Mostrar mensagens com a etiqueta rosário gama. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta rosário gama. Mostrar todas as mensagens

30 de maio de 2015

"Não quero aliar-me à direita para estar contra o PS" na descida da TSU

Em entrevista, Maria do Rosário Gama, presidente da APRe!, reconhece estar a ser uma voz incómoda no PS por causa das críticas à proposta de redução da Taxa Social Única. "Eles andam doidos comigo", desabafa.


Maria do Rosário Gama admite que tem sido pressionada no PS devido às suas críticas acesas à proposta socialista de corte da TSU. Promete não vacilar no voto contra se António Costa insistir nessa ideia. E propôs ao líder socialista que o PS faça um estudo que avalie o impacto na receita da Segurança Social que seria obtido pelo aumento do salário mínimo no valor correspondente ao corte de 1% na TSU e da devolução das sobretaxas de IRS e dos salários e pensões.

Foi uma voz crítica das propostas do PS de redução da TSU. Notou algum recuo entre o que foi apresentado na semana passada e o discurso mais cauteloso de António Costa no domingo, dizendo que ainda é para ser pensado, e que será gradual?
Algum. Não muito, não aquilo que nós queremos, mas algum. O primeiro foi em relação à TSU das empresas, que será aplicada se aquelas fontes diversificadas de financiamento o permitirem – vão primeiro ver o resultado. E em relação à proposta dos trabalhadores, logo a seguir ao dia da comissão nacional veio na comunicação social que António Costa poderia recuar também. Acho que é a única solução possível. Qualquer mexida na TSU corresponde a uma redução das receitas da Segurança Social (SS). Esta mexida na TSU do PS não tem o mesmo sentido nem o mesmo âmbito da alteração proposta pelo PSD. Uma mexida na TSU, seja ela qual for, cria muita insegurança e uma grande desmotivação nas pessoas. Sentindo-se inseguras, as pessoas acabam por não saber como exercer o seu voto e nós queremos que as pessoas votem, não queremos abstenção. Não queremos que ganhe outra vez uma coligação que ameaça com cortes de pensões logo à partida. Esta ameaça é real. Porque a coligação enviou para Bruxelas o Pacto de Estabilidade onde esta medida está inscrita. É uma hipocrisia virem agora os líderes do PSD e CDS demarcarem-se dessa medida…

O recuo deveu-se às suas críticas e à ameaça do voto contra?
Eu não tenho esse poder.

Mas representa são 2,5 milhões de pensionistas…
Eu não tenho esse poder. Tenho conseguido dizer o que penso e tenho feito uma crítica severa à questão da TSU. Eles andam doidos comigo.

No PS? Têm-na pressionado?
A mim? Eu não tenho importância nenhuma... Não houve nada do que me tenham dito que alterasse a minha postura. O secretário-geral sabe que na convenção nacional eu vou dar a minha opinião e vou votar contra por causa da questão da TSU. Na quarta-feira convocou uma reunião de reformados do PS para explicar os argumentos do programa – onde não estive. Fala-se agora de mexer no IVA social. Mas continua a ser acompanhado de um corte da TSU e isso é a linha vermelha. Por muito bondosa que seja a explicação, mantém-se o corte na sustentabilidade da SS – e isso eu não admito. Mas não quero, com a minha guerra, que me comparem com a direita nas críticas ao PS. Não quero aliar-me à direita para estar contra o PS. Eu vou votar PS.

Qual é a alternativa para manter a SS sustentável?
Eu tenho uma proposta de substituição da TSU para apresentar ao líder do PS em meu nome pessoal [fê-lo depois desta entrevista e aguarda resposta de António Costa]. O retomar da economia não pode ser feito à custa da Segurança Social, mas sim por via fiscal e de aumento de salários. Devia ser feito um estudo em que se preveja o aumento do salário mínimo no valor correspondente ao corte de 1% da TSU, a devolução em 2016 da totalidade da sobretaxa de IRS para salários e pensões entre 600 e 1500 euros (em vez de ser aos poucos e contemplar já os salários e pensões mais baixos) e a devolução de 1,5% da sobretaxa para salários e pensões acima dos 1500 euros – e este valor poderia ser negociável, 1,2, por exemplo. E a seguir, nos outros anos, o restante. Num salário de 600 euros, que já tem sobretaxa, a TSU é 66 euros; se passar para 10%, são 60 euros, ganha por mês 6 euros e o que eu proponho é um aumento de 5 euros para os salários mínimos.

Afinal o PS reconhece, e está de acordo com a maioria, quando diz que há um problema de sustentabilidade da Segurança Social (SS)?
Toda a gente sabe que há um problema de sustentabilidade da SS. Ninguém põe isso em dúvida e nós também sabemos.

Realisticamente: as pensões não estão mesmo em risco?
Não é isso que eu quero dizer. O problema da sustentabilidade da SS tem solução com níveis diferentes, nomeadamente com crescimento económico, com a promoção do emprego e com o aumento do PIB. Disso não tenho dúvidas. E é evidente que poderá ter que haver alguma reforma no sistema de pensões. Mas qualquer reforma tem que obedecer a alguns requisitos.

Quais?
Primeiro: aumentos graduais – não se pode passar de um coeficiente de sustentabilidade de 5 para no ano a seguir ser 12 e agora 13. Segundo: permitir que as pessoas quando se reformarem tenham uma vida equilibrada com aquilo que foi a sua vida no activo. Ou seja, não pode haver uma quebra tão grande como está a acontecer entre aquilo que a pessoa ganhava e o que passará a ganhar. Terceiro: deve manter-se o sistema de SS público. Quarto: se é impossível que as contribuições sejam suficientes para pagar as pensões do regime contributivo, há que procurar diversificar as fontes de receita. Foi o que o PS esteve a fazer.

Que fontes de receita?
O PS propõe uma diversificação das fontes, que tem a ver com a taxação de heranças acima de um milhão de euros. E podia-se taxar o valor acrescentado das empresas, o chamado IVA social. A quantidade de imigrantes que entram no nosso país pode ser um factor importante para a sustentabilidade: sendo pagos salários, são feitos os descontos aqui.

A contribuição para a SS devia ser em função dos lucros e não em função dos trabalhadores?
Exacto. Empresas grandes que têm poucos trabalhadores, porque foram substituídos por tecnologia, pagam muito menos para a SS do que uma empresa têxtil com um rendimento muito menor e com muitos mais trabalhadores. O desconto deveria ser em função dos lucros das empresas.

Concorda com o princípio da taxação de heranças?
Depende de quanto for a taxa e como for aplicada. Para as grandes fortunas penso que pode ser uma contribuição. Mas não dará grande ajuda porque não há grandes fortunas – já estão fora do país. Eu dou os parabéns ao PS por tentar diversificar as fontes de receita. Essa diversificação deveria ser para aumentar os bens da SS e não para dar cobertura ao corte da TSU. Quando falamos da diversificação da receita é para contrariar a teoria de que a SS é insustentável. É provável que seja insustentável precisamente devido ao desemprego, ao trabalho precário, à imigração de jovens, a salários baixos.

Concorda com o aumento da idade da reforma consoante a esperança média de vida?
Não, eu acho que já chega. Se as pessoas se reformarem mais cedo, em idade de poderem aproveitar alguma coisa da sua vida e deixar lugar aos mais novos, é vantajoso. Não se deve prolongar indefinidamente a idade da reforma, as pessoas não podem estar a trabalhar até morrer. Esta é a minha opinião pessoal, não a da APRe!

O que pensa da indexação do aumento das pensões ao crescimento económico?
Isso é complicado. Em países cuja economia tem a variação como teve o nosso, isso ia dar uma instabilidade muito grande. As pessoas já estão desesperadas, na associação temos muitos casos de reformados que ajudam a sustentar a casa de filhos e netos desempregados.

Há dois anos um deputado do PSD falou na “peste grisalha”. Essa ideia negativa começa a estar enraizada na opinião pública?
E foi muito atacado por nós... Essa ideia passa e tem sido promovida até pelo Governo. Viu-se agora neste encontro da JSD. Porque é que a ministra das Finanças fala em corte de reformas à frente de jovens e não dos idosos? Há alguma intenção nisto. Na APRe! temos economistas, gente que trabalhou na SS, ex-directores da SS, estamos dentro do assunto e reflectimos. Os velhos de agora – ou os seniores, com se quiser chamar - não são só os que as TV passam, os dos bancos do jardim. Há esses, mas há também os outros que pensam, estudam, reflectem. Temos muitos ex-professores universitários. E temos muito para dar mas não querem nada nosso.

O que têm para dar? E como?
Tanta coisa: o nosso conhecimento acumulado. Podemos participar em reuniões de jovens, dar a nossa experiência, organizar debates com debates. Fala-se muito do envelhecimento activo, da actividade física, passeios, convívios, universidades seniores. Tão ou mais importante que o entretenimento é a participação cidadã. E podia ser feito a nível autárquico: propusemos a algumas autarquias a criação da comissão de protecção aos seniores em risco e que fizessem estudo dos apoios que existem para cidadãos seniores e do modo como eles são ou não acompanhados. A outra participação é a nível dos fóruns de cidadania sénior, que já existem em algumas câmaras, como Santa Maria da Feira ou Oliveira de Azeméis, onde dão opinião sobre a definição de políticas seniores.

O plafonamento é uma ideia muito falada à direita. Não faria sentido para os trabalhadores, em vez de reduzir a TSU, haver uma alternativa e as pessoas poderem escolher entre fazerem essa redução ou o seu próprio plano?
Quem faz essa redução, quem ficar com esse dinheiro – se tiver um salário de 2000 euros, fica com 20 euros e se quiser ter uma pensão melhor, tem que fazer um investimento em seguros ou um fundo de capitalização pública. Sou totalmente a favor da SS pública, pelo que tudo o que tenha a ver com plafonamento de pensões tem também a ver com plafonamento de contribuições e isso vai desfalcar a SS. Portanto era uma medida muito complicada. É isso que a Europa quer, mas nós não queremos.

A ministra das Finanças admitiu cortes nas pensões em pagamento e nas futuras mas atirou a decisão para depois das legislativas. O Governo está a esconder-se?
Está-se a esconder, sim. Mas ela agora já não pode voltar atrás, porque foi muito clara quando disse que ia haver cortes. Isto foi um convite que ela fez aos reformados para não votarem na coligação. Espero que não votem mesmo.

E acha que vão votar no PS?
Não sei. Se o PS conseguir fazer algum recuo nesta medida que causa transtorno aos reformados, não vejo porque não votar no PS.. Mas eu acho que mesmo assim é melhor no PS do que na direita PSD/CDS.

Como é que a APRe! se vai posicionar na campanha eleitoral se o PS não voltar atrás sobre a TSU?
Nós não defendemos o voto em ninguém. O que vamos fazer é mandar para todos os associados, como fizemos nas autárquicas, os programas dos partidos no que se refere à Segurança Social e as pessoas depois escolhem.

Não vão apelar ao voto apesar da sua condição de dirigente socialista?
Eu sou uma entre muitos. Na direcção da APRe! somos nove e há lá pessoas desde o Bloco até ao PSD.

Devem ser interessantes as vossas reuniões… É fácil gerir essa multiplicidade de tendências?
São mesmo… (risos) Não é muito fácil gerir porque se propomos algo mais à esquerda… Por exemplo: no 1º de Maio há pessoas que querem ir à manifestação da UGT, outras da CGTP. Quem quer vai para uma ou outra [sem camisolas ou publicidade à APRe!]. No 25 de Abril é que fazemos em unidade, vamos todos. Nos nossos debates convidamos sempre pessoas das diferentes áreas ideológicas. Já tivemos debates com Bagão Félix e José Ribeiro e Castro (CDS), Pacheco Pereira, António Capucho (PSD), Santos Silva, Vieira da Silva (PS), Francisco Louçã (BE), Raquel Varela. Nas europeias tivemos todos os candidatos.

Qual é o segredo para reunir essas pessoas?
Aquilo que nos une é mais forte do que o que nos separa, como diz a canção do Rui Veloso

E o que é que une tanta gente diferente?
A defesa dos direitos dos aposentados.

Há pelo menos quatro movimentos com expressão – APRe!, MURPI, Inter-Reformados, Movimento dos Reformados Indignados - e há outro, o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) que abriu o processo no Tribunal Constitucional para se formalizar. Não está no horizonte da APRe! tornar-se um partido?
Deus nos Livre! Isso é que era impossível de gerir, não tinha base ideológica nenhuma. Há pessoas na APRe! que pensam de maneira muito diferente. Era impossível formarmos um partido. Agora… já não é impossível as pessoas estarem juntas a defender os seus direitos. Pode é ser por vias diferentes: haveria quem gostasse que estivéssemos sempre a fazer manifestações, há quem goste que façamos mais pressão política juntos dos partidos – quando pedimos audiências, fazemo-lo a todos. Sobre os outros movimentos e partido vamos demarcar-nos. Há ano e meio pedi a vários movimentos que se juntassem a nós para fazermos uma contestação conjunta, entre eles o MURPI, a Inter-Reformados, a CidSénior, os reformados da ASMIR e a associação de deficientes das Forças Armadas. Nem o MURPI nem a Inter-Reformados estiveram connosco. Eu gostava muito que nos pudéssemos juntar e já manifestámos abertura para isso quando eles promovem manifestações. Já nos juntámos uma vez, no Rossio. Mas não tem havido essa abertura.

Consegue perceber-se porquê? Por motivos políticos?
Não sei dizer. Ou melhor, consigo mas não lhe quero dizer. Nós não somos competidores com essas associações. As pessoas que estão na APRe! não se integrariam, por exemplo, numa associação ligada à CGTP e ao PCP. As nossas posições de defesa dos reformados têm sido exactamente as mesmas, daí que seria normal juntarmo-nos. Estamos abertos a isso, agora precisávamos que eles também estivessem. Já tivemos encontros com a CGTP em que dissemos estar disponíveis para acções conjuntas. Ora eles dinamizam e promovem, mas nunca vão àquilo que nós promovemos.

Rejeita qualquer participação política formal, nem mesmo nos movimentos de cidadãos nas autarquias?
Sim, porque isso seria a causa da divisão das pessoas. Não vão largar os partidos onde votam normalmente para ir votar num partido de reformados. E um partido de reformados não tem sentido nenhum. A Assembleia tem muito mais para discutir do que questões ligadas aos reformados. Agora, um partido de reformados que mete pessoas de todas as tendências, como é que vai ter uma base para na AR estar a defender posições uniformes? Vai ter que tomar posições em assuntos em que não tem mandato para isso porque não há essa base ideológica.

Há pouco deu a entender que o Governo fomenta o conflito de gerações…
Fomenta o conflito de gerações, entre trabalhadores no activo e reformados, entre Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. Quando vem dizer que as pensões da CGA são mais elevadas, isto tem que ser desmascarado: são mais elevadas porque as pessoas tinham salários mais altos. É na CGA que estão todos os professores, todos os médicos, todos os juristas, todos os militares. E na SS o número de pessoas licenciadas é muito mais baixo. Portanto, é desonesto estar a dizer isso: são mais altas porque de facto também descontaram mais.

Qual é o objectivo do Governo?
Pôr uns contra os outros. Quanto mais divisão houver, melhor, quanto mais isolarem os reformados, melhor. Até propus à direcção da APRe! fazermos umas t-shirts a dizer ‘Votar na coligação é corte certo na pensão’

Disse que não iriam ter intervenção política na campanha…
Ah, mas isto é por causa dos 600 milhões de euros. Não vamos ter intervenção partidária, mas vamos ter política.

Poderão juntar-se a alguma campanha ou farão campanha própria?
Não. Faremos campanha própria. O nosso slogan é ‘não somos descartáveis’. Este que estou a propor tem que ser primeiro aprovado pela direcção.

Vai ser complicado porque tem lá pessoas do PSD…
Não vai, não. Porque a malta do PSD que está connosco está muito revoltada. Temos uma militante cá de Lisboa que quando íamos às audiências dos partidos, no PSD ia com o cartão na mão a dizer ‘olhe sou a militante número 60 ou 80 do PSD e estou contra vós’. E há muitos assim.

Entrevista de Leonete Botelho e Maria Lopes
Público 30.05.2015

24 de maio de 2015

Declarações da Presidente da APRe! sobre as propostas do PS para a Segurança Social

A Presidente da APRe! Rosário Gama, prestou declarações ao jornal Público, em que manifesta o seu desacordo relativamente às propostas socialistas sobre a descida da TSU (taxa social única) e sobre a gestão de parte do fundo de estabilização financeira da Segurança Social.

20 de abril de 2015

Entrevista de Rosário Gama à TVI24 ao Programa Política Mesmo

Entrevista a Rosário Gama ao programa Política Mesmo da TVI24, em que a Presidente da APRe! considerou que com o corte na TSU dos empregadores, associado aos baixos salários e ao elevado desemprego, agravam a sustentabilidade da Segurança Social, considerando igualmente que o governo favorece as empresas em detrimento dos cidadãos, e tem intenção de fazer fazer a privatização da Segurança Social.

8 de abril de 2015

APRe! estranha elogios do Comité de Política Social da UE às políticas na saúde e nas reformas

A presidente da Associação de Pensionistas e Reformados (APRE!) estranhou o elogio do Comité de Política Social da União Europeia às mudanças feitas em Portugal na saúde e nas pensões, colocando em causa os dados apresentados.


O Comité de Política Social da União Europeia enalteceu as mudanças feitas em Portugal na saúde e nas pensões de reforma, apesar de contrapor a necessidade de uma adequada cobertura da assistência social.

Em declarações à agência Lusa, Maria do Rosário Gama considerou que os dados avançados deixam algumas dúvidas sobre a veracidade do relatório, apesar de reconhecer, que no caso da saúde, houve realmente poupança nos últimos tempos.

“Há, e houve, poupança, mas à custa da saúde dos portugueses. Toda a gente fala na degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), no atendimento. Quem tem ADSE recorre às clínicas privadas, em vez de ir aos hospitais públicos, pois pagam menos. São situações que deixam algumas dúvidas quanto à veracidade com que o relatório foi feito”, sublinhou a responsável.

A análise da aplicação das recomendações específicas do Conselho Europeu de 2014, no âmbito dos Programas Nacionais de Reforma, foi disponibilizada na noite de terça-feira pela Direção-Geral de Saúde (DGS), na internet.

No entendimento dos analistas da situação portuguesa — Dinamarca e Comissão Europeia –, as “mudanças no setor hospitalar” e a “otimização de custos” permitiram poupanças.

Maria do Rosário Gama alertou para o facto de “todos os dias saírem notícias preocupantes” sobre o sector da saúde, lembrando que este ano foi aquele em que “morreram mais idosos nas urgências”.

No caso das reformas, a responsável da APRE, baseando-se em dados da Pordata, lembrou que o valor das pensões em Portugal é dos mais baixos da Europa, com cerca de 60% dos pensionistas idosos portugueses com reformas abaixo dos 500 euros.

“O panorama das pensões em Portugal é de miséria e de desgraça, porque a maior parte dos pensionistas tem pensões muito baixas. Não faço ideia em que dados é que se basearam para falar disso”, desabafou.

Segundo Maria Rosário Gama, dados do ano passado revelam que, em Portugal, 25% dos pensionistas, cerca de 600 mil pessoas, recebem pensões até 250 euros, e as pensões entre os 250 e os 500 euros correspondem a 42% cerca, cerca de um milhão de pessoas.

“Não se entende muito bem como se diz que a reforma das pensões foi um sucesso”, declarou.

As principais medidas apontadas neste trabalho foram progressos na reforma hospitalar, racionalização de custos operacionais, centralização de aquisições, a publicação de Normas de Orientação Clínica que incluem análise de custos, a aplicação de um sistema de avaliação de tecnologias da saúde, o combate à fraude, o aumento de adesão dos médicos e doentes aos medicamentos genéricos, com a DGS a especificar o acordo celebrado entre o Ministério da Saúde e a indústria farmacêutica para baixar o custo dos medicamentos.

Notícia Agência Lusa 08.04.2015

4 de março de 2015

Entrevista a Rosário Gama no programa Página 2

A Presidente da APRe! Rosário Gama, esteve na RTP2 no programa Página 2, para uma entrevista conduzida pelo jornalista João Fernando Ramos, em que falou sobre os problemas dos pensionistas, reformados e sobre a actualidade.

2 de fevereiro de 2015

A Presidente da APRe na Academia Sénior da Covilhã



Na próxima sexta-feira dia 6 de Fevereiro, pelas 21h00, a Presidente da APRe! D.ra Maria do Rosário Gama, estará na Academia Sénior da Covilhã,  onde será a palestrante da tertúlia mensal:

Venha Tomar Café Connosco. 

A tertúlia na Academia é pública e todos serão bem-vindos, a um serão seguramente esclarecedor e mobilizador. 

A Academia fica na Rua do Centro de Artes - Cave do Edificio Atlântico 

Tem uma placa por cima da porta e a rua é pequena - depois da Rotunda da ANIL, é a primeira rua à direita, para quem desce a Av. da Anil em direcção ao Intermarché.

Contamos convosco

15 de janeiro de 2015

Declarações de Rosário Gama na RTP1 sobre as reformas antecipadas

A presidente da APRe! Rosário Gama, esteve hoje na RTP Informação, em directo, às 11H00 para falar sobre as reformas antecipadas, da qual passaram alguns excertos das declarações no Jornal da Tarde da RTP1.


9 de dezembro de 2014

A APRe! em Bruxelas, crónica do primeiro dia


Crónica de Bruxelas
08.12.2014

Estivemos na conferência "Active Senior Citizens for UE", onde fizemos a primeira intervenção perante seniores da Eslováquia, Irlanda, Eslovénia, Bulgária, Bélgica e Itália. Estavam poucos eurodeputados, mas o presidente da conferência é um eurodeputado do PPE. Apresentámos todos os dados que temos sobre cortes nas pensões e reformas, falámos sobre os Direitos Sociais dos Idosos e a dificuldade na sua consecução, falámos da necessidade da Carta Europeia para os Seniores, que funcionasse como recomendação para os diferentes países tratarem com dignidade os seus idosos. 

Afirmamos com veemência que não estávamos disponíveis para ser os empregados dos seniores europeus que se deslocam para os resorts do nosso país para jogar golf e usufruir o sol e a gastronomia. Ouvimos queixas, a mais impressionante foi feita por um belga que, segundo o conceituado economista do seu país, se houvesse que optar entre uns óculos para uma criança e uma cirurgia a um sénior, teria que se optar pela primeira opção! Colocar a questão da alternativa já é ultrajante!!! O conferencista irlandês ficou chocado com o valor das pensões em Portugal, quando se apercebeu que 65% dos reformados têm pensões abaixo de 500€. Amanhã temos a audição com os eurodeputados portugueses e outros que queiram estar presentes e com jornalistas. A luta continua...

Enquanto durava a conferência em que participámos, os Ministros das Finanças da UE estavam reunidos no mesmo edifício a discutir o déficit de Portugal: 3,3 dizem uns, 2,7 diz a Ministra Albuquerque. É preciso mais medidas de austeridade, dizem eles, agora ainda não, diz ela! E se não se cumprir o déficit que eles querem, alguém morre? É que se optarem por mais austeridade, morrem muitos! Segundo o jornal I, aumentou significativamente a morte nos idosos devido a quedas e devido à desnutrição. Aumenta a austeridade, aumentam os cortes nas pensões, aumenta o preço dos produtos e consequentemente a dificuldade em fazer as refeições para manter um bom estado nutricional.

Presidente da Direcção da APRe!
Maria do Rosário Gama

2 de dezembro de 2014

Comunicado da Presidente da APRe! Rosário Gama


Como é do conhecimento público, aceitei pertencer à Comissão Politica Nacional do Partido Socialista que foi eleita no passado dia 30 de Novembro. Como Presidente da APRe! entendo ter o dever de prestar aos respectivos Associados, um esclarecimento relativo a esta minha decisão estritamente pessoal e que teve em conta os diferentes aspectos que lhe estão associados.

Nunca omiti ser militante do Partido Socialista (desde 1989). Nesta condição considerei que a minha participação no referido órgão de aconselhamento na definição de estratégias políticas constituiria uma oportunidade, significativa, de dar voz activa aos aposentados, pensionistas e reformados que têm sido alvo de injustiças continuadas nos últimos anos. 

Considero que se trata de uma participação de carácter cívico, em situação excepcional, que não colide com as minhas funções de Presidente da APRe!. Com efeito, a participação neste órgão não é, nem será, incondicional. Esta participação justifica-se, no meu entender, pela oportunidade e capacidade de potenciar a defesa de legítimos interesses e direitos dos cidadãos, em particular dos aposentados, pensionistas, reformados e idosos em geral, num período crucial da vida nacional. Um período onde serão feitas opções políticas que podem condicionar as nossas vidas e o nosso futuro. 

Na referida Comissão não pactuarei com decisões que considere sejam lesivas das causas que temos defendido. Não deixarei, no cargo de Presidente da APRe!, de manter uma conduta estritamente apartidária na condução dos destinos da nossa Associação e na defesa intransigente de políticas que garantam uma melhor qualidade de vida aos cidadãos e cidadãs seniores.

Nesta conformidade, não participartei em campanhas eleitorais de índole partidária.

Compreendo muito bem as eventuais dúvidas que esta decisão possa ter colocado a alguns e algumas Associados(as) mas espero que a vossa confiança na acção que desenvolvo como Presidente da APRe! prevaleça sobre as referidas dúvidas.

Com efeito, estou sinceramente convicta que a minha participação no órgão em causa vai constituir um factor positivo no sentido de uma maior eficácia na defesa de propostas no quadro de uma cidadania activa e da defesa dos direitos dos aposentados, pensionistas e reformados.

Informo que, em tempo oportuno, dei conta desta minha posição à Direcção da APRe!

A Presidente da Direcção da APRe!

Maria do Rosário Gama

5 de novembro de 2014

III Conferências Políticas


A Presidente da APRe! Rosário Gama, vai estar presente nas III Conferências Políticas: O Povo e a Dor- Centenário da I Guerra Mundial, na sessão Economia e Conflito, que se vai realizar pelas 16h do dia 15 de Novembro, na Casa Municipal da Cultura em Coimbra.


16 de outubro de 2014

Rosário Gama na RTP Informação, para uma primeira análise ao OE2015







A Presidente da APRe!, Rosário Gama, respondendo ao convite da RTP Informação para efectuar uma análise à proposta de Orçamento do Estado para 2015 apresentada pelo Governo, numa primeira análise ao orçamento, realça como pontos mais gravosos para a população portuguesa no OE2015, os seguintes aspectos:
  • CES- 500 mil reformados vêm reposto o valor da CES, não por vontade do Governo mas por imposição do Tribunal Constitucional. Os reformados não são aumentados, apenas lhes é reposta a pensão com o valor que lhes é devido, apesar de ainda haver reformados a quem continua a ser aplicada a CES. Para estes, com pensões acima de 4611 Euros, o Governo promete a redução dessa taxa para metade em 2016 e a sua eliminação em 2017. Esta promessa não tem qualquer suporte jurídico, não se trata pois, se não de mais uma promessa que não se sabe se o próximo governo está ou não disponível para cumprir.
  • Destruição do Estado Social:
    • Menos 200 milhões para pensões e apoios sociais – Plafonamento das prestações sociais (CSI, RSI, Subsídio Social de Desemprego, Abono de Família – 1%)
    • Os Complementos Solidários para Idosos reduzem 6,7% (menos 14,3 milhões de Euros)
    • As pensões mínimas de invalidez e velhice sobem 2,59 Euros/mês e passam para 262.14, valor muito abaixo do salário mínimo nacional.
    • Complementos de Pensões de reformados que descontaram para os ter e que foram incentivados pelas empresas (Metro, Carris...) para se reformarem continuam cortados.
  • IRS e IRC
    • Não há desagravamento fiscal para as famílias mas sim para as empresas que vêm desagravado o IRC em 2% (de 23% para 21%, claramente uma opção ideológica, penalizado o factor trabalho a favor do capital, provocando uma desigual repartição de sacrifícios entre o trabalho e o capital. Ontem o Diário Económico  noticiou, que em 2014, Portugal viu crescer em 10777 milionários (com fortunas superiores a 1 milhão de dólares -790 mil Euros) e já em 2013, haviam surgido 10.395 novos milionários no país.
    • Sobretaxa IRS– não reduz a não ser que o valor do IVA e IIRS arrecadado em 2015 seja superior ao arrecadado em 2014 e nesse caso, lá para 2016 é devolvida a sobretaxa...mas para que isso acontecesse o IVA e o IRS têm que crescer 6,4% (!!!)
    • Coeficiente familiar – famílias com idosos a cargo podem aumentar o quociente familiar do seu IRS em 0,3% por cada idoso, mas com restrições relativamente ao valor das pensões, ou seja a pensões mínimas. E os idosos com filhos e netos a cargo, não são contemplados?
  • OUTROS IMPOSTOS
    • IMI – acaba a cláusula de salvaguarda e por isso vai subir para as famílias com casa própria excepto para as que têm rendimentos inferiores a 11564 Euros e casas de valor patrimonial inferiores a 50 280 Euros
    • Taxa da electricidade vai subir, com todas as consequências para as famílias.
    • Fiscalidade verde – aumento dos combustíveis com todos os aumentos que surgirão, em cadeia.
Conclusão:

Os impostos vão aumentar contrariamente ao que diz o Governo. Os reformados, na sua maioria, têm agravamento das condições de vida. A CES era um valor devido aos reformados que, verão essa diferença absorvida pelo contínuo aumento da carga fiscal e do agravamento do custo de vida.

4 de setembro de 2014

A Presidente da APRe! na SIC Noticias, para análise da imprensa diária de 3 de Setembro


O convite à Presidente da APRe!, Maria do Rosário Gama, para estar presente na SIC Notícias a comentar a imprensa diária, é o reconhecimento do importante papel que a nossa associação APRe!, tem na sociedade, como representante dos pensionistas e reformados. 

Felizmente nas notícias dos jornais de 3 de Setembro, há poucas noticias sobre os pensionistas e reformados, o que é sinal de que para já não estão previstos mais cortes. Deixem aparecer o OE2015 que não perdemos pela demora. O tema pensionistas e reformados, só foi abordado pela notícia do Diário Económico sobre a Moody's que considera a meta do défice de 2015 «é "desafiadora", devido ao chumbo do Tribunal Constitucional (TC) à Contribuição de Sustentabilidade sobre as pensões (CES) prevista para o próximo ano.». Esta "notícia", parece uma notícia claramente plantada no jornal, porque a CES é a Contribuição Extraordinária de Solidariedade e essa infelizmente até foi alargada para os 1.000€ em 2014 e aprovada a sua aplicação no ano de 2014 pelo TC, por 7 votos a favor e 6 contra. 

A CES em comum com a Contribuição de Sustentabilidade, só tem facto de ser mais um imposto encapotado aplicado sobre um dos grupos predilectos do governo para aplicar as medidas mais gravosas de austeridade, que são os pensionistas e reformados, tendo ainda a Contribuição de Sustentabilidade que foi chumbada pelo TC, a novidade de passar a definitivo um imposto tido por extraordinário que é a CES, que todos os pensionistas e reformados esperam que em 2015 seja banido.


21 de novembro de 2013

Rosário na Antena 1


Entrevista a Maria do Rosário Gama

A presidente da Associação dos Pensionistas e Reformados (APRe!), Maria do Rosário Gama, afirma que mantém a esperança de que o Presidente da República peça a fiscalização preventiva da legislação que leva a um corte das pensões, até porque ficou convencida de que Cavaco Silva tinha uma sensibilidade grande para o assunto no encontro que teve com o Chefe de Estado no mês passado.


9 de julho de 2013

Rosário Gama


A Presidente da APRe!, Rosário Gama, está hoje presente no programa da TVI,  "A Tarde é Sua", a convite de Fátima Lopes,  a partir das 16 horas.


À noite, a partir das 22h30, Rosário Gama vai estar no programa "Política Mesmo", na TVI 24, a convite de Paulo Magalhães. 

28 de junho de 2013

Boston - EUA


The Christian Science MONITOR 
publica hoje o trabalho de reportagem feito em Portugal pelo seu correspondente Andrés Sala, que inclui a entrevista feita a Maria do Rosário Gama.

VER AQUI A PUBLICAÇÃO


20 de junho de 2013

C. S. Monitor - Boston EUA


O jornalista Colombiano Andrés Cala, sediado em Madrid e correspondente para a Península Ibérica do jornal americano C. S. Monitor, de Boston, deslocou-se hoje a Coimbra para entrevistar Maria do Rosário Gama, Presidente da APRe!.
A curiosidade que a APRe! tem despertado por todo o Mundo, como fenómeno único de rápida expansão e ponto de confluência de uma enorme diversidade de experiências, pensamentos e vontades que lutam por um objectivo comum, leva a que a imprensa internacional se interesse pela vida da nossa Associação e lhe dedique uma particular atenção.  

2 de junho de 2013

Rosário Gama


"Libertar Portugal da Austeridade"
Discurso proferido por Maria do Rosário Gama  

Começo por agradecer o convite para estar presente nesta sessão.
Estou aqui em nome individual mas muitas pessoas que tiveram conhecimento que eu ia participar nesta sessão, disseram que falasse em nome delas. 
Vim de Coimbra aonde regressarei no final da sessão, mas vim para poder dizer com toda a convicção: BASTA! Estamos fartos! Não aguentamos! 
Não aguentamos ver o desemprego a aumentar de uma forma descontrolada e a tristeza espelhada nos rostos dos jovens e menos jovens que querem trabalhar e não têm emprego! 
- Não aguentamos ver a Escola Pública a regredir na sua qualidade, com o despedimento de milhares de professores, com o corte nos seus salários, com o aumento do número de horas semanais (como se o horário do professor fosse só o que é cumprido na sala de aula ou na escola), com o aumento do número de alunos por turma, com a criação de giga-agrupamentos, com a diminuição da atenção aos alunos com mais dificuldades, com a redução no número de auxiliares de educação, com o espectro da mobilidade em geral, que rapidamente conduz ao desemprego… 
- Não suportamos assistir à agonia do Sistema Nacional de Saúde, uma das maiores conquistas de Abril, cada vez com menos capacidade de resposta para os seus utentes; com o aumento das taxas moderadoras, com a diminuição drástica de recursos humanos e materiais nos hospitais, nos cuidados continuados… Vemos surgir as clínicas privadas como cogumelos… 
- Não suportamos uma justiça ineficaz e desrespeitada; 
- Não suportamos os aumentos brutais de rendas e do IMI que afectam a todos e com grande intensidade, idosos e reformados. 
- Não suportamos nem comentários, nem comentadores, não isentos partidariamente, a entrarem diariamente nas nossas casas e a tentar justificar o injustificável… 
- Não suportamos “manchetes” de jornais e jornalistas a dizer que não há dinheiro para pagar pensões: uma mentira à custa de ser repetida tem tendência a ser adquirida como verdade… 
- Não suportamos que seja considerado normal a supressão dos direitos contratados e não só adquiridos que os cidadãos mais idosos adquiriram ao longo de toda uma vida de trabalho. 
Cada vez que há um programa de avaliação da troika, por detrás de elogios ao bom comportamento deste bom aluno que é o governo português, é pedida mais austeridade para os portugueses. E o governo aceita e presta-se subservientemente não só a cumprir os desejos da troika mas a ir para além desses desejos. O poder financeiro surge em toda a sua pujança, impondo as suas regras, os seus modelos, utilizando o seu sofisticado saber e a tendência vencedora é a de empobrecer as populações e concentrar o capital, permitido que este tome todas as decisões importantes que normalmente são desfavoráveis ao bem estar da sociedade e fazem regredir os valores civilizacionais conquistados ao longo de séculos. 
Que jeito que deu ao Governo o memorando da troika! Que forma hábil de cumprir desejos íntimos de implementar um programa neo-liberal que retirasse ao Estado a sua vertente mais humana e concedesse aos privados aquilo que há tanto eles ambicionavam: o domínio nos sectores mais rentáveis, substituindo-se ao Estado nas suas obrigações. 
Segundo Krugman: “Os políticos tomaram o caminho da austeridade porque quiseram, não porque o tivessem de fazer.
Para além da ofensiva do Governo contra os Funcionários Públicos, Nós, os reformados temos vindo a ser objecto de uma ofensiva mesquinha, discriminatória e portanto ilegal, com vista a reduzir drasticamente os nossos rendimentos e condições de vida. 
Somos considerados um fardo social para o Governo, somos os não utilitários, desprovidos de direitos e que não merecemos mais do que o mínimo necessário à sobrevivência. Porque é que um idoso reformado tem que comprar livros? Porque é que tem que ir ao cinema ou jantar fora de vez em quando? Porque é que um idoso há-de ir para a praia? E Viajar? Nem pensar! Se alguma vez teve essa possibilidade, agora remeta-se à sua condição de sobrevivente!!! 
Com o Título “O sonho de Passos Coelho”, Vítor Malheiros escrevia no Público: 
«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. … (…)Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos… A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto…” (fim de citação).
A verdade, é que o que está a acontecer na saúde, não é “o sonho do Passos Coelho” mas é a dolorosa realidade: Os não utilitários não têm que ter os mesmos cuidados que os utilitários… Taxas moderadoras altas? Não permitem o acesso a todos; as deslocações aos centros hospitalares passaram a ser inviáveis desde que foi cortado o transporte gratuito feito pelas ambulâncias, bombeiros, táxis… e as pessoas deixaram de se poder deslocar. Os medicamentos estão mais baratos mas para muitos a opção é entre o medicar-se ou comer? É optar entre o Entre o morto e o morrido!... 
Diz Fernando Dacosta: 
“Tijolo a tijolo o edifício da dignidade vai ruindo. Tudo aquilo que conseguimos juntar, casa, carro, poupanças, conforto está a ser penalizado, esbulhado” 
O esbulho aos pensionistas entre 2012 e 2013 é, segundo o Dr. Eugénio Rosa, 
O valor total (acumulado) estimado de cortes realizados nas pensões. em 2011 foi de 744, em 2012, 2119 milhões de Euros e previstos para 2013 os cortes atingem 1300 M.E – Total 4163 milhões de euros. 
Não aceitamos moralidades de conveniência que justifiquem pretender colocar rapidamente todos os reformados dos sistemas de protecção civil do Estado numa posição de subsistência sem direitos de liberdade económica, dependentes de uma ajuda mínima de sobrevivência. Trata-se de um projecto ideológico contrário a valores da Europa, contrário aos valores que reconhecíamos no passado aos dois partidos do governo, um projecto cruel. 
Em Espanha, mesmo com a situação económico-financeira há respeito pelos seniores nas propostas de reformas; 
A atitude deste governo é uma vergonha no seio da Europa civilizada, deveria ser o governo a defender os reformados, cidadãos ameaçados, e a denunciar esta discriminação como anti-civilizacional. Não deve existir um outro país da Europa que aceitasse fazer isto. 
Não aceitamos os Silva Lopes, Catrogas… que dizem que as reformas têm que ser cortadas…Nunca os ouvi dizer que podiam ser reduzidas outras despesas, como como se não existissem BPN's, Banif's, Zona Franca da Madeira; Offshores, fortunas acumuladas e escondidas na Suiça, no Luxemburgo.
A austeridade é cega, é irracional, é cobarde, destrói a coesão social, impede o crescimento. A austeridade só faz crescer a pobreza; a austeridade agudiza o conflito social. A austeridade põe em causa a solidariedade social, quebra o equilíbrio intergeracional. A austeridade acorda sentimentos mesquinhos, remete as pessoas para posições egoístas. Numa palavra, a austeridade é autista e transporta consigo uma filosofia anti-solidária que segrega os mais frágeis. 
O empobrecimento colectivo a que o povo português está sujeito não contribui para a diminuição da dívida pública; antes pelo contrário, em seis anos, a dívida pública quase duplicou: passou de 108 mil milhões de Euros em 2006 para 194 mil milhões em 2012; De 2007 a 2009 a dívida aumentou 22 milhões de euros por dia, mas de 2010 a 2012, já com a austeridade aumentou 56 milhões de euros por dia; 
A renegociação da dívida não é apenas um alongamento dos prazos de pagamento; como se refere num documento da iniciativa para uma auditoria cidadã à dívida Portugal precisa cortar na dívida e nos seus juros que valem quase tanto como o orçamento da saúde e mais do que o da educação. Esta é a única despesa que pode ser cortada sem provocar recessão e cujo corte permite relançar o investimento e criar emprego. 
A renegociação da divida deve anular parte do seu valor, baixar os juros e ajustar prazos de pagamentos às possibilidades reais da economia. 
Para terminar: 
O antropólogo inglês James George Frazer (1854-1941) indicou que, em algumas tribos africanas, existe o costume de sacrificar aos deuses os elementos mais fracos; há também comunidades em que os idosos são assassinados ou levados ao suicídio quando já não conseguem sustentar-se a si próprios. 
Um associado escrevia-me e dizia: 
As perspectivas presentes e futuras são dramáticas e questiono-me sobre o que fazer ? Matar ou suicidar-me ? roubar, deixar de assumir compromissos bancários e esperar pelas execuções e penhoras da pensão ? (criar outros problemas gerais, incluindo aos filhos, endividamento etc. ?...); deixar de pagar os compromissos e ter de recorrer à insolvência ? ; deixar de pagar a renda de casa e ir viver e dormir para o carro ? etc. … 
Mas é esta a austeridade que está avançar, é esta austeridade que agrada aos Srs. Mário Draghi e Wolfgang Schauble mas é também este tipo de austeridade de que nós nos queremos libertar.
Para além de desejarmos a mudança das pessoas que nos governam por não terem cumprido com as suas promessas e estarem a conduzir Portugal para o abismo, desejamos a mudança desta política cruel, desejamos uma representação verdadeira dos cidadãos, desejamos um governo humano, justo e rigoroso e transparente na defesa de Portugal e dos portugueses, de todos os portugueses sem discriminação. Vou voltar para Coimbra com esse pensamento, disposta a trabalhar por esse imperativo moral. 

12 de maio de 2013

Expresso Revista


A Revista do Semanário Expresso elegeu as 100 personalidades mais influentes na sociedade portuguesa, nos últimos 12 meses, considerando Rosário Gama uma daquelas que mais marcaram o rumo dos acontecimentos em Portugal.
Bem merece este destaque a Presidente da nossa Associação.
Fundadora do Movimento que deu origem à APRe! tem, a nossa Presidente, com a sua dedicada militância, agregado gente de todos os quadrantes ideológicos em luta pela defesa de uma causa comum.  
Parabéns!