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31 de agosto de 2017

Avós: os de ontem e os de hoje

Penso que tinha avós bem representativos do nosso Portugal dos anos 80. Gente da terra, ligada a ela mais do que tudo. Gente que habitava as pequenas aldeias desse pequeno Portugal, que nos faziam tomar contacto com um país que mal conhecíamos


O dia 26 de Julho foi Dia dos Avós. De ano para ano sinto que esta data se torna mais importante e mais pessoas a comemoram. Sentir-se-á aqui a influência, mais uma vez, das redes sociais. De facto, Facebook e companhia começam por nos recordar que este é o Dia dos Avós. Em seguida, assistimos, nas redes em questão, a uma verdadeira enxurrada de mensagens de amor e saudade aos avós, notando-se que muitos já faleceram, e mensagens de reconhecimento pelo papel que tiveram nas vidas de quem escreve.

É um facto que hoje em dia existe uma data comemorativa para tudo e mais alguma coisa. E de facto há comemorações que são ligeiramente absurdas. Para não referir que existem comemorações que se repetem ao longo do ano, levando a que se relembre e comemore a mesma coisa várias vezes no mesmo ano. Por exemplo, no Brasil e em mais alguns países, o Dia do Amigo comemora-se a 20 de Julho. Como é o país irmão, em Portugal decidimos que até é giro dar um olá aos amigos nesse dia, em jeito de comemoração. Contudo, as Nações Unidas resolveram convidar todos os países para celebrar esse dia a 30 de Julho. E nós celebramos mais uma vez a amizade, com um brinde nesse dia especial. Nada contra, até porque o povo português adora ter uma razão para comemorar. Mas a verdade é que se caiu num excesso. Todos os dias são dias de alguma coisa!

Contudo, há dias que são, quanto a mim, importantes, e, portanto, devem ser lembrados e celebrados. O Dia dos Avós é um deles.

Não poderei dizer que me lembro dos meus avós apenas nesse dia… Apesar de já não estarem presentes na minha vida, nem no mundo físico, os quatro continuam muito presentes na minha memória e nas minhas saudades. A comemoração deste dia leva-me sempre a parar um pouco e a pensar nos momentos maravilhosos que vivi com eles. Penso no meu avô João. A simpatia que nutro pelo animal burro será, com certeza, herança dele. Era este avô que, numa paciência sem fim, carregava o burro com dois cestos de cada lado e levava os seis netos a passear e a conhecer a aldeia. Lembro a minha avó Celeste, pequenina, de uma força inquebrável, que fazia tudo para agradar aos netos. Ainda o desejo não era manifestado e já ela o tentava conceder. Relembro a sua varanda, cheia de flores, porque o amor do avô João eram os animais, mas o amor da avó Celeste eram as flores. Do lado paterno, outras duas figuras importantes na minha vida: o avô José Bernardo, dado a alguma ironia, capaz das maiores zangas, como das melhores gargalhadas. Um avô que adorava levar os netos ao café, mas que ficava doente se pedíssemos uma garrafa de água ("Para pedir água vais à fonte, menina!"). Guardo tanto dele na minha forma de ser. E, por fim, a última a deixar-nos, a minha avó Maria Antónia (Maria do Rosário nasceu, mas era, para todos, a Maria Antónia). Serena, calma, dona de uma gargalhada quase silenciosa, mas dada com gosto. Como me lembro dela, sentada à beira da lareira, dormitando ou rezando o seu terço.

Penso que tinha avós bem representativos do nosso Portugal dos anos 80. Gente da terra, ligada a ela mais do que tudo. Gente que habitava as pequenas aldeias desse pequeno Portugal, que nos faziam tomar contacto com um país que mal conhecíamos. Gente rude, mas capaz dos actos de maior altruísmo. Bem me lembro de ouvir o sino tocar a rebate, aquando de um incêndio, e de eles irem ajudar a combater o incêndio, bem antes de chegarem bombeiros. Gente que tinha tempo para nos levar a conhecer as suas hortas, os seus animais, que nos ensinavam que ajudar o vizinho nas lides agrícolas era normal e expectável. Gente com tempo para mimar os netos, contar-lhes as histórias do povo em que viviam. Gente que tinha tempo para nos ensinar tudo o que nos pudesse passar pela cabeça: aprender a fazer renda; plantar uma flor; alimentar um animal. Acima de tudo, gente com tempo para gastar com os seus netos.

Hoje olho para muitos avós que conheço e penso que muito disso se perdeu, fruto, parece-me, desta tão falada crise que ora se instala, ora diz que está de saída, mas que se vai mantendo por cá. Assisti a avós que, apesar de reformados, procuraram continuar a trabalhar para ajudar os filhos que não conseguem fazer face a todas as despesas mensais. Assisti a avós que, em vez de possuírem o tempo e a paz que já mereciam nesse momento da vida, se viram a braços com toda uma família instalada em casa, fruto de os filhos terem perdido a sua própria casa. Vi-os a ter que alimentar não só os filhos mas também os netos. Vi avós que trocaram os passeios com os netos no parque por um qualquer biscate que pudesse trazer mais dinheiro para casa. Vi avós que passaram a ser a “almofada financeira” a que as famílias podem recorrer, aquando de uma despesa inesperada. Vi avós a viver no stress e na angústia. Vi avós a passarem menos tempo de qualidade com os seus netos porque, tal como os pais da criança, eles não têm tempo.

Resumindo: verifico que muitos dos avós de hoje continuam a trabalhar arduamente e, tal como os filhos, não têm tempo.

É claro que os avós como os meus não desapareceram. É claro que ainda os há. E ainda bem. Mas a verdade é que tenho assistido a um aumento deste segundo modelo de avós que referi e sinto pena: por eles, que mereciam paz, e pelos netos, que mereciam ter avós como aqueles que eu tive. Isto é, avós que tinham a possibilidade de me oferecer o que de melhor há: o seu tempo para me ajudar a conhecer o mundo.

Estefânia Barroso

16 de agosto de 2017

«Lembra-te»

Esta ordem ou conselho exige-nos que nos lembremos de algo. Não nos é dito de que nos devemos lembrar, apenas nos ordena: «Lembra-te».



E difícil é, por vezes, lembrar aquilo que somos, aquilo que fomos, aquilo com que sonhámos. Muitas vezes, acabamos por esquecer o que nos move, o que consideramos essencial na vida, aquilo por que nos levantamos todos os dias; e acabamos por «cair» na rotina, por repetir os mesmos gestos, cansados, todos os dias, sem nos apercebermos de que, assim, a vida passa por nós, sem que realmente a vivamos.

Importa, pois, com Cesariny, recordar: «Lembra-te / que todos os momentos / que nos coroaram / todas as estradas / radiosas que abrimos / irão achando sem fim / seu ansioso lugar». É, pois, fulcral que alguém nos desperte e nos recorde que é fundamental lembrarmo-nos do essencial, daquilo que deu origem a tudo e que está subjacente ao que fazemos, daquilo que, como dizia Saint-Exupéry, é, afinal, «invisível aos olhos»…

Podemos, também, lembrarmo-nos dos outros, dos que estão a nosso lado e fazem parte das nossas vidas, lembrarmo-nos de que não podemos esquecê-los e de que temos de torná-los presentes no nosso dia a dia, dando-lhes atenção, trazendo-os para junto do coração, para o centro da vida.

Quantas vezes nos queixamos de que não temos tempo para telefonar aos amigos, para os acompanhar quando precisam, para termos com eles um gesto de carinho e amizade, ou amor, que reforce os laços que nos unem e que, no fundo, são os laços que nos prendem à vida? Sem estes laços não seríamos humanos, não construiríamos redes de relacionamentos, não viveríamos uns com os outros. São estes laços que garantem a nossa frágil humanidade e nos dão um grão de poesia essencial à manutenção da esperança e dos sonhos. Porque sonhar é, no fundo, querer realizar os desejos mais íntimos e secretos que alimentam a vida. Sonhar é alimentar a alma, é dar-lhe o combustível necessário para viver, com alegria e com propósito. Sonhar é, enfim, manter acesa a «chispa divina» que, através de Prometeu, roubámos aos deuses e nos tornou naquilo que somos, como pessoas e como povo. É Torga quem nos diz: «Lembra-te do teu grito: / Não passarão! / (…) / Morrem filhos e filhas da nação. / Não morre um Povo!».

É, pois, importante lembrar, com a ajuda dos outros, que todos somos especiais, por um motivo ou outro, e que, como, recentemente, «José Peregrino» disse à minha filha Francisca, num dos caminhos de Santiago, depois de já ter percorrido 120 mil quilómetros a pé, em 10 anos, sobre aquilo que aprendeu na vida: «há mais pessoas boas no mundo do que más»…

Assim, importa lembrar tudo o que temos de bom na vida, para valorizar o que as torna lugares de beleza, de carinho, de amizade, de sonho, de sensações boas e bonitas, que nos aquecem o coração e nos dão alento para continuar.

Temos as ferramentas ao nosso dispor. Basta que as utilizemos e delas nos sirvamos.

Maria Eugénia Leitão
jornal Sol 09.08.2017

26 de julho de 2017

Obrigado, Avós!

Não sois de ontem, avós. Sois do presente e do futuro.



A instituição de dias para quase tudo corre o risco de desvalorizar datas e celebrações verdadeiramente especiais. O Dia dos Avós, por exemplo.

Importa, pois, nesta ocasião, celebrar conscientemente a sua vida e o seu papel. Afirmando que não são estorvo nem empregados fáceis; não são mero recurso de circunstância ou peso tolerado. Porque são nascente, luz, palavra e exemplo.

O Dia dos Avós deve ser, por isso, dia para lhes dizer, sublinhadamente: "Obrigado!"

Obrigado, avós, pelas histórias e pelo colo; pelo tempo e pela ternura; pelo olhar e pelas palavras sábias e confidentes.

Obrigado, avós, pela capacidade de repartir - até de repartir uma reforma tantas vezes insuficiente para os vossos dias difíceis.

Obrigado, sempre e em todas as circunstâncias. Sim, também pelo silêncio, quando, porventura, apenas sorri, já esquecido de nomes e gestos.

Não sois de ontem, avós. Sois do presente e do futuro.

Não estais a mais. Pelo contrário: importa que estejais mais - mais connosco e mais em nós!

13 de julho de 2017

«A opinião é livre, mas a estupidez é incomensurável»

Apesar de esta frase ter um erro ortográfico, optei por selecioná-la, pelo seu conteúdo e, até, por já não existir – o muro, junto ao Chapitô, na Costa do Castelo, foi novamente pintado de branco.


Esta afirmação de que «a opinião é livre, mas a estupidez é incomensurável» é uma verdade quase universal. Realmente, em Portugal, tal como, felizmente, em muitos países do mundo, «a opinião é livre»; cada um pode dizer o que entender, sem ser censurado, sem que sobre a pessoa que se manifesta seja exercido qualquer tipo de represália (obviamente, só teoricamente e no geral, porque conhecemos casos concretos em que não é assim…). Mas, também é verdade que há opiniões e opiniões. E, como escreveu, com a sua habitual ironia, Rentes de Carvalho: «Ter opiniões e saber doseá-las de acordo com os sentimentos vigentes, além de ajudar à paz de espírito facilita o ganho de uma aura de sabedoria e boa reputação».

Há, pois, diferentes tipos de opinião. Há as que enriquecem o nosso conhecimento, que nos apontam novas linhas de pensamento, que nos despertam para aspetos em que não tínhamos pensado e levam a nossa reflexão mais além. Há, também, opiniões irrelevantes, que de nada servem e apenas causam «ruído», nada acrescentando para além do prazer egoísta do seu autor ao ouvir o seu eco. Há ainda outro tipo de opiniões: as que se tornam ofensivas para os outros. Sobre estas pode-se afirmar que, na realidade, mais valia serem guardadas para o próprio, em vez de serem partilhadas. Nestes casos, como afirma Sophia de Mello Breyner Andresen: «Nunca choraremos bastante»…

É óbvio que cada um tem direito a ter a sua opinião e, efetivamente, todos nós refletimos constantemente sobre os assuntos e as pessoas que nos rodeiam. No entanto, o que, por vezes, é abusivo é a expressão pública de opiniões que deveriam ser privadas. Até porque, como diz Afonso Cruz: «A incerteza faz parte da mecânica quântica, a dúvida faz parte do cosmos, da sua essência, e o melhor que temos são probabilidades. Mesmo que fôssemos o demónio de Laplace e conhecêssemos todas as variáveis, a indeterminação existiria sempre como raiz do próprio universo.» Ora, a exposição pública das opiniões dá-lhes uma visibilidade e notoriedade que, muitas vezes, não merecem, por não terem qualidade suficiente para serem veiculadas na rádio, na televisão, nos jornais, nos cafés, em voz alta…

Por vezes, as pessoas ficam-se por uma reflexão acrítica e superficial das situações e emitem opiniões sem pesar os vários fatores, sem considerarem as diferentes perspetivas, sem analisarem, a fundo, as várias situações que contribuem para determinado facto, e que, desse facto, levam a um acontecimento concreto. E é bem verdade que, como diz Fernando Pessoa: «O esforço é grande e o homem é pequeno».

É por isso que, como diz o ditado, «vozes de burro não chegam ao céu»!

Maria Eugénia Leitão
jornal Sol 12.07.2017

10 de julho de 2017

O VERBO PARAR

Os que se creem insubstituíveis padecem, não raro, de uma vertigem prometaica enganadora


Que marinheiro se lança à aventura oceânica sem controlar se leva na embarcação, não só a vela e os remos, mas também uma âncora? Ou que caminhante enfrenta a sua jornada sem prever tempos e lugares de pausa, que lhe garantam a possibilidade de refazer-se, sentir o conforto de um abrigo e retemperar forças para poder continuar? A viagem não é só movimento, como a vida não é apenas o contínuo das suas atividades. A arte de parar é uma aprendizagem indispensável à sobrevivência, mesmo se isso vem frequentemente esquecido. Quem não sabe parar, não sabe viver, pois há uma qualificação da existência que provém daí, por muito que isso se tenha tornado difícil de efetivar ou nos obrigue a deliberar em contraciclo, mesmo em relação às idealizações que construímos sobre nós próprios. Precisamos de parar: por carência e necessidade, por chamamento interior e por escolha, por decisão e sabedoria.

Tendencialmente as nossas vidas têm-se tornado uma espécie de cidade que não dorme. O tempo parece-nos sempre escasso face ao programa que nos impomos. Desejaríamos que ele se desdobrasse, como que por magia, e fosse o que não é. Correndo ofegantes, num dia a dia saturado, não deixamos de sentir-nos ainda em falta com alguma coisa que muitas vezes não sabemos bem o que seja, mas que tem a forma de uma culpa que nos mói. A sensação crescente é de que o mundo nos ultrapassa e a perceção da nossa insuficiência deixa-nos devorados por dentro, em terra queimada. Por muito que façamos, as metas mantêm-se longínquas; nada nunca basta; a parte mais íntima de nós sente-se permanentemente irresoluta, em dívida e em perda.

A SENSAÇÃO CRESCENTE É DE QUE O MUNDO NOS ULTRAPASSA E A PERCEÇÃO DA NOSSA INSUFICIÊNCIA DEIXA-NOS DEVORADOS POR DENTRO, EM TERRA QUEIMADA

E isto é assim, para nós, há muitos anos. Para o movimento tivemos mestres, a escola organizou-nos, a família tutelou de perto a nossa maturação. A pausa e o recreio foram confiados às regras do acaso, na suposição de que parar, brincar, repousar são uma ciência inata, coisa que — compreendemos dolorosamente depois — não é. Esse défice de competência fica em tantas vidas como um buraco do qual se foge, um vazio colmatado com múltiplas formas de evasão.

Muitas vezes dizemos que não paramos porque não podemos, pois, o mundo à nossa volta, o mundo que depende de nós, se bloquearia nesse instante. Ora, precisamos desconstruir esta ilusão. Os que se creem insubstituíveis padecem, não raro, de uma vertigem prometaica enganadora. É fundamental ganharmos um distanciamento crítico em relação ao nosso contributo, valorizando mais o trabalho de autonomização dos outros do que o tecer uma rede, mais visível ou impercetível, de dependência. Sem nos darmos conta, por trás de uma exagerada doação ou de um ativismo irreprimível, está uma insegurança profunda nos laços que estamos a construir.

Lembro-me que há uns anos, fazendo eu próprio os caminhos de Santiago, encontrei, logo no meu primeiro dia de peregrinação, uns brasileiros sentados na berma a tratar dos pés já meio-desfeitos. Eles devem ter-se apercebido do meu ar apavorado, porque um deles disse-me, com uma tranquilidade que me animou: “É bom gastar tempo a cuidar das próprias feridas.” Eu ainda não tinha compreendido que essa era uma das razões principais porque estava ali a enfrentar aqueles cento e tal quilómetros de estrada. Mas o mesmo se pode dizer do encontro (ou do desencontro) com os outros. Só encontramos verdadeiramente aqueles junto dos quais fundeamos a nossa âncora, empregando o tempo necessário à escuta, à atenção e à surpresa. O não parar é uma forma de fuga ao encontro mais profundo connosco mesmos e com os outros.

José Tolentino Mendonça

22 de junho de 2017

Núcleo da APRe! em Coimbra visitou o Museu da Cidade

O Núcleo da APRe! em Coimbra organizou uma visita ao Museu Municipal da Cidade, à exposição "O Indizível". Esta exposição é a expressão moderna de "imagens com base em sensações ou raciocínios complexos, assumindo que nenhuma pintura pode ser inteiramente explicada por palavras".

Uma exposição que se adequou bem ao momento terrível que vivemos porque, de facto, há coisas (trágicas, neste caso) que não se explicam de forma alguma.

12 de junho de 2017

Como foi a Visita Guiada à Casa do Infante, organizada pelo núcleo da APRe! do Grande Porto

No dia 9 de Junho pelas 14h, promovido pelo núcleo da APRe! do Grande Porto, houve uma visita guiada à Área Museológica da Casa do Infante. Os espaços museológicos revelam o passado histórico da zona ribeirinha do Porto, quando ocupada pelos romanos e o período medieval, quando comercializava com a Europa do Norte e do Sul.

Assim, o guia do Arquivo Histórico e Municipal da Casa do Infante, com um grande profissionalismo, fez a nossa visita guiada à Área Museológica e, perante os nossos olhos (26 pessoas), vimos o "fruto do trabalho de Arqueólogos e Historiadores ":
  • a evolução do edifício da Casa do Infante, ao longo dos séculos, a partir da sua construção no início do séc. XIV, por ordem do D. Afonso IV, como Alfândega Régia do Porto;
  • vestígios da ocupação romana desta área ribeirinha do Douro, nos inícios da era Cristã: réplicas de mosaicos que pavimentavam um provável palacete romano e que continuam protegidos no subsolo e também uma Ara dedicada aos Deuses marinhos e que foi arrancada às águas do Douro;
  • vários documento históricos, relacionados uns, com a Alfândega Régia e produtos comercializados com a Europa Cristã do Norte e o Sul Mediterrânico, algum dele Muçulmano.
  • Também moedas que eram cunhadas aqui na Casa da Moeda, integrada na própria Alfândega.
Finalmente, chegámos à parte mais recente do Museu que é dedicado aos Descobrimentos
  • Lembrou - se que dos Estaleiros de Miragaia partiram barcos para a conquista de Ceuta, vindo daí a tradição das tripas à moda do Porto!!! Bem não havia o feijão que só com a ida ao Brasil, em 1500, o conhecemos!!...
  • E a assinatura de Pêro Vaz de Caminha, portuense e trabalhador desta Alfândega, foi de notar, pela sua qualidade .... era de alguém letrado! Daí ter sido encarregado de registar a "descoberta do Brasil" e a sua Carta ser hoje classificada, pela UNESCO, como Património da Humanidade!
  • Não foi esquecido o grave problemas da Escravatura e o grande contributo dos escravos no desenvolvimento económico do Brasil.
  • E a mortalidade que havia nestas viagens, mercê dos naufrágios, doenças e até nas lutas que os huguenotes holandeses provocavam ao assaltar os nossos barcos.
  • Mas o encontro de novas culturas, novos conhecimento geográficos, botânicos, de animais, de plantas, utilizadas no tratamento de doenças, e nos tecidos fizeram avançar a Ciência e o Comércio.
Por mera casualidade, no interior do Edifício, cruzámo-nos com o Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que esteve a partir das 15h a inaugurar a exposição "O Foral do Porto. 1517-2017", também na Casa do Infante.

No meio de uma conversa informal tivemos a oportunidade de dizer que éramos um grupo de associados/as e amigos/as da APRe!, pelo que referiu de imediato que tinha estado na sessão de encerramento da Conferência Nacional da APRe! “O FUTURO NAÕ TEM IDADE”, há cerca de um ano (ver imagem).

Foi uma visita muito interessante, pelo que convidamos as pessoas a visitar e a levar filhos, netos e amigos!

Conceição Castro
Elisabete Moreira











5 de junho de 2017

Como foi a visita à exposição "José de Almada Negreiros - uma maneira de ser moderno" no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa

Devido ao grande número de associados que manifestaram o interesse em participar na visita organizada pela "APRe! Cultura Lisboa - Delegação de Lisboa" à exposição "José de Almada Negreiros - uma maneira de ser moderno" no Museu Calouste Gulbenkian, foi organizado um segundo grupo que visitou a exposição no passado dia 2 de Junho, ficando aqui documentado em fotografias a forma como a visita à exposição deste segundo grupo decorreu.









3 de junho de 2017

Como foi a visita à exposição "José de Almada Negreiros - uma maneira de ser moderno" no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa

Numa organização da "APRe! Cultura Lisboa", realizou-se no passado dia 31 de Maio uma visita guiada à exposição "José de Almada Negreiros - uma maneira de ser moderno" no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Divulgam-se aqui algumas fotos da muito interessante visita em que nos podemos aperceber do extraordinário génio de Almada Negreiros nas suas múltiplas facetas artísticas.




















25 de abril de 2017

Meu querido mês de Abril

Meu querido mês de Abril

Longos dias de nostalgia...
num poema
que não existia!...

Longas noites de amargura...
...uma vida insegura
num País de ditadura!...

Em cada rosto
a tristeza perdura...

Um País amordaçado,
sem liberdade...
Um País fechado,
sem Pão
Saúde
ou Educação...

Um País analfabeto!...

Um País aprisionado
onde até o pensamento
era censurado.

Um País
durante décadas adiado!...

...Um dia,
o grito ecoou
o sonho vingou
Abril brilhou
e a vida mudou!

Um País
no meio do nada,
renascia das cinzas...
um País perdido na escuridão
brilhava
num mundo que ansiava.

Um País reconhecido,
num mundo, outrora desconhecido!...

O Povo agradecido
aos Militares d`Abril, se curvou
e seu cravo colocou
na espingarda que não soou.

A Liberdade nascia,
instalava-se a Democracia!

Abril brilhou,
mas a herança ficou!...

Para trás,
vidas ceifadas
mortes anunciadas
crateras destapadas...

Hoje
e SEMPRE,
de mangas arregaçadas
gritemos Abril
lutemos de mãos dadas...
Porque...
...jamais alguém cerra
as "Portas que Abril abriu"!

Basta trabalhar
e Acreditar!...
Vamos unidos mostrar
a garra de um povo
que nasceu para Lutar!

Mª da Graça Dórdio Dimas
Associada APRe! nº 2283

19 de abril de 2017

Ler faz bem à cabeça

Em alguns países, médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias.


Nem só na farmácia se aviam receitas médicas. A biblioterapia – o recurso a leituras selecionadas como auxiliar terapêutico – está a dar cartas em alguns países onde médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias. E os pacientes vão aviar a receita à biblioteca mais próxima.

Qualquer leitor entusiasta sabe quanta felicidade pode encontrar num livro. Cada obra pode ser um portal para outras paragens, sem ter de sair da própria sala. Um livro, além de mudar convicções e alargar horizontes, pode mudar o estado de espírito, pelo que é provável que não fiquem espantados com as funções terapêuticas que, cada vez mais, estão a ser atribuídas à leitura.

O conceito não é exatamente novo. Reza a história que no pórtico de entrada da biblioteca de Tebas, cidade-Estado grega, no atual Egito, pelo ano de 1000 a.C, se lia a seguinte frase: «Medicina para o espírito.»

A leitura sempre foi usada como distração e divertimento, mas só em 1949 o conceito de biblioterapia começou a tomar forma tal como é entendido hoje, com a tese da professora e bibliotecária Caroline Shrodes, Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study, com a qual obteve o doutoramento em Filosofia e Educação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Shrodes defendia então que a literatura tinha a capacidade de desencadear uma resposta afetiva que podia ser canalizada para o crescimento psicológico, social e emocional do leitor, sendo isso conseguido, por exemplo, através da identificação com as personagens dos livros e as situações por elas vividas.

Desde então, multiplicaram-se os estudos sobre esta nova ferramenta e, em 2003, depois de um longo caminho de investigação, o psicólogo inglês Neil Frude acabou por concluir que a leitura tem potencial para se assumir como substituto ou adjuvante dos antidepressivos. Criou, em colaboração com outros profissionais de saúde, uma lista de títulos de autoajuda baseados na terapia cognitivo-comportamental que pudesse abranger várias patologias de saúde mental comuns e, juntamente com médicos de família, psicólogos e bibliotecas, implementou o conceito da prescrição de livros em Cardiff (País de Gales).

Dez anos depois, em 2013, o projeto estendeu-se a todo o país. Criou-se uma organização para o gerir, a Reading Well, que, juntamente com a Arts Council, a rede de bibliotecas públicas do país, e tendo como parceiras várias associações médicas britânicas, acabou por colocar de pé um programa de prescrição de leitura de livros com uma função terapêutica, o Books on Prescription.

A metodologia é simples: há uma lista de livros e os médicos de família, psicólogos ou psiquiatras prescrevem a cada paciente aquele ou aqueles que se lhes adaptam ao problema que enfrenta. Pode aplicar-se a situações tão diversas como depressão, dor crónica, ansiedade, fobias ou bulimia.

O programa usa sobretudo livros temáticos e educativos, escritos por especialistas para leigos, sobre as condições que enfrentam os pacientes – os chamados livros de autoajuda – sendo quase todos baseados na terapia cognitivo-comportamental.

REMÉDIOS LITERÁRIOS: O LIVRO DE PRESCRIÇÕES

Nem só de livros de autoajuda vive a biblioterapia. As duas biblioterapeutas mais famosas do mundo – tanto quanto podem ser famosas as biblioterapeutas – são Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras do livro Remédios Literários (The Novel Cure: An A-Z of Literary Remedies, no original) e estas só recomendam ficção.

As ex-colegas de faculdade que passavam o tempo a recomendar livros uma à outra cruzaram-se com o filósofo Alain de Botton em 2007, quando este estava a criar em Londres a The School of Life – uma escola que ensina filosofia prática, para ser aplicada no dia-a-dia e que pretende substituir o vazio criado pela não existência de Deus com cultura, literatura, filosofia, arte e psicologia.

Desde aí, têm tido filas de gente à porta do seu gabinete e têm formado biblioterapeutas por todo o mundo. Em 2013, lançaram o Remédios Literários, um livro ao estilo dicionário com recomendações de leitura que vão desde o A de «Abandono» ao Z de «Zangar-se com o melhor amigo».

O livro tem uma particularidade: parte do conteúdo é adaptado à edição de cada país, para responder a realidades culturais diferentes e incluir mais autores nacionais. Da lista de recomendações fazem parte alguns autores portugueses, entre eles Fernando Pessoa, com o Livro do Desassossego para a insónia (que as autoras defende que nos vai deixar num estado pré-sono devido à falta de enredo) e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, para situações de dependência ou utilização excessiva de internet.

Sofia Teixeira

16 de abril de 2017

Aleluia


Com flores de rododendro cor de fogo
anuncio aos sentidos
o milagre
da ressurreição.
E o Cristo vivo, em que se transfigura
a mais vil criatura
que atravessa a praça,
é como uma graça
a mais da primavera.
Ah, quem pudera
todos os dias
olhar o mundo assim, repovoado
de fraternidade,
quente de um sol desabrochado
em cada pétala da realidade!


Miguel Torga
S. Martinho de Anta, 19 de Abril de 1987