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31 de julho de 2017

Casos de idosos que tomam mais de cinco medicamentos tem de passar a ser justificado

Os médicos devem sinalizar e justificar obrigatoriamente os casos de idosos que tomam mais do que cinco medicamentos, uma medida defendida na Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável.


O documento, que vai ser colocado a partir de terça-feira em consulta pública, traça várias medidas para desenvolver políticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas idosas.

Uma das ações defendidas é a definição de uma “estratégia de combate à polimedicação de justificação obrigatória para mais de cinco medicamentos”.

Segundo Pereira Miguel, coordenador do grupo de trabalho interministerial para a Estratégia do Envelhecimento Ativo e Saudável, a ideia não é estabelecer um limite para a prescrição ou toma de medicamentos, nem sobrecarregar os médicos com trabalho burocrático.

“Não estamos a dizer qual é a solução a aplicar. Não é uma solução fechada. Mas pretende-se criar um mecanismo que faça um alerta” para a toma de mais de cinco medicamentos, disse à agência Lusa, lembrando que “os medicamentos têm interações entre eles”.

Pereira Miguel refere que os profissionais de saúde devem estar alerta para a polimedicação, apercebendo-se de que medicamentos outros especialistas prescreveram aos seus doentes.

A Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável propõe ainda que sejam criadas uma espécie de “bandeiras vermelhas” para sinalizar idosos com necessidade especial de acompanhamento, como pessoas que recorrem mais às urgências ou que faltam sistematicamente a consultas ou até com sinais de negligência

Esta medida extravasa a área da saúde e devia envolver as autarquias, a PSP, a GNR, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, entre outras entidades.

O documento que terça-feira é colocado em consulta pública defende ainda a criação de um programa de vigilância da saúde das pessoas idosas.

Neste programa deve ser fomentada a realização de avaliações regulares “com vista à deteção precoce de défices funcionais, défices psíquicos ou doenças crónicas a partir dos 50 anos” e tendo em conta as necessidades particulares de homens e mulheres.

No caso de doentes com várias patologias (comorbilidades) sugere-se a adoção de um plano individual de cuidados, um instrumento de intervenção integrada nos diferentes níveis de cuidados.

A Estratégia para o Envelhecimento Ativo e Saudável define medidas que envolvem vários setores, da Saúde à Educação e passando pela Solidariedade e Segurança Social. Por isso, Pereira Miguel propõe a criação de uma comissão interministerial que acompanhe e monitorize o que se vai realizando e implementando.

LUSA 
Ler mais em: SAPO24 31.07.2017

25 de julho de 2017

“Violência financeira sobre idosos”, comunicado à imprensa


Entre as diversas formas de violência, há uma, a financeira, que a APRe! tem vindo a denunciar, quer internamente, quer no palco internacional. Depois da denúncia relativa ao encerramento de numerosas agências da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em localidades do interior, maioritariamente habitadas por idosos, obrigando os reformados a deslocarem-se quilómetros para terem acesso às suas pensões, acresce agora a medida comunicada aos Aposentados, Pensionistas e Reformados, clientes da CGD, através de carta, informando-os que a isenção de pagamento de despesas de manutenção das suas contas, só se manteria para aqueles cujas pensões fossem inferiores a 1,5 Salário Mínimo Nacional, ou seja, 835.50€. 

Esta notícia, confirmada pelo jornal Público, revela a forma agressiva como o Banco Público, atinge os seus clientes, ao fazer com que os mesmos paguem para receberem as suas pensões de reforma, quando o processo de pagamento de ordenados e pensões, através do banco, foi criado para beneficio das entidades empregadoras e da própria banca. A partir de 1 de Setembro verifica-se, assim, um novo “massacre” sobre pensionistas e reformados, numa medida que Paulo Macedo, ministro do anterior governo, visa retomar. 

Esta medida do Banco público, afecta os pensionistas e reformados que têm visto as suas pensões congeladas desde 2009, colocando-os numa situação que implica uma redução cada vez maior do seu poder de compra. 

Além dos reformados, e sem qualquer preocupação especial do ponto de vista social, o fim das isenções das comissões de manutenção da conta à ordem, “castiga” ainda os reformados por invalidez com menos de 65 anos, bem como, todos aqueles que se aposentaram antecipadamente, na sua grande maioria, por a isso se terem sido forçados. Hoje já não é possível abdicar de uma conta bancária e, mais uma vez, são as pessoas mais fragilizadas, que devendo ser poupadas a estes encargos com os bancos, são chamadas a contribuir para a recuperação de uma instituição bancária. 

APRe! defende a eliminação de qualquer taxa de manutenção sobre as contas dos reformados, bem como a reversão de encerramento de agências no interior, substituindo esta opção pelo encerramento em grandes cidades, onde a CGD tem múltiplas agências. 

A APRe! não está disponível para contribuir para mais este resgate da banca, considerando esta situação uma penalização inaceitável e violenta contra os idosos, agravada por ter origem num banco público!

A Presidente da APRe!
Maria do Rosário Gama

24 de julho de 2017

A APRe! contra a introdução de comissão de manutenção de conta bancária na CGD, dos reformados e pensionistas


Numa entrevista hoje à RTP3 a Presidente da APRe! Rosário Gama, manifestou a oposição da Associação quanto à anunciada intenção da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de passar a cobrar a partir de 1 de Setembro a comissão de 4,95 euros (mais imposto de selo) por mês (59,40 euros ao ano) aos clientes reformados e pensionistas, até agora isentos.

Neste segmento, só os clientes com mais de 65 anos e pensão ou reforma inferior a 835,50 euros continuarão a não pagar pela conta à ordem. Clientes com pensões pequenas, como de invalidez, ou que recorreram à pré-reforma, passam a pagar.

Rosário Gama referiu igualmente que a APRe! vai fazer uma informação aos associados sobre as alternativas mais vantajosas para os pensionistas e reformados receberem as suas pensões, sem custos associados, referindo igualmente o transtorno provocado aos clientes da CGD pelo fecho das agências em muitas localidades, o que obriga muitas pensionistas e reformados a deslocações de muitos quilómetros para receber as suas pensões.

25 de junho de 2017

Resiliência na velhice

As pessoas mais resilientes têm mais possibilidades de “escaparem” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.


”... Ultimamente têm-me acontecido muitas coisas... na mesma altura perdi o meu marido, parti uma perna, estive algum tempo internada e tive de deixar a minha casa. Penso muitas vezes que se isto me acontecesse noutra fase da vida, quando era mais nova, não aguentaria. E agora aqui estou, consigo estar bem...” Maria, 85 anos

O envelhecimento implica mudanças, muitas delas perdas e adversidades. Contudo, estas perdas não significam que o bem-estar das pessoas mais velhas esteja “comprometido”. A resiliência centra-se, precisamente, nos fatores e processos que fazem com que as pessoas resistam em circunstâncias difíceis, especialmente nas associadas aos desafios do envelhecimento. Trata-se de uma perspetiva positiva do envelhecimento, mais centrada nas potencialidades do que nos déficits. De facto, alguns estudos, tais como o Berlin Ageing Study, centram-se no elevado nível de bem-estar das pessoas idosas, que sugerem que, ao envelhecer, se conseguem ativar recursos adicionais que podem não estar presentes noutras etapas da vida.

Interessa então perceber que características se associam à resiliência. A resiliência psicológica começou por ser estudada em crianças e jovens expostos a adversidades para se compreender o que é que contribui para que alguns recuperem e resistam a traumas e outros não, desenvolvendo, inclusivamente, psicopatologia. Com o “despertar” da importância do envelhecimento bem sucedido na década de 60 e com um grande e crescente desenvolvimento durante e após a década de 90, surgiu um marcado interesse em se saber quais as características e dinâmicas explicativas da felicidade e da saúde na velhice. As pessoas mais resilientes têm maior possibilidade de “escapar” a doenças. O envelhecimento saudável e a longevidade também se encontram associados à resiliência.

Apesar de diferentes estudos indicarem que a maioria das pessoas mais velhas são resilientes, é fundamental termos em consideração que existe, também, um elevado e preocupante número de pessoas idosas com sintomatologia depressiva. Segundo os dados do Eurostat, em Portugal, em 2014, uma em cada 5 pessoas entre os 65 e os 74 anos relata ter depressão crónica. Sendo que, muitos dos casos, não estão diagnosticados e/ou não são tratados. Os motivos são vários, entre eles os ainda persistentes estereótipos em torno da doença mental, que tendem a desvalorizar este tipo de sintomatologia (“isso logo passa...” “são manias” ...) e /ou os mitos que ainda insistem em se considerar que a tristeza é normal na velhice e que não é necessário intervenção. A desconstrução deste tipo de falsas crenças é um eixo central para que se valorizem e mobilizem intervenções não farmacológicas e farmacológicas para o tratamento da sintomatologia depressiva e para a promoção da resiliência, quando esta não se manifesta de forma mais espontânea ao se envelhecer.

De que fatores depende a resiliência?

Há características que predispõem a pessoa a ser mais ou menos resiliente: a um nível mais individual, o tipo de funcionamento fisiológico; personalidade, como o facto de a pessoa ser aberta a novas experiências e o grau de extroversão; sentir ou não controlo; ter autoestima, autoeficácia e autodeterminação. A existência e desenvolvimento da espiritualidade também se tem revelado como um fator protetor relevante.

Em relação à forma como a pessoa lida com o processo de envelhecimento, as atitudes de autocuidado, aceitação de mudanças, otimismo e existência de emoções positivas tornam a pessoa resistente.

Numa vertente mais social, destacam-se as competências para exprimir opiniões e sentimentos, a existência de uma rede de apoio social e relações de intimidade e proximidade.

Estas características, entre outras, interagem de forma complexa, gerando dinâmicas que funcionam como “amortecedores” do impacto que as mudanças possam ter à medida que a pessoa vai envelhecendo.

E pode desenvolver-se?

A resiliência desenvolve-se ao longo da vida através de experiências, da educação, da comunidade e do amplo processo de desenvolvimento pessoal. Por exemplo, se a pessoa não teve de lidar com problemas de saúde ao longo da vida, terá mais dificuldade em se adaptar às alterações normais associadas ao processo de envelhecimento.

Algumas estratégias para o desenvolvimento da resiliência


  • Centrar-se no “lado positivo” – ser mais optimista.
  • Cuidar-se.
  • Ter relações sociais de qualidade.
  • Preservar a sua autonomia.
  • Treinar/exercitar competências.
  • Selecionar objetivos e atividades adequados às competências da pessoa.
  • Compensar possíveis défices.
  • Mobilizar as novas tecnologia como “apoio” para envelhecer bem.
  • Ser criativo e aberto a experiências.
  • Valorizar história de vida e experiências positivas.
  • Procurar emoções positivas.
  • Ser protagonista do seu próprio envelhecimento.

A resiliência pode, também, desenvolver-se através de intervenções psicológicas específicas, tais como a restruturação cognitiva, o treino na focalização nos aspetos mais positivos, o desenvolvimento de intervenções motivacionais e na redução da sintomatologia depressiva. O desenvolvimento de competências sociais e de assertividade e uma revisão de vida orientada que capacite a pessoa a ter uma visão mais positiva de si, capaz de integrar erros e rejeições, são alguns exemplos de intervenções psicológicas promotoras da resiliência na velhice.

Um foco central no estudo da resiliência na velhice tem sido, assim, o de perceber: como é que podemos tornar a pessoa mais resiliente ao longo do processo de envelhecimento?

Apesar da grande e crescente heterogeneidade das pessoas idosas, partir da experiência subjectiva de envelhecimento parece ser um eixo central para que a pessoa valorize e mobilize recursos para ser resiliente sentindo-se protagonista de uma história de vida única em que o envelhecimento é uma fase que se pode desfrutar e viver bem.

Rosa Marina Afonso

23 de junho de 2017

Clima do futuro pode trazer até mais 50 dias de calor extremo

O interior do país será mais afetado e as ondas de calor serão mais frequentes. Um cenário que aumenta o risco de incêndio na floresta


As tendências estão lá todas: chuva a menos no inverno e na primavera, temperaturas muito acima da média para época, e em número de dias consecutivos para ser onda de calor, a maior parte do território em seca meteorológica. E, na sequência de tudo isso - e de muitos outros fatores que são estruturais à floresta e circunstanciais ao momento, e sobre os quais ainda falta muita informação -, a deflagração de um dos mais violentos incêndios de que há memória em Portugal, e o mais trágico em número de vítimas. A pergunta é inevitável: é disto que se fala quando se fala de alterações climáticas?

A resposta não é taxativa - nem pode. Um fenómeno isolado não é suficiente para declarar uma certeza, ainda que o calor nos dias 17 e 18 deste mês (marcados pelo violento incêndio que teve origem em Pedrógão Grande) tenha sido muito anormal para um final de primavera (ver texto na página ao lado). Como dizia ao DN o físico e especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que estuda há duas décadas as alterações climáticas em Portugal, "é muito difícil medir de forma definitiva" se isto é já consequência da mudança climática. O que se pode dizer é que "no contexto das alterações climáticas, o risco de incêndios florestais vai aumentar em toda a bacia mediterrânica e também em Portugal, porque é isso que os modelos climáticos indicam", sublinha o especialista.

O aumento no final do século do número de dias com temperaturas extremas, acima dos 35 graus, que podem chegar a ser, no pior cenário até mais 50 dias (ver gráfico), em relação aos que hoje já se verificam, em algumas zonas do interior, ou um maior número de ondas de calor, que podem ser nesse futuro até 12 vezes mais frequentes em relação à atualidade, vão potenciar o risco dos fogos florestais, mas terão também impactos na saúde, na biodiversidade, na agricultura, nos recursos hídricos...

Aquilo a que vamos assistir, na prática, é "ao aumento progressivo destes fenómenos ao longo do século", explica o investigador Luís Dias, da Universidade de Lisboa, que coordenou as estratégias de adaptação às alterações climáticas para 26 municípios do país no âmbito do Climadapt. Este projeto, que durou dois anos e terminou no fim de 2016, fez o diagnóstico das principais vulnerabilidades climáticas para cada um dos territórios, elaborou as respetivas estratégias de adaptação e formou 52 técnicos municipais nesta área nas autarquias envolvidas.

Perante as vulnerabilidades identificadas, que vão do aumento dos fenómenos extremos como ondas de calor e secas mais intensas, tempestades mais devastadoras, mais cheias e inundações ou aumento da erosão costeira, com todos os seus impactos na saúde e nas atividades humanas, as ações de adaptação serão inevitáveis - e têm de ser encaradas desde já.

Florestas Risco de incêndio aumenta


A floresta, com a previsão do aumento do risco de incêndio, é um dos calcanhares de Aquiles do país, sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde existem problemas complexos de gestão e ordenamento florestal e que, a par da desertificação do interior do país, contribuem há três décadas para o agravamento dos incêndios florestais.

Estudos realizados ainda no início da década passada já apontavam essa tendência. Em 2002, os resultados do estudo integrado liderado por Filipe Duarte Santos "Alterações climáticas em Portugal: Cenários, impactos e medidas de adaptação", o primeiro sobre as alterações climáticas em Portugal, era claro: "Prevê-se um aumento substancial do risco meteorológico de incêndio em todo o país. Nas regiões do Norte e Centro, espera-se um aumento de três a cinco vezes do número de dias com valores do índice climático de risco de incêndio, correspondentes a situações de risco muito alto e extremo."

Estudos mais recentes confirmam e tornam mais precisas as estimativas. Dados do IPCC, o painel intergovernamental para as alterações climáticas da ONU, publicados em 2014, estimam um aumento entre três a cinco vezes dos incêndios florestais na região do Sul da Europa, que inclui Portugal. E um estudo publicado em 2013 por investigadores portugueses da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Universidade de Lisboa, liderado por Mário Pereira, mostra que os grandes fogos, como agora o de Pedrógão Grande, vão aumentar já em meados do século e que a ocorrência de fogos com maior área ardida poderá passar de 51 para 158, em média, no final do século. O aumento do número de dias com calor extremo e baixa humidade e o prolongamento da época de incêndios, que será antecipada e prolongada pelo outono dentro, favorecerão esse cenário, pelo que o ordenamento florestal é urgente, para fazer face a esse mundo mais quente - e mais perigoso.

Ondas de calor Vão ser mais frequentes


Uma onda de calor ocorre quando, pelo menos durante seis dias consecutivos, a temperatura máxima é superior em cinco graus, ou mais, à média da máxima para a região e para a época. Tal como aconteceu agora em quase todo o território do continente. Algumas regiões do interior estiveram 14 dias em onda de calor, um fenómeno que se sabe ter um importante impacto na saúde, já que está geralmente associado um pico de mortalidade nas populações mais vulneráveis, como os idosos e as pessoas com doenças crónicas. No pior dos cenários, e com a a Península Ibérica a ser uma das regiões da Europa mais afetadas pelas alterações climáticas, o aumento da temperatura média por cá pode chegar aos seis graus. Nesse patamar, as ondas de calor serão ainda mais mortíferas.

Filomena Naves
Ler mais em: DN 23.07.2017

21 de junho de 2017

Solidariedade da APRe!


A Direcção da APRe! está a contactar telefonicamente, através do seu Vice-Presidente Fernando Martins, todos os associados residentes nos concelhos de Pedrogão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis e Pampilhosa da Serra para se inteirar da situação física e patrimonial dos nossos associados, das respetivas famílias e resultante da tragédia que assolou aquela região.

A Direcção remeteu hoje aos Presidentes das cinco Câmaras a seguinte carta: 


"Exmo. Senhor Presidente da Câmara 

A APRe! Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados vem apresentar a V. Exa. as nossas mais sentidas condolências pelas consequências da terrível tragédia que atingiu o concelho a que V. Exa. preside e manifestar-lhe a nossa profunda solidariedade para com todas as famílias atingidas e residentes no seu concelho. 

Tem V. Exa. pela frente dias difíceis, com o rescaldo da tragédia, o cuidado com os feridos, o realojamento dos seus munícipes e a reintegração serena de todos, bem como o ressarcimento dos danos materiais e morais de que foram vítimas. 

Permita V. Exa. que a nossa Associação, que tem como missão a defesa dos Aposentados, Pensionistas e Reformados, venha apelar a V. Exa. a sua particular atenção, carinho e dedicação com os idosos do seu concelho que constituem mais de 30% da totalidade dos munícipes. 

Desejamos a V. Exa. as maiores felicidades para o árduo trabalho que se aproxima e vimos manifestar toda a nossa disponibilidade para o que V. Exa. julgar necessário. 

Apresentando os nossos cumprimentos 

Maria do Rosário Gama 
Presidente da APRe!"

16 de junho de 2017

Portugal perdeu mais de 30 mil habitantes e envelheceu

O número de habitantes em Portugal desceu em 2016 relativamente a 2015, com menos 31757 pessoas, e o envelhecimento da população portuguesa acentuou-se.


Segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em 31 de dezembro do ano passado, a população residente em Portugal foi estimada em 10.309.573 pessoas, menos 31757 na comparação com 2015.

Este resultado traduziu-se numa taxa de crescimento negativa de 0,31% (era 0,32% em 2015) e reflete a conjugação dos saldos natural e migratório negativos.

"Nos últimos sete anos, a população de Portugal reduziu-se em 264 mil pessoas, mantendo-se a tendência de decréscimo populacional verificada desde 2010, ainda que se tenha atenuado nos últimos três anos", acrescenta o INE.

O envelhecimento da população portuguesa acentuou-se em 2016, quando o número de jovens, com menos de 15 anos, desceu para 1.442.416, ou seja, menos 18.416 na comparação com o ano anterior, enquanto o número de pessoas com 65 anos ou mais aumentou para 2.176.640, mais 35.816.

No ano passado, Portugal tinha 285.616 habitantes com 85 anos ou mais, um número superior em 12.234 ao registado um ano antes.

O número de idosos é superior ao dos jovens desde 2000. Na análise de uma década, o INE refere que, "em 2006, por cada 100 jovens residiam em Portugal 112 idosos, valor que aumentou para 151 em 2016".

Quanto ao índice de dependência de idosos, em 2006, por cada 100 pessoas em idade ativa, residiam em Portugal 26 idosos, número que passou para 33 em 2016.

Do total de residentes em Portugal, 5.427.117 são mulheres e 4.882.456 são homens.

Em 2016, o número de nascimentos aumentou novamente, para 87.126 nados-vivos, mas não foi suficiente para compensar o número de óbitos, que atingiram 110.535.

Assim, o saldo natural negativo manteve-se, ficando nos 23.409, quando em 2015 era 23.011.

Quanto à outra componente da análise da evolução da população, o número de emigrantes (pessoas que saem para morar em outro país) diminuiu e o de imigrante (estrangeiros que vêm residir em Portugal) estabilizou, mantendo-se o saldo migratório negativo, em 8348, "ainda que mais atenuado na comparação com 2015", explica o INE.

Eram 38.273 os emigrantes permanentes em Portugal, menos que os 40.337 estimados para 2015.

Os imigrantes ficavam nos 29.925 quando um ano antes eram 29.896.

O número estimado de emigrantes temporários continua a ser superior ao de emigrantes permanentes, situando-se em 58.878, o que reflete um decréscimo de 3,2% relativamente a 2015 (60.826).

Em 2016, aponta o Instituto, a idade média da população residente em Portugal estava nos 43,9 anos, tendo aumentado cerca de três anos na última década.

Ler mais em: JN 16.06.2017

15 de junho de 2017

15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos, Comunicado à Imprensa da AGE Platform Europe



AGE – Platform Europe

COMUNICADO DE IMPRENSA


Bruxelas, 14 de Junho de 2017


15 de junho - Dia de consciencialização contra abusos de idosos

Vamos quebrar o silêncio: As pessoas idosas que sofrem de abusos precisam de proteção e apoio!

Por ocasião do 12.º Dia Mundial de Consciencialização contra o Abuso de Idosos, 15 de junho de 2017, é urgente lembrar aos legisladores da política, a todos aqueles que defendem os direitos humanos e sociais e à sociedade como um todo, da omnipresença e efeitos devastadores do abuso, violência e negligência sobre as pessoas mais velhas. O abuso de idosos é uma realidade prolongada mas oculta que as pessoas mais velhas sofrem na maioria das vezes em silêncio e com medo. Em 14 de junho de 2017, a AGE Platform Europe organizou um workshop em conjunto com o Conselho da Europa, a Comissão Europeia e o Serviço de Apoio às Vítimas da Europa, a fim de analisar como melhorar a proteção das vítimas.

A AGE tem o prazer de organizar este evento em conjunto com o Conselho da Europa e a Comissão Europeia", declarou Anne-Sophie Parent, Secretária Geral da AGE Platform Europe. "Esta é uma ótima oportunidade para partilhar experiências a nível europeu e aumentar a consciencialização sobre a importância fundamental de encontrar maneiras de prevenir e combater o abuso de idosos neste período de envelhecimento demográfico. Os direitos dos cidadãos que sofrem violência e abuso existem em toda a Europa, mas as pessoas idosas enfrentam desafios adicionais como consequência da falta de consciência. Além disso, muitas pessoas idosas estão em situação particularmente vulnerável como resultado de discriminações adicionais com base no género, raça ou origem étnica, religião, deficiência ou orientação sexual".

Vera Jourová, Comissária para Justiça, Consumidores e Igualdade de Género, afirmou: "O crescente número de pessoas idosas na Europa devido a uma expectativa de vida mais longa é um desenvolvimento positivo de que nos podemos orgulhar. Mas também devemos saber que pode aumentar o risco do abuso sobre idosos, não só físico ou psicológico, mas também de negligência ou exploração financeira. Isto não é apenas uma questão de preocupação para os Estados-membros. A UE também desenvolveu uma série de iniciativas importantes para proteger as pessoas mais velhas contra a discriminação e o abuso. A diretiva “Direitos das Vítimas” implica mecanismos de proteção às vítimas e serviços de apoio que precisam de ser mais conhecidos das pessoas idosas que podem sofrer abusos. Outro exemplo é a nossa proposta recente de “Work Life Balance”. O nosso objetivo é fortalecer os direitos e melhorar as condições para os cuidadores conciliarem trabalho e responsabilidades de cuidados. Isso será igualmente benéfico para as pessoas que dependem dos cuidados"

Muitas vezes, as pessoas idosas em situações de dependência e com necessidades de cuidados sofrem abusos em silêncio, tanto em casa como em ambiente residencial. Estima-se que 3% dos europeus mais velhos sofrem maus tratos e 25% dessas pessoas têm necessidades de cuidados elevados, mas apenas cerca de 20% dos casos de abuso são denunciados. Conforme destacado durante a Conferência Anual da AGE em 7 de junho de 2017, tais abusos e violência são uma das violações mais graves dos direitos humanos dos idosos. A seleção deste desafio social como um dos tópicos para discussão no próximo Grupo de Trabalho de Composição Aberta sobre o Envelhecimento das Nações Unidas é o reconhecimento de que são necessárias novas ações em todo o mundo para combater o abuso de idosos.

As medidas preventivas precisam estar de “mãos dadas” com ações para aumentar a notificação de abuso de idosos e oferecer proteção e apoio das pessoas mais velhas que estão a sofrer ou sofreram abusos, violência e negligência. Conforme explicado no recente documento da posição da AGE em torno da proteção das vítimas de abuso, as pessoas idosas que sofrem abusos, muitas vezes experimentam sentimentos de vergonha, resignação e impotência que impedem a procura de proteção. Além disso, há uma falta de consciencialização sobre os direitos disponíveis e os serviços de proteção entre as pessoas idosas e pouco conhecimento sobre o abuso de idosos e as necessidades das vítimas mais velhas entre a polícia e os serviços de apoio e proteção.

A Diretiva dos Direitos das Vítimas de 2012 estabelece normas mínimas de proteção e apoio para todas as vítimas, independentemente do crime. Oferece uma oportunidade para melhorar o acesso de pessoas idosas que sofrem abuso e violência dos seus direitos. A cooperação entre as organizações de apoio às vítimas, os decisores políticos, a polícia, os agentes judiciais e as organizações de pessoas idosas facilitará a implementação efetiva da diretiva.

A AGE Platform Europe continuará a lutar para colocar o abuso sobre idosos no topo da agenda da União Europeia e para facilitar a partilha de todas as práticas valiosas que existem em toda a Europa.

14 de junho de 2017

Violência contra idosos está a aumentar

Em quatro anos, entre 2013 e 2016, a violência contra idosos aumentou 30% em Portugal. São dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV)


A APAV registou um aumento de 30% de crimes contra idosos entre 2013 e 2016, sendo as mulheres as principais vítimas, muitas delas a sofrerem em silêncio há mais de 40 anos, segundo dados hoje divulgados pela associação.

Os agressores são na maioria os filhos (39,6%), o cônjuge (26,5%), mas também há casos em que são os vizinhos (4,4%) e os netos (36%), adiantam os dados da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), revelados na véspera do Dia Internacional de Sensibilização sobre a Prevenção da Violência contra as Pessoas Idosas.

Entre 2013 e 2016, a APAV registou um aumento de 34% nos processos de apoio a idosos, que totalizaram 4.475 - 941 (2013), 1.068 (2014), 1.205 (2015) e 1.261 (2016) -, em que 3.612 foram vítimas de crime e de violência, valores que se traduziram em 8.578 factos criminosos.

"São cerca de 24 pessoas idosas que recorreram aos nossos serviços por semana, uma média de três pessoas por dia, o que demonstra que já reconhecem a associação como uma entidade" que os apoia, disse à agência Lusa Maria Oliveira, técnica da APAV.

Contudo, a associação refere que estes dados "ainda são uma amostra daquilo que acontece na sociedade", havendo ainda "um grande trabalho a fazer de sensibilização e proteção dos direitos das pessoas idosas", defendeu Maria Oliveira.

Na maioria, as vítimas são mulheres (79,5%), com idades entre os 65 e 69 anos (26,8%), casadas (42,8%) e a viverem numa família nuclear com filhos (31,7%), o que faz com que a maioria das situações de violência aconteça em casa (48,9%).

Das 1.009 vítimas registadas em 2016, contra 774 em 2013, 679 tinham idades entre os 65 e os 79 anos (67,4%) e 330 tinham entre 80 e mais de 90 anos (32,6%).

O número de agressores contabilizados neste período, ultrapassou o de vítimas (3.612), ascendendo aos 3.782, sendo na maioria homens (68,2%), com idades entre os 65 e os 74 anos, reformados (21%) e desempregados (19%).

O tipo de vitimação continuada, com uma duração entre dois e seis anos (8,7%), prevaleceu em 2016. Contudo, houve 45 vítimas (4,3%) que sofriam situações de violência há mais de 40 anos.

"É uma amostra significativa, que é preocupante, porque estamos a falar de relações de conjugalidade que perduram ao longo de muitos anos", disse Maria Oliveira.

Muitas destas situações acabam por ser denunciadas "por terceiros", como profissionais de saúde ou familiares diretos, mas também pela vítima, que já não consegue suportar mais a violência física e verbal.

Em 2016 foram registados 717 casos de maus-tratos psíquicos (30,1%), 442 de maus-tratos psicológicos (19%) e 281 de ameaças/coação (12,1%).

Estes números demonstram que as situações de violência em contexto familiar "não acarretam necessariamente a violência física, mas muitas vezes a psicológica", explicou Maria Oliveira.

Há expressões de preconceito como "já não prestas", "raça da velha", que "muitas vezes ouvimos em relação à velhice, ao envelhecimento" e ao próprio idoso, que constituem uma violação de direitos humanos.

"Cada vez mais há uma violação constante dos direitos das pessoas idosas quer a nível da sua autonomia, quer na sua capacidade de decisão", e "situações de violência e de crime" que "não podem voltar a acontecer".

Para isso, defendeu, tem que ser feito um trabalho de forma articulada entre as várias entidades da justiça, saúde e segurança social e as organizações que apoiam estas vítimas.

LUSA
Ler mais: DN 14.06.2017 Sociedade

4 de junho de 2017

SiforAGE, um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população

SiforAGE – Uma abordagem para promover o envelhecimento saudável e ativo numa economia sustentável e em crescimento através da articulação de investigadores e utilizadores finais

Um Livro Branco com recomendações para os decisores



Este projeto, que envolveu mais de 2000 agentes-chave na Europa, e que contou com a participação da APRe!, é mais do que um projeto de investigação é um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população apresentadas no Livro Branco “Escolhas para uma Sociedade para todas as Idades”.

Neste relatório diz-se que uma boa governação e a elaboração de políticas relativas ao envelhecimento não beneficiam apenas as pessoas individualmente, mas, pelo contrário beneficiam toda a sociedade. A boa governação ajuda a garantir o respeito ético, indispensável à dignidade humana e contribui significativamente para o reforço da coesão social e promove a participação de todas pessoas, qualquer que seja o grupo etário, na vida política, social, económica, cultural e comunitária.

O conceito utilizado é a abordagem do percurso de vida enquadrado numa sociedade para todas as idades. Temos vindo a assistir a políticas para jovens e políticas para idosos. Ora este Livro Branco defende a reorganização da solidariedade social através de novas formas de relações e responsabilidades.

A Organização Mundial da Saúde ao defender o conceito de envelhecimento ativo como um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança no sentido de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem, definiu desde logo uma abordagem abrangente do envelhecimento.

O tema da participação será realçado neste texto em detrimento dos outros, apesar de não terem menos importância.

A participação baseia-se no princípio de “nada sobre eles sem eles”.

“A participação é o processo através do qual os agentes públicos e não-públicos envolvem indivíduos interessados ou afetados, grupos e indivíduos ou organizações, em vários estágios da tomada ou decisão. A participação é sempre um processo bilateral com informação mútua e comunicação, com diálogo elaboração conjunta de políticas, estratégias e ações”.

Os governos centrais e locais devem promover a coesão social e a solidariedade, sensibilizando a população para o envelhecimento numa perspetiva de percurso de vida, numa abordagem à medida que envelhecemos. Esta perspetiva requer políticas inovadoras, não só numa ótica das tecnologias e dos serviços mas também filosófica e ética para a mudança nas relações sociais e nos processos, no financiamento dos cuidados e em fórmulas relevantes de solidariedade.

E dado que estamos em época de pré-campanha eleitoral para as eleições autárquicas recomenda-se aos candidatos aos municípios e juntas de freguesias a elaboração de programas de ação, que envolvam diversas vertentes do processo de envelhecimento e, tendo como parceiros, além dos órgãos de decisão, os centros de investigação as organizações de idosos. Estes planos devem incluir prioritariamente a saúde e a participação, dado que a segurança financeira tem outras implicações e pode ser tratada noutro contexto. Para esse efeito o financiamento da UE será bem vindo.

As ações de informação, avaliação das situações, envolvimento, formação, monitorização dos resultados devem ser abordadas e articuladas entre as juntas de Freguesia, os municípios e o governo central.

Uma das recomendações do Livro Branco diz respeito aos decisores de todos os níveis no sentido de integrarem sistematicamente o envelhecimento no seu trabalho programático, conceptual, político, estratégico, tratando este tema de forma transversal.

No novo enquadramento do reforço das competências das autarquias locais competir-lhes-á inovar nos processos, integrando a comunidade, designadamente os destinatários das políticas, observar fatos, interpretar os resultados na busca de soluções, decidir, monitorizar e avaliar.

Espera-se dos autarcas eleitos em Outubro de 2017 uma vontade política de tratar o envelhecimento como uma política integradora dos mais velhos, dando cumprimento ao artigo 25º[1] da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, que estabelece o direito aos idosos a viverem com dignidade e independência e participarem na vida social e cultural.

Maria das Dores Ribeiro
Associada APRe! nº 1173

29 de Maio de 2017

[1] http://age-platform.eu/images/stories/EN/AGE_Briefing_OlderPeople_Fundamental_Rights_Nov11.pdf

31 de maio de 2017

10 medidas para travar a violência contra os idosos

Em outubro do ano passado o Governo criou um grupo de trabalho para desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável. A proposta é conhecida nas próximas semanas.


O grupo de trabalho encarregue de desenhar uma Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável vão entregar ao governo, nas próximas semanas, 10 medidas para travar a violência contra os idosos, avança o Jornal de Notícias.

Em Portugal, os casos de violência têm aumentado. Há dois dias, uma idosa foi encontrada morta numa arca frigorifica, em sua casa, em Estarreja. Portugal está mesmo na lista negra da Europa.

Pelo menos três idosos são vítimas de violência todos os dias, segundo números da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), citados pelo Jornal de Notícias. Só no ano passado mais de 1000 idosos foram agredidos, vítimas de assaltos ou de violência doméstica.

A maioria das pessoas agredidas são mulheres e a média de idades está nos 75,5 anos.

Portugal é o país com o maior registo de violência sobre idosos, de acordo com um estudo divulgado este mês. A investigação desenvolvida pela Faculdade de Saúde Pública do Porto e uma Universidade Sueca mostra que, entre os sete países analisados, Portugal é o que mais maltrata os idosos.

Quase metade dos inquiridos referem que já foram alvo de pelo menos uma experiência de violência durante a vida adulta, mais do dobro que a média dos países participantes.

O estudo analisou o impacto da violência na qualidade de vida dos idosos na Alemanha, Lituânia, Grécia, Itália, Espanha, Suécia e Portugal. Os dados mostram que a agressão psicológica é a mais comum, seguida da violência financeira, física e sexual.

O estudo refere que estes tipos de violência têm consequências negativas ao nível da saúde, muito depois de os abusos terem terminado.

Contactado pela TSF, Manuel Villaverde Cabral, diretor do Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, diz que é positivo surgirem números mas a realidade é bem pior.

O presidente da APAV lembra que são agredidos, em média, cerca de 20 idosos por semana, três por dia. Mas são números que podem não refletir a realidade, já que são apenas os casos que chegam à Associação. João Lázaro salienta que a violência contra idosos é muitas vezes financeira e acontece dentro da própria família.

Sara de Melo Rocha
Ler mais em: TSF 31.05.2017

22 de abril de 2017

Pior ou melhor velhice!

O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado


O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado. Em 2015, os/as portugueses/as com 65 ou mais anos residentes em Portugal eram já mais de 20% da população. Esta realidade em conjunto com a diminuição da natalidade sentida nos últimos anos reforçou a importância do envelhecimento tornando-o visível nas Grandes Opções do Plano.

A população activa da UE-27 tenderá a crescer cerca de 16% no grupo etário dos 55-64 anos entre 2010 e 2030, enquanto outros grupos etários apresentam uma tendência decrescente (por exemplo 5,5% o grupo de 40-54 anos ou 15% no grupo de 25-39 anos de idade).

As políticas e medidas a adoptar deverão ter em conta quem envelhece mas também as implicações sócio-económicas deste envelhecimento mais ou menos activo ou mais ou menos saudável. E sabemos que envelhecemos como vivemos. Com mais ou menos saúde e actividade decorrente dos nossos comportamentos e hábitos ao longo da nossa vida. Não menos importante é pensarmos nos cuidadores e de que forma poderemos criar condições para melhores cuidados, seja ao nível familiar sempre que possível, seja na comunidade e nas organizações que tantas vezes asseguram os últimos dias com algum conforto e apoio.

Considero que muito tem sido feito nos últimos 30 anos para fazer face a mutações muito rápidas na organização social, particularmente na célula familiar, permitindo criar respostas de apoio. Todavia, sabemos que são manifestamente insuficientes e necessitam por vezes de mais ou melhores recursos, das melhores práticas disponíveis e de acesso ao que de melhor se faz e sabe fazer, com fundamentação científica, relacionada com o envelhecimento.

A promoção de um estilo de vida activo, saudável, em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida e autonomia, intervindo nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos, assim como desenhar e implementar de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam promover competências, prevenir e tratar a dor e a doença, são medidas essenciais para a sustentabilidade da nossa sociedade neste período de maior invernia demográfica.

A custo-efectividade da intervenção psicológica junto do processo de envelhecimento, em adultos e idosos, no combate ao declínio físico e intelectual, à solidão, ao isolamento e à marginalização social, assim como na promoção da independência, autonomia, participação na vida social e adaptação a este processo devem merecer particular atenção dos decisores políticos.

Entre os vários profissionais que podem dar novas, eficientes e eficazes respostas e ter abordagens preventivas perante esta realidade, estão os/as psicólogos/as, entre os quais quase duas centenas já especialistas em psicogerontologia, número que a curto prazo deverá triplicar.


Escreveu Florbela Espanca...

"Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

[...]

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ... "

... ou melhor velhice!

Francisco Rodrigues
Bastonário da Ordem dos Psicólogos

6 de abril de 2017

Portugal com “demasiados idosos obesos” por falta de exercício físico

Os níveis “muito baixos” de atividade física levam a que existam em Portugal “demasiados idosos obesos”, concluiu Nuno Borges, professor da faculdade de Ciências da Nutrição do Porto, instituição que hoje promove o primeiro Seminário de Nutrição e Envelhecimento.

“A população idosa portuguesa é a que menos se mexe”, comparativamente à de outros países europeus, explicou o docente da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), quando questionado pela Lusa sobre os principais problemas que afetam a nutrição dos idosos.

Segundo o docente, o isolamento, a má alimentação, os baixos níveis de exercício físico e a consequente perda de locomoção são os fatores que mais influenciam negativamente o estado nutricional dos idosos portugueses.

Para o especialista, campanhas de sensibilização e programas específicos para esta população seriam duas das possíveis soluções para os problemas indicados, o que lhes permitiria “sair do isolamento” e ter “maior convívio e atividade”.

“Há idosos que não conseguem garantir o acesso diário aos alimentos”, refere, apontando as condições económicas, o facto de não conseguirem ir sozinhos ao mercado, não terem quem lhes faças as compras, não conseguirem cozinhar ou a dependência de familiares “que lhes falham”, como as principais razões.

Nuno Borges é um dos responsáveis pelo estudo Nutrition UP 65, desenvolvido pela FCNAUP, cujo objetivo foi avaliar o estado nutricional dos portugueses com mais de 65 anos e aumentar o conhecimento dos profissionais de saúde, criando mudanças a médio e longo prazo na vida da população idosa.

Também o défice de vitamina D é “excessivamente elevado”, acarretando uma série de consequências, principalmente a nível ósseo.

“Apesar de ser um problema nutricional, não se consegue resolver apenas com comida (são poucos os alimentos que contêm essa vitamina) nem com o apanhar mais sol, visto que os idosos não têm a mesma capacidade de síntese desta vitamina”, explicou, acrescentando que, no inverno, deverá ser muitas vezes necessário recorrer a suplementos para corrigir os níveis.

O facto de os idosos beberem “pouca água e muito álcool” (resultado do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física – IAN-AF, apresentado em março), faz com que apresentem níveis de desidratação elevados.

“Temos que convencer esta população a beber mais água, chás e infusões, porque a água que consomem na sopa e noutros alimentos não chega”, acrescentou.

O consumo excessivo de sal por parte de 85% desta população é outra situação “preocupante” para Nuno Borges.

“Os idosos consomem cerca de oito gramas diárias de sal, valor elevado quando comparado com o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são cinco gramas”, esclarece.

A redução do consumo do sal, para o investigador, representa a diminuição do risco da hipertensão arterial, uma doença que mais afeta os idosos, e os consequentes acidentes vasculares cerebrais (AVC), que são “a principal causa de morbilidade e mortalidade em Portugal”.

Os resultados da avaliação nutricional dos idosos e as recomendações resultantes do Nutrition UP 65 vão ser apresentados hoje, às 14:30, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, durante o primeiro Seminário de Nutrição e Envelhecimento, que marca o encerramento do projeto.

As conclusões da segunda vertente do projeto passou pela aposta na formação certificada de profissionais de saúde e de cuidadores que lidam com os idosos, componente que Nuno Borges acredita ser “tão importante como os resultados”, também serão hoje divulgadas.

LUSA

1 de abril de 2017

O Perfil do pensionista português: 74 anos e uma reforma inferior a 500 euros

A duração média da carreira contributiva não chega a 27 anos. Um número longe dos 48 anos de descontos a partir dos quais o Governo propõe uma pensão sem cortes.



O típico pensionista português tem 74 anos, mora no interior do país e recebe uma reforma que não chega a 500 euros, para a qual descontou cerca de 27 anos e com a qual vai viver perto de uma década. Este é, pelo menos, o perfil que se pode traçar, segundo os dados mais recentes que integram o Relatório da Conta da Segurança Social de 2015.

Numa altura em que se debatem as alterações às reformas antecipadas, há um dado que salta à vista: a duração média da carreira contributiva que, em dezembro de 2015, era de 26,8 anos. Ou seja, um número que está bem longe dos 48 anos de descontos, que é a meta traçada pelo Governo a partir da qual as futuras pensões não irão sofrer qualquer corte.

O universo de abrangidos pela nova medida dos 48 anos de descontos (a partir dos 60 de idade) que está ainda a ser negociada entre o Governo e os parceiros sociais e políticos não é conhecido. Mas segundo Teresa Garcia, professora no ISEG e especialista em Segurança Social, “o número de pessoas que começou a trabalhar aos 12 anos e que concomitantemente tenha feito descontos para a Segurança Social é mínimo”, ou seja, “o universo de pessoas abrangidas pela medida “deve ser absolutamente residual”, acrescenta a especialista, defendendo que os cálculos deveriam constar na proposta do Governo.

Este limite proposto pelo Ministério de Vieira da Silva está, aliás, em discussão com o Bloco de Esquerda e o PCP, partidos da maioria parlamentar que reclamam pensões antecipadas sem reduções com menos anos de descontos. Os comunistas insistem que qualquer pessoa com 40 anos de contribuições deve poder reformar-se sem cortes, enquanto o Bloco, que defendia o mesmo princípio, diz que “a solução terá de ser mais justa” do que a apresentada pelo Executivo.

Também não se sabe qual o impacto que o novo modelo terá no perfil atual do pensionista. Em traços gerais, as novas regras acabam com o fator de sustentabilidade, que corta 13,88% às pensões antecipadas, mas mantêm uma penalização face à idade legal (este ano é de 66 anos e três meses) que, por sua vez, continuará a subir associada à esperança média de vida. O objetivo principal, segundo o Governo, é beneficiar quem tem mais de 40 anos de descontos para a Segurança Social.
“O perfil dos pensionistas sofre alterações que dependem de um conjunto de diversas variáveis, nomeadamente a maturação do sistema”, explica Teresa Garcia. “É expectável e desejável” que a carreira contributiva seja cada vez mais longa, que o pensionista viva mais tempo e que tenha uma reforma mais adequada às suas necessidades, diz a especialista. Porém, Teresa Garcia considera que “a realidade pode não ser assim, dependendo do que se passa no mercado de trabalho e nas condições de bem-estar que contribuem para esperanças médias de vida maiores”.

Pensão média subiu 16 euros em cinco anos

Os dados da conta da Segurança Social mostram que, entre 2011 e 2015, o valor médio da pensão de velhice do regime geral aumentou de 418 euros para 434 euros. Resumindo, em cinco anos o valor médio subiu 16 euros. O acréscimo deveu-se sobretudo à entrada de novos pensionistas, mas a maior subida observou-se em 2013 com a reposição dos subsídios de férias e de Natal. Este ano, é de esperar que o valor médio suba de forma mais significativa, uma vez que as reformas até 842,6 euros foram atualizadas em 0,5% e haverá um aumento extraordinário em agosto para os pensionistas que, no conjunto das suas reformas, recebam até 632 euros. Ou seja, para a grande maioria haverá aumento.

Ao mesmo tempo que o valor da reforma sobe, também os pensionistas vivem durante mais anos, o que pesa igualmente na despesa da Segurança Social. O relatório dá conta que a duração média da pensão de velhice aumentou 1,2 anos entre 2011 e 2015, situando-se no final desse ano nos 9,8 anos.

As (muitas) alterações legislativas dos últimos anos para tentar travar a despesa global com pensões – que ronda os 15 mil milhões de euros por ano – resultaram num “clima de incerteza” que provocou um “efeito adverso de corrida às pensões” antecipadas, afirma Teresa Garcia. “O número de reformados com menos de 65 anos tem vindo a aumentar substancialmente desde 2000 até ao congelamento das reformas antecipadas em 2012”, acrescenta a professora do ISEG. A partir desse ano, apenas quem tivesse 60 anos de idade e 40 de contribuições poderia reformar-se antes da idade legal (contra os anteriores 55 anos e 30 de contribuições), uma norma dada como transitória pelo anterior Governo, mas que o atual quer manter.

Denise Fernandes
O Jornal Económico 31.03.2017

23 de março de 2017

Guimarães é o primeiro concelho de Portugal a criar o Provedor do Idoso

Intervir na tutela dos interesses das pessoas idosas junto das instituições, receber queixas ou fazer recomendações são alguns dos objetivos. Atendimento semanal será às sextas-feiras de manhã, na Câmara Municipal.


O cargo de Provedor do Idoso de Guimarães, que o vimaranense José Leite Ferreira Lopes irá desempenhar a partir do dia 31 de março, é o primeiro criado no país num modelo pioneiro e inovador. A sessão de apresentação decorreu esta quarta-feira, 22 de março, no Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, da Vereadora da Ação Social, Paula Oliveira, do Presidente da Comissão de Proteção ao Idoso (CPI), Carlos Branco, e de Eduardo Duque, fundador desta Comissão.

O atendimento ao público decorrerá às sextas-feiras, de manhã, no primeiro piso do edifício da Divisão de Ação Social da Câmara Municipal, com o seu início agendado para o último dia deste mês de março. «Queremos construir uma plataforma cada vez mais colaborativa e eficaz na promoção da qualidade de vida das nossas pessoas com mais idade, realizando um trabalho de ainda mais proximidade, proteção e segurança aos nossos idosos e instituições», afirmou Domingos Bragança.

O Provedor do Idoso, formalizado em outubro de 2016, é um cargo não remunerado que permitirá estabelecer uma comunicação mais regular entre a população sénior e as diversas instituições que atuam nesta área, além de ser um elo com a Autarquia, assegurando a representatividade da população sénior na definição das suas políticas, enquanto garante dos direitos do idoso e agente de promoção da sua qualidade de vida. «Temos no país mais de dois milhões de pessoas idosas e em Guimarães somos mais de 20 mil, entre as quais, 3 mil que vivem sozinhas», referiu José Lopes na sessão de apresentação.

Idosos com mais apoio
Em Guimarães, tem sido visível o investimento nesta área social. O programa “Guimarães 65+”, a decorrer no concelho desde 2013, tem como finalidade prevenir o isolamento das pessoas idosas do concelho em situação de particular fragilidade e vulnerabilidade, registando-se, até à data, 1.773 idosos sinalizados e a existência de uma rede institucional de apoio constituída por 65 serviços e 41 gestores sociais. Em 18 de julho de 2013, sete entidades manifestaram interesse em aderir a este programa, através da cedência de técnicos para assumir a função de gestores sociais.

Esta aposta do município em respostas de proximidade, que fomentam uma participação mais assídua do idoso nas políticas municipais, tem permitido a continuidade de um conjunto de projetos de promoção do envelhecimento ativo, de prevenção do isolamento e de minimização do impacto de algumas problemáticas associadas a esta faixa etária, entre os quais, os projetos Raízes, Consigo, Intervenção Local, Então Vamos, Candoso Ativo, Tabu, Gerações em Movimento e Encontro de Saberes.







14 de março de 2017

CUIDA[DORES]

O ritmo frenético do trabalho, os horários incompatíveis com a família, a falta de apoios estatais, de um conceito de família alargado, extensível, por exemplo, aos vizinhos ou parentes mais afastados, os salários no limiar da pobreza, impedem muitos de nós de sermos cuidadores dos nossos pais, das nossas tias, dos nossos avós


Não entendo absolutamente nada de futebol. Os insondáveis desígnios do esférico não têm grande efeito em mim: é óbvio que apreciei com um entusiasmo contido a vitória no Euro, mas tenho quase a certeza que aquilo que hei-de reter para sempre na minha memória de longo prazo será o “desbocanço” de Éder, o “patinho feio”, na Alameda, a anunciar à multidão: “Hoje é feriado, c****!!!”

Sou do Sporting essencialmente porque nasci em Alvalade, porque o meu irmão mais velho me evangelizou subtilmente para chatear os meus pais e avós benfiquistas — e já bisou a mesma influência sonsa com os meus dois filhos mais velhos, para os virar também contra o pai — e porque, na verdade, isto de apenas celebrar vitórias de 18 em 18 anos até dá carácter. A vidinha é mesmo assim.

Não vale a pena tentarem explicar-me o que é um fora-de-jogo e levo esta coisa do clubismo tão pouco a sério que já me emocionei com a águia Vitória às voltas na Luz num dérbi contra o meu leão. A verdade é que o futebol está cheio de poesia e é só mesmo isso que me interessa para este caso. Se dúvidas houvesse do que acabo de afirmar, basta a leitura matinal dos diários desportivos, com os seus riquíssimos recursos linguísticos (e uma ética jornalística muito própria), para as dissipar por completo: há sonetos, há odes, há longas epopeias, há musas para todos os gostos, há vilões e heróis, e tudo isso se encontra à venda, bem cedo pela manhã, nas bancas dos quiosques, espalhadas pelas páginas destes jornais.

A mesma magia aconteceu numa corriqueira conferência de imprensa de antevisão de um jogo assim não muito importante (Olhanense-Arouca) no ido ano de 2013. Abel Xavier foi para lá da extravagância capilar a que nos habituou desde os seus tempos áureos de jogador de futebol, para discorrer poeticamente aos jornalistas sobre a etimologia da palavra “treinador”. Com os microfones ligados e as câmaras de televisão alinhadas, o treinador do Olhanense explicou aos presentes que o treinador mais não faz que, tal como a palavra indica, treinar a dor. E continuou, inebriado por esta brilhante linha de discurso metafórico, acrescentando ainda que o treinador também é um lutador incansável — luta a dor —, batendo-se com todas as suas forças para atingir um único objectivo: sagrar-se vencedor (vence a dor).

Foram quarenta segundos épicos (pelo menos para mim) na história do futebol-poesia português, e peço-os emprestados para introduzir o tema — muito menos apaixonante na sociedade portuguesa do que o futebol — deste texto: os cuidadores. Aqueles que abdicam de tudo, muitas vezes de si próprios, para cuidar da dor. Não da sua — a dos outros. Muitas vezes sabendo que não a vão vencer, por mais luta que lhe dêem. Sorte a dos treinadores da bola...

Quando num sábado de Outubro, debaixo de uma chuvada torrencial, a minha mãe sentiu uma violenta dor de cabeça, numa rua deserta de Lisboa, e se viu muda, incapaz de articular qualquer pedido de ajuda através do telefone, ou de um grito mudo de desespero, sei que foi buscar todas as forças que tinha para vencer a dor. Sei lá como conseguiu chegar a casa, ou explicar-se por gestos e a cantar para explicar, em grande aflição, o que se estava a passar, e foi esse o dia em que eu passei definitivamente para a idade adulta e juntei aos meus mil ofícios a árdua tarefa de cuidar da dor da minha mãe.

Num dos singles do vinil do Sergeant Pepper’s Lonely Heart Club Band dos Beatles, que os meus pais punham sempre a rodopiar na ponta da agulha quando era pequena, McCartney perguntava, divertido, cheio de impetuosidade da sua juventude: “Will you still need me/ Will you still feed me when I’m 64” [Ainda vais precisar de mim/ Ainda me vais dar de comer quando eu tiver 64 anos?]. A velhice, nessa memória a 45 rotações por minuto, era longínqua, mas agora está um elefante ancião na sala e não há como escondê-lo ou ignorá-lo.

Sou cuidadora — a minha mãe, a minha mãe indestrutível, lá do alto do pedestal onde sempre a coloquei, envelheceu e está doente. Precisa de mim, não a tempo inteiro, mas precisa de mim para algumas coisinhas. E foi assim que eu saí, de mansinho, do colo da minha mãe e agora sou eu quem tenho que lho emprestar.

Este país não é para novos nem, muito menos, para velhos.

O ritmo frenético do trabalho, os horários incompatíveis com a família, a falta de apoios estatais, de um conceito de família alargado, extensível, por exemplo, aos vizinhos ou parentes mais afastados, os salários no limiar da pobreza, impedem muitos de nós de sermos cuidadores dos nossos pais, das nossas tias, dos nossos avós. Restam os lares, sobrelotados, indignos, depósitos escondidos da vergonha que a sociedade moderna tem da velhice.

Cruzei-me, durante as 38 alergéneas e poderosas primaveras onde tudo renasce que já vi na vida, com duas pessoas verdadeiramente boas, das quais nunca ouvi uma maledicência ou um tricotado de má língua. Sem surpresa, ambas são cuidadoras. Cuidadoras de uma série de pessoas, de velhos, a esmagadora maioria dos quais sem qualquer grau de parentesco. Fazem-no ambas, abnegadamente, sem pedir nada em troca.

A minha tia Maria, da aldeia de São Félix, em São Pedro do Sul, e a porteira do meu prédio em Lisboa, a Manuela, revezam-se para encaixar, entre trabalhos árduos e braçais nas limpezas de escritórios e casas particulares, os seus velhos. Dão-lhes banho, levam-lhes a sopa, dão um jeito à casa, tratam da roupa, telefonam de noite para saber se está tudo bem, desejam uma boa noite de sono e despedem-se com um doce até-amanhã. E tudo volta a repetir-se até ao inevitável fim. Lidam com demências, com cancros, com AVCs, ou apenas com a velhice — o mais duro dos diagnósticos.

Mais recentemente, através da janela mágica do chat do Facebook, reatei conversa com uma antiga colega de trabalho, que faz parte da mole de centenas de “amigos” que ali guardo na rede social. Falámos de mães, apenas delas. Contei-lhe que a minha reaprendeu rapidamente a falar, que já consegue escrever qualquer coisa, e que a leitura, o seu grande vício a par de dois maços de Português Suave amarelo, é que ainda é o maior desafio desta maratona. Uma hemorragia cerebral roubou à minha mãe uma grande parte de quem ela era, mas ela reaprende e reconstrói quem é, quem nunca deixou de ser, com a sofreguidão de uma criança que se deslumbra com o mundo enorme, e sorve tudo o que ele lhe tem para dar.

Depois ela falou-me da sua mãe, com um amor infinito que já não é de filha, é de mãe, mas também com um cansaço sem fim, e uma desesperança aflitiva. Às vezes os cuidadores também cuidam uns dos outros. É sobrevivência. A minha amiga dedica-se exclusivamente à sua mãe há cinco anos e, ao contrário da minha história, esta não tem um final feliz q.b. São cinco anos, mais de 1800 dias, quase 44.000 horas a deixar tudo o mais em suspenso, revezando-se com a irmã, e com a frustração pelo profissionalismo e humanidade das empresas de pessoal especializado que vai contratando a peso de ouro para a ajudar na tarefa de cuidar da sua mãe.

As palavras não são minhas. Reproduzo-as na íntegra: “Ser cuidadora não é fácil e sobretudo quando o somos a tempo inteiro e vemos a degradação física e cognitiva da nossa mãe. E não há muito que se possa fazer para reverter a situação, a não ser dar-lhe qualidade de vida em detrimento da nossa própria saúde física e mental. Mas, como já te disse, são escolhas que fiz. Ela fez e deu o seu melhor como mãe e agora é a minha vez.

Os meus filhos atiram profissões bizarras nos seus planos para a idade adulta: a mais velha quer ser Youtuber, Instagramer, ou Internet Enabler, o rapaz gostava de ser piloto de drone ou construtor oficial da Lego. Mas o que me salta à vista, no momento em que volto a ter dores de crescimento e não é por me estarem a crescer os ossos das pernas, é que a mais nobre das profissões de futuro que se avizinham é a de cuidador.

Diana Ralha
VISÃO 10.03.2017

7 de março de 2017

Comissões Sociais de Freguesia, Uma experiência de governação integrada de âmbito territorial

A Governação integrada (GovInt) [1] é uma estratégia política que agregando diferentes actores ao nível da administração central e local e de instituições privadas, procura implementar medidas de política, coordenadas para a resolução de problemas sociais complexos. Procura ainda eliminar redundâncias e responder às lacunas das respostas aos problemas sociais existentes, actuando numa nova cultura organizacional na procura de soluções integradas e partilhadas para melhor responder a problemas sociais complexos.

Um dos principais objectivos é a mobilização do Estado e da sociedade civil para o desenvolvimento de modelos de governação integrada, baseados na cooperação/parceria, participação dos stakeholders, comunicação eficaz e liderança colaborativa, nomeadamente influenciando as políticas públicas para alcançar os objetivos do Portugal 2020 (crescimento inteligente, sustentável e inclusivo).

As Comissões Sociais de Freguesia são um bom exemplo de governação integrada a nível territorial.

Estas Comissões são a estrutura orgânica do Programa “Rede Social” criado pela Resolução do Conselho de Ministros (RCM) n.º 197/97, de 18 novembro [2], sob a tutela do Ministro da Solidariedade e Segurança Social, sendo objecto de alguns ajustamentos no seu funcionamento através da Declaração de Retificação n.º 10‐O/98, de 30 de maio. [3]

Em 2002, o Despacho Normativo (DN) n.º8/2002, de 12 de fevereiro [4] cria o programa de apoio à implementação da Rede Social e define melhor o seu modelo de funcionamento em função da aprendizagem decorrente de levar à prática o programa.

Quatro anos depois, a Rede transforma‐se numa estrutura orgânica e regulamentada através do Decreto‐Lei n.º 115/2006, de 14 de junho. [5]

Na Resolução de Conselho de Ministros 197/97, de 18 de novembro, a Rede Social é definida como o conjunto das diferentes formas de entreajuda, bem como das entidades particulares sem fins lucrativos e dos organismos públicos que trabalham do domínio da acção social e articulem entre si e com o Governo a respetiva actuação com vista à erradicação ou atenuação da pobreza e exclusão social e à promoção do desenvolvimento social.

As autarquias assumem um papel central neste Programa, fomentando a constituição e a gestão das parcerias de âmbito local, nomeadamente ao presidir (em princípio) aos Conselhos Locais de Acção Social (CLAS), na figura do Presidente de Câmara. Ao nível da Freguesia, o Programa integra as Comissões Sociais de Freguesia (CSF) ou Comissões Inter‐Freguesias (CSIF), presididas pelos Presidentes de Junta (em princípio).

Tanto os CLAS como as CSF ou CSIF, são compostas pelo respectivo presidente e representantes das entidades particulares sem fins lucrativos e organismos da administração pública central implantados na mesma área.

O Programa Rede Social visa, com base numa intervenção inclusiva e integrada, o combate à exclusão social e promoção da cidadania activa, corresponsabilizando o Estado e a sociedade civil na promoção do desenvolvimento social.

São estes os objetivos estratégicos do Programa:
  • Desenvolver parcerias efectivas e dinâmicas, articuladoras do trabalho realizado pelos diferentes agentes sociais.
  • Potenciar sinergias e recursos a nível local, com base num diagnóstico e planeamento participado e integrado.
  • Adequar os recursos/respostas às necessidades locais.
  • Garantir maior eficácia das respostas sociais disponibilizadas.
A Rede Social constitui‐se assim como um elemento potenciador de sinergias e de uma acção coerente para o desenvolvimento de um Estado Social Activo.

Neste contexto, associados da APRe! da cidade de Lisboa têm estado a participar nas diversas Comissões Sociais de Freguesia (Alvalade, Avenidas Novas, Belém, Lumiar, S. Domingos de Benfica) não apenas como destinatários finais mas também como actores efectivos na configuração e planeamento das actividades.

Dois exemplos significativos de participação são as CSF de S. Domingos de Benfica e Belém.

Em S. Domingos de Benfica vai ser elaborado o diagnóstico de idosos em situação de isolamento social. Para esse efeito será disponibilizado um formulário para a preencher pelo próprio ou por quem tenha conhecimento de um idoso nessa situação e que será depositado em urna numa farmácia seleccionada, sendo que, após a compilação, a Polícia de Segurança Pública encarrega-se do seu transporte para a instituição que dará seguimento ao processo.

Na freguesia de Belém, está em curso a elaboração do plano de actividades da CSF, no âmbito dos eixos da Agenda Estratégica do Plano de Desenvolvimento Social 2017-2020 [6] (aprovado no Conselho Local de Acção Social de Lisboa), com base no Eixo 2 – Intervenção em públicos-alvo - pessoas idosas e no Eixo 3 – Intervenção em domínios de maior vulnerabilidade – saúde mental.

No Eixo 2 a participação está focalizada em acções que concorram para atingir os objectivos específicos tais como promover a autonomia e a inclusão social das pessoas idosas nas comunidades, potenciar a longevidade das pessoas idosas com competências sociais reforçadas e fomentar o envelhecimento activo e a participação cívica dos mais velhos.

Estamos desde já a participar no Grupo de Trabalho Transporte Solidário (inclusão social- Eixo2) tendo como principais actividades:
  • Avaliação de instrumentos de acesso ao benefício.
  • Referenciação/identificação de utentes do transporte solidário.
  • Actualização de ficheiros.
No Eixo 3 estabeleceu-se como prioridade objectivos, medidas e acções que reforcem os Cuidados de Saúde Continuados a pessoas sem autonomia. 

É este o caminho que os associados da APRe! participantes na Rede Social de Lisboa estão a trilhar, colaborando com as entidades locais na resolução de problemas que lhes dizem respeito, integrando-se de forma plena na comunidade local. Compete às Câmaras Municipais e às Juntas de Freguesia, em particular, proporcionar oportunidades de participação.

Citando o Plano de Acção Internacional de Madrid para os idosos - Tema 1, Objectivo 1, alínea (b) - ”Reconhecer, encorajar e apoiar as contribuições dos idosos nas famílias, nas comunidades e na economia”. [7]

Lisboa, 5 de março de 2017
Maria das Dores Ribeiro
Associada APRe! nº 1173

[1] Governação integrada: a experiência internacional e desafios para Portugal, Conferência Internacional 15 e 16 de outubro de 2015, Actas da conferência
[2] http://www.seg-social.pt/documents/10152/100625/RES_197_1997/9a42b3e0-0f2d-47e8-9991-b442df31b91d
[3] https://dre.tretas.org/dre/94408/declaracao-de-rectificacao-10-O-98-de-30-de-maio
[4] http://publicos.pt/documento/id284915/despacho-normativo-8/2002
[5] http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=1667&tabela=leis
[6] http://lisboasolidaria.cm-lisboa.pt/i/doc/PDS_2017-2020.pdf
[7] http://www.un.org/en/events/pastevents/pdfs/Madrid_plan.pdf

1 de março de 2017

«Longe do olhar, longe da alma»

Este provérbio, numa outra formulação do mais conhecido «longe dos olhos, longe do coração», encontra-se pintado nos muros do Parque da Saúde, em Lisboa, junto do rosto de uma pessoa amargurada, com algumas rugas.


«Longe do olhar, longe da alma» é uma formulação mais poética e a tristeza profunda que se nota no olhar da pessoa retratada é uma melancolia que parece vir de dentro da alma. Talvez a intenção do artista fosse diferente da interpretação que eu lhe dei, mas aquilo que eu vejo, quando passo por este mural, é o rosto de um idoso com uma mágoa profunda de abandono, como se se sentisse vazio por estar longe do olhar daqueles de quem gosta e da vida que em tempos teve. Como escreveu Valter Hugo Mãe, numa crónica no Jornal de Letras: «Quem escapa ao abraço está em perigo no coração. Porque podemos inventar poemas com promessas afetivas mas o amor é também um exercício físico, precisa de gestos, precisa muito do reconhecimento contínuo e do amparo.»

Na sociedade em que vivemos, e que valoriza ideais como a juventude, a beleza e a utilidade do trabalho, ser-se velho é ser-se inútil, é ser-se um fardo para a família, que acaba por não saber bem o que fazer àqueles que já contribuíram para a sociedade, para educar os atuais adultos, para lhes dar amor e carinho, encher-lhes a alma.

Adotar medidas de proteção à terceira idade acaba por responsabilizar os mais novos, mas não contribui para os educar civicamente e lhes dar consciência de que, por respeito e por dever, tudo deveriam fazer para proporcionar uma vida digna aos que já muito fizeram pelos seus descendentes. Fechados em lares, que habitualmente cheiram a velhos, são impedidos de continuar a ter uma vida digna, aquela a que deveriam ter direito.

«Longe do olhar», acabam esquecidos, porque, como diz Isabela Figueiredo, em A Gorda, «o que fica longe da vista se vai inexoravelmente afastando do coração». Em hospitais (e até em bancos de centros comerciais!), em lares, em casas de repouso, talvez até repousem, mas com a sensação de que «todos» prefeririam que descansasse para sempre em paz. «Longe do olhar», ficam também «longe da alma» dos que deveriam acarinhá-los e longe da sua própria alma, acabando por definhar, por adquirir uma tristeza profunda, da qual, na maior parte das vezes, nunca recuperam.

Valter Hugo Mãe escreveu um livro sobre a vida de um grupo de idosos num lar, abandonados pelas famílias, que continuam a vida no exterior, e os visitam mais por obrigação do que por vontade. A Máquina de Fazer Espanhóis cria um universo em que esses idosos tentam sobreviver, alucinados pelas memórias que constroem, mas que lhes vão dando o fermento e o alento de que necessitam para viver. E a memória é um elemento crucial porque, como diz William Faulkner, em Uma Luz em Agosto: «A memória acredita antes de o conhecimento recordar. Acredita por mais tempo que recorda».

Tudo seria muito mais fácil se, em cada esquina, em cada beco, houvesse alguém disposto a ajudar, se houvesse mesmo, em cada esquina, um amigo.

Maria Eugénia Leitão
jornal Sol 22.02.2017

24 de fevereiro de 2017

As pessoas mais velhas defendem uma União Europeia mais forte! Por favor, compartilhem os vossos pontos de vista e experiência ...


AGE NEWSFLASH 23/02/2017


Os membros britânicos da AGE Platform Europa, organizaram um workshop sobre as possíveis consequências da saída do Reino Unido da União Europeia ("Brexit") para as pessoas mais velhas e as suas organizações. Com base nessas discussões, enviaram uma carta ao Secretário de Estado para a saída da União Europeia, David Davis, em que colocam os principais desafios que desejam abordar com o Governo do Reino Unido para assegurar que os idosos estarão envolvidos neste processo de negociações Brexit (leia o nosso artigo aqui em Inglês).

Esta iniciativa dos nossos membros britânicos ilustra a importância da UE e da sua ação em prol dos idosos, o seu impacto sobre a prosperidade, a dignidade e os direitos individuais. As várias políticas e prioridades que os nossos deputados britânicos vão discutir com o governo nacional também mostram o que os cidadãos idosos e outros perderiam se o projeto europeu fosse um colapso. A UE atravessa um dos momentos mais difíceis desde a sua criação em 1957, enfrentando muitos desafios internos e externos.

Nos últimos 60 anos, os idosos têm contribuído ativamente para o projeto europeu e desde 2001 a AGE defendeu os seus pontos de vista e fez ouvir a sua voz a nível europeu. Na véspera da celebração do 60º aniversário da assinatura do Tratado de Roma em março, a AGE está determinada a promover o valor acrescentado que a UE fornece à vida quotidiana dos seus cidadãos de todas as idades, jovens e velhos. Uma Europa unida trouxe-nos, acima de tudo, a paz e permitiu a três gerações de cidadãos viver, trabalhar e viajar - e esperamos também que a envelhecer - livres do terror, da violência e da miséria.

Isso é muitas vezes esquecido. É verdade que a União Europeia pode parecer distante dos seus cidadãos. O seu funcionamento geral é complexo e a tomada de decisões tende à falta de transparência e ao não envolvimento suficientemente ativo dos seus cidadãos. No entanto, às vezes esquecemos que através das suas ações, em áreas tais como a luta contra a discriminação e a desigualdade, a investigação sobre novas tecnologias para fomentar o envelhecimento saudável e a autonomia, a promoção de ambientes para todas as idades ou a transferência financeira para as regiões e comunidades mais pobres, a União Europeia melhorou a vida dos idosos. É preciso reconhecer que há melhorias que poderiam ser feitas na organização da UE.

O papel do Parlamento Europeu deve ser reforçado assim como a democracia participativa, a fim de permitir que os cidadãos ecoem as suas necessidades e expectativas. No entanto, acreditamos que nos cabe a responsabilidade, assim como às organizações que representam os interesses das pessoas mais velhas e à sociedade civil em geral, de permanecermos unidos e de garantir que as gerações futuras desfrutem da mesma liberdade, paz e prosperidade que as gerações que o projeto europeu beneficiou nos últimos 60 anos.

Para marcar o 60º aniversário dos tratados fundadores da União Europeia, a AGE Platform Europa convida todos os seus membros a partilhar a experiência individual e coletiva relacionada com a sua participação no projeto europeu. As vossas memórias, testemunhos e reflexões - por exemplo sobre a forma de reforçar a cidadania ativa, a fim de tornar a UE mais democrática e orientada para os seus cidadãos - serão reunidos numa carta aberta que vamos preparar para as comemorações a ter lugar no dia 25 de março, em Roma.

Pode enviar a sua contribuição pelo e-mail (anne.melard@age-platform.eu) até segunda-feira, 20 de março.

22 de fevereiro de 2017

Dia Europeu das Vítimas: Não esqueçamos as vítimas do abuso sobre os idosos!

COMUNICADO À IMPRENSA AGE Platform Europa

Bruxelas, 22 de fevereiro de 2017

Dia Europeu das Vítimas, 22 de fevereiro


Por ocasião do Dia Europeu das Vítimas da Criminalidade, a AGE Platform Europa apela aos países da União Europeia e à Comissão Europeia para que apliquem de forma abrangente e ambiciosa a Diretiva da União Europeia de 2012 sobre os Direitos das Vítimas. Num documento publicado para assinalar este dia, a AGE salienta a importância de utilizar o processo de implementação da presente diretiva para melhorar a proteção das pessoas idosas que sofrem de abusos, violência e maus-tratos.

O abuso de idosos não é um fenómeno menor ou esporádico, mas uma violação generalizada dos direitos humanos e da dignidade dos idosos, especialmente daqueles em situações de dependência e com necessidades de cuidados. Persistentes atitudes “idadistas”, o envelhecimento demográfico e o aumento das pressões financeiras sobre os sistemas de cuidados são muito suscetíveis de criar ainda mais abusos sobre os idosos no futuro próximo, na Europa.

Tendo em conta os níveis muito elevados de subnotificação, é urgente assegurar que os mecanismos de proteção das vítimas possam tornar-se mais eficazes e refletirem as realidades enfrentadas pelos idosos vítimas de violência, abuso e exploração. A aplicação da diretiva de 2012 constitui uma excelente oportunidade a este respeito. Pode servir como uma nova plataforma para facilitar o intercâmbio de informações e práticas entre os serviços de apoio às vítimas, os profissionais de polícia, os tribunais e, os idosos e suas organizações.

Existe uma falta de consciência do potencial da diretiva entre as organizações de idosos e os profissionais responsáveis ​​pelo apoio e proteção das vítimas que muitas vezes não têm conhecimento das especificidades do abuso de idosos e como chegar às vítimas. A nossa posição no documento salienta a necessidade de colmatar esta lacuna. Além disso, anuncia as ações da AGE nesta área, nomeadamente a organização de um “workshop” entre os serviços de apoio às vítimas, as organizações de idosos e os decisores políticos, a fim de partilhar informação, discutir as possibilidades de cooperação e explorar o potencial da diretiva de 2012 para apoiar e proteger os idosos vítimas de abuso.

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