21 de agosto de 2013

Opinião

NO PONTAL, PPC APONTOU AO TC

Este ano a época de caça começou mais cedo. Há já algum tempo que nos media se multiplicam artigos ou intervenções sugerindo o perigo de os juízes intervirem na política governamental, sem competência ou conhecimento do assunto para tal. Recomendações sobre que deveriam ter isto e aquilo em atenção. Lamentos pela Constituição que temos. Variações múltiplas sobre um mesmo tema, em última análise um ataque em forma à Constituição, quando se aproxima a hora da verdade quanto aos diplomas em que se baseará a Lei do Orçamento de Estado para 2014. 
No início da semana veio o Ministro Poiares afirmar peremptoriamente que o Governo tem a certeza de que os diplomas são constitucionais. Quase uma declaração de constitucionalidade da parte de quem não tem competência para tal. Acaso respeitasse a independência e competência própria de um outro órgão de soberania, o governo poderia declarar-se, quando muito, convicto da referida constitucionalidade, ao mesmo tempo que deveria aguardar com recato a decisão de quem tem poder para julgar nesta matéria. 
Mas a convicção do governo é também, ela própria “sui generis”. O governo dispõe dos seus assessores jurídicos auferindo chorudos vencimentos e, sobretudo, de firmas de consultoria pagas a peso de oiro. A função de uns e outros é dar parecer sobre a legalidade e constitucionalidade dos projectos de diplomas e, em caso de dúvida, torná-los ou fazê-los parecer tal. O que aconteceu com a manobra de cosmética legislativa aplicada ao confisco dos subsídios de férias e Natal a funcionários públicos e reformados após o acórdão de 2012 é, quanto a isto, paradigmático. Tal como este ano ao querer fazer crer que os cortes das pensões são temporários e impostas pela exigência de equidade (uma exigência que, porém, se admite que no futuro se torne menos exigente).
O processo de análise das medidas propostas pelo TC prevê que, a seu tempo, o governo apresente todos os seus argumentos, como também os opositores das mesmas apresentarão os seus. E tanto devia bastar. Mas sabemos que, a partir de agora todos os meios serão mobilizados para condicionar a decisão do Tribunal e esconjurar os “perigos constitucionais”. Não devemos, por isso, nós próprios, permitir que o tereno da propaganda e da pressão seja ocupado em exclusividade pelos nossos adversários. Devemos responder taco a taco a cada uma das manobras do governo com os meios à nossa disposição. E não é inevitável que as nossas iniciativas fracassem necessariamente face à desproporção de meios. E temos uma grande vantagem: não precisamos de artifícios, manobras e habilidades jurídicas para fazer com que as nossas posições PAREÇAM constitucionais. Não precisamos de esperar que os juízes do TC “fechem os olhos”, mas antes que os mantenham bem abertos cumprindo a missão de vigilância a que os obriga o seu juramento.
O governo não se limita a afirmar a constitucionalidade das suas propostas, pretende que o TC delibere tendo em conta as opções políticas da governação do país. Foi isso, em resumo, o que PPC afirmou no Pontal e a procissão ainda vai no átrio. Em última análise, quer tomar para si a decisão sobre a constitucionalidade e legalidade dos actos governativos, ou pelo menos que quem tome essa a decisão o faça em conformidade com a sua própria “interpretação” da CRP. Os critérios últimos, para PPC e o seu governo são a concretização o seu próprio projecto político-ideológico e o interesse dos credores. 
Se o país anda para a frente ou para trás, na perspectiva do governo, claro, se os credores se zangam ou não, não são critérios que o Tribunal Constitucional deva ter em conta. A competência deste, e só ele a tem, é avaliar se os actos governativos são ou não conformes com a Constituição. Vergar-se ao projecto político-ideológico do actual governo equivaleria, de facto, a consumar-se um golpe de estado constitucional. Vergar-se aos interesses dos credores, colocá-los acima da Constituição, mais não seria que uma nova forma de rendição perante um novo tipo de conquista. O que têm de decidir é se sim ou não as medidas propostas ferem a Constituição. Não compete aos juízes do Tribunal Constitucional governar o país, promover o “bem comum” ou sequer atender às reivindicações deste ou daquele grupo social, nem mesmo às dos Funcionários Públicos e Reformados. Compete-lhes garantir que não é violado o império da Lei.

Luís Gottschalk

16 de agosto de 2013

Autárquicas


A APRe! entende ser da maior relevância proporcionar à população mais idosa a oportunidade de uma votação mais esclarecida como condição indispensável para o exercício de uma cidadania eficaz.
Neste sentido, resolveu ajudar o grupo social em causa a escolher os candidatos que melhor defendessem os seus interesses. 
Assim, dirige através dos seus Núcleos de Dinamização Local, um Questionário/Inquérito aos candidatos que se apresentam a votos, nas eleições autárquicas de 2013, cujas respostas serão difundidas publicamente antes da data das referidas eleições, permitindo aos idosos uma apreciação atempada que ajude à sua tomada de decisão de voto.

As questões colocadas referem-se a:

- Mobilidade e Segurança Pessoal
- Encerramento de Serviços Postais 
- Aumento do IMI
- Lei das Rendas
- Impacto dos Cortes das Reformas
- Protecção e Valorização do Respeito Social
- Criação de "Comissão Concelhia de Protecção ao Sénior em Risco"

13 de agosto de 2013

Menezes Leitão














Swaps e pensões

Está há muito estabelecida na jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem e do Tribunal Constitucional alemão a doutrina de que as pensões beneficiam da protecção constitucional da propriedade, pelo que os pensionistas não podem ser delas privados sem indemnização.
No seu Acórdão 187/2013, o  Tribunal Constitucional português, na sua habitual jurisprudência complacente, recusou-se a seguir essa doutrina, o que deixou o governo de mãos livres para atacar os pensionistas do Estado. Pessoas que descontaram para o Estado durante décadas verão assim cortados 10% das suas pensões, na mais vergonhosa quebra de contrato alguma vez verificada em Portugal.
Um governo deve governar para o bem do seu povo. Este governo, porém, preocupa-se mais com o interesse dos credores estrangeiros. Para que estes recebam até ao último cêntimo o dinheiro que apostaram em operações especulativas, o governo confisca os bens dos seus cidadãos.
Ontem foram os salários, hoje são as pensões, amanhã serão provavelmente os depósitos bancários. Tudo para que possam florescer os swaps, o BPN e as PPP. Os que serviram o Estado durante décadas são assim sacrificados a benefício de privados que hoje vivem à conta do Estado. Enquanto os pensionistas vão sofrer, transformados em cidadãos de segunda classe, os vendedores de swaps prosperam. Só se ouvem os seus pregões: “Olha o swap fresquinho! Baunilha, complexo ou tóxico! Ó freguês, fique-me lá com um.”

Luís Menezes Leitão
Professor da Faculdade de Direito de Lisboa

10 de agosto de 2013

Informação


Eduarda Neves, Presidente da Assembleia Geral da APRe!, em declarações, hoje, à
RTP Informação. 

Declaração Política











O líder do Partido Socialista fez uma declaração política relevante sobre os anunciados cortes nas pensões de aposentação e sobrevivência.

António José Seguro prometeu na Madeira que se o PS for Governo vai revogar o diploma que prevê cortes nas pensões pagas pelo Estado. O líder socialista avisa, de resto, que se a medida for aprovada, vai pedir a fiscalização da sua constitucionalidade.

O trabalho e esforço que a APRe! vem desenvolvendo desde há algum tempo, junto de forças políticas com importante representação, terá concorrido para a assunção, pelo Partido Socialista, de uma posição clara, sem ambiguidades, sobre o assunto. 
Continuaremos a lutar com muita determinação para fazer prevalecer a justiça e a razão que nos assistem. 

AQUI, DECLARAÇÕES DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO

9 de agosto de 2013

Pausa



















Primavera

A Primavera vem dançando
com os seus dedos de mistério e turquesa
Vem vestida de meio dia e vem valsando
entre os braços dum vento sem firmeza

Nu como a água o teu corpo quieto e ausente
Só este inquieto esvoaçar do teu sorriso
Loiro o rosto o olhar não sei se mente
se de tão negro e parado é um aviso
do destino que me fixa finalmente

Ai, a Primavera vai passando
com os seus dedos de mistério e de turquesa
Segue Primavera vai cantando
Que será do nosso amor nesta praia de incerteza

Urbano Tavares Rodrigues

8 de agosto de 2013

Informação


NOTA À IMPRENSA

A Convergência que o Governo pretende fazer entre a CGA e a Segurança Social e a sua aplicação com efeitos retroactivos, é mais um ataque aos reformados, desta vez, de forma discriminatória, a um grupo de 380.000 pessoas Qualquer “engenharia financeira” como a que o Governo propõe viola os princípios da protecção da confiança, do direito de propriedade, da equidade, uma vez que se dirige a alguns pensionistas, deixando de fora outros. Trata de igual modo as pensões correspondentes a carreiras contributivas longas e curtas, não tem em conta as pensões unificadas, é o corte cego num contrato feito pelo Estado e que foi fixado como definitivo na data da aposentação de cada pensionista.
A convergência exige a gradualidade e o respeito pelos direitos adquiridos. A APRe! rejeita qualquer aplicação retroactiva, aos pensionistas seja qual for o regime das pensões a que têm direito, afirma a sua determinação na defesa dos direitos dos Aposentados e fará tudo o que esteja ao seu alcance para combater esta injustiça . Da nossa união resulta a nossa força, a nossa resistência persistente Nesta batalha, os agressores têm sempre o objectivo de nos enfraquecerem pelo cansaço. Não irão conseguir.

A Presidente da APRe!
Maria do Rosário Gama