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4 de junho de 2017

SiforAGE, um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população

SiforAGE – Uma abordagem para promover o envelhecimento saudável e ativo numa economia sustentável e em crescimento através da articulação de investigadores e utilizadores finais

Um Livro Branco com recomendações para os decisores



Este projeto, que envolveu mais de 2000 agentes-chave na Europa, e que contou com a participação da APRe!, é mais do que um projeto de investigação é um instrumento ao dispor dos políticos e decisores para lidar com o envelhecimento da população apresentadas no Livro Branco “Escolhas para uma Sociedade para todas as Idades”.

Neste relatório diz-se que uma boa governação e a elaboração de políticas relativas ao envelhecimento não beneficiam apenas as pessoas individualmente, mas, pelo contrário beneficiam toda a sociedade. A boa governação ajuda a garantir o respeito ético, indispensável à dignidade humana e contribui significativamente para o reforço da coesão social e promove a participação de todas pessoas, qualquer que seja o grupo etário, na vida política, social, económica, cultural e comunitária.

O conceito utilizado é a abordagem do percurso de vida enquadrado numa sociedade para todas as idades. Temos vindo a assistir a políticas para jovens e políticas para idosos. Ora este Livro Branco defende a reorganização da solidariedade social através de novas formas de relações e responsabilidades.

A Organização Mundial da Saúde ao defender o conceito de envelhecimento ativo como um processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança no sentido de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem, definiu desde logo uma abordagem abrangente do envelhecimento.

O tema da participação será realçado neste texto em detrimento dos outros, apesar de não terem menos importância.

A participação baseia-se no princípio de “nada sobre eles sem eles”.

“A participação é o processo através do qual os agentes públicos e não-públicos envolvem indivíduos interessados ou afetados, grupos e indivíduos ou organizações, em vários estágios da tomada ou decisão. A participação é sempre um processo bilateral com informação mútua e comunicação, com diálogo elaboração conjunta de políticas, estratégias e ações”.

Os governos centrais e locais devem promover a coesão social e a solidariedade, sensibilizando a população para o envelhecimento numa perspetiva de percurso de vida, numa abordagem à medida que envelhecemos. Esta perspetiva requer políticas inovadoras, não só numa ótica das tecnologias e dos serviços mas também filosófica e ética para a mudança nas relações sociais e nos processos, no financiamento dos cuidados e em fórmulas relevantes de solidariedade.

E dado que estamos em época de pré-campanha eleitoral para as eleições autárquicas recomenda-se aos candidatos aos municípios e juntas de freguesias a elaboração de programas de ação, que envolvam diversas vertentes do processo de envelhecimento e, tendo como parceiros, além dos órgãos de decisão, os centros de investigação as organizações de idosos. Estes planos devem incluir prioritariamente a saúde e a participação, dado que a segurança financeira tem outras implicações e pode ser tratada noutro contexto. Para esse efeito o financiamento da UE será bem vindo.

As ações de informação, avaliação das situações, envolvimento, formação, monitorização dos resultados devem ser abordadas e articuladas entre as juntas de Freguesia, os municípios e o governo central.

Uma das recomendações do Livro Branco diz respeito aos decisores de todos os níveis no sentido de integrarem sistematicamente o envelhecimento no seu trabalho programático, conceptual, político, estratégico, tratando este tema de forma transversal.

No novo enquadramento do reforço das competências das autarquias locais competir-lhes-á inovar nos processos, integrando a comunidade, designadamente os destinatários das políticas, observar fatos, interpretar os resultados na busca de soluções, decidir, monitorizar e avaliar.

Espera-se dos autarcas eleitos em Outubro de 2017 uma vontade política de tratar o envelhecimento como uma política integradora dos mais velhos, dando cumprimento ao artigo 25º[1] da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, que estabelece o direito aos idosos a viverem com dignidade e independência e participarem na vida social e cultural.

Maria das Dores Ribeiro
Associada APRe! nº 1173

29 de Maio de 2017

[1] http://age-platform.eu/images/stories/EN/AGE_Briefing_OlderPeople_Fundamental_Rights_Nov11.pdf

15 de maio de 2017

Gestão participada na ADSE

O recém-criado Instituto de Proteção e Assistência na Doença, IP, iniciou um procedimento de eleição direta de quatro dos seus beneficiários para o seu órgão de acompanhamento, controlo, consulta, o Conselho Geral e de Supervisão, procedimento este que se está a desenvolver em moldes que desvirtuam o espírito e a letra da lei que o estabeleceu. Basicamente, em lugar de candidaturas individuais dos beneficiários, este procedimento foi sendo alterado, apontando agora para a eleição de listas de quatro efetivos e quatro suplentes, duplicando o mecanismo de representação previsto na lei, de nomeação de três representantes indicados pelas organizações sindicais e dois pelas associações dos reformados e aposentados.

A questão é importante porque o instituto em causa, criado por transformação da antiga Direção-Geral da ADSE, é certamente uma das entidades de maior dimensão humana e impacte na economia da saúde: tinha em finais de 2015 cerca de 1 milhão e 250 mil beneficiários, entre servidores da Administração Pública central e regional e local, seus familiares e aposentados. Estes beneficiários pagaram naquele ano, através das suas quotizações, a quase totalidade da receita da ADSE, cerca de 601 milhões de euros, a qual, deduzida de encargos ligeiros de administração (8,1 milhões de euros) suportou 480,6 milhões de euros de encargos de saúde com os seus beneficiários, deixando assim um superavit muito considerável.

Embora a situação pareça confortável no plano económico e financeiro, estão identificados riscos significativos a prazo de 7/8 anos, determinados no essencial pela paragem na admissão automática de novos beneficiários, com o consequente envelhecimento dos atuais e crescimento das despesas de saúde num conjunto remanescente cada vez mais idoso. Riscos que já conduziram o atual presidente do Conselho Diretivo a produzir declarações sobre a necessidade de vir a aumentar as quotizações dos beneficiários - hoje iguais a 3,5% da remuneração bruta atingindo valores superiores aos prémios de muitos seguros de saúde - bem como sobre a criação de uma conta de capitação dos encargos por beneficiário, que evoluiria para a sua limitação.

Estas, a par de outras questões imediatas e/ou de curto prazo, apontam para a necessidade de valorizar o princípio da gestão participada estabelecido no corpo da lei que criou o instituto, através da participação dos beneficiários na sua governação, ao nível das decisões estratégicas e de controlo financeiro, participação essa que não deve ser distorcida através da duplicação da representação das entidades que o Governo nomeia para o dito Conselho Geral e de Supervisão.

A nosso ver, só a apresentação de candidaturas individuais de beneficiários em pleno gozo dos seus direitos, independentemente dos seus vínculos a associações sindicais ou de aposentados/reformados selecionados para a nomeação referida, poderá sanear a situação.

Porém, a não vingar esta perspetiva, é então absolutamente inaceitável que as listas a apresentar para sufrágio direto e universal dos beneficiários, com quatro efetivos e quatro suplentes, seja meramente identificada por uma letra atribuída por sorteio e como tal votada! Aliás, esta fórmula contrasta com a exigência, legítima, de que em relação a cada lista proposta conste:
  • A identificação completa dos membros das listas;
  • O curriculum e referências profissionais dos membros das listas;
  • O manifesto eleitoral da candidatura;
  • As declarações de interesses dos membros das listas.
Com efeito, a constituírem-se listas, é absolutamente imprescindível que, para além da divulgação dos elementos acima referidos no portal da ADSE, o boletim de votação inclua uma sigla, palavra de ordem e/ou logótipo, que facilite a identificação da lista pelos votantes. Doutro modo, estes serão confrontados com listas anódinas, apelando à desatenção e indiferença dos beneficiários.

Não se acreditando que seja essa a intenção do Governo, aqui deixamos expresso o nosso apelo, visando de uma razoável mobilização do voto entre os beneficiários da ADSE.

Rosário Gama e Crisóstomo Teixeira
Associados APRe!
JN opinião 15.05.2017

28 de abril de 2017

29 de Abril, Dia Europeu de Solidariedade entre Gerações

COMUNICADO À IMPRENSA da AGE Platform Europa
Bruxelas, 28 de abril de 2017

Acordo-Quadro dos Parceiros Sociais da UE e proposta da CE sobre o equilíbrio entre a vida profissional e a vida privada: novas medidas de apoio ao envelhecimento ativo e à solidariedade entre as gerações



Sendo o dia 29 de abril o Dia Europeu da Solidariedade entre as Gerações, a AGE Platform Europe acolhe favoravelmente tanto o acordo dos Parceiros Sociais Europeus sobre o envelhecimento ativo como a abordagem intergeracional adotada no mês passado e a proposta de diretiva para promover o equilíbrio entre a vida profissional e a familiar. O Pilar dos Direitos Sociais da UE foi lançado a 26 de abril pela Comissão Europeia. A AGE apela agora ao Parlamento Europeu e aos Estados-Membros da UE para que adotem rapidamente o Pilar da UE como um quadro que apoie uma maior solidariedade entre as gerações e que tenha um impacto positivo em milhões de cidadãos europeus.

"As questões coletivas intergeracionais exigem respostas coletivas intergeracionais", recordou Anne-Sophie Parent, Secretária-Geral da AGE, acrescentando que "a promoção da diversidade etária no local de trabalho é uma questão de coerência numa União Europeia que pede aos cidadãos que trabalhem mais".

Pequeno-almoço no PE e debate sobre envelhecimento ativo e solidariedade intergeracional no trabalho


Em 27 de abril, a AGE Platform Europe e o Intergrupo sobre o Envelhecimento e a Solidariedade Intergeracional do Parlamento Europeu, em conjunto com os grupos PPE e ALDE, organizaram um pequeno-almoço no Parlamento Europeu para assinalar o Dia Europeu da Solidariedade entre as Gerações.

O desenvolvimento de abordagens do ciclo de vida no local de trabalho que garantam ambientes de trabalho saudáveis ​​e fomentem a interação, a cooperação e a solidariedade entre as diferentes faixas etárias pode ajudar a manter os idosos no emprego por mais tempo e a transferir conhecimentos e experiências entre gerações.

No acordo-quadro sobre o envelhecimento ativo, os parceiros sociais europeus apresentam uma série de medidas que devem ser aplicadas para melhorar a "capacidade dos trabalhadores de todas as idades de permanecerem no mercado de trabalho, saudáveis ​​e ativos até à idade legal de reforma, e o fortalecimento de uma cultura de responsabilidade, compromisso, respeito e dignidade em todos os locais de trabalho onde todos os trabalhadores são valorizados como importantes, independentemente da idade." Estas propostas, que estão em consonância com as recomendações da AGE sobre o acesso ao emprego em destaque na nossa resposta ao lançamento do Pilar Europeu dos Direitos Sociais pela Comissão Europeia, são de extrema importância para construir ambientes de trabalho e emprego sustentável, contribuindo para a sustentabilidade dos sistemas de pensões como instituições de solidariedade entre gerações.

"Este acordo mostra a força dos parceiros sociais quando se reúnem e acordam uma agenda concreta", salientou o Sr. Heinz Becker , membro do Parlamento Europeu, apresentando o evento. "É muito importante atingir o princípio do envelhecimento saudável, que deve começar desde a mais tenra idade".

Assegurar o envelhecimento ativo e uma abordagem intergeracional exige um empenhamento comum por parte dos empregadores, dos trabalhadores e dos seus representantes, mas a União Europeia e as autoridades públicas nacionais têm também um papel a desempenhar no quadro de apoio necessário.

"Para algumas pessoas, a palavra «social» é uma palavra ruim", afirmou Ivo Vajgl , membro do Parlamento Europeu, "no entanto, este mundo tem de ser construído sobre a solidariedade e a responsabilidade social. Estou muito satisfeito com o facto de o Presidente da Comissão, Sr. Juncker, o ter sublinhado desde o início e apresentar as propostas abrangentes sobre o Pilar dos Direitos Sociais".

Pilar dos Direitos Sociais da UE: O equilíbrio entre vida profissional e vida privada e a importância do cuidado


Em toda a Europa, cerca de um em cada cinco trabalhadores mais velhos estão a cuidar, ao mesmo tempo, de um membro da família que necessita de cuidados e assistência. Ao mesmo tempo, muitos abandonaram o emprego porque não conseguiram conciliar o trabalho e os cuidados. Neste contexto, a introdução de uma licença de cuidador com remuneração, tal como proposto pela Comissão no Pilar Europeu dos Direitos Sociais, é uma proposta forte para reconhecer e apoiar os cuidadores informais no seu compromisso de solidariedade entre gerações dentro das famílias. O desenvolvimento de indicadores para a qualidade, acessibilidade e disponibilidade de cuidados de longa duração é um primeiro passo crucial para desenvolver mais tarde metas para serviços de cuidados de longa duração.

A proposta de permitir aos trabalhadores o direito a cinco dias remunerados de licença para cuidados é mais do que bem-vinda, uma vez que permitirá aos trabalhadores enfrentar situações de emergência quando um parente próximo de repente precisa de seu apoio e cuidados de longa duração. Mas cinco dias só serão suficientes se houver suficientes instalações de cuidados de longa duração disponíveis para responder a todas as necessidades de cuidados emergentes. É por isso que a proposta de disponibilizar fundos europeus para a criação de serviços de cuidados de longa duração é essencial para ajudar os Estados-Membros a lidarem com o envelhecimento demográfico da Europa. O investimento em cuidados de qualidade a longo prazo é essencial para apoiar o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e a igualdade de género.

22 de abril de 2017

Pior ou melhor velhice!

O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado


O Governo português refere na apresentação da discussão da proposta de Estratégia para o Envelhecimento Activo e Saudável, que Portugal é um dos países, do espaço europeu, onde o processo de envelhecimento demográfico tem sido mais rápido e mais acentuado. Em 2015, os/as portugueses/as com 65 ou mais anos residentes em Portugal eram já mais de 20% da população. Esta realidade em conjunto com a diminuição da natalidade sentida nos últimos anos reforçou a importância do envelhecimento tornando-o visível nas Grandes Opções do Plano.

A população activa da UE-27 tenderá a crescer cerca de 16% no grupo etário dos 55-64 anos entre 2010 e 2030, enquanto outros grupos etários apresentam uma tendência decrescente (por exemplo 5,5% o grupo de 40-54 anos ou 15% no grupo de 25-39 anos de idade).

As políticas e medidas a adoptar deverão ter em conta quem envelhece mas também as implicações sócio-económicas deste envelhecimento mais ou menos activo ou mais ou menos saudável. E sabemos que envelhecemos como vivemos. Com mais ou menos saúde e actividade decorrente dos nossos comportamentos e hábitos ao longo da nossa vida. Não menos importante é pensarmos nos cuidadores e de que forma poderemos criar condições para melhores cuidados, seja ao nível familiar sempre que possível, seja na comunidade e nas organizações que tantas vezes asseguram os últimos dias com algum conforto e apoio.

Considero que muito tem sido feito nos últimos 30 anos para fazer face a mutações muito rápidas na organização social, particularmente na célula familiar, permitindo criar respostas de apoio. Todavia, sabemos que são manifestamente insuficientes e necessitam por vezes de mais ou melhores recursos, das melhores práticas disponíveis e de acesso ao que de melhor se faz e sabe fazer, com fundamentação científica, relacionada com o envelhecimento.

A promoção de um estilo de vida activo, saudável, em que haja envolvimento social com a comunidade e que permita manter e melhorar a qualidade de vida e autonomia, intervindo nos problemas que a solidão, o isolamento, a demência e a depressão causam aos idosos, assim como desenhar e implementar de sistemas de gestão e monitorização da saúde que permitam promover competências, prevenir e tratar a dor e a doença, são medidas essenciais para a sustentabilidade da nossa sociedade neste período de maior invernia demográfica.

A custo-efectividade da intervenção psicológica junto do processo de envelhecimento, em adultos e idosos, no combate ao declínio físico e intelectual, à solidão, ao isolamento e à marginalização social, assim como na promoção da independência, autonomia, participação na vida social e adaptação a este processo devem merecer particular atenção dos decisores políticos.

Entre os vários profissionais que podem dar novas, eficientes e eficazes respostas e ter abordagens preventivas perante esta realidade, estão os/as psicólogos/as, entre os quais quase duas centenas já especialistas em psicogerontologia, número que a curto prazo deverá triplicar.


Escreveu Florbela Espanca...

"Pior Velhice

Sou velha e triste. Nunca o alvorecer
Dum riso são andou na minha boca!
Gritando que me acudam, em voz rouca,
Eu, náufraga da Vida, ando a morrer!

[...]

E dizem que sou nova ... A mocidade
Estará só, então, na nossa idade,
Ou está em nós e em nosso peito mora?!

Tenho a pior velhice, a que é mais triste,
Aquela onde nem sequer existe
Lembrança de ter sido nova ... outrora ... "

... ou melhor velhice!

Francisco Rodrigues
Bastonário da Ordem dos Psicólogos

20 de abril de 2017

Como foi a sessão pública de informação e debate promovida pelo Núcleo das Avenidas da APRe!

Decorreu na passada terça-feira dia 18 de Abril, o Encontro que o Núcleo APRe! das Avenidas em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, levou a efeito no Auditório da Junta de Freguesia.


Tal como previsto, a sessão contou com três apresentações e um momento cultural. A sessão foi moderada por Anabela Paixão, dinamizadora do Núcleo APRe! das Avenidas.

A sessão foi aberta pelo Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, André Caldas que teve palavras muito elogiosas e estimulantes para a APRe!.




De seguida o associado APRe! José Bom, fez uma apresentação sobre a APRe!, na qual foram focadas qual a sua missão, o Caderno Reivindicativo APRe! aprovado em AG, a participação da APRe! em organizações internacionais, designadamente na AGE- Platform Europe, o aspecto lúdico desenvolvido na Associação através de grupos corais e as principais realizações levadas a efeito pela APRe!.















Seguiu-se a apresentação do Dr. José Manuel Boavida sobre a Diabetes, doença invísivel, silenciosa e silenciada, considerada a epidemia do Século XXI. A quem o pretendeu, após a reuinão foi possível efectuar o controlo da glicémia e da tensão arterial.




















Após o intervalo, o projecto “Apoio ao Cuidador” foi apresentado pelo Dr Jorge Mourão do pelouro de Direitos Sociais da CML, e por Viriato Moreira, professor aposentado da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa.












No final da sessão, tivemos um momento cultural com o Grupo Coral e Grupo de Cavaquinhos dos Briosos de Alvalade.
















Estiveram igualmente presentes na sessão, o Vice-Presidente da APRe! Fernando Martins e o Delegado da APRe! na Grande Lisboa Vitor Ferreira da Silva.

Por forma a termos uma Associação mais forte e representativa dos aposentados, pensionistas e reformados Portugueses, no final da sessão inscreveram-se cinco novos associados da APRe!.

19 de abril de 2017

Caixões para bebés

A cena tem uns anos, mas permanece atual: uma jovem mãe leva a filha, de meses, ao consultório do dr. House, personagem televisiva interpretada por Hugh Laurie. A preocupação maternal com o estado de saúde do rebento não comove o pragmatismo arrogante do médico mais famoso do Mundo. "A menina não foi vacinada", atira ele. Ao que responde a mãe: "Não vamos vaciná-la". Porque, explica, os nutrientes existentes no leite materno bastam. Torna o dr. House: "Acha que as vacinas não funcionam?" De novo a mãe: "Acho que uma multinacional farmacêutica quer que eu pense que funcionam".


House pega no sapo verde e fofinho que a bebé levava na mão (todo à base de produtos naturais) e interage com a petiz, dirigindo-se à educadora: "Sabe que outro negócio [para crianças] funciona bem? O dos pequenos caixões para bebés. Pode comprá-los em verde, como o sapo, ou em vermelho-vivo". A jovem libertária (no sentido irresponsável do qualificativo) exibe um olhar chocado e pergunta, num apelo quase misericordioso: "Diga-me o que tem a minha filha". E o dr. House diz-lhe: "Uma constipação".

Quando um pai decide não vacinar um filho contra uma doença altamente contagiosa, como o sarampo, deve ter, em primeiro lugar, a noção de que está a colocar em risco a vida da criança. E, depois, que está a arrastar para um campo minado uma comunidade inteira. A vacinação é um mecanismo de defesa pessoal, mas é-o também, e sobretudo, de defesa da vida em sociedade. Em Portugal, felizmente, apenas uma pequena minoria está convencida de que o Plano Nacional de Vacinação (universal e gratuito) é uma maçada burocrática ou uma intrusão do Estado na vida familiar. E, entre a comunidade médica pediátrica, não há praticamente ninguém que defenda a arbitrariedade paternal na toma da profilaxia.

Mas agora que somos confrontados com um surto que, só nos primeiros quatro meses do ano, fez mais vítimas do que na última década, é desejável que nos foquemos no essencial: quem expõe os filhos a este risco desnecessário - seja por desleixo, desinformação ou vontade - está a cometer um ato que, além de moralmente condenável, pode revelar-se criminoso, como tão apropriadamente lembrou o pediatra Mário Cordeiro. Porém, tornar a vacinação obrigatória por lei - castigando os adultos faltosos - podia excluir ainda mais os pobres e os socialmente desfavorecidos. Para além de que, juridicamente, se tratar de um debate de grande complexidade, por estarem em causa liberdades individuais. Mais do que uma exigência do Estado, a vacinação tem de ser assumida como um compromisso cívico coletivo.

Os caixões para bebés do dr. House talvez resultem numa projeção gráfica demasiado violenta. Mas mesmo num país como Portugal, que tem uma das melhores taxas de vacinação do Mundo (e convém não esquecer o quão desenvolvido é o sistema de alertas aos pais promovido pelos centros de saúde), nunca é demais voltar ao óbvio para não esquecer o óbvio: as vacinas salvam vidas. E isso não é uma teoria da conspiração criada para tornar mais ricas as farmacêuticas. É um facto que não merece discussão.

Pedro Ivo Carvalho

Ler faz bem à cabeça

Em alguns países, médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias.


Nem só na farmácia se aviam receitas médicas. A biblioterapia – o recurso a leituras selecionadas como auxiliar terapêutico – está a dar cartas em alguns países onde médicos de família, psicólogos e psiquiatras já prescrevem livros para ajudar a combater insónias, ansiedade, depressão ligeira ou fobias. E os pacientes vão aviar a receita à biblioteca mais próxima.

Qualquer leitor entusiasta sabe quanta felicidade pode encontrar num livro. Cada obra pode ser um portal para outras paragens, sem ter de sair da própria sala. Um livro, além de mudar convicções e alargar horizontes, pode mudar o estado de espírito, pelo que é provável que não fiquem espantados com as funções terapêuticas que, cada vez mais, estão a ser atribuídas à leitura.

O conceito não é exatamente novo. Reza a história que no pórtico de entrada da biblioteca de Tebas, cidade-Estado grega, no atual Egito, pelo ano de 1000 a.C, se lia a seguinte frase: «Medicina para o espírito.»

A leitura sempre foi usada como distração e divertimento, mas só em 1949 o conceito de biblioterapia começou a tomar forma tal como é entendido hoje, com a tese da professora e bibliotecária Caroline Shrodes, Bibliotherapy: a theoretical and clinical-experimental study, com a qual obteve o doutoramento em Filosofia e Educação pela Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.

Shrodes defendia então que a literatura tinha a capacidade de desencadear uma resposta afetiva que podia ser canalizada para o crescimento psicológico, social e emocional do leitor, sendo isso conseguido, por exemplo, através da identificação com as personagens dos livros e as situações por elas vividas.

Desde então, multiplicaram-se os estudos sobre esta nova ferramenta e, em 2003, depois de um longo caminho de investigação, o psicólogo inglês Neil Frude acabou por concluir que a leitura tem potencial para se assumir como substituto ou adjuvante dos antidepressivos. Criou, em colaboração com outros profissionais de saúde, uma lista de títulos de autoajuda baseados na terapia cognitivo-comportamental que pudesse abranger várias patologias de saúde mental comuns e, juntamente com médicos de família, psicólogos e bibliotecas, implementou o conceito da prescrição de livros em Cardiff (País de Gales).

Dez anos depois, em 2013, o projeto estendeu-se a todo o país. Criou-se uma organização para o gerir, a Reading Well, que, juntamente com a Arts Council, a rede de bibliotecas públicas do país, e tendo como parceiras várias associações médicas britânicas, acabou por colocar de pé um programa de prescrição de leitura de livros com uma função terapêutica, o Books on Prescription.

A metodologia é simples: há uma lista de livros e os médicos de família, psicólogos ou psiquiatras prescrevem a cada paciente aquele ou aqueles que se lhes adaptam ao problema que enfrenta. Pode aplicar-se a situações tão diversas como depressão, dor crónica, ansiedade, fobias ou bulimia.

O programa usa sobretudo livros temáticos e educativos, escritos por especialistas para leigos, sobre as condições que enfrentam os pacientes – os chamados livros de autoajuda – sendo quase todos baseados na terapia cognitivo-comportamental.

REMÉDIOS LITERÁRIOS: O LIVRO DE PRESCRIÇÕES

Nem só de livros de autoajuda vive a biblioterapia. As duas biblioterapeutas mais famosas do mundo – tanto quanto podem ser famosas as biblioterapeutas – são Ella Berthoud e Susan Elderkin, autoras do livro Remédios Literários (The Novel Cure: An A-Z of Literary Remedies, no original) e estas só recomendam ficção.

As ex-colegas de faculdade que passavam o tempo a recomendar livros uma à outra cruzaram-se com o filósofo Alain de Botton em 2007, quando este estava a criar em Londres a The School of Life – uma escola que ensina filosofia prática, para ser aplicada no dia-a-dia e que pretende substituir o vazio criado pela não existência de Deus com cultura, literatura, filosofia, arte e psicologia.

Desde aí, têm tido filas de gente à porta do seu gabinete e têm formado biblioterapeutas por todo o mundo. Em 2013, lançaram o Remédios Literários, um livro ao estilo dicionário com recomendações de leitura que vão desde o A de «Abandono» ao Z de «Zangar-se com o melhor amigo».

O livro tem uma particularidade: parte do conteúdo é adaptado à edição de cada país, para responder a realidades culturais diferentes e incluir mais autores nacionais. Da lista de recomendações fazem parte alguns autores portugueses, entre eles Fernando Pessoa, com o Livro do Desassossego para a insónia (que as autoras defende que nos vai deixar num estado pré-sono devido à falta de enredo) e A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, para situações de dependência ou utilização excessiva de internet.

Sofia Teixeira

17 de abril de 2017

Quer candidatar-se às eleições da ADSE? Junte uma lista e cem assinaturas

A ADSE vai eleger quatro representantes dos beneficiários para o novo Conselho Geral e de Supervisão, num processo onde os 836 mil titulares podem votar. E concorrer, se reunirem determinadas condições. Saiba quais.


A ADSE está a organizar as eleições para os quatro representantes dos beneficiários que terão assento no Conselho de Supervisão do novo instituto público. A escolha será realizada por voto electrónico, por correspondência e, presencialmente, em algumas cidades do país.

O projecto final de regulamento eleitoral, a que o Negócios teve acesso, prevê que os cerca de 836 mil beneficiários titulares possam votar mas também se possam candidatar, desde que reúnam algumas condições.

Quando vão ser as eleições?

Os prazos fixados nos sucessivos projectos de portaria são cada vez mais curtos. Está agora previsto que a Comissão Eleitoral marque a data com uma antecedência mínima de 50 dias, quando inicialmente se previam 90 dias. Isso só poderá acontecer depois de a portaria que está em fase final de negociações ser publicada.

O que faz o representante dos beneficiários?

Os quatro representantes dos beneficiários farão parte do Conselho Geral e de Supervisão, juntamente com três representantes dos sindicatos e dois dos reformados, entre outros membros. Têm funções de fiscalização e essencialmente consultivas em relação às principais actividades e documentos da ADSE. É este órgão que elege um dos dois vogais do novo instituto público.

Quem pode concorrer?

Desde logo, é necessário que os beneficiários constituam uma lista com quatro membros efectivos (que sejam beneficiários titulares) e até quatro membros suplentes, com inscrição válida e descontos em dia, cuja inscrição nunca tenha sido suspensa como medida sancionatória. O processo deverá ser subscrito, no mínimo, por 100 beneficiários titulares e inscritos na ADSE, que têm de assinar a lista com o seu nome completo e número de beneficiário.

Além disso, o novo documento reforça as exigências de transparência sobre os candidatos. Face às versões anteriores, acrescenta que além de conter a identificação dos membros das listas, o currículo e o manifesto eleitoral, o processo de candidatura deve conter a "declaração de interesses dos membros das listas, onde conste nomeadamente os cargos, funções, e actividades públicas e privadas a exercer cumulativamente com o mandato e os apoios ou outros benefícios recebidos".

Candidaturas eram individuais

Inicialmente, estava previsto que pudessem ser apresentadas candidaturas individuais (sem necessidade de lista). A alteração para um processo de listas foi criticada por algumas das associações interessadas, como a APRe! ou a Associação 31 de Maio, que entendem que desta forma se restringem as possibilidades de candidaturas independentes, e defendida por alguns sindicatos, como a Fesap, que consideram que desta forma se dá consistência às candidaturas, tal como o Negócios noticiou na semana passada. Algumas destas estruturas, que poderão ter outros lugares no Conselho, admitem constituir ou apoiar candidatos.

Qual será o método?

Ao contrário do que estava previsto nas versões anteriores, a ADSE prevê um sistema de lista mas por método de Hondt. Significa isto que no grupo de quatro membros efectivos que forem escolhidos através das eleições poderão estar candidatos de diferentes listas, já que o método é proporcional.

Como vão ser divulgadas as eleições?

Já estava previsto que a data, as listas, os manifestos, os locais e formas de voto fossem divulgadas no portal da ADSE, em dois jornais diários e por correio electrónico. Agora, fica decidido que a informação também pode ser dada por SMS quando os beneficiários tenham disponibilizado o número de telemóvel e por carta para os beneficiários não abrangidos pelas anteriores formas de comunicação.

Protecção de dados é outra das preocupações

A gestão dos dados dos beneficiários titulares, que serão incluídos nos cadernos eleitorais, é outra das preocupações levantadas neste processo inédito. O projecto de portaria prevê que os cadernos eleitorais - que contêm os nomes completos dos beneficiários com direito a voto e o respectivo número de beneficiário – e que os membros das listas os possam consultar em qualquer altura. Os sindicatos temem que, sem protecção adequada, a lista de beneficiários possa ser usada para fins indevidos ou comerciais. Na semana passada a Fesap pediu que o processo fosse sujeito a um parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.

Como e onde se vota?

Está previsto o voto electrónico, por correspondência e em urna. Só votam os candidatos beneficiários (e não os familiares). O voto electrónico é feito pela internet a todos os que que tenham feito o registo prévio "preferencialmente" até 48 horas antes da eleição. No caso do voto por correspondência, o boletim poderá ser impresso do portal da ADSE ou, "face a expressa solicitação do beneficiário com antecedência de doze dias", remetido por correio pela ADSE, que tem dois dias para o enviar. As urnas para voto presencial só estarão disponíveis em algumas cidades: Porto, Coimbra, Lisboa, Évora, Faro "e ainda nos locais a designar nas regiões autónomas".

Sindicatos e associações queriam mais urnas presenciais

O reduzido número de locais para a votação presencial foi outra das críticas apontadas por sindicatos e associações de reformados. Nesta versão final está previsto que as votações se realizem em cinco cidades do continente "e ainda nos locais a designar nas regiões autónomas".Os críticos argumentam que a opção por um processo electrónico poderá não ser a mais adequada para uma parte dos beneficiários titulares, dos quais 328 mil são aposentados. Ainda assim, a ADSE reforçou as garantias de divulgação por correio e de voto por correspondência, definindo os prazos para pedido e envio do boletim de voto.

Quem organiza?

O processo é organizado pela ADSE e supervisionado por uma Comissão Eleitoral, que além de fiscalizar o processo resolve dúvidas, decide reclamações e apura os resultados. A comissão é composta pelos membros do conselho directivo, três membros dos sindicatos e dois das associações de reformados. As deliberações são tomadas por maioria mas comissão é presidida pelo Presidente da ADSE, que em caso de empate tem voto de qualidade.

Catarina Almeida Pereira

13 de abril de 2017

As mudanças na ADSE que estão em cima da mesa

O universo de beneficiários vai ser alargado. A dúvida é saber qual o desconto que terão de pagar e se haverá restrições na idade.


Trabalhadores do Estado com contrato individual passam a ter direito

Actualmente, há cerca de 100 mil pessoas a trabalhar para o Estado que não têm direito à ADSE porque não têm um contrato de trabalho em funções públicas. A intenção, para já, é abrir o sistema aos trabalhadores dos hospitais EPE que têm contrato individual ou a trabalhadores de outras empresas públicas nas mesmas circunstâncias. A ideia é que os novos beneficiários paguem uma contribuição para poderem usufruir da ADSE. O valor a pagar será semelhante aos 3,5% exigidos aos actuais beneficiários titulares.

ADSE alargada a todos os cônjuges a troco de desconto

Neste momento, a ADSE só abrange os cônjuges dos beneficiários titulares que não descontem para outros sistemas (o caso das domésticas, por exemplo). A ideia é que todos os cônjuges (mesmo os que trabalham no sector privado) possam beneficiar da ADSE, pagando uma contribuição que poderá oscilar entre os 2,5% e os 2,8% (um modelo semelhante ao que vigora na Assistência na Doença aos Militares). Liberato Baptista já disse que está prevista uma matriz em função da idade, do género e do rendimento que irá definir os valores mínimos mensais a pagar. A grande questão que aqui se coloca, além do valor do desconto, é saber se haverá restrições à inscrição do cônjuge em função da idade. Alguns sindicatos defendem que não pode haver qualquer restrição, enquanto outros defendem que haja um limite mínimo (abaixo dos 65 anos), para garantir sustentabilidade ao sistema.

Filhos entre 26 e 30 anos podem beneficiar mas pagam

Agora a ADSE abrange os filhos dos beneficiários até aos 26 anos, desde que continuem a estudar, sem que seja preciso pagar qualquer contribuição adicional. A proposta de regulamento prevê que a protecção vá até aos 30 anos, sem ser obrigatório que os filhos estejam a estudar, mas desde que não trabalhem e vivam com os pais. Este benefício exigirá o desconto de um determinado montante mensal que poderá oscilar entre os 20 e os 25 euros. Alguns sindicatos entendem que este desconto representa um aumento indirecto da contribuição dos beneficiários, dado que além do desconto de 3,5% o titular terá de pagar um valor fixo pelos filhos entre os 26 e os 30 anos.

Aumentar a protecção nas grandes despesas

Numa entrevista à revista Forbes, o presidente da ADSE defende que a médio prazo é preciso olhar para os benefícios e para o equilíbrio entre a pequena e a grande despesa. É que a ADSE oferece uma protecção ampla quando estão em causa despesas mais baixas (uma consulta custa 3,99 euros ao beneficiários), enquanto na grande despesa essa protecção é relativamente menor. Num internamento, por exemplo, o beneficiário paga do seu bolso 80 a 190 euros. Liberato Baptista defende que nos pequenos cuidados há espaço para fazer mudanças.

Novo regime abre a porta a unidades próprias

A ADSE é um regime que financia a prestação de cuidados de saúde (através do regime convencionados ou do regime livre), mas não tem unidades de saúde próprias. Como a criação do instituto da ADSE, no início de 2017, abre-se a porta a que isso possa acontecer, mas a decisão terá de ser discutida com os representantes dos beneficiários. A hipótese chegou a estar no plano de actividades para 2015, nomeadamente a “criação experimental” de unidades de cuidados de saúde primários e a prestação de serviços de medicina no trabalho, mas nunca foram dados passos nesse sentido.

12 de abril de 2017

Sessão pública de informação e debate promovida pelo Núcleo das Avenidas da APRe!


Os Dinamizadores do Núcleo das Avenidas da APRe!, convidam todos os interessados a participar no Encontro que a nossa Associação, em parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, vai realizar na próxima 3ª feira, 18 de Abril, das 9h30 ás 12h30, no Auditório da sede da Junta de Freguesia de Alvalade – Rua Conde de Arnoso, nº5 B, 1700-112 Lisboa.

A sessão contará com três apresentações e um momento cultural. Assim, iremos falar sobre a APRe! e as suas realizações, seguindo-se a apresentação Diabetes, doença invísivel (silenciosa e silenciada), pelo Dr. José Manuel Boavida, Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal - APDP Diabetes e reconhecido especialista nesta insidiosa doença que afecta tantos idosos em Portugal, e por fim será apresentado o projecto Apoio ao Cuidador – uma iniciativa conjunta da CML, ADVITA e ESEL.

No final seremos brindados com uma actuação do Grupo Coral e Grupo de Cavaquinhos dos Briosos de Alvalade.

Haverá ainda a possibilidade de participarmos num rastreio gratuito de glicémia, que será efectuado pela Associação Conversa Amiga.

Contamos com a sua presença. Venha “Conhecer para Saber”!

11 de abril de 2017

Estimulação cerebral devolve autonomia a 900 doentes

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Doença de Parkinson, uma patologia que afeta cerca de 18 mil portugueses. A colocação de elétrodos no cérebro alivia os sintomas motores


"No dia 12 de setembro de 2016 recomecei uma nova vida. Voltei a fazer coisas simples que tinha deixado de fazer há 8 anos, como comer de garfo e faca ou conduzir." Foi nesse dia que Vasco Pereira, de 62 anos, foi submetido a uma cirurgia de estimulação cerebral profunda, intervenção que permite reduzir os sintomas motores da doença de Parkinson e as dosagens de medicação. "Estava a viver num lar, mas consegui voltar para casa. Faço uma vida normal", conta ao DN.

Vasco tinha 45 anos quando lhe foi diagnosticada a doença de Parkinson, uma patologia neurodegenerativa para a qual não há cura nem prevenção, que se caracteriza por tremores, rigidez, lentificação dos movimentos, instabilidade postural. Está também associada a problemas no sono e alterações cognitivas. Descrita há 200 anos pelo médico James Parkinson, é uma doença que afeta cerca de 18 mil pessoas em Portugal. Em casos específicos, os doentes são indicados para fazer a cirurgia de estimulação cerebral profunda, que não trava a progressão da doença, mas ajuda a reduzir os sintomas. De acordo com os dados cedidos ao DN pela empresa de tecnologia médica Medtronic, foram realizadas cerca de 900 intervenções no país desde 2002.

"Grande parte dos sintomas motores deve-se à perda de um neurotransmissor, a dopamina, que causa uma série de alterações no cérebro", explica ao DN Marcelo Mendonça de Sousa, neurologista no Hospital Egas Moniz (CHLO), uma das seis unidades que realizam a minuciosa cirurgia em Portugal. Desde os anos 50 que há fármacos para a doença, contudo "o grande problema é que são muito eficazes no início do tratamento, mas cerca de cinco anos depois metade dos doentes tem complicações motoras". A medicação deixa de fazer efeito com muita rapidez e ocorrem discinesias: "Movimentos aberrantes, involuntários, altamente disruptivos para a qualidade de vida do doente."

Ao fim de dez anos, quase 80% dos doentes passa por isso, o que requer ajustes frequentes da medicação. "Mas nem todos os doentes se conseguem tratar com esses ajustes. É para esse grupo que a cirurgia está recomendada", explica o cirurgião, ressalvando que a intervenção não pode ser realizada se existirem doenças psiquiátricas ou alterações cognitivas.
No início do tratamento, a medicação tende a funcionar bem. "É a chamada lua-de-mel", indica Paulo Bugalho, neurologista responsável pela consulta das doenças de movimento no mesmo hospital.

Segunda lua-de-mel
A cirurgia, que será indicada "para cerca de 10% dos doentes" - sobretudo os mais novos -, é "a segunda lua-de-mel". "É muito eficaz e resulta numa melhoria grande em termos de qualidade de vida", destaca. A esmagadora maioria dos doentes continua a fazer medicação, mas em doses mais reduzidas.

A operação, que consiste na colocação de dois pequenos elétrodos através de pequenos orifícios no crânio, dura cerca de oito horas e é realizada com anestesia local. Carla Reizinho, neurocirurgiã no Hospital Egas Moniz, explica que, antes de começar, é feita uma TAC, que é fundida com uma ressonância magnética realizada anteriormente, de forma a determinar "exatamente o alvo [núcleo de substância cinzenta a estimular] e a trajetória" para a colocação dos elétrodos.

Com o doente acordado durante a cirurgia, é possível perceber se melhora os tremores, por exemplo, ou se existe algum efeito adverso à medida que é feita a estimulação. Depois de determinado o sítio mais seguro, são "substituídos os elétrodos provisórios pelos definitivos". Só depois disso é administrada anestesia geral, para fazer a conexão dos elétrodos a uma espécie de pacemaker que é colocado na região abaixo da clavícula. Uma cirurgia que, segundo a especialista, também tem sido usada em casos de epilepsia refratária, dor crónica e perturbação obsessivo-compulsiva e que está em estudo para bulimia, anorexia, Alzheimer. Custa 25 mil euros, mas traduz-se numa redução dos fármacos.

Acompanhamento pré e pós
Depois da cirurgia, a voltagem elétrica do dispositivo vai sendo alterada de forma a obter a melhor resposta. É nessa fase que se encontra Daniela, uma doente de 38 anos, que pediu para não ser identificada, porque receia que a exposição a possa condicionar no futuro. "A minha expectativa é adquirir equilíbrio e mobilidade para manter a minha profissão e ser mãe." Cerca de dois meses após a cirurgia, Daniela fala numa "evolução brutal". Diz que não tem movimentos involuntários e dores e que faz "muita coisa que não fazia". "Tinha picos em que me movimentava excessivamente, outros em que ficava completamente parada."

Daniela teve os primeiros sintomas há quatro anos, com apenas 34 anos. "A idade é o principal fator de risco, mas a doença pode ser diagnosticada em pessoas mais novas", afirma o neurologista Marcelo Mendonça de Sousa. As causas continuam desconhecidas. "Sabe-se que em 5% dos casos há uma causa genética e que há a influência de fatores ambientais."

Em Portugal, um estudo epidemiológico feito em 2014 revelou uma prevalência estimada de 180 casos por cada cem mil habitantes. "Espera-se que o número aumente à medida que a população vai envelhecendo, uma vez que é uma doença relacionada com a idade", explica Paulo Bugalho, que também é professor na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.

A doença surge muitas vezes associada a depressões. "Mexe muito com a parte psicológica. Os doentes têm altos e baixos e há muitas alterações no humor", sublinha Fernando Pereira, responsável pela delegação do Norte da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson. Casado com uma doente que foi submetida à cirurgia, diz que a mulher passou a "andar e a fazer uma vida normal, o que não acontecia". Rejeitou o primeiro implante, em 2008, mas colocou um novo em 2010. Como em qualquer intervenção cirúrgica, há o risco de hemorragia e infeção, bem como outros associados aos elétrodos, mas os médicos dizem que as complicações são raras.

Joana Capucho

9 de abril de 2017

Doença de Parkinson vai aumentar em Portugal

A doença de Parkinson, a patologia neurodegenerativa mais prevalente a seguir à de Alzheimer e que já afeta quase 20 mil portugueses, vai aumentar com o envelhecimento da população


"A prevalência da doença é grande e temos dificuldade em ter estudos epidemiológicos em Portugal, mas fizemos um com o apoio da Associação de Doentes de Parkinson e a prevalência estimada é de 180 por 100 mil habitantes", disse à agência Lusa a neurologista Cristina Januário do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Na terça-feira, 11 de abril, assinala-se o Dia Mundial da doença, que atinge mais de uma em cada mil pessoas na Europa. É a data de nascimento do médico James Parkinson, o primeiro a descrever a doença faz precisamente 200 anos.

Salientando que a doença de Parkinson é "também uma patologia do envelhecimento", a médica Cristina Januário alerta que a população portuguesa está a envelhecer, o que aumenta a sua prevalência.

Apesar de a doença ser progressiva e de ainda não se poder travar o seu curso, alguns doentes conseguem reunir os requisitos para se submeterem a uma terapêutica disponível desde 2002 em Portugal, que consiste no implante de um dispositivo que estimula núcleos específicos no cérebro.

Nos últimos anos, várias centenas de doentes em Portugal recuperaram autonomia e mobilidade através daquela cirurgia inovadora, que trouxe melhorias significativas na qualidade de vida dos pacientes ao baixar as dosagens de medicação e ao reduzir os sintomas motores.

"A eficácia desta intervenção depende muito da seleção dos doentes, porque nem todos podem ser submetidos à cirurgia, nem todos têm eficácia com esse tratamento. E depois há um acompanhamento no pós-operatório que é fundamental", considerou o neurologista Fradique Moreira, da consulta de estimulação cerebral profunda nos CHUC.

A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios mais avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado com a doença de Parkinson.

De acordo com o especialista, existem três etapas fundamentais para o sucesso da cirurgia.

"A seleção criteriosa, saber o doente que temos à frente e gerir as suas expectativas, e o acompanhamento pós-operatório".

Para Cristina Januário, o grande objetivo da intervenção passa por baixar a dose de medicamentos que o doente toma, porque tem efeitos secundários, e reduzir os sintomas motores.

"Conseguimos dar uma boa qualidade de vida e melhorar os sintomas que já não estavam a ser controlados pela medicação. O doente fica com uma boa capacidade motora, mas a doença continua a progredir, pois é degenerativa e ainda não conseguimos travar o seu curso"


Segundo Fradique Moreira, no acompanhamento pós-operatório é feita uma gestão entre a estimulação que é fornecida ao doente e a gestão também da medicação.

"Não se opera o doente e o processo está terminado. O objetivo é restabelecer o funcionamento normal de um circuito cerebral anómalo, através da aplicação de um estímulo elétrico num núcleo específico que faz parte desse circuito, que servirá de marca-passo para o funcionamento celular", explicou o neurologista, salientando que é necessário ajustar e regular o aumento da estimulação e o decréscimo da medicação.

No CHUC, unidade que realiza esta intervenção desde final de 2012, já foram operadas cerca de 40 doentes, numa média de cerca de um por mês, mas o objetivo é continuar a crescer.

Anualmente, a especialidade de doenças do movimento naquela unidade hospitalar realiza cerca de 2.600 consultas, sendo maioritariamente referentes à doença de Parkinson.

O grande desafio da doença, que afeta quase 20 mil portugueses, é descobrir o mecanismo que leva um grupo de neurónios a deixar de produzir a substância dopamina, considerou a neurologista Cristina Januário.

"O grande desafio passa, sobretudo, por entender qual o mecanismo que leva a que aqueles neurónios deixem de produzir a substância que deviam produzir, aí é que será a forma mais interessante de atuar", frisou a especialista do CHUC.

6 de abril de 2017

Portugal com “demasiados idosos obesos” por falta de exercício físico

Os níveis “muito baixos” de atividade física levam a que existam em Portugal “demasiados idosos obesos”, concluiu Nuno Borges, professor da faculdade de Ciências da Nutrição do Porto, instituição que hoje promove o primeiro Seminário de Nutrição e Envelhecimento.

“A população idosa portuguesa é a que menos se mexe”, comparativamente à de outros países europeus, explicou o docente da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), quando questionado pela Lusa sobre os principais problemas que afetam a nutrição dos idosos.

Segundo o docente, o isolamento, a má alimentação, os baixos níveis de exercício físico e a consequente perda de locomoção são os fatores que mais influenciam negativamente o estado nutricional dos idosos portugueses.

Para o especialista, campanhas de sensibilização e programas específicos para esta população seriam duas das possíveis soluções para os problemas indicados, o que lhes permitiria “sair do isolamento” e ter “maior convívio e atividade”.

“Há idosos que não conseguem garantir o acesso diário aos alimentos”, refere, apontando as condições económicas, o facto de não conseguirem ir sozinhos ao mercado, não terem quem lhes faças as compras, não conseguirem cozinhar ou a dependência de familiares “que lhes falham”, como as principais razões.

Nuno Borges é um dos responsáveis pelo estudo Nutrition UP 65, desenvolvido pela FCNAUP, cujo objetivo foi avaliar o estado nutricional dos portugueses com mais de 65 anos e aumentar o conhecimento dos profissionais de saúde, criando mudanças a médio e longo prazo na vida da população idosa.

Também o défice de vitamina D é “excessivamente elevado”, acarretando uma série de consequências, principalmente a nível ósseo.

“Apesar de ser um problema nutricional, não se consegue resolver apenas com comida (são poucos os alimentos que contêm essa vitamina) nem com o apanhar mais sol, visto que os idosos não têm a mesma capacidade de síntese desta vitamina”, explicou, acrescentando que, no inverno, deverá ser muitas vezes necessário recorrer a suplementos para corrigir os níveis.

O facto de os idosos beberem “pouca água e muito álcool” (resultado do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física – IAN-AF, apresentado em março), faz com que apresentem níveis de desidratação elevados.

“Temos que convencer esta população a beber mais água, chás e infusões, porque a água que consomem na sopa e noutros alimentos não chega”, acrescentou.

O consumo excessivo de sal por parte de 85% desta população é outra situação “preocupante” para Nuno Borges.

“Os idosos consomem cerca de oito gramas diárias de sal, valor elevado quando comparado com o máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que são cinco gramas”, esclarece.

A redução do consumo do sal, para o investigador, representa a diminuição do risco da hipertensão arterial, uma doença que mais afeta os idosos, e os consequentes acidentes vasculares cerebrais (AVC), que são “a principal causa de morbilidade e mortalidade em Portugal”.

Os resultados da avaliação nutricional dos idosos e as recomendações resultantes do Nutrition UP 65 vão ser apresentados hoje, às 14:30, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, durante o primeiro Seminário de Nutrição e Envelhecimento, que marca o encerramento do projeto.

As conclusões da segunda vertente do projeto passou pela aposta na formação certificada de profissionais de saúde e de cuidadores que lidam com os idosos, componente que Nuno Borges acredita ser “tão importante como os resultados”, também serão hoje divulgadas.

LUSA

12 de março de 2017

Já há mais de 300 médicos reformados a trabalhar no SNS

Pedidos de suspensão de reforma à Caixa Geral de Aposentações estão a diminuir. A exceção é mesmo a área da saúde


Se os pedidos de suspensão de reforma à Caixa Geral de Aposentações feitos por quem quer voltar a trabalhar no serviço público têm descido nos últimos anos, o contrário tem acontecido na área da saúde. No final do ano passado estavam a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS) 301 médicos reformados, o maior número desde 2010, quando o segundo governo PS liderado por José Sócrates criou regras diferentes das dos restantes aposentados. Os clínicos podem atualmente acumular a reforma com 75% do salário.

Foi anunciado como uma medida excecional quando Ana Jorge ainda era ministra da Saúde, com o objetivo de reduzir o impacto das reformas antecipadas e da falta de médicos em muitas especialidades, sobretudo médicos de família. Quem optasse pela reforma antecipada poderia voltar ao trabalho a receber o ordenado, mas garantia as condições da reforma quando saísse do SNS. Para quem estivesse reformado, podia escolher o ordenado ou a pensão e ainda acumular um terço da outra. Mas o impacto da iniciativa foi relativamente modesto.

Desde então, todos os governos têm renovado a medida, com algumas alterações pelo meio. A última em 2016, quando o PS voltou ao governo e os ministérios da Saúde e das Finanças definiram que além da reforma, os médicos acumulam ainda 75% do vencimento correspondente ao escalão em que estavam e às horas semanais contratadas. E foi no ano passado que se alcançou num máximo de médicos reformados no ativo.

Segundo dados da Administração Central do Sistema de Saúde, a 31 de dezembro havia 301 médicos reformados aposentados a trabalhar no SNS. Em 2010 eram apenas 49, em 2011 o número cresceu para 156, em 2012 para 174, menos um do que os registados em 2013. No ano seguinte foram 201 e em 2015 foram 218. Já este ano foram autorizados 18 processos de contratação - para um total de 319 médicos aposentados no ativo - e havia no final de fevereiro outros 35 em tramitação.

Um dos casos de sucesso, talvez o mais emblemático, é o da própria criadora da medida. Ana Jorge, pediatra de formação com 67 anos, regressou ao "seu" hospital, o Garcia de Orta, em Almada, em 2012, quando deixou o Parlamento. Reformada dois anos depois, pediu para continuar a trabalhar. Na prática, nunca deixou o serviço. "Não queria ficar sem trabalhar e também precisava de um complemento da reforma... Alguns fazem trabalho na privada, mas há outras maneiras e eu optei pelo SNS. Até por gostar de fazer o que faço. A instituição também." E o balanço é amplamente positivo. "Gosto do que faço, acho que o que desenvolvi foi interessante do ponto de vista da instituição e continuo a fazer. Em termos pessoais, tem sido gratificante" (ver entrevista).

O caso de João Nascimento é menos mediático mas não menos importante para o sistema. A reforma antecipada deste médico de 67 anos foi aceite em 2013, mas João só esperou um ano para voltar ao ativo. Médico de família, foi colocado no centro de saúde Olaio, em Odivelas, não muito longe do centro de saúde da Pontinha onde estava antes da reforma. "Falava-se na altura que iam existir penalizações importantes. Ia ficar pior e aceitei a reforma. Por estranho que pareça, depois de um ano parado senti necessidade de estar em contacto com os doentes e de fazer o que sempre gostei de fazer", conta.

Da primeira vez que voltou decidiu ficar com o ordenado, que era superior à reforma. Por questões familiares voltou a sair por um ano e regressou em junho do ano passado, agora com a reforma e 75% do ordenado. "Tenho uma lista de 950 utentes, mas é natural que venha a aumentar até aos 1500 porque há muitas pessoas sem médico de família." Não tem dúvidas de que a decisão que tomou de voltar ao SNS deixou todos a ganhar: os utentes e o próprio. "Para os utentes é muito compensador, podem contactar-me, é muito mais fácil e prático para eles, que passaram a ter uma referência. Para mim é compensador do ponto de vista pessoal, financeiro e estudo todos os dias", diz. É a paixão pela medicina e o desafio diário que o move.

Apertar o cerco
Caminho inverso ao dos médicos tem acontecido com os pedidos de suspensão de reforma. A Caixa Geral de Aposentações (CGA) tem suspensos o pagamento de 115 reformas pelo facto de os respetivos titulares se encontrarem a trabalhar em serviços públicos e empresas públicas ou municipais. O número mais reduzido dos últimos quatro anos.

Em 2014 a CGA suspendeu o pagamento de 149 pensões pelo facto de estes reformados terem reiniciado funções em organismos ou empresas públicas. No ano seguinte, o número subiu para 165. Mas no ano passado contaram-se 150 destes casos. Este ano, segundo dados do Ministério do Trabalho e da Segurança Social enviados ao DN, são ainda menos: 115. São, ainda assim, quase o dobro dos 66 casos registados em 2010 quando as regras eram mais favoráveis do que as atuais.
Na Justiça, por exemplo, há quatro juízes conselheiros jubilados a exercer funções no Supremo Tribunal de Justiça, e um juiz desembargador no Tribunal da Relação de Guimarães. A que se juntam mais seis magistrados do Ministério Público jubilados que tiveram autorização este ano para exercer funções.

O cerco à acumulação da reforma com trabalho remunerado começou a apertar-se em 2005, depois de ter vindo a público que o então ministro das Finanças Campos e Cunha somava no final do mês a sua reforma como quadro do Banco de Portugal com a remuneração de ministro. Em novembro de 2005 o Estatuto da Aposentação foi alterado, passando a determinar que nestas situações a pessoa podia optar por receber um terço da reforma e a totalidade da remuneração ou o inverso, dependendo da situação mais favorável. Ao mesmo tempo determinou-se que nos casos de reforma antecipada, esta acumulação era vedada.

Já durante o governo de Passos Coelho elimina-se a possibilidade de somar um terço à pensão ou remuneração, tendo os visados de optar se preferem receber a pensão ou o salário. Em 2014 as regras voltam a mudar, determinando-se que, a partir daí, a pensão é suspensa quando o reformado volta a funções ativas. A salvaguarda, nalguns casos, de situações que vinham do passado, levaram a que Cavaco Silva pudesse ter mantido o pagamento da sua pensão em vez de auferir a remuneração de Presidente da República durante o período em que ocupou o Palácio de Belém. A única exceção a esta regra são os médicos, a quem se mantém a possibilidade de receber a pensão e parte do salário.

Ana Maia
DN 12.013.2017
http://www.dn.pt/portugal/interior/ja-ha-mais-de-300-medicos-reformados-a-trabalhar-no-sns-5719204.html

30 de janeiro de 2017

Luva eletrónica permite pegar em objetos até 40 quilos sem fazer força

Empresa portuguesa desenvolveu solução para devolver a função da mão a idosos e pessoas com dor ou falta de força


Uma 'startup' do Porto desenvolveu uma luva eletrónica que permite a pessoas com problemas nos músculos e nas articulações da mão pegar em objetos pesados, que podem chegar aos 40 quilos, com a mão "relaxada" e sem fazer força.

Esta solução tecnológica, "segura" e "leve", utiliza têxteis finos, respiráveis, flexíveis, inteligentes e personalizáveis e possibilita devolver a função da mão a pessoas com dor ou falta de força, disse à Lusa o responsável pelo projeto, Filipe Quinaz.

A solução da 'startup' NUADA baseia-se, principalmente, "em componentes de baixo consumo energético, criados para lidar com suporte de peso pesado, mantendo a sensibilidade ao toque e uma relação não intrusiva com o corpo".


A NUADA, que conta, atualmente, com sete elementos das áreas das engenharias Informática, Mecânica, Eletromecânica e Bioengenharia e um profissional da indústria, está integrada no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).

De acordo com o empreendedor, uma das utilizações principais é na área médica, sendo o produto, nesse caso, orientado para pessoas idosas ou que tenham artrite e pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral (AVC).

O sistema permite também um acompanhamento holístico da função da mão, em tempo real, e os planos de tratamento subsequentes que agilizam a maneira como os dados dos pacientes são "recolhidos, acessados, compartilhados e aprendidos" pelos profissionais de saúde, acrescentou.

Outro dos focos é o setor que engloba atividades exigentes (trabalhadores em linhas de montagem ou na construção civil, por exemplo), podendo a luva ser utilizada para aumentar o conforto, a segurança e a produtividade desses profissionais.

Segundo Filipe Quinaz, este é o mercado que a equipa prevê entrar com mais facilidade devido à maior simplicidade de certificação e ao facto de, por se tratar de empresas, terem um processo de venda mais simples e comprarem o produto em maior quantidade.

A tecnologia é equipada com componentes de rastreamento que coletam dados como a força utilizada, a estabilidade, a mobilidade, entre outros, e compartilha-os com os utilizadores e os profissionais de saúde, podendo estes verificar se estão a usar muita força, a levantar demasiado peso, se estão com a mão numa posição ergonomicamente errada ou se o plano de exercícios está executado da melhor forma.

Segundo o jovem, a ideia para a criação da tecnologia surgiu quando fraturou a mão e ficou "completamente limitado". Do ponto de vista muscular, "mesmo depois de o osso ter recuperado", ficou com uma lesão, tendo demorado "imenso tempo" até voltar a ter a funcionalidade toda do membro.

Durante esse período, no qual estava a acabar o doutoramento em Biomedicina, na Universidade da Beira Interior, reparou que "uma simples diminuição" da força da mão tem "consequências muito graves" e, com o auxílio de dois professores, decidiu criar um protótipo do que seria, no futuro, esta solução e participar no concurso tecnológico Microsoft Imagine Cup.

Com a ideia já patenteada, o passo seguinte foi formar uma equipa e tornar o protótipo funcional, tendo vencido a versão europeia do mesmo concurso e, em agosto de 2014, chegado à final do Microsoft Imagine Cup a nível mundial, onde só eram selecionadas dez equipas em todo o mundo.

Participaram ainda no StartupBraga, tendo, em janeiro de 2015, criado a empresa. Nessa altura, o produto começou a ser desenvolvido com parceiros portugueses, estando, neste último ano, a realizar testes que permitem a industrialização.

A empresa está também representada nos Estados Unidos, num programa de aceleração denominado UTEN, com a Universidade do Texas, estando agendada para 2017 o início da atividade em Londres, Inglaterra.

Para além disso, foram convidados para serem uma das dez empresas-bandeira da Entiq, uma plataforma de inovação, que vai abrir em Londres.

Tem como parceiros o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI), do Porto, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), de Braga, o Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal (CITEVE), o Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes (CeNTI), a Universidade da Beira Interior, a Microsoft e a StartupBraga.

LUSA
DN 30.01.2017

11 de janeiro de 2017

A APRe! contra medidas discriminatórias na ADSE


Em notícia publicada ontem no “Jornal de Negócios”, Carlos Liberato Baptista, director-geral da ADSE, esclarece que a possibilidade de inscrição dos cônjuges de funcionários e pensionistas, “por uma questão de equilíbrio das contas, terá um limite máximo de idade para a inscrição, que poderá ser de 60, 65 ou 66 anos”.

A APRe! não pode aceitar as justificações dadas para esta restrição, entendendo-as como uma (mais uma) discriminação relativamente às pessoas idosas.

O equilíbrio de contas não está em causa porque, segundo a notícia, os cônjuges beneficiários terão um adicional ao desconto que já efectuam.

A exclusão dos escalões etários mais elevados por serem “os que mais pesam”, sugere-nos um tratamento paritário ao utilizado pelas empresas privadas de seguros (aumentando-lhes o prémio de seguro), o que não é, naturalmente, a essência da ADSE.

Se a abertura da ADSE a mais pessoas tem como objectivo a sustentabilidade do sistema, a questão que se coloca é estudar a forma (fontes) para o tornar sustentável.

Tendo em conta que nos últimos anos a ADSE tem gerado avultadas quantias excedentárias, parece-nos exigível ultrapassar uma visão mercantilista de um organismo que, apesar de estar a dias de se tornar num Instituto Público, não deixa de ter um carácter de protecção e promoção da saúde com responsabilidades do Estado.

Aí sim, estamos disponíveis para “gerar consensos”!

A APRe! não aceita que, a partir do momento em que se alarga aos cônjuges dos beneficiários a possibilidade de se tornarem também beneficiários, seja condicionada a sua admissão por uma medida de tratamento injusto e preconceituoso.

A Direcção da APRe!

9 de janeiro de 2017

Cônjuges idosos impedidos de se inscreverem na ADSE

A ADSE garante que abertura a 600 mil potenciais novos inscritos vai avançar, provavelmente em Março. Contratos individuais pagam 3,5%. Para os cônjuges, estudam-se taxas acima dos 2%, que serão descontadas nos salários ou pensões, mas com idade limite para a inscrição.


O diploma que transforma a ADSE num instituto público será publicado no início desta semana e o director-geral, Carlos Liberato Baptista, garante que o Governo quer acelerar o próximo passo: a abertura da ADSE a um universo potencial máximo de 600 mil pessoas, a partir de Março. É a possibilidade de inscrição dos cônjuges de funcionários e pensionistas que tem gerado maior expectativa, levando milhares de pessoas aos balcões da ADSE, mas o director-geral esclarece que, por uma questão de equilíbrio das contas, haverá um limite máximo de idade para a inscrição, que poderá ser de 60, 65 ou 66 anos.

Em causa está também a inscrição de trabalhadores com contratos individuais de trabalho, de empresas públicas ou de filhos com menos de 31 anos. A intenção foi anunciada há quase um ano. É certo que é agora que vai mesmo avançar? "É certo que a abertura vai avançar, sim", responde Carlos Liberato Baptista. A lei orgânica estabelece um prazo de 180 dias para apresentação do regulamento, mas o ministro da Saúde "pediu-nos para encurtar o prazo", apresentando a proposta no início do ano. Quando é que abrem as novas inscrições? "Em princípio, a partir de Março".

Actualmente, podem beneficiar da ADSE sem custos acrescidos os cônjuges que não descontem para a Segurança Social. A ideia, agora, é alargar substancialmente este universo, permitindo a inscrição de cônjuges que trabalham no privado, desde que o beneficiário principal – funcionário ou pensionista – já pague 3,5% e esteja disposto a pagar mais. O desconto será feito 12 vezes por ano no salário ou na pensão do titular. "Sobre o saláriodo titular nós temos controlo", justifica o director-geral.

No caso dos cônjuges (ou equiparados, como unidos de facto), haverá "uma idade máxima para adesão". Já em Fevereiro o Negócios noticiou que a ideia era impedir inscrições de cônjuges maiores de 65 anos. Agora, o director-geral afirma que o limite não está fechado, admitindo 60, 65 ou 66 anos.

A exclusão destes interessados é explicada com a preocupação de equilíbrio de contas, já que é nos escalões etários mais elevados que os custos mais pesam. A despesa relativa aos beneficiários entre os 70 e os 80 é o dobro da média, justifica.

Quanto é que as pessoas vão pagar?
Em estudo está também está uma diferenciação do custo de inscrição em função da idade. Há três propostas em cima da mesa. A primeira passa por um desconto adicional de 2,7% por cada cônjuge, uma regra que segundo explica o responsável seria semelhante à dos militares. A segunda é uma percentagem em função do escalão etário do cônjuge do beneficiário. A terceira, mais elaborada, prevê um conjunto de percentagens em função da idade, com valores mínimos dependentes do rendimento do agregado familiar.

"Há várias percentagens em função das várias hipóteses", que "variam entre 2,1% e 2,7%", mas com valores mínimos de cerca de 40 euros e máximos de cerca de 180 euros, que podem alterar o esforço percentual. "Julgo que os valores médios andarão pela ordem dos 40 a 50 euros de contribuição", refere.

Os trabalhadores com contrato individual de trabalho e das empresas públicas pagarão 3,5%, a taxa que se aplica aos titulares, e que se manterá mais alta porque também dá direito a inscrever alguns filhos e cônjuges nos termos que agora já são permitidos.

A ideia é também alargar a possibilidade de inscrição a todos os filhos com menos de 31 anos, por um desconto de 3,5% sobre o salário mínimo. A taxa será idêntica para futuras inscrições de ascendentes a cargo com baixos rendimentos. O director-geral garante no entanto que a nova taxa não será exigida às cerca de 700 pessoas que já disso beneficiam.

No cenário central, a ADSE conta com um adesão de 250 mil a 300 mil pessoas e com um impacto financeiro positivo de 50 milhões de euros no ano. Espera-se que no início as pessoas recorram mais a serviços de saúde.

Catarina Almeida Pereira
Jornal de Negócios 08.02.2017

19 de dezembro de 2016

Novo regime da ADSE aprovado em Conselho de Ministros

Cônjuges dos funcionários públicos que trabalham no privado poderão aderir ao sistema de saúde, mediante contribuição.


O Conselho de Ministros aprovou hoje o diploma que transforma a ADSE (sistema de saúde dos funcionários públicos) em instituto público de regime especial.

“Foi aprovado a criação de um instituto público de regime especial e de gestão participada ADSE, I.P., que substitui e sucede à Direção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas – ADSE”, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

De acordo com o documento, esta é “a maior reforma da ADSE desde a sua criação, em 1963” e que “garante a representatividade dos seus associados e a autonomia necessária para assegurar uma gestão técnica profissional e eficiente”.

O diploma que esteve em discussão, mas que poderá ter sofrido alterações, prevê que os cônjuges dos funcionários públicos que trabalham no setor privado e que hoje não têm direito a ter ADSE possam vir a aderir ao sistema mediante uma contribuição. Também os filhos dos funcionários públicos com idade superior a 25 anos poderão aderir.

A ADSE também será aberta aos trabalhadores do Estado com contrato individual de trabalho, como é o caso das empresas públicas e hospitais EPE.

O diploma que transforma a ADSE em instituto público deverá entrar em vigor a 1 de janeiro de 2017, mas a versão inicial dava 180 dias para que se introduzam as novas regras, pelo que a possibilidade de novas adesões não deverá ser imediata.

A ADSE conta atualmente com 1.214.137 beneficiários, dos quais 383.589 são familiares dos funcionários e 333.348 aposentados.

Denise Fernandes
O Jornal Económico 15.12.2016

22 de novembro de 2016

da VIDA SAUDÁVEL à DEPENDÊNCIA

Em Portugal, em 2011, existiam 1.526 pessoas com mais de 100 anos (273 homens e 1.253 mulheres), dos quais 42,2% viviam em lugares com menos de 2.000 habitantes, o que traduzirá as virtualidades dos meios pequenos em relação a uma vida longeva.

Mas se o aumento da longevidade é um facto, outra questão é o que diz respeito à esperança de vida saudável, a qual, em 2014 era para os homens de 71,9 anos (73,3 em 1995) e, para as mulheres, de 70,6 anos (74,9 em 1995) (1), sendo de salientar o retrocesso verificado entre 1995 e 2014, cujas causas estão fora do âmbito deste artigo. 

A ausência de vida saudável no conjunto dos portadores de uma determinada doença tem a ver com o que se denomina de morbidade ou morbilidade, havendo investigadores que defendem que esta diminuirá conforme a esperança de vida vai aumentando, enquanto outros consideram o contrário e outros ainda dizem que, com os avanços da medicina, a evolução das doenças crónicas para a incapacidade diminuirá, aumentando inversamente as doenças crónicas mais ligeiras (NIH, 2011: 12)(2)

A minoração da vida saudável pode, com o tempo, levar a certos graus de perda da autonomia de que os indivíduos necessitam para proceder à sua vida normal, levando-os a ser dependentes de outrem. 

Segundo José Miguel Nogueira (2009: 8) (3), “consideram-se em situação de dependência os indivíduos que não possam praticar com autonomia os actos indispensáveis à satisfação das necessidades básicas da vida quotidiana, carecendo da assistência de outrem”. 

José São José, Karin Wall & Sónia V. Correia (2002: 11) (4), defendem que a dependência manifesta-se em três níveis - baixa, média e elevada - que vão desde a simples vigilância, a uma ajuda que pode traduzir-se de uma forma mais elementar ou de uma forma mais intensa, esta sobretudo necessária quando os idosos se apresentem acamados ou com incapacidades, nomeadamente de carácter mental, motor ou emocional.

Para efeitos da obtenção do complemento por dependência atribuído pela Segurança Social, são considerados dois graus:
  • “1.º grau – pessoas que não possam praticar, com autonomia, os actos indispensáveis à satisfação de necessidades básicas da vida quotidiana: actos relativos à alimentação ou locomoção ou cuidados de higiene pessoal. 
  • 2.º grau – pessoas que acumulem as situações de dependência que caracterizam o 1.º grau e se encontrem acamadas ou apresentem quadros de demência grave.” 
O INE observou pela primeira vez, nos censos de 2011, a temática da incapacidade, constatando que 50% da população com 65 ou mais anos “declarou ter muita dificuldade, ou não conseguir realizar, pelo menos, uma das 6 actividades diárias (ver, ouvir, andar, memória/concentração, tomar banho/vestir-se, compreender/fazer-se entender)”.


Se, numa primeira fase, sobretudo de dependência baixa, bastará uma certa vigilância das pessoas afectadas, com o tempo as complicações podem agravar-se, levando a que tenham de ser prestados cuidados continuados, o que, atendendo à tipologia dos agregados familiares nos tempos de hoje, não é tarefa fácil. 

A percentagem de famílias clássicas que, em 2011, viviam com pelo menos um idoso era apenas de 34,0%, enquanto 29,8% dos idosos viviam sozinhos ou exclusivamente com pessoas também idosas, situação que aumentou em 28% desde 2001.


Na falta de condições ao nível familiar, e mesmo com serviços de apoio ambulatório ou não, as famílias institucionais cresceram 24,7% no mesmo período, verificando-se que nelas vivem 23.571 homens acima dos 65 anos (80,0% com mais de 75 anos) e 61.303 mulheres também acima dos 65 anos (80,0% com mais de 75 anos). 

Os números do Eurostat mostram ligeiras diferenças, mas permitem ver a distribuição geográfica das pessoas que vivem em alojamentos colectivos (collective living quarters).

Importa salientar que os alojamentos colectivos onde vivem pessoas com 65 e mais anos, para além dos relativos ao apoio social, compreendem estabelecimentos hoteleiros e similares, bem como convivências do tipo “educação, militar, prisional, religiosa, saúde, trabalho e outros”. 

Neste sentido, os censos de 2011 mostraram que existiam 94.904 pessoas com mais de 65 anos a viverem em alojamentos colectivos, sendo que 71.219 viviam em alojamentos de apoio social e 3.495 em estabelecimentos hoteleiros e similares. Nas restantes convivências, destaquese que 247 pessoas com mais de 65 anos viviam num estabelecimento prisional, das quais 25 (19 H e 6 M) tinham mais de 90 anos.

(1) Fundação Francisco Manuel dos Santos - Pordata: Base de Dados Portugal Contemporâneo. Lisboa: FFMS, 2012. Disponível em http://www.pordata.pt/.
(2) NIH (2011). Global Health and Aging. WHO; US National Institute of Aging.
(3) Nogueira, J. M. et al (2012). O Emprego das Pessoas com Deficiências ou Incapacidade – Uma abordagem pela igualdade de oportunidades. Lisboa: Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP); Ministério da Solidariedade e da Segurança Social (MSSS).
(4) São José, J.; Wall, K. & Correia, S. V. (2002). Trabalhar e Cuidar de um Idoso Dependente: Problemas e Soluções. Lisboa: Instituto de Ciências Sociais.

José Guedes Freire