31 de agosto de 2013

Cortes e....Excepções

















Luís Reis Torgal

QUOUSQUE TANDEM ABUTERE, CATILINA, PATIENTIA NOSTRA?
A PROPÓSITO DO CORTE NAS PENSÕES DE APOSENTAÇÃO E… DAS EXCEPÇÕES

Recordo-me de uma conversa que tive uns dias antes das eleições que deram a maioria absoluta ao PS com um alto funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian, onde fui conselheiro do Serviço de Ciência. Afirmei, perante a sua admiração, que era contra maiorias absolutas, fossem de que partido fossem. Uma maioria absoluta tende sempre para a afirmação de um Estado autoritário, se não totalitário. De resto, em alguns casos, foi através de eleições — é verdade que precedidas e acompanhadas de revoluções, com a demagogia e a violência que se seguiram às crises políticas, económicas e financeiras — que surgiram os fascismos nos anos 20 e 30. Não diremos que estamos à beira de um neofascismo europeu — a história, felizmente, nunca se repete, pois se não é uma linha recta, também não é um círculo, sendo a sua imagem de progresso, provavelmente, algo como uma espiral —, mas enfrentamos uma evidente fase de autoritarismo, correspondente a mais um malabarismo do capitalismo, que sempre procura sobreviver e reafirmar-se. Nenhuma crítica magoa a consciência de quem governa (se é que existe crítica, que supõe a ideia de transgressão, e se é que existe consciência).
Mais uma vez este Governo prepara-se para reduzir as pensões dos aposentados da função pública, sob pretexto de que o cálculo das pensões beneficiou sempre o sector público em detrimento do privado, como se alguma vez tivesse dado mostras de se preocupar com a justiça social. O que conta é o pragmatismo neoliberal, que tanto funciona em favor do consumismo que consumiu e continua a consumir alguns, como actua agora pela austeridade que empobrece muitos mais. Desta vez — mais uma vez —, numa lógica de disparate absoluto que ninguém compreende, lança cá para fora ou cria condições para que surjam notícias que nos colocam os cabelos em pé, a ponto de nos perguntarmos se são ou não verdadeiras. A engenharia financeira dos cortes nas pensões é complexa e, nessas notícias desencontradas, além de se verificar a ilusão de que se pretende salvar os mais desfavorecidos (os que ganham até 600 euros ou os que recebem pensões de sobrevivência até 300 euros), aparece a ideia de que há excepções nesses cortes. Fala-se ora dos magistrados e dos embaixadores, ora dos funcionários da Caixa Geral de Depósitos, ora dos políticos que gozaram da benesse de usufruírem de aposentações, ou subvenções vitalícias, após poucos anos de exercício dos seus cargos… Uns porque se mantêm (ou o seu estatuto os mantém formalmente) no activo, outros porque, porventura, as contas da sua aposentação eram diferentes, mas muitos, com certeza, porque correspondem a interesses de classe e ao medo que esses interesses venham ao de cima e prejudiquem a paz podre em que todos vivemos, com um Governo que — parece — já não representa ninguém, além de alguns elementos dos partidos que nos governam, ou desgovernam.
Uma das injustiças da situação é porque muitos aposentados agora atingidos permanecem, afinal, no “activo” e muitos trabalharam e descontaram para a Caixa Geral de Aposentações ao longo das suas vidas, de acordo com as leis vigentes. Estão no activo porque são cidadãos solidários, desempenhando funções gratuitas, ao invés de muitos membros do Governo que pouco ou nada fizeram pelo país, nem justificaram pelo seu currículo a posição que ocupam. 
Perdoem dar o meu exemplo, afinal de simples profissional e cidadão que pretendeu e pretende ser cumpridor e solidário. Tenho 71 anos, aposentei-me com 65 e 43 anos de serviço, três anos como miliciano (leia-se serviço militar obrigatório) nas forças armadas, dois deles passados na Guiné, não entrando em linha de conta com alguns anos em que fui professor do ensino secundário particular, fazendo os respectivos descontos. Fui e sou professor universitário: não mero “docente” (como por aí se diz de alguns simples dadores de aulas em universidades), mas ensinando ao longo da vida e escalando a pulso todos os graus da carreira universitária, de assistente estagiário a professor catedrático, em que permaneci durante 20 anos, sempre em tempo inteiro e dedicação exclusiva. Costumo apresentar-me não como Professor Catedrático Jubilado (a não ser para que os estrangeiros entendam o que sou), mas como Professor Catedrático Aposentado (que lá fora não percebem o que é, pois ser professor é sempre ser Professor e nunca “aposentado”). Continuo activo ao serviço da minha Universidade, que não é apenas a de Coimbra, mas a Universidade como instituição global. Mantenho-me num centro de investigação que ajudei a criar, faço parte do corpo científico de revistas portuguesas e estrangeiras, participo graciosamente em comissões de estudo para que me convidam, dou por vezes aulas de doutoramento de forma gratuita, continuo a investigar, a publicar e a proferir conferências, só auferindo alguma verba esporadicamente, sobretudo com direitos de autor, como, de resto, certificam as minhas declarações de IRS. Mais: aposentado em 3 de Agosto de 2007, continuei a orientar os meus doutorandos e os pós-doutorandos que me procuram e a fazer parte de júris, mais de 20 júris de doutoramento e de concursos para professores associados e catedráticos em várias universidades públicas, sem ganhar um cêntimo, nem sequer por vezes para pagar as despesas de deslocação, pois deixei de ter direito a ajudas de custo.
Torno a pedir desculpa aos leitores por ter falado de mim, dizendo apenas o que fui e o que sou, como muitos outros podem fazê-lo, na qualidade de professores (do pré-escolar e do ensino básico ao ensino secundário e superior) ou de funcionários públicos de outras profissões, as mais variadas. Continuamos alguns no activo, gratuitamente…, e muitos descontaram para a as suas pensões ao longo de muitos anos. Todavia, este Governo com muitos ineptos e oportunistas, que todos os dias ensaiam o espectáculo do Poder, neste país dependente, nesta Europa burocrática e neste “mundo plano” sem controlo, brinca connosco, considera-nos ricos, aplica-nos taxas de solidariedade (!) e pretende agora diminuir ainda mais a nossa pensão de aposentação, não se esquecendo, evidentemente, de algumas excepções… Este país não é para velhos, como não é para novos. Só para alguns poucos e, por vezes, os mais medíocres.


Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? — é famosa, e por vezes tremendamente actual, a frase de Cícero. “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”. Transferindo-a para os dias de hoje: até quando este Governo ou, ainda melhor, este Sistema, abusará da nossa paciência? 

30 de agosto de 2013

FESAP


(Resposta do Secretário Geral da Fesap a Rosário Gama, Presidente da APRe!)

Bom Dia! 

1. Apesar de já lhe ter enviado um comunicado da Fesap em que esclarecemos a nossa posição, entendo dever apresentar a V.Exa. e através de si aos seus associados, as minhas desculpas pela forma errada como foram divulgadas notícias sobre as minhas declarações no fim da reunião desta Federação (Fesap) no passado dia 28 Agosto passado. 

2. A Fesap sempre pautou a sua conduta por uma defesa inequívoca dos direitos dos Aposentados e Pensionistas ao longo da sua existência, pelo que tais, pretensas, afirmações contrariariam tudo aquilo que sempre defendemos ao longo das Negociações havidas com diferentes governos. 

3. Devo também dizer que estas minhas afirmações estão sustentadas nas gravações existentes sobre as diferentes reuniões de negociação com diferentes governos ao longo dos últimos anos. 

4. Entendo dever estar a sua disposição para qualquer esclarecimento que julgue conveniente. Apesar deste mal entendido, apresento-lhe em meu nome e em nome da Federação, os meus melhores cumprimentos,

Jorge Nobre dos Santos.                        

41ª Notícias APRe!









Car@s Associad@s

Depois desta interrupção para férias, agora que a maior parte já está de regresso, venho de novo ao contacto convosco para dar Notícias da APRe!
Vamos entrar num mês de Setembro muito quente em que os incendiários não são só os que pegam fogo às nossas matas e florestas mas todos aqueles que nos estão a “usar” através das alterações que pretendem fazer nas nossas vidas ao prepararem mais cortes nas pensões. Neste momento, ainda não está fora de questão a TSU dos reformados e está em “negociação” o corte de 10% nas pensões da CGA.
É hora de nos unirmos todos neste duro e desigual combate. Temos na APRe! 52% de Associados da CGA e 48% da Segurança Social: precisamos de enfrentar todos juntos este ataque feroz que o governo se prepara para fazer.
Como devem ter ouvido na comunicação social, o Secretário Geral da FESAP, à saída de uma reunião com o Secretário da Administração Pública (Hélder Rosalino) fez declarações desastrosas propondo que os cortes fossem feitos nas pensões mais elevadas. Só o facto de aceitar negociar cortes é uma posição que nós não aceitamos e contra a qual reagimos na televisão (RTP e SIC), com uma nota à Imprensa que vos envio, em anexo e com uma carta dirigida à FESAP e ao Secretário Geral da UGT.
Enviámos também um pedido de audiência ao Secretário de Estado mas duvido que ele nos receba.
Faremos todas as pressões para que esta legislação vá ao Tribunal Constitucional para poder ser suspensa, pois temos pareceres sobre a inconstitucionalidade destas medidas.
Continuamos a aguardar o regresso do “tempo judicial” para vermos qual a melhor maneira de actuarmos no que se refere à portaria 216-A de 2013, sobre a utilização de fundos do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social. 
Temos algumas audiências pedidas, nomeadamente ao Provedor e ao Presidente da República e vamos continuar atentos a toda esta teia em que nos querem enredar.
Vamos fazer a reunião de dinamizadores no dia 13 de Setembro e dessa reunião sairão propostas de estratégias para combater as medidas anunciadas.
Entretanto sugiro aos Associados que enviem para a FESAP (sintap@sintap.pt) 
com com conhecimento à UGT (geral@ugt.pt) um texto em que manifestem o seu desagrado pela posição que o Secretário Geral da FESAP tomou ao aceitar negociar os cortes, como por exemplo este que se segue ou outro:

Perante as declarações que o Secretário Geral da FESAP à saída das negociações com o Secretário de Estado da Administração Publica, no sentido de poderem vir a aceitar “cortes” nas pensões mais altas “protegendo” as pensões mais baixas, informo que não me sinto representado(a) por essa estrutura sindical e que não lhe reconheço legitimidade para tomar posição em nome dos Aposentados deste país. 
Só a retirada oficial desta proposta e uma explicação convincente da FESAP poderá atenuar esta ofensa aos aposentados da CGA.
Saudações Apristas
Rosário Gama

*****

Apelo a todos os organismos representativos dos pensionistas e reformados que formulem essa exigência e que se promova uma petição nesse sentido.
Sugiro, também, que enviemos mensagens para os gabinetes de Passos Coelho e de Paulo Portas, bem como aos grupos parlamentares do PSD e do CDS perguntando-lhes que cortes planeiam fazer, pois eles já sabem quais pretendem aprovar, visto avançarem nos meios de comunicação social os valores globais dos mesmos (as tais "poupanças"), quer na chamada convergência quer na taxa de sustentabilidade.

Carta à FESAP

Carta que a APRe! acaba de remeter ao Secretário Geral da FESAP 
(Com conhecimento do Secretário Geral da UGT)

Exmº Sr. Secretário Geral da FESAP 

A Proposta da FESAP é uma ameaça grave e traiçoeira.
A notícia transmitida pela comunicação social relativa à proposta da FESAP para o corte nas pensões da função pública provoca a surpresa e a revolta em numerosos reformados e constitui um dos golpes mais traiçoeiros e indignos praticados por uma organização sindical portuguesa na nossa época.
Golpe traiçoeiro e indigno pelas seguintes, entre outras, razões:
1. Os cortes retroactivos para a suposta convergência de pensões têm sido sempre rejeitados publicamente por todas as organizações de reformados e sindicais. Apresentar propostas que não sejam no sentido de anular a proposta do governo contradiz em absoluto essa posição política.
2. Os cortes dizem respeito a pensões que reflectem as diferentes funções e competências profissionais, os correspondentes salários e as contribuições impostas para a CGA ao longo de dezenas de anos de trabalho. No quadro de um Estado de Direito e de uma sociedade democrática não tem sentido a proposta da FESAP. É indigna pois pretende colaborar num corte iníquo de rendimentos garantidos, por acordo com o Estado que a FESAP sempre reconheceu, através de uma proposta ao Governo para a qual não consta que estivesse formalmente mandatada pelos aposentados e que contraria os compromissos gerais que a UGT tinha garantido em contactos, ao mais alto nível, com, pelo menos, a APRe!
3. Não aceitamos qualquer negociação que envolva cortes retroactivos nas pensões!
Consideramos ser este um momento muito triste, podemos dizer mesmo vergonhoso, de colaboracionismo perigoso por parte de uma estrutura sindical que aceita, deste modo, a responsabilidade futura do modelo de corte de pensões legais. A experiência da vida e das sociedades humanas ensina-nos que, infelizmente, este tipo de comportamentos inesperados indicia, muitas vezes, uma causa: o desejo de um acordo secreto com o poder por troca de direitos dos mais fracos. Os aposentados da função pública não esquecerão este acto da FESAP. 
Só a retirada oficial desta proposta e uma explicação convincente da FESAP poderá atenuar esta ofensa aos aposentados da CGA.
Portugal, 29 de Agosto de 2013


A Presidente da APRe! – Aposentados, Pensionistas e Reformados
Maria do Rosário Gama

29 de agosto de 2013

Tenho um sonho

TENHO UM SONHO

Com a América, parece-nos sempre que todos os sonhos são realizáveis. The American dream. Não tenho a certeza de ser bem verdade. Obra de um magnífico marketing; ou porque a galinha da vizinha é sempre melhor que a minha. A realidade lá para as terras onde o Sol se põe, nem sempre é cor-de-rosa: as bolsas de pobreza extrema, de exploração, de desigualdade, os contrastes violentos entre as grandes metrópoles e os estados no centro do grande continente, têm de nos fazer pensar. Detroit hoje em dia. É compreensível? Dispenso as explicações de ordem financeira. Como nos deve fazer meditar a narrativa pintada de forma gloriosa que os norte-americanos fazem da sua própria história. Não vou discutir os factos históricos per se, mas gloriosas são todas as histórias. O combate do homem por melhores condições de vida, contra a adversidade, pelo progresso e pela igualdade. É sempre gloriosa, estejamos na Europa, na Ásia, na África ou na América. Em todas as latitudes a história faz-nos sofrer até às lágrimas, causa-nos a mais profunda alegria, mexe com os nossos sentimentos e afectividades. Espantamo-nos por sabermos um pouco mais da história americana do que era expectável. Talvez se trate de uma bela publicidade e propaganda. Vale a pena lamentarmos isso? A história deixou de ser o que era? Impor a sua história, a forma como ela é contada apenas demonstra que há quem não brinque em serviço. Divulgar a sua história como os americanos o fazem – de acordo com um modelo holiodesco – é com certeza uma forma de imporem as soluções sociais em que acreditam. Aquilo que temos de fazer é separar o trigo do joio e perceber onde pára a realidade e começa a propaganda. Por exemplo, o caso da marcha liderada por Martin Luther King. I have a dream, I have a dream. Luther King teve uma nação atrás dele e essa realidade é empolgante. Pedia muito? Aos olhos de uma sociedade habituada às desigualdades raciais, sim, pedia muito. Era utópico? Não, não era. A utopia cresce na razão directa da inércia e do conformismo. A utopia existe para quem não quer perder privilégios. Admito que talvez existam aqui algumas nuances mas muito poucas. Faz-nos bem, acorda as nossas consciências olhar agora para a América, recuar cinquenta anos e afirmar bem alto que temos um sonho. Um sonho que recusa reduções nos salários mínimos; um sonho que passa por ter um governo que esteja genuinamente interessado em defender os portugueses no presente e no futuro; um sonho que projecta uma sociedade que não exclui os seniores; um sonho que ponha fim à iniquidade que invade o nosso dia-a-dia; um sonho que nos devolva a dignidade que temos perdido nas mãos do FMI, do BCE e da EU; um sonho que se opõe liminarmente à política de empobrecimento. Tenho um sonho, uma palavra de ordem fantástica, grande, unificadora. Ou a outra palavra de ordem pouco lembrada, mas muito usada na grande marcha. The time is now. Ou seja, chegou a altura. De facto, chegou a altura de nos levantarmos, pôr de parte o que nos possa dividir e entorpecer. Nós não temos todo o tempo do mundo. O que vem aí, que os jornais vão anunciando, é verdadeiramente catastrófico e humilhante. Não estamos a caminhar para o futuro; estamos a voltar ao passado em marcha acelerada. É o cerne do regime democrático que está em causa. A continuar assim, num ápice, estaremos a dizer, que tínhamos um sonho. Ora, tenho um sonho, sim, quero gozá-lo e quero partilhá-lo com outros portugueses sobretudo com os mais jovens, desfrutando da sua alegria e confiança.

Luísa Cabral

28 de agosto de 2013

Comunicação









Nota à Imprensa

Tem vindo a ser noticiado pelos vários orgãos de comunicação social o conteúdo das reuniões hoje realizadas no Ministério das Finanças, entre o Secretário de Estado Helder Rosalino e as Estruturas Sindicais.
A APRe! não é parceiro social e o Governo não nos convoca para colher qualquer opinião sobre o que pretende legislar em matéria de “cortes” nas pensões da Caixa Geral de Aposentações.
As notícias que nos vão chegando referem que a FESAP terá feito declarações no sentido de poderem vir a aceitar “cortes” nas pensões mais altas “protegendo” as pensões mais baixas.
A Direcção da APRe, apesar do respeito que as estruturas sindicais lhe merecem, não se sente representada por estas nos assuntos que dizem respeito aos aposentados e exige ser ouvida sobre tão gravosa medida anunciada pelo Governo.
Existimos porque queremos defender todos os direitos dos Aposentados, Pensionistas e Reformados.
A APRe! usará de todos os meios ao seu alcance para que a legislação seja alvo de apreciação pelo Tribunal Constitucional, solicitando audiências a todos os orgãos de soberania que tenham legitimidade para pedir a apreciação constitucional.

Maria do Rosário Gama
Presidente da APRe!

27 de agosto de 2013

Vale tudo!!!









Vale tudo!!!

A Convergência que o Governo pretende fazer entre a CGA e a Segurança Social e a sua aplicação com efeitos retroactivos, é mais um ataque aos reformados, desta vez, de forma discriminatória, a um grupo de 380.000 pessoas A APRe! rejeita qualquer aplicação retroactiva, aos pensionistas de qualquer regime das pensões a que têm direito: para os pensionistas da CGA, o anúncio de uma taxa de10%, corresponderia, para os mais recentes, a um corte final de não menos de 21% na pensão outrora calculada, uma vez que os que se reformaram a partir de Janeiro de 2003 já suportam uma quota de 11% para a CGA. Qualquer “engenharia financeira” como a que o Governo propõe é manifestamente inconstitucional, é a violação do princípio da protecção da confiança, do direito de propriedade, da equidade uma vez que se dirige a alguns pensionistas, deixando de fora os Juízes e Diplomatas já aposentados. Trata de igual modo as pensões correspondentes a carreiras contributivas longas e curtas como por exemplo os deputados, não tem em conta as pensões unificadas, é o corte cego num contrato feito pelo Estado e que foi fixado como definitivo na data da aposentação de cada pensionista. A convergência exige a gradualidade e o respeito pelos direitos adquiridos De acordo com o artigo 46º do Estatuto da Aposentação: “Pela aposentação o interessado adquire o direito a uma pensão mensal vitalícia, fixada pela Caixa(...)” nos termos definidos naquela Lei. E dispõe o artigo 20º da Lei de Bases da Segurança Social: “ O princípio da tutela dos direitos adquiridos e dos direitos em formação, visa assegurar o respeito por esses direitos(...)”

Este país não é para velhos … e para novos também não…

A Presidente da Direcção da APRe!
Maria do Rosário Gama