25 de abril de 2018

Dia Europeu da Solidariedade entre gerações, 29 de abril de 2018 (AGE – Platform Europe - Comunicado de Imprensa)


Bruxelas, 25 de abril de 2018


Dia Europeu da Solidariedade entre gerações, 29 de abril de 2018


É necessário mais diálogo e participação intergeracional

Há dez anos, a Presidência eslovena do Conselho propôs declarar 29 de abril como o Dia Europeu da Solidariedade entre gerações. A proposta baseou-se numa sugestão da Plataforma AGE e do Fórum Europeu da Juventude. O primeiro Dia foi oficialmente lançado a 29 de abril de 2009. Dentro de poucas semanas, a Comissão Europeia publicará o Relatório de Envelhecimento de 2018 e o Relatório de Adequação das Pensões em 2018. Ambos os relatórios destacam as escolhas difíceis que ainda temos pela frente nas nossas sociedades para garantir a equidade entre gerações.

Numa altura em que os líderes europeus estão a repensar o futuro da Europa, precisamos de envolver todas as gerações no debate democrático e na formulação de políticas e promover a diversidade etária em todas as áreas da sociedade. Envolvimento, participação e interações são pré-requisitos essenciais para construir sociedades verdadeiramente amigas do idoso.

“É extremamente importante celebrar a solidariedade entre gerações, sobre a qual se baseiam as sociedades europeias”, disse Anne-Sophie Parent, Secretária-Geral da AGE Platform Europe.

As pessoas mais velhas contribuíram para os sistemas de proteção social ao longo de suas vidas e continuam a dar grandes contribuições para as suas comunidades. O seu papel na sociedade deve ser reconhecido, e temos de fazer mais para prevenir a pobreza na velhice e a exclusão social, e para resolver o fosso da reforma de género. Ao mesmo tempo, a geração atual de jovens enfrenta muitos desafios, desde a precariedade do trabalho e o difícil acesso à proteção social até dificuldades para conciliar o trabalho com a vida privada. Atualmente, a sociedade europeia precisa de mais investimentos em formação e educação, melhores serviços de cuidados infantis e de longa duração, bem como vontade política para atualizar sistemas de proteção social que não penalizem os jovens.

 Para atingir este equilíbrio, precisamos de criar estruturas onde as gerações possam conversar entre si e compreender os desafios de cada uma, encontrando  soluções  que sejam justas para todos. Anne-Sophie Parent falou sobre um evento organizado em 24 de abril de 2018 por um membro da AGE, Sindicato dos Idosos (ESU) e o Escritório da IDEA Internacional para a União Europeia sobre 'Envolvimento de Gerações no Diálogo para a Democracia'.

 “O caminho dos jovens para a independência e autonomia tornou-se cada vez mais difícil. Muitos jovens acham difícil planear o seu futuro. Isso é resultado da insegurança no mercado de trabalho, transições mais longas da escola para o trabalho e sistemas de assistência social não compatíveis com a realidade dos jovens de hoje.

“ Se não fizermos melhor, corremos o risco de aumentar as desigualdades nas sociedades europeias e entre gerações ”, afirma Anna Widegren, Secretária-Geral do Fórum Europeu da Juventude. “Uma Europa mais social e sustentável é aquela em que os sistemas de previdência social se baseiam na solidariedade intergeracional; mais recursos são investidos em melhores sistemas de atendimento para garantir o equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar e preparar as mudanças demográficas. Por outras palavras, uma Europa mais social deve assegurar que os idosos, tanto quanto os jovens, possam confiar no seu presente e futuro. ”

Em 21 de junho de 2018, a AGE e o Fórum Europeu da Juventude irão apoiar uma reunião do Intergrupo do Parlamento Europeu sobre Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações no respeitante ao Relatório sobre o Envelhecimento de 2018 e a justiça intergeracional.

"A ‘Silver Economy’, da Europa, só pode ser um sucesso com um papel forte para os nossos jovens. A sua contribuição oferece-nos um mundo de solidariedade na era digital, combinando participação plena e atendimento de alta qualidade com a necessidade dos Europeus ”, disse Lambert Van Nistelrooij, Copresidente do Subgrupo Intergrupo Envelhecimento Ativo e Solidariedade entre Gerações.

AGE Platform Europe
Avenue de Tervuren 168/2, 1150 Brussels

Tel: +32 2 280 14 70

email: info@age-platform.eu
Web: www.age-platform.eu

Liberdade, liberdade! Espetáculo Musical Performativo alusivo ao 25 de abril

O Coro APRe! Coimbra apresenta Liberdade, liberdade! neste Abril de 2018. O coro é o elemento central do espetáculo que entoa temas alusivos a “Liberdade, Liberdade! e se movimenta no espaço, ainda que pontualmente.

O espetáculo integra e intercala com os temas musicais, pequenos excertos de textos e poemas de José Saramago, José Gomes Ferreira, António Arnaut entre outros, bem como imagens que são projetadas num quasi espetáculo multimédia, que consolidam o discurso performativo. 

Há um outro elemento tão importante ou mais que o coro, umas correntes! As correntes surgem como o objeto central de todo o discurso artístico, coral, poético e cénico, remetendo-nos para um tempo passado de dor, de escravatura, prisão, de amarras, … ao mesmo tempo que para um tempo presente de pobreza, fome, desemprego, solidão, abandono e projetando-nos num tempo futuro de esperança terminando o espetáculo com o canto de “No Man is an Island”.

Liberdade, Liberdade! vê-se hoje como um lugar de reflexão, de experimentação e construção artística, ao mesmo tempo que promove a interação entre as artes performativas cénicas e multimédia e em contextos performativos não profissionais.

Dirige o Coro a Maestrina Susana Teixeira.


17 de abril de 2018

Segundo Concerto Anual da APRe!

Decorrente de um Protocolo de Parceria entre a APRe! e a Casa da Música, vai realizar-se o Segundo Concerto Anual da APRE! na Casa da Música, no dia 12 de Maio, sábado, às 18h00, com o seguinte Programa:



Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música


Brad Lubman direcção musical
Franz Shubert/Georg Friedrich Haas Torso
Georg Friedrich Haas Natures Mortes
Alban Berg Três Peças para orquestra, op.6


Estamos convictos que, a exemplo do ano passado, este Concerto será um sucesso. O preço de cada bilhete é de 10 euros, para os associados e convidados (familiares ou amigos).

Nesse dia, às 17h 15m haverá uma Palestra pré-concerto por Daniel Moreira (tal como no ano passado) com uma breve explicação do contexto histórico, social e musical em que as obras em programa foram criadas, procurando despertar-nos para uma audição mais informada.

Assim, se quiser assistir ao referido espectáculo deverá fazer a sua reserva para o email da delegação até 23 de Abril, quarta-feira, dizendo quantos bilhetes pretende.

No dia 26 de Abril, será efectuado o pagamento dos bilhetes na Sede Delegação do Norte
Rua de Santa Catarina nº 1480- 4º - Sala 3
4000-448 - Porto

Telef: 224023065 
email: apre.delegacaonorte@gmail.com,

onde estarão responsáveis da APRe! entre as 15h e as 18h.

Quem  não puder comparecer nesse dia, avisa por favor, para se combinar outra data ou, caso resida longe do Porto, outra forma de pagamento.

Elisabete Moreira
Delegada do Norte da APRe!
apre.delegacaonorte@gmail.com

10 de abril de 2018

Dia 11 de Abril é o dia Mundial da doença Parkinson.


A AGE Platform Europe associa-se à comemoração divulgando o projecto de investigação iPROGNOSIS através de uma aplicação móvel para os smartphones.

A doença de Parkinson (DP) é uma doença crónica e progressiva que frequentemente se inicia com sintomas ligeiros que avançam gradualmente ao longo do tempo. Os sintomas podem ser tão subtis nos estágios iniciais que passam despercebidos deixando a doença não diagnosticada durante anos. A aplicação iPrognosis é uma ferramenta pessoal e um instrumento de investigação que pretende recolher dados de forma não invasiva através da interação com smartphones, desenvolvendo testes para a detecção precoce da DP.

O i-PROGNOSIS é um projeto de investigação (Programa Horizonte 2020), que te convida a usar a aplicação iPrognosis e a participar num estudo Europeu contra a DP. O projeto i-PROGNOSIS propõe uma abordagem radical, capturando o risco de transição da condição de saudável para doente de Parkinson, baseando-se na recolha não invasiva de dados comportamentais a partir da interação natural dos utilizadores.

Como funciona este estudo?

Com a aplicação iPrognosis, pretendemos recolher dados através da sua interação com o smartphone. Estes dados gerais (GData), contêm análises da fala, do movimento e de sintomas não-motores. Estes sintomas foram identificados com base no nosso conhecimento sobre os sintomas motores e não-motores mais relevantes da DP. Para participar neste estudo, primeiro terá de aceitar o Consentimento. De seguida, a aplicação iPrognosis irá correr “silenciosamente” e gratuitamente no seu smartphone, capturando a sua interação durante as atividades do seu quotidiano. Nenhuma interferência ocorrerá durante a utilização diária do seu smartphone, podendo utilizá-lo normalmente.

Que dados serão recolhidos?


  • As características da sua voz ao fazer uma chamada telefónica. O conteúdo pessoal da sua chamada nunca é armazenado.
  • Manuseamento do smartphone durante as chamadas ou interação com o teclado, utilizando sensores, como por exemplo o acelerómetro.
  • Dados relacionados com as teclas do teclado iPrognosis do seu smartphone quando escreve. O conteúdo que escreve nunca é gravado.
  • A distância diariamente percorrida, caso ative os serviços de localização do seu smartphone e estiver com ele por perto.
  • O conteúdo emocional das mensagens de texto armazenadas. O conteúdo das suas mensagens não é armazenado.
  • Expressões faciais das fotografias armazenadas. As fotografias nunca serão apagadas do seu smartphone.


Poderá sempre alterar o tipo de dados que pretende gravar nas Configurações da aplicação.

Confidencialidade e proteção de dados:

Os seus dados serão protegidos da melhor forma possível. Os dados serão encriptados no seu smartphone e o seu nome será substituído por um ID codificado e, assim, todos os dados recolhidos serão anónimos. O seu nome (fictício) e número de telefone não serão utilizados para relatórios sobre o projeto. O Microsoft Innovation Center, na Grécia, é o principal responsável pela proteção de dados.

Quem pode participar?

Todos os voluntários saudáveis ou pacientes com início precoce da DP entre os 40 e 90 anos de idade.

Quais os benefícios da sua participação?

Ao participar neste estudo, contribuirá para um projeto Europeu H2020, que pretende desenvolver uma aplicação para ajudar a deteção precoce da DP. Este estudo pode também oferecer benefícios mais amplos para a sociedade e para aqueles que se encontram em condições semelhantes.

Quais os riscos da sua participação?

Não existem quaisquer riscos na realização do estudo para os participantes. Contudo, a aplicação iPrognosis tem um impacto mínimo na vida útil da bateria do seu smartphone.

E no caso de querer desistir deste estudo? 

Pode desistir do seu consentimento a qualquer momento e interromper a sua participação na recolha de dados, selecionando a opção “Desistir” na secção “Consentimento” nas Configurações da aplicação. Ao desinstalar a aplicação, a recolha de dados será interrompida.

Nota importante:

Este estudo foi revisto e aprovado pelo Conselho de Ética da Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, Portugal.

Clique aqui para saber mais


6 de abril de 2018

Conferência / Debate "O Desafio da Diabetes e Alimentação Saudável"

Conferência / Debate "O Desafio da Diabetes e Alimentação Saudável" - 10 de Abril (3.ª feira) pelas 14h30 , organizada em parceria pelo Núcleo Lisboa Norte da APRe! e pela Junta de Freguesia de Santa Clara.


A SUA SAÚDE É IMPORTANTE!
PARTICIPE NESTA CONFERÊNCIA / DEBATE!
E TRAGA ALGUNS AMIGOS TAMBÉM!



Oradoras:
Dr.ª Isabel do Carmo, médica, professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, fundadora da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, da Sociedade Portuguesa de Diabetologia e da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade;
Dr.ª Margarida Santos, psicóloga social, co-coordenadora do Projecto MAIS PARTICIPAÇÃO, melhor saúde.

Local: Sede da Junta de Freguesia de Santa Clara - Lisboa
Morada: Largo do Ministro nº 1 em Lisboa

O local é servido pelo Autocarro 703 e pela estação de Metro Ameixoeira (Linha Amarela).

2018-04-05 Comunicado de Imprensa AGE Platform Europe

Comunicado de Imprensa AGE Platform Europe

Dia Mundial da Saúde - 07 de Abril de 2018

Uma saúde melhor e mais inclusiva garantirá o futuro sustentável da Europa


Bruxelas, 5 de abril de 2018


Em 2018, na Europa, as desigualdades na saúde estão a aumentar e mais pessoas têm de fazer uma escolha entre cuidados de saúde e outras necessidades básicas. Esta situação cria uma ameaça social e económica que os países da UE não podem suportar! Com o envelhecimento da população e o aumento das doenças crónicas, é fundamental investir na saúde. Apenas uma sociedade saudável pode gerar crescimento sustentável e prosperidade para todos.
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Em consonância com o Objetivo 3 de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com o slogan «Saúde para Todos», o Dia Mundial da Saúde 2018  pede o acesso universal à saúde, o que significa o acesso para todos, sem discriminação, sem deixar ninguém para trás. Todos e em todos os lugares têm o direito de beneficiar dos serviços de saúde de que precisam sem cair na pobreza. Infelizmente, mesmo na Europa, isso ainda não é uma realidade. Muitas pessoas enfrentam barreiras crescentes para ter acesso a cuidados de saúde acessíveis e de qualidade. 

Dados recentes da OCDE mostram que, embora a maioria dos países da OCDE tenha alcançado a cobertura de saúde universal ou quase universal, o acesso aos cuidados de saúde deve ser melhorado. As pessoas nos países da OCDE estão a viver mais tempo, mas a carga de doenças mentais e doenças crónicas está a aumentar, fazendo com que os pedidos para cuidados de longa duração cresçam mais rapidamente do que os pedidos para qualquer outro tipo de assistência médica.

Por esse motivo, a AGE juntou-se à campanha da EPHA apelando à UE para "fazer mais pela saúde" no quadro do atual debate sobre o futuro da União Europeia.

“A promoção do envelhecimento ativo e saudável está a ser cada vez mais reconhecida nos debates políticos da UE como uma resposta adequada para enfrentar o envelhecimento da população na Europa. Para isso, precisamos de mais e melhores investimentos em saúde, em particular na prevenção da saúde em todo o ciclo de vida e no acesso a cuidados de qualidade e acessíveis a longo prazo” , salienta Anne-Sophie Parent, Secretária-Geral da AGE Platform Europe.  


O “ageism” é uma barreira chave que impede o acesso dos idosos aos cuidados médicos. Nas nossas sociedades, muitas políticas e práticas refletem preconceitos, despriorizam, desconsideram ou, até mesmo, excluem as pessoas à medida que envelhecem. Isso tem consequências significativas na saúde dos idosos, como ficou demonstrado durante o nosso evento conjunto em novembro de 2017 em apoio à campanha global da OMS contra o preconceito da idade.

Mais Informações







20 de março de 2018

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir

Têm alta clínica mas mantêm-se internadas nos hospitais por falta de resposta da rede de cuidados continuados ou por incapacidade de as famílias os receberem. Casos sociais custam ao SNS num ano cem milhões de euros.

Quase mil pessoas internadas por não terem para onde ir
Apesar de já terem alta clínica, ou seja, de não precisarem de estar num hospital por motivos de saúde, a 19 de Fevereiro 960 pessoas mantinham-se internadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) por motivos sociais. São pessoas que aguardavam, sobretudo, por uma resposta da rede de cuidados continuados ou situações em que as famílias não tinham capacidade ou condições para as receber em casa.


No dia em que os dados foram recolhidos, somavam já mais de 64 mil dias de internamento inapropriado com custos financeiros que estimados a um ano ascendem a 100 milhões de euros. Mas também com grandes custos sociais.


“A cada dia que estão internados, principalmente os idosos, perdem capacidade. Um dia internado corresponde a um mês de fisioterapia de recuperação. Estamos a falar de pessoas que estão, em média, 67 dias internadas. Provavelmente muitas nunca vão recuperar a sua funcionalidade”, alerta o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) Alexandre Lourenço.

Os dados fazem parte da segunda edição do Barómetro de Internamentos Sociais, iniciativa da APAH, que é apresentado este sábado em Viseu na 4.ª Conferência de Valor. A 16 de Fevereiro os casos sociais representavam 6% do total de doentes internados naquele dia. Um aumento em relação ao primeiro balanço, feito a 2 de Outubro do ano passado, em que os hospitais comunicaram 655 internamentos sociais (4,9% do total de internamentos).

Participaram no barómetro 35 dos 47 hospitais (74%), mais um do que na recolha anterior. Alexandre Lourenço faz a ressalva que nesta segunda edição houve uma alteração do perfil dos hospitais, com a entrada de algumas unidades com maior dimensão.


Os dados foram recolhidos cerca de um mês depois do período de maior gripe e de frio que deixou os hospitais esgotados. “Temos cerca de 21 mil camas no SNS e cerca de 6% estavam ocupadas com casos sociais. No limite é o suficiente para termos um congestionamento no acesso ao internamento e um problema nas urgências. As macas que se vêm nas urgências são situações que requerem internamento”, explica o responsável.

Mas este está longe de ser só um problema de saúde e da saúde. “Grande parte deste fenómeno é de natureza social e, assim sendo, as situações que aparecem são de doentes em exclusão social para os quais depois do internamento não vamos conseguir uma resposta adequada e segura. É um pouco um círculo vicioso. Temos de encontrar soluções a montante para evitar que estas pessoas tenham necessidade de cuidados hospitalares, para identificar as pessoas que vivem isoladas, os idosos que não têm dinheiro para climatizar as casas ou para comprar medicamentos. Há um trabalho conjunto que tem de ser feito na comunidade”, aponta.

A maioria dos casos sociais identificados na segunda edição deste barómetro é de pessoas com mais de 65 anos. O caso mais extremo foi o de uma pessoa que estava internada há 214 dias. São poucos os casos de abandono, mas muitos os que aguardam uma resposta para admissão na rede de cuidados continuados. A segunda causa é a incapacidade de resposta da família e por isso considera fundamental dar impulso aos apoios aos cuidadores informais.


O número de vagas nas unidades que fazem parte da rede de cuidados continuados é limitada, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo. Mas há também um trabalho que os hospitais têm de melhorar, como reconhece Alexandre Lourenço, na área da referenciação domiciliária onde existem vagas e equipas disponíveis.

O responsável reconhece que os hospitais são estruturas complexas, com dificuldade em articular-se com a comunidade. A que se junta um modelo de gestão rígido da saúde, pouco aberto a novas soluções como a que existe na Holanda em que existem equipas de enfermagem a promover a actividade dos cuidadores informais.

O congresso terá também um momento dedicado às novas tecnologias, ferramentas que podem ser poderosas aliadas na continuidade dos cuidados, evitando agravamentos drásticos que obriguem a internamentos. Como a telemonitorização ou sistemas de alerta conectados a aparelhos de casa, como uma simples máquina de café, que se a pessoa não ligar a determinada hora envia uma mensagem escrita para o cuidador informal.


Cem milhões num ano

Além dos custos sociais, os internamentos inapropriados são também uma elevada factura para os hospitais. Os mais de 64 mil dias de internamento que os 960 doentes já somavam no dia em que os dados foram apurados (19 de Janeiro) representavam um custo de 26,3 milhões de euros. Valor que tem como referência os 279 euros de custo diário de um internamento num hospital e os 39 euros de diária numa unidade psiquiátrica.

A estimativa a um ano é de cerca de 100 milhões. “Esta conta é para os hospitais analisados. Se extrapolarmos ao restante universo, o valor é maior”, ressalva Alexandre Lourenço, acrescentando que esta iniciativa – que é feito com o apoio da consultora EY – conta com a colaboração do Ministério da Saúde. “Começamos a ter uma ideia conjunta de qual a dimensão do problema. Para o ministério é importante para propor medidas para resolver esta matéria.”

Porque se nada for feito, afirma, “esta realidade vai ter uma tendência crescente com o envelhecimento da população e sem a melhoria das condições económicas e com a precariedade a manter-se, a capacidade das famílias acolherem os doentes também será menor”.

O barómetro que é feito trimestralmente vai passar a ter uma ferramenta online, no site da APAH, para que os dados estejam públicos e disponíveis a quem os quiser consultar.

Ana Maia in Público de 17/03/2018