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1 de março de 2018

Tertúlia: Como Chegar a Velho Saudável

O Núcleo de Coimbra vai organizar uma tertúlia integrada no ciclo "Envelhecer - Que Respostas? Que Propostas?" 

Adriana Teixeira, médica e Nuno Silvano, atleta de alta competição e personal trainer, vão ajudar-nos a perceber "Como chegar a velho saudável". 

Data: dia 7 de Março, às 21.15 horas
Local: Sede da APRe!.
          Rua Jorge Mendes, Lote 1 – nº 5 r/c Esqº
          3000 – 561 COIMBRA


 


10 de dezembro de 2017

Cuidar dos cuidadores

No passado dia 5 de Dezembro, o Núcleo da APRe! em Coimbra realizou uma Tertúlia sobre o tema “CUIDAR DOS CUIDADORES”. 


Os oradores convidados – a Professora Marília Dourado da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra na área de investigação em cuidados de longa duração e cuidados paliativos e o Vice-presidente da APRe! e da AGE Fernando Martins – desenvolveram o tema de uma forma muito interessante, tocando em vários aspectos que entusiasmou o público assistente e teve como consequência um debate final muito participado. 


Destacamos aqui o ponto de partida da exposição da Professora Marília Dourado alertando que a nossa humanidade nos torna naturalmente cuidadores. No entanto, é fundamental formar e informar os cuidadores, isto é, ministrar-lhe competências técnicas e práticas e fazer-lhes saber a que tipo de apoios podem recorrer e identificar os amparos em falta e que é preciso implementar. 


Fernando Martins intitulou a sua exposição “vamos falar dos avós”, falando deles como cuidadores e como alvo de cuidados. Abordou também a Directiva da Comissão Europeia cuja revisão está em preparação e em que existem propostas concretas de redefinição de conceitos para que haja uma adaptação à actual realidade, nomeadamente em termos de cuidados de longa duração, de parente, de dependência, entre outros. 


A moderação esteve a cargo da nossa associada Dr.a Adriana Teixeira.


3 de dezembro de 2017

Com pressa para envelhecer: Vamos ser os mais rápidos a chegar aos 50 anos

Esta infografia mostra a idade média da população entre 1960 e 2060. A ONU prevê, para alguns países europeus, uma idade média de 50 anos para daqui a pouco mais de uma década.

A previsão abrange países como Espanha, Itália, Grécia e Portugal, enquanto países como a Alemanha, a Polónia, a Bósnia e a Croácia, vão atingir essa média mais tarde. As previsões apontam para que, em 2030, o nosso país tenha uma idade média de 50 anos, com todas as implicações que isso tem para a segurança social, a saúde e o mercado de trabalho. O Reino Unido, França, Irlanda e os países que faziam parte da União Soviética serão aqueles com a população mais jovem.

Clique para ver a evolução da idade média na Europa entre os anos de 1960 e 2050
Mário Malhão

24 de novembro de 2017

Cuidar dos Cuidadores

O Núcleo de Coimbra convida todos os associados a juntarem-se a nós no dia 5 de Dezembro, pelas 18 horas, na Sede da APRe! (Rua Jorge Mendes, lt 1, nº5 – Coimbra).

Vamos, com a preciosa colaboração da Professora Marília Dourado e do Vice-Presidente Fernando Martins, pensar sobre como CUIDAR DOS CUIDADORES

Os cuidadores informais não têm nenhum tipo de apoio nem social, nem material. Se queremos envelhecer na nossa casa, há que criar condições para que isso seja possível e, um dos aspectos a considerar é que estas pessoas – cuidadores – tenham o suporte de um estatuto que salvaguarde esta função. 

Venha debater este tema connosco e transmitir-nos a sua experiência! Sensibilizar o poder local e central para estes problemas só resulta se contribuirmos com a nossa participação.

APRe! - Núcleo de Coimbra

19 de novembro de 2017

Longevidade? Só com boa saúde

O presente e o futuro da ciência da longevidade e dos negócios que nos querem vender tempo de vida saudável numa conversa com o investigador português, professor da Universidade de Liverpool.

João Pedro de Magalhães, investigador português e professor da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, estuda o processo de envelhecimento e as suas possíveis manipulações para prevenir doenças relacionadas com a idade. É consultor de várias organizações sem fins lucrativos e empresas de biotecnologia. Dá-nos aqui a sua perspectiva sobre o presente e o futuro da ciência da longevidade e dos negócios que nos querem vender tempo de vida saudável.

Está no nosso horizonte ter uma vida sempre jovem, apenas limitada por algum acontecimento violento?
Nós sabemos que existem espécies animais complexas, como tartarugas, certos peixes, salamandras, etc., que aparentam não envelhecer. Por isso o envelhecimento não é inevitável nem universal. Acredito, do ponto de vista teórico, que vá acontecer um dia, mas não acho que vá acontecer num futuro próximo. Aquilo que nós conseguimos fazer em modelos animais, como ratos e ratinhos, é manipular o processo de envelhecimento, ou seja, aumentar a longevidade e preservar a saúde em animais mais idosos. Mas não conseguimos, nem sequer estamos perto de conseguir, abolir o envelhecimento em animais.

Sabemos como aumentar significativamente a longevidade de vermes e ratos de laboratório. Até que ponto esses estudos poderão ser úteis para conseguir o mesmo aumento em seres humanos?
É verdade que tem havido um grande progresso no sentido de aumentar a longevidade e manipular o envelhecimento em modelos animais, incluindo em ratos e ratinhos. Em vermes, consegue-se mudar um só gene e aumentar a longevidade dez vezes. Em ratinhos, consegue-se aumentar a longevidade 50%. Creio que são avanços conceptuais que mudam a forma de ver o envelhecimento, como um processo plástico que pode ser manipulado. Nós conhecemos mais de 2000 genes em organismos-modelo que têm impacto na longevidade. E conhecemos mais de 400 medicamentos que aumentam a longevidade nesses organismos. Há um grande entusiasmo para aplicar esse conhecimento a seres humanos. Não só na academia como na indústria biotecnológica e farmacêutica.
É claro que existe uma barreira, existe um golfo entre aquilo que se consegue fazer em modelos animais e aquilo que se consegue fazer em humanos. Estão sempre a aparecer notícias de se conseguir curar o cancro em ratinhos. Nós já curámos o cancro em ratinhos umas dezenas de vezes, mas a grande maioria daquilo que se consegue fazer em ratinhos não é aplicável a seres humanos. Por isso, eu diria que a grande maioria destas intervenções que estão a ser testadas para manipular o envelhecimento em seres humanos, estatisticamente, vai falhar. Agora, o que é interessante é que bastava uma destas intervenções conseguir abrandar o envelhecimento e teríamos imensos benefícios a nível de saúde, económicos e mesmo a nível social. Porque abrandar o envelhecimento teria um impacto em todas as doenças que lhe estão associadas, o cancro, doenças neurodegenerativas, doenças cardiovasculares, etc.

De que forma é que o seu trabalho com animais que vivem muito tempo, como a baleia-da-gronelândia ou o rato-toupeira-nu nos pode ajudar a compreender a longevidade?
Há dois focos no estudo de animais que vivem mais tempo. O primeiro é do ponto de vista da compreensão do processo de envelhecimento. Nós, apesar de conseguirmos manipular o envelhecimento em animais, ainda não percebemos bem por que é que envelhecemos. Há quem diga que os danos no ADN e as mutações são importantes. E há outras teorias, mas não sabemos ao certo. Perceber a variação natural da longevidade pode dar-nos pistas para conseguirmos compreender melhor o processo do envelhecimento do ponto de vista mecanístico. E também do ponto de vista genético. Saber quais são os genes que permitem à baleia-da-gronelândia ou ao rato-toupeira-pelado viver tanto tempo pode dar-nos pistas a nível de mecanismos genéticos, moleculares, celulares. Mas pode potencialmente também ter aplicações humanas. Se conseguirmos compreender os mecanismos que outras espécies usam, podemos tentar descobrir medicamentos que tenham os mesmos benefícios ou que imitem as mutações que existem no rato-toupeira-pelado ou na baleia-da-gronelândia, para também nós termos os benefícios dessas mutações.

Até que ponto as nossas opções de estilo de vida podem ser determinantes? Em particular, até que ponto uma dieta de restrição calórica pode ajudar a prolongar a nossa vida?
Nós sabemos que a restrição calórica em modelos animais normalmente (não sempre) aumenta a longevidade, leva a uma melhor saúde em idades avançadas e menos doenças. Persistem algumas questões sobre a aplicabilidade em seres humanos. Existem estudos feitos em macacos Rhesus, que vivem 40 anos, e por isso demoram muito tempo, e os resultados até agora indicam alguns benefícios de saúde com a restrição calórica, por exemplo, a nível de prevenção do cancro, mas não necessariamente a nível de longevidade. Por isso existem algumas questões sobre se a restrição calórica funciona ou não em seres humanos.

E o stress?
É um ponto interessante. Existem alguns estudos que sugerem que a forma como as pessoas lidam com o stress é importante para a longevidade. Se formos a ver, há centenários que sobreviveram ao Holocausto e que combateram em guerras, passaram por situações de muita tensão nervosa. E mesmo assim vivem muito tempo. Por isso não acho que o stress seja impeditivo de se viver muito tempo, mas a forma como se lida com o stress terá um impacto. E outras questões como fazer exercício: sabemos que fazer exercício regulamente está associado a uma maior longevidade e melhor saúde em idades avançadas. Por isso, o estilo de vida e os nossos comportamentos afectam quanto nós vivemos e a nossa saúde quando formos mais velhos. Mas também é importante referir que esse impacto é limitado. Ou seja, por muito que uma pessoa tenha um estilo de vida saudável, não quer dizer que viva para sempre. Acaba-se por envelhecer e não é um determinante de quanto se vai viver. Os americanos têm uns autocolantes traseiros nos carros com umas piadas e uma vez, acho que estava no Texas, vi um que dizia qualquer coisa como: “Eat healthy, don’t smoke, exercice, don’t drink alcohol, you still die” [tenha uma alimentação saudável, não fume, faça exercício, não beba, morre na mesma].

Retardamento ou reversão do envelhecimento? O que poderá ser mais prometedor?
Neste momento, aquilo que nós conseguimos fazer em modelos animais é retardar o envelhecimento. Por isso eu diria que no horizonte estão terapias, nomeadamente fármacos, que nos permitam retardar o envelhecimento, de modo a aumentar a longevidade e a saúde. Reverter o envelhecimento teria um impacto muito maior, obviamente: a nível de saúde seria enorme, comparado com retardar o envelhecimento. Mas neste momento ainda não é claro que isso sequer se consiga fazer em modelos animais, em roedores, por isso é bastante difícil dizer quando é que será possível em humanos. Há quem argumente que se consegue reverter o envelhecimento em tecidos específicos ou em órgãos específicos, através de certas intervenções. Talvez, mas, para mim, o processo de envelhecimento engloba múltiplos sistemas em múltiplos órgãos. Reverter o envelhecimento tem de ser algo que reverta o envelhecimento como um todo, ou, pelo menos, a maioria das características do envelhecimento. Isso é possível do ponto de vista teórico e teria um impacto gigantesco, mas não acho que esteja no horizonte. Pelo contrário, o retardamento do envelhecimento creio que sim, já há empresas, já há ensaios clínicos e é claramente possível que venha a acontecer.

Há alguma intervenção antienvelhecimento actualmente disponível, farmacológica ou outra, que considere que vale mesmo a pena?
Nem por isso. Pessoalmente, não tomo nenhum fármaco nem faço restrição calórica. Apesar de conhecermos muito fármacos e dietas que em modelos animais retardam o envelhecimento, sabemos muito pouco acerca dessas intervenções em seres humanos, nomeadamente quais podem ser os efeitos secundários. Por exemplo, em relação à restrição calórica, não sabemos ao certo quais são os benefícios em pessoas, mas sabemos que pode ter efeitos secundários. Com base em estudos animais, reduz a capacidade para combater infecções, por exemplo. Por isso, para quem tem um estilo de vida saudável, não acho que haja nenhuma intervenção que valha a pena actualmente. Aquilo que eu faço e o que eu sugiro é aquilo que qualquer médico ou mãe sugerem: não fumar, não beber demasiado álcool, ter uma alimentação saudável, fazer exercício. Mas a nível de intervenções antienvelhecimento específicas, para além disso, não acho que haja nada que esteja provado ou que existam provas suficientes para valer a pena fazer. É diferente se se tiver alguma doença ou alguma predisposição genética. Por exemplo, há pessoas que têm predisposição genética para cancro. Eu, se tivesse uma predisposição genética para o cancro, provavelmente faria restrição calórica. Acho que existem provas em macacos, mesmo estudos epidemiológicos em mulheres anorécticas, de que a restrição calórica tem um impacto a nível da diminuição do cancro. Acho que há condições clínicas nas quais certas intervenções valeriam a pena e eu fá-las-ia nessas situações. Mas, para pessoas saudáveis, não acho que valha a pena. Mas isso também depende da pessoa, estamos na altura da medicina personalizada. Convém ver que aquilo que funciona, o que uma pessoa acha que vale a pena, não é necessariamente aquilo que o vizinho acha que vale a pena. Há muita variação entre pessoas, não há um “one size fits all”.
Aquilo que eu faço e o que eu sugiro é aquilo que qualquer médico ou mãe sugerem: não fumar, não beber demasiado álcool, ter uma alimentação saudável, fazer exercício

Quer acrescentar alguma coisa acerca deste assunto?
Só clarificar que, quando falamos em aumentar a longevidade e em retardar o envelhecimento, falamos em retardar várias doenças, não estamos simplesmente a aumentar a longevidade num período de decrepitude, mas a aumentar a longevidade com boa saúde. E é isso que nós vemos, por exemplo, nos centenários. O tempo e os custos de hospitalização dos centenários nos últimos dois anos de vida são bastante menores do que pessoas que morrem com 70 ou 80 anos. Nas intervenções antienvelhecimento, estamos falar de uma pessoa com 70 anos passar a ter a saúde de uma pessoa com 50. Não é simplesmente aumentar a longevidade de uma pessoa moribunda.

João Pedro de Magalhães
Ler mais em publico.pt de 19-11-2017

9 de novembro de 2017

Web Summit: Carros autónomos abrem portas a maior mobilidade para idosos

A tecnologia promete aumentar a autonomia de uma sociedade a envelhecer. E dar aos fabricantes um mercado em crescimento.


Os automóveis autónomos prometem transformar o sector automóvel e a vida de milhões de pessoas, que em vez de um volante passarão a ter mais tempo nas mãos, e que poderão optar por aplicações com frotas de carros-robô em vez de ter um carro próprio. A tecnologia, porém, não será apenas para os mais novos, nem para os entusiastas dispostos a tirar os olhos da estrada para passar ainda mais tempo no email ou nas redes sociais. Aqueles para quem a condução passa a ser um problema à medida que a idade avança são um dos grupos que poderão tirar dividendos do investimento tecnológico que as empresas estão a fazer.

Um dos objectivos da Toyota (o maior fabricante do mundo em termos de carros produzidos) é “tornar os carros mais acessíveis, incluindo para uma sociedade que está a envelhecer”, explicou ao PÚBLICO Jim Adler, director da Toyota AI Ventures, um braço de capital de risco da marca nipónica, cuja tarefa é investir em startups que trabalhem em áreas como a robótica ou a inteligência artificial. A conversa aconteceu na Web Summit, em Lisboa.

O problema está bem diagnosticado: “À medida que ficamos mais velhos, pode ser uma questão de orgulho continuarmos a conduzir, mas pode não ser seguro. E os mais velhos querem conduzir também por uma questão de autonomia”, observou Adler. O problema deixará de existir se for o carro a assumir a tarefa.

Isto significa também que os fabricantes de carros poderão vir a chegar a uma nova faixa de clientes, especialmente em regiões do mundo que estão a envelhecer, como é o caso do Japão (onde o Governo está a testar autocarros autónomos para idosos em zonas rurais), dos EUA e de muitos países europeus. Números da Comissão Europeia estimam que, até 2030, um quarto da população dos países da União tenha 60 ou mais anos. Em 2060, 12% terão, pelo menos, 80 anos. “É um mercado enorme”, resume Adler. Recentemente, a Toyota investiu numa startup israelita que desenvolve robôs para acompanhar idosos. Para além do potencial de negócio, explicou Adler, parte tecnologia poderá vir a ser incorporada em automóveis.

Não é certo quando chegarão os carros inteiramente autónomos às estradas, mas ninguém parece duvidar de que acabarão por chegar. A tecnologia está, essencialmente, pronta para circulação em auto-estrada. As cidades, porém, com o caos de pessoas, semáforos, obras e todo o tipo de imprevistos são um problema maior para a inteligência artificial. E há questões legais, regulatórias e éticas para ultrapassar.

Num debate em que participou na Web Summit, Adler apontou 2050 como uma data possível. Na outra ponta do sofá havia mais optimismo: o presidente da ClearMotion, uma empresa que desenvolve carroçarias, que usam algoritmos para se adaptar em tempo real às circunstâncias, afirmou que seria já em 2020. No meio ficou o executivo da Porsche Philipp von Hagen: “Algures entre essas duas datas.”



Haverá, em qualquer dos casos, um período de transição. No veículos privados – que podem durar mais de uma década nas mãos dos donos (na União Europeia, a média é de quase 11 anos) – “vai ser lento”, reconheceu Adler. Mas argumentou que plataformas como a Uber funcionam como aceleradores: “Tipicamente os carros são conduzidos 4% do tempo. Um táxi é conduzido dez vezes mais, pelo menos. Talvez os carros tenham de ser substituídos mais vezes, porque o uso vai aumentar. Isso vai forçar os fabricantes, como a Toyota, a andarem mais depressa.”

João Pedro Pereira, 8/11/2017
Ler mais no Jornal Público

26 de outubro de 2017

Rosário Gama no "Consultório do Reformado", esclareceu duvidas levantadas nos anteriores programas dedicados aos Cuidadores Informais e Formais


Dando seguimento à sua colaboração quinzenal na rubrica Consultório do Reformado do programa "A Praça", da RTP 1, a Presidente da APRe! Rosário Gama, esteve ontem 4ª feira dia 25 de Outubro no programa a esclarecer algumas das duvidas levantadas nos tele-espectadores pelos temas abordados nos anteriores programas que foram dedicados aos Cuidadores Informais e Formais.

Quem ainda não teve oportunidade de ver o programa pode vê-lo AQUI.

20 de outubro de 2017

‘Healthy Ageing’

O enorme desafio do envelhecimento sustentável exige que sejamos capazes de combinar diagnósticos baseados na melhor evidência científica com soluções práticas e criativas.


Em julho de 2017 os meios de comunicação social noticiaram que uma avó de 96 anos cumpriu o sonho de saltar de paraquedas de um avião, no aeródromo de Évora.

Física e socialmente ativa, esta avó simboliza o espírito de um envelhecimento saudável que ambicionamos, mas que infelizmente em Portugal é uma exceção. Este tema tem vindo a merecer uma reflexão aprofundada sobre as oportunidades de saúde, segurança, participação e aprendizagem que estamos a criar para uma camada cada vez mais significativa da população – cerca de 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos e Portugal é um dos países mais envelhecidos da UE.

Com enormes progressos globais na redução da mortalidade infantil e de doenças infecciosas, estamos a viver mais tempo, o que não significa que estamos necessariamente a viver melhor. Para tornar o envelhecimento saudável uma realidade, deve haver um compromisso de melhorar a saúde ao nível individual, aplicando novos conceitos de medicina digital e de precisão ao bem-estar das populações.

A conferência da Saúde enquadrada na iniciativa Beyond – Portugal Digital Revolutions promovida pela EY, pretende trazer um novo olhar sobre estratégias de intervenção e utilização de tecnologias, que funcionem como uma alavanca de mudança da gestão da doença para o bem-estar; e que, por outro lado, promovam o envolvimento dos consumidores na promoção de uma mudança de comportamento duradoura.

Para tal são necessárias novas parcerias e soluções que garantam que o período de vida saudável está alinhado com o aumento da esperança de vida e combinem o pensamento de diferentes indústrias com o know-how dos profissionais de saúde e das organizações.

A capacidade de integrar diferentes competências e recursos que os diferentes parceiros podem trazer – financiadores, prestadores, empresas, empreendedores e inovadores – é crítica e exige o desenvolvimento de novas métricas de envelhecimento saudável, que podem ir desde dados genéticos e ambientais a novas metas de saúde.

Nenhum grupo terá a solução única e ideal para um envelhecimento saudável e sustentável. Como sociedade teremos assim que saber antecipar e discutir quais os desafios científicos, económicos, políticos, éticos, legais e sociais que esta transformação acarreta e testar soluções que possam ser implementadas rápida e eficazmente.

Como a avó que cumpriu o seu sonho aos 96 anos teremos que combinar audácia, resiliência e capacidade de concretização. O enorme desafio do envelhecimento sustentável exige que sejamos capazes de combinar diagnósticos baseados na melhor evidência científica com soluções práticas e criativas.

Guilherme Victorino

17 de outubro de 2017

Comunicado à Imprensa da AGE Platform Europe, 17 de outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza



A AGE exige uma forte proclamação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais para proteger as mulheres mais velhas, ainda expostas a altos riscos de pobreza


Bruxelas, 16 de outubro de 2017

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, 17 de outubro

Para o Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, a AGE destaca o risco de pobreza que ainda persiste para as pessoas mais velhas, e particularmente para as mulheres mais velhas, apesar dos números apresentados pela Comissão Europeia. Solicitamos por isso uma forte proclamação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais nos próximos meses, juntamente com ações decisivas de acompanhamento da Comissão e dos Estados-membros para tornar realidade os direitos das mulheres mais velhas.


Embora a Comissão Europeia assinale frequentemente que a taxa de pobreza e exclusão social diminuiu para as pessoas com mais de 65 anos durante a crise, isso esconde realidades muito diversas.

"O fosso de quase 40% na UE relativo à pensão baseada no género deveria aumentar o alarme entre os decisores políticos. No entanto, preferem mostrar taxas de pobreza médias nacionais, que não refletem a realidade enfrentada por muitas mulheres mais velhas", diz Anne-Sophie Parent, secretária-geral da AGE Platform Europe. "As mulheres mais velhas enfrentam múltiplos riscos de pobreza: suportam as consequências financeiras de passar mais tempo a educar os filhos e a cuidar de familiares, de discriminação de género em termos de remuneração e de longevidade. E o fosso das pensões de género continuará a aumentar se nada for feito para enfrentar as desigualdades sofridas pelas mulheres e garantir que tenham acesso a um rendimento justo e digno ao longo das suas vidas."

O fosso da pensão de género varia entre os Estados-membros, chegando a quase 45% na Alemanha, no Luxemburgo ou nos Países Baixos. Os Estados-membros com menor hiato são, na verdade, países com pensões extremamente baixas, como a Estónia. A diferença de pensão de género traduz uma vida de desigualdades com que as mulheres se defrontam: um maior dispêndio de tempo com os filhos, em grande parte, uma diferença salarial de género de 16%, o facto de as profissões exercidas principalmente por mulheres serem menos valorizadas, e de as mulheres serem muito mais propensas a trabalhar a tempo parcial e em contratos precários. O Instituto Europeu para a Igualdade de Género apontou que isso também expõe as mulheres a um maior risco de permanecer na velhice com parceiros abusivos, uma vez que elas são financeiramente muito dependentes deles.[1]

O indicador de vida saudável é o mesmo para mulheres e homens (9,4 anos desde os 65 anos) - conquanto as mulheres tenham maior expectativa de vida (21 anos para mulheres com 65 anos , 18 anos para homens). Isto significa como os demógrafos afirmam: "os homens morrem, as mulheres sofrem”[2]. Isso significa também que as mulheres têm um duplo fardo financeiro na velhice: vivem mais e precisam de mais rendimento para se manterem fora da pobreza; e têm maiores necessidades financeiras para financiar os custos da saúde e dos cuidados de longa duração.

Muitas vezes, as figuras da pobreza são divididas em apenas três faixas etárias: jovens, idosos e aposentados, apesar de as décadas de vida após os 65 esconderem realidades muito diferentes.

Congratulando-se com alguns passos positivos das instituições da UE, a Secretária-Geral da AGE também insistiu que "são necessárias ações mais fortes para combater a discriminação de género no mercado de trabalho e em todos os outros domínios relevantes, tais como reformas em cuidados infantis e de idosos, para permitir que as mulheres recebam a sua quota justa de proteção pelas contribuições que elas trazem para a sociedade".

O Índice de Igualdade de Género agora contém um indicador sobre o tempo gasto em cuidar, mostrando grandes diferenças entre homens e mulheres, e esboça a situação para diferentes faixas etárias. O Relatório de Adequação de Pensão 2018 da UE, avaliará os níveis de pensão para diferentes tipos de carreiras, incluindo as com interrupções de cuidados mais longos. No entanto, essas ações apenas descrevem melhor a situação, mas não recomendam ações concretas. O Pilar Europeu dos Direitos Sociais constitui uma oportunidade para lutar novamente contra a pobreza: a proposta sobre o equilíbrio entre o trabalho e a vida, se for adotada, promoverá uma participação mais igualitária na assistência à infância e introduzirá uma licença de cuidadores remunerados - uma grande conquista para muitas mulheres que têm de interromper o emprego porque um parente se torna dependente dos seus cuidados. Uma possível diretiva-quadro sobre rendimentos mínimos adequados, e o princípio das pensões dignas também deve ajudar as mulheres mais velhas a manterem-se afastadas da pobreza.

13 de outubro de 2017

Comunicado à Imprensa da AGE – Platform Europe

Proteger a dignidade das pessoas idosas com necessidades de cuidados e permitir uma vida independente e comunitária, onde quer que optem por viver


Bruxelas, 13 de Outubro de 2017

A AGE Platform Europe felicita a Presidência da Estónia no Conselho da União Europeia e a Comissão Europeia pela organização da conferência "Dignidade + Vida Independente = DI, em 12 e 13 de outubro de 2017, em Tallinn. Este tema é altamente relevante para a luta da AGE pelos direitos e dignidade das pessoas idosas, incluindo aquelas com necessidades de cuidados.

Os membros da AGE, declararam consistentemente alcançar a qualidade dos cuidados, permitindo uma vida independente e protegendo a dignidade das pessoas mais velhas, como os principais desafios que a Europa enfrenta hoje e também no futuro próximo, dado o rápido envelhecimento demográfico. "Os serviços de cuidados indignos, a proteção social insuficiente e a sobrecarga de profissionais de cuidados e de cuidadores informais são muito comuns em toda a Europa. Isso dificulta o gozo dos direitos humanos por pessoas idosas com necessidades de cuidados e muitas vezes leva a negligência, violência e abuso", afirmou o presidente da AGE, Ebbe Johansen, na conferência em Tallinn, acrescentando que "existe uma séria falta de serviços adequados e de qualidade para pessoas idosas com necessidades de cuidados intensivos, incluindo as que vivem com demência avançada, o que tem pesadas consequências pessoais tanto para as pessoas idosas como para os seus familiares".

A AGE exige uma abordagem de transição para cuidados baseados na comunidade que seja progressiva e adaptada às necessidades específicas de cada grupo. No caso das pessoas idosas, a maioria delas deseja ficar em casa e deve estar capacitada a fazê-lo, com apoio e integração de qualidade suficiente nas suas comunidades para evitar a armadilha do isolamento e da solidão, o que é um grande problema para muitos idosos. No entanto, algumas pessoas mais velhas preferem viver em lares com cuidados residenciais e essa possibilidade deve-lhes ser também disponibilizada.

Os membros da AGE relatam bons exemplos de cuidados inovadores e de qualidade que permitem a independência vivendo em casa e em ambientes residenciais. Os exemplos também relatam uma "cultura institucional" generalizada na provisão de cuidados, o que significa ignorar os desejos e necessidades pessoais, a segregação, o desrespeito dos direitos e da independência e a negligência, tanto em casa como em cuidados residenciais. "As pessoas mais velhas são tão diversas quanto as de outras faixas etárias, e uma grande variedade de serviços para escolher deve estar disponível para elas. O ponto importante é garantir escolha, qualidade e serviços dignos baseados na comunidade, qualquer que seja a configuração. Isto está em conformidade com o artigo 19.º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CRPD), onde a escolha é um elemento central, e também com o relatório sobre autonomia e atendimento do Especialista Independente das Nações Unidas sobre o gozo de todos os direitos humanos por pessoas idosas", acrescentou Ebbe Johansen.

A AGE solicita que os Fundos Estruturais e de Investimento europeus sejam utilizados para facilitar a mudança para cuidados comunitários dignos e de qualidade para pessoas idosas, especialmente em casa - a opção mais popular -, mas também em cuidados residenciais de qualidade centrados na pessoa. "Assegurar o acesso a esses serviços deve orientar a implementação do Pilar Europeu dos Direitos Sociais, a ser proclamado, assim o esperamos, pelos Estados-membros em 17 de novembro e, em especial, o novo direito a cuidados de longa duração. O quadro de qualidade europeu para serviços de cuidados de longa duração, desenvolvido com o envolvimento ativo de pessoas idosas, poderia ser usado neste processo", afirmou Ebbe Johansen.

12 de outubro de 2017

"Cuidadores Formais", foi o tema abordado por Rosário Gama no "Consultório do Reformado", uma rubrica quinzenal no programa "A Praça" da RTP1


A Presidente da APRe! Rosário Gama, no âmbito da colaboração quinzenal no programa "A Praça", da RTP 1, aonde aborda temas relacionados com a temática do envelhecimento, esteve ontem 4ª feira dia 11 de Outubro no programa, sendo que o tema abordado foi o dos "Cuidadores Formais".

Neste programa dedicado aos "Cuidadores Formais", começou por abordar a questão de "Quem são e que direitos têm?", quais os tipos de apoios domiciliários que prestam, apoio de enfermagem, quais as comparticipações da Segurança Social no pagamento dos serviços, como procurar o apoio domiciliário através da Carta Social disponível na Internet.

Quem ainda não teve oportunidade de ver o programa pode vê-lo AQUI.

10 de outubro de 2017

4.ª Conferência Ministerial da UNECE sobre o Envelhecimento, DECLARAÇÃO MINISTERIAL DE 2017 EM LISBOA



"Uma sociedade sustentável para todas as idades: percebendo o potencial de viver mais tempo"

Preâmbulo

1. Nós, os representantes dos Estados membros da Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE), reunidos na quarta Conferência Ministerial sobre o Envelhecimento, de 21 a 22 de setembro de 2017, em Lisboa, Portugal, reafirmamos o nosso compromisso assumido na Declaração Ministerial de Berlim em 2002, e subsequentemente confirmada pelas Declarações Ministeriais de Léon (2007) e Viena (2012), para cumprir a Estratégia Regional de Implementação (RIS) do Plano de Ação Internacional de Madrid sobre Envelhecimento (MIPAA) para salvaguardar o gozo de todos os direitos humanos dos idosos, conforme estabelecido nos instrumentos internacionais e regionais relevantes.

2. Observamos com satisfação que a expectativa de vida aumentou tanto para mulheres como para homens nos Estados-membros da UNECE, embora este aumento da longevidade nem sempre seja acompanhado de uma boa saúde. Apreciamos particularmente a riqueza da experiência de vida e do conhecimento das pessoas idosas e as suas contribuições em benefício das nossas sociedades e da sua própria realização pessoal.

3. Reconhecemos que as mudanças demográficas em curso apresentam oportunidades e desafios para a formulação de políticas e para os indivíduos dos nossos países e confirmam a necessidade de igualdade de género e solidariedade intergeracional.

4. Apreciamos que as pessoas idosas não sejam um grupo homogéneo, mas sejam diversas nas necessidades, preferências e oportunidades ao longo do decorrer da sua vida.

5. Reconhecemos os progressos significativos realizados por muitos Estados-membros, tanto a nível nacional como local, no cumprimento dos dez compromissos do RIS / MIPAA da UNECE durante o terceiro ciclo quinquenal. Ao mesmo tempo, estamos conscientes de que a implementação do RIS / MIPAA da UNECE nos últimos cinco anos ocorreu num ambiente de estagnação económica, pressões sobre gastos sociais, migração crescente e transformação tecnológica. As realizações notáveis de implementação incluem, entre outras, as seguintes:
  • a) aumento da atenção dos decisores políticos, dos parceiros sociais, dos meios de comunicação social, da sociedade civil e do público em geral sobre as questões do envelhecimento individual e da população, incluindo a observância da dignidade e do gozo de todos os direitos humanos dos idosos e o reconhecimento das suas contribuições para a economia e a sociedade, bem como o fortalecimento da solidariedade inter e intrageracional.
  • (b) avanço do envelhecimento ativo como conceito central e abordagem operacional das políticas nacionais e regionais em matéria de envelhecimento.
  • (c) criação de medidas para adaptar os sistemas nacionais de proteção social e os mercados de trabalho às consequências das mudanças demográficas.
  • (d) envolvimento crescente da sociedade civil, em particular das organizações de idosos, no desenvolvimento de políticas que abordem os direitos, as necessidades e a realização do potencial das mulheres e dos homens idosos.
  • (e) uso mais amplo de abordagens inovadoras na prestação de serviços relacionados com educação, emprego, cultura, lazer e turismo social, reabilitação, saúde e assistência social, incluindo inovações tecnológicas e organizacionais, bem como a promoção da participação de múltiplos interessados intersetoriais mais fortes no envolvimento e desenvolvimento de tais serviços.
6. Observamos que alguns Estados-membros da UNECE ainda precisam de desenvolver respostas políticas mais abrangentes às necessidades individuais e sociais do envelhecimento da população, enquanto outros Estados-membros precisam de garantir ou melhorar o acesso existente de pessoas idosas a proteção social adequada e ao bom funcionamento dos sistemas de saúde e cuidados de longa duração, incluindo o acesso a tratamentos avançados oferecidos pelo progresso médico.

7. Também estamos conscientes de que as políticas de saúde e bem-estar das pessoas idosas em muitos Estados-membros precisam de ser complementadas com medidas destinadas a capacitar as pessoas idosas, particularmente as mulheres mais velhas, salvaguardando a sua dignidade e prevenindo todas as formas de discriminação, abuso, violência e negligência.

8. Percebemos que a contribuição de um número crescente de pessoas idosas - tanto como consumidores quanto como produtores - para a inovação e desenvolvimento económico e social não é universalmente reconhecida. Do mesmo modo, o papel dos setores de serviços sociais e de saúde que apoiam os idosos exige uma melhor apreciação, não só como um mercado de trabalho importante e crescente, mas também como fator contribuinte para a economia e a coesão social, bem como para um envelhecimento saudável.

9. Observamos a necessidade de fortalecer a coesão social nas nossas sociedades, reconhecendo o potencial das pessoas idosas e promovendo oportunidades de participação na sociedade e na economia.

10. Para promover a implementação do RIS / MIPAA da UNECE durante o quarto ciclo de 2017 a 2021, destacamos a importância de continuar a incorporar o envelhecimento nas áreas políticas relevantes e combater o “ageism” nas suas diversas formas. Estamos juntos ao reafirmar o compromisso de projetar e implementar políticas integradas para o envelhecimento ativo e saudável, onde as pessoas idosas são reconhecidas como um bem para uma sociedade sustentável e inclusiva para todas as idades.

11. Nós aspiramos a perceber o potencial de viver mais tempo e estamos determinados a trabalhar para atingir os seguintes objetivos políticos até 2022.

I. Reconhecendo o potencial das pessoas idosas

12. capacitar os indivíduos para perceberem o seu potencial de bem-estar físico, mental e social ao longo das suas vidas e participarem e contribuírem para a sociedade de acordo com as suas capacidades, necessidades e desejos.

13. desenvolver e implementar estratégias económicas e financeiras socialmente responsáveis e orientadas para o futuro que englobem as necessidades, capacidades e expectativas das gerações atuais e futuras, valorizando o potencial das pessoas idosas, a sua experiência de vida, a sua responsabilidade e apoio para todas as gerações e para sociedade.

14. fomentar consultas efetivas e o envolvimento de pessoas idosas e seus representantes a nível nacional, regional e local na conceção de políticas, estratégias e medidas que influenciam direta ou indiretamente as suas vidas, tendo em conta a diversidade de pessoas idosas e as suas necessidades.

15. promover uma imagem positiva das pessoas idosas, reconhecendo as suas contribuições para a sociedade e fortalecendo o discurso multigeracional e a aprendizagem intergeracional por todas as partes interessadas, cultivando uma perspetiva de vida na educação, nos media e em outras áreas para incentivar uma melhor compreensão do envelhecimento individual e social e as oportunidades que apresenta.

16. fomentar o trabalho e o voluntariado de pessoas mais jovens e mais velhas em ambientes intergeracionais para ajudá-las a entender a importância e a gratificação da comunicação, do intercâmbio de experiências, da cooperação e da solidariedade intergeracional em todas as áreas da vida, dentro e fora da família.

17. incentivar empresas, organizações sem fins lucrativos e empresas públicas a envolver pessoas idosas como consumidores no planeamento e design de bens e serviços para atender às suas necessidades e preferências e envolvê-las na monitorização da qualidade desses bens e serviços.

18. garantir que as pessoas idosas possam atingir e manter o seu nível máximo de saúde e de capacidade funcional, apoiando o desenvolvimento de ambientes e habitações favoráveis à idade e adaptando sistemas de saúde e assistência social para prestar serviços integrados, preventivos e orientados para a pessoa, em áreas urbanas, rurais e remotas.

II. Incentivando a vida profissional e a capacidade de trabalhar

19. reconhecer o potencial incorporado no emprego de trabalhadores mais velhos e desenvolver estratégias do mercado de trabalho para promover oportunidades de participação máxima para trabalhadores de todas as idades.

20. propiciar o acesso e a promoção de oportunidades de aprendizagem ao longo da vida e o desenvolvimento de competências como pré-requisito de uma vida ativa e plenamente realizada em todas as idades.

21. desenvolver estratégias para combater o desemprego em todas as idades, reduzir as desigualdades financeiras e a pobreza, tomar medidas para reduzir as disparidades salariais de género, bem como outras desigualdades de género, e prevenir a discriminação relacionada com a idade no emprego.

22. incentivar os empregadores a valorizar a experiência e a manter e contratar trabalhadores mais velhos, promovendo a gestão da idade nos setores público e privado e apoiando condições de trabalho adaptadas à idade, seguras, favoráveis à saúde e flexíveis ao longo de todo a vida profissional.

23. incentivar oportunidades de vida profissional mais longa e escolhas de aposentadoria mais flexíveis e promover alternativas à reforma antecipada, incluindo, entre outras, reabilitação, reintegração no trabalho e opções de emprego flexíveis para reter os trabalhadores mais velhos.

24. planear e implementar reformas de pensões, na medida em que ainda não realizadas, que levem em conta o aumento da longevidade e a extensão da vida profissional, para garantir a equidade intergeracional, bem como a sustentabilidade e adequação dos sistemas de pensão.

25. facilitar a conciliação do emprego com a prestação de cuidados, proporcionando acesso a mecanismos de trabalho flexíveis e a serviços de cuidados adequados e promovendo uma divisão igualitária do trabalho de prestação de cuidados entre mulheres e homens, considerando a possibilidade de contar o tempo gasto em tarefas de atendimento familiar no cálculo da pensão de velhice.

III. Garantindo o envelhecimento com dignidade

26. proteger o gozo de todos os direitos humanos e a dignidade dos idosos, promovendo a autonomia, a autodeterminação e a participação na sociedade e assegurando que nenhuma lei, política ou programa deixe espaço para discriminação de qualquer tipo.

27. apoiar a infraestrutura e a assistência necessárias para prevenir todos os tipos de abuso e violência contra pessoas idosas, garantindo a sua segurança económica, física e psicológica.

28. promover o desenvolvimento de métodos e serviços inovadores, bem como tecnologia e produtos compatíveis com os usuários, para obter suporte e cuidados confiáveis, acessíveis e adaptados às necessidades variadas e em mudança das pessoas idosas, permitindo-lhes manter as conexões sociais e ficar no seu ambiente de vida preferido o maior tempo possível

29. reforçar os padrões de qualidade para serviços integrados de cuidados e saúde a longo prazo, conforme apropriado, e adaptar continuamente o status, a formação e as condições de trabalho dos profissionais de saúde, incluindo os trabalhadores de cuidados a imigrantes, para a crescente necessidade de cuidados e de serviços de saúde culturalmente sensíveis, aliviando a pressão sobre cuidadores familiares e informais, ao mesmo tempo que estes sejam reconhecidos e apoiados no seu papel fundamental de prestar cuidados.

30. apoiar a pesquisa sobre processos de envelhecimento individual e populacional para atender melhor às necessidades emergentes nas sociedades envelhecidas, com especial atenção para a situação das pessoas com demência e/ou distúrbios mentais e comportamentais e suas famílias.

31. promover a participação de pessoas com demência e/ou distúrbios mentais e comportamentais e dos seus cuidadores informais na vida social e comunitária e garantir cuidados integrados a nível local com tratamento, assistência e apoio após o diagnóstico, conforme necessário, especialmente através de serviços comunitários.

32. respeitar a autodeterminação, a independência e a dignidade das pessoas idosas, especialmente, mas não limitado a, no final da vida, através de cuidados médicos e sociais centrados no paciente, incluindo o acesso a cuidados paliativos adequados e aspirando a facilitar, sempre que possível, as preferências de casais mais velhos a serem assistidos juntos.

IV. Considerações finais

33. Enfatizamos que as políticas de envelhecimento e sua implementação devem ser vistas como uma responsabilidade compartilhada por todos os principais atores da sociedade. Por conseguinte, é necessário um diálogo intergeracional e uma colaboração eficaz entre os governos, os decisores políticos, o setor privado, os parceiros sociais, os investigadores e as organizações não-governamentais, em especial as organizações de pessoas idosas, incluindo as organizações de migrantes e os homens e mulheres mais velhos.

34. Sublinhamos a importância de monitorar e avaliar as políticas relacionadas com o envelhecimento com base na pesquisa e na melhoria da coleta de dados, conforme especificado nas Recomendações da UNECE sobre Estatísticas Relacionadas com o Envelhecimento, envolvendo pessoas idosas e suas organizações ao longo deste processo.

35. Reconhecemos a relação entre envelhecimento populacional e desenvolvimento económico, social e ambiental e defendemos o nosso compromisso com a Agenda 2030 das Nações Unidas e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o fim da pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares, garantindo vidas saudáveis e promovendo o bem-estar em todas as idades, alcançando a igualdade de gênero, promovendo o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos, bem como o acesso a oportunidades de aprendizagem ao longo da vida e tornando as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis para pessoas de todas as idades.

36. Reconhecemos iniciativas internacionais recentes que destacam a importância de uma abordagem do ciclo global de vida com base na mitigação de desigualdades enraizadas através da implementação de políticas abrangentes e multissetoriais que podem gerar crescimento mais forte, maior inclusão e mais mobilidade intergeracional.

37. Reconhecemos a adoção da Estratégia Global e Plano de Ação sobre Envelhecimento e Saúde adotada pela Assembleia Mundial da Saúde em maio de 2016, que exige combater a idade, desenvolver ambientes favoráveis à idade, alinhar os sistemas de saúde com as necessidades de populações mais velhas e o desenvolvimento de sistemas sustentáveis e equitativos para o atendimento de longo prazo (em casa, nas comunidades e nas instituições).

38. Reconhecemos que o Grupo de Trabalho sobre o Envelhecimento da UNECE provou a sua mais-valia como órgão intergovernamental que fornece um quadro institucional para o intercâmbio de informações e boas práticas e para envolver as partes interessadas, incluindo a sociedade civil e a comunidade científica, em assuntos relacionados com o envelhecimento e a elaboração de políticas. Para apoiar ainda mais a colaboração intergovernamental no campo do envelhecimento da população, também reconhecemos a necessidade de explorar a possibilidade de uma transformação neutra em termos de recursos do Grupo de Trabalho sobre Envelhecimento para um comité setorial permanente, sem prejuízo do trabalho da UNECE em outras áreas do seu mandato. Estamos empenhados em continuar a participar ativamente no Grupo de Trabalho para a implementação do RIS / MIPAA UNECE e contribuiremos para as suas atividades.

39. Agradecemos o papel do secretariado da UNECE e de outras partes interessadas em ajudar os Estados-membros a implementar o RIS / MIPAA da UNECE e os objetivos da Declaração Ministerial de 2017, através, entre outros, do apoio ao desenvolvimento das capacidades nacionais em matéria de envelhecimento.

40. Agradecemos a Portugal por organizar a quarta Conferência Ministerial da UNECE sobre o Envelhecimento em setembro de 2017.

A versão pdf em Inglês da Declaração pode ser descarregada AQUI.

7 de outubro de 2017

Como foi celebrado o DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS IDOSAS pelo Núcleo da APRe! de Coimbra

O Núcleo da APRe! em Coimbra organizou com o seu grupo de trabalho “Envelhecer – Que Respostas?” uma tertúlia no passado dia 3 de Outubro para celebração do Dia Internacional das Pessoas Idosas que se comemora em 1 de Outubro.

A excelente reflexão a que nos conduziu o Doutor João Malva sobre a temática do envelhecimento activo alertou-nos para a importância da nossa relação com o meio ambiente (físico e emocional) que determina maioritariamente a nossa qualidade de vida na “geração magnífica”, ou seja, durante o nosso tempo de vida como seniores.

O grupo de trabalho expôs as conclusões a que chegou até ao momento, nomeadamente através de algumas inferências possíveis após um inquérito que foi lançado aos associados de Coimbra.

O evento foi embelezado pelo Coro APRe! Coimbra que interpretou uma peço do século XVI, “Ay Linda Amiga”.





28 de setembro de 2017

Rosário Gama no "Consultório do Reformado", nova rubrica do programa "A Praça" da RTP1


A Presidente da APRe! Rosário Gama, iniciou na passada 4ª feira, dia 27, uma colaboração regular (quinzenal) no programa "A Praça", da RTP 1, por volta das 11h00.

Os temas a abordar por Rosário Gama serão sempre relacionados com a temática do envelhecimento, sendo que no primeiro programa que teve a sua colaboração, o tema abordado foi o dos "Cuidadores Informais", atendendo a que há numerosos idosos que são cuidados por familiares, de forma voluntária e sem terem qualquer tipo de apoio ou formação.

Quem ainda não teve oportunidade de ver o programa pode vê-lo AQUI.

23 de setembro de 2017

Já lá vai o tempo da “avozinha do Capuchinho Vermelho”…

Os avós são elementos fundamentais, estruturantes e afetivos, enquadradores e confidentes, mesmo que por vezes extravasem um pouco as suas competências e entrem no domínio dos pais, o que origina alguns conflitos. Mas é assim… são os avós, eles próprios pais de poucos filhos e, portanto, ainda mais sequiosos de ter aquele bebé que gostariam de ter tido. Todavia, há também que respeitar a sua independência e entender que os avós têm direito a uma vida própria… felizmente!


Num curto espaço de tempo, os avós passaram por grupos etários e sociais muito diversos. Há escasso tempo, eram pais de muito filhos e não trabalhavam. Depois, começaram a ser muito novos e ainda com vida ativa. Finalmente, com novos casamentos e uniões, e uma vida mais completa e diversificada, são avós que, por vezes, têm eles próprios filhos quase da idade dos netos, querem viver a sua vida e têm mais interesses do que apenas trabalhar e viver a reforma a olhar para a televisão.

Uma coisa é certa: os avós atuais são, na sua maioria, muito mais letrados do que nas gerações anteriores (o que não significa obrigatoriamente mais cultos) e vivem também mais longe dos filhos e, consequentemente, dos netos; mesmo quando vivem perto, as dificuldades de mobilidade e o rolo compressor do quotidiano provocam um afastamento que não tem forçosamente de ser o geográfico.

Por outro lado, depois de um salto geracional muito grande, os paradigmas dos atuais avós são um “tira daqui, põe dali” muito semelhante aos dos filhos e dos netos. A moda, quando chega, é para todos, como é a televisão, a tecnologia e a capacidade de estar no computador ou nas redes sociais.

É óbvio que há sempre algumas diferenças como, para muitos, a nostalgia de que a educação “dos seus tempos” é que era boa, mesmo quando os “seus tempos” não foram factualmente os melhores. Outra coisa também é certa: os avós sabem que o tempo não perdoa e sentem-no todos os dias, seja na pele, nos ossos ou nas forças que começam a faltar, seja no emprego para o qual não se vai com a mesma alegria, ou com a dura realidade de, perante uma nova perspetiva de trabalho, a resposta ser “sim, o senhor tem competência, sim, mas… a idade, mas também porque, usando uma metáfora, se a criança é o fogo que nos aquece, quando há pais no meio, os avós sentem-se mais afastados desse “centro de vida” e, portanto, corre um certo arrepio nas costas… até porque, olhando para trás, veem a “cortina” humana já muito retalhada, sem bisavós e muito menos trisavós. No fundo, é a constatação de que a finitude do tempo existe e se aproxima, queiramos ou não, demos ou não conta disso.

Em geral, a sociedade não reserva aos mais idosos e, portanto, a muitos avós uma perspetiva de vida verdadeiramente interessante: ou os obriga ainda a trabalhar porque a reforma é tardia e não existe (o que é incrível!) um sistema em que, a partir de certa idade, se possa continuar a trabalhar mas em part-time, se for esse o desejo das pessoas, ou então arruma-os numa prateleira em frente a um televisor, consumindo telenovelas e séries criminais.

Já poucos avós em 2017 se recordam da guerra colonial e da ditadura, sofreram carências e pobreza. Viram nascer a democracia mas, depois de um momento de esperança, não se sentem especialmente beneficiados por ela – isso não obsta a que sintam uma atração/repulsão pelos “políticos” e o que creem significar, considerando que “o mundo caminha para a desgraça”, mesmo quando não é bem o caso, pesem as notícias dantescas que chegam minuto a minuto, seja de um furacão, seja de um míssil coreano, de um fait divers trumpista ou de um ataque do Daesh.

Os netos, para os avós que não desenvolveram uma vida plurifacetada e cheia de interesses e desafios, são um bálsamo. Nesta Europa quase sem rumo (e quase sem crianças!), a uma certa arrogância e falta de afetividade das gerações seguintes, os avós podem ter a tentação de responder com a autoridade e alguns vícios de poder das gerações anteriores.

Muitos filhos acham também que os seus pais (na condição de avós, portanto) servem para cuidar dos netos, ser bombeiros em caso de necessidade, abdicarem da sua vida própria em prol das circunstâncias dos filhos.

Todavia, é bom interiorizar que os avós, depois de criados e tornados autónomos os filhos, têm direito a usufruir dos anos que lhes restam a viverem um amor, a cumplicidade de quem está ao lado, sem que isso seja interpretado como amar menos os filhos ou os netos. É bom que os avós tenham vida própria, que, mesmo reformados, saiam, se divirtam, gozem o tempo, não sejam escravos de mais ninguém.

Também é bom que, na ausência de objetivos e de programas na vida, não sejam eles próprios intrusivos, dando constantes palpites na vida dos filhos e tentando comandar a vida dos netos, com o argumento de que “já educaram filhos”, imiscuindo-se na vida dos mais novos, explorando desinteligências do casal, fazendo críticas por vezes malévolas ou sufocando a relação dos mais novos, cobrando com juros elevados de subserviência o apoio que deram, seja monetário para a compra de uma casa ou de um carro, seja por tomarem conta dos netos e, assim, “desenrascarem” os filhos.

Com as gerações a misturarem-se, os estilos de vida urbanos, as pessoas a terem filhos em diversas décadas da vida e com perspetivas culturais e sociais (felizmente) cada vez mais amplas, ser avó ou avô é um “lugar” onde existe alguma indefinição.

Todavia, espero que muitos, mas mesmo muitos, dos avós que leem estas palavras afirmem com vigor: “Ajudaremos os nossos filhos e fruiremos dos netos. Tentaremos ensiná-los e dar-lhes mimo sem os estragar. Seremos educadores, mas respeitadores da vontade dos pais. Não os substituiremos nas suas funções… e temos muitas coisas interessantes para fazer, para quase nos bastarmos a nós próprios, e fazer “a coisa mais divina que há no mundo, que é viver cada segundo como nunca mais”, como escreveu Vinicius de Moraes.

Avós e netos podem ser cúmplices, porque os extremos se tocam, mas com a tolerância e a satisfação também ela cúmplice de quem ocupa a faixa do meio. Ou resumindo: descobrir em cada fase da vida a riqueza de cada indivíduo, redescobrindo em cada indivíduo a riqueza nobre e infinita da humanidade.

Mário Cordeiro
Pediatra
Jornal i 19.09.2017

19 de setembro de 2017

O Núcleo da APRe! Coimbra, celebra o DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS IDOSAS


O Núcleo da APRe! em Coimbra, para celebrar o DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS IDOSAS que se comemora a 1 de Outubro, vai organizar dois momentos. 
  1. Dia 3 de OUTUBRO - 18.00 horas - Sede da APRe! - Tertúlia com a presença do Senhor Doutor João Malva - e do Grupo de Trabalho do Núcleo "Envelhecer - Que Respostas?" A temática do envelhecimento activo e do comportamento da sociedade perante essa realidade estarão em cima da mesa, sendo o principal objectivo da Tertúlia a troca das nossas experiências, das nossas preocupações e das nossas propostas, enquanto cidadãos mais velhos. Contamos ainda com a presença informal do Coro APRe! Coimbra. Seguir-se-à um "Porto" para celebração do Dia. 
  2. Dia 7 de OUTUBRO - 21.30 horas - Cine Teatro da Mealhada, Será realizado um Concerto com a presença de:
    • Coro APRe! Coimbra
    • Coro Columba / Cadal Comba
    • Coro Magister / Mealhada
    • Coro Chant Libre / França 
O Núcleo de Coimbra conta com uma forte presença dos associados, familiares e amigos nestes dois momentos. Eles só terão significado se cada um de nós quiser fazer de cada um destes eventos um momento especial, pelo que estão convidados todos os associados e amigos da APRe! a participar nestas duas realizações.

27 de agosto de 2017

Quem vai cuidar de 2,8 milhões de idosos?

Procura por quem preste cuidados no domicílio deverá subir 38,1%. Europa tem recorrido a portugueses


Daqui a 63 anos, Portugal terá 7,478 milhões de habitantes, 2,8 milhões dos quais idosos, segundo as projeções do Instituto Nacional de Estatística. Se a demografia coloca problemas à economia, há outras questões por resolver: as instituições de ensino não estão a formar pessoas com a atitude certa para cuidar de idosos, não é exigida formação aos profissionais dos lares e residências sénior e, devido ao aumento da procura na área, poderemos não ter profissionais suficientes daqui a alguns anos. Países como a Alemanha, Inglaterra e Bélgica já sofrem desse défice e tentam compensá-lo com o recrutamento no exterior, sendo Portugal uma das fontes. Do outro lado da moeda, os cuidadores informais (frequentemente familiares) suportam uma grande parte do apoio não profissionalizado e não remunerado ao idoso, por vezes com consequências no seu próprio emprego. É por este motivo, aliás, que se aguarda a criação oficial deste estatuto (há cerca de um ano, a Assembleia da República dirigiu essa recomendação ao Governo, mas ainda se aguarda uma tomada de decisão).

SOLUÇÃO DE RECURSO
A pergunta para um milhão de euros é: “Quem vai cuidar de nós quando formos 2,8 milhões de idosos?” De acordo com o Fórum Económico Mundial, “à medida que a população envelhece, praticamente todos os sectores ligados à saúde vão ver crescer o emprego”. Quanto aos cuidados prestados no domicílio, “a procura vai subir 38,1%” até 2025. O presidente da Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos, João Ferreira de Almeida, assume que a procura de profissionais nesta área é bastante elevada e deverá aumentar. Na última semana, o Expresso localizou mais de 300 ofertas em diferentes portais de emprego.

No entanto, não é exigida formação aos trabalhadores destes locais, uma situação rara no quadro europeu. “Quando dissemos isto à Confederação Europeia, de que fazemos parte, eles deitaram as mãos à cabeça”, afirma o responsável. O cenário traduz-se em salários baixos para a maior parte das funções, e ser ajudante de ação direta (a designação oficial do que muitas vezes é denominado de auxiliar de saúde) torna-se “uma solução de recurso para mulheres no desemprego”, descreve o representante. A falta de formação coloca em causa a qualidade dos cuidados, até porque o que pode parecer uma manobra simples “exige gestos técnicos que nem todos conhecem”. A agravar a situação, desde o auge da crise que “o estado de saúde com que as pessoas chegam aos lares é tremendamente pior”, afirma João Almeida, que à pergunta para um milhão de euros responde: “Tenho dúvidas de que haja pessoas suficientes para cuidar deles daqui a uns anos, tanto porque há cada vez mais idosos como pelo decréscimo da população ativa.”

O ‘CAPITULOZINHO’ GERIÁTRICO
“Ao contrário de alguns países que têm idosos saudáveis, a nossa geração foi muito castigada, quer pela pobreza, quer pelo regime em que vivíamos”, sublinha Pedro Marques da Silva, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG). Além de idosos doentes, “temos muitos idosos frágeis, incapazes de cuidar de si” e com pouca mobilidade. Por isso, “vamos precisar de mais geriatras, mas o doente idoso é da responsabilidade de todos os médicos”, bem como do cidadão e da tutela, defende o responsável, identificando que a formação e a estrutura de saúde atuais estão desfasadas da realidade demográfica. “Os grandes livros com que continuamos a estudar têm um ‘capitulozinho’ sobre geriatria, quando hoje tem de haver uma formação específica nesta área”, analisa o clínico, sublinhando que “os estudantes têm de ter maior formação para os tempos tremendos que temos pela frente”. Mas o assunto não toca apenas aos médicos. Nutricionistas, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos e outros entram na equação.

O OUTRO LADO DA BALANÇA
Neste cenário, a responsabilidade é muitas vezes acrescida para os cuidadores informais - normalmente familiares do dependente -, que aguardam a criação de um estatuto legal que os proteja e enquadre na sociedade. Este cuidador “não é remunerado nem tem habilitação específica” mas “assegura 80% dos cuidados na União Europeia”, sublinha Bruno Alves, presidente da Associação Portuguesa de Cuidadores Informais. Importa, por isso, garantir as condições necessárias para que esta figura possa cumprir o seu papel (tendo, por exemplo, direito a flexibilidade laboral) sem prejuízos para o seu emprego. “É preciso criar condições para que os idosos e as pessoas com dependência fiquem em sua casa e possam ser apoiadas” e “criar uma rede de pessoas (...) que estejam dispostas a dar o seu tempo para ajudar idosos ou dependentes no seu domicílio e assim diminuir a pressão e recurso inapropriado aos hospitais por falta de apoio e isolamento”, declarou o ministro da Saúde em março do ano passado.

Rute Barbedo
Ler mais em: Expresso 26.08.2017

29 de julho de 2017

KOTAS ARE COOL

Os angolanos chamam Kota (da língua Kimbundu) àqueles que merecem respeito por serem mais velhos. Cá, kota é sinónimo de velho, bota de elástico ou antiquado. Um reforço da ideia de que os velhos estão desatualizados, são um embaraço e não servem mais.


Em 2011, escrevi um artigo de reflexão acerca de uma tendência que dava os primeiros passos no mundo ocidental. Foram a campanha da Lanvin para a H&M e o projeto Sicilia Fashion Village que serviram de motor de arranque para elaborar esse artigo, mas, relendo-o agora, seis anos depois, percebo que ele está atual e até faz mais sentido neste momento. Na altura, as gerações séniores eram matéria-prima rara em conteúdos de reflexão, jornalísticos ou de blogues em Portugal. Mas hoje é diferente. Depois de ter lido uma reportagem sobre o projeto lisboeta A Avó Veio Trabalhar a propósito do recente Dia Mundial dos Avós, projeto que acompanho de perto e muito aprecio, decidi atualizar ligeiramente o meu artigo e dá-lo a conhecer de novo a uma audiência agora mais sensibilizada. O que vão ler de seguida não foge muito do original. Também partilho o vídeo Sicilia Fashion Village que publiquei na altura. Gosto particularmente dele por ser divertido e ter participantes masculinos na sua maioria, sicilianos old school vestidos à maneira para o filme, que fazem lembrar certos portugueses mais velhos que encontramos pelo país fora. Dá gosto ver.


Os angolanos chamam Kota (da língua Kimbundu) àqueles que merecem respeito por serem mais velhos. Simplesmente por serem mais velhos do que nós. Não necessariamente velhos de idade, mas alguém mais velho. Usa-se kota para tratar um amigo mais velho, um tio, o senhor que deixamos passar à frente na fila do supermercado, uma avó. No caso dos avós, são entendidos como os avós da sociedade. Uma avó é a avó de todos, é aquela que sabe, aquela que traz sabedoria. Neste contexto, kota é o homem ou a mulher idoso que traz unicidade e conhecimento às famílias e à comunidade pela sua experiência de vida. Noto que em Portugal, na última década em particular, o respeito pelo conhecimento e experiência dos mais velhos desvaneceu ou morreu. O velho passou a ser descartável como uma bisnaga de pasta dentífrica que chegou ao fim, vive isolado da comunidade com poucas ou nenhumas funções úteis. Contudo, curiosamente, a palavra Kota entrou no calão de Portugal, embora adquirindo outro significado. Cá, kota é sinónimo de velho, bota de elástico ou antiquado. Um reforço da ideia de que os velhos estão desatualizados, são um embaraço e não servem mais.Hoje, com a mudança dos paradigmas social e de mercado, e a esperança média de vida a roçar os 80 anos de idade, a visão sobre o papel dos mais velhos na sociedade parece estar a mudar para melhor. Representam poder de compra e um nicho de mercado que a seu tempo será mainstream à medida que as sociedades vão ficando inevitavelmente envelhecidas, como é o caso da nossa. Neste campo a moda começa por dar o seu contributo ao repescar antigas manequins para campanhas sofisticadas e desfiles onde surgem como figuras de relevo. Em 2011 verifica-se, por exemplo, o regresso de Veruschka com 71 anos bem firmes e assumidos. Famosa nas passarelas e no cinema na década de 1960 (irão lembrar-se dela no filme «Blow Up» de Antonioni), é convidada a regressar aos desfiles de moda e fê-lo com uma confiança visível. Assim como, na mesma altura, fez a campanha Lanvin para H&M ao convidar uma manequim sénior para o filme promocional. De cabelo branco armado e sofisticada, aquela senhora é a prova que a experiência e a auto confiança são premissas estáveis na equação de uma vida saudável. Não há botox que remende a falta de auto confiança. E em 2010 o projeto italiano Sicilia Fashion Village leva esta tendência mais longe promovendo a sua população sénior como a mais bem vestida do mundo. Nesta divertida campanha os kotas do filme usam modelos vintage ou modernos num enquadramento atual.

Veruschka
Andreas Rentz/ Getty Images
Creio que estamos diante do desafio de olharmos para os mais velhos e idosos do mundo com outros olhos. Ou melhor, olharmos para nós próprios como seres plenos e de valor até ao dia em que vamos desta para melhor. Ser kota pode ser cool desde que o estado de espírito o permita, o mercado, as políticas governamentais e a mentalidade da sociedade superem o preconceito da idade passando a vê-la um ativo e sinónimo de poder. Um dia, quando for velha, vou querer desfilar em passarelas ou andar de patins caso me apeteça sem que isto represente vergonha social ou um embaraço. Vejo hoje, com regularidade, homens e mulheres com 40 anos ou mais a andarem de skate tranquilamente. Há vinte anos isto seria inaceitável. Alguém de quarenta anos estaria a preparar-se para entrar na reforma, a sua vida seria conformada e aborrecida. Felizmente os 40 de hoje são os novos 30, e espero que em breve os 70 sejam os novos 50 ou 40. O projeto A Avó Veio Trabalhar é a prova de que ideias honestas e bem estruturadas transformam pessoas mais velhas ou idosos nos jovens de mentalidade que afinal sempre foram. Mas se os deixam arrumados num canto porque a sociedade não sabe o que fazer com eles, qualquer réstia de juventude irá definhar. Os preconceitos não levam ninguém a bons lugares, mas sim à manutenção de conservadorismos e modos de estar bafientos. Larguemos a naftalina mental de uma vez por todas e bebamos nos bons exemplos porque eles não escasseiam. A mudança começa na cabeça, e desenvolve-se na sociedade através de boas políticas.

Carla Isidoro
Ler mais em: Visão 20.07.2017

17 de julho de 2017

Olha o lince da Malcata!

Sexo sem filhos é uma conquista sexagenária consolidada desde 1954, quando se inventou a pílula. Com as modernas técnicas de fertilização in vitro, o contrário também é possível - filhos sem sexo. O óvulo e o espermatozoide continuam a encontrar-se, como antigamente - mas agora dentro de um tubo de ensaio, no laboratório, o que não tem graça nenhuma comparada com a moda antiga, mas é a única esperança para casais com problemas de fertilidade ou outros que não vêm ao caso.

Aqui chegados, estão bem enganados se pensam que eu venho aqui falar de barato dos gémeos do Cristiano! O problema é outro, e grave: os portugueses podem até estar bem classificados nos campeonatos do sexo, o que não está provado, mas sabe-se de ciência certa que fazem cada vez menos filhos, pelo que há cada vez menos portugueses. Somos, nessa classificação, os segundos piores da Europa, depois dos italianos. Quem diria?! O Dia Mundial da População, que acabamos de assinalar, lembra-nos os números a cada ano, mas rapidamente esquecemos as causas e preferimos iludir as consequências. Em Portugal, há apenas 8,4 nascimentos por cada mil habitantes, três vezes menos que há 50 anos. É a nossa taxa bruta de natalidade, desgraçadamente inferior aos que morrem, 10,7 por cada mil. Logo, como diz o outro, é fazer as contas: ao saldo negativo entre mortos e nascidos, acrescentamos a emigração e temos o retrato enrugado de um povo que definha, entretido entre campanhas eleitorais, em suicídio assistido. Para repormos a brava espécie, assegurando a substituição de gerações, as nossas mulheres deveriam estar a conceber, em média, 2,1 filhos, pese a desumanidade das médias. Estamos em perda prolongada. Há hoje menos 32 mil portugueses do que há um ano, quase uma centena a menos por cada dia que passa. Como se na ameaça de extinção do lince da Malcata exorcizássemos a nossa.

A espiral inquieta: menos crianças a nascer significa menos jovens ativos e contribuintes, e cada vez mais pensionistas. Em calão da moda, é a sustentabilidade do sistema de segurança social que está em causa. Em melhor português, o problema está em saber como e quem vai pagar a conta. E se alguma fatura, a prazo, ainda se exprime em português. Quando se sabe que os pensionistas já são um terço do eleitorado, é tempo de os nossos políticos tentarem perceber porque é que países como a Suécia e a Irlanda voltaram a ganhar população. É certo que as noites deles são mais frias e a televisão é pior do que a nossa, mas foram as políticas ativas de apoio à natalidade e aos jovens pais que fizeram inverter a funesta tendência.

Afonso Camões
Ler mais em: Opinião JN 16.07.2017