio município, e cumprindo “escrupulosamente” tudo o que é exigido pela lei portuguesa e pelas regras da UNESCO.
“Foi feita com a ‘prata da casa’, com uma equipa interna ligada ao Museu Municipal, e não representou custos para o município, no sentido em que não foi adjudicada a entidades externas a elaboração da candidatura. Foi feita com conhecimento endógeno do município, com muita investigação e sempre com o apoio da Direção Regional de Cultura”, assinalou.
Ministério dos Negócios Estrangeiros saúda reconhecimento
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, saudou hoje o reconhecimento pela UNESCO dos "Bonecos de Estremoz" como Patrimiónio Imaterial da Humanidade, sublinhando que é uma afirmação do valor da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas.
Augusto Santos Siva saudou tanto a Câmara Municipal de Estremoz, que "participou ativamente na apresentação da candidatura", como os artesão que preservam esta arte tradicional em Estremoz e chamou a atenção para o "duplo significado" deste reconhecimento.
"Por um lado, é a afirmação do valor e da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas e, em segundo lugar, é também uma consciência do muito que temos que fazer para cultivar essas artes e preservar essas tradições", considerou o ministro.
Augusto Santos Silva chamou ainda a atenção para o facto de este ser o sétimo bem português classificado como Património Imaterial da Humanidade, depois da dieta mediterrânica, da arte da falcoaria, do fado e do cante alentejano, assim como o fabrico de chocalhos e a olaria de barro de Bisalhães.
1983 - 05-09 dezembro:
A UNESCO decidiu, em Florença, a classificação simultânea dos primeiros quatro locais portugueses como Património Mundial: centro histórico de Angra do Heroísmo(Açores), Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Lisboa) e Convento de Cristo (Tomar).
As justificações apresentadas no relatório do comité foram diversificadas, indo do critério de um “excelente exemplo de um tipo de construção”, para o caso de Angra do Heroísmo, à peça “representativa de uma obra prima do génio criativo da humanidade”, quanto à Batalha.
1986 - 24-28 novembro
O quinto espaço português a ser classificado como Património Mundial pela UNESCO foi o centro histórico de Évora, sendo, de acordo com os critérios da organização, “testemunho de uma troca considerável de influências durante um dado período ou numa determinada área cultural” e, tal como Angra do Heroísmo, um “excelente exemplo de um tipo de construção ou um conjunto arquitetónico ou tecnológico ou paisagístico ilustrando um ou mais períodos significativos da história da humanidade”.
1989 - 11-15 dezembro
O Mosteiro de Alcobaça foi introduzido na lista de locais classificados como Património Mundial, por constituir “uma das mais importantes abadias cistercienses europeias, atendendo ao seu estado de conservação e à sua arquitetura, símbolo de Cister”, de acordo com um documento da Comissão Nacional da UNESCO sobre os locais portugueses.
1995 - 04-09 dezembro
A UNESCO incluiu a paisagem cultural de Sintra na lista, devido ao seu “valor universal extraordinário, representando uma abordagem pioneira ao paisagismo Romântico que teve uma destacada influência nos desenvolvimentos de outras partes da Europa”.
1996 - 02-07 dezembro
O centro histórico do Porto foi inscrito como Património Mundial pelo “distinguido testemunho que muitos dos seus edifícios históricos e o seu tecido urbano” detêm da evolução da cidade ao longo dos últimos mil anos, explicou, na altura, o relatório da UNESCO.
1998 - 30 novembro – 05 dezembro
A 22.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO assistiu à classificação dos Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde (Espanha), tendo na altura os delegados da Austrália e de Marrocos expressado a sua satisfação pelo “contributo dado para a diversidade e credibilidade” da lista de Património Mundial.
1999 - 29 novembro – 04 dezembro
O Comité do Património Mundial da UNESCO aceitou a entrada da Floresta Laurissilva da Madeira na lista, o maior espaço sobrevivente de um tipo de floresta em tempos propagada pela Europa.
2001 - 11-16 dezembro
A preservação “excecional” do centro histórico de Guimarães foi um dos vários motivos que garantiram a entrada para a lista de Património Mundial, para a qual também contou a ligação da cidade ao “estabelecimento da identidade e da língua portuguesa”.
Na mesma sessão, o Comité do Património Mundial da UNESCO inscreveu o Alto Douro Vinhateiro na lista, devido à história, cultura e paisagem daquela região.
2004 - 28 junho – 07 julho
A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores, considerada Património Mundial a partir deste ano, “reflete uma resposta única à vinicultura numa pequena ilha vulcânica que tem vindo a evoluir desde a chegada dos primeiros colonizadores no século XV”, segundo a UNESCO.
2011 - 27 novembro
O fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade, segundo uma decisão tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, ficando reconhecida a importância deste género musical como parte da identidade cultural de Portugal.
2012 - 30 junho
A maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, foi classificada como Património Mundial, num edificado que remonta ao reinado de D. Sancho II (1243-1248), possuindo um perímetro de oito a dez quilómetros e uma área de 300 hectares.
2013 - 22 junho
A Universidade de Coimbra foi considerada Património Mundial da UNESCO. Durante séculos, foi a única universidade portuguesa e afirmou, na cidade do rio Mondego, uma identidade cultural.
2013 - 04 dezembro
A dieta mediterrânica foi classificada como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
2014 - 27 novembro
Classificação do cante alentejano, canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia, como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
2015 - 01 dezembro
Classificação pela UNESCO do fabrico de chocalhos em Portugal, ofício e manifestação cultural que tem no Alentejo a sua maior expressão a nível nacional, como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
2016 - 29 novembro
O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO.
2016 - 30 de novembro
A falcoaria portuguesa foi classificada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, depois de uma candidatura apresentada pelo município de Salvaterra de Magos (distrito de Santarém).
2017 - 07 de dezembro
A produção dos "Bonecos de Estremoz", em barro, uma arte popular com mais de três séculos, foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz (distrito de Évora).
Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam a concorrer inicialmente 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.
Os “Bonecos de Estremoz” pertencem a uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.
A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.
Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.
Em Estremoz, trabalham atualmente nesta arte emblemática Afonso e Matilde Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.
"Um momento grande da história de Estremoz"
O presidente do município de Estremoz, Luís Mourinha, manifestou-se hoje "muito feliz", após a UNESCO ter classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos "Bonecos de Estremoz".
“No fundo é um momento grande da história de Estremoz em termos da sua classificação, das suas gentes, porque o figurado de barro representa tudo o que é o trabalho, tudo o que é a dificuldade dos alentejanos e dos estremocenses em particular”, disse o autarca à agência Lusa.
De acordo com Luís Mourinha, a UNESCO valorizou os “Bonecos de Estremoz”, uma arte popular em barro com mais de três séculos, pela “visão do artista, do artesão sobre a sua envolvência”.
Hugo Guerreiro, em declarações à Lusa, mostrou-se “emocionado” com a distinção.
“Correu tudo como estávamos à espera, sem comentários dos participantes na reunião, foi tudo aprovado de forma rápida. Estamos muito contentes, abrimos também a porta ao resto do figurado no mundo para que, de facto, seja valorizado pelas suas comunidades e pelos seus países”, disse.
Hugo Guerreiro recordou que esta vitória resulta de um trabalho “muito árduo” nos últimos cinco anos.
“Estou muito contente pelos artesãos, recordo muito a minha família, o meu antigo diretor do Museu Municipal de Estremoz, Joaquim Vermelho, um grande amante do boneco de Estremoz e que me passou esta paixão. É um momento para recordar para o resto da vida”, acrescentou.
Emocionada com a distinção da UNESCO, a artesã Perpétua Sousa, que produz “Bonecos de Estremoz” há 43 anos, homenageou todos aqueles que já trabalharam em redor da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”.
“Esta é uma homenagem também para quem nos ensinou a trabalhar, Sabina Santos. A partir de agora temos uma responsabilidade acrescida e acreditamos que a procura de interessados em comprar estas figuras vai aumentar”, disse.
Turismo do Alentejo: Classificação dos "Bonecos de Estremoz" é vitória para Portugal
O presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, considerou hoje uma "vitória para Portugal" a classificação pela UNESCO da produção dos "Bonecos de Estremoz" como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
"Muito orgulhoso, muito satisfeito. Eu diria que é uma grande vitória, uma grande vitória para Estremoz, para o Alentejo, mas uma grande vitória para Portugal", disse.
O presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo, que falava à agência Lusa após a classificação dos "Bonecos de Estremoz" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), como Património Cultural Imaterial da Humanidade, destacou a forma como aquele organismo tem reconhecido nos últimos anos as candidaturas portuguesas.
"Houve dossiês aqui que demoraram horas a ser discutidos, o dossiê de Estremoz demorou cinco minutos, e isso diz bem o reconhecimento da UNESCO do trabalho que se faz em Portugal nesta área da preservação do património cultural imaterial" enalteceu.
Ceia da Silva recordou ainda que tem sido desenvolvido um trabalho nos últimos anos em redor da preservação e divulgação da "identidade", acrescentando que é uma área "estratégica" para a região, uma vez que o turista que visita o Alentejo procura o "genuíno e autêntico".
"Nós temos lutado muito pela questão da identidade, para nós é central, é estratégica. Digo muita vez e repito: o turista quando vai ao Alentejo vai para encontrar aquilo que é mais identitário, que é mais autêntico, que é mais genuíno, e termos obtido cinco selos consecutivos é único no mundo", disse.
Nesse sentido, a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e Ribatejo está a trabalhar num projeto denominado por "Rotas do património cultural imaterial", projeto que deverá estar concluído no final de 2018.
Distinção é "motivo de grande orgulho"
A diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, considerou hoje “muito relevante” e “motivo de grande orgulho” a classificação pela UNESCO da produção dos Bonecos de Estremoz (Évora) como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
“É um motivo de grande orgulho para nós. Desde logo para Estremoz, para a cidade, para a população e para os artistas e artesãos” locais, mas também “para o Alentejo e para Portugal”, congratulou-se, em declarações à agência Lusa.
Segundo Ana Paula Amendoeira, a inscrição deste figurado de barro na lista representativa do Património Cultural Imaterial da UNESCO “é muito relevante”, porque, “dentro do conjunto de práticas culturais que Portugal tem inscritas”, esta candidatura “é especial e única”.
Em 2016, lembrou a diretora regional de Cultura, a UNESCO inscreveu a olaria negra de Bisalhães (Vila Real), mas o figurado de Estremoz “tem características excecionais, quer do ponto de vista da temporalidade”, porque é “uma prática cultural que se exerce há praticamente quatro séculos, desde o século XVII”, quer “pela própria natureza da produção dos Bonecos’, daquilo que representam”.
“É uma forma de apropriação do mundo por parte das práticas culturais populares, porque os ‘Bonecos’ são simbólicos e representam figuras, ideias e valores associados à visão popular do mundo, das comunidades tradicionais e rurais. E isso também é muito relevante”, salientou.
Para Ana Paula Amendoeira, é também “muito importante” o reconhecimento internacional desta produção do figurado de barro da cidade alentejana, pois, apesar de não estar em risco, é preciso protegê-la e assegurar a sua salvaguarda.
“É uma comunidade de artesãos relativamente restrita e concentrada na cidade de Estremoz e, embora não esteja em risco, precisa de salvaguarda e de apoio, portanto, também para proteção desta prática cultural e patrimonial é muito relevante esta inscrição”, sublinhou.
A diretora regional de Cultura do Alentejo elogiou ainda o “caráter exemplar” da candidatura apresentada pela Câmara de Estremoz, que desenvolveu todo o processo com uma equipa do próprio município, e cumprindo “escrupulosamente” tudo o que é exigido pela lei portuguesa e pelas regras da UNESCO.
“Foi feita com a ‘prata da casa’, com uma equipa interna ligada ao Museu Municipal, e não representou custos para o município, no sentido em que não foi adjudicada a entidades externas a elaboração da candidatura. Foi feita com conhecimento endógeno do município, com muita investigação e sempre com o apoio da Direção Regional de Cultura”, assinalou.
Ministério dos Negócios Estrangeiros saúda reconhecimento
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, saudou hoje o reconhecimento pela UNESCO dos "Bonecos de Estremoz" como Patrimiónio Imaterial da Humanidade, sublinhando que é uma afirmação do valor da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas.
Augusto Santos Siva saudou tanto a Câmara Municipal de Estremoz, que "participou ativamente na apresentação da candidatura", como os artesão que preservam esta arte tradicional em Estremoz e chamou a atenção para o "duplo significado" deste reconhecimento.
"Por um lado, é a afirmação do valor e da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas e, em segundo lugar, é também uma consciência do muito que temos que fazer para cultivar essas artes e preservar essas tradições", considerou o ministro.
Augusto Santos Silva chamou ainda a atenção para o facto de este ser o sétimo bem português classificado como Património Imaterial da Humanidade, depois da dieta mediterrânica, da arte da falcoaria, do fado e do cante alentejano, assim como o fabrico de chocalhos e a olaria de barro de Bisalhães.
Principais datas das classificações nacionais como Património Mundial
1983 - 05-09 dezembro:
A UNESCO decidiu, em Florença, a classificação simultânea dos primeiros quatro locais portugueses como Património Mundial: centro histórico de Angra do Heroísmo(Açores), Mosteiro da Batalha, Mosteiro dos Jerónimos/Torre de Belém (Lisboa) e Convento de Cristo (Tomar).
As justificações apresentadas no relatório do comité foram diversificadas, indo do critério de um “excelente exemplo de um tipo de construção”, para o caso de Angra do Heroísmo, à peça “representativa de uma obra prima do génio criativo da humanidade”, quanto à Batalha.
1986 - 24-28 novembro
O quinto espaço português a ser classificado como Património Mundial pela UNESCO foi o centro histórico de Évora, sendo, de acordo com os critérios da organização, “testemunho de uma troca considerável de influências durante um dado período ou numa determinada área cultural” e, tal como Angra do Heroísmo, um “excelente exemplo de um tipo de construção ou um conjunto arquitetónico ou tecnológico ou paisagístico ilustrando um ou mais períodos significativos da história da humanidade”.
1989 - 11-15 dezembro
O Mosteiro de Alcobaça foi introduzido na lista de locais classificados como Património Mundial, por constituir “uma das mais importantes abadias cistercienses europeias, atendendo ao seu estado de conservação e à sua arquitetura, símbolo de Cister”, de acordo com um documento da Comissão Nacional da UNESCO sobre os locais portugueses.
1995 - 04-09 dezembro
A UNESCO incluiu a paisagem cultural de Sintra na lista, devido ao seu “valor universal extraordinário, representando uma abordagem pioneira ao paisagismo Romântico que teve uma destacada influência nos desenvolvimentos de outras partes da Europa”.
1996 - 02-07 dezembro
O centro histórico do Porto foi inscrito como Património Mundial pelo “distinguido testemunho que muitos dos seus edifícios históricos e o seu tecido urbano” detêm da evolução da cidade ao longo dos últimos mil anos, explicou, na altura, o relatório da UNESCO.
1998 - 30 novembro – 05 dezembro
A 22.ª sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO assistiu à classificação dos Sítios Pré-históricos de Arte Rupestre do Vale do Rio Côa e de Siega Verde (Espanha), tendo na altura os delegados da Austrália e de Marrocos expressado a sua satisfação pelo “contributo dado para a diversidade e credibilidade” da lista de Património Mundial.
1999 - 29 novembro – 04 dezembro
O Comité do Património Mundial da UNESCO aceitou a entrada da Floresta Laurissilva da Madeira na lista, o maior espaço sobrevivente de um tipo de floresta em tempos propagada pela Europa.
2001 - 11-16 dezembro
A preservação “excecional” do centro histórico de Guimarães foi um dos vários motivos que garantiram a entrada para a lista de Património Mundial, para a qual também contou a ligação da cidade ao “estabelecimento da identidade e da língua portuguesa”.
Na mesma sessão, o Comité do Património Mundial da UNESCO inscreveu o Alto Douro Vinhateiro na lista, devido à história, cultura e paisagem daquela região.
2004 - 28 junho – 07 julho
A Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, nos Açores, considerada Património Mundial a partir deste ano, “reflete uma resposta única à vinicultura numa pequena ilha vulcânica que tem vindo a evoluir desde a chegada dos primeiros colonizadores no século XV”, segundo a UNESCO.
2011 - 27 novembro
O fado foi considerado Património Imaterial da Humanidade, segundo uma decisão tomada durante o VI Comité Intergovernamental da Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura, ficando reconhecida a importância deste género musical como parte da identidade cultural de Portugal.
2012 - 30 junho
A maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, foi classificada como Património Mundial, num edificado que remonta ao reinado de D. Sancho II (1243-1248), possuindo um perímetro de oito a dez quilómetros e uma área de 300 hectares.
2013 - 22 junho
A Universidade de Coimbra foi considerada Património Mundial da UNESCO. Durante séculos, foi a única universidade portuguesa e afirmou, na cidade do rio Mondego, uma identidade cultural.
2013 - 04 dezembro
A dieta mediterrânica foi classificada como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
2014 - 27 novembro
Classificação do cante alentejano, canto coletivo, sem recurso a instrumentos e que incorpora música e poesia, como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
2015 - 01 dezembro
Classificação pela UNESCO do fabrico de chocalhos em Portugal, ofício e manifestação cultural que tem no Alentejo a sua maior expressão a nível nacional, como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.
2016 - 29 novembro
O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO.
2016 - 30 de novembro
A falcoaria portuguesa foi classificada pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, depois de uma candidatura apresentada pelo município de Salvaterra de Magos (distrito de Santarém).
2017 - 07 de dezembro
A produção dos "Bonecos de Estremoz", em barro, uma arte popular com mais de três séculos, foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz (distrito de Évora).
9 de novembro de 2017
Portugal eleito para o Conselho Executivo da UNESCO
Portugal foi esta quarta-feira eleito para o Conselho Executivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, mandato que irá prolongar-se até 2021.
Numa nota enviada às redações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros congratulou-se com a eleição, formalizada em Paris durante uma votação secreta na 39.ª Conferência Geral da UNESCO, recordando que é a quarta vez que Portugal é eleito para este órgão da UNESCO.
Portugal esteve pela última vez no Conselho Executivo da UNESCO entre 2005 e 2009.
"Trata-se do culminar de uma intensa e bem-sucedida campanha da candidatura portuguesa para este lugar que envolveu ativamente toda a rede diplomática portuguesa, com destaque para a Missão Permanente de Portugal junto da UNESCO, liderada pelo Embaixador José Filipe Moraes Cabral", referiu o comunicado da diplomacia portuguesa.
"A eleição de Portugal para o Conselho Executivo da UNESCO, prioritária para o governo, reflete o reconhecimento internacional da importância que o nosso país atribui ao multilateralismo, conforme ficou bem patente no trabalho aberto, transparente e inclusivo que Portugal desenvolveu durante o mandato que exerceu no Comité do Património Mundial da UNESCO", prosseguiu o ministério tutelado por Augusto Santos Silva.
Presença de Portugal no Conselho Executivo da UNESCO constitui uma mais-valia para a projeção da imagem do país
Sobre o novo mandato, segundo frisou a mesma nota, Portugal "promoverá o diálogo e os princípios de respeito mútuo e de solidariedade entre as nações, o combate à desigualdade e à pobreza, procurando fortalecer a educação, o conhecimento científico e a diversidade cultural, instrumentos essenciais para o desenvolvimento sustentável".
"É entendimento do governo que a presença de Portugal no Conselho Executivo da UNESCO constitui uma mais-valia para a projeção da imagem do nosso país a nível internacional e permite uma capacidade de intervenção acrescida na comunidade internacional", concluiu a diplomacia portuguesa.
Portugal aderiu à UNESCO em 1965, retirou-se da organização internacional em 1972 e reingressou em 11 de setembro de 1974.
Com 195 estados-membros e oito membros-associados, esta agência da ONU tem um objetivo ambicioso: "Construir a paz no espírito dos homens através da educação, ciência, cultura e comunicação".
A UNESCO, conhecida como uma das guardiãs do património cultural mundial, é sobretudo reconhecida pelos seus programas educativos e pela elaboração da lista de património mundial cultural e natural.
Lusa, 8/11/2017
Ver mais em JN
8 de novembro de 2017
Coleções de museus e monumentos nacionais vão ficar 'online' através do Google
As coleções dos museus, palácios e monumentos nacionais tutelados pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) vão integrar uma plataforma 'online', no âmbito de um acordo que será assinado na quinta-feira com o Google Cultural Institute.
Um comunicado do gabinete do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, indica que o acordo com a Google será assinado às 17:30, no pátio do Palácio Nacional da Ajuda.
No âmbito deste acordo para a entrada das coleções nacionais na plataforma 'online', que inclui "prestigiadas organizações culturais de todo o mundo", a parceria vai abranger, numa primeira fase, os acervos de sete museus nacionais: Arqueologia, Arte Antiga, Arte Contemporânea/ Chiado, Traje, Teatro e Dança, Azulejo e Coches.
Até ao final de 2018 alargar-se-á ao conjunto dos museus, monumentos e palácios sob alçada da DGPC, adianta a tutela.
De acordo com o comunicado, serão conteúdos em alta resolução que passarão a estar permanentemente acessíveis online e beneficiarão ainda da inclusão em exposições virtuais temáticas, possibilitando o enquadramento das coleções nacionais em contextos internacionais.
O Google Cultural Institute irá assegurar o uso da tecnologia para digitalização de conteúdos em ultra resolução, a visualização virtual de interiores e a captura de imagens panorâmicas.
"Estes recursos, que corporizam novas formas de fruição artística e de acesso ao conhecimento, posicionam Portugal na vanguarda da conquista de audiências globais em ambiente digital", sublinha o gabinete do ministro da Cultura.
O acordo insere-se no âmbito dos objetivos da Ação Cultural Externa, designadamente a projeção da cultura portuguesa no exterior, "permitindo uma divulgação universal das obras de arte de excelência dos museus nacionais", acrescenta.
Já em junho deste ano, o projeto We wear culture, do Google Cultural Institute, foi disponibilizado na Internet com testemunhos de 3.000 anos de moda mundial, reunindo instituições como os museus portugueses do Traje e do Teatro e da Dança.
Neste projeto, os dois museus portugueses estavam entre mais de 180 instituições mundiais envolvidas no projeto We wear culture- As histórias por trás do que vestimos".
O protocolo vai ser assinado numa cerimónia presidida pelo ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, e contará com a presença do presidente da Google EMEA (Europa, Médio Oriente e África), Matt Brittin, e da diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva.
Lusa
Ler mais em DN de 08/11/2017
Um comunicado do gabinete do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, indica que o acordo com a Google será assinado às 17:30, no pátio do Palácio Nacional da Ajuda.
No âmbito deste acordo para a entrada das coleções nacionais na plataforma 'online', que inclui "prestigiadas organizações culturais de todo o mundo", a parceria vai abranger, numa primeira fase, os acervos de sete museus nacionais: Arqueologia, Arte Antiga, Arte Contemporânea/ Chiado, Traje, Teatro e Dança, Azulejo e Coches.
Até ao final de 2018 alargar-se-á ao conjunto dos museus, monumentos e palácios sob alçada da DGPC, adianta a tutela.
Retrato de D. Sebastião
De acordo com o comunicado, serão conteúdos em alta resolução que passarão a estar permanentemente acessíveis online e beneficiarão ainda da inclusão em exposições virtuais temáticas, possibilitando o enquadramento das coleções nacionais em contextos internacionais.
O Google Cultural Institute irá assegurar o uso da tecnologia para digitalização de conteúdos em ultra resolução, a visualização virtual de interiores e a captura de imagens panorâmicas.
"Estes recursos, que corporizam novas formas de fruição artística e de acesso ao conhecimento, posicionam Portugal na vanguarda da conquista de audiências globais em ambiente digital", sublinha o gabinete do ministro da Cultura.
O acordo insere-se no âmbito dos objetivos da Ação Cultural Externa, designadamente a projeção da cultura portuguesa no exterior, "permitindo uma divulgação universal das obras de arte de excelência dos museus nacionais", acrescenta.
Já em junho deste ano, o projeto We wear culture, do Google Cultural Institute, foi disponibilizado na Internet com testemunhos de 3.000 anos de moda mundial, reunindo instituições como os museus portugueses do Traje e do Teatro e da Dança.
Neste projeto, os dois museus portugueses estavam entre mais de 180 instituições mundiais envolvidas no projeto We wear culture- As histórias por trás do que vestimos".
O protocolo vai ser assinado numa cerimónia presidida pelo ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, e contará com a presença do presidente da Google EMEA (Europa, Médio Oriente e África), Matt Brittin, e da diretora-geral do Património Cultural, Paula Silva.
Lusa
Ler mais em DN de 08/11/2017
31 de outubro de 2017
Ir
Desligue a televisão e não ceda ao ódio das redes sociais. Há uma rede de solidariedade que importa mobilizar para uma ajuda sem prazo de validade. Este sim, pode ser o motor de uma consciência cívica sobre o território mais transformadora que mil decretos-lei.
Enquanto o país visto a partir de Lisboa anda entretido com a troca de afetos entre a Presidência da República e o Governo, há uma boa parte do país real que vive entre escombros, como se tivesse acontecido uma guerra. São quilómetros e quilómetros de floresta ardida, aldeias arrasadas, pessoas em choque que viram a morte à frente dos olhos.
De Lisboa transforma-se a realidade em números e o sucesso é medido em taxas de execução e dinheiro gasto. Os especialistas em tudo acotovelam-se a defender teses sobre fogos e reabilitação e a parlapatar dúvidas e suspeitas sobre as alvenarias de pedra que não conhecem, transformando-se nos maiores inimigos dos afetados e da solidariedade dos demais. Não se recupera do choque a partir do ódio, nem se ajuda o vizinho se se desconfiar.
Mas, no terreno, o sentimento geral é bem diferente. Há espanto e temor pela voracidade do fogo mas o ódio não encontrou terreno fértil. A luta contra a desgraça aproximou as pessoas e reforçou o sentido de comunidade. Da primeira fase onde se quer que tudo volte a ser como era dantes – período de choque de quem não queria que tivesse acontecido – parte-se para a ideia de projetar algo melhor – da casa à floresta, passando pela aldeia. É a reabilitação a ganhar forma em todos os sentidos.
E os que vivem fora, como podem redobrar a ajuda a curto prazo? Indo.
Lotando hotéis, restaurantes e lojas. Comprando o pão de ló e doces conventuais de Figueiró, os queijos em Oleiros, os maranhos na Sertã, o licor de medronho de Álvaro... Viajando pelas áreas ardidas e construindo o respeito pelo que se salvou. Valorizando e participando nos encontros e feiras que autarquias e entidades locais, em condições de extrema dificuldade, vão procurando manter.
Desligue a televisão e não ceda ao ódio das redes sociais. Há uma rede de solidariedade que importa mobilizar para uma ajuda sem prazo de validade. Este sim, pode ser o motor de uma consciência cívica sobre o território mais transformadora que mil decretos-lei.
Tiago Mota Saraiva
Jornal i opinião 30.10.2017
6 de julho de 2017
Caloiro aos 77, doutor aos 85. Brasilino é "um caso de estudo"
Defendida a tese de doutoramento sobre Antero de Quental, Brasilino Godinho apresentou uma proposta para que a Universidade dos Açores passe a ter o nome do escritor
De traje académico vestido, Brasilino Godinho chegou à Sala de Atos Académicos da Universidade de Aveiro cerca de uma hora antes de começarem as provas de doutoramento. Testou o equipamento informático e os auscultadores - para que nenhuma palavra escapasse - e, com toda a calma, cumprimentou grande parte da plateia: professores, colegas, familiares e amigos. Todos quiseram assistir ao realizar de mais um sonho do homem, de 85 anos, que ontem se tornou, muito provavelmente, numa das pessoas com mais idade a concluir um doutoramento. Um exemplo de "coragem e empenho", como destacou o júri, "um caso de estudo" para as colegas do programa doutoral em Estudos Culturais.
Ontem foi um dia histórico. Só isso é que faria Cláudia Silva, de 39 anos, sair de casa e ficar longe do filho, recém-nascido. "É um momento imperdível. É uma inspiração. Dá-nos motivação para não deixarmos de acreditar nos nossos sonhos. Aqui está a prova que há sempre algo para construir", disse ao DN a colega de licenciatura de Brasilino.
Na plateia, Geanine Escobar, de 27 anos, e Aline Marçon, de 39, ambas do mesmo programa doutoral, não poupavam elogios ao agora doutor, que tinha o hábito de distribuir poesia - e simpatia - pelos colegas. "É a primeira vez que vejo uma pessoa tão lúcida e ativa na academia com esta idade. No Brasil há estudantes idosos, mas isto é uma novidade", sublinha Geanine. Destacando que o doutoramento trata questões como o envelhecimento ativo e o ócio, Aline considera que Brasilino é "como se fosse um caso de estudo".
Foi aos 77 anos que o reformado, que tinha acabado de perder a mulher, se dirigiu à Universidade de Aveiro e, através do concurso para Maiores de 23 anos, ingressou na licenciatura de Línguas, Literaturas e Culturas. Terminou o curso em 2012 com média de 15 e quis prosseguir diretamente para o doutoramento, sem passar pelo mestrado. "Disse-me: Professora, não vai dar tempo. Ou vou já para o doutoramento, ou nunca o farei", recordou ontem a orientadora da tese, Maria Manuel Baptista. Num longo texto, Brasilino solicitou ao reitor que o deixasse seguir para o programa doutoral, lembrando-o que foi ele que desenhou o sistema de escoamento de águas da Universidade de Aveiro. Mas foi o mérito, e não esse pormenor, que permitiu que se inscrevesse no doutoramento desenvolvido em parceria pelas Universidades de Aveiro e do Minho.
Ontem, Brasilino defendeu a tese "Antero de Quental: um Patriotismo Prospectivo no Porvir de Portugal" - aprovada por unanimidade pelo júri - e, no final, surpreendeu a plateia. Realçando que a memória de Antero de Quental merece ser "condignamente preservada e mui prestigiada", leu uma proposta na qual sugere que a Universidade dos Açores, de onde o poeta era natural, passe a chamar-se Universidade Antero de Quental.
Exemplo de trabalho
Para Nuno Rosmaninho, co-orientador da tese, Brasilino é um exemplo de "grande trabalho e dedicação". Ao longo das provas, os membros do júri felicitaram a sua "coragem e empenho", assumindo que se tratava de "um momento histórico". Quanto à tese, "uma escrita impecável", "pensamento claro". Quase "um manifesto".
Brasilino Godinho reconheceu que é "um exemplo que deve ser aproveitado pela sociedade". Agora que é doutor, recusa-se a baixar os braços. Uma das hipóteses é tirar um pós-doutoramento, outra é dar aulas. "É um acontecimento muito marcante na minha vida e que me deixa muito satisfeito", disse à saída, evocando as recordações de infância a ler o DN. "Fiz a aprendizagem da leitura não só pelo que lia nas aulas, mas também pelo que lia no vosso jornal".
Aos 15 anos, Brasilino já tinha lido autores como Platão, Aristóteles ou Kant. Com 16 quis ir para a universidade, mas o avô recusou suportar as despesas, o que o levou a adiar o sonho. "Ainda bem", diz, porque nessa altura teria seguido engenharia. Entrou no mercado de trabalho como desenhador de construção civil e acabou por dedicar parte da vida à profissão de topógrafo e a projetar na área de engenharia. Mas as letras sempre o acompanharam. Escreve crónicas e já tem livros publicados.
Joana Capucho
Ler mais em: DN 06.07.2011
30 de junho de 2017
A cultura da moleza e do achismo
1. Só alguns exemplos, aparentemente banais. Onde eu vivo, há uma rua com uma placa bem visível a ordenar que é proibido estacionar. Pois não, senhor, essa rua está, noite e dia, com carros estacionados em fila. Acontece-me frequentemente ver por ali agentes da polícia e dá-me vontade de parar para lhes dizer que, uma vez que não fazem nada, era preferível mandar retirar a proibição, pois, na situação com a qual pactuam, dá para pensar: se aqui, na presença da polícia, se pode transgredir, porque é que não se pode transgredir sempre?
Vivo perto de um excelente passadiço junto ao mar. Que delícia andar por ali e à noite contemplar o céu estrelado ("Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre novas e crescentes, quanto mais frequentemente e com maior persistência delas se ocupa a reflexão: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim", texto do filósofo Immanuel Kant, na sua pedra tumular, em Königsberg). Nesse passadiço, há placas, bem visíveis e espalhadas por muitos sítios, a dizer que são proibidas as bicicletas e a presença de animais. Pois não, senhor, lá andam as bicicletas e cães com fartura (estes estão sujeitos às necessidades das leis da natureza e fazem, com alegria dos donos, abundante cocó; julgam que alguém limpa?; puro engano!). E já ninguém se atreve a chamar a atenção ou a avisar, porque considera inútil e também para não correr o risco de vitupérios, que poderão ir além dos meramente verbais.
É assim. Os portugueses, mal pressentem que o perigo do castigo abranda, entram no laxismo e põem-se a transgredir. É a cultura da moleza. Este tipo de cultura anda ligado à irresponsabilidade. E é assim que acontecem tragédias como esta, indizível, porque não há palavras, que nos aconteceu em Pedrógão Grande e não só. Há alguém que assuma alguma responsabilidade? Está no Evangelho uma palavra que bem se aplica a toda esta nossa situação: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito." Aí está a razão por que o Papa Francisco acaba de denunciar esta "sociedade líquida e volátil", pedindo que os filhos sejam educados "na austeridade". E o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fez bem ao exigir, face à tragédia, que "é tempo de apurar tudo sem limites nem medos". Porque isto não vai lá só com afectos, pois somos seres rácio-emocionais, de afectos e razões. E que se tire todas as consequências. Mas alguém acredita, lá bem no fundo, que isso vai mesmo acontecer, com todas as consequências?
2. A questão é que a cultura da moleza anda em conexão com a cultura do achismo. Houve um tempo em que as pessoas eram recatadas nos seus juízos e receosas quanto ao valor das suas opiniões. Por isso, com facilidade reconheciam não terem capacidade para se pronunciar sobre temas que não dominavam. Esse tempo passou. Agora, do alto do atrevimento da sua ignorância, praticamente toda a gente acha que... tem direito a opinar sobre tudo, sem fundamentos nem razões. "Eu acho que...", e praticamente toda a gente, sobre qualquer assunto, acha que... É o achismo. Naqueles fóruns da rádio, seja qual for o tema, há sempre alguém que acha que... Ponham inclusivamente como tema, por exemplo, a questão da mecânica quântica. Julgam que haverá falta de achistas, ficando o programa no silêncio? A situação agravou-se com as novas tecnologias, nomeadamente, com a internet, pois qualquer um poderá fazer o seu comentário, publicitando a sua ignorância supina, para não falar na estupidez e má-criação. Mas, nisto, confesso o meu desconhecimento, não frequento esses territórios, dado que, felizmente, não sou dado à coprofilia.
Os perigos do achismo são terríveis. Porquê? Já não se procura a verdade e o ambiente criado é de confusão, de lamaçal. Tudo se equivale. Tudo vale. Ora, quando vale tudo, nada vale, e o perigo é o abismo. Já Hegel se queixava dizendo que de noite todas as vacas são pardas. No primeiro livro da Bíblia, o Génesis, está escrito que no princípio, quando Deus criou, separou a luz das trevas, fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por cima do firmamento, chamou terra à parte sólida e mar ao conjunto das águas, etc., e viu que era bom. A unidade no diferente. Para lá da indistinção e da confusão. No meio da indistinção e da confusão, é a noite e a desorientação, sem horizonte de transcendência. Porque não se pensa.
3. Estava eu neste meu pessimismo triste quando apareceu o bálsamo de uma entrevista iluminante do querido amigo Eduardo Lourenço, no Expresso. "Não sei fazer outra coisa a não ser pensar." É um homem crente? "Esta é uma questão que, uma vez posta, não pode ter uma resposta. Porque é "a" questão. Não concebo uma explicação do mundo que dispense a referência a uma acção transcendente. Nós figuramos como sendo de um ente que criou o mundo, e isso pode ser uma coisa infantilizante. Mas faz parte das nossas referências na tradição ocidental." Concebe então um mundo criado? "Só mesmo um Deus poderia explicar o que aconteceu. Que palavra foi pronunciada. Essa é a questão para a qual não tenho resposta e em que a educação que tive mais pesa. Porém, sei muito menos hoje do que quando esse ensino era para mim claro como a verdade e absolutamente essencial como referência. Não há questão mais importante do que esta: ter uma resposta para o enigma do que existe e que essa resposta contenha ou não todo o sentido que podemos dar à vida e a nós mesmos. (...) Porque a única coisa que nos distingue é sermos conscientes. Não só morremos como temos consciência disso." Gostava de pensar em si como alguém que faz pensar? "Gostava de fazer pensar era a mim mesmo. Bem preciso, nesta fase da vida em que estou. Não sei fazer outra coisa a não ser pensar."
Vivo perto de um excelente passadiço junto ao mar. Que delícia andar por ali e à noite contemplar o céu estrelado ("Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre novas e crescentes, quanto mais frequentemente e com maior persistência delas se ocupa a reflexão: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim", texto do filósofo Immanuel Kant, na sua pedra tumular, em Königsberg). Nesse passadiço, há placas, bem visíveis e espalhadas por muitos sítios, a dizer que são proibidas as bicicletas e a presença de animais. Pois não, senhor, lá andam as bicicletas e cães com fartura (estes estão sujeitos às necessidades das leis da natureza e fazem, com alegria dos donos, abundante cocó; julgam que alguém limpa?; puro engano!). E já ninguém se atreve a chamar a atenção ou a avisar, porque considera inútil e também para não correr o risco de vitupérios, que poderão ir além dos meramente verbais.
É assim. Os portugueses, mal pressentem que o perigo do castigo abranda, entram no laxismo e põem-se a transgredir. É a cultura da moleza. Este tipo de cultura anda ligado à irresponsabilidade. E é assim que acontecem tragédias como esta, indizível, porque não há palavras, que nos aconteceu em Pedrógão Grande e não só. Há alguém que assuma alguma responsabilidade? Está no Evangelho uma palavra que bem se aplica a toda esta nossa situação: "Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco também é infiel no muito." Aí está a razão por que o Papa Francisco acaba de denunciar esta "sociedade líquida e volátil", pedindo que os filhos sejam educados "na austeridade". E o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, fez bem ao exigir, face à tragédia, que "é tempo de apurar tudo sem limites nem medos". Porque isto não vai lá só com afectos, pois somos seres rácio-emocionais, de afectos e razões. E que se tire todas as consequências. Mas alguém acredita, lá bem no fundo, que isso vai mesmo acontecer, com todas as consequências?
2. A questão é que a cultura da moleza anda em conexão com a cultura do achismo. Houve um tempo em que as pessoas eram recatadas nos seus juízos e receosas quanto ao valor das suas opiniões. Por isso, com facilidade reconheciam não terem capacidade para se pronunciar sobre temas que não dominavam. Esse tempo passou. Agora, do alto do atrevimento da sua ignorância, praticamente toda a gente acha que... tem direito a opinar sobre tudo, sem fundamentos nem razões. "Eu acho que...", e praticamente toda a gente, sobre qualquer assunto, acha que... É o achismo. Naqueles fóruns da rádio, seja qual for o tema, há sempre alguém que acha que... Ponham inclusivamente como tema, por exemplo, a questão da mecânica quântica. Julgam que haverá falta de achistas, ficando o programa no silêncio? A situação agravou-se com as novas tecnologias, nomeadamente, com a internet, pois qualquer um poderá fazer o seu comentário, publicitando a sua ignorância supina, para não falar na estupidez e má-criação. Mas, nisto, confesso o meu desconhecimento, não frequento esses territórios, dado que, felizmente, não sou dado à coprofilia.
Os perigos do achismo são terríveis. Porquê? Já não se procura a verdade e o ambiente criado é de confusão, de lamaçal. Tudo se equivale. Tudo vale. Ora, quando vale tudo, nada vale, e o perigo é o abismo. Já Hegel se queixava dizendo que de noite todas as vacas são pardas. No primeiro livro da Bíblia, o Génesis, está escrito que no princípio, quando Deus criou, separou a luz das trevas, fez o firmamento e separou as águas que estavam sob o firmamento das que estavam por cima do firmamento, chamou terra à parte sólida e mar ao conjunto das águas, etc., e viu que era bom. A unidade no diferente. Para lá da indistinção e da confusão. No meio da indistinção e da confusão, é a noite e a desorientação, sem horizonte de transcendência. Porque não se pensa.
3. Estava eu neste meu pessimismo triste quando apareceu o bálsamo de uma entrevista iluminante do querido amigo Eduardo Lourenço, no Expresso. "Não sei fazer outra coisa a não ser pensar." É um homem crente? "Esta é uma questão que, uma vez posta, não pode ter uma resposta. Porque é "a" questão. Não concebo uma explicação do mundo que dispense a referência a uma acção transcendente. Nós figuramos como sendo de um ente que criou o mundo, e isso pode ser uma coisa infantilizante. Mas faz parte das nossas referências na tradição ocidental." Concebe então um mundo criado? "Só mesmo um Deus poderia explicar o que aconteceu. Que palavra foi pronunciada. Essa é a questão para a qual não tenho resposta e em que a educação que tive mais pesa. Porém, sei muito menos hoje do que quando esse ensino era para mim claro como a verdade e absolutamente essencial como referência. Não há questão mais importante do que esta: ter uma resposta para o enigma do que existe e que essa resposta contenha ou não todo o sentido que podemos dar à vida e a nós mesmos. (...) Porque a única coisa que nos distingue é sermos conscientes. Não só morremos como temos consciência disso." Gostava de pensar em si como alguém que faz pensar? "Gostava de fazer pensar era a mim mesmo. Bem preciso, nesta fase da vida em que estou. Não sei fazer outra coisa a não ser pensar."
Anselmo Borges
Ler mais em : DN Opinião 30.06.2017
27 de junho de 2017
As histórias de Pedrógão são do arco-da-velha
Quando me ligam a dizer que tenho de ir para Pedrógão, na mochila há espaço para água, muita água, um lenço para tapar o nariz do fumo, telemóvel para gravar conversas e imagens, um bloco e uma caneta. Vou à caixa onde guardo os cadernos e pego no primeiro que me chega às mãos. Reparo que a capa diz “As minhas histórias do arco da velha”. Rio-me com a ironia ao antever que, no regresso, estas páginas – que, aliás, não chegaram – vinham cheias delas.
Foi estúpido pensar que as histórias do arco-da-velha destes dias iam caber neste caderno minúsculo. Quase tão estúpido como reduzir Pedrógão a canadairs que afinal não caíram, à descoordenação no combate ao fogo ou ao ódio desmedido ao trabalho dos jornalistas.
Pedrógão não é isso. Pedrógão é a Dona Cristina do café, que oferece o chão de sua casa para os vizinhos lá dormirem. Pedrógão é a Marta da Conceição, que me mostra as nódoas negras por, aos 84 anos, ter sido levada em braços para dentro de um tanque, onde passou horas a ver tudo à volta desaparecer. Pedrógão é a Isabel, que mesmo dois dias depois de o filho Diogo ter saído de casa sem voltar, ainda acredita que ele pode estar num hospital. “É por isso que ele não atende, não é?”.
Pedrógão é ver um comandante dos fuzileiros que, mesmo depois de décadas de missões em Timor e no Afeganistão, me diz a chorar que ninguém merece ver aquilo que ele encontrou na nacional 236. Pedrógão é ver a Diana a beber RedBull atrás de RedBull para se aguentar com três horas de sono em quatro dias, a organizar refeições para todos os bombeiros que chegavam ao quartel. Pedrógão é ver os ingleses Julie, Cris e Liz a agradecer aos portugueses, “os melhores vizinhos do mundo”.
Pedrógão é vir com a roupa do corpo e ter de comprar todos os dias uma t-shirt numa loja dos chineses. Pedrógão é tomar banho e, mesmo assim, ver a toalha preta de sujidade. Pedrógão é largar o gravador para abraçar os poucos que sobraram de Nodeirinho ou pousar o bloco e a caneta para entregar água aos bombeiros.
Pedrógão é receber dezenas de mensagens quando a “última hora” das televisões diz “jornalistas cercados pelo fogo”. Pedrógão é passar três dias a comer fruta roubada no pequeno-almoço de um hotel que serve apenas para descansar o corpo. A cabeça, essa, não se desliga destas histórias do arco-da-velha.
Marta Cerqueira
Foi estúpido pensar que as histórias do arco-da-velha destes dias iam caber neste caderno minúsculo. Quase tão estúpido como reduzir Pedrógão a canadairs que afinal não caíram, à descoordenação no combate ao fogo ou ao ódio desmedido ao trabalho dos jornalistas.
Pedrógão não é isso. Pedrógão é a Dona Cristina do café, que oferece o chão de sua casa para os vizinhos lá dormirem. Pedrógão é a Marta da Conceição, que me mostra as nódoas negras por, aos 84 anos, ter sido levada em braços para dentro de um tanque, onde passou horas a ver tudo à volta desaparecer. Pedrógão é a Isabel, que mesmo dois dias depois de o filho Diogo ter saído de casa sem voltar, ainda acredita que ele pode estar num hospital. “É por isso que ele não atende, não é?”.
Pedrógão é ver um comandante dos fuzileiros que, mesmo depois de décadas de missões em Timor e no Afeganistão, me diz a chorar que ninguém merece ver aquilo que ele encontrou na nacional 236. Pedrógão é ver a Diana a beber RedBull atrás de RedBull para se aguentar com três horas de sono em quatro dias, a organizar refeições para todos os bombeiros que chegavam ao quartel. Pedrógão é ver os ingleses Julie, Cris e Liz a agradecer aos portugueses, “os melhores vizinhos do mundo”.
Pedrógão é vir com a roupa do corpo e ter de comprar todos os dias uma t-shirt numa loja dos chineses. Pedrógão é tomar banho e, mesmo assim, ver a toalha preta de sujidade. Pedrógão é largar o gravador para abraçar os poucos que sobraram de Nodeirinho ou pousar o bloco e a caneta para entregar água aos bombeiros.
Pedrógão é receber dezenas de mensagens quando a “última hora” das televisões diz “jornalistas cercados pelo fogo”. Pedrógão é passar três dias a comer fruta roubada no pequeno-almoço de um hotel que serve apenas para descansar o corpo. A cabeça, essa, não se desliga destas histórias do arco-da-velha.
Marta Cerqueira
Ler mais em: Jornal i Opinião
20 de junho de 2017
A devastação de um país
Todos os anos temos visto as chamas, na época ou no defeso, a consumir hectares e hectares de floresta. Nuns anos mais, em outros menos. Sempre demasiado. E muitos de nós observam essa tragédia quase como uma fatalidade. E não pode ser. Independentemente de quem esteja no poder, promete mudar, promete pôr um ponto final nas imagens de devastação. Nada muda. E a catástrofe, enfim, irrompe com muitos mortos, de aldeias perdidas, deste Portugal desordenado.
Talvez, solenemente, venham anunciar um novo plano de combate à desertificação do interior do país. Talvez esbocem mais uma reforma para transformar a gestão da floresta nacional. Ninguém, por certo, dará mais ouvidos a palavras vãs. O que se espera dos responsáveis, perante tamanho drama, é a apresentação de medidas credíveis, exequíveis, capazes de inverter os constantes reacendimentos da fatalidade. E, até agora, fica-se com a sensação de quem está a presenciar uma interminável peça de teatro de cordel. Até ao momento, nada ou quase nada do que é apresentado tem qualquer ligação à realidade, como se tudo acabasse quando as cortinas são fechadas. No mundo real, a vida continua envolta numa terrível normalidade. As 64 vítimas mortais de Pedrógão Grande, os relatos de horror de quem viveu o inferno, terão de inverter a narrativa de quem tem poder, conferido pelo povo, para mudar as coisas.
Custa aceitar, sem incómodo, as palavras, naturalmente bem-intencionadas, do presidente da República. "Não há nem falta de competência, nem falta de capacidade, nem falta de imediata resposta". Afinal, "o que se fez foi o máximo que se podia fazer". Marcelo Rebelo de Sousa é incansável a dar ânimo aos portugueses, mas é difícil acreditar que nada pudesse ter sido feito. Como foi possível a morte de 47 cidadãos numa estrada aparentemente esquecida no furacão do fogo, e centenas de pessoas sós a combater as chamas e o medo de ser engolidas por elas?
Pelos que morreram, nada se poderá fazer. Pela frente há a obrigação moral de impedir a "fatalidade". Temos de exigir um Portugal olhado como um todo; que a formação dos bombeiros, de uma vez por todas, seja assumida como questão fundamental, e que a floresta tenha, por exemplo, a mesma importância do turismo ou da indústria. É tempo de as universidades lançarem o seu saber no terreno, e não apenas ser chamadas em situação de tragédia ou quando é decidido elaborar mais um plano estratégico. Florestas desordenadas, aldeias sem gente continuarão a arder. Em memória das vítimas, temos de impedir a devastação de um país.
Paula Ferreira
Ler mais: Opinião JN 20.06.2017
19 de maio de 2017
Almaraz em causa
Não é preciso ser um ambientalista para ficar alarmado com a central nuclear de Almaraz.
A Renascença revelou ontem que o Exército português fez, em 2010, uma simulação sobre a central nuclear espanhola de Almaraz. Supondo que teria havido uma grave acidente na central, 800 mil pessoas em Portugal poderiam ser afectadas pela nuvem radioactiva.
No entanto, segundo a oficial major Ana Silva, “o problema não é tanto o que resulta da exposição imediata à radiação, mas, sim, os efeitos que se podem manifestar caso a exposição seja prolongada”.
É certo que a simulação foi realizada a partir do cenário mais perigoso, com uma probabilidade de ocorrência muito baixa. Mas suscita preocupação, dado que Almaraz fica junto ao rio Tejo e perto da fronteira portuguesa.
Suscita também perplexidade. A Autoridade Nacional de Protecção Civil não conhece esta simulação do Exército. O estudo foi apresentado aos técnicos de Almaraz, que parecem haver concordado com ele. Mas não existe planeamento luso-espanhol e muito menos exercícios conjuntos dos dois países para enfrentar uma possível catástrofe nuclear a partir de Almaraz.
Não é preciso ser um ambientalista para ficar alarmado. Tanto mais que o Ministério português do Ambiente deu um parecer favorável a um relatório da Agência Portuguesa do Ambiente que não se opôs à construção de um armazém de resíduos nucleares em Almaraz.
E tudo indica que será prolongada da vida desta central, que já deveria ter sido encerrada há pelo menos dez anos.
Francisco Sarsfield Cabral
8 de março de 2017
Iratxe García Pérez: "As pessoas dizem-me 'Obrigado!'"
Veja o vídeo.
Iratxe García Pérez, 42 anos, falou com a SÁBADO ao telefone.
Que sanção espera ao deputado polaco?
O que gostaria é que não se voltasse a escutar no Parlamento Europeu afirmações como aquelas, mas isso não está nas minhas mãos, por isso espero que tenha a sanção máxima que está no regulamento, que penso que são três meses. Espere só um segundo… [foi consultar junto da sua assistente] bom, o regulamento estabelece como suspensão máximo 30 dias.
Acha pouco, deduzo?
Sim, sim.
Como é possível em 2017 na Europa alguém que tem um pensamento quase obscurantista ser eleito deputado?
O problema não é eleger um deputado, o problema é que quem o elegeu partilha estas ideias. Como haver no Parlamento representantes destas ideias e como podem ter apoio. É o que me custa entender na Europa moderna do século XXI.
Mas não é uma coisa nova, sempre existiu.
Sim, estes comportamentos machistas sempre existiram, mas a verdade é que nos últimos tempos estamos a assistir com preocupação como tem aumentado o apoio a forças de extrema direita com pensamentos ideológicos assim.
| Janusz Korwin-Mikke tem um longo historial de polémicas, incluindo saudações nazis e declarações xenófobas |
Sim, claro, muito mais. Mas penso que era preciso uma contestação contundente e respeitosa, o que ele não teve com todas as mulheres. Não nos respeitou. Eu queria passar a minha mensagem de forma educada, sem faltar ao respeito. Podia ter dito muito mais coisas. Que hoje na Europa o nível de qualificação académica das mulheres é maior do que o dos homens, que as mulheres passam a vida toda a trabalhar dentro e fora de casa, e é uma injustiça, em pleno século XXI, estarmos a ter salários menores do que os homens a fazer o mesmo trabalho.
Dezasseis por cento menos.
Sim. Um dos valores que sustentam a União Europeia é a igualdade entre homens e mulheres. Se conseguimos construir uma Europa que é imperfeita e tem as suas falhas mas é uma Europa avançada nesses valores da igualdade, não podemos agora ceder perante comportamentos destes.
Sentiu tristeza ou fúria?
Fúria! Bom, tristeza, sou consciente de que há pessoas que pensam assim, e isso entristece-me, mas aborrece-me que utilizem o Parlamento Europeu como altifalante dessas ideias, isso provoca-me fúria.
O Parlamento Europeu trata todos os funcionários e deputados de forma equitativa?
Sim, nas normas, sim. Mas vemos também como os cargos de mais alta responsabilidade estão ocupados maioritariamente por homens. É o que chamamos ‘tecto de cristal’, que faz com que as mulheres tenham mais dificuldade de aceder aos espaços onde se tomam as decisões.
E na Comissão Europeia?
Igualmente. Recordo que quando se iniciou esta legislatura a proposta inicial de comissários tinha três mulheres em 28, depois tiveram de aumentar para sete. Não se pode admitir que numa Comissão Europeia, que é o órgão executivo, as mulheres estejam representadas em 12 por cento. Se somos metade da população temos de estar representadas da mesma forma.
| Angela Merkel e Theresa May |
Penso que são duas referências a nível europeu, com quem não partilho muitos pensamentos ideológicos, e não acho que tragam algo de novo. Até porque Margaret Thatcher, por exemplo, que também foi Primeira-Ministra do Reino Unido há mais de duas décadas, não significou nada de novo.
E Marine Le Pen? Estando a disputar as eleições francesas é mais um avanço, um feito, das mulheres?
O avanço nos direitos das mulheres não significa que tudo o que exista ou seja feito por uma mulher seja positivo. Não significa que as feministas estão de acordo com todas as mulheres. Estamos de acordo que todas as mulheres tenham todas as oportunidades para aceder a cargos de responsabilidade.
| Iratxe García Pérez é eurodeputada pelo PSOE |
Condiciona o desenvolvimento da vida pessoal. Faço muitos esforços, como muitas mães trabalhadoras noutras profissões. Não sou nenhuma excepção.
Na sua carreira política cruzou-se com muitos homens com este comportamento machista do deputado polaco?
Que o verbalizem dessa maneira, não. Que tenham alguns comportamentos machistas, sim, porque não vivemos numa sociedade igualitária.
São comportamentos mais subtis?
Sim.
Por exemplo?
Questões de percepção. De que nas questões importantes ouve-se mais os homens do que as mulheres. Não é fácil explicar. Mas sente-se. Uma mulher sente.
Até quanto mais tempo fará sentido haver um Dia Internacional da Mulher?
Até que não haja nenhum deputado polaco como este.
Que legislação se está a preparar no Parlamento Europeu sobre a igualdade e violência de género?
Esta semana vamos ter um seminário com parlamentares de toda a União Europeia sobre o fortalecimento das mulheres, que é algo essencial, que as mulheres tenham independência económica, igualdade no mercado de trabalho, conciliação entre a vida laboral e familiar. E há uma questão importante, que é a luta contra a violência de género, exigir uma legislação europeia para lutar contra a maior flagelo social que existe neste momento. Na Europa e no mundo há mulheres que estão hoje a perder a vida só por serem mulheres, porque há homens que as consideram sua propriedade. São matérias em que temos de avançar.
O que podem fazer os estados? Legislação mais dura?
Sim, mas também vontade política para a aplicar. No caso de Espanha, temos uma boa lei mas falta dotação financeira para que seja efectiva.
O que lhe disseram as pessoas nos bastidores e na rua depois do diálogo com o deputado polaco?
"Obrigado!", "obrigado!", "eu diria o mesmo". É reconfortante pensar que há tanta gente que sente que as mulheres foram defendidas.
Marco Alves
Sábado 08.03.2017
2 de março de 2017
Manifestação contra a poluição do rio Tejo em Vila Velha de Rodão
A Direção da APRe! Associação de Aposentados Pensionistas e Reformados apoia a luta da ProTejo – Movimento pelo Tejo e de todas as populações ribeirinhas do rio Tejo e seus afluentes sustentada pelo manifesto que acompanha a 2ª manifestação contra a poluição no rio Tejo, a decorrer em Vila Velha de Rodão no dia 4 de Março, 15h.
A Direção da APRe! regozija-se, ainda, pelo envolvimento dos seus dinamizadores e associados do núcleo de Castelo Branco na defesa desta causa, e apela a que outros ainda se juntem nesta manifestação.
A Direção da APRe! regozija-se, ainda, pelo envolvimento dos seus dinamizadores e associados do núcleo de Castelo Branco na defesa desta causa, e apela a que outros ainda se juntem nesta manifestação.
7 de fevereiro de 2017
Vossa Excelência é execrável
Com Trump, a relação umbilical de mais de dois séculos de história partilhada com os europeus não conta para a nova conduta americana, agressiva e intimidatória, hostil ao livre comércio e alheia aos valores humanistas que estão na base das democracias de ambas as margens do Atlântico. Isolacionista, a nova política externa dos Estados Unidos é também contranatura. Porque a América, continente de todas as imigrações, só foi grande quando se abriu ao Mundo.
A atual tensão não tem precedentes, e a Europa encontra-se pela primeira vez na sua história com a estranha inversão da sua aliança com os Estados Unidos: o aliado que a libertou do nazismo, que a defendeu da ameaça soviética e promoveu a sua unidade e alargamento, de repente despreza-a, hostiliza-a e quer vê-la dividida.
O populismo e a pulsão ultranacionalista de Trump, que governa a golpes de impulso nas redes sociais, têm discípulos e intérpretes europeus. E, até nisso, servem o terrorismo que alegam repudiar. Porque também este se alimenta das desigualdades, do preconceito, do ódio e do fanatismo. Inimigos da liberdade, interessa-lhes que voltemos a fechar fronteiras, destruamos a livre circulação, endureçamos as políticas de imigração, e que demos rédea solta à xenofobia. O delírio totalitário de Trump parece ficção, mas tem fiéis em governos e oposições de diversos países da União Europeia. Victor Orbán, na Hungria, ou Jaroslaw Kaczynsky, na Polónia, não propugnam coisas muito distintas. Uns e outros são o partido da guerra. Não podemos ceder-lhes! A começar pelos que nos estão mais próximos. A resposta dos cidadãos europeus só pode estar na defesa de uma Europa mais unida e solidária, que regresse à trincheira dos seus valores fundacionais. Quando passam, em breve, 60 anos do Tratado de Roma, eis o que devemos exigir dos nossos líderes. É agora ou... quando?
28 de janeiro de 2017
Relógio do Juízo Final. Estamos a dois minutos e meio de uma catástrofe nuclear
A equipa da Universidade de Chicago decidiu acelerar os ponteiros em meio minuto.
O Bulletin of Atomic Scientists (BAS) acaba de anunciar: o Relógio do Juízo Final está, neste momento, a dois minutos e meio para a meia-noite, a hora em que se considera que acontecerá o fim do mundo, através de uma catástrofe global, de causas nucleares. A culpa é do clima de volatilidade nuclear que se vive atualmente, indica a equipa do BAS.
O Relógio do Juízo Final surgiu em 1947, em plena Guerra Fria, quando um grupo de cientistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, indicou que o mundo estaria a sete minutos para a meia-noite. Desde então, o relógio tem andado para a frente e para trás, conforme as políticas que os líderes mundiais vão seguindo e de acordo com a relevância de acontecimentos à escala global.
Em 2016 o relógio manteve-se inalterado, nas 23:57, depois de, em 2015, ter acelerado dois minutos, ficando a três de uma catástrofe global. O Bulletin of Atomic Scientists indicou, na altura, que o aceleramento se devia ao facto de o nível de emissões de dióxido de carbono e outros gases estar transformando o clima do planeta de forma perigosa, deixando milhões de pessoas vulneráveis ao aumento do nível do mar e a tragédias climáticas. Em comunicado, o BAS criticou os líderes globais da época, considerando que “falharam em agir na velocidade ou escala requerida para proteger os cidadãos de uma potencial catástrofe”.
Em 2016 o relógio manteve-se inalterado, nas 23:57, depois de, em 2015, ter acelerado dois minutos, ficando a três de uma catástrofe global. O Bulletin of Atomic Scientists indicou, na altura, que o aceleramento se devia ao facto de o nível de emissões de dióxido de carbono e outros gases estar transformando o clima do planeta de forma perigosa, deixando milhões de pessoas vulneráveis ao aumento do nível do mar e a tragédias climáticas. Em comunicado, o BAS criticou os líderes globais da época, considerando que “falharam em agir na velocidade ou escala requerida para proteger os cidadãos de uma potencial catástrofe”.
Desta vez a equipa de cientistas que controla o relógio, decidiu pô-lo apenas meio minuto mais perto de uma catástrofe nuclear. Na conferência de imprensa que ainda decorre, foi dado o alerta para o perigo que se vive atualmente, com as políticas seguidas por países como a Coreia do Norte, a Índia, o Paquistão, a Rússia, e os EUA, com o seu programa de modernização do armamento nuclear.
Donald Trump não foi esquecido no discurso, com os responsáveis a condenarem a forma casual como o recém-empossado presidente norte-americano tem falado sobre questões nucleares . “As palavras são importantes. As palavras contam”; reforçaram.
Desde 1947, a altura com menos potencial de perigo foi em 1991, quando o relógio esteve nas 23:43. Nesse ano deu-se também a maior desaceleração dos ponteiros, que ganharam sete minutos, devido à assinatura, entre Estados Unidos e União Soviética, do Tratado de Redução de Armamentos Estratégicos.
A altura com maior perigo foi em 1953, com o relógio nos 23:58 (muito semelhante à posição onde se encontra atualmente) por causa do teste da primeira bomba atómica russa. O maior avanço de ponteiros, de cinco minutos, registou-se em 1968, com a guerra do Vietname e os testes nucleares da França e da China, e também em 1998, quando Índia e Paquistão também começam a testar o seu armamento.
Marta Velho
dinheiro vivo 26.01.2017
Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/economia/estamos-a-xx-minutodo-mundos-do-fim/
Marta Velho
dinheiro vivo 26.01.2017
Veja mais em: https://www.dinheirovivo.pt/economia/estamos-a-xx-minutodo-mundos-do-fim/
27 de janeiro de 2017
Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
Mensagem do secretário-geral da ONU António Guterres, sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, cuja data é assinalada no dia 27 de Janeiro.
20 de janeiro de 2017
POR UM PLANO DE EMERGÊNCIA FACE A UM ACIDENTE NUCLEAR EM ALMARAZ
Esta filosofia é entretanto acautelada face à “existência de centrais nucleares no resto da Europa e em particular em Espanha, (...) a utilização de energia nuclear em engenhos espaciais (satélites) e a circulação de resíduos radioativos”. Mas a referência cautelar reduz-se à possibilidade de “reflexão e ponderação sobre a conveniência de se vir a dispor de ‘Planos de Emergência Especiais’ para enfrentar os riscos ou a ocorrência de acidentes provocados, eventualmente, por qualquer das origens referidas.”
Por aqui se fica a posição do Estado Português através da sua Autoridade Nacional de Proteção Civil. No mínimo, esperava que esta disposição à “reflexão e ponderação” tivesse tradução prática perante o fundamentado alarme produzido pelo prolongamento da vida da central de Almaraz, pelos muitos incidentes registados e pela construção do armazém para resíduos.
O nosso país não possui conhecimento técnico-científico estruturado nem capacidade operacional de emergência de proteção civil, face à eventualidade de um acidente nuclear em Almaraz. No entanto, o sistema de proteção civil possui planos de emergência nacionais e municipais para riscos de acontecimentos adversos e é óbvia a necessidade de se apetrechar com um plano de emergência especial.
Um plano que simule os vários graus de intensidade de um acidente que resulte na projeção de material radioativo para o exterior. Para cada grau de intensidade, será possível estabelecer cenários de transporte e deposição por via atmosférica do material emitido e, também, cenários de deposição e transporte na bacia hidrográfica do Tejo e dos impactos diretamente transmitidos ao rio. Um plano de emergência que defina a organização do sistema operacional, as medidas de emergência de proteção civil e as orientações para as populações.
O Tejo é a situação mais preocupante pois é um veículo "certo" de contaminação e transporte da poluição radioativa emitida em Almaraz. Por seu lado, a atmosfera é um veículo de resposta mais complexa. Depende da situação meteorológica no dia e dias seguintes à emissão radioativa. Embora com um número de dias relativamente baixo, comparativamente com a circulação atmosférica do quadrante oeste, podemos ter uma situação de vento do quadrante leste em qualquer estação do ano. Teremos de considerar também as condições de movimentos verticais na camada baixa da atmosfera. Os movimentos descendentes provocam deposição no solo e os ascendentes contribuem para o transporte em altitude dos poluentes e para a sua deposição a maior distância da fonte emissora. Também de considerar se há precipitação pois, havendo, conduzirá a uma deposição mais próxima e rápida.
As catástrofes de Fukuchima e Chernobil são orientadoras quanto aos comportamentos da atmosfera no transporte e deposição dos poluentes e quanto aos impactos nos habitats e nos ecossistemas.
Manuel Costa Alves
Meteorologista
Jornal Reconquista opinião 19.01.2017
Jornal Reconquista opinião 19.01.2017
17 de janeiro de 2017
Portugal, longe de Deus, tão perto de Almaraz
Começo por notícias confirmadas por fontes governamentais. No conflito sobre o cemitério de resíduos nucleares da central de Almaraz, Espanha quis empurrar Portugal para ser ele a fazer o estudo sobre os riscos dos dois lados da fronteira. Até agora, aqui, só jornalismo convencional, com dados confirmados. A seguir vou fazer jornalismo de pós-verdade. Mas não daquele que inventa. Vou fazê-lo daquele que se antecipa ao que vai acontecer se as relações entre os países vizinhos continuarem a ir para onde Trump anuncia. Eis, pois, palavras de Mariano Rajoy, presidente do governo de Espanha, durante uma conferência de imprensa: "Vou construir um cemitério nuclear na fronteira portuguesa. Eles ainda não sabem, mas quem vai pagar esse cemitério vão ser os portugueses. Sera hermoso! Muy hermoso! Todo aquele lixo radioativo sobre o Tejo, a desaguar em Lisboa... Eu não tenho nada contra os portugueses. A minha cozinheira até é portuguesa. Mas foram eles que escolheram fazer ali a capital, na foz do rio que passa em Almaraz. Estavam a pedi-las. Já deviam saber o que é o urânio 238, tivessem deixado a capital em Guimarães ou Coimbra e já não eram inquietados. Vieram por ali abaixo, aproveitando-se da fraqueza do Reino de Leão mas agora comigo no poder vão ter de amochar..." - palavras de Don Mariano, amanhã. Esta crónica tem este título alternativo: "Aprenda a sentir-se mexicano numa crónica curta." Talvez seja útil em breve.
Ferreira Fernandes
DN 16.01.2017
13 de dezembro de 2016
UM CASO FLAGRANTE DE IDADISMO!?
O PENSE (Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária) entrou em discussão pública em 9 do
corrente mês de Dezembro, cujo fim será já no próximo dia 8 de Janeiro, constando dele 106 medidas que visam melhorar essa segurança.
Em 10 de Dezembro, o Jornal de Notícias (do Porto) publicou duas das suas principais páginas sobre o assunto, com chamada na capa, mas destacando apenas uma dessas 106 medidas: os títulos garrafais, a toda a largura das primeira e quarta páginas, são bem elucidativos:
Eu, que fiz 67 anos há poucos dias e que tenho carta de condução há 45 anos, fiquei curioso com tal notícia mas, ao mesmo tempo, indignado pelo facto de haver (mais) uma discriminação negativa face a um grupo social, apenas em função da idade!
Li e reli o artigo completo, de ponta a ponta, e cheguei facilmente à conclusão de que os títulos em causa estão demasiado exagerados e, até, em contradição com o respetivo conteúdo! Porquê? Na verdade, se 29 % das vítimas mortais têm mais de 65 anos, como diz o JN, isto significa que mais de 70 % das vítimas da estrada têm menos de 65 anos!
Aliás, esta verdade de La Palisse é confirmada pelo próprio Presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, quando diz precisamente que os idosos, enquanto condutores, “não estão envolvidos na maior parte dos acidentes”! Este mesmo responsável da PRP acha também “estranho que se torne obrigatória a formação aos 65 anos e não vê fundamento científico para isso”, o que contrasta, mais uma vez, com os títulos garrafais já referidos!
Aqueles 29 % de idosos, apesar da “idade, das doenças e dos efeitos da medicação”, foram vítimas da sinistralidade não só em função da sua idade mas, também, em função de todas as outras causas que afetam todos os restantes condutores!
Então, o que levou a jornalista Dina Margato a destacar, com particular ênfase, apenas uma das medidas propostas, de entre as 106 constantes do referido PENSE? É mesmo caso para pensar!
Aliás, também, todo o artigo está cheio de contradições, para além das já referidas. Por exemplo, diz que “os motociclos são os mais perigosos” e que “entre 2010 e 2015 foram os que apresentaram os indicadores de risco de vítimas mortais mais gravosos”. Ora, não me parece que sejam as pessoas com mais de 65 anos que usem maioritariamente este tipo de veículo!
Pelo contrário, e no que se refere (por exemplo) ao seguro automóvel, é sabido que os reformados e pensionistas (nos quais se incluem a maioria dos idosos) são dos condutores que oferecem menos risco de acidentes, ao contrário do que se passa, por exemplo, com os adultos com menos de 25 anos de idade!
É sabido, também, que a alta velocidade é uma das causas mais conhecidas dos acidentes rodoviários. Ora, é também do senso comum saber-se que a faixa etária dos menos jovens não é a mais propensa a altas velocidades! Bem pelo contrário!
Por outro lado, se um adulto está apto para trabalhar pelo menos até aos 66 anos e três meses (idade legal da reforma, a partir de 2017), porque já não está apto para conduzir aos 65?! Não deve ser a idade a definir estas situações mas, sim, o estado de saúde de cada condutor e isso já é salvaguardado com os atestados médicos obrigatórios, pelo menos a partir dos 60 anos de idade!
A jornalista em causa não quis aprofundar a matéria (podia ter falado, por exemplo, na questão do custo das portagens que leva muitos condutores a optar por outras estradas de menor segurança) e limitou-se a dar todo o realce, despropositado, à questão dos 65 anos, isto é, a menos de 1 % de todas as principais causas dos acidentes rodoviários! Com que fins?
Aristides Silva
Em 10 de Dezembro, o Jornal de Notícias (do Porto) publicou duas das suas principais páginas sobre o assunto, com chamada na capa, mas destacando apenas uma dessas 106 medidas: os títulos garrafais, a toda a largura das primeira e quarta páginas, são bem elucidativos:
AULAS PARA RENOVAR A CARTA AOS 65 ANOS
ou
REVALIDAR CARTA AOS 65 ANOS SÓ COM FORMAÇÃO
Eu, que fiz 67 anos há poucos dias e que tenho carta de condução há 45 anos, fiquei curioso com tal notícia mas, ao mesmo tempo, indignado pelo facto de haver (mais) uma discriminação negativa face a um grupo social, apenas em função da idade!
Li e reli o artigo completo, de ponta a ponta, e cheguei facilmente à conclusão de que os títulos em causa estão demasiado exagerados e, até, em contradição com o respetivo conteúdo! Porquê? Na verdade, se 29 % das vítimas mortais têm mais de 65 anos, como diz o JN, isto significa que mais de 70 % das vítimas da estrada têm menos de 65 anos!
Aliás, esta verdade de La Palisse é confirmada pelo próprio Presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, quando diz precisamente que os idosos, enquanto condutores, “não estão envolvidos na maior parte dos acidentes”! Este mesmo responsável da PRP acha também “estranho que se torne obrigatória a formação aos 65 anos e não vê fundamento científico para isso”, o que contrasta, mais uma vez, com os títulos garrafais já referidos!
Aqueles 29 % de idosos, apesar da “idade, das doenças e dos efeitos da medicação”, foram vítimas da sinistralidade não só em função da sua idade mas, também, em função de todas as outras causas que afetam todos os restantes condutores!
Então, o que levou a jornalista Dina Margato a destacar, com particular ênfase, apenas uma das medidas propostas, de entre as 106 constantes do referido PENSE? É mesmo caso para pensar!
Aliás, também, todo o artigo está cheio de contradições, para além das já referidas. Por exemplo, diz que “os motociclos são os mais perigosos” e que “entre 2010 e 2015 foram os que apresentaram os indicadores de risco de vítimas mortais mais gravosos”. Ora, não me parece que sejam as pessoas com mais de 65 anos que usem maioritariamente este tipo de veículo!
Pelo contrário, e no que se refere (por exemplo) ao seguro automóvel, é sabido que os reformados e pensionistas (nos quais se incluem a maioria dos idosos) são dos condutores que oferecem menos risco de acidentes, ao contrário do que se passa, por exemplo, com os adultos com menos de 25 anos de idade!
É sabido, também, que a alta velocidade é uma das causas mais conhecidas dos acidentes rodoviários. Ora, é também do senso comum saber-se que a faixa etária dos menos jovens não é a mais propensa a altas velocidades! Bem pelo contrário!
Por outro lado, se um adulto está apto para trabalhar pelo menos até aos 66 anos e três meses (idade legal da reforma, a partir de 2017), porque já não está apto para conduzir aos 65?! Não deve ser a idade a definir estas situações mas, sim, o estado de saúde de cada condutor e isso já é salvaguardado com os atestados médicos obrigatórios, pelo menos a partir dos 60 anos de idade!
A jornalista em causa não quis aprofundar a matéria (podia ter falado, por exemplo, na questão do custo das portagens que leva muitos condutores a optar por outras estradas de menor segurança) e limitou-se a dar todo o realce, despropositado, à questão dos 65 anos, isto é, a menos de 1 % de todas as principais causas dos acidentes rodoviários! Com que fins?
Aristides Silva
Associado APRe! nº 260
11 de dezembro de 2016
Cavaleiro e cavalgadura
Amanhã, há um de entre nós que vai falar para o Mundo, a toda a largura dos seus dramas e dos seus sonhos. É em Nova Iorque, e o presidente Marcelo e o primeiro-ministro Costa estarão lá a representar-nos, como orgulhosas testemunhas. Eleito e aclamado secretário-geral da ONU, António Guterres jura perante representantes de 193 países que cumprirá com lealdade as obrigações da Carta das Nações Unidas que a todos compromete.
Guterres, que sucede ao sul-coreano Ban Ki-moon, será o nono secretário-geral desde a fundação da ONU, e o quarto europeu (o último foi o austríaco Kurt Waldheim, de 1971 a 1982) a desempenhar as funções de "principal funcionário" da organização criada em 1945 para "prevenir as gerações vindoiras dos flagelos da guerra" e "reafirmar a fé das nações nos direitos, na dignidade e no valor da pessoa humana, e na igualdade de direitos das mulheres e dos homens".
Guterres inicia funções em 1 de janeiro, numa conjuntura de alta tensão internacional que o obrigará a lidar com a mais grave crise de refugiados desde a II Guerra Mundial: o agudizar de conflitos como os da Síria e do Iraque, a pressão dos fluxos migratórios sobre a Europa, os estilhaços de horror gerados pelo terrorismo jiadista, e a perigosa vaga de populismo e xenofobia em várias geografias.
A empreitada é grande, mas o empreiteiro não desmerece. A esperança é que ele resgate o poder e a autoridade moral necessários a uma organização sempre tentada pelos mais nefastos demónios que guiam os negócios mundiais que, por várias vezes, têm conduzido a ONU para a negação da sua própria Carta, tornando-se parceira de guerra em vez de intermediária da paz.
O Mundo está mais incerto e perigoso que nos anos da Guerra Fria. E, num tempo em que à nossa volta se reerguem muros e se cavam desigualdades, a esperança é de que possamos dormir mais tranquilos sabendo que na sentinela estará um construtor de pontes.
A expectativa é de que António Guterres seja capaz de facilitar o diálogo e gerar os consensos necessários para que a ONU se transforme a si própria, por dentro. A começar na composição do Conselho de Segurança, onde ainda impera o voto dos cinco magníficos (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e República Popular da China) que têm poder mandatário e de veto entre os 193 países membros. O que se espera do português eleito para o mais alto lugar de serviço poderá ser quixotesco. Mas, tal como Cervantes, autor do "engenhoso fidalgo D. Quixote", também Guterres sabe que o cavaleiro não pode andar mais depressa do que a cavalgadura.
Afonso Camões
Opinião JN 11.12.2016
Leia mais: http://www.jn.pt/opiniao/afonso-camoes/interior/cavaleiro-e-cavalgadura-5545563.html#ixzz4SWGhcvjN
Guterres, que sucede ao sul-coreano Ban Ki-moon, será o nono secretário-geral desde a fundação da ONU, e o quarto europeu (o último foi o austríaco Kurt Waldheim, de 1971 a 1982) a desempenhar as funções de "principal funcionário" da organização criada em 1945 para "prevenir as gerações vindoiras dos flagelos da guerra" e "reafirmar a fé das nações nos direitos, na dignidade e no valor da pessoa humana, e na igualdade de direitos das mulheres e dos homens".
Guterres inicia funções em 1 de janeiro, numa conjuntura de alta tensão internacional que o obrigará a lidar com a mais grave crise de refugiados desde a II Guerra Mundial: o agudizar de conflitos como os da Síria e do Iraque, a pressão dos fluxos migratórios sobre a Europa, os estilhaços de horror gerados pelo terrorismo jiadista, e a perigosa vaga de populismo e xenofobia em várias geografias.
A empreitada é grande, mas o empreiteiro não desmerece. A esperança é que ele resgate o poder e a autoridade moral necessários a uma organização sempre tentada pelos mais nefastos demónios que guiam os negócios mundiais que, por várias vezes, têm conduzido a ONU para a negação da sua própria Carta, tornando-se parceira de guerra em vez de intermediária da paz.
O Mundo está mais incerto e perigoso que nos anos da Guerra Fria. E, num tempo em que à nossa volta se reerguem muros e se cavam desigualdades, a esperança é de que possamos dormir mais tranquilos sabendo que na sentinela estará um construtor de pontes.
A expectativa é de que António Guterres seja capaz de facilitar o diálogo e gerar os consensos necessários para que a ONU se transforme a si própria, por dentro. A começar na composição do Conselho de Segurança, onde ainda impera o voto dos cinco magníficos (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e República Popular da China) que têm poder mandatário e de veto entre os 193 países membros. O que se espera do português eleito para o mais alto lugar de serviço poderá ser quixotesco. Mas, tal como Cervantes, autor do "engenhoso fidalgo D. Quixote", também Guterres sabe que o cavaleiro não pode andar mais depressa do que a cavalgadura.
Afonso Camões
Opinião JN 11.12.2016
Leia mais: http://www.jn.pt/opiniao/afonso-camoes/interior/cavaleiro-e-cavalgadura-5545563.html#ixzz4SWGhcvjN
Subscrever:
Mensagens (Atom)

















