16 de setembro de 2018
AGE NEWSFLASH 10/08/2018
A AGE e os seus membros fazem ouvir as vozes de pessoas idosas no Grupo de Trabalho Aberto da ONU sobre Envelhecimento OEWGA
A AGE e uma forte delegação de nossas organizações membros participaram da 9ª sessão do Grupo de Trabalho Aberto sobre Envelhecimento das Nações Unidas (UNOEWG) * em New York de 23 a 26 de julho de 2018. As sessões reuniram os Estados Membros da ONU, a sociedade e as instituições nacionais de direitos humanos para examinar como melhorar o gozo dos direitos humanos pelos idosos em todo o mundo. Deu o impulso certo para que as organizações não governamentais (ONGs) dessem maior visibilidade às violações dos direitos das pessoas idosas ao nível da ONU e da UE.
Ao longo do ano, oito novos membros da AGE foram credenciados junto do UN OEWG, elevando o número de membros credenciados para quinze. Esse aumento acentuado reflete o crescente comprometimento de nossos membros com as discussões sobre direitos humanos. Foram convidados a fornecer contribuições para o debate no OEWG sobre elementos normativos em torno da “igualdade e não-discriminação” e “violência, negligência e abuso” (com base nas discussões substantivas sobre ambos os temas na sessão de 2017) e sobre os direitos de “autonomia e independência ”e aos“ cuidados paliativos e de longo prazo ”.
A AGE aproveitou a ocasião da sessão do OEWG para enfatizar ainda mais a necessidade de apoiar melhor o envolvimento da sociedade civil e das ONGs. Como o presidente da AGE, Ebbe Johansen, insistiu numa declaração introdutória apoiada por membros credenciados da AGE e por algumas organizações parceiras, “precisamos que os estados integrem pessoas idosas nas suas delegações e apoiem o seu envolvimento ativo. As discussões sobre os direitos das pessoas idosas não podem continuar sem a participação ativa das pessoas mais velhas! ”
O valor acrescentado de envolver a sociedade civil num debate eficaz sobre os direitos e a dignidade dos idosos foi também salientado durante a sessão plenária de abertura pelo representante da UE, Johan Ten Geuzendam (Comissão Europeia, Direcção-Geral da Justiça), que se referiu ao trabalho da AGE, explicando o trabalho realizado pela União Europeia para promover os direitos das pessoas idosas. O Sr. Ten Geuzendam mencionou em particular dois eventos co-organizados pela AGE:
· A reunião dos peritos europeus e das partes interessadas sobre os direitos humanos das pessoas idosas realizada em 12 e 13 de abril de 2018.
· O seminário conjunto sobre as condições de trabalho no setor da saúde: implicações para os direitos laborais, a qualidade dos serviços e a dignidade dos idosos em 5 de junho de 2018
Agradecemos aos nossos membros o envolvimento ativo e frutífero que possibilitou que as discussões do OEWG fossem melhor informadas e guiadas pelos pontos de vista e experiências das pessoas idosas.
Além disso, incentivamos as nossas organizações membros que ainda não estão credenciadas a participar da discussão e usar o impulso do OEWG para promover os direitos humanos das pessoas idosas nos seus respetivos países.
* Nota: Criado em 2010, o Grupo de Trabalho Aberto sobre Envelhecimento da ONU (OEWG) é um grupo de Estados Membros da ONU e da sociedade civil, com mandato para considerar a estrutura internacional dos direitos humanos dos idosos, para identificar possíveis lacunas normativas e como melhor abordá-las, inclusive considerando a viabilidade de novos instrumentos e medidas.
DIREITOS SOCIAIS DOS IDOSOS
Por iniciativa do Núcleo de Braga da APRe! realizou-se na sexta feira, dia 14, pelas 15 horas na BIBLIOTECA LÚCIO CRAVEIRO DA SILVA – na Rua de S. Paulo nº 1, BRAGA uma Palestra, seguida de Debate, sobre os “DIREITOS SOCIAIS DOS IDOSOS”, com intervenções de ROSÁRIO GAMA E DE BETÂMIO DE ALMEIDA, dois dos autores do livro “OS SONHOS NÃO TÊM RUGAS”.
PREVENIR O ENVELHECIMENTO CEREBRAL. CUIDAR A PESSOA
O Núcleo Benfica / S. Domingos de Benfica vai realizar no próximo dia 18 de Setembro às 14h 30m na Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, Sala da Assembleia de Freguesia, um colóqui sob o tema PREVENIR O ENVELHECIMENTO CEREBRAL. CUIDAR A PESSOA.
Participação do Núcleo do Seixal nas várias festas de verão realizadas no concelho.
O núcleo do Seixal esteve presente nas várias festas de verão realizadas no concelho do Seixal, divulgando a APRe!, esclarecendo, respondendo a perguntas e dúvidas, e publicitando os nossos próximos eventos.
Aproveitámos para perceber melhor as dificuldades dos reformados e pensionistas e onde a APRe! poderá ajudar a ultrapassar essas dificuldades - é sempre um motivo de satisfação pelo nosso trabalho e uma razão de preocupação pelas cada vez maiores dificuldades que se colocam a esta faixa etária, principalmente na área da saúde e no diminuto valor das reformas.
Aproveitámos para perceber melhor as dificuldades dos reformados e pensionistas e onde a APRe! poderá ajudar a ultrapassar essas dificuldades - é sempre um motivo de satisfação pelo nosso trabalho e uma razão de preocupação pelas cada vez maiores dificuldades que se colocam a esta faixa etária, principalmente na área da saúde e no diminuto valor das reformas.
Núcleos do Seixal e de Almada: Sessão sobre o tema genérico "a guerra colonial"
Os núcleos do Seixal e de Almada realizaram em 13 de Setembro 2018 uma sessão sobre o tema genérico "a guerra colonial", com Carlos Vale Ferraz, heterónimo literário do coronel Matos Gomes, acerca do seu livro "Nó Cego".
Com uma resenha histórica sobre o colonialismo português, nos aspectos sociológicos e económicos, o orador transportou-nos ao longo dos anos até ao eclodir da guerra colonial e as razões da posição dos governos de então, em 1961 com Salazar e em 1971 com Marcelo Caetano, numa análise lúcida e objectiva do antes do 25 Abril. Levou-nos depois para o adormecer da guerra colonial no pós 25 de Abril, dando-nos uma perspectiva corajosa desse período tão importante da nossa história, bem como do papel das forças armadas.
Seguiu-se um período de perguntas e respostas que proporcionou várias abordagens sobre o tema em debate, numa conversa muito animada com o orador.
10 de setembro de 2018
Uma nova ética para as novas tecnologias?
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| A. BETÂMIO DE ALMEIDA |
A responsabilidade política de consequências futuras não deve ser atribuída às próprias tecnologias mas sim a quem as utiliza ou permite.
“As tentativas de criação de máquinas pensantes vão ser muito úteis para descobrirmos como pensamos”
Alan Turing (1912-1954)
Vivemos numa época em que a tecnologia é considerada a redentora privilegiada da sociedade. Com a tecnologia, os cidadãos têm os benefícios incontestáveis que conhecemos. Os empresários e empreendedores procuram o sucesso comercial, os gestores a eficiência e a competitividade, os militares as armas perfeitas e os políticos a sustentabilidade e o crescimento económico.
Sabe-se que a evolução da humanidade está marcada, desde o domínio do fogo, pelo uso de técnicas e instrumentos. Paulatinamente, as técnicas estruturaram e moldaram o trabalho e a vida em sociedade. No séc. XX, a técnica potenciou uma dinâmica abrangente e o “sistema técnico-social” foi impondo um modo específico de estruturação da sociedade, uma “metodologia racionalizada e generalizada“, segundo J. Ellul (1912-1994). Contudo, a par dos efeitos positivos das técnicas são também conhecidos aspectos negativos para a sociedade e para o planeta como são os diferentes modos de poluição.
Não cabe no propósito deste texto discorrer sobre o significado histórico das metamorfoses da técnica. Desde a integração fundamental do conhecimento científico à ligação, que passou a ser íntima, com as actividades de produção, comerciais, publicitárias e financeiras. É uma complexa teia de interesses o que actualmente é designado na comunicação social por “tecnologia”, em detrimento do termo “técnica” que era adoptado tradicionalmente na Europa continental. A tecnologia tem sempre algo de encantatório e de mágico que fascina e foi associada ao sentido libertador do progresso da Humanidade. Um sinal político vincado que actualmente perdeu brilho.
Com o advento de tecnologias mais avançadas (nomeadamente análise e gestão de dados, “blockchain” e “bitcoins”, inteligência artificial e robotização autónoma), há visionários que anunciam para breve uma disrupção completa (e imposta) na sociedade, em todos os modos de vida humana. Face a estas novas tecnologias, a sociedade tem, como aconteceu no passado, comportamentos contraditórios: um entusiasmo incondicional face aos novos produtos e dispositivos tecnológicos, a par de um temor mitológico pela transgressão prometaica de uma ordem natural; mas também uma aparente submissão por parte das elites políticas de diferentes ideologias afirmando a inevitabilidade do devir tecnológico como um determinismo, não obstante a preocupação e os avisos de personalidades (e.g. Stephen Hawking) contra as potenciais ameaças a direitos, à democracia e à Humanidade. A tecnologia não é neutra na medida que potencia comportamentos e intervenções humanas e é um instrumento privilegiado de poderes dominantes. A designada disrupção tecnológica anuncia uma revolução política, industrial e social (e.g. o fim das entidades sociais intermediárias e um desafio ao Estado de direito) de cariz radical, individualista e libertária, que pode ter propostas válidas mas que deve ser acompanhada democraticamente com atenção como sendo um processo ideológico e político. A responsabilidade política de consequências futuras não deve ser atribuída às próprias tecnologias mas sim a quem as utiliza ou permite. A responsabilidade do Holocausto, não obstante a forte densidade tecnológica que o caracterizou, não é atribuída à tecnologia alemã.
O Parlamento Europeu deu voz a estas posições antagónicas na Resolução de 16 de Fevereiro de 2017, com recomendações à Comissão sobre disposições de Direito Civil sobre robótica. Este documento enumera as oportunidades positivas e as ameaças sociais para a Humanidade no limiar de uma era em que “robôs, ‘bots’, andróides e outras manifestações de inteligência artificial (IA) cada vez mais sofisticadas”, que podem ultrapassar a capacidade humana, estão a ser realidade. O texto, que começa por recordar o Frankenstein de Mary Shelley, apresenta um conjunto denso de recomendações à Comissão Europeia sobre questões relevantes do direito e da ética, nomeadamente no referente a educação e trabalho, aplicações na saúde, direitos individuais, responsabilidade civil, regulação na criação e licenciamentos de robôs e códigos de conduta para a investigação e actividades de engenharia. Recomenda-se uma abordagem gradual, pragmática e cautelosa, no que diz respeito às iniciativas futuras em matéria de robótica e IA, de modo a “assegurar que não asfixiemos a inovação”.
Em 25 de Abril de 2018, a Comissão Europeia publicou uma “Comunicação sobre a Inteligência Artificial para a Europa”, a qual aborda duas perspectivas: as oportunidades e impactos na capacidade e actividade industrial e na competitividade da UE e a necessidade de um quadro ético e legal adequado. O documento anuncia, para o final de 2018, um plano coordenado com os Estados-membros por forma a “colocar a IA ao serviço do progresso humano”. Só a reflexão conjunta pode inspirar acções neste domínio.
Em Portugal, constitui-se na Faculdade de Direito de Lisboa da U. Católica, sob o impulso do Prof. H. Sousa Antunes, o Grupo “Direito e Inteligência Artificial”, que tem por objectivo principal desenvolver uma investigação multidisciplinar e inovadora destinada a responder aos desafios éticos e jurídicos que a IA coloca. O grupo é constituído por 20 membros de diferentes especialidades, instituições e universidades. A reflexão ética e filosófica constitui o meu interesse principal nesse trabalho de equipa. Essa reflexão tem dificuldades relevantes. Em primeiro lugar, trata-se de situações novas que envolvem humanos e sistemas não-humanos, artificiais e autónomos, o que exige uma revisitação dos valores humanos a preservar (fronteiras da dignidade, da privacidade, da confiança e da vulnerabilidade). Com efeito, a Humanidade é mais que algoritmos: é mente-corpo que evoluiu em milhões de anos. Em segundo lugar, as novas tecnologias estão intimamente associadas a “modelos de negócio” e de competição estratégica e empresarial criando uma pressão sobre os valores éticos. Na verdade, as grandes empresas mundiais são de natureza tecnológica com elites tecnológicas, mas multimilionárias. Em terceiro lugar, o presente e o futuro tendem a confundir-se. Assiste-se a uma prolepse na divulgação do tema da IA, o que dificulta a análise objectiva das situações que é agravada pela adaptação progressiva dos cidadãos que esse estilo de divulgação pode induzir. Os colossos empresariais (EUA) da tecnologia começam a solicitar orientações éticas e alguma regulação dos Estados. Talvez a concorrência o exija, mas o princípio ético é aceitar que o que se pode fazer nem sempre se deve fazer, em favor da sociedade.
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Professor catedrático (emérito) da Universidade de Lisboa/Instituto Superior Técnico
in Publico de 17 de agosto de 2018
4 de setembro de 2018
Pela Expansão da Rede de Cuidados Continuados Integrados
COMUNICADO
“A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), modelo organizacional criado pelos Ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social e da Saúde, é formada por um conjunto de instituições públicas e privadas que prestam cuidados continuados de saúde e de apoio social.
Através do Despacho n.o 11482-A/2017, o XXI Governo Constitucional, no seu programa para a saúde, estabelece como prioridade expandir e melhorar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).
A expansão foi iniciada, com o aumento do número de camas, principalmente no Norte do país, mas dado o envelhecimento da população há um aumento da necessidade de cuidados continuados em todo o país, não só no imediato, mas nas próximas décadas, em que se espera que o número de europeus com mais de 80 anos de idade triplique, sendo a evolução demográfica pouco auspiciosa em Portugal, com a emigração de jovens a intensificar-se e o número de idosos a crescer.
Neste momento, os familiares de pessoas que sofrem de uma incapacidade, parcial ou total, os cuidadores informais, absorvem a maioria do impacto provocado pelas doenças incapacitantes. No entanto as alterações no modo de vida e nas modalidades familiares, o aumento das taxas de emprego das mulheres e as idades mais tardias de reforma vão reduzir a disponibilidade e a conveniência dos cuidados informais prestados por familiares.
Por outro lado, os cuidados prestados pela família não só implicam encargos financeiros para as pessoas envolvidas, mas também reduzem o número de pessoas disponíveis para trabalhar, com custos para a economia e para os orçamentos públicos.
Assim, o acesso a cuidados continuados é, por conseguinte, importante para promover o equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar dos indivíduos com familiares dependentes, sobretudo as mulheres, para que as responsabilidades pela prestação de cuidados não criem um obstáculo à participação no mercado de trabalho.
Considerando que:
- a despesa pública em percentagem do PIB relativa aos cuidados continuados em Portugal encontra-se abaixo da média dos países europeus;
- o número de casos de demência, tendo como principal motivo o envelhecimento da população, no espaço de três décadas terá uma subida dos atuais 19 milhões de casos para 40,9 milhões;
- Portugal, é um dos países mais envelhecidos da Europa e será o 4º mais envelhecido do mundo em 2050 se nada se alterar;
- o número de doentes sem cama aumentou e que, apesar de existirem 500 novas vagas no final de 2017, mais de 1700 pessoas estão em lista de espera nos cuidados continuados; Os abaixo-assinados exigem que o governo se responsabilize pelas suas obrigações sociais, alargando, de forma ordenada e por todo o país, o número de camas de cuidados continuados, de modo a responder às necessidades crescentes.”
É importante que todos os associados apoiem, assinem e divulguem esta Petição:
Pela Expansão da Rede de Cuidados Continuados Integrados
P’lA Direcção
Maria do Rosário Gama
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