11 de março de 2019

As Rendas da Habitação e os Idosos (Lei 13/2019)


Os contratos anteriores a 1990 eram contratos de duração indeterminada, vinculistas, ou seja, não podiam ser denunciados pelo senhorio, salvo se precisasse da casa para si ou para aumentar o prédio. Havia no entanto limitações à denúncia se os inquilinos tivessem mais de 65 anos ou vivessem na casa há mais de 20 anos. Em caso de denúncia, o despejo exigia processo judicial.


Os contratos posteriores a 1990 passaram a ser contratos com prazo. Estes contratos renovavam-se automaticamente no final do prazo e o senhorio só podia denunciar o contrato para habitação própria (ou para aumentar o prédio) mas não o podia fazer se o arrendatário tivesse mais de 65 anos, ou estivesse reformado por invalidez, ou estivesse na mesma casa há mais de 30 anos.

Com a “lei Cristas” (lei 31/2012), todos os contratos antigos, anteriores a 1990 ou posteriores, podiam transitar para o NRAU (Novo Regime de Arrendamento Urbano) através de um processo de actualização extraordinária, mas para os arrendatários com 65 anos, ou mais, ou 60% de deficiência, ou mais, essa  transição tinha de ter o acordo do arrendatário. 

O que aconteceu foi que muitos arrendatários, sem perceber as consequências, assinaram novos contratos e perderam a protecção que tinham por ter contratos de duração indeterminada! 
 
Foi por isso que a AR decidiu fazer a moratória da lei 30/2018, que voltou a proteger esses arrendatários, mesmo que tivessem já transitado para contratos a prazo. Essa moratória era válida até 31 de Março de 2019.

A lei 30/2018 termina em 31 de Março de 2018. Depois disso, passa a vigorar a lei 13/2019, que determina:

Para os contratos antigos anteriores a 1990

Se o arrendatário tinha um contrato indeterminado, anterior a 1990, mas transitou para o NRAU sem invocar a idade ou a deficiência que o protegiam, se demonstrar com atestado da sua junta de freguesia que reside há mais de 15 anos no locado e se tinha, à data da transição do contrato, idade igual ou superior a 65 anos de idade ou grau comprovado de deficiência igual ou superior a 60 %, não pode ser despejado, excepto em caso de obras profundas, mas aí o senhorio é obrigado a realojar em condições equivalentes.

Para contratos posteriores a 1990, com termo certo

Os arrendatários idosos ou deficientes que têm contratos posteriores a 1990 e com prazo certo também estão protegidos. Nestes casos, se o arrendatário, em Fevereiro de 2019, residir há mais de 20 anos no locado e tiver idade igual ou superior a 65 anos, ou grau comprovado de deficiência igual ou superior a 60 %, o senhorio só pode opor-se à renovação ou proceder à denúncia do contrato para realizar obras profundas, mas nesse caso tem obrigação de realojamento.
Estão, assim, protegidos dos despejos, os idosos ou pessoas com 60% ou mais de deficiência que tenham contratos de arrendamento posteriores a 1990, e que vivam na mesma casa há mais de 20 anos;
Os idosos ou pessoas com um grau de deficiência igual ou superior a 60% que, tendo contratos antigos, os deixaram involuntariamente transitar para o NRAU, em 2012, por desconhecimento ou lapso. Será abrangido quem tinha 65 ou mais anos ou deficiência igual ou superior a 60% na altura em que assinou o novo contrato e resida na casa há pelo menos 15 anos (desde 2003), comprovado por atestado da junta de freguesia.

No caso de já terem recebido cartas dos senhorios, que possam ter sido enviadas durante o período em que vigorou a moratória (de Junho de 2018 a 31 de Março de 2019) a opor-se à renovação do contrato das pessoas que estavam protegidas pela moratória,  as mesmas não produzem qualquer efeito.
Os inquilinos podem ser alvo de uma acção de despejo, só se o senhorio quiser fazer obras profundas de remodelação no prédio, mas se o inquilino tiver mais de 65 anos ou tiver um grau de deficiência igual ou superior a 60% , o senhorio é obrigado a realojá-lo em condições equivalentes ou a indemnizar se o arrendatário o preferir.

Maria do Rosário Gama (com o apoio da Arquitecta Helena Roseta)



10 de março de 2019

Fecho dos CTT. “Mais dia, menos dia, não temos nada"



No ano passado fecharam 70 estações dos CTT por causa do plano de reestruturação da empresa. Em muitos casos, os serviços passaram para as câmaras municipais, papelarias e até uma florista, em Arraiolos. Moradores desfiam queixas mas também encontram vantagens. Retrato de um país que deixou de ter CTT públicos em 2014.


São os idosos que mais se ressentem das alterações efectuadas nos serviços dos CTT. Nalguns casos são forçados a percorrer dezenas de quilómetros para receber as reformas e pensões. O serviço público de correios “configura uma necessidade primordial das populações, acentuada no Baixo Alentejo, marcado por uma baixa densidade demográfica, por cidadãos de baixa escolaridade e idade avançada”, afirma ao PÚBLICO o presidente da Câmara de Aljustrel, Nelson Brito (PS), para descrever como está a decorrer o funcionamento da loja dos CTT no seu concelho, após ter passado a posto de correios gerido por um parceiro privado, em Outubro de 2018.

Ver mais aqui: Economia Noticia CTT Fecho de Balcões

Público 10.03.2019

6 de março de 2019

"Não existe uma forma de ser velho"

Maria José Núncio é especialista em mediação familiar e diz que cada pessoa vive o envelhecimento de forma diferente.

Maria José Núncio

Os meus pais estão a envelhecer é o livro que acaba de lançar.

Não existe uma forma de ser velho. Existem vivências e experiências distintas no envelhecimento, como em qualquer outra etapa da nossa vida. Não se devem manter imagens estereotipadas acerca do envelhecimento, até porque tendem a trazer alguma conotação negativa. Claro que, em termos gerais, vamos ter uma população mais velha cada vez mais exigente, informada e qualificada, mas isso é simplesmente o resultado da própria evolução social. Nesse sentido o ser velho deve ser percebido como uma etapa “normal”, com características próprias e que deve ser vivida e aproveitada da forma mais positiva e enriquecedora possível.



Ver aqui entrevista Não existe forma de ser velho


Jornal Público 06.03.2019

4 de março de 2019

Nas próximas eleições já não precisa de número de eleitor (e outras mudanças)


Raquel Albuquerque
Da próxima vez que for votar, já nas eleições europeias, a 26 de maio, não vai precisar de número de eleitor. Passará a ser suficiente o número de cartão de cidadão e a distribuição dos eleitores pelas mesas de voto será feita por ordem alfabética. Esta é uma das alterações às leis eleitorais que vão entrar em vigor este ano.







Para saber mais aqui :Nas próximas eleições já não precisa de numero de eleitor

Fonte: Jornal Expresso de 02.03.2019

2 de março de 2019

Novos valores para os complementos das pensões.

Já foram publicados no Diário da República, os  valores do complemento extraordinário para pensões de mínimos de invalidez e velhice do sistema de segurança social

O complemento foi criado, mas faltava conhecer os respectivos valores, que constam da portaria acima referida. Foram definidos os valores do complemento extraordinário, incluindo os das pensões do regime especial das actividades agrícolas, do regime não contributivo e regimes equiparados e dos regimes transitórios dos trabalhadores agrícolas, bem como as pensões de mínimos de aposentação, reforma e sobrevivência do regime de protecção social convergente.


Para melhor esclarecimento ver aqui

1 de março de 2019

Vamos envelhecer juntos? Cohousing dá os primeiros passos em Portugal


A “habitação colaborativa sénior”, uma “espécie de república”, mas com regras e serviços de apoio partilhados, pode ser uma alternativa aos lares de idosos e à fatalidade de os mais velhos viverem sozinhos.

Exemplos de habitação partilhada em Portugal

Em Portugal são poucas as iniciativas conhecidas de cohousing, mas há uma em Águeda, já com meia dúzia de anos, fundada por uma instituição particular de solidariedade social, "Os pioneiros", que, em 2012, criou em uma “aldeia sénior”, hoje com 18 idosos, que vivem num aglomerado de pequenas casas, com o apoio de profissionais.

Mas há vários projectos a germinar. A Santa Casa de Misericórdia do Porto (SCMP) tem dois: um que passa pela recuperação e reabilitação de "um antigo bairro destinado a mulheres viúvas" e outro, "um núcleo muito restrito", a instalar num imóvel da instituição, dentro de um ano e meio. "Poderá revelar-se uma boa aplicação prática deste modelo e servir para provar à população que é possível", explicou o provedor da SCMP, António Tavares, na conferência desta sexta-feira, no Porto.

Em Lisboa, segundo Paula Marques, vereadora da autarquia, há um projecto com este espírito que já tem dois anos: um equipamento "intergeracional" instalado no Bairro Padre Cruz, que inclui "creches e espaços de acompanhamento de jovens" no rés-do-chão e residências assistidas nos andares de cima, apenas para idosos com autonomia. O projecto foi promovido pela Câmara Municipal de Lisboa e é gerido pela Santa Casa da Misericórdia da capital.

No encontro, Guilherme Vilaverde, da Fenache (Federação Nacional das Cooperativas de Habitação Económica), adiantou que já se está, com algumas cooperativas, a idealizar vários projectos, mas é preciso "legislação e de financiamento".


Ver mais aqui: https://www.publico.pt/2019/02/22/sociedade/noticia/vamos-envelhecer-juntos-cohousing-passos-portugal-1863102?fbclid=IwAR2khu70j3w0IxWWraLr0z8z2jOKDS

Visita Guiada ao Museu de Marinha em Lisboa

No dia 28 de Fevereiro um grupo de 30 associados da APRe! participaram numa Visita Guiada ao Museu de Marinha com organização da Delegação de Lisboa.

Esta Visita Guiada foi orientada pelo Senhor Comandante Pedro Gomes Lopes, associado da APRe! e antigo Sub-Director do Museu de Marinha, que gentilmente se ofereceu para nos acompanhar, o que constituiu uma enorme mais-valia, uma vez que o Senhor Comandante nos transmitiu muitos conhecimentos e pormenores interessantes sobre as peças em exposição, sobre a Marinha Portuguesa e sobre a História de Portugal.

Foi uma visita que se revelou muito interessante e que muito agradou aos participantes.
Juntam-se algumas fotos desta visita.