Mostrar mensagens com a etiqueta estudos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta estudos. Mostrar todas as mensagens

22 de julho de 2019

Nove em cada dez idosos em tratamento médico sofrem de solidão

Um terço reporta mesmo níveis graves de solidão, diz estudo do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde do Norte.




 Cerca de 91% dos idosos seguidos nos cuidados de saúde primários revelam sentir algum grau de solidão, sendo que um terço reporta mesmo níveis graves, o que interfere com os cuidados, revela uma investigação. A conclusão é de um estudo liderado por investigadores do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, em parceria com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), a que a Lusa teve acesso nesta segunda-feira.
O objectivo da investigação foi avaliar o impacto da solidão em idosos que estão a ser seguidos num centro de saúde. Para isso, foram entrevistadas 150 pessoas, com 65 anos ou mais, de uma zona urbana do Norte de Portugal.
Os resultados revelaram que os idosos que reportam níveis de solidão elevados estão mais frequentemente poli-medicados, ou seja estão a tomar mais do que um medicamento por um período prolongado, normalmente acima de três meses.

Ler mais aqui:Nove em cada dez idosos em tratamento médico sofrem de solidão


Público, 22.07.2019

29 de junho de 2019

Está a nascer um instituto para melhorar a qualidade de vida dos mais velhos

Identificar as causas biológicas do envelhecimento para aumentar a qualidade de vida dos idosos. Este é um dos grandes objectivos do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA, na sigla em inglês), um futuro centro de investigação de excelência em Coimbra. Com um financiamento de cerca de 50 milhões de euros para seis anos, espera-se que em pleno funcionamento – em 2023 – tenha entre 90 a 100 pessoas a trabalhar nele em prol do estudo do envelhecimento.




Ler mais aqui: publico - 2019/06/28-Ciencia/noticia/coimbra-nascer-instituto-melhorar-qualidade-vida-velhos

25 de junho de 2019

Envelhecer é diferente para homens e mulheres. Porquê?

Sara Borges dos Santos


Elas vivem mais anos, mas têm menos tempo de vida saudável. Depois dos 65 anos, por exemplo, as mulheres têm, em média, 3 anos de vida saudável e os homens, 7,7. E esta desigualdade nos últimos anos de vida entre o sexo feminino e masculino representa um dos problemas de género mais graves no País, diz o médico Luís Campos






Ler mais aqui: Envelhecer-e-diferente-para-homens-e-mulheres.-Porque-?


Sapo Visão - 25.06.19

12 de abril de 2019

Ministro arrasa estudo. "Ideias ingénuas" que pretendem "abrir o mercado ao privado"

É ingénuo, precipitado, e pretende abrir o mercado ao privado. É assim que o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social classifica o estudo, elaborado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que afirma que é preciso aumentar em mais três anos a idade da reforma para garantir a sustentabilidade do sistema nacional de pensões.



Confrontado com as conclusões do estudo, no Fórum TSF, o ministro José António Vieira da Silva respondeu que "a ideia de que a solução está em aumentar em três anos a idade da reforma é algo ingénua, para não dizer que é precipitada".
O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social diz que, através de propostas como "o plafonamento e a capitalização individual", o estudo realizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos pretende "abrir o mercado ao privado".


 

Estudo sobre “Sustentabilidade financeira e social do sistema de pensões português”

As novas pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) vão sofrer uma quebra pronunciada nos próximos anos, de acordo com o estudo “Sustentabilidade financeira e social do sistema de pensões português”, que será apresentado esta sexta-feira. O “Jornal de Negócios” e o “Público” avançam hoje as principais conclusões do estudo promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.


 Na CGA, espera-se que em vinte anos o valor médio de todas as pensões caia 36%, para 829 euros em 2040. Segundo o coordenador do estudo, Amílcar Moreira, esta redução explica-se com as alterações à fórmula de cálculo (mais desfavoráveis para os novos pensionistas), mas sobretudo porque vão sair deste sistema fechado pessoas mais velhas com pensões bem mais generosas. 

 Ler mais aqui: Estudo pensões vão baixar para dois terços do ultimo salário

 

 Expresso 12.04.2019



25 de setembro de 2018

" SOBRE A ADSE" - Eugénio Rosa

 ADSE


Estudo de Eugénio Rosa* sobre as últimas notícias que têm vindo a público acerca das negociações da ADSE com os hospitais privados:

INFORMAÇÃO 6/2018 AOS BENEFICIÁRIOS DA ADSE




*economista e membro do Conselho Diretivo da ADSE eleito pelos representantes dos beneficiários – mais informações em www.eugeniorosa.com

20 de março de 2018

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir

Têm alta clínica mas mantêm-se internadas nos hospitais por falta de resposta da rede de cuidados continuados ou por incapacidade de as famílias os receberem. Casos sociais custam ao SNS num ano cem milhões de euros.

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir
Apesar de já terem alta clínica, ou seja, de não precisarem de estar num hospital por motivos de saúde, a 19 de Fevereiro 960 pessoas mantinham-se internadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por motivos sociais. São pessoas que aguardavam, sobretudo, por uma resposta da rede de cuidados continuados ou situações em que as famílias não tinham capacidade ou condições para as receber em casa.


No dia em que os dados foram recolhidos, somavam já mais de 64 mil dias de internamento inapropriado com custos financeiros que estimados a um ano ascendem a 100 milhões de euros. Mas também com grandes custos sociais.


“A cada dia que estão internados, principalmente os idosos, perdem capacidade. Um dia internado corresponde a um mês de fisioterapia de recuperação. Estamos a falar de pessoas que estão, em média, 67 dias internadas. Provavelmente muitas nunca vão recuperar a sua funcionalidade”, alerta o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) Alexandre Lourenço.

Os dados fazem parte da segunda edição do Barómetro de Internamentos Sociais, iniciativa da APAH, que é apresentado este sábado em Viseu na 4.ª Conferência de Valor. A 16 de Fevereiro os casos sociais representavam 6% do total de doentes internados naquele dia. Um aumento em relação ao primeiro balanço, feito a 2 de Outubro do ano passado, em que os hospitais comunicaram 655 internamentos sociais (4,9% do total de internamentos).

Participaram no barómetro 35 dos 47 hospitais (74%), mais um do que na recolha anterior. Alexandre Lourenço faz a ressalva que nesta segunda edição houve uma alteração do perfil dos hospitais, com a entrada de algumas unidades com maior dimensão.


Os dados foram recolhidos cerca de um mês depois do período de maior gripe e de frio que deixou os hospitais esgotados. “Temos cerca de 21 mil camas no SNS e cerca de 6% estavam ocupadas com casos sociais. No limite é o suficiente para termos um congestionamento no acesso ao internamento e um problema nas urgências. As macas que se vêm nas urgências são situações que requerem internamento”, explica o responsável.

Mas este está longe de ser só um problema de saúde e da saúde. “Grande parte deste fenómeno é de natureza social e, assim sendo, as situações que aparecem são de doentes em exclusão social para os quais depois do internamento não vamos conseguir uma resposta adequada e segura. É um pouco um círculo vicioso. Temos de encontrar soluções a montante para evitar que estas pessoas tenham necessidade de cuidados hospitalares, para identificar as pessoas que vivem isoladas, os idosos que não têm dinheiro para climatizar as casas ou para comprar medicamentos. Há um trabalho conjunto que tem de ser feito na comunidade”, aponta.

A maioria dos casos sociais identificados na segunda edição deste barómetro é de pessoas com mais de 65 anos. O caso mais extremo foi o de uma pessoa que estava internada há 214 dias. São poucos os casos de abandono, mas muitos os que aguardam uma resposta para admissão na rede de cuidados continuados. A segunda causa é a incapacidade de resposta da família e por isso considera fundamental dar impulso aos apoios aos cuidadores informais.


O número de vagas nas unidades que fazem parte da rede de cuidados continuados é limitada, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. Mas há também um trabalho que os hospitais têm de melhorar, como reconhece Alexandre Lourenço, na área da referenciação domiciliária onde existem vagas e equipas disponíveis.

O responsável reconhece que os hospitais são estruturas complexas, com dificuldade em articular-se com a comunidade. A que se junta um modelo de gestão rígido da saúde, pouco aberto a novas soluções como a que existe na Holanda em que existem equipas de enfermagem a promover a actividade dos cuidadores informais.

O congresso terá também um momento dedicado às novas tecnologias, ferramentas que podem ser poderosas aliadas na continuidade dos cuidados, evitando agravamentos drásticos que obriguem a internamentos. Como a telemonitorização ou sistemas de alerta conectados a aparelhos de casa, como uma simples máquina de café, que se a pessoa não ligar a determinada hora envia uma mensagem escrita para o cuidador informal.


Cem milhões num ano

Além dos custos sociais, os internamentos inapropriados são também uma elevada factura para os hospitais. Os mais de 64 mil dias de internamento que os 960 doentes já somavam no dia em que os dados foram apurados (19 de Janeiro) representavam um custo de 26,3 milhões de euros. Valor que tem como referência os 279 euros de custo diário de um internamento num hospital e os 39 euros de diária numa unidade psiquiátrica.

A estimativa a um ano é de cerca de 100 milhões. “Esta conta é para os hospitais analisados. Se extrapolarmos ao restante universo, o valor é maior”, ressalva Alexandre Lourenço, acrescentando que esta iniciativa – que é feito com o apoio da consultora EY – conta com a colaboração do Ministério da Saúde. “Começamos a ter uma ideia conjunta de qual a dimensão do problema. Para o ministério é importante para propor medidas para resolver esta matéria.”

Porque se nada for feito, afirma, “esta realidade vai ter uma tendência crescente com o envelhecimento da população e sem a melhoria das condições económicas e com a precariedade a manter-se, a capacidade das famílias acolherem os doentes também será menor”.

O barómetro que é feito trimestralmente vai passar a ter uma ferramenta online, no site da APAH, para que os dados estejam públicos e disponíveis a quem os quiser consultar.

Ana Maia in Público de 17/03/2018

6 de setembro de 2017

A classe média é a que mais paga ao estado

COM A DESCULPA QUE É PRECISO RECUPERAR OS RENDIMENTOS DAS CLASSES 
DESFAVORECIDAS, A CLASSE MÉDIA, QUE É A QUE MAIS PAGA AO ESTADO, 
CONTINUA ESMAGADA COM IMPOSTOS E ESQUECIDA PELO GOVERNO

Instalou-se na nossa sociedade mediática um discurso que tende a esquecer os direitos daqueles que mais contribuíram com os seus descontos para a sustentabilidade da Segurança Social e da CGA, e daqueles que com os seus impostos, pagam o funcionamento do Estado. O discurso dos “pobrezinhos”, substituiu o discurso da justiça e da equidade. Embora correndo o risco de ser criticado por “politicamente incorreto”, não podemos deixar de denunciar este discurso dominante no espaço público e politico que contribui também para agravar injustiças e desigualdades no país.

Vem tudo isto a propósito quer do aumento das pensões (em que os pensionistas com pensões superiores a 845€/mês são considerados ricos e têm as suas pensões congeladas desde 2010, e também a propósito do debate sobre a baixa do IRS para reduzir o enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar/Passos Coelho/Paulo Portas, em que também aqui atual governo veio defender a alteração das taxas de IRS apenas para os dois escalões mais baixos da tabela de IRS

OS DOIS PRIMEIROS ESCALÕES DA TABELA DE IRS ABRANGEM CERCA DE 73% DOS AGREGADOS, QUE CONTRIBUEM COM APENAS COM 11,5% DO IRS RECEBIDO PELO ESTADO

O quadro 1, contém os agregados familiares, os rendimentos brutos destes agregados declarados para efeitos de IRS, e o IRS a pagar repartidos por escalões de rendimento bruto anual. Os dados referem-se ao ano de 2015, que são os dados mais recentes divulgados pelo Ministério das Finanças, embora a situação atual não deva ser diferente da de 2015, pois a tabela de IRS não foi alterada desde aquele ano.


Para justificar a sua proposta, o governo afirma que 73% são beneficiados com a alteração das taxas dos dois primeiros escalões da tabela de IRS, no entanto esquece-se de dizer que isso representa um muito reduzido alivio da carga fiscal. 

Como mostram os dados do quadro 1, esses agregados só pagam cerca de 11,5% do IRS, mantendo-se o enorme aumento de impostos do governo PSD/CDS sobre a classe média (trabalhadores e pensionistas com rendimentos entre 1.357€ e 2.857€), que apesar de serem apenas 18,8% dos agregados pagam 29% de toda a receita de IRS arrecadada pelo Estado. Para a classe média, que está sobrecarregada com congelamento de pensões e aumento de impostos, é uma grande injustiça, e terá certamente consequências sociais e politicas.

NO LUGAR DE CONTINUAR A ESMAGAR COM IMPOSTOS A CLASSE MÉDIA, É NECESSÁRIO COMBATER EFICAZMENTE A EVASÃO E FRAUDE FISCAL, O QUE CONTRIBUIRIA PARA SE PODER IMPLEMENTAR UMA MAIOR JUSTIÇA FISCAL

O gráfico 1, retirado do Boletim de Informação Trimestral dos Créditos Tributários da AT do Ministério das Finanças de Abril de 2017, revela o gigantesco montante de impostos em dívida ao Estado, que não para de aumentar, o que obriga para compensar ao esmagamento da classe média com impostos.


Entre 2007 e Abri-2017, o valor das dividas à Administração Fiscal (Ativas, suspensas e com falhas) aumentou de 17.352 milhões € para 18.876 milhões €. E isto apesar de prescreverem todos os anos centenas de milhões € de dividas ao Estado que não são cobradas pela “máquina fiscal”, como tem revelado o Tribunal de Contas. Além destas, há ainda as dividas à Segurança Social que devem rondar já os 12.000 milhões € que pouco ou nada se faz para recuperar (no 1º ano o governo ainda apresentou um miniplano para recuperar mas deixou de o fazer e ninguém diz nada). 

O gráfico 2, retirado do mesmo Boletim, mostra a reduzida taxa de recuperação da divida fiscal ao Estado pela “máquina fiscal” por distritos do país.


Em média apenas 15% da divida ativa, embora variando muito de distrito para distrito, ou seja, 15% dos 6.613 milhões € de um total 18.876 milhões € de dividas ao Estado, foi cobrada coercivamente durante o ano de 2017 até a Abril, como mostra o gráfico 2.

É evidente que se a cobrança fosse mais eficaz e rápida, e a divida mais reduzida, certamente já se poderia aliviar também a classe média com menos impostos. Para que poucos não paguem impostos sobre os dividendos que recebem (Pingo Doce, Continente, Autoeuropa, acionistas estrangeiros que controlam as empresas estratégicas portuguesas, de que é ex. EDP, REN, FIDELIDADE, PT, NOS, a maioria dos bancos, etc) e outros não paguem as dividas que têm ao Estado, a classe média que paga uma parcela significativa da receita de IRS arrecadada pelo Estado, continua esquecida, ou corre o risco de mais uma vez ser esquecida no Orçamento do Estado para 2018. Estamos aqui para ver os resultados da negociação do OE-2018 tão badalada nos media.

Eugénio Rosa

31 de julho de 2017

Casos de idosos que tomam mais de cinco medicamentos tem de passar a ser justificado

Os médicos devem sinalizar e justificar obrigatoriamente os casos de idosos que tomam mais do que cinco medicamentos, uma medida defendida na Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.


O documento, que vai ser colocado a partir de terça-feira em consulta pública, traça várias medidas para desenvolver políticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas idosas.

Uma das ações defendidas é a definição de uma “estratégia de combate à polimedicação de justificação obrigatória para mais de cinco medicamentos”.

Segundo Pereira Miguel, coordenador do grupo de trabalho interministerial para a Estratégia do Envelhecimento Ativo e Saudável, a ideia não é estabelecer um limite para a prescrição ou toma de medicamentos, nem sobrecarregar os médicos com trabalho burocrático.

“Não estamos a dizer qual é a solução a aplicar. Não é uma solução fechada. Mas pretende-se criar um mecanismo que faça um alerta” para a toma de mais de cinco medicamentos, disse à agência Lusa, lembrando que “os medicamentos têm interações entre eles”.

Pereira Miguel refere que os profissionais de saúde devem estar alerta para a polimedicação, apercebendo-se de que medicamentos outros especialistas prescreveram aos seus doentes.

A Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável propõe ainda que sejam criadas uma espécie de “bandeiras vermelhas” para sinalizar idosos com necessidade especial de acompanhamento, como pessoas que recorrem mais às urgências ou que faltam sistematicamente a consultas ou até com sinais de negligência

Esta medida extravasa a área da saúde e devia envolver as autarquias, a PSP, a GNR, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, entre outras entidades.

O documento que terça-feira é colocado em consulta pública defende ainda a criação de um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas.

Neste programa deve ser fomentada a realização de avaliações regulares “com vista à deteção precoce de défices funcionais, défices psíquicos ou doenças crónicas a partir dos 50 anos” e tendo em conta as necessidades particulares de homens e mulheres.

No caso de doentes com várias patologias (comorbilidades) sugere-se a adoção de um plano individual de cuidados, um instrumento de intervenção integrada nos diferentes níveis de cuidados.

A Estratégia para o Envelhecimento Ativo e Saudável define medidas que envolvem vários setores, da Saúde à Educação e passando pela Solidariedade e Segurança Social. Por isso, Pereira Miguel propõe a criação de uma comissão interministerial que acompanhe e monitorize o que se vai realizando e implementando.

LUSA 
Ler mais em: SAPO24 31.07.2017

16 de junho de 2017

Portugal perdeu mais de 30 mil habitantes e envelheceu

O número de habitantes em Portugal desceu em 2016 relativamente a 2015, com menos 31757 pessoas, e o envelhecimento da população portuguesa acentuou-se.


Segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de dezembro do ano passado, a população residente em Portugal foi estimada em 10.309.573 pessoas, menos 31757 na comparação com 2015.

Este resultado traduziu-se numa taxa de crescimento negativa de 0,31% (era 0,32% em 2015) e reflete a conjugação dos saldos natural e migratório negativos.

"Nos últimos sete anos, a população de Portugal reduziu-se em 264 mil pessoas, mantendo-se a tendência de decréscimo populacional verificada desde 2010, ainda que se tenha atenuado nos últimos três anos", acrescenta o INE.

O envelhecimento da população portuguesa acentuou-se em 2016, quando o número de jovens, com menos de 15 anos, desceu para 1.442.416, ou seja, menos 18.416 na comparação com o ano anterior, enquanto o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou para 2.176.640, mais 35.816.

No ano passado, Portugal tinha 285.616 habitantes com 85 anos ou mais, um número superior em 12.234 ao registado um ano antes.

O número de idosos é superior ao dos jovens desde 2000. Na análise de uma década, o INE refere que, "em 2006, por cada 100 jovens residiam em Portugal 112 idosos, valor que aumentou para 151 em 2016".

Quanto ao índice de dependência de idosos, em 2006, por cada 100 pessoas em idade ativa, residiam em Portugal 26 idosos, número que passou para 33 em 2016.

Do total de residentes em Portugal, 5.427.117 são mulheres e 4.882.456 são homens.

Em 2016, o número de nascimentos aumentou novamente, para 87.126 nados-vivos, mas não foi suficiente para compensar o número de óbitos, que atingiram 110.535.

Assim, o saldo natural negativo manteve-se, ficando nos 23.409, quando em 2015 era 23.011.

Quanto à outra componente da análise da evolução da população, o número de emigrantes (pessoas que saem para morar em outro país) diminuiu e o de imigrante (estrangeiros que vêm residir em Portugal) estabilizou, mantendo-se o saldo migratório negativo, em 8348, "ainda que mais atenuado na comparação com 2015", explica o INE.

Eram 38.273 os emigrantes permanentes em Portugal, menos que os 40.337 estimados para 2015.

Os imigrantes ficavam nos 29.925 quando um ano antes eram 29.896.

O número estimado de emigrantes temporários continua a ser superior ao de emigrantes permanentes, situando-se em 58.878, o que reflete um decréscimo de 3,2% relativamente a 2015 (60.826).

Em 2016, aponta o Instituto, a idade média da população residente em Portugal estava nos 43,9 anos, tendo aumentado cerca de três anos na última década.

Ler mais em: JN 16.06.2017

9 de junho de 2017

Prestações sociais absorveram 92,5% dos recursos da Segurança Social

As pensões de velhice sofreram um acréscimo de 3% em termos homólogos, representando a maior fatia (75,1%) do valor despendido com pensões e complementos.


As prestações sociais absorveram no ano passado 92,5% dos recursos da Segurança Social, num total de 22,3 mil milhões de euros, mais 274,1 milhões de euros (1,2%) face a 2015, segundo dados divulgados hoje pelo Tribunal de Contas (TdC).

Entre as prestações sociais, o TdC diz que merece referência a rubrica de pensões e complementos, que apresentou um aumento de 2,4% (que compara com um acréscimo de 2,5% da despesa efectiva), em termos homólogos, totalizando os 16,1 mil milhões de euros (66,8%).

Este valor representa 72,2% das prestações sociais e mais de metade (66,8%) da despesa efectiva.

As pensões de velhice sofreram um acréscimo de 3% em termos homólogos, representando a maior fatia (75,1%) do valor despendido com pensões e complementos.

De acordo com o TdC, o comportamento das despesas com pensões de velhice no ano passado incorpora, entre outros, os efeitos da restrição na atribuição de pensões antecipadas, o aumento da idade da reforma para os 66 anos em 2014, sujeita a ponderação do fator de sustentabilidade nos anos seguintes, o levantamento da suspensão do regime de atualização das pensões atribuídas pelo sistema de Segurança Social e, ainda, os efeitos da pressão demográfica sobre o sistema.

No conjunto do ano, a receita e a despesa efectivas do sistema de Segurança Social cresceram 4,5% e 2,5%, respectivamente, face ao período homólogo anterior.

O relatório hoje divulgado pelo TdC é o resultado do acompanhamento da execução provisória do orçamento da Segurança Social de 2016, incluindo as origens e aplicações de fundos, de acordo com os dados fornecidos pelo Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, IP (IGFSS).

O tribunal concluiu que o Orçamento do Estado (OE) para 2016 manteve as medidas com vista à redução da despesa pública e à recuperação da receita fiscal e contributiva, tendo introduzido outras, direccionadas ao crescimento económico e ao reforço da coesão social, de que se destacam as relativas a política salarial pública e a prestações sociais (rendimento social de inserção, complemento social para idosos, prestações familiares e pensões).

O relatório faz notar que o saldo de execução efectiva no final de 2016 situou-se e 1,559 mil milhões de euros, incorporando 649,6 milhões de euros de transferência extraordinária do OE para financiamento do défice do sistema previdencial (menos 27,4% em termos homólogos).

"Desde 2012 que este sistema tem sido financiado com transferências extraordinárias do OE, sem as quais nos anos de 2012 a 2014 os saldos efectivos globais do sistema de Segurança Social seriam deficitários", sinaliza o TdC.

O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) estava avaliado em 14,246 mil milhões de euros no final do ano passado, 116,4% da despesa com pensões do sistema previdencial de 2016.

Durante o ano, o fundo valorizou-se 146,4 milhões de euros (1%), relativamente ao período homólogo, mas menos 0,6%, se não forem consideradas as dotações recebidas que atingiram 227,5 milhões de euros, e diminuiu (2,3 pontos percentuais) a concentração da carteira em dívida emitida ou garantida pelo Estado Português (75,8%).

Ainda de acordo com o relatório, a receita e a despesa efectivas da Caixa Geral de Aposentações cresceram, face ao período homólogo anterior, 0,7% e 0,1%, respectivamente, relevando pelo seu peso, na primeira, as contribuições e quotizações e as transferências do OE (90,7%) e, na segunda, as pensões (98,0%).

Em 2016, a receita proveniente de contribuições e quotizações apenas cobriu 41,0% da despesa com pensões.

A reposição da regra de actualização de pensões, a regressão gradual das medidas restritivas aplicadas e a diminuição do número de beneficiários passivos com pensões médias atribuídas no ano a apresentarem um desvio para menos face ao total na ordem dos 27,1% (menos 347,8 milhões de euros em termos absolutos) "foram factores determinantes para o comportamento da despesa com pensões que regista uma variação de 0,03%", refere o TdC.

As reservas relativas aos fundos de pensões transferidos para a CGA decresceram relativamente ao período homólogo, representando, no final do ano, 85,9% das reservas iniciais (87,6% em 2015) e o esforço do Estado e da CGA para financiamento de pensões de beneficiários dos fundos cujas reservas se esgotaram totalizaram, em 2016, 204 milhões de euros.

LUSA

8 de junho de 2017

A percepção e a realidade da segurança

Portugal é um país mais seguro do que muitos portugueses julgam.


Na passada sexta-feira foi aqui publicado um texto com o título “Portugal é o terceiro país mais pacífico do mundo”. O artigo dizia respeito ao último Índice Global da Paz, realizado pelo Instituto para a Economia e Paz (IEP), com sede em Sydney, Austrália. O IEP assinalava uma “melhoria notável” na segurança em Portugal, já que há cinco anos ocupava a 16.ª posição e agora já era o terceiro, depois da Islândia e da Nova Zelândia.

Os comentários a este texto revelavam incredulidade – mais segurança em Portugal, como é possível se assistimos a tantos crimes? Deve dizer-se que o índice do IEP envolve 23 indicadores, alguns dos quais não têm a ver directamente com a criminalidade. Indicadores como a importação de armas, manifestações violentas, operações militares no exterior, tamanho das Forças Armadas, estabilidade política, etc.

Ora consultando o mais recente (2016) Relatório Anual de Segurança Interna, elaborado com elementos fornecidos pelas entidades policiais e outras que constituem o Sistema Nacional de Segurança, verifica-se uma queda significativa na criminalidade participada às autoridades; a não participada não conta, naturalmente, para estas estatísticas.

Em 2014 (último ano para o qual existiam dados comparáveis quando foi feito o relatório) Portugal registava níveis de criminalidade muito inferiores à média da União Europeia. Entre 2008 e 2016 a criminalidade geral desceu 21% no nosso país; e, dentro dela, a criminalidade violenta e grave diminuiu quase um terço (menos 32 %).

É em boa parte por causa da segurança que tantos estrangeiros procuram Portugal, para turismo e também para residirem (aí jogam outros factores, claro, como os fiscais). Mas muitos portugueses acham que a insegurança aumenta assustadoramente no país, o que não é verdade, pelo contrário.

A discrepância entre a percepção das pessoas sobre criminalidade e violência e a realidade poderá ser, em parte, explicada pela exploração crescente do crime e do sangue por alguma comunicação social sensacionalista, nomeadamente televisiva. Mas também é verdade que nós, portugueses, adoramos dizer mal do nosso país.

Francisco Sarsfield Cabral

31 de maio de 2017

10 medidas para travar a violência contra os idosos

Em outubro do ano passado o Governo criou um grupo de trabalho para desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável. A proposta é conhecida nas próximas semanas.


O grupo de trabalho encarregue de desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável vão entregar ao governo, nas próximas semanas, 10 medidas para travar a violência contra os idosos, avança o Jornal de Notícias.

Em Portugal, os casos de violência têm aumentado. Há dois dias, uma idosa foi encontrada morta numa arca frigorifica, em sua casa, em Estarreja. Portugal está mesmo na lista negra da Europa.

Pelo menos três idosos são vítimas de violência todos os dias, segundo números da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), citados pelo Jornal de Notícias. Só no ano passado mais de 1000 idosos foram agredidos, vítimas de assaltos ou de violência doméstica.

A maioria das pessoas agredidas são mulheres e a média de idades está nos 75,5 anos.

Portugal é o país com o maior registo de violência sobre idosos, de acordo com um estudo divulgado este mês. A investigação desenvolvida pela Faculdade de Saúde Pública do Porto e uma Universidade Sueca mostra que, entre os sete países analisados, Portugal é o que mais maltrata os idosos.

Quase metade dos inquiridos referem que já foram alvo de pelo menos uma experiência de violência durante a vida adulta, mais do dobro que a média dos países participantes.

O estudo analisou o impacto da violência na qualidade de vida dos idosos na Alemanha, Lituânia, Grécia, Itália, Espanha, Suécia e Portugal. Os dados mostram que a agressão psicológica é a mais comum, seguida da violência financeira, física e sexual.

O estudo refere que estes tipos de violência têm consequências negativas ao nível da saúde, muito depois de os abusos terem terminado.

Contactado pela TSF, Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, diz que é positivo surgirem números mas a realidade é bem pior.

O presidente da APAV lembra que são agredidos, em média, cerca de 20 idosos por semana, três por dia. Mas são números que podem não refletir a realidade, já que são apenas os casos que chegam à Associação. João Lázaro salienta que a violência contra idosos é muitas vezes financeira e acontece dentro da própria família.

Sara de Melo Rocha
Ler mais em: TSF 31.05.2017

19 de abril de 2017

Ler faz bem à cabeça

Em alguns países, médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias.


Nem só na farmácia se aviam receitas médicas. A biblioterapia – o recurso a leituras selecionadas como auxiliar terapêutico – está a dar cartas em alguns países onde médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias. E os pacientes vão aviar a receita à biblioteca mais próxima.

Qualquer leitor entusiasta sabe quanta felicidade pode encontrar num livro. Cada obra pode ser um portal para outras paragens, sem ter de sair da própria sala. Um livro, além de mudar convicções e alargar horizontes, pode mudar o estado de espírito, pelo que é provável que não fiquem espantados com as funções terapêuticas que, cada vez mais, estão a ser atribuídas à leitura.

O conceito não é exatamente novo. Reza a história que no pórtico de entrada da biblioteca de Tebas, cidade-Estado grega, no atual Egito, pelo ano de 1000 a.C, se lia a seguinte frase: «Medicina para o espírito.»

A leitura sempre foi usada como distração e divertimento, mas só em 1949 o conceito de biblioterapia começou a tomar forma tal como é entendido hoje, com a tese da professora e bibliotecária Caroline Shrodes, Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study, com a qual obteve o doutoramento em Filosofia e Educação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Shrodes defendia então que a literatura tinha a capacidade de desencadear uma resposta afetiva que podia ser canalizada para o crescimento psicológico, social e emocional do leitor, sendo isso conseguido, por exemplo, através da identificação com as personagens dos livros e as situações por elas vividas.

Desde então, multiplicaram-se os estudos sobre esta nova ferramenta e, em 2003, depois de um longo caminho de investigação, o psicólogo inglês Neil Frude acabou por concluir que a leitura tem potencial para se assumir como substituto ou adjuvante dos antidepressivos. Criou, em colaboração com outros profissionais de saúde, uma lista de títulos de autoajuda baseados na terapia cognitivo-comportamental que pudesse abranger várias patologias de saúde mental comuns e, juntamente com médicos de família, psicólogos e bibliotecas, implementou o conceito da prescrição de livros em Cardiff (País de Gales).

Dez anos depois, em 2013, o projeto estendeu-se a todo o país. Criou-se uma organização para o gerir, a Reading Well, que, juntamente com a Arts Council, a rede de bibliotecas públicas do país, e tendo como parceiras várias associações médicas britânicas, acabou por colocar de pé um programa de prescrição de leitura de livros com uma função terapêutica, o Books on Prescription.

A metodologia é simples: há uma lista de livros e os médicos de família, psicólogos ou psiquiatras prescrevem a cada paciente aquele ou aqueles que se lhes adaptam ao problema que enfrenta. Pode aplicar-se a situações tão diversas como depressão, dor crónica, ansiedade, fobias ou bulimia.

O programa usa sobretudo livros temáticos e educativos, escritos por especialistas para leigos, sobre as condições que enfrentam os pacientes – os chamados livros de autoajuda – sendo quase todos baseados na terapia cognitivo-comportamental.

REMÉDIOS LITERÁRIOS: O LIVRO DE PRESCRIÇÕES

Nem só de livros de autoajuda vive a biblioterapia. As duas biblioterapeutas mais famosas do mundo – tanto quanto podem ser famosas as biblioterapeutas – são Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras do livro Remédios Literários (The Novel Cure: An A-Z of Literary Remedies, no original) e estas só recomendam ficção.

As ex-colegas de faculdade que passavam o tempo a recomendar livros uma à outra cruzaram-se com o filósofo Alain de Botton em 2007, quando este estava a criar em Londres a The School of Life – uma escola que ensina filosofia prática, para ser aplicada no dia-a-dia e que pretende substituir o vazio criado pela não existência de Deus com cultura, literatura, filosofia, arte e psicologia.

Desde aí, têm tido filas de gente à porta do seu gabinete e têm formado biblioterapeutas por todo o mundo. Em 2013, lançaram o Remédios Literários, um livro ao estilo dicionário com recomendações de leitura que vão desde o A de «Abandono» ao Z de «Zangar-se com o melhor amigo».

O livro tem uma particularidade: parte do conteúdo é adaptado à edição de cada país, para responder a realidades culturais diferentes e incluir mais autores nacionais. Da lista de recomendações fazem parte alguns autores portugueses, entre eles Fernando Pessoa, com o Livro do Desassossego para a insónia (que as autoras defende que nos vai deixar num estado pré-sono devido à falta de enredo) e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, para situações de dependência ou utilização excessiva de internet.

Sofia Teixeira

17 de setembro de 2016

Quão desiguais somos?


PATRICIA MELO MOREIRA / GettyImages

Todos sabemos que Portugal é um país muito desigual. Mas, a partir daí, é mais difícil estabelecer consensos. A desigualdade é alta, mas tem vindo a subir ou a descer? Qual é impacto dos impostos e prestações sociais na redução das disparidades de rendimento? Como nos comparamos com os restantes países europeus? Afinal o que é um ‘pobre’ em Portugal, e por que é que ser pobre cá dentro não é o mesmo que ser pobre lá fora? E, finalmente, como é que o programa de ajustamento afectou tudo isto?

Neste texto não vamos tentar responder a estas perguntas, mas apenas dar um pequeno aperitivo para quem se interessa pelo tema, com alguns números retirados da base de dados Pordata. Quem quiser saber as respostas às questões, pode saltar directamente para o último parágrafo e conhecer melhor o prato principal.

DESIGUALDADE – QUANTA EXISTE, AFINAL?

A métrica mais habitual para medir a desigualdade no seio de uma sociedade é o Coeficiente de Gini, um indicador que captura a forma como os rendimentos estão distribuídos. A fórmula é algo complexa, mas a ideia de fundo é que a desigualdade completa é indicada por um valor de “1” e que a igualdade absoluta (em que todos as pessoas têm o mesmo rendimento) dá-se quando o indicador atinge o valor de zero. Em Portugal, a evolução ao longo dos últimos anos foi mais ou menos assim:


O Gini conta a história toda?

O Indicador de Gini captura a desigualdade ao longo de toda a distribuição de rendimentos. Uma forma alternativa de medir a desigualdade de rendimentos, porém, é olhar apenas para os extremos da sociedade – por exemplo, comparando o rendimento dos 20% mais ricos com o rendimento dos 20% mais pobres, e expressando um como rácio do outro. Apesar de este indicador (S80/S20) não ser tão abrangente como o Gini, ele é provavelmente mais fácil de interpretar.


A evolução da situação não é muito diferente da que se obtém olhando para o indicador anterior. A principal diferença está na dinâmica do período 2009/2014. Ao passo que o Gini sugere uma estabilização da desigualdade, o S80/S20 mostra que nas franjas da sociedade as assimetrias não só não pararam de diminuir como na verdade até aumentaram consistentemente. A excepção é o ano de 2014, o primeiro ano de crescimento económico depois de uma recessão que se prolongou de 2011 a 2013.

OK, E A POBREZA?

Desigualdade não é exactamente a mesma coisa que pobreza mas as coisas estão necessariamente ligadas. De acordo com as convenções habituais, os pobres de um país são aqueles que vivem com menos de 60% do rendimento mediano. Ou seja, a pobreza acaba, de forma indirecta, por ser também uma medida relativa de rendimento, uma vez que é fixada em ordem ao rendimento do país. Por essa razão, não é de estranhar que a evolução da taxa de pobreza siga quase lado dos indicadores de desigualdade.


Porventura mais interessante do que a Taxa de Pobreza é a Taxa de Intensidade de Pobreza, igualmente assinalada no gráfico (barras a cor de rosa). Este indicador dá uma ideia da distância média dos ‘pobres’ face à linha de pobreza oficial, o que permite saber não apenas ‘quantos’ são pobres, mas também ‘quão pobres’ são os pobres. A conclusão é simples: durante os últimos cinco anos, o acentuar da pobreza deu-se ao longo das ambas as dimensões: há mais pobres e a situação de carência média dos pobres também se agravou.

Ainda só começámos a arranhar a superfície dos dados da pobreza. Mas se quiserem saber mais sobre o tema – e, mais especificamente acerca das perguntas com que começámos o texto -, estejam atentos ao Portugal Desigual, um site criado pela Fundação Francisco Manuel do Santos, no âmbito do estudo Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal. O site tem dados inéditos acerca da pobreza e desigualdade, incluindo ainda comparações internacionais e uma série de dispositivos interactivos. Estejam atentos.

Artigo de Pedro Romano, da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Visão 17.09.2016

10 de setembro de 2016

Medindo a democracia


Ao longo dos anos, os estudiosos da democracia têm demonstrado que a participação política tende a melhorar a qualidade do regime democrático. Ainda no século XVII, John Locke exaltou o carácter disciplinador da soberania popular. Os governantes sabem que em democracia têm de governar o melhor possível e de forma honesta, sob pena de serem destituídos pelo povo soberano. Seguindo esta lógica, a qualidade da democracia é indissociável do interesse e da participação dos cidadãos.

Com o intuito de facilitar a avaliação dos regimes democráticos, foram surgindo, nas últimas décadas, uma série de índices que medem a qualidade da democracia em diversos países, recorrendo a uma miríade de indicadores. Recentemente foi criado um novo índice, intitulado Variedades da Democracia, que se propõe a medir a democracia em mais territórios e de forma mais abrangente do que os seus antecessores, como o Freedom in the World da Freedom House e o Democracy Index, pulicado pela The Economist Intelligence Unit. A Fundação Francisco Manuel dos Santos tem financiado o Centro Regional para a Europa do Sul, coordenado por Tiago Fernandes, professor do Departamento de Estudos Políticos da Universidade Nova de Lisboa, com o intuito de investigar as causas e consequências da democratização no Sul da Europa.

Recorrendo à página do projecto Variedades da Democracia, podemos encontrar inúmeros indicadores originais sobre eleições, democracia directa, sistema partidário, entre muitos outros, que nos permitem avaliar e comparar as democracias daquela região do globo. Aqui ficam seis dados relevantes sobre a democracia portuguesa:

1 - Portugal é o segundo país da Europa do Sul onde as organizações devidamente habilitadas da sociedade civil são consultadas de forma mais assídua pelos decisores políticos durante a feitura de novas leis, sendo apenas suplantado pela França.

GRÁFICO N.º 1 - ÍNDICE DE CONSULTA DE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL


2 - Portugal é o segundo país da Europa do Sul com a percentagem mais elevada de mulheres deputadas ao parlamento nacional. Em Espanha, na última legislatura, 40% dos representantes ao Congresso dos Deputados, a câmara baixa das Cortes Gerais, eram mulheres, enquanto em Portugal as mulheres perfaziam pouco mais de 30% dos deputados à Assembleia da República. O aumento do número de deputadas em Portugal depois de 2006 é explicado pela aprovação, nesse ano, da lei da paridade, que passou a exigir a representação mínima de 1/3 de cada um dos sexos nas listas para a Assembleia da República, Parlamento Europeu e autarquias locais.

GRÁFICO N.º 2 – PERCENTAGEM DE DEPUTADAS NO PARLAMENTO NACIONAL


3- O gráfico seguinte mostra que a independência do Tribunal Constitucional face ao governo tem aumentado gradualmente e de forma significativa desde a sua criação, na sequência da extinção do Conselho da Revolução, aquando da revisão constitucional de 1982.

GRÁFICO N.º 3 – INDEPENDÊNCIA DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL (OU EQUIVALENTE)


4 - O rigor e a imparcialidade da administração pública são elevados em Portugal, mas decresceram consideravelmente nos últimos anos.

GRÁFICO N.º 4 – GRAU DE RIGOR E IMPARCIALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


5 - Segundo os autores do Variedades da Democracia, o índice de corrupção política em Portugal é baixo, apesar de ter aumentado ligeiramente nos últimos anos, sendo ainda assim muitíssimo mais baixo do que noutros países da Europa do Sul, como a Grécia e a Itália.

GRÁFICO N.º 5 – ÍNDICE DE CORRUPÇÃO POLÍTICA


6 - Portugal é o segundo país da Europa do Sul onde a participação política é menor. Apenas a Grécia apresenta valores consistentemente mais baixos do que os nossos. A literatura científica demonstra que nas democracias recentes, como a portuguesa, a espanhola e a grega, a ligação entre cidadãos e instituições é tendencialmente mais débil do que nas democracias consolidadas. Depois do entusiamo inicial com o regime democrático, patente na elevadíssima participação eleitoral dos primeiros sufrágios, a participação política tem diminuído progressivamente no nosso país.

GRÁFICO N.º 6 – ÍNDICE DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA


Depois de analisados estes indicadores, é importante realçar que Portugal é o segundo país da Europa do Sul a ostentar o nível mais elevado de satisfação com a democracia, sendo apenas ofuscado por Malta, de acordo com os últimos resultados do Eurobarómetro. Para além disso, a avaliação que os portugueses fazem da sua democracia tem evoluindo favoravelmente, de forma ininterrupta, desde o Outono de 2013. Ainda assim, estamos ainda longe do entusiasmo que outros povos europeus, nomeadamente os nórdicos, demonstram pela democracia que têm.

João Tiago Gaspar
Fundação Francisco Manuel dos Santos
Visão 10.09.2016

14 de junho de 2016

Portugal tem elevadas desigualdades em saúde

Conclusão é do Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde


As desigualdades em saúde em Portugal são elevadas e os anos de "profunda recessão económica e de cortes orçamentais" tiveram consequências que ainda não são conhecidas, indica o Relatório de Primavera deste ano.

"Portugal tem vivido anos de profunda recessão económica e de cortes orçamentais em várias áreas, incluindo a saúde, educação e segurança social. Neste sentido, as desigualdades em saúde representam uma preocupação acrescida, à luz dos custos elevados que acarretam", lê-se no documento, elaborado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

Intitulado "Saúde - procuram-se novos caminhos", o documento começa por recordar os relatórios elaborados nos últimos seis anos, nomeadamente sobre a questão da crise na saúde.

"Constatamos que a crise e o seu impacto na saúde dominou as atenções nesses anos tendo o OPSS apresentado ao longo desses anos diversas sugestões e alertas que poucas vezes foram tidos em conta", lê-se no relatório que será hoje apresentado em Lisboa, na presença do ministro da Saúde.

Os autores indicam que "o acentuado corte nas despesas com saúde", que "fizeram baixar alguns pontos no ranking da OCDE, tiveram efeito mais acentuado nas despesas com medicamentos e recursos humanos".

"Esses cortes ultrapassaram os cortes propostos pela troika no Memorando de Entendimento e ainda estamos longe de conhecer o verdadeiro impacto no sistema nacional de saúde, nomeadamente nos ganhos em saúde obtidos ao longo dos últimos anos".

Em relação às desigualdades sociais em saúde, os autores concluíram que estas são uma "evidência recente para Portugal", país onde existem "razões adicionais de preocupação".

"A evidência prévia demonstra que as desigualdades em saúde em Portugal são elevadas. Uma revisão sistemática recente aponta para a existência de disparidades em vários indicadores de saúde (como saúde auto-reportada, saúde mental, sintomas cardiovasculares e obesidade), relacionadas principalmente com instrução e género".

O OPSS recorda que "Portugal é um dos países mais desiguais da Europa em termos de rendimento", encontrando-se "entre os países com maior desigualdade, próximo de outros países do Sul da Europa, como Espanha, Grécia, Itália, ou Chipre, e países de Leste".

"No mesmo sentido, o risco de pobreza ou exclusão social é elevado em Portugal, quando comparado com outros países europeus, com taxas semelhantes àquelas observadas noutros países do Sul da Europa".

Um dos dados apresentados refere que "as pessoas sem formação têm um risco de ter má saúde seis vezes superior, em comparação com as pessoas com mais formação (ensino secundário ou mais)".

"O risco de diabetes é mais de quatro vezes superior no grupo sem formação, e o risco de hipertensão e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é três vezes superior. Para a depressão, o risco é mais elevado nos grupos com menor educação, embora seja superior para as pessoas com ensino básico comparado com as pessoas sem formação".

"Seja qual for a doença, a desigualdade aumentou claramente entre 2005 e 2014, independentemente do sexo e da idade".

Nos idosos, as desigualdades em saúde são ainda mais marcadas: "O risco de má saúde é cinco vezes superior nas pessoas sem educação e mais de duas vezes superior nas pessoas com ensino básico. O risco de doença crónica é quatro vezes superior nas pessoas sem educação e o risco de limitações mais de três vezes superior".

Os autores concluem ainda que, "apesar do carácter universal e tendencialmente gratuito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), os cuidados de especialidade estão desigualmente distribuídos na população, a favor dos mais educados. Este facto também poderá contribuir para as desigualdades em saúde".

Para o OPSS, os dados analisados "indicam claramente que o SNS, apesar dos seus grandes e demonstrados benefícios para a saúde da população, e do seu carácter universal e tendencialmente gratuito, não é suficiente para combater as desigualdades em saúde".

Entre as várias estratégias para combater as desigualdades em saúde, os autores defendem que "as políticas de saúde pública devem focar os comportamentos de risco -- álcool, tabagismo, sedentarismo, dieta inadequada -- através de instrumentos económicos (impostos) e da regulação (por exemplo das gorduras, do sal ou do açúcar)".

"Os programas de rastreio devem ser acessíveis a todos, assim como os cuidados de saúde", preconiza o Observatório.

O OPSS é uma parceria entre a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra, Universidade de Évora, e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

LUSA
DN 14.06.2016

7 de abril de 2016

Quase 80% dos idosos que vivem em lares sofrem de demência

Nove em cada dez idosos em lares têm alterações cognitivas que sugerem demência, sendo que dentro deste grupo, 78% tem efetivamente demência, revelou um estudo realizado pela União das Misericórdias Portuguesas.



O estudo, integrado no projeto VIDAS - Valorização e Inovação em Demências, depois de uma investigação que demorou cerca de dois anos, envolveu 1.503 idosos de 23 instituições, avaliados por psicólogos e neurologistas para detetarem a existência de demências e o seu grau.

No final, foi possível ficar a saber que 90% dos idosos nos lares tem alterações cognitivas que sugerem demência, sendo que dentro deste grupo, 78% tem efetivamente um quadro de demência.

Constatou-se ainda que apenas três por cento dos idosos nos lares não tem alterações cognitivas e 8% tem alterações cognitivas, mas sem demência.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do estudo explicou que, numa primeira fase, foi pedido aos diretores técnicos e aos responsáveis das unidades para identificarem os idosos com e sem alteração cognitiva e aqueles com e sem demência.

Segundo Manuel Caldas de Almeida, havia entre 25% a 30% de idosos com demência, 5% de idosos sem alterações cognitivas e 6% com alterações cognitivas sem demência.

Os dados mostram também que 70% dos idosos naqueles lares não estavam detetados como tendo defeitos cognitivos.

Estes números alteraram-se significativamente na segunda fase do estudo, em que seis psicólogos avaliaram os 1.503 idosos e cujo diagnóstico foi posteriormente comprovado por duas neurologistas, tendo então revelado que a maioria dos idosos nos lares tem demência.

Entre os idosos avaliados, em 48% os sintomas iniciais da doença manifestaram-se na memória, mas em 55% afetou outros domínios cognitivos e em 33% alterou o comportamento.

Se na maioria (80%) a forma de início da demência foi progressiva, em 20% manifestou-se de forma aguda. Já a evolução da doença aconteceu em 67% dos casos de forma progressiva e apenas em 2% havia tendência a melhorar.

"Existe um número muito importante de pessoas com demências nos lares, e um número importante de pessoas com demência em que essa demência não é reconhecida", apontou Caldas de Almeida.

O psiquiatra admitiu que o número final ultrapassou as expectativas iniciais e defendeu, por isso, que é preciso transformar os lares, já que estas instituições não estão a prestar um bom serviço em matéria de demências.

"Não [estão a prestar um bom serviço] porque não estão preparados para ter pessoas com demência", apontou.

A demência é uma doença que "não é provocada por uma pessoa estar em casa ou num lar", explicou Caldas de Almeida, salientando que uma tão elevada percentagem de pessoas com demência nos lares tem a ver com o envelhecimento da população e com o facto de serem as pessoas mais frágeis e mais dependentes que são referenciadas.

"Obviamente, os lares têm uma percentagem muito maior de pessoas com demência do que a sociedade em geral", acrescentou.

No estudo da União das Misericórdias Portuguesas participaram 1503 pessoas, com idades entre os 46 e os 105 anos, a maioria (709) dentro dos 80 aos 89 anos, 30% do sexo masculino e 70% do sexo feminino.

Um total de 94% tem a escolaridade primária, 83% foram operários, trabalharam no setor primário ou eram trabalhadores não qualificados. Em matéria de estado civil, 57% é viúvo e 21% é solteiro.

Antes da institucionalização, 30% dos idosos tinham estado num centro de dia e 30% tiveram apoio domiciliário.

O motivo da institucionalização num lar teve a ver, em 42% dos casos, com uma dependência e em 30% com o isolamento ou solidão. 35% dos idosos tinha uma doença neurológica prévia, sendo que 65% destes ficaram com sequelas.

JN 06.04.2016

29 de março de 2016

Há mais pessoas a pedir ajuda por sofrerem agressões dos filhos

Relatório de 2015 da APAV é divulgado nesta terça-feira. Mostra que, por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e 14 mulheres são vítimas de crime ou de outra forma de violência.











Não é um fenómeno novo, mas no ano passado a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) lidou com mais casos de pessoas que tinham sido — ou eram ainda — alvo de alguma forma de agressão por parte dos filhos: 819, ou seja, mais de duas vítimas por dia.

Aliás, se tivermos em conta todas as relações de consanguinidade (avós, filhos, netos, pais/mães, irmãs/irmãos e outros familiares próximos), contabilizam-se perto de 2300 casos. É qualquer coisa como um quarto de todos os acompanhados pela associação, lê-se no relatório anual da APAV, referente a 2015, que será divulgado nesta terça-feira.

A face mais visível do trabalho da APAV é a violência conjugal — e percebe-se porquê: a violência
nas chamadas “relações de intimidade” (envolvendo companheiros, maridos e mulheres, ex-maridos e ex-mulheres, namorados, actuais e antigos) representou 58,4% das situações com as quais a associação lidou. Mas também há cada vez mais relatos em que os filhos são apontados como agressores: 687 em 2013; 706 em 2014 e, como já se viu, 819 em 2015. Aliás, as situações em que os pais são agressores (1104) baixaram ligeiramente (7%), enquanto o número de agressores filhos subiu (16%).
João Lázaro, da direcção da APAV, admite que o grande factor que explica isto é a crescente sensibilização das pessoas — as campanhas a alertar para a violência contra os mais velhos, nomeadamente por parte de filhos e outros parentes próximos, estarão a surtir algum efeito e há mais gente a procurar apoio.

Bullying sobe 45%
Todos os anos, a APAV — uma instituição particular de solidariedade social, sem fins lucrativos — faz um relatório com o balanço da sua actividade, que se centra muito, mas não só, no apoio directo a

quem é vítima de qualquer tipo de crime. Os números globais de 2015 são estes: foram apoiadas 9612 vítimas directas e contabilizados um total de 23.326 crimes (uma vítima pode ser ou ter sido alvo de vários crimes) ou outras formas de violência (o bullying, por exemplo, não está tipificado enquanto crime, mas é uma forma de violência).

Algumas médias calculadas no relatório: por dia, quase três pessoas com 65 ou mais anos, três crianças e jovens e mais de 14 mulheres, entre os 18 e os 64 anos, são vítimas de crime ou outra forma de violência. Isto tendo em conta apenas o número das que procuraram apoio na associação. Homens, são uma média de 2,1 por dia.

“De 2013 para 2015, registou-se um aumento superior a 8% no número de processos, crimes e outras formas de violência e vítimas”, prossegue o documento.

Alguns tipos de violência ganharam terreno: a chamada violência doméstica, de longe a mais frequente, subiu 10,6%, num ano. São quase 19 mil os crimes contabilizados. Os casos de stalking (445) subiram 30,5% — as vítimas de "assédio persistente", o termo português mais comum para stalking, são em geral mulheres, têm à volta dos 40 anos e um diploma superior. E os relatos de bullying (134) cresceram ainda mais: 46%. O perfil da vítima de bullying desenhado pela APAV é este: uma idade média de 18 anos, com predomínio das raparigas (52% dos casos), que apontam um colega de escola (em 60% dos casos) como autor das agressões.

Já os crimes de violação baixaram 38% (de 139 para 86) e os de abuso sexual de crianças sofreram
pouca oscilação (de 106 para 102).

Relações gay
O relatório de 2015 contém algumas novidades. Uma delas é traçar, pela primeira vez, o perfil das vítimas de violência doméstica em casais de pessoas do mesmo sexo. A APAV atendeu 131 casos
deste tipo — 57 vítimas-homens e 74 vítimas-mulheres.

O perfil dos homens que foram vítimas numa relação gay e que recorreram à associação é este: tem, em média, 46 anos (é um pouco mais jovem do que os 388 homens-vítimas em relações heterossexuais); em 36% dos casos tem o ensino superior; em 41% dos casos é casado ou vive em união de facto e uma minoria (38%) está inserido numa família nuclear com filhos (o que não se passa nas relações heterossexuais, onde a maioria relata viver em agregados com filhos).

Quanto à mulher que é vítima numa relação gay tem, em média, 44 anos (um pouco mais velha do que a média das mulheres-vítimas em relações heterossexuais), em 52% dos casos é casada, seis em cada dez estão inseridas num agregado com filhos, 42% têm o ensino superior.

“A violência assume formas muito diversas e tem actores muito diversos”, explica João Lázaro. Os
perfis das vítimas mostram isso mesmo. Atente-se, ainda, a mais dois tipos de vítimas muito distintos: as crianças acompanhadas são em geral do sexo feminino (54,6%) e têm uma idade média de 9,9 anos; os idosos são também, na sua maioria (80,5%), mulheres, têm em média 75,4 anos e quase sempre (mais de 90%) estão reformados.

Muitas vítimas contactam a APAV apenas uma vez, para pedir informações. O telefone é escolhido em 60% dos casos (a linha de apoio 116 006 funciona gratuitamente das 9h da manhã às sete da tarde). Mas muitas são acompanhadas ao longo do tempo (ver texto "O caso mais antigo que Maria acompanha é de um miúdo com 13 anos"), nomeadamente para receber o apoio de um psicólogo habilitado. A associação fez um total de 34.372 atendimentos em 2015.

De resto, na maior parte das vezes o que as pessoas têm para relatar são casos de violência continuada (75%). E, no entanto, apenas 39% das vítimas declararam ter apresentado queixa às autoridades — uma percentagem que se mantém baixa, tal como no ano passado.

Andreia Sanches
Público 29.03.2016

Fernando Martins, Vice Presidente da APRe!, intervém em directo na TVI24 no programa Discurso Direto, para falar sobre a notícia do jornal Público.