Mostrar mensagens com a etiqueta pausas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pausas. Mostrar todas as mensagens

21 de março de 2014

8 de março de 2014

Pausa


Boneca de trapo
Que vestes o sonho
De verde e encarnado
No dia medonho

Boneca de trapo
Na rua esquecida
Tu és o retrato
Da morte e da vida

Boneca de trapo
Que a lama apodrece
Caída no charco
Ninguém te conhece

Boneca de trapo
Da vida liberta
Só tu é que moras
Na rua deserta

Luiz Goes

4 de fevereiro de 2014

Maio Florido


VIVA O 17 DE MAIO DE 2014?!

Acabou o desemprego                      
(quem disser que eu minto, eu nego)!
Acabou a emigração,
sobretudo dos jovens desta nova geração!
Acabaram as dívidas das famílias e do Estado!
Acabou o déficit excessivo e prolongado!
Acabaram as privatizações!
Acabou a sobretaxa de IRS – voltaram os oito escalões!
Acabaram as taxas moderadoras.
Regressaram as isenções!
Acabaram as falências e penhoras!
Acabou o congelamento do SMN, pois então!
Voltou para a taxa média o IVA da restauração
e o IVA da eletricidade
vai passar para metade!
Vão ser devolvidos os cortes feitos nas pensões!
Acabaram todas as discriminações!
Todos os públicos funcionários
vão ver repostos os cortes dos salários!
Impostos, CES, contribuições
já não vão haver mais!
Voltaram as deduções fiscais
para incentivar a natalidade
(não me digam que isto não é verdade)!
Acabou a entrega de casas por pagar
e os bancos devolverão as que ninguém quis comprar!
Portugal já não pertence ao terceiro mundo da Europa!
Acabaram as filas de pobres para a sopa
e, nas cidades, já não há mais sem-abrigo
(não é verdade o que eu digo?)!
Acabaram as taxas de juro exorbitantes!
O 5 de Outubro e o 1º de Dezembro, como dantes,
vão voltar outra vez a ser feriados!
Acabou o ataque a trabalhadores e reformados!
Acabaram as longas esperas nas urgências dos hospitais!
Fechos de escolas nunca mais
nem mais leis inconstitucionais!
Acabou o encerramento de Correios e Finanças!
Acabaram as restrições
para nascerem mais crianças!
E, por todas estas razões,
vivam as campanhas… eleitorais!
(Ah, quanto não vale haver eleições)!
Apre, que é demais!
Vai acabar a troika que fez da nossa vida um inferno?
No dia 25 de Maio, vamos mandar embora também
a troika do desgoverno
que está em S. Bento e Belém?...

                                           
        V.N.GAIA, 12/01/2014
        Aristides Silva

10 de janeiro de 2014

Pausa













Nobre Povo

Atrevidos
Destemidos
Lutadores...
Sem medos
sem obstáculos
Vencedores!...
Nobre Povo
conquistador,
orgulho
da nossa historia...
Povo Imortal...
com glória!...
...E nós?
Afirmemos
nossa raiz,
usemos
nosso potencial...
E...
sem violência
utilizar,
lutemos
com sabedoria!
Gritemos
com ousadia!
Não!
Basta!
Basta
de tanto roubo,
de tanta
destruição...
Demos todos
nossas mãos!...
Mais vale
morrer a lutar
do que
morrer a chorar!

Mª da Graça Dimas
10/01/2014

30 de dezembro de 2013

Pausa




Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que pera meus olhos
Fosse mais fermosa.

Nem no campo flores,
Nem no céu estrelas
Me parecem belas
Como os meus amores.
Rosto singular,
Olhos sossegados,
Pretos e cansados,
Mas não de matar.

Uma graça viva,
Que neles lhe mora,
Pera ser senhora
De quem é cativa.
Pretos os cabelos,
Onde o povo vão
Perde opinião
Que os louros são belos.

Pretidão de Amor,
Tão doce a figura,
Que a neve lhe jura
Que trocara a cor.
Leda mansidão,
Que o siso acompanha;
Bem parece estranha,
Mas bárbara não.

Presença serena
Que a tormenta amansa;
Nela, enfim, descansa
Toda a minha pena.
Esta é a cativa
Que me tem cativo;
E pois nela vivo,
É força que viva.

Luís de Camões
(Musicado por Zeca Afonso)

12 de outubro de 2013

Pausa


Uma estória de amor

Queria falar-te de amor. Queria dizer-te
as palavras exactas, transparentes,
feitas de sílabas húmidas, ou mais:
de acentos agudos como setas
inquietas
rompendo mar adentro do teu corpo.

Queria dar-te o trigo, dar-te o pão
que te matasse a fome devagar
e que nunca essa fome se saciasse. Queria
mais que tudo sempre apetecer-te
e nem teu nome eu sei pronunciar.

Chamar-te-ás Esperança ou Margarida
ou Rosa e sei lá eu de quantos cravos
nasceste aqui tão perto e já tão ferida
ou de quais amores traídos sempre limpa
saíste a reclamar-me em teus abraços.

Chamar-te-ás Aurora ou Liberdade
e não o mal-me-quer com que confundem
teu nome verdadeiro. Hás-de ser
amante de poetas e de operários
que erguem o futuro com as mãos
e escrevem ou esculpem nas calçadas
o rumo onde o futuro se aconchega

e tenhas tu o nome que tiveres
é de amor que te falo, de ternura
de cópolas gritadas nessa cama
onde se faz um filho por querer
que um filho seja o futuro que se ama.


Eu sei aonde estás. Sei que me queres.
E sei o mais de mim que a ti se oferece.
Sei que não me perdoas se disseres
que sou
mais um
a morrer na praia que merece.

Ai, meu amor de mim,
que bem que eu sei
que um amor assim sempre apetece!

NGS
Outubro. 2013


4 de outubro de 2013

Pausa

Pensamentos
__________________________________________________


“Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores”.

Miguel Torga – 1993


“A crise que se vive na Europa e no mundo não é uma crise económica, nem uma crise de culturas, é antes uma crise do homem que, por um lado perdeu o sentido da sua própria dignidade e da dignidade dos outros e, por outro, usa a liberdade de tal maneira que gera novas opressões”.

Papa Francisco - 2013

24 de agosto de 2013

Pausa














Amor

Amo o mar
e o barulho das ondas!
Amo os campos
e o verde das plantas!
Amo o ruído do vento,
o brilho do Sol
e as estrelas no firmamento!
Amo a vida
e o que dela recebi!
Amo as lembranças
do tempo que já vivi!
Amo o Amor
com toda a sua magia!
E...
hoje aqui o transformo
numa mera poesia !...

Mª da Graça Dimas

9 de agosto de 2013

Pausa



















Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza

Urbano Tavares Rodrigues

20 de julho de 2013

Pausa

     
Uma Trova em Coimbra


Retrato

O Povo da Cidade
No afã do dia-a-dia.
Soa no ar
Uma canção, uma trova
Uma verdade
De quem confia
Num novo despertar.
Ao longe
Um sorriso de esperança
Que irradia e se renova
Num rosto imaculado
De criança

(pm) 

12 de julho de 2013

Pausa














E SE HOUVER UM PAÍS?

E se houver uma estrada
uma fada uma coisa de nada
um encanto um espanto
uma rosa encarnada
uma vela acendida
um paiol outro sol
uma manta aquecida
ou mais um girassol
dando voltas à vida?

E se houver uma casa
uma asa o calor de uma brasa
uma vela enfunada
uma estrela uma espada
uma esperança guardada
um rumor de conversa
uma luz que apagada
renasce diversa
a dizer madrugada?

E se houver uma país
que feliz diga não à desgraça
e se junte na praça
chamada alegria
e se a noite for dia
e se houver essa chama
que antes havia
e que o povo reclama
e se houver um país?


Nuno Gomes dos Santos
Almada, 8 de Julho. 2013

12 de junho de 2013

Pausa

O País das Maravilhas

1. Há uns dias que não ligo a televisão. Hoje, decidi ouvir as notícias, Canal 1, o mais antigo. Eu sou de fidelidades. Gosto daquele ar caseiro, que torce o nariz enojado, ou se ri connosco, gosto da piscadela de olho quando se despede. São coisas pouco prosaicas mas eu também sou assim. Liguei o aparelhómetro. Acabaram com a televisão e rádio estatal na Grécia?! De súbito, tive a sensação de ter uma tontura. Tivesse eu aterrado depois de uma longa ausência pela galáxia e nada me poderia assustar mais. É o retrocesso, o fascismo às nossas portas. Na Hungria as coisas não estão melhor, a direita nazi ganha terreno; na Grande e Sublime Porta, bate-se, carrega-se com os tanques de água, mata-se. Sob a bandeira de um regime mais ocidentalizado, vai-se instalando um regime religioso, daqui a um pouco fanático. Na Europa Central arranjam-se todos os subterfúgios para esmagar, de acordo com a lei, os países do Sul. Não vou falar de Portugal, é por demais conhecido o que por aqui vai. Mas é tempo de fazer soar o alarme.
2. Esta tarde fui resolver um problema relativo ao seguro da casa. Resumo a situação: há um mês fui modificar a forma de pagamento que era anual e eu achei que pagar todos os meses seria mais suave. Recebeu-me um profissional que me coíbo de classificar. Percebia pouco do assunto mas telefonou para alguém mais preparado e a resposta foi positiva “Com certeza, minha senhora, não há problema”. Fez as contas, eu tinha razão, a solução é bem mais leve do que a anterior. Perguntei se precisava de ir ao meu banco alterar o tipo de pagamento. Que não, que ideia, eles (companhia de seguros) tratavam de tudo. Encantada da vida, que já tenho com que me coçar. Passou a data de cobrança, comecei a ficar desconfiada. Zás! Uma cartinha, se eu não me importava de pagar via multibanco já que a entidade bancária não pagara. Li com atenção a carta. Pois, a autorização de pagamento fora cancelada. Bom, como eu não tinha mexido em nada, ou tinha sido …milagre ou a seguradora tinha interferido. Fui à seguradora. Atendeu-me outro modelo de profissional. “Então, se o banco não pagou é porque a senhora não tinha saldo!”. Não percebi se o comentário era por incompetência, estupidez, má criação ou simplesmente por eu ser da APRe! Chamei-lhe a atenção, que não eram modos, que num tempo destes é preciso um pouco de contenção com este tipo de comentários. “Dê cá o papel”; eu dei mas devia ter-lho esfregado no nariz. Como ele insistisse na questão do saldo, rapei-lhe o papel da mão (fui tão malcriada como ele tinha sido para mim, tant pis!) e apontei-lhe onde dizia Autorização cancelada e tentei explicar que a autorização não podia ter sido cancelada pelo Espírito Santo. “Então, o banco não é intocável!” disse o protótipo de funcionário, ao que lhe retorqui “Nem a seguradora!” Bom, omito o resto. Fui dali ao banco, de facto, tinham a indicação de cancelada. Repus a ordem indispensável mas como se percebe foi a dedicação do primeiro funcionário (há um mês) que deve ter cancelado o pagamento anual ignorando as consequências da sua instrução ao computador e que o sistema, automaticamente, faz a transferência de acordo com o montante que lhe for indicado desde que não ultrapasse o plafond para o qual tem autorização. O país está a trabalhar muito bem e quando mete informática, atinge o clímax! Talvez pudéssemos avisar o Primeiro Ministro destas pequenas maravilhas.
3. Estive a trabalhar todo o serão. Resolvi fazer um intervalo, liguei de novo o aparelhómetro, aquele que nos invade os serões com bonecos e som. Cheguei agora de Plutão. Por lá é tudo mais sisudo, mais de acordo com a solidão e com a vastidão do Universo. Mais responsável. Pela Avenida da Liberdade – bendito nome! – desfila a cor. Dou com muitas meninas, possantes algumas, muitos meninos garbosos. Padrinhos, madrinhas, populares que mandam umas bocas. A felicidade completa; exibem cores garridas, roupas brilhantes, manjericos na cabeça, também perucas, abanos, leques, sombrinhas, cantam todos, - e como desafinam! - saracoteiam, abanam-se, esganiçam-se, dão muitos beijinhos aos apresentadores, muitos beijinhos e abraços para a direita mas também para esquerda, cumprimentam-se, regozijam-se, e dão também muitos beijinhos ao Presidente da Câmara. Que agradece, ah, se agradece. Ah, grande campanha eleitoral! Está aberta a campanha, pum! Muita alegria, muita exuberância. Ouviram que há por aí uma crise que nos arruína completamente, que nos atira para longe, muito longe da Europa? Uma crise que acaba com a cultura? Quem diria. Cultura, uma coisa que gasta dinheiro e consegue pouco retorno, uma coisa que sai muito cara e que leva gerações a construir, a ganhar público, fiéis seguidores. Destrói-se rapidinho. Ali, no coração desta Lisboa, dança-se. Sacode-se a crise. O medo, também. O medo de hoje e o de amanhã. Quando nem para sardinha chegar, como vai ser?! Lá vai mais um beijinho!
4. Vou deitar-me. Já tomei a minha dose de alienação, já desabafei. Amanhã é dia de Santo António, um santo que conta com a simpatia da direita e da esquerda. Porque, afinal aquilo que nos une é bem mais importante do que o que nos divide.

Luísa Cabral

17 de maio de 2013

Pausa

Na Luta, sempre 

Mãe, 

Quase sessenta anos atrás quando mudei da escola privada para a escola pública e era a única menina que ia calçada, comecei a perceber que o mundo não era aquele mundo tranquilo e seguro que conhecia. O bem estar, as brincadeiras, o conforto, subitamente, deixaram de ser única realidade que eu conhecia. Entrava noutro mundo, Mãe, e lembro-me de o ter começado a captar através de pequenos sinais que me ia passando. Vieram as leituras, aos poucos a realidade foi ganhando outros contornos, a intranquilidade anichou-se dentro de mim e foi a Mãe que me foi encaminhando. Uma passagem como professora na província, caldeou o turbilhão. Mas a Mãe estava ali para as perguntas inadiáveis. 
Foi consigo que aprendi a respeitar a democracia e a política. Foi consigo que, em longos serões familiares, comecei a perceber que havia outra vida para além do dia-a-dia rotineiro, fosse ele de aulas ou de trabalho. Foi consigo que aprendi a detestar a polícia, depois de ter experimentado as cargas bestiais da guarda republicana a cavalo ou dos avanços do carro de água azul-metileno. Tudo ali, na magnífica praça do Rossio. Foi no Rossio que cantei pela primeira vez a Portuguesa emocionada. Na rua, com os outros portugueses que naqueles 1º de Maio se manifestavam contra o regime fascista. Foi consigo que aprendi a estimar os antifascistas, a colaborar na intervenção antifascista, a distinguir os oportunistas e os cobardes, os que por uma mão cheia de nada preferiam calar. Foi com o seu apoio que me empenhei nas lutas académicas. No fim do dia, a casa era o refúgio, sim mas também o local donde saia na manhã seguinte mais convicta e segura. Foi sempre consigo, Mãe e por isso a saudade que tenho das longas conversas que tínhamos ou dos pequenos gestos que trocávamos, sempre numa enorme cumplicidade, é indizível. 
Hoje, a Mãe teria 96 anos e apoiar-me-ia, não tenho a menor dúvida. Ficaria contente e orgulhosa por saber que participo com outros portugueses nesta luta que não pode ter quartel contra um governo indigno que parece procurar vingança e nos humilha. Mais do que ficar contente, a Mãe estaria a incentivar-me, sempre a encontrar a palavra certa para não me deixar esmorecer. 
Para trás, eu sei como foi, reconheço claramente o percurso até ao dia de hoje. Tento olhar para o futuro, Mãe, só vejo nuvens, tudo cinzento, escuro pouco promissor. Para mim? Não, Mãe, para mim já não importa tanto mas para a Ana ou para o João, para os outros como eles que querem viver e não podem. Não está por perto para trocarmos ideias, Mãe, mas eu sei que tenho de continuar. Não será tanto por mim mas por eles; por aquilo que eu puder ajudar a resolver mas, acima de tudo, para lhes dar um exemplo. A nossa luta também é a deles e se nós ajudámos a construir a democracia porque acreditámos na beleza que a democracia é, então, vale a pena continuar a lutar para que eles segurem a tocha e prossigam. Assim se faz o processo histórico. Não há quês; tudo é esgadanhado e não posso, Mãe, não devo, ficar à espera que as coisas se resolvam por si. Primeiro porque não se resolvem, segundo porque ao não se resolverem, regridem. E um retrocesso é sempre contra natura. 
Quando me empenho nesta luta, sinto-me acompanhada e sinto que sou um elo numa longa cadeia civilizacional, que faço o que me compete. Tal qual me ensinou, Mãe. 

Maria Luísa Cabral

3 de maio de 2013

Aos Jovens


No dia em que se iniciam as celebrações académicas da "Queima das Fitas" que marcam o arranque para a inserção de muitos dos nossos jovens no mundo do trabalho, queremos dar-lhes um abraço solidário pelas dificuldades e obstáculos, uns naturais e muitos artificiais, que encontraram, sofreram e tiveram de superar, para concluir a sua formação. 
Pedimos-lhes que tomem conta dos destinos deste país e que o tornem mais próspero e solidário.
Torcemos por vós. 

PM

1 de maio de 2013

Pausa


Maio Maduro Maio
Zeca Afonso

Maio maduro Maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul
E uma falua vinha lá de Istambul

Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava ao longe a varar

Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça vamos lutar

Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu