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29 de julho de 2017

KOTAS ARE COOL

Os angolanos chamam Kota (da língua Kimbundu) àqueles que merecem respeito por serem mais velhos. Cá, kota é sinónimo de velho, bota de elástico ou antiquado. Um reforço da ideia de que os velhos estão desatualizados, são um embaraço e não servem mais.


Em 2011, escrevi um artigo de reflexão acerca de uma tendência que dava os primeiros passos no mundo ocidental. Foram a campanha da Lanvin para a H&M e o projeto Sicilia Fashion Village que serviram de motor de arranque para elaborar esse artigo, mas, relendo-o agora, seis anos depois, percebo que ele está atual e até faz mais sentido neste momento. Na altura, as gerações séniores eram matéria-prima rara em conteúdos de reflexão, jornalísticos ou de blogues em Portugal. Mas hoje é diferente. Depois de ter lido uma reportagem sobre o projeto lisboeta A Avó Veio Trabalhar a propósito do recente Dia Mundial dos Avós, projeto que acompanho de perto e muito aprecio, decidi atualizar ligeiramente o meu artigo e dá-lo a conhecer de novo a uma audiência agora mais sensibilizada. O que vão ler de seguida não foge muito do original. Também partilho o vídeo Sicilia Fashion Village que publiquei na altura. Gosto particularmente dele por ser divertido e ter participantes masculinos na sua maioria, sicilianos old school vestidos à maneira para o filme, que fazem lembrar certos portugueses mais velhos que encontramos pelo país fora. Dá gosto ver.


Os angolanos chamam Kota (da língua Kimbundu) àqueles que merecem respeito por serem mais velhos. Simplesmente por serem mais velhos do que nós. Não necessariamente velhos de idade, mas alguém mais velho. Usa-se kota para tratar um amigo mais velho, um tio, o senhor que deixamos passar à frente na fila do supermercado, uma avó. No caso dos avós, são entendidos como os avós da sociedade. Uma avó é a avó de todos, é aquela que sabe, aquela que traz sabedoria. Neste contexto, kota é o homem ou a mulher idoso que traz unicidade e conhecimento às famílias e à comunidade pela sua experiência de vida. Noto que em Portugal, na última década em particular, o respeito pelo conhecimento e experiência dos mais velhos desvaneceu ou morreu. O velho passou a ser descartável como uma bisnaga de pasta dentífrica que chegou ao fim, vive isolado da comunidade com poucas ou nenhumas funções úteis. Contudo, curiosamente, a palavra Kota entrou no calão de Portugal, embora adquirindo outro significado. Cá, kota é sinónimo de velho, bota de elástico ou antiquado. Um reforço da ideia de que os velhos estão desatualizados, são um embaraço e não servem mais.Hoje, com a mudança dos paradigmas social e de mercado, e a esperança média de vida a roçar os 80 anos de idade, a visão sobre o papel dos mais velhos na sociedade parece estar a mudar para melhor. Representam poder de compra e um nicho de mercado que a seu tempo será mainstream à medida que as sociedades vão ficando inevitavelmente envelhecidas, como é o caso da nossa. Neste campo a moda começa por dar o seu contributo ao repescar antigas manequins para campanhas sofisticadas e desfiles onde surgem como figuras de relevo. Em 2011 verifica-se, por exemplo, o regresso de Veruschka com 71 anos bem firmes e assumidos. Famosa nas passarelas e no cinema na década de 1960 (irão lembrar-se dela no filme «Blow Up» de Antonioni), é convidada a regressar aos desfiles de moda e fê-lo com uma confiança visível. Assim como, na mesma altura, fez a campanha Lanvin para H&M ao convidar uma manequim sénior para o filme promocional. De cabelo branco armado e sofisticada, aquela senhora é a prova que a experiência e a auto confiança são premissas estáveis na equação de uma vida saudável. Não há botox que remende a falta de auto confiança. E em 2010 o projeto italiano Sicilia Fashion Village leva esta tendência mais longe promovendo a sua população sénior como a mais bem vestida do mundo. Nesta divertida campanha os kotas do filme usam modelos vintage ou modernos num enquadramento atual.

Veruschka
Andreas Rentz/ Getty Images
Creio que estamos diante do desafio de olharmos para os mais velhos e idosos do mundo com outros olhos. Ou melhor, olharmos para nós próprios como seres plenos e de valor até ao dia em que vamos desta para melhor. Ser kota pode ser cool desde que o estado de espírito o permita, o mercado, as políticas governamentais e a mentalidade da sociedade superem o preconceito da idade passando a vê-la um ativo e sinónimo de poder. Um dia, quando for velha, vou querer desfilar em passarelas ou andar de patins caso me apeteça sem que isto represente vergonha social ou um embaraço. Vejo hoje, com regularidade, homens e mulheres com 40 anos ou mais a andarem de skate tranquilamente. Há vinte anos isto seria inaceitável. Alguém de quarenta anos estaria a preparar-se para entrar na reforma, a sua vida seria conformada e aborrecida. Felizmente os 40 de hoje são os novos 30, e espero que em breve os 70 sejam os novos 50 ou 40. O projeto A Avó Veio Trabalhar é a prova de que ideias honestas e bem estruturadas transformam pessoas mais velhas ou idosos nos jovens de mentalidade que afinal sempre foram. Mas se os deixam arrumados num canto porque a sociedade não sabe o que fazer com eles, qualquer réstia de juventude irá definhar. Os preconceitos não levam ninguém a bons lugares, mas sim à manutenção de conservadorismos e modos de estar bafientos. Larguemos a naftalina mental de uma vez por todas e bebamos nos bons exemplos porque eles não escasseiam. A mudança começa na cabeça, e desenvolve-se na sociedade através de boas políticas.

Carla Isidoro
Ler mais em: Visão 20.07.2017

17 de julho de 2017

Olha o lince da Malcata!

Sexo sem filhos é uma conquista sexagenária consolidada desde 1954, quando se inventou a pílula. Com as modernas técnicas de fertilização in vitro, o contrário também é possível - filhos sem sexo. O óvulo e o espermatozoide continuam a encontrar-se, como antigamente - mas agora dentro de um tubo de ensaio, no laboratório, o que não tem graça nenhuma comparada com a moda antiga, mas é a única esperança para casais com problemas de fertilidade ou outros que não vêm ao caso.

Aqui chegados, estão bem enganados se pensam que eu venho aqui falar de barato dos gémeos do Cristiano! O problema é outro, e grave: os portugueses podem até estar bem classificados nos campeonatos do sexo, o que não está provado, mas sabe-se de ciência certa que fazem cada vez menos filhos, pelo que há cada vez menos portugueses. Somos, nessa classificação, os segundos piores da Europa, depois dos italianos. Quem diria?! O Dia Mundial da População, que acabamos de assinalar, lembra-nos os números a cada ano, mas rapidamente esquecemos as causas e preferimos iludir as consequências. Em Portugal, há apenas 8,4 nascimentos por cada mil habitantes, três vezes menos que há 50 anos. É a nossa taxa bruta de natalidade, desgraçadamente inferior aos que morrem, 10,7 por cada mil. Logo, como diz o outro, é fazer as contas: ao saldo negativo entre mortos e nascidos, acrescentamos a emigração e temos o retrato enrugado de um povo que definha, entretido entre campanhas eleitorais, em suicídio assistido. Para repormos a brava espécie, assegurando a substituição de gerações, as nossas mulheres deveriam estar a conceber, em média, 2,1 filhos, pese a desumanidade das médias. Estamos em perda prolongada. Há hoje menos 32 mil portugueses do que há um ano, quase uma centena a menos por cada dia que passa. Como se na ameaça de extinção do lince da Malcata exorcizássemos a nossa.

A espiral inquieta: menos crianças a nascer significa menos jovens ativos e contribuintes, e cada vez mais pensionistas. Em calão da moda, é a sustentabilidade do sistema de segurança social que está em causa. Em melhor português, o problema está em saber como e quem vai pagar a conta. E se alguma fatura, a prazo, ainda se exprime em português. Quando se sabe que os pensionistas já são um terço do eleitorado, é tempo de os nossos políticos tentarem perceber porque é que países como a Suécia e a Irlanda voltaram a ganhar população. É certo que as noites deles são mais frias e a televisão é pior do que a nossa, mas foram as políticas ativas de apoio à natalidade e aos jovens pais que fizeram inverter a funesta tendência.

Afonso Camões
Ler mais em: Opinião JN 16.07.2017

15 de julho de 2017

FESTIVAL DE CINEMA INTERGERACIONAL, votação Orçamento Participativo de Portugal (OPP)


O Orçamento Participativo de Portugal (OPP) “é um compromisso do Programa deste Governo e tem como objetivo construir em Portugal um projeto de participação cidadã que aproxime as pessoas da política e que promova maior ligação e integração entre territórios através de projetos de âmbito nacional” (OPP, https://opp.gov.pt/).

Assim sendo, e porque também é deliberativo, são as pessoas que apresentam as propostas de investimentos e de projetos que querem ver concretizados entre outras, na área da cultura, da ciência, da educação ... Há propostas de âmbito nacional que abrangem mais do que uma região e propostas regionais que devem ter impacto em mais de um município da região.

Numa segunda fase, que já decorre, escolhe-se, através do voto, quais os que devem ser realizados. (ver calendarização e fases da OPP: https://opp.gov.pt/calendario)

Fruto de experiências anteriores nesta área, a nossa associada Celeste Raposo, da Covilhã, com um grande envolvimento nas acções da APRe! propôs–se concorrer com um projeto situado na área da Cultura com o título FESTIVAL DE CINEMA ENTRE GERAÇÕES que surge com o nº 528 (ver: https://opp.gov.pt/projetos/todos/528-festival-de-cinema-entre-geracoes ), procurando assim, enquanto cidadã, cumprir objectivos que constam do programa de acção da nossa associação.

A mesma ideia aparece no projecto regional com o nº 272 (FESTIVAL DE CINEMA INTERGERACIONAL, ver: https://opp.gov.pt/projetos/todos/272-festival-de-cinema-intergeracional ), que, além de Celeste Raposo, tem como proponentes os associados APRe! José Gama, Coimbra; Jorge Fernandes, Aveiro; José Ribeiro, Castelo Branco; Lurdes Palaio, Figueira da Foz; José Júlio, Leiria; Vítor Ferreira, José Bom e Cristina Clímaco, Lisboa; Emília Almeida, Lousã; Elisabete Moreira, Porto.

A importância da realização destes dois projectos para todos cidadãos está bem patente quando analisamos o seu texto de apresentação pois pretende-se "refletir sobre como corrigir e agir sobre a realidade dos problemas dos mais velhos, com o objetivo de promover atitudes positivas relativamente ao envelhecimento”(...). (ver projectos 528 e 272 https://opp.gov.pt/projetos/todos)

Por tudo isto apelamos à Vossa atenção consultando para tal o portal do OPP onde encontrarão toda a informação sobre estes projectos e as regras da votação.

Cada cidadão tem direito a dois votos: um voto num projecto de âmbito nacional e um voto num projecto de âmbito regional.

Vamos pois congregar todos os esforços para que associados, amigos, familiares, conhecidos, novos e velhos, possam votar no projeto nacional nº 528 ( https://opp.gov.pt/projetos/todos/528-festival-de-cinema-entre-geracoes ) e no projeto regional nº 272 ( https://opp.gov.pt/projetos/todos/272-festival-de-cinema-intergeracional ) via internet ou por sms, até 10 de setembro.

Como votar:

VOTAÇÃO VIA INTERNET

  1. Entrar no portal através do link https://opp.gov.pt/.
  2. Na barra superior da janela clicar em “Projetos”
  3. Clicar em “VER” ou “VER MAIS” dentro do círculo
  4. Escrever o nº do projeto em “Pesquisa” (no caso o nº 528)
  5. Clicar em “Votar” no círculo com o nome do projeto
  6. Seguir as opções e procedimentos que vão surgindo até à confirmação do voto
  7. Repetir o processo para o projeto nº 272

VOTAÇÃO POR SMS

  1. Envie um SMS grátis identificando o seu projeto preferido para o número 3838. O formato da mensagem deve ser: OPP <espaço> <número do projeto> <espaço> <Número de Identificação Civil>. O Número de Identificação Civil deverá ter 8 dígitos, devendo ser introduzido um 0 à esquerda no caso em que tenha 7, e deve incluir os dígitos de controlo, 4 dígitos adicionais no caso do Cartão de Cidadão ou 1 digito adicional no caso do Bilhete de Identidade. Não deve ser incluído qualquer espaço a separar o número do Cartão de Cidadão/Bilhete de Identidade e os dígitos de controlo. 
  2. Após a votação, deverá receber uma mensagem da OPP com a indicação da confirmação do voto.

7 de julho de 2017

Cláudia Joaquim: Há 2,7 milhões de pensionistas em Portugal

O número é "finalmente" conhecido: há 2,7 milhões de pensionistas. A secretária de Estado da Segurança Social também tem novidades para os trabalhadores independentes em 2018.


O número de pensões já era conhecido — 3,5 milhões atribuídas em Portugal — mas o número de pensionistas ainda não se sabia. Agora, numa entrevista aoJornal de Negócios, a secretária de Estado da Segurança Social revelou “finalmente” que há 2,7 milhões de pensionistas no país, entre a Caixa Geral de Aposentações e a Segurança Social. O número foi obtido após o cruzamento de dados necessário para a atualização extraordinária de pensões deste mês de agosto.
Na entrevista, a secretária de Estado Cláudia Joaquim assinalou que as novas regras das reformas antecipadas, que vão valorizar as longas carreiras, podem resultar em reformas 35% mais altas para alguns dos pensionistas em relação à situação atual.

“Um trabalhador com 60 anos de idade, 48 anos de carreira, com uma pensão estatutária de mil euros, com o regime em vigor teria uma pensão de 741 euros. Com o modelo agora proposto a pensão é de mil euros. Estamos a falar de uma melhoria de 35%. Com 49 anos de carreira e 63 anos é de 20,6%”, afirmou a dirigente.

Relativamente aos trabalhadores independentes, antecipa-se uma revisão das regras de descontos para 2018. A secretária de Estado explicou que “será provavelmente a alteração mais estrutural de todo o regime dos trabalhadores independentes”, que passarão a descontar sobre os últimos dois ou três meses de rendimento, de forma a aproximar mais os descontos do rendimento real.

A secretária de Estado disse ainda que “faz sentido repor” os 20% de desconto nas creches para o segundo filho de uma família, embora seja um processo “que tem de ser feito em negociação”. Quanto à diferenciação positiva em que seria obrigatório aceitar crianças de diversos escalões de rendimento em creches IPSS, Cláudia Joaquim defende que “cabe às instituições fazerem-na, até pela sua natureza”.

Ler mais em: eco 06/07/2017

6 de julho de 2017

Caloiro aos 77, doutor aos 85. Brasilino é "um caso de estudo"

Defendida a tese de doutoramento sobre Antero de Quental, Brasilino Godinho apresentou uma proposta para que a Universidade dos Açores passe a ter o nome do escritor


De traje académico vestido, Brasilino Godinho chegou à Sala de Atos Académicos da Universidade de Aveiro cerca de uma hora antes de começarem as provas de doutoramento. Testou o equipamento informático e os auscultadores - para que nenhuma palavra escapasse - e, com toda a calma, cumprimentou grande parte da plateia: professores, colegas, familiares e amigos. Todos quiseram assistir ao realizar de mais um sonho do homem, de 85 anos, que ontem se tornou, muito provavelmente, numa das pessoas com mais idade a concluir um doutoramento. Um exemplo de "coragem e empenho", como destacou o júri, "um caso de estudo" para as colegas do programa doutoral em Estudos Culturais.

Ontem foi um dia histórico. Só isso é que faria Cláudia Silva, de 39 anos, sair de casa e ficar longe do filho, recém-nascido. "É um momento imperdível. É uma inspiração. Dá-nos motivação para não deixarmos de acreditar nos nossos sonhos. Aqui está a prova que há sempre algo para construir", disse ao DN a colega de licenciatura de Brasilino.

Na plateia, Geanine Escobar, de 27 anos, e Aline Marçon, de 39, ambas do mesmo programa doutoral, não poupavam elogios ao agora doutor, que tinha o hábito de distribuir poesia - e simpatia - pelos colegas. "É a primeira vez que vejo uma pessoa tão lúcida e ativa na academia com esta idade. No Brasil há estudantes idosos, mas isto é uma novidade", sublinha Geanine. Destacando que o doutoramento trata questões como o envelhecimento ativo e o ócio, Aline considera que Brasilino é "como se fosse um caso de estudo".

Foi aos 77 anos que o reformado, que tinha acabado de perder a mulher, se dirigiu à Universidade de Aveiro e, através do concurso para Maiores de 23 anos, ingressou na licenciatura de Línguas, Literaturas e Culturas. Terminou o curso em 2012 com média de 15 e quis prosseguir diretamente para o doutoramento, sem passar pelo mestrado. "Disse-me: Professora, não vai dar tempo. Ou vou já para o doutoramento, ou nunca o farei", recordou ontem a orientadora da tese, Maria Manuel Baptista. Num longo texto, Brasilino solicitou ao reitor que o deixasse seguir para o programa doutoral, lembrando-o que foi ele que desenhou o sistema de escoamento de águas da Universidade de Aveiro. Mas foi o mérito, e não esse pormenor, que permitiu que se inscrevesse no doutoramento desenvolvido em parceria pelas Universidades de Aveiro e do Minho.

Ontem, Brasilino defendeu a tese "Antero de Quental: um Patriotismo Prospectivo no Porvir de Portugal" - aprovada por unanimidade pelo júri - e, no final, surpreendeu a plateia. Realçando que a memória de Antero de Quental merece ser "condignamente preservada e mui prestigiada", leu uma proposta na qual sugere que a Universidade dos Açores, de onde o poeta era natural, passe a chamar-se Universidade Antero de Quental.

Exemplo de trabalho


Para Nuno Rosmaninho, co-orientador da tese, Brasilino é um exemplo de "grande trabalho e dedicação". Ao longo das provas, os membros do júri felicitaram a sua "coragem e empenho", assumindo que se tratava de "um momento histórico". Quanto à tese, "uma escrita impecável", "pensamento claro". Quase "um manifesto".

Brasilino Godinho reconheceu que é "um exemplo que deve ser aproveitado pela sociedade". Agora que é doutor, recusa-se a baixar os braços. Uma das hipóteses é tirar um pós-doutoramento, outra é dar aulas. "É um acontecimento muito marcante na minha vida e que me deixa muito satisfeito", disse à saída, evocando as recordações de infância a ler o DN. "Fiz a aprendizagem da leitura não só pelo que lia nas aulas, mas também pelo que lia no vosso jornal".

Aos 15 anos, Brasilino já tinha lido autores como Platão, Aristóteles ou Kant. Com 16 quis ir para a universidade, mas o avô recusou suportar as despesas, o que o levou a adiar o sonho. "Ainda bem", diz, porque nessa altura teria seguido engenharia. Entrou no mercado de trabalho como desenhador de construção civil e acabou por dedicar parte da vida à profissão de topógrafo e a projetar na área de engenharia. Mas as letras sempre o acompanharam. Escreve crónicas e já tem livros publicados.

Joana Capucho
Ler mais em: DN 06.07.2011

25 de junho de 2017

Resiliência na velhice

As pessoas mais resilientes têm mais possibilidades de “escaparem” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.


”... Ultimamente têm-me acontecido muitas coisas... na mesma altura perdi o meu marido, parti uma perna, estive algum tempo internada e tive de deixar a minha casa. Penso muitas vezes que se isto me acontecesse noutra fase da vida, quando era mais nova, não aguentaria. E agora aqui estou, consigo estar bem...” Maria, 85 anos

O envelhecimento implica mudanças, muitas delas perdas e adversidades. Contudo, estas perdas não significam que o bem-estar das pessoas mais velhas esteja “comprometido”. A resiliência centra-se, precisamente, nos fatores e processos que fazem com que as pessoas resistam em circunstâncias difíceis, especialmente nas associadas aos desafios do envelhecimento. Trata-se de uma perspetiva positiva do envelhecimento, mais centrada nas potencialidades do que nos déficits. De facto, alguns estudos, tais como o Berlin Ageing Study, centram-se no elevado nível de bem-estar das pessoas idosas, que sugerem que, ao envelhecer, se conseguem ativar recursos adicionais que podem não estar presentes noutras etapas da vida.

Interessa então perceber que características se associam à resiliência. A resiliência psicológica começou por ser estudada em crianças e jovens expostos a adversidades para se compreender o que é que contribui para que alguns recuperem e resistam a traumas e outros não, desenvolvendo, inclusivamente, psicopatologia. Com o “despertar” da importância do envelhecimento bem sucedido na década de 60 e com um grande e crescente desenvolvimento durante e após a década de 90, surgiu um marcado interesse em se saber quais as características e dinâmicas explicativas da felicidade e da saúde na velhice. As pessoas mais resilientes têm maior possibilidade de “escapar” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.

Apesar de diferentes estudos indicarem que a maioria das pessoas mais velhas são resilientes, é fundamental termos em consideração que existe, também, um elevado e preocupante número de pessoas idosas com sintomatologia depressiva. Segundo os dados do Eurostat, em Portugal, em 2014, uma em cada 5 pessoas entre os 65 e os 74 anos relata ter depressão crónica. Sendo que, muitos dos casos, não estão diagnosticados e/ou não são tratados. Os motivos são vários, entre eles os ainda persistentes estereótipos em torno da doença mental, que tendem a desvalorizar este tipo de sintomatologia (“isso logo passa...” “são manias” ...) e /ou os mitos que ainda insistem em se considerar que a tristeza é normal na velhice e que não é necessário intervenção. A desconstrução deste tipo de falsas crenças é um eixo central para que se valorizem e mobilizem intervenções não farmacológicas e farmacológicas para o tratamento da sintomatologia depressiva e para a promoção da resiliência, quando esta não se manifesta de forma mais espontânea ao se envelhecer.

De que fatores depende a resiliência?

Há características que predispõem a pessoa a ser mais ou menos resiliente: a um nível mais individual, o tipo de funcionamento fisiológico; personalidade, como o facto de a pessoa ser aberta a novas experiências e o grau de extroversão; sentir ou não controlo; ter autoestima, autoeficácia e autodeterminação. A existência e desenvolvimento da espiritualidade também se tem revelado como um fator protetor relevante.

Em relação à forma como a pessoa lida com o processo de envelhecimento, as atitudes de autocuidado, aceitação de mudanças, otimismo e existência de emoções positivas tornam a pessoa resistente.

Numa vertente mais social, destacam-se as competências para exprimir opiniões e sentimentos, a existência de uma rede de apoio social e relações de intimidade e proximidade.

Estas características, entre outras, interagem de forma complexa, gerando dinâmicas que funcionam como “amortecedores” do impacto que as mudanças possam ter à medida que a pessoa vai envelhecendo.

E pode desenvolver-se?

A resiliência desenvolve-se ao longo da vida através de experiências, da educação, da comunidade e do amplo processo de desenvolvimento pessoal. Por exemplo, se a pessoa não teve de lidar com problemas de saúde ao longo da vida, terá mais dificuldade em se adaptar às alterações normais associadas ao processo de envelhecimento.

Algumas estratégias para o desenvolvimento da resiliência


  • Centrar-se no “lado positivo” – ser mais optimista.
  • Cuidar-se.
  • Ter relações sociais de qualidade.
  • Preservar a sua autonomia.
  • Treinar/exercitar competências.
  • Selecionar objetivos e atividades adequados às competências da pessoa.
  • Compensar possíveis défices.
  • Mobilizar as novas tecnologia como “apoio” para envelhecer bem.
  • Ser criativo e aberto a experiências.
  • Valorizar história de vida e experiências positivas.
  • Procurar emoções positivas.
  • Ser protagonista do seu próprio envelhecimento.

A resiliência pode, também, desenvolver-se através de intervenções psicológicas específicas, tais como a restruturação cognitiva, o treino na focalização nos aspetos mais positivos, o desenvolvimento de intervenções motivacionais e na redução da sintomatologia depressiva. O desenvolvimento de competências sociais e de assertividade e uma revisão de vida orientada que capacite a pessoa a ter uma visão mais positiva de si, capaz de integrar erros e rejeições, são alguns exemplos de intervenções psicológicas promotoras da resiliência na velhice.

Um foco central no estudo da resiliência na velhice tem sido, assim, o de perceber: como é que podemos tornar a pessoa mais resiliente ao longo do processo de envelhecimento?

Apesar da grande e crescente heterogeneidade das pessoas idosas, partir da experiência subjectiva de envelhecimento parece ser um eixo central para que a pessoa valorize e mobilize recursos para ser resiliente sentindo-se protagonista de uma história de vida única em que o envelhecimento é uma fase que se pode desfrutar e viver bem.

Rosa Marina Afonso

16 de junho de 2017

Portugal perdeu mais de 30 mil habitantes e envelheceu

O número de habitantes em Portugal desceu em 2016 relativamente a 2015, com menos 31757 pessoas, e o envelhecimento da população portuguesa acentuou-se.


Segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de dezembro do ano passado, a população residente em Portugal foi estimada em 10.309.573 pessoas, menos 31757 na comparação com 2015.

Este resultado traduziu-se numa taxa de crescimento negativa de 0,31% (era 0,32% em 2015) e reflete a conjugação dos saldos natural e migratório negativos.

"Nos últimos sete anos, a população de Portugal reduziu-se em 264 mil pessoas, mantendo-se a tendência de decréscimo populacional verificada desde 2010, ainda que se tenha atenuado nos últimos três anos", acrescenta o INE.

O envelhecimento da população portuguesa acentuou-se em 2016, quando o número de jovens, com menos de 15 anos, desceu para 1.442.416, ou seja, menos 18.416 na comparação com o ano anterior, enquanto o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou para 2.176.640, mais 35.816.

No ano passado, Portugal tinha 285.616 habitantes com 85 anos ou mais, um número superior em 12.234 ao registado um ano antes.

O número de idosos é superior ao dos jovens desde 2000. Na análise de uma década, o INE refere que, "em 2006, por cada 100 jovens residiam em Portugal 112 idosos, valor que aumentou para 151 em 2016".

Quanto ao índice de dependência de idosos, em 2006, por cada 100 pessoas em idade ativa, residiam em Portugal 26 idosos, número que passou para 33 em 2016.

Do total de residentes em Portugal, 5.427.117 são mulheres e 4.882.456 são homens.

Em 2016, o número de nascimentos aumentou novamente, para 87.126 nados-vivos, mas não foi suficiente para compensar o número de óbitos, que atingiram 110.535.

Assim, o saldo natural negativo manteve-se, ficando nos 23.409, quando em 2015 era 23.011.

Quanto à outra componente da análise da evolução da população, o número de emigrantes (pessoas que saem para morar em outro país) diminuiu e o de imigrante (estrangeiros que vêm residir em Portugal) estabilizou, mantendo-se o saldo migratório negativo, em 8348, "ainda que mais atenuado na comparação com 2015", explica o INE.

Eram 38.273 os emigrantes permanentes em Portugal, menos que os 40.337 estimados para 2015.

Os imigrantes ficavam nos 29.925 quando um ano antes eram 29.896.

O número estimado de emigrantes temporários continua a ser superior ao de emigrantes permanentes, situando-se em 58.878, o que reflete um decréscimo de 3,2% relativamente a 2015 (60.826).

Em 2016, aponta o Instituto, a idade média da população residente em Portugal estava nos 43,9 anos, tendo aumentado cerca de três anos na última década.

Ler mais em: JN 16.06.2017

15 de junho de 2017

15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos, Comunicado à Imprensa da AGE Platform Europe



AGE – Platform Europe

COMUNICADO DE IMPRENSA


Bruxelas, 14 de Junho de 2017


15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos

Vamos quebrar o silêncio: As pessoas idosas que sofrem de abusos precisam de proteção e apoio!

Por ocasião do 12.º Dia Mundial de Consciencialização contra o Abuso de Idosos, 15 de junho de 2017, é urgente lembrar aos legisladores da política, a todos aqueles que defendem os direitos humanos e sociais e à sociedade como um todo, da omnipresença e efeitos devastadores do abuso, violência e negligência sobre as pessoas mais velhas. O abuso de idosos é uma realidade prolongada mas oculta que as pessoas mais velhas sofrem na maioria das vezes em silêncio e com medo. Em 14 de junho de 2017, a AGE Platform Europe organizou um workshop em conjunto com o Conselho da Europa, a Comissão Europeia e o Serviço de Apoio às Vítimas da Europa, a fim de analisar como melhorar a proteção das vítimas.

A AGE tem o prazer de organizar este evento em conjunto com o Conselho da Europa e a Comissão Europeia", declarou Anne-Sophie Parent, Secretária Geral da AGE Platform Europe. "Esta é uma ótima oportunidade para partilhar experiências a nível europeu e aumentar a consciencialização sobre a importância fundamental de encontrar maneiras de prevenir e combater o abuso de idosos neste período de envelhecimento demográfico. Os direitos dos cidadãos que sofrem violência e abuso existem em toda a Europa, mas as pessoas idosas enfrentam desafios adicionais como consequência da falta de consciência. Além disso, muitas pessoas idosas estão em situação particularmente vulnerável como resultado de discriminações adicionais com base no género, raça ou origem étnica, religião, deficiência ou orientação sexual".

Vera Jourová, Comissária para Justiça, Consumidores e Igualdade de Género, afirmou: "O crescente número de pessoas idosas na Europa devido a uma expectativa de vida mais longa é um desenvolvimento positivo de que nos podemos orgulhar. Mas também devemos saber que pode aumentar o risco do abuso sobre idosos, não só físico ou psicológico, mas também de negligência ou exploração financeira. Isto não é apenas uma questão de preocupação para os Estados-membros. A UE também desenvolveu uma série de iniciativas importantes para proteger as pessoas mais velhas contra a discriminação e o abuso. A diretiva “Direitos das Vítimas” implica mecanismos de proteção às vítimas e serviços de apoio que precisam de ser mais conhecidos das pessoas idosas que podem sofrer abusos. Outro exemplo é a nossa proposta recente de “Work Life Balance”. O nosso objetivo é fortalecer os direitos e melhorar as condições para os cuidadores conciliarem trabalho e responsabilidades de cuidados. Isso será igualmente benéfico para as pessoas que dependem dos cuidados"

Muitas vezes, as pessoas idosas em situações de dependência e com necessidades de cuidados sofrem abusos em silêncio, tanto em casa como em ambiente residencial. Estima-se que 3% dos europeus mais velhos sofrem maus tratos e 25% dessas pessoas têm necessidades de cuidados elevados, mas apenas cerca de 20% dos casos de abuso são denunciados. Conforme destacado durante a Conferência Anual da AGE em 7 de junho de 2017, tais abusos e violência são uma das violações mais graves dos direitos humanos dos idosos. A seleção deste desafio social como um dos tópicos para discussão no próximo Grupo de Trabalho de Composição Aberta sobre o Envelhecimento das Nações Unidas é o reconhecimento de que são necessárias novas ações em todo o mundo para combater o abuso de idosos.

As medidas preventivas precisam estar de “mãos dadas” com ações para aumentar a notificação de abuso de idosos e oferecer proteção e apoio das pessoas mais velhas que estão a sofrer ou sofreram abusos, violência e negligência. Conforme explicado no recente documento da posição da AGE em torno da proteção das vítimas de abuso, as pessoas idosas que sofrem abusos, muitas vezes experimentam sentimentos de vergonha, resignação e impotência que impedem a procura de proteção. Além disso, há uma falta de consciencialização sobre os direitos disponíveis e os serviços de proteção entre as pessoas idosas e pouco conhecimento sobre o abuso de idosos e as necessidades das vítimas mais velhas entre a polícia e os serviços de apoio e proteção.

A Diretiva dos Direitos das Vítimas de 2012 estabelece normas mínimas de proteção e apoio para todas as vítimas, independentemente do crime. Oferece uma oportunidade para melhorar o acesso de pessoas idosas que sofrem abuso e violência dos seus direitos. A cooperação entre as organizações de apoio às vítimas, os decisores políticos, a polícia, os agentes judiciais e as organizações de pessoas idosas facilitará a implementação efetiva da diretiva.

A AGE Platform Europe continuará a lutar para colocar o abuso sobre idosos no topo da agenda da União Europeia e para facilitar a partilha de todas as práticas valiosas que existem em toda a Europa.

12 de junho de 2017

AGE Platform Europe, AG e Conferência Anual

Realizou-se no passado dia 7 de Junho, a 5ª Conferência Anual da AGE subordinada ao tema: "Desigualdades e Abusos sobre pessoas idosas: Hora de Agir!". A AGE considera prioritário o combate ao crescimento do ageísmo.

No dia 8 decorreu a Assembleia Geral com a presença dos países membros da AGE, salientando-se a eleição do novo presidente Ebbe Johansen para os próximos 3 anos com 69 votos a favor, 0 votos contra e 2 abstenções.





10 de junho de 2017

AGE – Platform Europe, Declaração Final Aprovada na Assembleia Geral de 08.06.2017

Neste momento histórico para a União Europeia, enquanto comemoramos este ano o 60.º aniversário do Tratado de Roma, mas também enfrentamos novos desafios, a Assembleia Geral da AGE Platform Europe convida as instituições europeias, os Estados-membros da UE, as autoridades locais e regionais a reconstruir um Projeto coletivo destinado a conferir à UE uma verdadeira identidade graças à sua capacidade de integração, baseada nos valores fundamentais da União Europeia: dignidade humana, liberdade, democracia, igualdade, estado de direito e respeito pelos direitos humanos.

O respeito e o gozo dos direitos humanos de todos os indivíduos são uma característica fundamental das nossas sociedades democráticas. O direito a ser respeitado e tratado com dignidade e participar na sociedade pode parecer óbvio para muitos, mas pode ser um verdadeiro desafio para outras pessoas, especialmente se elas são mais velhas. Na última década, os contextos global e da UE mudaram radicalmente as paisagens políticas e sociais da Europa.

A persistente crise financeira, económica e social combinada com a "pressão" demográfica, o impacto cumulativo das políticas de austeridade, a crise da migração e dos refugiados, o crescente medo dos ataques terroristas, o populismo que avançou em muitos países, e o choque do referendo da UE no Reino Unido, levam todos a um sentimento crescente de que a UE precisa de reconsiderar os seus objetivos, a organização e os processos.

Contra esta evolução, a rede AGE Platform Europe congratula-se com a proposta do Pilar Europeu dos Direitos Sociais como um instrumento fundamental que pode ajudar a UE a reconectar-se com os seus cidadãos e criar uma sociedade voltada para o futuro, onde todos têm um papel a desempenhar, valorizada e apoiada para liderar uma vida ativa e autónoma independentemente da idade, género, raça ou origem étnica, religião, deficiência ou orientação sexual. Manter e promover os nossos valores europeus básicos de dignidade, solidariedade e igualdade deve continuar a orientar todas as ações externas e internas da UE.

A este respeito, uma convenção internacional sobre os direitos das pessoas idosas é, em última instância, um reconhecimento importante de que os cidadãos mais velhos são de igual valor para a sociedade. Ela chama a atenção do público para as barreiras estruturais e culturais específicas que impedem que mulheres e homens mais velhos desfrutem dos seus direitos. Estabelece as mudanças necessárias para que os Estados-membros cumpram as suas obrigações nos termos dos instrumentos universais dos direitos humanos existentes e incentivem a criação de mecanismos que os idosos possam usar para reivindicar os seus direitos.

A AGE Platform Europe e os seus membros exortam os Estados-membros, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia a proclamar os direitos propostos pelo Pilar Social da UE durante a próxima “Cúpula Social” em 17 de novembro de 2017.

O Pilar Europeu dos Direitos Sociais deve ser aproveitado como a única oportunidade de propor uma ambiciosa agenda social para a UE. O conjunto proposto de direitos aborda a Declaração de Roma, assinada pelos líderes dos 27 Estados-membros da UE em 25 de março de 2017, que enfatizou a importância de uma Europa social forte. A realização dos princípios e direitos definidos no Pilar Europeu dos Direitos Sociais é agora uma responsabilidade conjunta dos governos nacionais, das instituições da UE, dos parceiros sociais, da sociedade civil e de outras partes interessadas. Os membros da AGE Platform Europe pedem que as condições institucionais e políticas necessárias sejam cumpridas para que o Pilar seja efetivamente implementado em todos os países da UE. As pessoas mais velhas e as suas organizações estão interessadas em participar ativamente na implementação do Pilar. Qualquer reforma socioeconómica futura deve impulsionar o crescimento da Europa, respeitando o direito dos idosos à dignidade e à independência, em conformidade com o artigo 25.º da Carta dos Direitos Fundamentais da UE. Chamamos particularmente a atenção dos decisores políticos para utilizarem o Pilar Europeu dos Direitos Sociais para traduzir na prática o direito a uma saúde e a cuidados de longa duração acessíveis e de qualidade, bem como o direito a pensões adequadas e a um rendimento mínimo de velhice para a atual e as futuras gerações. Uma simples redistribuição da riqueza é necessária para assegurar que mulheres e homens de todas as idades vivam e envelheçam com dignidade.

Além disso, tendo em vista a aplicação dos direitos das pessoas idosas, a AGE convida a UE e os seus Estados-membros a avançar nas seguintes áreas:

• Combater a discriminação proativa persistente da idade em todas as áreas da vida das pessoas mais velhas


Devido à omnipresença do “ageism” e no contexto do envelhecimento demográfico, a discriminação relativa à idade deve receber a mesma atenção, a nível da UE e a nível nacional, de outros motivos de discriminação e merece ser uma prioridade de trabalho identificada no programa de trabalho da Direção-Geral da Justiça, tanto como todos os outros motivos de discriminação enumerados nos artigos de não discriminação do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE). Além disso, a UE e os Estados-membros devem intensificar os seus esforços para adotar uma proposta de diretiva de tratamento horizontal da UE, que é necessária para assegurar que todos, incluindo as pessoas idosas, possam participar igualmente na sociedade. A implementação da lei de igualdade existente e futura deve evitar amplas isenções à discriminação da idade que arriscam invalidar o princípio da igualdade.

• Lutar contra o abuso, violência e negligência de pessoas idosas


A UE deve abordar estas graves violações dos direitos humanos das pessoas idosas, facilitando a adoção, pelos Estados-membros, de metodologias comparáveis ​​para medir a prevalência das diferentes formas de abuso de idosos. Isso deve fazer parte de um plano de ação mais amplo da UE para aumentar a visibilidade da consciência do abuso de idosos em debates públicos e encorajar os Estados-membros a desenvolver estratégias específicas. A implementação da Diretiva da UE sobre os Direitos das Vítimas de 2012 deve contribuir para oferecer um melhor apoio e proteção aos idosos vítimas de abuso, que podem ser alcançados pela formação de profissionais de cuidados, serviços de apoio a vítimas, polícias e profissionais de justiça, entre outros, para sensibilizar todos os atores para a especificidade do abuso de idosos e as necessidades especiais das vítimas mais velhas.

• Abordar o desafio da migração e dos refugiados na perspetiva dos direitos humanos e também como uma oportunidade social e económica


Uma resposta coerente e comum da UE é indispensável para transformar o desafio da migração de hoje e da crise dos refugiados numa oportunidade. A União Europeia deve oferecer formas seguras de entrar legalmente no seu território e garantir que os migrantes e refugiados de todas as idades recebam o apoio necessário e tenham poderes para se tornarem membros de pleno direito das sociedades de acolhimento. A resposta à migração e à crise dos refugiados é um ato humanitário, expressão de solidariedade, bem como uma oportunidade social e económica que seria benéfica para a paz e prosperidade de todos.

• Apoiar a igualdade de oportunidades para as pessoas idosas a um nível básico, através da promoção de ambientes amigos ​​da idade em toda a EU


Para ajudar a combater o “ageism”, é essencial construir ambientes amigos ​​da idade (AFE). Em primeiro lugar, eles capacitarão os trabalhadores mais velhos a permanecerem no trabalho por mais tempo, através da aquisição de novas habilitações, da transferência de conhecimento, da redução da divisão digital entre as gerações e, eventualmente, na criação de um mercado de trabalho inclusivo para os trabalhadores mais velhos. Além disso, a AFE apoiaria as pessoas mais velhas em termos de melhor saúde física e mental; promoveria a inclusão social e a participação ativa; e ajudá-las-ia a manter o seu direito à vida independente e a uma boa qualidade de vida na velhice. O AFE é uma condição prévia básica para as pessoas idosas poderem desfrutar dos seus direitos em igualdade de condições com as outras faixas etárias. Ademais, a criação do AFE diminuiria a pressão sobre os cuidados e assistência tradicionais e desenvolveria a economia através da demanda de soluções inovadoras.

• Acompanhar os esforços e contribuir para a reflexão da ONU sobre os direitos das pessoas idosas


Com base na resolução do Parlamento Europeu de 2016, que solicitou à UE e aos Estados-membros que incentivem ativamente o debate sobre os direitos dos idosos no âmbito do Grupo de Trabalho de Conclusão das Nações Unidas (OEWG), esperamos que o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Grupo de Trabalho dos Direitos do Homem do Conselho (COHOM) prossigam a discussão em torno de um novo instrumento internacional vinculativo sobre os direitos das pessoas idosas, para que possam gozar plenamente dos seus direitos.

• Promover ativamente uma imagem positiva do envelhecimento e reconhecer as contribuições das pessoas idosas


As contribuições das pessoas mais velhas para a sociedade são muitas vezes desvalorizadas e a velhice é frequentemente vista como sinónimo de declínio, carga e inutilidade. A UE e os Estados-membros devem sensibilizar para a diversidade das pessoas idosas em termos de necessidades, preocupações e expectativas; reconhecer as suas numerosas contribuições, nomeadamente como trabalhadores, cuidadores informais, voluntários, avós, consumidores e atores políticos; identificar as múltiplas discriminações que enfrentam ao usufruir dos seus direitos. A diversidade de todas as gerações deve ser respeitada, tratando as diferentes faixas etárias de forma equitativa em nome da igualdade e da dignidade.

Como membros da geração mais velha, temos o dever de defender os nossos valores compartilhados e o sonho europeu que nós e nossos pais construímos nas últimas décadas. O nosso objetivo é uma União Europeia de paz e solidariedade, crescimento e prosperidade para todos, respeitando a diversidade entre todas as populações e grupos etários. Juntos, queremos prosseguir os nossos esforços a favor de uma sociedade inclusiva de todos e continuaremos a unir forças para assegurar um futuro melhor e mais seguro para todas as gerações na Europa e em outras partes do mundo.

9 de junho de 2017

Função Pública: número total de reformados cai pela primeira vez desde 1969

Pensão média na função pública caiu abaixo dos mil euros em 2016, diz o Conselho das Finanças Públicas, na sua avaliação à execução orçamental da Caixa Geral de Aposentações.


O número total de reformados da Caixa Geral de Aposentações (CGA) caiu em 2016 pela primeira vez desde 1969. E o número de novos aposentados é também o mais baixo desde 1993. É o Conselho das Finanças Públicas (CFP) que o diz, na sua análise da execução orçamental da Segurança Social e CGA em 2016, divulgado esta quinta-feira.

No ano passado, a despesa da CGA cresceu apenas 0,1%, desacelerando face a 2015. No caso concreto das pensões, a despesa chegou mesmo a cair (0,1%) depois de uma subida de 1,8% no ano anterior e contrastado até com o valor projetado de 0,3%. Porquê? Por causa da redução do número de novos reformados — 8.727 novas pensões, excluindo sobrevivência –, da diminuição do total de aposentados — menos 3.655 face ao final de 2015 –, e do valor médio das novas pensões. Recorde-se que este sistema está fechado a novas inscrições desde janeiro de 2006.

“Este decréscimo resulta da conjugação: da diminuição do número total de aposentados, o que sucede pela primeira vez desde 1969; de se ter verificado o mais baixo número de novos aposentados desde 1993; e da diminuição pelo terceiro ano consecutivo do valor médio das novas pensões de aposentação”, diz o documento.

Já em 2015 tinha existido um aumento pouco expressivo do stock total de aposentados (mais 3.563) quando comparado com a média da década anterior, altura em que o número aumentava 11.444 ao ano. O CFP atribui esta evolução a um conjunto de medidas, nomeadamente o progressivo aumento da idade de reforma e a maior penalização nas pensões antecipadas.

Ainda assim, o desequilíbrio entre o número de aposentados e de trabalhadores no ativo agravou-se. Em 2015, o número de subscritores “foi, pela primeira vez, inferior ao número de funcionários públicos aposentados”, diz o Conselho liderado por Teodora Cardoso. O diferencial negativo passou de 12.823 no final de 2015 para 18.753 em 2016, porque o ritmo de diminuição de subscritores foi mais acentuado que o do total de aposentados.

Pensões médias abaixo dos mil euros


O valor médio das novas pensões caiu pelo terceiro ano e ficou agora abaixo dos mil euros: “em 2013 foi de 1.302 euros, tendo reduzido para 1.246 euros em 2014, para 1.112 euros em 2015 e para 936 euros em 2016″, diz o CFP.

Já a massa salarial dos subscritores aumentou no ano passado 0,5%, em resultado do fim dos cortes salariais e em contraste com o que tinha acontecido em 2014 e 2015.


A CGA encerrou o ano com um excedente de 87 milhões de euros, embora a receita tenha desacelerado para 0,7%, o que se deve sobretudo à menor transferência do Orçamento do Estado. As contribuições subiram 1,8%, “tendo o impacto da reposição salarial em 2016 mais do que compensado o efeito da redução do número médio de subscritores da CGA”, indica o relatório.

Em 2017, a receita “deverá estabilizar”, acrescenta. “A diminuição da receita proveniente de quotas e contribuições está alicerçada na expetativa de um aumento do número de saídas de subscritores para a aposentação e para a reforma, cujo impacto deverá ser superior ao efeito positivo decorrente do facto de a reposição integral da redução remuneratória se fazer sentir desde o início do ano, ao contrário do que se verificou em 2016”. Já a despesa efetiva deve subir 1%, até por causa da atualização das pensões.

Cristina Oliveira da Silva e Margarida Peixoto

4 de junho de 2017

SiforAGE, um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população

SiforAGE – Uma abordagem para promover o envelhecimento saudável e ativo numa economia sustentável e em crescimento através da articulação de investigadores e utilizadores finais

Um Livro Branco com recomendações para os decisores



Este projeto, que envolveu mais de 2000 agentes-chave na Europa, e que contou com a participação da APRe!, é mais do que um projeto de investigação é um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população apresentadas no Livro Branco “Escolhas para uma Sociedade para todas as Idades”.

Neste relatório diz-se que uma boa governação e a elaboração de políticas relativas ao envelhecimento não beneficiam apenas as pessoas individualmente, mas, pelo contrário beneficiam toda a sociedade. A boa governação ajuda a garantir o respeito ético, indispensável à dignidade humana e contribui significativamente para o reforço da coesão social e promove a participação de todas pessoas, qualquer que seja o grupo etário, na vida política, social, económica, cultural e comunitária.

O conceito utilizado é a abordagem do percurso de vida enquadrado numa sociedade para todas as idades. Temos vindo a assistir a políticas para jovens e políticas para idosos. Ora este Livro Branco defende a reorganização da solidariedade social através de novas formas de relações e responsabilidades.

A Organização Mundial da Saúde ao defender o conceito de envelhecimento ativo como um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança no sentido de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem, definiu desde logo uma abordagem abrangente do envelhecimento.

O tema da participação será realçado neste texto em detrimento dos outros, apesar de não terem menos importância.

A participação baseia-se no princípio de “nada sobre eles sem eles”.

“A participação é o processo através do qual os agentes públicos e não-públicos envolvem indivíduos interessados ou afetados, grupos e indivíduos ou organizações, em vários estágios da tomada ou decisão. A participação é sempre um processo bilateral com informação mútua e comunicação, com diálogo elaboração conjunta de políticas, estratégias e ações”.

Os governos centrais e locais devem promover a coesão social e a solidariedade, sensibilizando a população para o envelhecimento numa perspetiva de percurso de vida, numa abordagem à medida que envelhecemos. Esta perspetiva requer políticas inovadoras, não só numa ótica das tecnologias e dos serviços mas também filosófica e ética para a mudança nas relações sociais e nos processos, no financiamento dos cuidados e em fórmulas relevantes de solidariedade.

E dado que estamos em época de pré-campanha eleitoral para as eleições autárquicas recomenda-se aos candidatos aos municípios e juntas de freguesias a elaboração de programas de ação, que envolvam diversas vertentes do processo de envelhecimento e, tendo como parceiros, além dos órgãos de decisão, os centros de investigação as organizações de idosos. Estes planos devem incluir prioritariamente a saúde e a participação, dado que a segurança financeira tem outras implicações e pode ser tratada noutro contexto. Para esse efeito o financiamento da UE será bem vindo.

As ações de informação, avaliação das situações, envolvimento, formação, monitorização dos resultados devem ser abordadas e articuladas entre as juntas de Freguesia, os municípios e o governo central.

Uma das recomendações do Livro Branco diz respeito aos decisores de todos os níveis no sentido de integrarem sistematicamente o envelhecimento no seu trabalho programático, conceptual, político, estratégico, tratando este tema de forma transversal.

No novo enquadramento do reforço das competências das autarquias locais competir-lhes-á inovar nos processos, integrando a comunidade, designadamente os destinatários das políticas, observar fatos, interpretar os resultados na busca de soluções, decidir, monitorizar e avaliar.

Espera-se dos autarcas eleitos em Outubro de 2017 uma vontade política de tratar o envelhecimento como uma política integradora dos mais velhos, dando cumprimento ao artigo 25º[1] da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, que estabelece o direito aos idosos a viverem com dignidade e independência e participarem na vida social e cultural.

Maria das Dores Ribeiro
Associada APRe! nº 1173

29 de Maio de 2017

[1] http://age-platform.eu/images/stories/EN/AGE_Briefing_OlderPeople_Fundamental_Rights_Nov11.pdf

31 de maio de 2017

10 medidas para travar a violência contra os idosos

Em outubro do ano passado o Governo criou um grupo de trabalho para desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável. A proposta é conhecida nas próximas semanas.


O grupo de trabalho encarregue de desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável vão entregar ao governo, nas próximas semanas, 10 medidas para travar a violência contra os idosos, avança o Jornal de Notícias.

Em Portugal, os casos de violência têm aumentado. Há dois dias, uma idosa foi encontrada morta numa arca frigorifica, em sua casa, em Estarreja. Portugal está mesmo na lista negra da Europa.

Pelo menos três idosos são vítimas de violência todos os dias, segundo números da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), citados pelo Jornal de Notícias. Só no ano passado mais de 1000 idosos foram agredidos, vítimas de assaltos ou de violência doméstica.

A maioria das pessoas agredidas são mulheres e a média de idades está nos 75,5 anos.

Portugal é o país com o maior registo de violência sobre idosos, de acordo com um estudo divulgado este mês. A investigação desenvolvida pela Faculdade de Saúde Pública do Porto e uma Universidade Sueca mostra que, entre os sete países analisados, Portugal é o que mais maltrata os idosos.

Quase metade dos inquiridos referem que já foram alvo de pelo menos uma experiência de violência durante a vida adulta, mais do dobro que a média dos países participantes.

O estudo analisou o impacto da violência na qualidade de vida dos idosos na Alemanha, Lituânia, Grécia, Itália, Espanha, Suécia e Portugal. Os dados mostram que a agressão psicológica é a mais comum, seguida da violência financeira, física e sexual.

O estudo refere que estes tipos de violência têm consequências negativas ao nível da saúde, muito depois de os abusos terem terminado.

Contactado pela TSF, Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, diz que é positivo surgirem números mas a realidade é bem pior.

O presidente da APAV lembra que são agredidos, em média, cerca de 20 idosos por semana, três por dia. Mas são números que podem não refletir a realidade, já que são apenas os casos que chegam à Associação. João Lázaro salienta que a violência contra idosos é muitas vezes financeira e acontece dentro da própria família.

Sara de Melo Rocha
Ler mais em: TSF 31.05.2017

17 de maio de 2017

Divulgação do Festival de Cinema Silver dedicado às questões intergeracionais a realizar na Covilhã

Numa organização da Banda da Covilhã em parceria com o Núcleo de Estudantes da Universidade da Beira Interior e com o apoio da Câmara da Covilhã, da União de Freguesias da Covilhã e Canhoso, e da Universidade da Beira Interior, realiza-se entre os próximos dias 18 e 20 de Maio, o Festival de Cinema Silver, que conta com a exibição de filmes que transmitem imagens positivas dos mais velhos, bem como debates dedicados à questão das relações intergeracionais.

De acordo com a organização "Pretende-se com este festival levar o espectador a identificar-se, sentir emoções com situações do filme em cuja acção ele não pode intervir. Estas podem ser aproveitadas para reflectir como corrigir e agir sobre a realidade". Esta primeira edição do festival visa ainda "promover uma atitude positiva relativamente ao envelhecimento" e contribuir para desfazer estereótipos que impedem as pessoas de encarar o envelhecimento com naturalidade".

As sessões cinematográficas com entrada livre para as quais estão todos convidados, decorrem no auditório da Banda da Covilhã, integram debates que reunirão vários participantes, designadamente profissionais que trabalham com os mais velhos.

28 de abril de 2017

29 de Abril, Dia Europeu de Solidariedade entre Gerações

COMUNICADO À IMPRENSA da AGE Platform Europa
Bruxelas, 28 de abril de 2017

Acordo-Quadro dos Parceiros Sociais da UE e proposta da CE sobre o equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada: novas medidas de apoio ao envelhecimento ativo e à solidariedade entre as gerações



Sendo o dia 29 de abril o Dia Europeu da Solidariedade entre as Gerações, a AGE Platform Europe acolhe favoravelmente tanto o acordo dos Parceiros Sociais Europeus sobre o envelhecimento ativo como a abordagem intergeracional adotada no mês passado e a proposta de diretiva para promover o equilíbrio entre a vida profissional e a familiar. O Pilar dos Direitos Sociais da UE foi lançado a 26 de abril pela Comissão Europeia. A AGE apela agora ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros da UE para que adotem rapidamente o Pilar da UE como um quadro que apoie uma maior solidariedade entre as gerações e que tenha um impacto positivo em milhões de cidadãos europeus.

"As questões coletivas intergeracionais exigem respostas coletivas intergeracionais", recordou Anne-Sophie Parent, Secretária-Geral da AGE, acrescentando que "a promoção da diversidade etária no local de trabalho é uma questão de coerência numa União Europeia que pede aos cidadãos que trabalhem mais".

Pequeno-almoço no PE e debate sobre envelhecimento ativo e solidariedade intergeracional no trabalho


Em 27 de abril, a AGE Platform Europe e o Intergrupo sobre o Envelhecimento e a Solidariedade Intergeracional do Parlamento Europeu, em conjunto com os grupos PPE e ALDE, organizaram um pequeno-almoço no Parlamento Europeu para assinalar o Dia Europeu da Solidariedade entre as Gerações.

O desenvolvimento de abordagens do ciclo de vida no local de trabalho que garantam ambientes de trabalho saudáveis ​​e fomentem a interação, a cooperação e a solidariedade entre as diferentes faixas etárias pode ajudar a manter os idosos no emprego por mais tempo e a transferir conhecimentos e experiências entre gerações.

No acordo-quadro sobre o envelhecimento ativo, os parceiros sociais europeus apresentam uma série de medidas que devem ser aplicadas para melhorar a "capacidade dos trabalhadores de todas as idades de permanecerem no mercado de trabalho, saudáveis ​​e ativos até à idade legal de reforma, e o fortalecimento de uma cultura de responsabilidade, compromisso, respeito e dignidade em todos os locais de trabalho onde todos os trabalhadores são valorizados como importantes, independentemente da idade." Estas propostas, que estão em consonância com as recomendações da AGE sobre o acesso ao emprego em destaque na nossa resposta ao lançamento do Pilar Europeu dos Direitos Sociais pela Comissão Europeia, são de extrema importância para construir ambientes de trabalho e emprego sustentável, contribuindo para a sustentabilidade dos sistemas de pensões como instituições de solidariedade entre gerações.

"Este acordo mostra a força dos parceiros sociais quando se reúnem e acordam uma agenda concreta", salientou o Sr. Heinz Becker , membro do Parlamento Europeu, apresentando o evento. "É muito importante atingir o princípio do envelhecimento saudável, que deve começar desde a mais tenra idade".

Assegurar o envelhecimento ativo e uma abordagem intergeracional exige um empenhamento comum por parte dos empregadores, dos trabalhadores e dos seus representantes, mas a União Europeia e as autoridades públicas nacionais têm também um papel a desempenhar no quadro de apoio necessário.

"Para algumas pessoas, a palavra «social» é uma palavra ruim", afirmou Ivo Vajgl , membro do Parlamento Europeu, "no entanto, este mundo tem de ser construído sobre a solidariedade e a responsabilidade social. Estou muito satisfeito com o facto de o Presidente da Comissão, Sr. Juncker, o ter sublinhado desde o início e apresentar as propostas abrangentes sobre o Pilar dos Direitos Sociais".

Pilar dos Direitos Sociais da UE: O equilíbrio entre vida profissional e vida privada e a importância do cuidado


Em toda a Europa, cerca de um em cada cinco trabalhadores mais velhos estão a cuidar, ao mesmo tempo, de um membro da família que necessita de cuidados e assistência. Ao mesmo tempo, muitos abandonaram o emprego porque não conseguiram conciliar o trabalho e os cuidados. Neste contexto, a introdução de uma licença de cuidador com remuneração, tal como proposto pela Comissão no Pilar Europeu dos Direitos Sociais, é uma proposta forte para reconhecer e apoiar os cuidadores informais no seu compromisso de solidariedade entre gerações dentro das famílias. O desenvolvimento de indicadores para a qualidade, acessibilidade e disponibilidade de cuidados de longa duração é um primeiro passo crucial para desenvolver mais tarde metas para serviços de cuidados de longa duração.

A proposta de permitir aos trabalhadores o direito a cinco dias remunerados de licença para cuidados é mais do que bem-vinda, uma vez que permitirá aos trabalhadores enfrentar situações de emergência quando um parente próximo de repente precisa de seu apoio e cuidados de longa duração. Mas cinco dias só serão suficientes se houver suficientes instalações de cuidados de longa duração disponíveis para responder a todas as necessidades de cuidados emergentes. É por isso que a proposta de disponibilizar fundos europeus para a criação de serviços de cuidados de longa duração é essencial para ajudar os Estados-Membros a lidarem com o envelhecimento demográfico da Europa. O investimento em cuidados de qualidade a longo prazo é essencial para apoiar o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e a igualdade de género.

22 de abril de 2017

Pior ou melhor velhice!

O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado


O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado. Em 2015, os/as portugueses/as com 65 ou mais anos residentes em Portugal eram já mais de 20% da população. Esta realidade em conjunto com a diminuição da natalidade sentida nos últimos anos reforçou a importância do envelhecimento tornando-o visível nas Grandes Opções do Plano.

A população activa da UE-27 tenderá a crescer cerca de 16% no grupo etário dos 55-64 anos entre 2010 e 2030, enquanto outros grupos etários apresentam uma tendência decrescente (por exemplo 5,5% o grupo de 40-54 anos ou 15% no grupo de 25-39 anos de idade).

As políticas e medidas a adoptar deverão ter em conta quem envelhece mas também as implicações sócio-económicas deste envelhecimento mais ou menos activo ou mais ou menos saudável. E sabemos que envelhecemos como vivemos. Com mais ou menos saúde e actividade decorrente dos nossos comportamentos e hábitos ao longo da nossa vida. Não menos importante é pensarmos nos cuidadores e de que forma poderemos criar condições para melhores cuidados, seja ao nível familiar sempre que possível, seja na comunidade e nas organizações que tantas vezes asseguram os últimos dias com algum conforto e apoio.

Considero que muito tem sido feito nos últimos 30 anos para fazer face a mutações muito rápidas na organização social, particularmente na célula familiar, permitindo criar respostas de apoio. Todavia, sabemos que são manifestamente insuficientes e necessitam por vezes de mais ou melhores recursos, das melhores práticas disponíveis e de acesso ao que de melhor se faz e sabe fazer, com fundamentação científica, relacionada com o envelhecimento.

A promoção de um estilo de vida activo, saudável, em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida e autonomia, intervindo nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos, assim como desenhar e implementar de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam promover competências, prevenir e tratar a dor e a doença, são medidas essenciais para a sustentabilidade da nossa sociedade neste período de maior invernia demográfica.

A custo-efectividade da intervenção psicológica junto do processo de envelhecimento, em adultos e idosos, no combate ao declínio físico e intelectual, à solidão, ao isolamento e à marginalização social, assim como na promoção da independência, autonomia, participação na vida social e adaptação a este processo devem merecer particular atenção dos decisores políticos.

Entre os vários profissionais que podem dar novas, eficientes e eficazes respostas e ter abordagens preventivas perante esta realidade, estão os/as psicólogos/as, entre os quais quase duas centenas já especialistas em psicogerontologia, número que a curto prazo deverá triplicar.


Escreveu Florbela Espanca...

"Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

[...]

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ... "

... ou melhor velhice!

Francisco Rodrigues
Bastonário da Ordem dos Psicólogos

20 de abril de 2017

Seminário Internacional de Gerontologia Social


A Presidente da APRe! Maria do Rosário Gama, vai estar presente no Seminário Internacional de Gerontologia Social, que vai decorrer na Universidade Lusófona no próximo dia 27 de Abril de 2017, aonde participará numa mesa redonda que terá como tema: Direitos e Protecção das Pessoas Idosas?

Quem quiser participar no seminário, poderá fazer AQUI a inscrição, a qual terá um custo de 10€.

11 de abril de 2017

Estimulação cerebral devolve autonomia a 900 doentes

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Doença de Parkinson, uma patologia que afeta cerca de 18 mil portugueses. A colocação de elétrodos no cérebro alivia os sintomas motores


"No dia 12 de setembro de 2016 recomecei uma nova vida. Voltei a fazer coisas simples que tinha deixado de fazer há 8 anos, como comer de garfo e faca ou conduzir." Foi nesse dia que Vasco Pereira, de 62 anos, foi submetido a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda, intervenção que permite reduzir os sintomas motores da doença de Parkinson e as dosagens de medicação. "Estava a viver num lar, mas consegui voltar para casa. Faço uma vida normal", conta ao DN.

Vasco tinha 45 anos quando lhe foi diagnosticada a doença de Parkinson, uma patologia neurodegenerativa para a qual não há cura nem prevenção, que se caracteriza por tremores, rigidez, lentificação dos movimentos, instabilidade postural. Está também associada a problemas no sono e alterações cognitivas. Descrita há 200 anos pelo médico James Parkinson, é uma doença que afeta cerca de 18 mil pessoas em Portugal. Em casos específicos, os doentes são indicados para fazer a cirurgia de estimulação cerebral profunda, que não trava a progressão da doença, mas ajuda a reduzir os sintomas. De acordo com os dados cedidos ao DN pela empresa de tecnologia médica Medtronic, foram realizadas cerca de 900 intervenções no país desde 2002.

"Grande parte dos sintomas motores deve-se à perda de um neurotransmissor, a dopamina, que causa uma série de alterações no cérebro", explica ao DN Marcelo Mendonça de Sousa, neurologista no Hospital Egas Moniz (CHLO), uma das seis unidades que realizam a minuciosa cirurgia em Portugal. Desde os anos 50 que há fármacos para a doença, contudo "o grande problema é que são muito eficazes no início do tratamento, mas cerca de cinco anos depois metade dos doentes tem complicações motoras". A medicação deixa de fazer efeito com muita rapidez e ocorrem discinesias: "Movimentos aberrantes, involuntários, altamente disruptivos para a qualidade de vida do doente."

Ao fim de dez anos, quase 80% dos doentes passa por isso, o que requer ajustes frequentes da medicação. "Mas nem todos os doentes se conseguem tratar com esses ajustes. É para esse grupo que a cirurgia está recomendada", explica o cirurgião, ressalvando que a intervenção não pode ser realizada se existirem doenças psiquiátricas ou alterações cognitivas.
No início do tratamento, a medicação tende a funcionar bem. "É a chamada lua-de-mel", indica Paulo Bugalho, neurologista responsável pela consulta das doenças de movimento no mesmo hospital.

Segunda lua-de-mel
A cirurgia, que será indicada "para cerca de 10% dos doentes" - sobretudo os mais novos -, é "a segunda lua-de-mel". "É muito eficaz e resulta numa melhoria grande em termos de qualidade de vida", destaca. A esmagadora maioria dos doentes continua a fazer medicação, mas em doses mais reduzidas.

A operação, que consiste na colocação de dois pequenos elétrodos através de pequenos orifícios no crânio, dura cerca de oito horas e é realizada com anestesia local. Carla Reizinho, neurocirurgiã no Hospital Egas Moniz, explica que, antes de começar, é feita uma TAC, que é fundida com uma ressonância magnética realizada anteriormente, de forma a determinar "exatamente o alvo [núcleo de substância cinzenta a estimular] e a trajetória" para a colocação dos elétrodos.

Com o doente acordado durante a cirurgia, é possível perceber se melhora os tremores, por exemplo, ou se existe algum efeito adverso à medida que é feita a estimulação. Depois de determinado o sítio mais seguro, são "substituídos os elétrodos provisórios pelos definitivos". Só depois disso é administrada anestesia geral, para fazer a conexão dos elétrodos a uma espécie de pacemaker que é colocado na região abaixo da clavícula. Uma cirurgia que, segundo a especialista, também tem sido usada em casos de epilepsia refratária, dor crónica e perturbação obsessivo-compulsiva e que está em estudo para bulimia, anorexia, Alzheimer. Custa 25 mil euros, mas traduz-se numa redução dos fármacos.

Acompanhamento pré e pós
Depois da cirurgia, a voltagem elétrica do dispositivo vai sendo alterada de forma a obter a melhor resposta. É nessa fase que se encontra Daniela, uma doente de 38 anos, que pediu para não ser identificada, porque receia que a exposição a possa condicionar no futuro. "A minha expectativa é adquirir equilíbrio e mobilidade para manter a minha profissão e ser mãe." Cerca de dois meses após a cirurgia, Daniela fala numa "evolução brutal". Diz que não tem movimentos involuntários e dores e que faz "muita coisa que não fazia". "Tinha picos em que me movimentava excessivamente, outros em que ficava completamente parada."

Daniela teve os primeiros sintomas há quatro anos, com apenas 34 anos. "A idade é o principal fator de risco, mas a doença pode ser diagnosticada em pessoas mais novas", afirma o neurologista Marcelo Mendonça de Sousa. As causas continuam desconhecidas. "Sabe-se que em 5% dos casos há uma causa genética e que há a influência de fatores ambientais."

Em Portugal, um estudo epidemiológico feito em 2014 revelou uma prevalência estimada de 180 casos por cada cem mil habitantes. "Espera-se que o número aumente à medida que a população vai envelhecendo, uma vez que é uma doença relacionada com a idade", explica Paulo Bugalho, que também é professor na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

A doença surge muitas vezes associada a depressões. "Mexe muito com a parte psicológica. Os doentes têm altos e baixos e há muitas alterações no humor", sublinha Fernando Pereira, responsável pela delegação do Norte da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson. Casado com uma doente que foi submetida à cirurgia, diz que a mulher passou a "andar e a fazer uma vida normal, o que não acontecia". Rejeitou o primeiro implante, em 2008, mas colocou um novo em 2010. Como em qualquer intervenção cirúrgica, há o risco de hemorragia e infeção, bem como outros associados aos elétrodos, mas os médicos dizem que as complicações são raras.

Joana Capucho

9 de abril de 2017

Doença de Parkinson vai aumentar em Portugal

A doença de Parkinson, a patologia neurodegenerativa mais prevalente a seguir à de Alzheimer e que já afeta quase 20 mil portugueses, vai aumentar com o envelhecimento da população


"A prevalência da doença é grande e temos dificuldade em ter estudos epidemiológicos em Portugal, mas fizemos um com o apoio da Associação de Doentes de Parkinson e a prevalência estimada é de 180 por 100 mil habitantes", disse à agência Lusa a neurologista Cristina Januário do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Na terça-feira, 11 de abril, assinala-se o Dia Mundial da doença, que atinge mais de uma em cada mil pessoas na Europa. É a data de nascimento do médico James Parkinson, o primeiro a descrever a doença faz precisamente 200 anos.

Salientando que a doença de Parkinson é "também uma patologia do envelhecimento", a médica Cristina Januário alerta que a população portuguesa está a envelhecer, o que aumenta a sua prevalência.

Apesar de a doença ser progressiva e de ainda não se poder travar o seu curso, alguns doentes conseguem reunir os requisitos para se submeterem a uma terapêutica disponível desde 2002 em Portugal, que consiste no implante de um dispositivo que estimula núcleos específicos no cérebro.

Nos últimos anos, várias centenas de doentes em Portugal recuperaram autonomia e mobilidade através daquela cirurgia inovadora, que trouxe melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes ao baixar as dosagens de medicação e ao reduzir os sintomas motores.

"A eficácia desta intervenção depende muito da seleção dos doentes, porque nem todos podem ser submetidos à cirurgia, nem todos têm eficácia com esse tratamento. E depois há um acompanhamento no pós-operatório que é fundamental", considerou o neurologista Fradique Moreira, da consulta de estimulação cerebral profunda nos CHUC.

A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios mais avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado com a doença de Parkinson.

De acordo com o especialista, existem três etapas fundamentais para o sucesso da cirurgia.

"A seleção criteriosa, saber o doente que temos à frente e gerir as suas expectativas, e o acompanhamento pós-operatório".

Para Cristina Januário, o grande objetivo da intervenção passa por baixar a dose de medicamentos que o doente toma, porque tem efeitos secundários, e reduzir os sintomas motores.

"Conseguimos dar uma boa qualidade de vida e melhorar os sintomas que já não estavam a ser controlados pela medicação. O doente fica com uma boa capacidade motora, mas a doença continua a progredir, pois é degenerativa e ainda não conseguimos travar o seu curso"


Segundo Fradique Moreira, no acompanhamento pós-operatório é feita uma gestão entre a estimulação que é fornecida ao doente e a gestão também da medicação.

"Não se opera o doente e o processo está terminado. O objetivo é restabelecer o funcionamento normal de um circuito cerebral anómalo, através da aplicação de um estímulo elétrico num núcleo específico que faz parte desse circuito, que servirá de marca-passo para o funcionamento celular", explicou o neurologista, salientando que é necessário ajustar e regular o aumento da estimulação e o decréscimo da medicação.

No CHUC, unidade que realiza esta intervenção desde final de 2012, já foram operadas cerca de 40 doentes, numa média de cerca de um por mês, mas o objetivo é continuar a crescer.

Anualmente, a especialidade de doenças do movimento naquela unidade hospitalar realiza cerca de 2.600 consultas, sendo maioritariamente referentes à doença de Parkinson.

O grande desafio da doença, que afeta quase 20 mil portugueses, é descobrir o mecanismo que leva um grupo de neurónios a deixar de produzir a substância dopamina, considerou a neurologista Cristina Januário.

"O grande desafio passa, sobretudo, por entender qual o mecanismo que leva a que aqueles neurónios deixem de produzir a substância que deviam produzir, aí é que será a forma mais interessante de atuar", frisou a especialista do CHUC.