31 de julho de 2013

A APRe!

A APRe! E OS PARTIDOS POLÍTICOS
(extraído da página do Facebook)

“APARTIDÁRIA”. É essa a natureza da APRe! tal como é caracterizada logo no artigo 1º dos Estatutos. Vale a pena, depois de tudo quanto se publicou ou comentou neste e no outro grupo Facebook da Associação, determo-nos um pouco para reflectirmos sobre o que implica esta designação.
Em primeiro lugar, significa que é uma organização INDEPENDENTE. Independente de ideologias, programas, estratégias e directivas dos estados-maiores partidários. A estratégia e linha de actuação da APRe! são as traçadas pela sua Direcção, de acordo com o mandato recebido dos associados. Naturalmente, tal não significa que seja apolítica, muito pelo contrário. De acordo com artigo 51º da C.R.P., a APRe!, tal como todas as associações livremente constituídas pelos cidadãos (cfr. Artº 46º), concorre com os partidos políticos para a formação da vontade popular, sendo que, segundo o artigo 109º “a participação directa e activa de homens e mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático (…)”.
Não é pois de estranhar que a Associação se pronuncie sobre matéria de natureza política quando esta se relaciona directamente com os fins que persegue (artº 2º dos Estatutos) ou sobre matéria que condiciona a prossecução desses fins. Também não é de estranhar que apoie orientações políticas e medidas governativas que favoreçam esses fins ou, pelo contrário, que as critique quando com eles colidam. Quer num caso quer noutro, a tomada de posição da APRe!, sendo POLÍTICA, nada tem de partidário. Não é ditada por interesses de ordem partidária nem visa favorecer ou combater estratégias partidárias. 
Do reconhecimento do carácter necessariamente político da intervenção da APRe!, segue-se que devem ser combatidas, no seio da Associação, todas as manifestações antipolíticas ou antipolíticos (que são elas próprias, naturalmente, posições políticas). Do mesmo modo, devem igualmente ser combatidas todas as manifestações anti-partidos até porque contradizem claramente a C.R.P. (cfr. Artº 48º, nº 1 e artº 51º, nº 1) e a própria essência das democracias representativas.
Outra consequência do carácter apartidário da APRe! é o seu PLURALISMO. Está aberta a todos os reformados que se identifiquem com os fins da Associação, quaisquer que sejam as suas convicções ideológicas e partidárias, sejam militantes ou simpatizantes de partidos políticos ou cidadãos independentes, desde que essas convicções, quaisquer que elas sejam, não contrariem os interesses dos reformados (o que seria absurdo). Uma prioridade da APRe!, talvez a primeira, é garantir a unidade de todos os reformados. E aqui cabe referir, de passagem, outras formas de pluralismo ou, o que é o mesmo, de unidade na diversidade. Quer se trate de uma sã convivência democrática com organizações afins, quer da unidade solidária entre beneficiários dos diversos regimes de pensões e independentemente do montante das pensões auferidas, contrariando as tentativas do governo de dividir para reinar, quer da eventual pluralidade de opiniões existentes no seu seio sobre a estratégia e actuação da associação, cuja expressão e discussão deverá sempre ser incentivada.
O carácter apartidário da APRe! e a pluralidade de opções políticas que nela coexistem aconselha que, a todos os níveis e nos diversos espaços que administra, a atenção incida sobre posições e medidas concretas que directa ou indirectamente afectam os reformados, mas não sobre ideologias, programas e estratégias partidárias. A oposição da Associação ao actual governo resulta das consequências ruinosas das suas políticas para os reformados e para o país e não de considerações de natureza ideológico-partidária. O que nos une são essas consequências e não as nossas preferências políticas. E não podemos esquecer que, à unidade conjuntural motivada pela oposição à política de cortes nas pensões, devemos sobrepor a unidade estrutural que deriva de fins a longo prazo: a representação e defesa dos direitos dos reformados e o apoio a reformados e idosos. Nascida num período de luta política, a Associação tenderá no futuro para um papel preponderantemente institucional e de solidariedade.
Uma questão que frequentemente foi debatida no Facebook foi a eventualidade de a APRe! evoluir para um “partido de reformados” e, nessa qualidade, concorrer às eleições (legislativas). Seria útil que este assunto ficasse esclarecido de vez. Em primeiro lugar, a hipótese contraria os Estatutos. É verdade que estes podem ser alterados, mas ao renunciar ao seu carácter unitário e apartidário a APRe! arriscava-se a perder uma grande parte dos seus associados. Depois, não é claro se o que se pretenderia era ter uma “voz dos reformados” na Assembleia da República, o que contraria a C.R.P. que estabelece, no artigo 147º que «A Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses.» Além disso, o artº 152º, nº 2, estabelece que “os Deputados representam todo o país (…)” e não interesses particulares. A ideia de um ou mais deputados a pronunciar-se sobre os assuntos de reformados e com pouco ou nada para dizer sobre tudo o mais, nem estruturas de apoio que os habilitassem a participar activa e utilmente nos processos legislativos ou nas comissões especializadas, etc., parece ser pouco razoável.
Dir-se-á, e é isso que se infere de algumas intervenções, que o que se pretende, é um partido de âmbito nacional, com um projecto de governo, capaz de “varrer” os partidos e políticos tradicionais. Mas porque é que a condição de reformado habilitaria alguém, mais do que qualquer outro cidadão, a exercer cargos políticos? E por que razão não se manifestariam num partido constituído por reformados as deficiências que denunciamos nos outros? E que programa de governo, melhor que qualquer outro, poderiam os reformados propor? Um programa que um “activo” fosse incapaz de conceber? Compreende-se que muitos estejam descrentes dos partidos e políticos tradicionais, entende-se a existência de projectos que visam a formação de novos partidos (embora não seja seguro que essa seja a solução). Pode até considerar-se com benevolência a ideia da candidatura de “listas de independentes” que, se quisessem apresentar-se como solução governativa, teriam que evoluir para um “partido de independentes” (uma “contradictio in terminis”). Mas um partido de reformados? Porém, nada impede que os reformados se candidatem nas listas de partidos já existentes, embora não para serem na AR uma “voz dos reformados” (ou pelo menos, não exclusivamente isso).
Um outro tópico, também ele muito discutido, é a apologia da abstenção. Há diversas teorias sobre quem beneficia ou não com a abstenção, se a esquerda ou a direita. Uma coisa é certa: não contribuiria em nada para o que os promotores desta campanha dizem pretender, “varrer do mapa os corruptos” e renovar a classe política. Além de que há um argumento incontornável contra esta proposta: é inconstitucional. De acordo com o artigo 49º da C.R.P votar constitui “um dever cívico” e apelar à abstenção é manifestamente ilegal.
O apelo, igualmente frequente, ao voto em branco ou nulo, como expressão da censura à classe política, levanta outro tipo de problemas. Qualquer que seja o juízo sobre os partidos tradicionais, não parece sustentável a tese de que são todos iguais. Quanto mais não seja, porque alguns nunca foram governo. A razão para a apologia do voto em branco parece ter de ser outra (legítima porventura, mas não a que é invocada explicitamente). Depois, há um sólido princípio ético que manda, tendo que escolher, escolher o mal menor. A questão é pois: tem mesmo que se escolher? Para os reformados e outros sectores da população, a resposta parece óbvia. Não podemos tolerar continuar a ser alvo dos ataques que nos têm sido movidos e que se tornem facto consumado os diplomas que os consubstanciam. Temos que fazer pender o prato da balança para o nosso lado. E isso significa: para o lado dos partidos que não só rejeitam essas medidas como se comprometem a revogá-las.
O que deve, pois, fazer a APRe!? Contrariar as ilusões sobre um partido dos reformados, combater a abstenção e o voto em branco ou nulo. Porém, parece evidente que a Associação não pode apelar ao voto num determinado partido ou grupo de partidos. Mas há algo que pode e deve fazer, como aliás está ser feito para as autárquicas: procurar obter respostas claras de todos os partidos concorrentes quanto às questões que se põem aos reformados e dar a maior divulgação possível a essas respostas. Quanto ao dever de votar e como, cabe a cada um exercê-lo de forma responsável. E de acordo com a sua consciência.

Luís Gottschalk

30 de julho de 2013

APRe! Assistência

       

Assinatura do Protocolo de Cooperação entre a APRe! e a Rede Nacional de Assistência

Encontro de Associações



Representadas cinco Associações
Fernando Oliveira, Manuel Ruivo, Marta Melo Antunes, Capitão Assunção Amaro, Rosário Gama, Capitão de Mar e Guerra Sequeira Alves, Fernando Martins, Manuel Jerónimo e Pedro Martins

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REUNIÃO com ASSOCIAÇÕES de APOSENTADOS, PENSIONISTAS E REFORMADOS

Face aos actuais riscos de regressão do Estado Social, nomeadamente o sistemático ataque às pensões e reformas e o definhamento do sistema público de pensões que lhe está associado, a APRe! convidou Associações de Reformados para uma reunião que teve lugar no dia 29/07, pelas 11H00, na sede da ASMIR, na Rua da Prata 224, 2º Dtº, em Lisboa. Para além da APRe! estiveram presentes a ANAPR- MODERP (Associação Nacional de Aposentados Pensionistas e Reformados- Moderp) AOFA (Associação dos Oficiais das Forças Armadas), ASMIR (Associação dos Militares na Reserva e na Reforma) e CIDSENIOR.
Foram ainda convidadas a Inter-Reformados, a MURPI (Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos) e ATAA (Associação dos Trabalhadores Aposentados do Porto de Leixões).
Esta reunião teve como objectivo encontrar formas comuns de actuação de modo a tornar mais eficaz a luta contra as medidas já tomadas pelo governo e contra as anunciadas para os próximos Orçamentos (Rectificativo e 2014)

A Presidente da Direcção da APRe!
Maria do Rosário Gama

28 de julho de 2013

APRe! Assistência



Dois importantes acontecimentos vão marcar o dia da próxima segunda feira, 29/7. Em Lisboa, na manhã desse dia vai realizar-se, por iniciativa da APRe!, uma reunião com diversas Associações de Reformados do país, com o objectivo de concertar uma acção comum que possa dar resposta de grande robustez aos propósitos anunciados pelo governo de prosseguir a sanha perseguidora aos direitos dos Reformados.

Nesse mesmo dia, da parte da tarde, vai a APRe! proceder à assinatura formal de um protocolo de cooperação com a RNA - Rede Nacional de Assistência, que permite aos nossos Associados de todo o país o acesso, em condições muito vantajosas, a serviços de assistência na doença. Entre outros destacamos os serviços médicos e de enfermagem e acompanhamento ao domicílio, acesso a serviços médicos especializados, descontos em farmácias e ópticas. 

Oportunamente serão divulgadas todas as condições de acesso a estes serviços da APRE! Assistência.

Oeiras


REUNIÃO INTERNÚCLEOS do CONCELHO de OEIRAS
Aconteceu neste Sábado, 27 de Julho de 2013
Tema em debate: A APRe! no Concelho de Oeiras e as Autárquicas de 2013

26 de julho de 2013

Opinião

Salvação Nacional

A austeridade que nos impingiram é socialmente insuportável, injusta e está apontada aos alvos errados. O Estado português tem de pôr as contas em dia.
É verdade. Se a receita anual anda na ordem dos sessenta mil milhões e a despesa nos setenta, obviamente que este défice tem de ser diminuído ou até eliminado. O Estado tem de reduzir – e muito – as suas despesas. Mas deve penalizar os que provocaram a crise e não todos os outros.
Em primeiro lugar, o Estado tem de poupar nos juros da dívida. Milhares de milhões de euros em cada ano, bem entendido. Não é admissível que os juros representem a maior despesa do Estado em 2013. É irracional. Seria como se alguém na sua economia familiar gastasse mais em lavagens do automóvel do que na alimentação dos filhos. É claro que este corte viria agastar o “lobby” da banca, Ricardo Espírito Santo, Fernando Ulrich ou até a filha do presidente angolano. E não há coragem política para o fazer. Além de que alguns políticos influentes são, eles próprios, administradores de bancos, de Vera Jardim no PS, a Lobo Xavier no CDS… entre outros.
Outra despesa a ser imediatamente reduzida é a das rendas com as parcerias público-privadas. Poder-se-iam poupar, sem dificuldade, mil milhões. Isto se houvesse coragem para enfrentar os maiores parceiros privados, como os grupos Mello ou Mota-Engil. Não há! Acresce que estes grupos garantem a sua intocabilidade colocando nas suas administrações actores políticos como Joaquim Ferreira do Amaral, Valente de Oliveira ou Jorge Coelho.
Muitas outras despesas se poderiam evitar no Estado, a começar na renda milionária contratada com o fundo detentor do Campus de Justiça em Lisboa, presidido por Alexandre Relvas, director de campanha de Cavaco Silva. Etc., etc., etc. A verdadeira salvação nacional consiste em cortar neste tipo de gorduras do Estado. E não nas pensões, nas reformas, ou nos salários e subsídios dos funcionários. E muito menos no ensino, na saúde ou na segurança social. Portugal precisa apenas de ser governado por quem, seguindo a máxima de António Vieira, impeça que “os peixes grandes comam os pequenos. O contrário seria menos escandaloso, porque um peixe grande poderia alimentar muitos peixes pequenos”.

23/07/2013
Paulo Morais
Professor Universitário